Conte Sua História de SP: licença para ser paulistano

 

Por Silvio Afonso Almeida

 

 

Minha paixão pela cidade de São Paulo começou bem cedo e cada vez aumenta mais. Cheguei de Minas Gerais aos três anos de idade e minha família foi morar em Diadema e depois em São Bernardo do Campo no ABC paulista.

 

Na minha adolescência tinha o sonho de ir a São Paulo para comprar roupas, pois era comum ouvir as pessoas contarem o quanto era legal fazer compras na “cidade”. Na primeira vez me assustei, mas a sensação foi inesquecível: subir a General Carneiro entupida de gente foi uma visão incrível. No entanto, era difícil fazer aquilo sempre. Aos 19 anos vim morar na zona Leste de São Paulo sem ter outra opção, já que minha família encontrava-se numa tremenda crise e eu já era seu arrimo. O bairro não era exatamente o panorama de meus sonhos dessa maravilhosa cidade e foi difícil me acostumar. Mas com o tempo meu coração foi encontrando seu lugar aqui. Me recordo do dia em que passando em frente a Bolsa de Valores, vi um homem muito bem vestido falando em um aparelho móvel colado ao ouvido eu não acreditei no que via, era um celular, embora não tivesse noção exata disso. Tudo ao meu redor me provocava encantamento e fui me apaixonando.

 

O apogeu dessa minha paixão foi no dia em que tive a oportunidade de fazer um voo panorâmico pela cidade. Era uma promoção de um fornecedor da empresa em que eu trabalhava. Foi arrebatador! Decolamos do Campo de Marte e logo o horizonte infinito de São Paulo foi se desdobrando diante de minha vista. Como era imensa! Linda! Todas aquelas sensações iam como que consolidando dentro mim a minha ligação com essa cidade. O medo do aparelho voador ficou em último plano. Sobrevoamos o Ibirapuera, depois tive a impressão de estarmos sendo engolidos pelos telhados até pararmos bem encima da maravilhosa Avenida Paulista. Ciente do quanto eu gostava da cidade, o comandante fez questão de girar a aeronave em 360° e eu quase perdi o fôlego diante daquele espetáculo. Em seguida, nos dirigimos ao edifício Itália para onde iríamos mais tarde para um jantar. Dalí, fomos para Perdizes e pairamos sobre o Parque Antártica onde eu costumava assistir o verdão jogar. Infelizmente era um dezembro escuro do ano de 2001 e estávamos em plena crise de energia elétrica e o racionamento apagou as luzes do natal.

 

Do alto do Terraço Itália, saboreando uma trança de salmão com um legítimo vinho italiano, contemplávamos a cidade e eu tinha uma certeza: São Paulo é realmente a minha cidade e tive licença de me considerar um paulistano.

 

Silvio Afonso Almeida é personagem co Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você participar com história enviadas, em texto, para milton@cbn.com.br

Mundo Corporativo entrevista Mário Sérgio Cortella sobre trabalho, liderança e ética

 

 

A busca por um propósito é o melhor caminho para você enfrentar os desafios do ambiente de trabalho, com mais prazer e menos estresse. Essa é uma das recomendações do filosofo Mário Sérgio Cortella, entrevistado pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. “Todo esforço intenso gera cansaço, o que causa estresse é o esforço sem sentido”, diz Cortella, que também é comentarista do quadro Academia CBN, que vai ao ar no Jornal da CBN, de segunda à sexta”. Além de trabalho, Cortella fala, também, sobre liderança e ética.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas,no site da rádio CBN: CBN.com.br. Os ouvintes podem participar com e-mails para mundocorporativo@cbn.com.br e para os Twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e tem a participação de Paulo Rodolfo, Carlos Mesquita e Ernesto Foschi.

Conte Sua História de SP: aquela família que a gente forma por opção

 

Por Laura Hokama
Ouvinte da rádio CBN

 

 

São Paulo em que nasci, vivo profundamente todo o caos urbano e agradeço aos meus avós que vindo se aventurar de Okinawa- Japão, passaram por outras cidades e… pararam em São Paulo!!! Ê…Ê…Ê…Ê… São Paulo … Ê ….. São Paulo, São Paulo da garoa, São Paulo da terra boa!

 

Nos meus 50 e tralala…. morei no Tatuapé cuja referência é a rua Jacirendi, travessa da avenida Celso Garcia…. rua em frente ao prédio do Banco do Brasil, este construído com pastilhas brancas e azuis que na época era super Chic!

 

Na lembrança os vizinhos: dona Mercedes que morava num casarão chic e tinha telefone na casa dela! Ah! A dona Higínia também tinha sua casa muito chic e telefone! Esta por gostar muito da minha mãe, oferecia, quando se fosse por necessidade, o uso de seu telefone, mas a dona Guida, minha mãe, educadamente, sempre agradecia e quando precisávamos corríamos na farmácia do Megale para telefonar e não incomodar a dona Higínia!

 

A dona Léa, também com seu acolhimento humanamente amoroso, abria a sessão de sua super TV para os amigos de seu filho, o qual era o meu amigo rico!! As lembranças das tardes que chegávamos em sua casa, tirávamos os chinelos no quintal e entrávamos na sua cheirosa casa, íamos para a sala e assistíamos a TV, não lembro a marca, mas era linda, ficava embutida num armário com duas portas que se abriam para ser ligada e nos entretíamos por horas!

 

Tinha o barzinho do “ seu Zé” que, vez ou outra com os trocadinhos que guardávamos, íamos lá para escolher os doces de sua vitrine. Eu adorava o suspiro cor de rosa! São muitas as lembranças desta rua que ainda residem em minha memória!

 

Crescida, morei em outros bairros, fui morar em outras cidades do interior, e, agraciada, voltei para São Paulo!

 

Hoje, resido na Água Branca! Aqui era uma região com muitas fábricas e casas. Infelizmente ou felizmente, estão chegando os prédios, um deles onde moro. No prédio, vão chegando os novos vizinhos, todos se conhecendo e, passado um ano de convivência, formamos uma família! É, aquela família que a gente forma por opção! Afinidades por pensamentos, crenças e atitudes! Alguns, às vezes, se estranham, mas arrumam um jeitinho para conviver.

 

Percebo que estamos fazendo parte da mudança da região, fábricas saindo e chegando as moradias residenciais. Sabe, já está previsto uma linha do metrô, que ficará a poucos metros do prédio.

 

É a nossa São Paulo se modificando, crescendo e se expandindo para acolher os filhos da Terra!

 

Laura Hokama é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie a sua história para milton@cbn.com.br

Mundo Corporativo: Artur Hipólito do Zaiom fala de franquias de baixo custo

 

 

“As microfranquias são para as pessoas que estão mudando o mundo do emprego pelo mundo do trabalho; e que vão se dedicar durante uma fase da sua vida a construir esse pequeno negócio até que ele tenha as condições necessárias para que possa ser formatado melhor do ponto de vista da contratação de pessoas e recursos humanos para operar suas atividades”. A afirmação é de Artur Hipólito, sócio-diretor do Grupo Zaiom, entrevistado pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Hipólito explica quais são as estratégias para quem pretende entrar neste mercado de franquias de baixo custo: “é muito importante a pessoa separar o que vai fazer, porque nem sempre o negócio que é bom para o seu cunhado, ou para o vizinho do lado, é bom para você, e às vezes a pessoa chega e pergunta o seguinte: o que que está dando dinheiro? Eu costumo responder o seguinte: vender coxinha na porta do campo de futebol dá dinheiro. Qualquer coisa que você vier dá dinheiro, desde que você faça com muito amor, com coração e muito trabalho”.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar, toda quarta-feira, às 11 horas, no site http://www.cbn.com.br​ Você participa com perguntas para o e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelos Twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN e tem a participação de Paulo Rodolfo, Carlos Mesquita e Ernesto Foschi.

Mundo Corporativo: Lupércio Moraes conta como foi a profissionalização da Sorvetes Rochinha

 

 

Após 25 anos construída a partir de gestão familiar, a Sorvetes Rochinha passou por processo de profissionalização em busca da expansão dos negócios. A estratégia desenvolvida por José Lopes, o criador da tradicional marca de sorvetes do litoral paulista, e pelos sócios da Hurtado & Moraes Capital Management é o tema da entrevista, do programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, que recebeu o atual diretor-geral da empresa Lupércio Moraes. Na conversa com o jornalista Milton Jung, ele conta a história da Sorvetes Rochinha desde sua criação, quando Lopes que reformava imóveis na região teve a oportunidade de montar a sua primeira sorveteria. Destaca ainda a forma como a marca acabou se transformando em produto da elite paulista que frequentava o litoral norte do Estado, a construção da fábrica que permitirá que a empresa amplie ainda mais o seu mercado e os cuidados que devem ser adotados sempre para a profissionalização de empresas familiares.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site da rádio CBN. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN e tem a participação de Paulo Rodolfo, Carlos Mesquisa e Ernesto Foschi.

Conte Sua História de SP: 50 anos de uma incrível amizade

Por Elisabete Parra

 

 

Meu nome é Elisabete Parra, nasci em Catanduva, em setembro de 1956. Sou filha única e convivi com meus pais, avós e tios naquela cidade até meus sete anos, quando então meus pais resolveram mudar-se para São Paulo, para que eu pudesse estudar, pois a escola mais próxima do sítio que morávamos ficava a uns 4 km de distância, e não havia condução.

 

Chegamos em São Paulo em novembro de 1963. Pra todos nós e principalmente pra mim foi um choque, em todos os sentidos. Vivia numa casa simples, sem luz elétrica, mas confortável, onde não havia cercas, vizinhos próximos, somente verde e animais.

 

Fomos para a Vila Industrial na Zona Leste, morar em um quarto e cozinha nos fundos da casa do meu avô materno, numa rua de terra com muitas casas e cheia de crianças. O que me consolava é que meu pai para me agradar comprou um rádio, onde conheci as músicas do Roberto Carlos, e o sucesso da época era Calhambeque.

 

 

No inicio de 1964 fui pra escola, Escola Estadual Prof.Maria da Gloria da Costa e Silva, primeira escola de alvenaria da região. A escola ficava um pouco distante, então as mães tinham que levar e buscar as crianças a pé, e nessas idas e vindas três mulheres se conheceram, ficaram amigas e então começaram a se revezar para buscar suas filhas, entre elas minha mãe: D.Ermelinda; a D.Carmen, mãe da Rosa; e Roseli e a D.Enedina, mãe da Lala, Nice e Edna.

 

As crianças ficaram muito amigas, e os pais também. Frequentávamos as casas, comíamos juntas e conhecíamos toda a família. Brincávamos na rua, sem medo, conhecemos as primeiras paqueras, que também moravam no bairro, fazíamos bailinhos nas casas, íamos ao cinema, comprávamos nossas roupas e calçados na feira livre, participávamos das procissões da Igreja N.Sra de Fátima, no Bairro Sapopemba. Era tudo muito divertido, apesar de sermos muito pobres, não tínhamos noção disso, pois éramos muito felizes com o que tínhamos.
Essa amizade ficou tão forte, que já dura 50 anos. Desde aquela época passamos os Natais sempre juntos, pois consideramos essa a nossa grande família, família não de laços sanguineos, mas de laços fraternos, laços de amor.

 

Em setembro do ano passado, fizemos uma grande festa para comemorar meio século dessa amizade, com nossos filhos, que são amigos e se consideram primos.

 

Eu só tenho que agradecer a essa cidade que acolheu tão amorosamente aquela menina assustada, e me deu essa grande família de amor.

 


Para comemorar os 50 anos de amizade, foi produzido o vídeo que você assiste neste post. Delicie-se com a histórias das amigas eternas.

 

O Conte Sua História de São Paulo é sonorizado pelo Claudio Antonio. Você participa com textos enviados para milton@cbn.com.br.

Conte Sua História de São Paulo: Sampa City, minha cidade!

 

Por Fran Girão
 


 

 

Tem a igreja de Santa Cecília, onde fui batizado, batizei minha afilhada e fiz a primeira comunhão. Vi os Harlem Globetrotters, o Real Madrid, a seleção brasileira de futebol, de vôlei, de handebol.

 

 
Empolguei-me com o Cirque du Soleil e com a sinfônica da cidade no Teatro Municipal. 
Frequentei trupes de teatro em Pinheiros. Matei uma tarde no Ibira e outra no Museu da Língua Portuguesa.

 

 
Cruzei a Ipiranga e a avenida São João – e pude ver que, sim, alguma coisa acontece.
No alto do edifício do Banespa, colhi uma fruta no pomar e olhei para o fim do mundo.

 

 
Comprei um quimono na Liberdade, um narguilé no Bom Retiro e muambei na Vinte e Cinco. Almocei numa churrascaria porteña e, depois de uma peça no Sergio Cardoso, fui a uma cantina no Bixiga. Tudo, tudo, no mesmo dia.
 

 

Juro: voltei para casa numa noite e vi duas meninas se beijando no metrô, sem causar espanto. Quando saí da estação, vi um piano (!) deixado no meio da praça, com um cartaz convidativo: “Toque-me”. Alguns passos adiante, uma jovem vestida de branco, olhos fechados e braços abertos, segurando uma vela. Entre os três acontecimentos, menos de dez minutos.
 

 

Um momento marcante da minha vida, em algum lugar especial de São Paulo?
 

 

Ôrra, meu.
 

 


Fran Girão é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você participa com textos enviados para milton@cbn.com.br

Conte Sua História de SP: Meu pai, seu Geremias, o mecânico dos multiplus instrumentos

 

Por José Geremias Caetano

 

 

Corria a década de l940 e chegava a cidade de São Paulo, vindo da pequena Santa Lúcia na região de Araraquara, o senhor Geremias Caetano.

 

Como tantos, ele trazia na bagagem, sonhos, ilusões e o que mais coubesse. A “Terra da Garoa” logo mostrava a esse homem simples, que a vida por aqui não seria simples, mas ele estava disposto a mostrar a que veio e lutar era com ele mesmo , pois para quem vendia pamonha pelas ruas de São Carlos,na infância,(0 slogam era “olha a pamonha quente, quem não come fica doente” e nem pensar em trabalho de exploração infantil) cidade pela qual ele passou antes de se mudar em definitivo para São Paulo, a luta era só um item da vida e do dia a dia. Faço a ressalva que as pamonhas eram feitas pela minha avó, dona Benta. Consta que minha avó, dona Benta, chegou a enfrentar até uma pequena onça, com a pequena espingarda confiada a ela pelo meu avô Benedito. Por falar na família, não posso me esquecer da avó Rosalina, mãe de dona Yolanda, minha mãe. . .mulheres de fibra e de muito valor!

 

Voltando ao nosso personagem principal, já deu para percebeu que ele se casou, no inicio da década de 50, com dona Yolanda, minha mãe.

 

Se a vida já era difícil, os anos 50 se mostram bastante duros e nessa época, nosso personagem já começava a ao título fazer lastro, ao titulo acima, pois ele já trabalhava como mecânico em duas oficinas, na Secretaria da Educação de São Paulo e em uma transportadora que tinha por nome Nova União Portuguesa. Tudo isso durante o dia, pois a noite, meu Pai tocava seu saxofone e também a clarineta, vez por outra arranhava também o violão, nos bailes populares da época conhecidos como “gafieiras”. Imaginem vocês que meu Pai chegou a fazer parte de uma famosa orquestra da época, conhecida como Orquestra do Bem(um maestro muito popular nessa época em que era muito comum se copiar as “big bands ” americanas.). Papai chegou até a tocar com o conhecido maestro Erlon Chaves(sem querer ser maldoso, cada vez que o carro do maestro dava algum probleminha, lá vinha ele atrás de papai, não pelo seu lado musical, mas pelo seu lado mecânico!).Dinheiro ?! Só para se ter uma idéia, eram comuns os “bate bocas” no carnaval, pois mamãe queria papai em casa nessa época e ele afirmava que o carnaval “era o l3º do músico” e lá ia ele “pelos bailes da vida”ganhar o “seu 13º” ! São Carlos, Rio Claro, Araraquara e até outros estados, eram seus destinos frequentes na época do carnaval. Aliás esse bailes eram “empresariados” pelo tio João Francisco, que era de São Carlos e não se deixou seduzir pelo sonho da vinda a São Paulo Capital, e olhem, a qualidade de vida do tio João Francisco, foi bem melhor do que a de papai, que veio para São Paulo Capital, mas isso é uma outra história que vamos deixar para outra ocasião.

 

E a vida seguia seu curso, Na época do material escolar, tanto meus quanto de meus irmãos, papai se desdobrava nos seus múltiplos empregos e lá vinha ele com o dinheiro para comprarmos o material escolar!

 

As queixas de mamãe, tomavam vulto, mas papai não ficava em casa, tocando nos bailes, nem no Natal, Ano Novo ou aniversários tanto nossos como de casamento ! Nós não entendiamos que ele não poderia falta aos bailes, pois a concorrência era cada vez maior.

 

Mas, a vida e as tragédias não se desligam umas das outras. . .em um dos salões que papai tocava na época, o “28”, houve um grande incêndio em que dezenas de pessoas perderam a vida !

 

A romaria de pessoas em casa não cessava, , , elas vinham prestar solidariedade e saber notícias, já que alguns dos mortos eram músicos da orquestra !

 

Mas. . . As pessoas eram recebidas por um sorridente Geremias Caetano, que resolveu nesse dia, atender aos reclamos de dona Yolanda, não indo trabalhar e ficando com a família !

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no programa CBN SP. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode participar com textos enviados ao e-mail milton@cbn.com.br ou agendando entrevista no Museu da Pessoa no e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net

Conte Sua História de SP: o passeio de mãos dadas com o meu pai até o Cambuci

 


Por Roberto Furtner Caldeira

 

 

A brisa suave anunciava a chegada do outono na cidade, varrendo ladeira abaixo as folhas das árvores prestes a adormecer. O toc-toc dos sapatos apressados atravessando a rua de paralelepípedos era o prenúncio de mais um entardecer.

 

Seria mais um final de dia normal naquela cidade que via seu sonho de virar metrópole se aproximar a passos largos. Mas não para mim. Então aos 6 anos de idade, as terças feiras eram especiais. O dia da semana em que voltava a pé com meu pai do centro da cidade até nossa casa no bairro do Cambuci.

 

Como fazia toda semana, ao final do expediente meu pai me apanhava na escola. Ele gostava de caminhar, hábito adquirido nos tempos em que tudo em São Paulo ficava à distância de uma caminhada, se muito uma viagem de bonde.
Segurando firme sua mão, olhando o mundo de baixo para cima, eu sentia um misto de temor e excitação. Aquela caminhada de quarenta minutos era repleta de estímulos, de aventuras.

 

De um lado o ronco dos carros nacionais em meio aos antigos e bojudos carros americanos que ainda circulavam, brilhantes, imponentes. De outro lado o bonde alaranjado, com aposentadoria já anunciada, apinhado de pessoas em busca de um lugar em seus assentos de madeira gasta. Suas rodas emitindo um guincho estridente em função do atrito contra os trilhos de metal.

 

A medida em que nos afastávamos da praça da Sé em direção à Baixada do Glicério, os prédios mais altos ficavam para trás e surgiam restaurantes, bares e luminosos de neon. Uma profusão de cheiros, sons, vozes e risadas.
Me divertia especialmente na frente dos bares que naquela época jogavam as tampinhas de garrafa na calçada. Tampinhas de refrigerante, de cerveja e de pinga. Até ensaiei uma coleção, consumida meses depois pela corrosão do metal das tampinhas.

 

Como sempre, em meio a nossa animada conversa, parávamos no meio do caminho para comer pastel. O meu sempre de queijo, o de meu pai sempre de carne.

 

Após o lanche retomávamos nossa caminhada, cruzando pela baixada do Glicério, até chegarmos à outrora famosa rua do Lava Pés, conhecida pelo riacho e por ser a última parada dos viajantes para beber água e se refrescar antes de subir para o centro da cidade, nos tempos do império.

 

A caminhada então alcançava sua reta final ao cruzarmos o largo do Cambuci, já próximos de casa. Nasci e cresci no Cambuci. Embora nunca tivesse visto de perto uma árvore da espécie, cedo soube que o nome do bairro era homenagem a uma fruta outrora abundante na região.

 

Já no último quarteirão passávamos pelo açougue do seu Jairo, padaria do seu Milton, sapataria do seu Manuel e barbearia do Antônio. Naquela pequena comunidade todos nos conheciam pelo nome e acenavam ao nos verem passar.
Antes de entrarmos em casa meu pai refazia o ritual diário: colocar uma garrafa de vidro destinada ao leite, dentro da caixa de metal ao lado do portão, para que o padeiro pudesse trocar por uma garrafa cheia quando trouxesse o pão na madrugada seguinte. Leite que seria devidamente fervido para o café da manhã.

 

Ouvíamos o som dos cascos do cavalo trotando rua abaixo, puxando a carroça do catador de sucata. A brisa continuava, de tempos em tempos. O céu, mais escuro naquela época, mostrava um negrume salpicado de estrelas por todos os lados. Pedia para meu pai me apontar o cruzeiro do sul antes de entrarmos em casa onde minha mãe nos aguardava.

 

Como um herói que voltava da guerra cheio de estórias para contar, eu entrava em casa de peito estufado, dono do mundo, contando as novidades. Minha mãe ouvia tudo com atenção e o devido ar de surpresa. O único ponto de discórdia: ela achava que pastel não era um bom jantar para uma criança.

 

O tempo passou, eu me tornei adulto, a cidade se multiplicou.

 

Hoje já não consigo chegar aos lugares com uma caminhada apenas. O bonde se foi há tempos. Não mais consigo ver as estrelas com a mesma clareza, quanto mais apontar o cruzeiro do sul para meus filhos. Só quando viajamos para fora da cidade.

 

Tampinhas de garrafa de metal quase não existem mais. Não sabemos mais o nome dos vizinhos direito. Leite entregue em casa é coisa do passado. Açougue virou seção de supermercado.

 

Aquela cidade de indivíduos cedeu lugar a uma cidade de instituições. Para o bem, e para o mal.

 

Porém ainda caminho com meu pai, pela rua arborizada que ele escolheu para viver sua aposentadoria. Já aos 80 anos, hoje é a sua mão que busca apoio em meu braço. Aquela mesma mão que me guiou pela São Paulo de outros tempos.

 

Conversamos sobre causos da vida, enquanto a brisa suave anuncia a chegada de outro outono na cidade, varrendo ladeira abaixo as folhas das árvores prestes a adormecer.

 

Mundo Corporativo: Vera Lucia Vieira conta como aumentar o número de seguidores da sua empresa no Facebook

 

 

Empresas têm alcançado excelentes resultados no relacionamento com seus clientes através das redes sociais, impulsionando vendas, fidelizado consumidores e reforçando sua identidade. Mas apesar da experiência positiva de algumas corporações, ainda há muita gente ou desperdiçando este espaço de interação ou, o que é pior, cometendo erros que podem ser cruciais para a marca. Foi para determinar quais os caminhos que têm oferecido melhores resultados para a comunicação corporativa através das redes sociais que Vera Lúcia Vieira pesquisou o caso das 10 empresas com maior número de seguidores no Facebook. Mestra em comunicação e autora do livro “As empresas nas mídias sociais”, Vera Lúcia foi entrevistada pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da Rádio CBN, com participação dos ouvintes pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelos Twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN), O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.