Participe do 7º Prêmio CBN de Jornalismo Universitário

 

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Conversar com estudantes de jornalismo tem sido um hábito nos últimos tempos. Incentivá-los na profissão, uma obrigação, especialmente partindo de alguém que se construiu nas redações de rádio, TV, jornal e internet. E nos meus bate-papos frequentes, lembro que as oportunidades hoje estão muito mais acessíveis do que na época em que estudei na PUC-RS, a despeito de toda infraestrutura que a Famecos me oferecia com professores e laboratórios qualificados.

 

Hoje, é bem mais simples tornar público o material desenvolvido: a internet está aí com todos os seus recursos e baixo custo. Naqueles tempos de faculdade, em Porto Alegre, o mais próximo era o jornal impresso: além de ter de tirar o dinheiro do bolso – que era escasso -, as chances de distribuí-lo para um número razoável de pessoas eram pequenas.

 

Podcast, videocast, canal do You Tube, Tumblr, blogs e páginas nas redes sociais abriram enorme perspectiva e permitem que possamos desenvolver aos poucos nossa carreira no jornalismo mesmo antes de estar com o diploma em mãos. Podemos testar diferentes e inovadores formatos, aventurar-se no texto, na mensagem e no desenho, enfim, arriscar, errar e arriscar novamente. Além disso, os principais veículos de comunicação oferecem curso para estudantes, que se transformam em excelente escola para quem está chegando no mercado.

 

A CBN, pelo sétimo ano consecutivo, abre mais uma bela oportunidade para você que ainda está na academia: o Prêmio CBN de Jornalismo Universitário. Neste ano, o tema escolhido para as reportagens é: “Mais tolerância, menos conflitos”. O desafio proporcionado pela rádio aos alunos de todo o Brasil é o de buscar histórias de conflitos solucionados, do entendimento alcançado.

 

Os trabalhos de rádio podem ser individuais ou em grupos e os três melhores serão premiados, sendo um considerado vencedor e, os demais, menções honrosas. O primeiro colocado terá direito a troféu, Ipad e visita supervisionada para acompanhar o nosso trabalho na rádio, em São Paulo, com as despesas de passagem e hospedagem pagas. Além disso, a reportagem vencedora, assim como as duas que receberam menção honrosa, serão reproduzidas na programação da CBN. As inscrições podem ser feitas no site cbn.com.br até o dia 31 de julho.

Conte Sua História de São Paulo: no cortiço, os melhores dias da minha infância

 

No Conte Sua História de São Paulo, o texto de Mariza Christina, de 60 anos, moradora da Água Funda, que preferiu escrever uma carta à mão em lugar de nos enviar um e-mail, pois assim se sente mais próxima das pessoas:

 

 

Em 1961, eu estava com 7 anos e minha irmã, 5. Meus pais passavam por dificuldades financeiras, não podiam pagar mais o aluguel da casa onde morávamos, no bairro da Ponte Rasa, onde nasci, por isso decidiram que iríamos morar com a minha avó materna até a situação melhorar. Ela morava na Rua da Glória, entre a Rua Conselheiro Furtado e a Rua Lava-pés, bem no centro de São Paulo. Era um terreno longo e estreito com vários quartos. Imagine seis pessoas num quarto 6×3, mais ou menos, era um aperto danado, bem diferente da casa grande e confortável que vivíamos, mas para mim e minha irmã era novidade e nos divertíamos muito.

 

Naquela época era comum quartos como aquele por serem baratos e fáceis de alugar, eram popularmente chamados de ‘cortiços’. E foi nesse quarto tão simples e apertado que passei os melhores dias da minha infância. Moramos lá um ano, mas o suficiente para deixar muitas lembranças.

 

Fiquei encanada quando vi pela primeira vez o bonde, aquele carro grande que andava sobre trilhos carregando pessoas, e fiquei intrigada como elas não se molhavam quando chovia, pois não tinham portas! Será que elas abriram o guarda-chuvas?! Corri para contar à minha avó, tão curiosa e ofegante que mal podia falar. Assim que pude, a enchi de perguntas. Quanto ela me disse que os bondes iriam acabar, pois estavam sendo substituídos por ônibus, fiquei muito triste: eles eram tão bonitos! Às vezes, ficava horas no portão só para vê-lo passar, queria gravar aquela imagem na memória.

 

Todos os dias, as duas horas da tarde, saía uma fornada de pão da padaria que havia em frente a nossa casa, o cheiro era inebriante e tão delicioso que até hoje quando me lembro posso sentir aquele cheirinho maravilhoso. É inesquecível!

 

O Carnaval estava próximo. A ansiedade era grande, eu nunca tinha assistido a um desfile. Ao lado da nossa casa tinha uma lojinha que vendia de tudo; fantasias, plumas, máscaras, adereços, etc … O movimento na loja era enorme, pessoas que entravam e saíam alegres com fantasias que iriam vestir. Meus olhos brilhavam com tantas coisas bonitas e coloridas. Meus pais também iam desfilar e deixaram que eu ajudasse a escolher suas fantasias. Compraram ainda confetes, serpentinas e bisnagas de água, para mim e minha irmã.

 

Ainda não existiam blocos ou escolas de samba, eram cordões. As fantasias simples, sem luxo, porém, muito bonitas e criativas. Os cordões se concentravam na Rua Lava-pés e de lá saíam cantando marchinhas que até hoje são lembradas, subiam a rua da Glória e outras ruas do bairro. Quem não desfilava acompanhava jogando confetes e serpentinas. No ar, exalava um perfume delicioso de lança-perfume. Ao fim do desfile ia-se atrás do cordão preferido.

 

Apesar das dificuldades foram os dias mais felizes das nossas vidas e, com certeza, deixou muitas saudades em todos nós.

 

Mariza Christina é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para milton@cbn.com.br. Ou mande um carta como fez dona Mariza.

Avalanche Tricolor: a homenagem do futebol a Antônio Augusto, o Plantão Esportivo

 

São José 1 x 1 Grêmio
Campeonato Gaúcho – São Leopoldo(RS)

 

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Havia oito jogos sendo disputados simultaneamente e cada resultado poderia determinar o destino de um dos times do Campeonato Gaúcho, nesta última rodada da fase de classificação. Alguns já estavam garantidos, mas poderiam ficar mais acima na tabela, o que daria vantagem no mata-mata que se inicia esta semana. Outros ainda tinham chances de estar entre os oito classificados. E uns poucos lutavam desesperadamente para escapar da segunda divisão estadual. Na tela da televisão, enquanto assistia ao Grêmio cumprir tabela, pois como estava garantido na próxima etapa entrou em campo com time misto, a vinheta eletrônica surgia a todo instante sinalizando a marcação de gol nas demais partidas. Surgiram com frequência bem maior do que nas rodadas anteriores: 23 no total, 2,8 por jogo, acima da média da competição que é de apenas dois gols por partida. Os gols se sucediam, a vinheta piscava e a todo instante, vindo de algum lugar qualquer, uma voz parecia ressoar na memória:

 

“Tem gol!”
“Tem gol onde, Antônio Augusto?”

 

Era como se estivesse de volta aos meus tempos de guri, em Porto Alegre. Uma época em que o rádio reinava quase sozinho no futebol. À televisão era reservada apenas uma partida e mesmo assim tirávamos o som para acompanhar a transmissão eletrizante dos narradores do Rio Grande do Sul, uma escola que fez época na radiodifusão brasileira. Por motivos óbvios, cresci ouvindo a Rádio Guaíba, mas é importante lembrar que este hábito não era apenas meu e por familiaridade com a emissora, era de boa parte dos gaúchos. Vibrávamos com a precisão das descrições feitas de cada lance por vozes que aprendemos a admirar. Havia comentaristas capazes de analisar taticamente a disposição dos times e repórteres que não deixavam escapar qualquer cena dentro e fora de campo.

 

“Tem gol!”
“Tem gol onde, Antônio Augusto?”

 

Este rápido diálogo, que se repetia todas as vezes que algum gol havia sido marcado no planeta bola era uma espécie de marca registrada daquelas transmissões. O bordão era reproduzido por mim e por muitos da minha geração nas peladas de rua ou nas acirradas disputas de jogo de botão para tripudiar sobre o time adversário. Por trás da brincadeira, havia o reconhecimento a uma das figuras mais importantes do rádio esportivo brasileiro: Antônio Augusto dos Santos, o Plantão Esportivo. Era uma figura misteriosa para a maioria dos ouvintes. Não ia aos estádios, não aparecia em público e não se sabia para quem torcia (alguns de nós sabíamos). No entanto, era capaz de nos contar cada gol feito em qualquer parte do mundo segundos após a bola estufar a rede. Tive a oportunidade de vê-lo trabalhando sentando à mesa do estúdio da Guaíba, na rua Caldas Junior, centro de Porto Alegre. Em torno dele, uma quantidade enorme de aparelhos de rádio Transglobe, fabricados pela Philco brasileira, que permitiam a sintonia de emissoras à longa distância. Todos ficavam com o som relativamente baixo até que um grito de gol surgisse. Antônio Augusto, com a rapidez que o veículo exigia e a precisão que só os craques oferecem, logo identificava o autor do gol e seus dados:

 

“Tem gol!”
“Tem gol onde, Antônio Augusto?”

 

Nos lugares em que os aparelhos de rádio não alcançavam ou as emissoras não transmitiam, até onde lembro – e quem lembrar mais, por favor, me conte – ele montava uma complexa rede de informantes ou contava com precárias linhas telefônicas. Qualquer esforço era válido para nos manter bem informados. Com esse apuro, nos apresentou jogadores desconhecidos e equipes em ascensão, em um tempo no qual o acesso a internet era inimaginável. Nos ensinou muita mais: sem as tabelas eletrônicas da atualidade à disposição, colecionava gols, placares, resultados e a participação individual dos jogadores. Com seus arquivos implacáveis construiu a estatística do futebol mundial, pois seus dados iam muito além de Grêmio e Inter, os times da redondeza. Além de contar o gol, Antônio Augusto nos contava quantos gols o artilheiro já havia marcado, em quantos jogos esteve presente, o desempenho do nosso time na competição e na temporada, e mais uma série de informações complementares e significativas. Era capaz de manipular uma quantidade incrível de fichas e dados graças a sua organização e inteligência aplicadas na função que desempenhava. Ninguém foi capaz de fazer igual.

 

“Tem gol!”
“Tem gol onde, Antônio Augusto?”

 

Depois de admirá-lo no rádio e no estúdio, tive o privilégio de participar de jornadas nas quais Antônio Augusto foi plantão esportivo. Era um profissional correto e exigente. Com toda sua firmeza, porém, nunca deixou de me tratar com um carinho especial que, tenho certeza, tinha muito a ver com o respeito e companheirismo que mantinha com meu pai. Os dois sempre foram muito amigos. Foi meu pai quem me informou, por telefone, que Antônio Augusto morreu na madrugada deste domingo, aos 77 anos, vítima de um AVC. Imediatamente, liguei para um dos filhos dele, Antônio Augusto Mayer dos Santos, que conheci já advogado e especialista em direito eleitoral, em 2010. Desde aquela época, tenho o prazer de publicar alguns de seus textos neste blog. Antônio Augusto, o filho, mesmo diante do momento difícil para a família, fez questão de me contar, hoje, algo que me deixou ainda mais emocionado: disse que o pai dele era meu torcedor, pois vibrava quando me via na televisão logo que me transferi para São Paulo. Sei que ele torcia mesmo era pelo Grêmio, paixão declarada publicamente em 2007. Mas pelo que conheço da maneira sincera como ele sempre tratou os amigos do peito, guardarei esta história no coração, assim como guardo na memória aquela voz:

 

“Tem gol!”
“Tem gol onde, Antônio Augusto?”

 

À esposa e aos filhos nossa solidariedade. E o desejo de que, neste Domingo de Páscoa, os gols marcados acima da média, na rodada do Campeonato Gaúcho, e os outros tantos assinalados mundo a fora, sejam registrados nas estatísticas como uma homenagem do futebol a este grande nome do rádio esportivo brasileiro. Porque onde tem gol, sempre haverá a marca de Antônio Augusto.

Conte Sua História de SP: pássaros, cheiros e sabores da cidade

 

Por Elisabeth Cury

 

 

Nasci em São Paulo e aqui estou até hoje. São anos e anos!

 

Vou puxar pela memória, buscar acontecimentos. Mas não vou puxar muito, não. Drummond dizia que o que for preciso de esforço para lembrar é que não foi importante.

 

Sei de uma coisa: desde muito cedo me deixei impressionar pelos sentidos. Foi meu jeito de captar o mundo, a vida, esta cidade. Então vai ser fácil.

 

Eu morava na periferia, quando ainda havia trechos de mata – a Atlântica – no caminho para o centro, para a “cidade” como se dizia.. Procurava ver, ouvir, sorver os aromas, saborear, pegar, vendo tudo que podia com minhas próprias mãos. – sentir.

 

Que céu! O ar transparente: de dia, quando havia sol, nuvens espetaculares, sobre azul, com formatos que eu queria sempre associar a bichos, gente, coisas, como fazem as crianças. À noite, estrelas no azul-marinho. Nessa hora, meu pai, que fora pescador marítimo em sua terra, me dava aula de céu – o que era estrela, o que era planeta, constelações e o nosso Cruzeiro do Sul.

 

O cheiro da terra molhada, quando chovia. Delícia! Natureza. Nas trovoadas, minha mãe punha-nos, a mim e a meu irmão, debaixo de uma mesa, embrulhava a tesoura que usava nas costuras em um pano, toda a casa ficava fechada. Ninguém podia fazer nada, até que o mau tempo passasse. Então podíamos sair. Era hora de ver a enxurrada em ruas e terrenos de bairro que principiava.. Era pôr o pé na água, sem ninguém falar às crianças que podia dar leptospirose. Era muito divertido molhar os pés, soltar barquinhos de papel.

 

Revoada de pardais no amanhecer e no entardecer. É que nos fundos do meu quintal havia um riozinho, ainda limpo naquele tempo, e, na beirada, uma touceira de bambu, opulenta. Era dormitório de um sem número de pardais. O dia acordava com uma cantoria inesquecível. À tardinha, eles iam chegando. O movimento deles nessa hora era curioso: não chegavam e iam quietinhos para o abrigo noturno. Não. Em bandos incontáveis, pousavam e logo saíam em revoada, descreviam um círculo e voltavam. Outro bando partia. Assim ia até ir escurecendo e eles se aquietando em seus lugarezinhos.

 

Os parentes que iam em casa – nesse tempo usava-se receber e fazer visitas – desfrutavam desse acontecimento. Era até uma atração turística da minha casa. Além dos pardais, os bem-te-vis, os sabiás, as rolinhas e o arrulho dos pombos da comadre, vizinha, que mantinha um pombal.
Perfumes. Principalmente o de gardênia, que minha mãe chamava de jasmim-do-cabo e que ela conservou em nosso jardim por muito tempo, quase sempre.

 

Sabores: de uva, azedíssima e de mexerica, já que havia nove pés no quintal. Eu só tinha uma pena: eu queria que elas dessem no verão, que eu ia aproveitar mais. Elas ficavam prontas no outono, quando já estava frio.

 

Era a São Paulo da garoa, muitos meses do ano em cinza. Que frio!… Acho que é por isso que eu estou sempre pronta para o inverno, foi meu princípio, foi como conheci o meu lugar no mundo.

 

Saudades dessa São Paulo!

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN SP. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode contar outros capítulos da nossa cidade, escrevendo seu texto e enviando para milton@cbn.com.br

Os brasileiros que deram certo

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Henrique Dubugras, 19, corintiano, aos 12 anos, contrariado pela mãe que tinha negado a compra de um jogo eletrônico, resolveu criar um. Aos 17, cruzou na rede com Pedro Franceschi, 16 anos, (supostamente são-paulino), que aos 8 já programava. Detectaram um nicho de mercado e fundaram a “Pagar.me”, plataforma de pagamentos eletrônicos em 2012. Levantaram R$1 milhão com duas empresas investidoras, e operam a “Pagar.me” no azul desde dezembro, e preveem movimentar este ano R$500 milhões.

 

Mílton Jung, no CBN Young Professional, perguntou a eles sobre o método usado para o levantamento de capital. Disseram que foi graças a aposta pessoal dos investidores mais do que ao “Business Plan” apresentado. É fato, pois ambos certamente pertencem àquela classe de brasileiros acima da curva. A aprovação em Stanford, que iniciarão em 2016, é uma constatação evidente. (ouça o CBN Young Professional)

 

Alguns minutos depois, Luiz Barreto, presidente do SEBRAE, disse no Jornal da CBN que o Brasil alcançou no último censo sobre empreendedorismo a invejável marca de 34,5% de cidadãos empreendedores. Pesquisa que considerou a faixa etária entre 18 e 64 anos, cujo resultado é o melhor entre os BRICS, com a China em segundo lugar com 27% de empreendedores. É um número significativo também pela comparação com a posição anterior que era de 23%. (ouça a entrevista do Sebrae ao Jornal da CBN)

 

Crescimento positivo tanto pela expressiva margem como também pelo fator “formalização”, impulsionada pela reforma tributária realizada para as micros e pequenas empresas. Ressalte-se ainda que dos empreendedores nacionais 70% buscam negócios pelo desejo e 30% pela necessidade.

 

Se o caso da “Pagar.me” é de autores acima da média, os dados do SEBRAE podem ser corroborados pelo setor nacional de franquias. Considerando apenas os negócios formatados, temos a maior feira de franquias do mundo, 2.942 redes, 125.641 unidades, R$127 bilhões de faturamento, 1.096.859 empregos, e 94% de empresas brasileiras. Podemos afirmar que somos uma terra de empreendedores. Apesar de tudo.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Conte Sua História de SP: serei parte desse teu chão

Por Valdeni da Silva
Ouvinte da rádio CBN

 

 

Minha história inicia-se nos anos sessenta em um patrimônio chamado Aricanduva que pertence ao município de Arapongas que se localiza no norte no Estado do Paraná.

 

Cresci livre correndo entre as matas e cafezais, nadando nos límpidos riachos e se alimentando com carne fresca de porco e galinha e de frutas e legumes fresquinhos colhidos na horta e nos pomares que havia em todas as propriedades rurais, a minha infância foi de intensa felicidade, pois não conhecia o mal nem a malícia e a perversidade que assediam as crianças de hoje.
Cresci ouvindo a voz do Brasil e ouvindo falar na tal ditadura que papai nos explicou que era proibido falar mal do governo e só havia dois partidos o MDB que era dos pobres e a Arena que era do governo e dos patrões. Papai era o MDB, mas a gente não podia dizer isso na escola, nos dias de eleições no Ginásio Júlio Junqueira em Aricanduva a gente via o medo estampado no rosto das pessoas e os eleitores não ousavam nem cochichar pois eram vigiados o tempo todo e ao final das eleições que foram regulamentadas pelo AI 15 – este ato institucional impôs a data das eleições nos municípios para 15 de novembro de 1970 -quem vencia era sempre o candidato do governo.

 

Ditadura à parte, a vida continuava ótima na roça, os porcenteiros e sitiantes festejavam um ano de safra recorde de café até que chegou o fatídico ano de 1975. Talvez a melhor maneira de descrever este fato seja narrando-o do ponto de vista pessoal. Para os que viveram no Norte do Paraná naquela época, aquele inverno significou uma tragédia ao mesmo tempo coletiva e particular, algo que o Brasil praticamente não percebeu o verde dos campos foi substituído por um cinza funesto e os incêndios se alastraram pelo estado que teve a cafeicultura e hortaliças dizimadas pelo gelo. Foi essa geada de 1975 que quebrou a hegemonia do Estado do Paraná na produção brasileira de café, cedendo essa posição para Minas Gerais.

 

A exemplo de muitos, esperanças congeladas, lavradores frustrados, papai resolveu que viríamos para São Paulo, o Eldorado dos aventureiros, terra onde se ganha dinheiro e sucesso, aqui compramos casa em Vila Curuçá, encontramos emprego e com muita garra e luta nos estabilizamos. Fui Office boy, entregador, carteiro, metalúrgico e hoje sou um educador, profissão que amo de paixão, funcionário público com muito orgulho.

 

Se perguntarem se fui feliz na infância e adolescência digo que sim, pois tive o prazer de lutar pelas Diretas Já, fui ao Anhangabaú onde havia mais de dois milhões de pessoas reivindicando por um país democrático e eleições.

 

Sou hoje paulistano por adoção e amo São Paulo que tanto contribuiu para minha emancipação financeira e deu a minha amada querida esposa – também Educadora -, filhos e neto, enfim São Paulo é de todos, de negros, de brancos, de crentes, de católicos, de sulistas, nordestinos, estrangeiros… Se eu fosse ficar falando bem de São Paulo essa história quase não teria fim.

 

Ah São Paulo tão amada, cultuada e cantada em versos e prosa, símbolo da América do Sul, locomotiva que puxa o país, como eu te amo. Chão abençoado que como imã atrai os povos de todos os lugares.

 

Quando meu corpo tombar serei parte desse teu chão e meu corpo em teu corpo se tornará um só corpo e seremos sempre felizes.

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, no CBN SP, logo após às 10 e meia da manhã. A sonorização é do Cláudio Antonio.

Mundo Corporativo: Ruy Goerck, da BASF, fala das transformações da indústria química

 

 

A indústria química, atualmente, é muito mais vista como parte da solução para este nosso mundo do que parte do problema. Esta é a ideia central defendida por Ruy Goerck, vice-presidente de químicos e produtos de performance da BASF, que participou das transformações promovidas pelo setor nos últimos 30 anos. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, Goerck fala, entre outros assuntos, do programa Juntos Pela Sustentabilidade, criado em 2011, que reúne oito das das maiores empresas de produtos químicos do mundo e promove a sustentabilidade na cadeia de abastecimento. Na entrevista, o executivo mostra as oportunidades de trabalho que surgem neste mercado.

 

O Mundo Corporativo é apresentado, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo site http://www.cbn.com.br. Os ouvintes podem participar com perguntas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN. Participam do Mundo Corporativo Paulo Rodolfo, Cláudio Mesquita e Ernesto Foschi.

Conte sua história do rádio

 

Por Milton Ferretti Jung

 

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Sou fã de carteirinha do Conte Sua História de São Paulo. Não se trata de corujice do pai do Mílton. Não perco os textos que ele posta com este nome no seu blog. Caxiense por nascimento e porto-alegrense por adoção,as pessoas de outros estados do Brasil e mesmo estrangeiros que desembarcam em SP,em geral,ainda crianças,têm sempre boas histórias para relatar dos seus primeiros anos na capital paulista.

 

Nestes tempos em que,por motivos para lá de importantes, as mídias de toda espécie estão voltadas para os escândalos protagonizados por políticos e/ou funcionários governamentais,meus textos pareceriam ter virado samba-de-uma-nota-só,contaminado pela fartura de notícias do mesmo tipo. O Mílton que me desculpe,mas me obriguei a dar um tempo nos textos das quintas-feiras que escrevo,normalmente,no blog por ele capitaneado.

 

Talvez meu débito com o Mílton,quem sabe o único leitor das páginas que posto neste blog,aumentaria consideravelmente,se eu não tivesse lido o mais recente episódio do Conte Sua História de SP. Encontrei analogias entre a chegada de Dina Gaspar – este o nome dela – e a minha infância, apesar de a menina assustada com os estranhos barulhos que ouvia ao ter de entrar naquela que seria sua segunda casa, ”agarrava-se fortemente ao pescoço da prima Ercília visando a não entrar no seu novo lar”.

 

Dina não deixava de ter razão. Os autores da barulhada sequer falavam a sua língua. Afinal,ela vinha de uma “pobre aldeia argentina”. E o barulho soava,contou,como perigo iminente. Mal sabia que estava – palavras dela – sendo apresentada ao rádio,”aquela caixa de madeira escura de uns 60cm x 40cm”. Adorei a frase de Dina Gaspar no seu texto:”No mundo infantil não existiam apenas vozes sem corpo”. Não deixava de estar certa.

 

Dina Gaspar,se a minha matemática não está errada, diz no belo texto que escreveu, ”que, dessa intensa e intrincada vivência, os 70 anos seguintes nos mudaria a ambas: a mim e a São Paulo!”.

 

Falei na minha analogia com Dina porque,apesar dos 10 anos de diferença entre nós,na casa paterna,em Porto Alegre,de certa forma descobrimos, ainda muito cedo, que o rádio não faz mal a ninguém. Bem pelo contrário. Ouvi rádio desde pequeno, depois já adolescente. Meus avós,que moravam conosco,eram pagos para controlar se,no rádio,os anúncios de determinadas firmas íam ao ar nos horários combinados. Foi em um serviço de rádio escuta desses que tomei conhecimento de que uma pequena emissora havia aberto testes para candidatos a locutor. Fui um dos três que passaram no teste na Rádio Canoas.

 

Muito mais longe de sua casa paterna foi o Mílton Jr. que,com uma feliz combinação entre nós,passou a ser conhecido com Mílton Jung. Mais corajoso que o pai,ele fez teste na TV Globo. E passou. Acho que a história dele em São Paulo bem que poderia ser contada pelo próprio.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Escreve às quintas-feiras no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Conte Sua História de SP: aqui fui apresentada ao rádio

 

Por Dina Gaspar

 

 

Não, não, não, gritava eu… não quero entrar… tenho medo, tenho medo … tem muito barulho … tem gente brigando aí dentro, tem muita gente brigando …. E mais me agarrava fortemente com as pernas ao corpo e com os braços ao pescoço de minha prima Ercília. E a empurrava para trás para não me levar para dentro de sua casa… Era fim de tarde, noitinha …

 

Apesar de seus 16 anos completados naquele dia, Ercília era muito maior e muito mais forte, que o dobro da diferença de nossa idade, naquele ano. Eu era muito pequena e mal tinha completado oito anos de idade, no dia 20 de janeiro de 1953, num navio argentino chamado Corrientes, do qual desembarcamos, minha mãe e minha irmã dois anos mais velha, em Santos, no dia 26 de janeiro.

 

No colo de minha prima, ainda que desconhecida até aquele dia, mais a proximidade de meu pai – que reencontrávamos depois de um ano -, minha mãe e minha irmã, não foram suficientes para me dar confiança e coragem de enfrentar aquelas vozes. Vozes que eu não sabia de onde vinham, não as reconhecia e, mais, não falavam a minha língua… Soavam apenas como perigo iminente!

 

Fui assim apresentada ao rádio!

 

De onde eu vinha, uma pequena e pobre aldeia chamada Avelãs da Ribeira, na Beira Alta, meu mundo era outro. Foi como sair da Idade Média diretamente para um mundo totalmente desconhecido e séculos à frente: a modernidade do Brasil, da grande cidade de São Paulo. E, também para o populoso e operário bairro de Vila Maria, onde morava uma grande colônia de portugueses e, no meu caso, a família de minha mãe.
Mal podia acreditar que dentro daquela caixa de madeira escura de uns 60cm x 40cm, sobre o guarda-louça, estivessem todas aquelas vozes… E que lá coubessem tantas pessoas! Aé então para mim tudo era concreto, racional e lógico… e distante das modernidades do mundo! Acreditava que se a estátua de um menino na Igreja de minha aldeia, que segurava um globo numa das mãos, caísse e se quebrasse, o mundo acabaria.

 

Além de poucas pessoas, todas familiares, só conhecia a natureza e com ela tinha toda intimidade. Conhecia todos os recantos de minha pequena aldeia e todas as demais onde meus parentes moravam. Andava pelos campos sem medo nem desconfiança. Explorava a floresta com a certeza de que apenas os homens e os animais e os insetos por ali andavam, ou viviam…

 

E na natureza, vozes não identificadas causavam medo e precisavam de explicação e comprovação visual. Sempre! Ou pertenciam às histórias que os adultos, à beira da fogueira, contavam, as quais enchiam as crianças de medo. Eram os fenômenos ou acontecimentos que o aldeão não conseguia explicar. Já faziam parte de sua cultura.

 

No mundo infantil não existiam apenas vozes, sem corpo!

 

E despertei, em São Paulo, para o mundo complexo e onde tudo era novidade. Não foi fácil adaptar-se à cidade grande que para mim era o próprio Brasil, inteirinho na cidade de São Paulo. Ou melhor, ao redor de minha casa na Vila Maria.

 

No ano seguinte, no dia 25 de janeiro de 1954, da casa comunitária que dividíamos com mais duas famílias, na Rua Mére Amedea, já na direção da Vila Maria Alta, São Paulo continuava me surpreendendo com suas inúmeras e cotidianas novidades. E, naquela noite, olhando ao longe e do alto para o perfil dos grandes prédios do centro de São Paulo, destacado pelo maior arranha céu da época, hoje, Banco do Estado de São Paulo, vi uma chuva prateada ou dourada cair em comemoração do Centenário da Cidade de São Paulo. O céu brilhava! Não eram estrelas verdadeiras que caíam. Porém, no meu mundo infantil, eram ainda mais bonitas, brilhantes e misteriosas…

 

Nesse dia em que a cidade de São Paulo completava 400 anos de fundação, eu, com apenas nove de vida, ainda não sabia, mas, teríamos pela frente muitos anos juntas e de intensa vivência … Veríamos o progresso mútuo, acompanharíamos uma à outra em nosso cotidiano e faríamos parte das novidades do mundo … E que, dessa intensa e intrincada vivência, os 70 anos seguintes nos mudaria a ambas: a mim e a São Paulo!

 

E para muito melhor! Seria o resultado dos milhares de estrelas cadentes daquela noite de aniversário de São Paulo ?

 


Dina Gaspar é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte mais um capítulo da nossa cidade. Envie seu texto para milton@cbn.com.br.

Mundo Corporativo entrevista Guilherme de Almeida Prado sobre empreendedorismo social

 

 

Negócios sociais reúnem a intencionalidade de fazer o bem das ONGs com a meritocracia e a busca pelo lucro da empresa privada. De acordo com o administrador de empresas Guilherme de Almeida Prado este é um novo modelo que tem se apresentado com forte potencial nos últimos anos. Sobre as estratégias e oportunidades neste segmento, Prado foi entrevistado pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Ele é diretor da Konkero, um portal de finanças pessoais que trabalha dentro dos parâmetros de empresas sociais.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas,no site da rádio CBN: CBN.com.br. Os ouvintes podem participar com e-mails para mundocorporativo@cbn.com.br e para os Twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e tem a participação de Paulo Rodolfo, Carlos Mesquita e Ernesto Foschi.