Avalanche Tricolor: orgulhoso por ter vencido mais uma batalha

 

Santos 1 x 3 Grêmio
Brasileiro – Vila Belmiro/Santos (SP)

 

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Foi aqui, no alto da colina de Ansedonia, que se uniram as forças da infantaria e da cavalaria napolitanas para seguirem, por terra, em direção a Orbetello, província de Grosseto, onde se travava uma das mais importantes batalhas da Guerra Franco-Espanhola, iniciada em 1635. Já se passavam 11 anos, quando os franceses se aproximaram das terras dominadas pelos espanhóis, no mar Tirreno, na região de Toscana. Lá se engalfinharam em inusitado confronto de barcos a velas carregados por galeras contra o exército da Espanha, que contava com o apoio do Reino de Nápoles. O “Assedio di Orbetello”, em 1646, foi protagonizado por comandantes estrategistas e soldados heróicos, que misturavam ações tática e muita bravura.

 

Nesta semana, 369 anos depois, a batalha é celebrada por moradores de Orbetello que, vestidos à caráter e a partir de perfomances artísticas, desfilam pela rua da pequena cidade e preservam aquela história com orgulho. Foi envolvido nesse ambiente e aqui, do alto da colina de Ansedonia, hoje muito mais marcante pelas belas casas e paisagem natural, que, durante minhas férias com a família, assisti, na tela do meu computador, à chegada do Grêmio ao topo do Campeonato Brasileiro – e escrevo isso independentemente do que venha acontecer nas próximas horas, neste domingo de futebol no Brasil. Tanto faz o lugar que nos será reservado na tabela de classificação, pois o que buscávamos alcançamos: vencemos mais uma batalha.

 

Orbetello

 

É a quinta conquista seguida de uma série interminável de batalhas que teremos de enfrentar até o fim do campeonato. Essa foi apenas a décima-primeira. Mesmo após mais um desempenho vitorioso, é impossível imaginar que seremos vencedores sempre. Sabemos que nessa caminhada há o risco de somarmos perdas. Temos de estar prontos para esses momentos, conscientes de que o trabalho está sendo executado de forma correta. Conscientes de que uma batalha perdida deve servir para agregar forças e seguir em frente até a vitória final.

 

Hoje, na Vila Belmiro, o time impôs sua marca: jogadores se movimentado com velocidade e a troca de passe certeira. A marcação firme desde o campo adversário se repetiu apesar de estarmos jogando fora de casa e contra um time que não perdia por ali há 14 jogos. Mais uma vez, o gol veio cedo e resultado dessa nova disposição da equipe, imposta por Roger.

 

Somou-se o fato de os chutes a gol estarem mais precisos. Em muitos jogos desperdiçamos a oportunidade de resolver a partida, apesar das boas chances proporcionadas. Desta vez, não: aos quatro minutos, no primeiro ataque, fizemos 1 a 0, para desequilibrar o adversário; assim que começou o segundo tempo, 2 x 0, para desestimular a reação natural de quem volta reorganizado do vestiário; e a dez minutos do fim, quando já havíamos dado espaço para o 2×1, marcamos o terceiro. Pedro Rocha, Galhardo e Mamute tiveram a chance e … mataram!

 

Com Roger no comando, visão estratégica e jogadores dispostos a cumprir suas funções a qualquer preço, o Grêmio se transformou, calou os que previam o pior e desnorteou os críticos – aqueles que chamaram Luan de “moscão” e disseram que Rocha, nosso goleador, não era um atacante de verdade. Lembra? Eu não esqueço!

 

Nosso exército ainda precisa muito mais para chegar a grande vitória, mas vê-lo jogando da forma como jogou nessa tarde, em Santos, me deixou tão orgulhoso quanto os moradores de Orbetello com seus uniformes de guerra, do século 17.

Avalanche Tricolor: Grêmio é o nosso grito!

 

Grêmio 0 x 0 Santos
Campeonato Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Grêmioooo, Grêmiooooo, Grêmioooooo!

 

Foi esse o grito que marcou boa parte do jogo desta noite de quinta-feira. Houve vaias, também. E vaias contra Aranha e contra o Santos. O goleiro entendeu que a reação do torcedor foi apoio à injúria racista da qual ele foi vítima na última passagem por Porto Alegre. Há quem pense que tenha sido apenas ato de repúdio à eliminação da Copa do Brasil, punição imposta por um tribunal de comportamento questionável – afinal, outros clubes não sofreram pena semelhante quando seus torcedores se envolveram em cenas de violência e morte. Outros dizem que o goleiro, hoje, se transformou em alvo não pela raça, mas pela pirraça. Prefiro não entrar nessa bola dividida, pois, como torcedor que sou, e não escondo esta minha faceta, temo que minha opinião nesta hora seja julgada mais pela minha paixão do que minha razão. Além disso, confesso a você, caro e raro leitor desta Avalanche, que tenho tido cada vez mais dificuldade para explicar o comportamento do ser humano, talvez pela própria complexidade das relações contemporâneas. Diante disto, peço licença para me ater ao grito de incentivo.

 

Fiquei feliz ao ouvir o torcedor cantar o nome do Grêmio, pois esta deve ser nossa verdadeira marca nos estádios por onde passarmos. Invejo as torcidas que sabem empurrar o time para cima do adversário, mesmo quando este não apresenta futebol à altura de uma vitória. E vibro ao perceber nossos torcedores dispostos a protagonizar este papel. Na época em que minha presença era frequente nos estádios – e isto foi na era do Olímpico Monumental – assisti muitas vezes ao Grêmio ser levado nas costas por seu torcedor e a arrancar vitórias praticamente impossíveis. Hoje, nos minutos finais da partida, mesmo que a impaciência já parecesse tomar conta de todos nós – eu estava que não me aguentava mais no sofá diante da televisão -, havia torcedores incentivando e acreditando em um lance fortuito que levasse a bola para dentro do gol adversário.

 

Não se espante com o fato de ter dedicado dois parágrafos desta Avalanche a falar da torcida. Prefiro isto a ter de criticar a falta de alternativas do nosso time, aos erros constantes e irritantes de passe, as poucas opções de jogadas e a criatividade limitada que marcou nosso desempenho nesta noite. Se cabem palavras positivas ao que assistimos em campo, deixo registrado meu contentamento com a forma segura com que a defesa gremista tem se comportado nos últimos jogos. Foi este setor que reduziu o risco de tomarmos gols do adversário, garantiu um ponto a mais no campeonato e a subida de uma posição na tabela de classificação.

 

A chegada ao G4 fica para domingo que vem. E com o grito que deve ser a nossa verdadeira marca: Grêmioooo, Grêmiooooo, Grêmioooooo!

Avalanche Tricolor: só pode ser algum tipo de provação

 

 

Grêmio 0 x 2 Santos
Copa do Brasil – Arena Grêmio

 

 

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Começo esta Avalanche antes de a partida se encerrar, não porque tenha desistido do jogo. Jamais desistirei. E espero que o Grêmio não desista, também. A tarefa é difícil, mas não impossível. E mesmo que seja impossível, está é uma palavra que não está no nosso vocabulário. Veio para frente do computador, porém, porque estou tentando entender o que acontece. Há algum tempo não assistia ao Grêmio jogar bem, ter rapidez na troca de passe e intensidade no ataque como nestas últimas partidas. Está evidente que o time é melhor neste momento do que foi durante todo o restante do ano. Em textos anteriores já escrevi sobre alguns jogadores que encaixaram melhor no time, tais como Zé Roberto e Dudu. O próprio Barcos melhorou sua participação, sem contar Giuliano que cresceu em seu desempenho (e aí me refiro ao jogo de hoje à noite), após uma fase ruim. Sem contar Marcelo Grohe com defesas incríveis. Não quero porém me estender falando de indivíduos quando o que mais tem me agradado é o coletivo. E é isso que torna mais difícil entender o resultado desta noite. Por muito tempo, nosso time foi acusado de jogar feio, uma forma de desvalorizar vitórias sofridas que tivemos. Agora, produzimos mais, jogamos melhor. Mas o gol não sai, e quando sai não é o suficiente. Será que não estamos fazendo por merecer sorte maior em campo? Será que toda provação imposta a Luis Felipe com a malfadada Copa do Mundo não foi suficiente? Sim, Felipão pelo que fez, pelo que passou e pelo que, agora, está reconstruindo no Grêmio teria o direito de ser recompensado.

 

 

Há outro motivo pelo qual decidi escrever esta Avalanche antes da hora, além da injustiça do placar diante do futebol produzido. Foi a injustiça imposta por um árbitro que não esteve a altura do posto que ocupa no quadro da Fifa (ou esteve). Permitiu jogada irregular na arrancada do segundo gol santista e impediu a nossa arrancada para a virada ao não marcar pênalti em Zé Roberto. Não bastasse a forma displicente com que agiu diante da indisciplina. Prejudicou claramente o Grêmio e com sua atuação desequilibrou o time, mais do que o adversário teria feito por seus próprios méritos (sem desmerecer a qualidade deste). Que fique claro, minha indignação com a injustiça do resultado e do árbitro, não é suficiente para me cegar diante de erros que cometemos. E gostaria muito de ver Felipão fazendo ao menos duas mudanças entre os titulares, porque há erros que têm se repetido com frequência acima da média, e escrevo isso pensando no lado direito da nossa defesa, e jogador que não têm sido capaz de entregar o que promete.

 

 

Chego ao fim desta Avalanche no instante em que a partida se encerra e, infelizmente, ficamos sabendo que algo mais triste do que o resultado e os erros do árbitro acontece no jogo. Idiotas voltaram a usar palavras e gestos racistas, uma gente que não merece vestir a camisa do Grêmio nem ocupar espaço naquela Arena. Deveriam ser extirpados do clube e mantidos afastados das nossas cores. Sinto vergonha do que fazem. E espero não precisar ouvir a voz de nenhum outro gremista defendendo este bando.

Avalanche Tricolor: em busca de inspiração

 

Santos 0 x 0 Grêmio
Brasileiro – Vila Belmiro (SP)

 

 

Falta de inspiração é o que justifica a ausência desta Avalanche logo após a partida disputada no início da noite de sábado. Não minha. Eu estava muito bem inspirado neste fim de semana. Encarei dose dupla de super-heróis da Marvel no cinema a pedido dos meninos que curtem Capitão América e Homem Aranha. Ambos fizeram parte da minha infância, também. Eu os curtia nos gibis; eles os acompanham na internet e no cinema, onde, aliás, estão fantástico. Nos filmes que estão em cartaz, preferi o bom humor de Peter Clark ao bom-mocismo de Steve Rogers. Divertimo-nos esperando a cena em que Stan Lee, um dos criadores, apareceria na tela. E aguardamos os créditos finais para descobrir se haveria cena extra à disposição. Claro que a simples companhia dos garotos seria suficiente para tornar o programa agradável e inspirador. Assim como o foi o jantar oferecido por uma amiga nossa de longa data que comemorava seu aniversário na noite de sábado. Com a família ao lado, encontramos por lá ótima conversa acompanhada de boas comida e bebida. Sempre excelente oportunidade para relembrar algumas histórias e saber novidades de pessoas que estiveram distante por um tempo.

 

Havia tantas coisas agradáveis que sequer me importei com a necessidade de abrir mão de boa parte do segundo tempo da partida do Grêmio, no litoral paulista. Convenhamos que o que havia assistido até então não era nada motivador, exceção a jogada nos primeiros minutos proporcionada por Dudu que terminou com um chute desviado, como foram desviados muitos passes, tentativas de ataque e o desempenho de alguns dos nossos recentes ídolos do tricolor. Aliás, por falar em ídolos, bem que Luan poderia ser convidado para ir ao cinema um dia desses, talvez ele encontrasse alguma motivação nesses heróis que têm super-poderes mas sabem que para se beneficiarem de todo potencial e superar os inimigos precisam vestir a fantasia. Luan está precisando de inspiração. E com ele boa parte da nossa equipe. Eles precisam entender que para seus poderes se revelarem em campo terão de revestir-se da alma que sempre marcou o Imortal Tricolor. Caso contrário, transformarão nossos jogos em um filme sem graça.

Avalanche Tricolor: apesar de tudo, uma noite de prazeres

 

Grêmio 1 x 1 Santos
Brasileiro – Arena Grêmio

 

À mesa, companhias especiais, boa comida e compromissos profissionais. Apesar de trabalho, a conversa foi prazerosa. Infelizmente, a agenda para o encontro coincidia com o horário da partida do Grêmio, na Arena. Sem televisão por perto, minha caixinha mágica – o SlingBox – quebrada (nem seria gentil de minha parte tê-la funcionando no Ipad durante o bate papo), restou-me o celular com a atualização dos resultados de tempo em tempo. Embevecido pelas histórias engraçadas que ouvi dos dois parceiros de jantar e pelo vinho, não percebi que o placar parcial de 1 a 0 havia se perdido nos minutos finais. Somente ao pegar o caminho de casa é que tive a informação frustrante e, mesmo sem ter assistido ao jogo, pude imaginar nosso desempenho. Não muito diferente do que vimos nas últimas partidas.

 

Como para tornar menos amargo o fim da noite, na troca de mensagens pelo Twitter, com Deva Pascovicci, da CBN, que narrava a partida de São Paulo e Atlético-MG ouvi homenagem a Milton Gol-Gol-Gol Jung, apelido daquele que você tem a oportunidade de ler todas as quintas-feiras aqui no Blog. Para compartilhar com você este momento de alegria, reproduzo trecho da fala do Deva, gentil e brincalhão como sempre:

 

 

A homenagem ao pai e o jantar com os amigos compensaram o resultado em Porto Alegre. E mesmo com o empate é preciso celebrar o fato de que havíamos acumulado gordura suficiente para nos mantermos no G4, coisa que muita gente boa está tentando e tropeçando.

Avalanche Tricolor: jogamos pela nossa história

 

Grêmio 2 x 0 Santos
Copa do Brasil – Arena Grêmio

 

 

Para competições no estilo da Copa do Brasil, a tese sempre foi de que até três gols de desvantagem, a gente virava em casa. E como toda tese, ao contrário do senso comum, esta também é formulada com base em fatos. Foram nossos desempenhos e nossa história nas disputas de mata-mata que criaram o mito da Imortalidade. Foi com vitórias consideradas impossíveis que construímos nossa fama. Lembro dos times de Espinosa, Felipão e Mano, apenas para não forçar muito a memória, que arrancaram resultados dentro do Olímpico superando nossos limites técnicos, físicos e emocionais. Hoje, apenas escrevemos mais um capítulo dessas façanhas da forma mais sofrida que poderíamos imaginar. Com grito, com Werley, com dor, com  Souza e com lágrimas. Sob o comando de Renato, o Grêmio incorporou seu passado pois foi capaz de vencer esta batalha apesar de todas nossas restrições. Jogamos e vencemos pela nossa história.

Avalanche Tricolor: decide-se na nossa casa, com torcida e tradição

 

Santos 1 x 0 Grêmio
Copa do Brasil – Vila Belmiro (SP)

 

 

Esta é a nossa Copa, fomos o primeiro campeão da história, em 1989, somos dos que mais venceram esta competição, quatro vezes, e sabemos, como poucos, encarar mata-mata. Aprendemos no campo da batalha que até três gols contra se vira em casa. Foi assim que forjamos a imortalidade cantada em coro pela torcida e não será diferente agora. Por isso, deixamos o gramado da Vila Belmiro com a certeza de que a vaga se garantirá na Arena onde teremos o grito do torcedor a empurrar a bola, não lhe dando o direito de escapar na troca de passe ou desviar para fora nas oportunidades que tivermos para resolver a partida, como aconteceu ao menos duas vezes nesta noite, em Santos.

 

Claro que não podemos descansar sobre a história, esperando que as façanhas do passado decidam os jogos do presente. É preciso ajustar o time, o passe, o cruzamento, o chute e o cabeceio a gol, coisas que não funcionaram tão bem nesta primeira partida das oitavas-de-final. Mas temos uma tradição a prezar e quem estiver comemorando a vaga antecipadamente talvez tenha de apagar suas palavras. Ou pagar por elas.

Avalanche Tricolor: nossa camisa tem de vestir corpo, coração e alma

 

Santos 1 x 1 Grêmio
Brasileiro – Vila Belmiro (SP)

 

O caro e raro leitor que me acompanha neste blog e teve a oportunidade de ler minha coluna na revista Época São Paulo, que está nas bancas neste fim de semana – o que o tornará ainda mais raro – sabe que a dediquei à relação dos jovens com o futebol que me parece cada vez mais distante. Falei da dificuldade que foi para levar meus meninos a torcerem pelo meu time de coração, tendo ambos nascido e morado longe de Porto Alegre. Diferentemente de mim, criado e batizado nos campos de futebol, em especial no estádio Olímpico, quintal de minha casa, eles já pegaram esta época em que ir ao jogo é um comportamento de risco. Por isso, me contento em saber que são gremistas mesmo que não conservem a mesma alucinação que eu (o que de certo ponto é uma boa notícia).

 

Por conhecer o comportamento ‘low profile’ deles com o futebol e o Grêmio é que me surpreendi com a atitude dessa tarde de sábado, quando abandonaram os atrativos jogos online, no computador, para sentarem ao meu lado no sofá e assistirem ao Grêmio, na televisão. O mais velho até trouxe uma bacia de pipocas pronta para tornar o programa mais interessante. E realmente estava, graças a postura gremista em campo, com marcação firme, toque de bola preciso e chegada forte ao ataque. O gol logo cedo nos deixou entusiasmados pela velocidade com que os atacantes se movimentaram a ponto de deixarem Vargas sozinho dentro da área com a tarefa de concluir a jogada. Meu entusiasmo – e o deles – não foi até o fim do primeiro tempo quando a equipe já dava sinais de que estava satisfeita com o placar e não conseguia mais impor o mesmo ritmo na partida. Antes mesmo do intervalo, os dois já estavam dormindo ao meu lado. E assim ficaram praticamente até o fim. Nem a pipoca programada para o segundo tempo os tirou desse estado. Preferi não acordá-los, não estava valendo a pena mesmo.

 

Além da torcida dos meninos, o Grêmio desperdiçou excelente oportunidade de largar com vantagem nestas primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro, e abriu mão de dois pontos fora de casa importantes para quem pretende disputar o título. Bem verdade que a velha estratégia de vencer em casa e empatar fora ainda funciona nos campeonatos de pontos corridos. Temos visto, ainda, a ascensão de Vargas, cada dia melhor no ataque. E, mais uma vez, mostrou que tem talento para vencer. O que incomoda é que transforma esta qualidade em arrogância. Também confunde sentimentos, faz da necessária tranquilidade antídoto da raça, quando ambos têm de jogar juntos. Parece, às vezes, haver um sanguessuga a consumir nossa alma no vestiário. E nós apaixonados sabemos que esta camisa tricolor não é para vestir apenas corpo, tem de vestir coração e alma.

 

Avalanche Tricolor: Uma só palavra

 

Grêmio 1 x 1 Santos
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

 

Os últimos domingos têm se encerrado com uma boa programação de TV, a começar pelos jogos do Grêmio que, por coincidência, estão fechando as rodadas do Campeonato Brasileiro há alguns fins de semana. Ao fim do jogo troco, imediatamente, o apito do juiz real pelo juiz da ficção, conforme confidenciei há alguns domingos, nesta Avalanche. Tenho gostado muito da série FDP da HBO e não apenas por encontrar várias citações ao Imortal, mas pelas divertidas histórias envolvendo o árbitro Juarez Gomes da Silva protagonizado pelo ator Eucir de Souza. Em seguida, assistimos (e uso o plural, porque a família está unida no sofá de casa) à série The Newsroom que conta os bastidores de um fictício canal de TV e do telejornal comandado por Jeff Daniels no papel do âncora Will McAvoy. Neste domingo não foi diferente, apesar de o Grêmio ter tentado estragar a programação com um “empate fora da curva”. Tanto um seriado como o outro compensaram com boa diversão, polêmica e discussões existenciais.

 

E a você que aguentou ler todo o parágrafo anterior a espera de alguma explicação para o resultado desta noite, quando poderíamos ter nos aproximado perigosamente do vice-líder, colocado pressão sobre o líder e ficado ao alcance do desejo maior, tenho a dizer apenas a primeira palavra que me veio à cabeça, menos inspirado no seriado da HBO e muito mais na confusão que fizemos em campo: FDP.

Avalanche Tricolor: estes que aí estão atravancando o meu caminho

 

Santos 4 x 2 Grêmio

Brasileiro – Santos (SP)

 

 

Você, caro e raro leitor desta Avalanche, é testemunha do que vou dizer. Sabe bem que busco neste espaço driblar os percalços, uso da imaginação para enxergar méritos onde muitas vezes havia apenas uma jogada grotesca, e analiso, aqui, meu time de futebol com o olhar do homem apaixonado incapaz de encontrar defeitos na mulher amada, mesmo que esta faça dele gato e sapato (pra não falar em bicho pior). Por tudo isso que já fiz, pelo esforço que exerci em situações até mesmo mais constrangedoras, peço licença. Um resultado como o desta tarde na Vila Belmiro é excelente para expurgarmos todos os cuidados que costumamos ter ao falar do nosso time do coração. A diferença no placar nem chegou a ser escandalosa como se desenhou em alguns momentos e o árbitro que cometeu erros muito mais pela sua incompetência do que por seu caráter prejudicou o Grêmio. Mas algumas coisas vem acontecendo no estádio Olímpico que me incomodam muito e, me parece, começam a contaminar a disposição dentro de campo, haja vista a forma resignada com que o time jogou, sem praticamente levar perigo ao adversário, aceitando o resultado, nem mesmo brigando contra as injustiças do juíz.

 

Vamos a elas:

 

Por que o Grêmio não é capaz de contratar um craque internacional como Furlán?

 

Por que o Grêmio sequer cogita trazer Ganso, mas acerta com Elano?

 

Por que o Grêmio não tem nenhum jogador na seleção brasileira?

 

Por que o último jogador gremista que vestiu a camisa do Brasil teve de ser vendido?

 

Por que o Grêmio é incapaz de revelar e manter seus talentos (exceção feita ao valioso Fernando)?

 

Por que preferimos vender Mário Fernandes, um talento que se machuca muito, para gastar dinheiro com Fábio Aurélio, que só se machuca?

 

Por que contratar Sorondo se todos sabiam dos problemas físicos dele?

 

Por que gastamos tanto dinheiro com jogadores lesionados?

 

Por que temos de sempre lutar pela última vaga na Libertadores e não montamos um time para ser campeão brasileiro?

 

Por que temos a maior torcida do Rio Grande do Sul, mas não o maior número de sócios?

 

Se tenho tantas dúvidas, assim, mas não desisto de torcer pelo Grêmio é porque, ao menos para esta questão, tenho uma resposta, inspirada no gremista Mário Quintana: todos esses que aí estão atravancando meu caminho, eles passarão, o Grêmio, jamais!

 

NB: Não venha me dizer que Quintana não torcia para times de futebol ou coisa pior, homem inteligente como ele jamais faria uma escolha equivocada.