Conte Sua História de SP: a cidade foi minha segunda mãe

 

Por Vilma Mendes
Ouvinte-internauta da CBN

 

Segunda mãe!

 

 

Eu era apenas uma menina de 6 anos quando cheguei a São Paulo vinda de Vitória De Santo Antão, em Pernambuco. Éramos minha mãe e eu fugindo da desilusão do abandono de um marido e pai, e em busca da sobrevivência. Foram três dias em um ônibus onde a lembrança que tenho é de enjoos constantes pela viagem e tristeza por ter deixado meus avós e tios em Pernambuco.

 

Não foi um começo fácil, mas foi graças a coragem de minha mãe que aos seis anos fui apresentada ao vaso sanitário, à escova de dentes, à água encanada, à luz elétrica e à televisão em preto & branco onde eu passava meus dias em êxtase assistindo a “Vila Sésamo”, “Shazan, Xerife & Cia” entre outros, enquanto minha mãe passava os dias trabalhando em casas de família.

 

Graças a dedicação dela, apesar de semianalfabeta e trabalhando em subemprego, desde que chegamos a São Paulo nunca mais passamos fome. Estudei no SESI e em escolas estaduais, consegui me graduar, fazer uma especialização, cursar MBA e falar três idiomas. Hoje tenho emprego, casa, carro, lazer e posso proporcionar a meu filho, luxos que nunca tive.

 

Para mim, São Paulo foi uma grande segunda mãe. Apesar de sua aspereza, acolheu e sempre nos deu oportunidades reais. Para quem tem coragem e vontade de trabalhar São Paulo sempre abre seus braços. Apesar do meu “DNA” nordestino, me considero paulistana de coração.

 


Vilma Mendes é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Marque uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net ou envie seu texto para milton@cbn.com.br.

Conte Sua História de SP: as cores, dores e amores da cidade

 

Por Suely A. Schraner
Ouvinte-internauta da CBN

 

 

 

Era um maio cinzento e frio de 1960.

 

Entardecia e os prédios, naquele tempo, chamados de arranha-céus, me espiavam do alto do seu concreto e de suas esquinas. Meu coração acelerava e mal conseguia entregar o endereço para o chofer do táxi. Nó na garganta, estonteada. Sózinha e com 9 anos.
 

 

Acabara de chegar do colégio Arquidiocesano de Cuiabá-MT. Paguei o táxi e me vi na calçada em frente ao convento da avenida Nazaré-SP. Fazia um frio que eu nunca tinha visto. A garoa fina mais o vento levantava minha saia refrigerando meus temores.
 

 

Tinha um saquinho com meus pertences. Nas mãos trêmulas, uma recomendação para a madre superiora. Meu vestido era de linho branco entremeado de rendas. O queixo batia e quase não conseguia falar com a freira que me atendeu pela portinhola. Brandi meu envelope com a recomendação e fui autorizada a entrar.
 

 

Fui ficando, estudando e trabalhando. Venci alguns obstáculos, outros,  apenas contornei.
 

 

Cheguei com um saquinho de roupas na mão. Hoje, se fosse me mudar daqui, seria necessário um caminhão bi-trem para transportar os meus trens.
 

 

Diziam que São Paulo era ilusão. Fábrica de loucos. Enlouqueci por oportunidades nunca sonhadas. Perdi-me nos becos dos saberes. Embarafustei-me nas oportunidades de trabalho. Apaixonei-me por suas gentes, oriundas de toda parte.
 

 

Encontrei meus amores. Fiz daquele rascunho minha arte final.

 

Viva São Paulo de todas as cores, amores e dores.

 


Suely A. Schraner é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Marque uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net ou envie seu texto para milton@cbn.com.br.

Rio sai na frente contra o Minhocão

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Desativada a partir de segunda-feira, a Perimetral carioca poderá trazer uma nova postura de urbanismo no que tange a tráfego e qualidade de vida aos moradores do Rio. O ambicioso projeto PORTO MARAVILHA derrubará 4 km da Perimetral na zona portuária, mas prevê aumento da capacidade do fluxo de veículos, além de tornar a região mais condizente com suas origens. Tanto no aspecto paisagístico quanto no ambiental.

 

Os números são expressivos:

 

Implantação de 17 km de ciclovias, reurbanização de 70 km de vias e 650 mil m2 de calçadas, plantio de 15 000 árvores e construção de três novas estações de tratamento de esgoto.

 

A cidade de São Paulo, assim como o Rio, teve alguns raros e competentes prefeitos, que conseguiram mudar suas fisionomias. Pereira Passos e Carlos Lacerda, no lado carioca. Prestes Maia e Faria Lima no paulistano. O Rio por sua geografia urbana, com montanha e mar, exigiu mais arrojo e pioneirismo.

 

Lacerda, por exemplo, em quatro anos aterrou toda a orla, criou com Burle Marx o Parque do Flamengo em cima do mar, transformou com engenheiros portugueses a Copacabana das ressacas que invadiam os prédios na imensa praia de Copacabana de hoje, reurbanizou Flamengo e Botafogo, reformou o Maracanã, ligou a zona norte com a zona sul através de túneis, construiu interceptores oceânicos para esgotos, e ainda teve tempo de atacar ferozmente seus adversários políticos.

 

Distante deste cenário vivido de 1960 a 1964, e diante dos recentes engodos nas obras do MIS e do PAN, ficamos na torcida para que o PORTO MARAVILHA se ilumine no distante para que fiquemos diante de um exemplo a ser copiado.

 

Daqui de São Paulo, a torcida é imensa, pois o Minhocão do Sr. Maluf é muito mais agressivo do que a Perimetral carioca.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Cuidado, caminhões à vista!

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

A cidade de São Paulo no intervalo de quatro dias vivenciou dois acidentes com veículos pesados que geraram custos financeiros, operacionais e emocionais, que não podem ser considerados aleatórios. O fato é tão mais preocupante quanto se percebe que se não bastasse a desatenção do poder público, a mídia, importante instrumento para intervenções de melhoria, tem se restringido a cobrir tais ocorrências apenas momentaneamente.

 

Quinta feira, na Marginal Pinheiros, um caminhão com produtos de higiene tombou às 3h30m e foi retirado ás 10h30m. Na segunda-feira outro caminhão com carga de pedra britada colidiu com a passarela da rodovia Régis Bittencourt no Taboão da Serra, na Região Metropolitana de São Paulo, às 17h20m, e a liberação ocorreu às 2h40m do dia seguinte.

 

Na Marginal Pinheiros foram 43 km de congestionamento absoluto, onde os técnicos ainda ressaltaram a paralisação da pista gerada pela curiosidade de motoristas ávidos por olhar, fotografar e, pasme-se, filmar a carreta tombada. Às 8h, a pista da Marginal no sentido Castelo Branco, onde aconteceu o acidente, tinha 13 km de bloqueio. No sentido contrário, da Eusébio Matoso até a Ponte do Socorro eram 10 km de lentidão.

 

Já é hora de considerar a complexidade da operação de carretas na cidade, pois o fluxo de veículos, produtos e passageiros que circulam precisam estar inseridos num sistema de tráfego integrado, segmentado e pré-estabelecido. Caminhões e ônibus, principalmente os de grande porte, necessitam de pré-requisitos, inerentes ao veículo e ao condutor. É similar ao tráfego aéreo.

 

Controlar a entrada de veículos pesados, estabelecer regras severas para a circulação com relação a locais, horários e condução, exigir habilitação adequada para os motoristas, controlar e punir severamente moral e financeiramente as empresas transportadoras infratoras e os condutores, é o mínimo para começar.

 

Quanto deve ter custado à cidade o acidente da Marginal? Quem pagou?

 

Caminhões à vista. Cuidado!

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Conte Sua História de SP: o mágico trem de Prata

 

Por Marina Lopes da Costa
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

 

Lembro-me muito bem do famoso trem de prata, que passava na linha do trem em frente a minha casa. A visão era privilegiada, embora eu, com apenas cinco anos de idade, demorasse tanto tempo para chegar até a janela para ver o tão mágico trem passar. Não era muito de sair de casa, mas quando saía era sempre para ir aos mais belos e importantes pontos turísticos da cidade. A Estação da Luz foi o primeiro local que conheci. Tão linda e sofisticada. Atraiu-me o relógio, grande e fascinante ao mesmo tempo.

 

Contudo, caminho pelas ruas do Centro de São Paulo e vejo em cada canto vários tipos de artistas anônimos: músicos, poetas, caricaturistas, pintores, cozinheiros e artesãos.  Os artistas das ruas que lá estão desenham em suas telas de pintura, que se transformam em belíssimas criações, um mundo mágico por trás daquela tela branca surge. Em cada canto do centro há uma cultura. Como é interessante o Centro de São Paulo quando passeio pelas esquinas e cruzo com a famosa Ipiranga e avenida São João, que foram de inspiração para a letra da música de Caetano. O bar Brhama é o ponto de encontro  de casais, amigos e solitários, um espaço aconchegante onde se podem ouvir músicas de convidados especiais, como o Zeca Pagodinho.

 

Como não se apaixonar por São Paulo? Sua bandeira carrega seu emblema e as ruas suas histórias, cada uma mais interessante que a outra. Talvez esteja sendo exagerada. Não, não estou. Depois de Santos, a cidade que admiro e tenho orgulho de viver é a maravilhosa São Paulo. Apesar de termos graves problemas de superlotação nos transportes públicos, estes mesmo que às vezes nos deixam na mão, entre outros problemas sociais, não consigo me imaginar morando em outro lugar. Talvez  até mude, mas sempre vou guardar os bons momentos que vivi nela.  Aqui vivenciei momentos memoráveis: torci pelo meu peixe no Pacaembu e ouvi o som de Paralamas do Sucesso e Titãs, no Sesc. Como é bela esta cidade tão carinhosamente apelidada de Sampa, e como é gratificante morar aqui.

 

Marina Lopes da Costa é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode contar outros capítulos da nossa cidade: agente uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa, pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Ou mande seu texto para mim: milton@cbn.com.br.

 

Avalanche Tricolor: Dida, justiça foi feita!

 

São Paulo 0 x 1 Grêmio
Brasileiro – Morumbi (SP)

 

 

Dida tem história no futebol. Foi campeão no Brasil, foi campeão na Europa e foi campeão do Mundo. Pensou em parar, mas o futebol insistiu que ele voltasse. Acabou no Grêmio onde, prestes a completar 40 anos, semana que vem, vive, hoje, o ocaso da carreira – que isso não seja lido com demérito, pois o faz dignamente. Tanto quanto o Diabo sabe mais por velho do que por Diabo, é com experiência que Dida protege nosso gol, além da estatura invejável. Às vezes, sua calma é irritante para a torcida que exige um time vibrante, independentemente da qualidade do futebol jogado. Teve bons momentos nessa temporada, foi justamente cobrado em algumas partidas e ainda devia um desempenho a altura de sua carreira. Uma atuação excepcional que o levasse a defesas além do lugar-comum de um goleiro. É o mínimo que espera o torcedor do time que se atreveu a homenagear em seu hino um goleiro, Lara, e jamais esqueceu a imagem de Mazaropi, campeão mundial de 1983, ou mesmo de Gallato, fundamental na Batalha dos Aflitos.

 

Nesta tarde, em São Paulo, uma das cidades na qual se consagrou, Dida fez a diferença. Foi gigante ao fechar a goleira gremista em jogadas na qual o gol parecia o destino, foi ágil para impedir chutes fortes com endereço certo, se esticou todo para chegar em bolas que tentavam escapar de seu alcance e teve audácia quando, em raro momento neste ano, se aventurou a sair debaixo das traves e abortar lance na entrada da área com os pés. E, claro, como todo grande goleiro contou com a gentileza da bola que desviava para fora quando ele estava, aparentemente, batido.

 

Foi sua atuação fundamental para o Grêmio encerrar a série de quatro jogos sem vitória e se manter entre os quatro primeiros colocados, independemente dos resultados desta noite. Ao impedir o sucesso do ataque adversário, permitiu uma só escapada de bola gremista pelo lado esquerdo, a troca de passe rápida entre Kleber e Barcos, o cruzamento preciso de Alex Telles sobre a linha de fundo e na cabeça de Vargas, que, pequenino, foi maior do que os marcadores para fazer o gol talvez na única jogada realmente perigosa do Grêmio em toda a partida.

Ao contrário do que disse Ganso na saída do gramado, o futebol não é injusto. Fez justiça à carreira de Dida.

Conte Sua História de SP: o Centro dourado do meu avô

 

Por Mariana Pereira da Rocha Cruz
Ouvinte-internauta da CBN
 

 

 

 

Aos 85 anos foi meu avô quem me fez enxergar São Paulo da maneira que vejo hoje. João Baptista Pereira Netto não é simplesmente um joalheiro ou ourives. Dedicado, faz do trabalho um lazer, do pó a peça e das jóias, pequenas obras de arte que vende com preço justo e honesto, muitas vezes criticado por minha avó, dona Ofélia.

 

 
Nasceu no bairro Santa Cecilia, cresceu ao lado de seus sete irmãos. A educação se dividiu entre o jeitão descontraído da minha bisa italiana e do meu biso português, que até bebericava sua cachaça, mas por um pouquinho só não foi padre.

 

 
A Igreja Sagrado Coração de Maria foi pano de fundo de toda uma infância, pobre é verdade, mas nem por isso infeliz. São muitas as histórias que meu avô costuma me contar em sua oficina. Entre uma peça e outra, ele descreve o centro da cidade de São Paulo e as ruas onde costumava brincar ou ver os bondes passarem.

 

 
Com o rádio sempre ligado, aumenta o volume quando o assunto é Corinthians, grande paixão e ,possivelmente, um dos únicos assuntos que consegue tirá-lo do sério. Cresceu na Santa Cecília, construíu família em Pinheiros e devido a queda nas obras da linha Quatro do Metrô veio morar no Butantã, bem perto da minha casa.

 

 
Não reclama dos acontecimentos da vida, aliás não costuma reclamar. E eu devo confessar: só agradeço de poder estar ainda mais próxima de meu avô. Enquanto admiro seu trabalho de artesão ele me conta do dia em que foi escolhido para provar a Coca Cola quando chegou ao Brasil. Foi ali na Praça Ramos de Azevedo, no antigo Mappin. Também conta dos títulos da seleção brasileira via rádio, ou através de auto falantes que podiam ser ouvidos na Rua Direita, ou na Praça da Sé.

 

 
Anhangabau, Praça da República, Praça Ramos: aí passaram todos os principais eventos da vida de meu avô. Notícias, paqueras, trabalho… Hoje é um grande sacrifício para um jovem da minha idade se locomover até o centro. Pensa-se no trânsito, nos moradores de rua, na sujeira, nos usuários de droga, no preço dos estacionamentos. Pensa-se muito até a desistência.

 

 
Comigo é diferente. Ir ao centro da cidade com meu avô é descobrir uma São Paulo encantadora. Enquanto andamos na procura das pedras perfeitas ou vamos ao encontro de um antigo amigo dele, onde compra o ouro em pó, consigo vislumbrar São Paulo em sua mais perfeita elegância. Em um piscar de olhos, os postes são de ferro, os homens de chapéu, as mulheres de vestido… E o centro da cidade palpita …

 

 
João Baptista Pereira Netto, homem de fala mansa, trejeitos calmos e pacientes, é uma antítese em meio à confusão da cidade. Neste mundo em que todos trabalham demais, engolem a comida e ganham apenas o suficiente para pagar as muitas contas, ele é um dos poucos privilegiados que pode se dar ao luxo de viver da sua arte. Nas suas palavras, um verdadeiro presente de Deus.

 

 
Nas minhas palavras apenas posso agradecer por ter esse avô que me fez enxergar que a Vila Madalena, Vila Olímpia, Itaim, Moema, Jardins, são sim bairros lindos e jovens, cheios de restaurantes e lojas … mas que a história e o pulsar de São Paulo estão mesmo no centro dela.

 

 
 
Mariana Pereira da Rocha Cruz é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: agende entrevista em audio e video no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Ou envie seu texto para milton@cbn.com.br. Ouça outras histórias de São Paulo no meu Blog, o Blog do Mílton Jung.

Conte Sua História de SP: do cheiro de café na padaria à serração

 

Lia Araujo
Ouvinte-internauta da CBN

 

 

 

Tenho muito carinho em falar sobre a São Paulo querida dos paulistanos! Sempre que penso sobre minha cidade natal tenho um sentimento relacionado à infância. Acordando cedinho em casa, sentia o cheirinho  do café de coador e do filão de fresquinho da padaria mais próxima. Acompanhando minha mãe à feira livre, abarrotada de pessoas apressadas e feirantes animados. Parando na banca de pastel com garapa. Aos domingos, vendiam até frangos e pintinhos vivos.

 

Sou do tempo que era possível atravessar tranquilamente a praça da Sé ou o Vale do Anhangabaú ou a Praça do Patriarca, mesmo em altas horas da noite sem medo. Sim, São Paulo já foi uma cidade tranqüila durante à noite. Antes do metrô, os ônibus eram seguros e em número suficientes, também. A população era apenas a metade da atual.

 

Todas as manhãs e no inverno à noite, por conta da densa vegetação,  havia serração, às vezes acompanhada de garoa, a famosa garoa que caiu no esquecimento, após o advento da poluição proveniente de tantas indústrias e veículos. As indústrias já estão se diluindo pelo interior; enquanto os carros aumentam cada vez mais em número e modelos variados. Até o bonde agora é motivo de folclore na lembrança dos cinqüentões.

 

Impossível lembrar-se de São Paulo sem falar dos inúmeros migrantes e descendentes de imigrantes. Havia o bairro dos italianos, dos japoneses, dos árabes, dos judeus, dos libaneses, dos portugueses. Muito interessante como essa gente miscigenou-se e transformou São Paulo nesta terra tão pródiga para todos. A megalópole de milhões de habitantes. A cidade que não pára, não dorme, não cala.

 

Prezo em manter esta memória que passo para os jovens, divido com eles todo o encanto que um dia me proporcionou esta São Paulo.

 

Lia Araujo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: agende entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Ou envie seu texto para milton@cbn.com.br.

Conte Sua História de SP: o Amarelinho da CET que ajudou meu filho nascer

 

Por Marcelo Parra Vallone
Ouvinte-internauta da CBN

 

O Amarelinho que nos ajudou no dia do nascimento de meu Filho.

 

Após três anos de casados, eu e minha esposa resolvemos ter um filho. E após nove meses de gestação, no dia 16 de fevereiro de 2001, minha esposa acordou com dores. Ligamos para o médico e ele disse que a hora havia chegado. Fomos às pressas para o hospital. Apressados mas cuidadosos. Morávamos em Mauá. Precavido, eu já havia feito todo o percurso até o hospital, o Santa Joana, na avenida Paulista, algumas vezes. A malinha do bebê já estava pronta a um mês. Acontece que meu filho resolveu dar sinais que ia nascer às sete da manhã de uma sexta-feira: hora do maior trânsito em São Paulo. Na avenida Vergueiro o tráfego parou de vez. Minha esposa sentindo aquela dor que só mulher sabe como é. Os carros não andavam. Eu buzinava com esperança de alguém abrir caminho. Não adiantava. Quando parecia não haver mais horizonte à minha frente, dei uma olhada no retrovisor e avistei um carro amarelinho, aqueles da CET. Não tive dúvidas, esperei a viatura ficar ao meu lado, desci o vidro e pedi ajuda ao senhor que estava na direção. Foi quando ele gritou: “vem atrás de mim, vou te ajudar”. Ligou a sirene, sai atrás dele e o caminho se abriu até o hospital. Coisa de dez minutos já estávamos na porta do Santa Joana. Agradeci ao moço da CET, abri a porta, peguei a malinha, dei entrada com minha esposa na maternidade e … Ufa, que sufoco! … meu filho nasceu lindo como o pai e a mãe e com muita saúde. Obrigado, Amarelinho da CET.

 

 

Marcelo Parra Vallone é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: agende entrevista em áudio e video no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Ou envie seu texto para milton@cbn.com.br. Ouça outras histórias de São Paulo no meu Blog, o Blog do Mílton Jung.