Conte Sua História de SP/460 anos: construímos nossa vida na Zona Leste

Por Cláudia Elisabete da Silva
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 


             

 

                                                                         
Às sete horas anunciei que estava para chegar, mas minha mãe não entendeu que meu dia havia chegado. Às sete horas os trabalhadores já estavam na luta, de trem, de ônibus, sonhando nos “enlatados” com o metrô em construção que, um dia, iria encurtar as distâncias para todos – ou para alguns privilegiados lá da zona sul. Só o tempo diria, já que até hoje o metrô não atende a toda a cidade. Meu pai e nosso tio já haviam saído para seus respectivos empregos. Minha mãe, no entanto, não quis incomodar ninguém, e ficou ali, sofrendo sozinha, achando que eu poderia esperar mais um pouco. A coisa foi ficando apertada e em pouco tempo não foi mais possível segurar. Ela chamou minha tia, que morava no mesmo terreno, na casa da frente. A tia, recém-chegada na Paulicéia, não sabia nem por onde começar.

 

“Um táxi, tia, chame um táxi lá na Itinguçu”, minha mãe pedia. Morando na Vila Ré, cujas ruas ainda estavam sendo asfaltadas, essa era a única forma de tentar chegar a um hospital em tempo suficiente para que eu não viesse ao mundo no meio da rua, em meio a essa gente apressada, correndo para o que der e vier, como diria a canção de tom entusiástico e em ritmo acelerado – “vambora, vambora, olha a hora”…

 

São Paulo não podia parar: este era o mote lá no início da década de 1970, quando vi a luz, só por volta das cinco da tarde – na hora do “rush”, da volta para a casa, tinha que ser! O hospital ficava na Avenida Celso Garcia, a alguns metros do Parque São Jorge – o destino já estava traçado: mais uma corintiana na face da Terra!

 

Aprendi a ler antes de frequentar a escola, decifrando os outdoors do corredor Radial Leste-23 de Maio-Rubem Berta, que percorríamos semanalmente, eu, minha mãe e meu pai, para visitarmos os parentes no Jabaquara. Tentamos morar nesse bairro em 1979, mas não aguentamos mais do que nove meses, por causa do barulho dos aviões que decolavam e aterrissavam em Congonhas. Voltamos para a zona leste, onde construímos nossas vidas ali, na região da Penha, um dos bairros mais antigos da capital, antigo lugar de peregrinação à igreja do século XVII que abrigava a santa padroeira da cidade. A Penha era o centro comercial para toda aquela gente que, quando era preciso “ir à cidade” (o Centro Velho), dependia exclusivamente dos ônibus que seguiam, demoradamente, pelas avenidas Amador Bueno da Veiga, Celso Garcia e Rangel Pestana.

 

Nos anos 1980 veio o metrô, que facilitou a vida dos trabalhadores e estudantes da região. Fui fazer o 2º grau no Tatuapé, e foi então que a cidade começou a se descortinar diante dos meus olhos.  Centro velho, República, Anhangabau, 24 de Maio e Barão de Itapetininga, com suas livrarias e lojas de discos, as galerias Barão e “do Rock”, os cinemas, as lojas de pedras brasileiras, os prédios da virada do século XIX para o XX.

 

Entrei na USP para estudar História e venho testemunhando da janela do ônibus as transformações da rua Augusta ao longo dos últimos 20 anos; trabalhei no Museu Paulista (vulgo Museu do Ipiranga), onde pisei pela primeira vez ainda criança, levada pelo meu pai; fiz alguns freelancers na região da Santa Cecília, Higienópolis, Perdizes e Lapa. Pesquisei nas bibliotecas da São Francisco, na Mário de Andrade, nos arquivos Municipal e do Estado, e tornei-me uma professora absolutamente apaixonada por São Paulo e sua história. Hoje, e já há alguns anos, tenho a sensação de que São Paulo precisa parar de crescer, para que a verdadeira cidadania seja conquistada por todos. Apesar de tudo, posso dizer que não saberia viver noutro lugar.

 


Cláudia Elisabete da Silva é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você mais um capítulo da nossa cidade. Mande seu texto para milton@cbn.com.br ou agende entrevista no Museu da Pessoa, pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Conheça outras histórias de São Paulo no meu blog, o blog do Mílton Jung

Conte Sua História de SP/460 anos: o casarão mal-assombrado

 

Por Clarindo Oliveira
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Cada um ao seu estilo, meus pais eram excelentes contadores de histórias. Meu pai, senhor José Américo de Oliveira, falava da sua infância na roça em Minas Gerais e da batalha diária pela sobrevivência na cidade grande na década de 1950. Ele, inclusive, já teve um episódio imortalizado no “Conte Sua história de São Paulo”, da CBN.

 

Minha mãe tinha nome de cantora: Dalva de Oliveira. E também uma linda voz! Vivia cantando as músicas da xará, da Cláudia Barroso e da Angela Maria. Era fã número 1 do Agnaldo Rayol. Quando acabava a energia em casa, ela acendia o lampião a querosene, reunia os filhos na sala e contava fábulas infantis. Eu adorava aquela da Dona Baratinha que não parava de chorar porque o Dom Ratão caiu na panela de feijão.

 

Eu já não tenho esse dom. Trabalho na área de informática, onde a lógica predomina. Ingressei na área na década de 1980, no CPD de um tradicional banco paulista, o Mercantil de São Paulo, na Freguesia do Ó. Foram tempos corridos para mim. Cruzava a cidade todos os dias. Saía da Vila Joaniza, na zona Sul, para trabalhar na zona Norte e à noite estudava na PUC em Perdizes, na zona Oeste.

 

Foi nessa época que conheci o Vasquinho, um sujeito que tinha dois empregos. À noite ele trabalhava num prédio na avenida Rio Branco. Ficava praticamente sozinho nesse local, operando os computadores. Dizia que atrás do prédio existia um casarão com fama de mal assombrado. As pessoas comentavam que o fantasma de uma freira aparecia de vez em quando e que se ouviam barulhos estranhos por lá. Lembro-me de ter comentado que nunca trabalharia num lugar desses!

 

Alguns anos depois, fui trabalhar na Porto Seguro, nos Campos Elíseos. Era um casarão antigo da rua Guaianases, tombado pelo Condephaat e belissimamente restaurado pela empresa.  Havia um jardim enorme, que hoje deu lugar a um prédio muito moderno. Era o tal casarão da história do meu amigo do banco. Estive lá muitas madrugadas, corrigindo erros dos programas, nunca presenciei o fantasma. Calejado pela exatidão dos bits e bytes, acho que os barulhos estranhos seriam de ratos que viviam em tantas construções antigas da região. Já a visão da freira talvez fosse apenas a estátua de um cisne que havia no jardim, envolto pela névoa que baixava. 

 

Mas vai saber…

 

Clarindo Oliveira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você também pode contar mais um capítulo da nossa cidade. Mande seu texto para milton@cbn.com.br ou marque entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistória@museudapessoa.net. Para ouvir outras histórias de São Paulo, visite o meu blog, o Blog do Mílton Jung

Conte Sua História de SP: coisas que não existiam no Egito

 

Por Nadine Vogel
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Dia 17 de setembro de 1957.

 

Chegamos em Santos, após uma viagem de 25 dias. Eu tinha 2 anos. Ficamos atordoados com a quantidade de gente no cais: homens, mulheres, crianças, brancos, negros. Isso não havia no Egito. País que por questões políticas havia nos expulsado.

 

Viemos para cá porque minha tia, irmã mais velha de minha mãe, estava aqui. Ela nos havia jurado que São Paulo era uma cidade grande, cheia de oportunidades. Meus pai vieram muito ressabiado, trouxeram uma bagagem enorme e dentro delas latas de óleo, louça, máquina de costura. Nunca havíamos ouvido falar de Brasil e muito menos de São Paulo.

 

Meus tios foram nos pegar em Santos, mas tivemos que deixar nossas 25 malas num guarda malas, pois não cabiam no ônibus. Pegamos a estrada e depois o bonde e chegamos na Vila Mariana, onde minha tia morava, lá no Edifício Amarante.

 

Meu pai disse em árabe:
-Essa cidade é grande!

 

No dia seguinte saiu de casa para procurar emprego. Saiu apenas com o número dos ônibus que deveria tomar e com o endereço do edifício Amarante. Número de telefone? Apesar da pujança da cidade, telefone era só para pessoas muito ricas.

 

Estávamos assustados, era noite, e meu pai não havia chegado. Até que a campainha tocou e seus alhos azuis brilhavam muito. Não era um brilho só de agradecimento, era de surpresa. Ele nos contou que havia tomado o ônibus errado e se desesperou. Um padre franciscano ofereceu-se para ajudá-lo. E o acompanhou até a porta.

 

Meu pai gritava, em árabe:
– Essa cidade é maravilhosa!

 

As coisas melhoraram. Conseguimos alugar um pequeno apartamento na 9 de julho. Era demais morar próximo do Viaduto do Chá, do Vale do Anhangabaú – afinal era lá que todos faziam suas compras. O bairro era ótimo. Íamos as festa na Rua Avanhandava, Manuel Dutra, Rocha e voltámos de madrugada a pé. A cidade era segura, apesar da iluminação amarelada da avenida. Um dia alguém entrou em nosso apartamento enquanto estávamos passeando na Praça 14 bis, mas isso não abalou nossa confiança.

 

Minha irmã começou a trabalhar, minha mãe, também, como balconista na Augusta, uma rua super luxuosa. Meu pai vendia canetas tinteiro. Mais tarde, passou a vender esferográficas. Em época de férias, eu saia com ele pelo centro e visitava todos os caneteiros, seus clientes. Era divertido, aquele centro apinhado de gente num vai e vem que atordoava a todos. Olhava as mulheres chiques chegando de carro para tomar o chá no Mappin; a variedade de mercadorias nas lojas If, Modélia, Americanas e no Esportes Moura, me enlouquecia.

 

Quando eu me mostrava assombrada diante da vitrine, meu pai dizia, em árabe:
-A cidade é grande e maravilhosa!

 

Eu andava de mãos dadas com ele, com medo, mas segura; eu fazia parte dessa grandeza.

 

O fim de semana era demais. Ia aos Sábados na feira. Lá na Praça Roosvelt. Tinha de tudo; frutas, verduras, roupas, sandálias, mas as bijuterias eram irresistíveis.

 

– Que cidade! Tem tudo que precisamos!
Cada vez mais tinha a certeza que éramos muito felizes aqui.

 

O domingo era meu dia preferido. Minha mãe e minha irmã ficavam em casa preparando comida e costurando nossas roupas na máquina Singer, que veio conosco do Egito. E eu me aprontava logo cedo. Era dia de visitar a TV Excelsior e assistir ao programa de auditório “Jardim Encantado” apresentado por Clarice Amaral e Vicente Leporace. Andava feliz na rua com meu vestido novo, cheio de babados, e o sapato comprado nas lojas do centro. O trajeto era longo, e longa era a fila que deveríamos enfrentar para assistir ao programa, mas isso não importava, afinal estávamos em São Paulo.

 

Nadine Vogel é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte mais um capítulo da nossa cidade. Envie seu texto para milton@cbn.com.br ou agende entrevista no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Outras histórias de São Paulo você encontra aqui no Blog.

Resultado com faixas exclusivas de ônibus causa desânimo

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

A CBN, há uma semana, dentro do programa de análise do primeiro ano da gestão Haddad, entrevistou o engenheiro e mestre em Engenharia de Tráfego Prof. Sergio Ejzenberg da USP, que trouxe significativos subsídios ao tema da mobilidade urbana na cidade de São Paulo. Com o objetivo de ampliar o uso do transporte coletivo, Haddad aumentou a área destinada aos ônibus através de faixas e corredores exclusivos, chegando a 290 km. Ao mérito de atacar um dos principais entraves da cidade, o desânimo do resultado, pois não houve progresso, talvez retrocesso.

 

À complexidade do problema, o Eng. Ejzenberg simplificou a solução. Segundo ele, o aumento da área de circulação dos ônibus apenas trouxe mais rapidez aos atuais passageiros, o que não resolveu a questão da mobilidade, pois não houve acréscimo na frota. A meta não é a velocidade, é a capacidade. Para aumentar a capacidade é preciso aproveitar melhor o espaço colocando de 500 a 600 veículos por hora em cada uma destas áreas reservadas, enquanto estão sendo usados apenas os mesmos 30 ônibus por hora. O ônibus chega ao destino em menos tempo, mas não sai outro a seguir. Ao ocupar mais espaço com o transporte coletivo, Haddad reduziu o espaço para os automóveis. Além de não conseguir a transferência de passageiros dos automóveis para os ônibus, piorou as condições de tráfego para os usuários do transporte privado. Fato grave, não tanto quanto ao discutível aspecto econômico, pois são as pessoas que movem valores maiores no trabalho, mas pela quantidade. Metade da população usa transporte coletivo e metade usa transporte privado.

 

E como desgraça pouca é bobagem, ainda poderemos ter a proibição dos táxis circularem pelos corredores. Já são subutilizados e poderão ficar ainda mais, enquanto os automóveis disputarão espaços cada vez mais reduzidos.

 

Esse farto e valioso material deixado pelo Eng. Ejzenberg nesta entrevista à Fabíola Cidral ainda provou que ninguém é perfeito, porque o Professor depois de apontar tantas falhas deu nota 8 ao primeiro ano da gestão Haddad.

 

Ouça aqui a entrevista que foi ao ar no CBN São Paulo:

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Conte Sua História de SP: as carroças da Visconde de Parnaíba

 

Por Darcy Gersosimo
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Durante oito anos de minha vida, de 1942 a 1950, moramos na Rua Visconde de Parnaíba, no Brás. Naquela época, São Paulo era tão diferente … A Visconde de Parnaíba era tida como muito movimentada devido ao tráfego de automóveis, caminhões, carroças puxadas a burros ou cavalos de padeiros, leiteiros, verdureiros, que trabalhavam nas empresas Matarazzo e Souza Cruz. Além da linha de ônibus Belém, número 24, cujo ponto era na Praça Clóvis Bevilaqua, defronte ao Palácio da Justiça.

 

Era uma alegria quando mamãe, por algum motivo nos levava para as avenidas Celso Garcia e Rangel Pestana, andando para ver as vitrines das lojas que estavam em toda sua extensão. Eram de calçados, tecidos, armarinhos, presentes, vestidos de noiva, chapéus para senhoras e senhores, flores de seda. Tinha a Pirani -a Gigante do Brás -, as Americanas … Passávamos pela Igreja de São João Batista, em cujo Largo havia um bebedouro para cavalos. Na esquina da Rua Bresser, no bar “O Garoto”, comíamos um pedaço de pizza feita na hora. Que delícia…

 

Nessas avenidas existiam cinemas famosos como o Universo, Roxi, Brás Politeama, Piratininga. Havia também a Escola Normal Padre Anchieta, com as normalistas vestidas de azul e branco, como cantava Nelson Gonçalves, e o Grupo Escolar Romão Puiggari, com seus alunos uniformizados. Os “studios” fotográficos registravam nosso desenvolvimento físico, anualmente. Tenho diversas fotos do “Foto Stúdio Progresso”, na rua de mesmo nome. Às vezes, chegávamos até o Largo da Concórdia, onde as quermesses eram realizadas com barracas de jogos de argolas e do coelhinho que entrava na casinha (ou não). Ali ficava o Teatro Colombo e bem próximo o tristemente famoso Cine Teatro Babilônia. Eu admirava um lindo palacete na Celso Garcia onde estava instalada a 8a. Delegacia de Polícia. Hoje, o imóvel está em completo abandono, que pena! Antes de ir para casa, fazíamos uma rápida visita à Tia Izabel que morava no número 900, da mesma avenida. Nesse imóvel, na frente da casa, meu tio montara uma loja de venda de discos e conserto de rádios (aqueles de válvulas). Ainda não existiam LPs, nem TVs.

 

Depois do cafezinho, voltávamos para casa.

 

Darcy Gersosimo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você também pode contar mais um capítulo da nossa cidade. Mande seu texto para milton@cbn.com.br ou marque entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistória@museudapessoa.net. Ouça outras histórias de São Paulo aqui no Blog do Mílton Jung

Conte Sua História de SP: os Paulos de Paulo e o ensino de São Paulo

 

No Conte Sua História de São Paulo trago, hoje, dois personagens:

 

 

Começo com Paulo Henrique que quer conhecer alguém mais paulistano do que ele. Filho de mineira e de baiano, dona Irias e seu Claudemiro, Paulo nasceu em São Paulo, no dia de São Paulo, e no Hospital São Paulo. Para dar sequência à história, torce para o São Paulo e já morou na Vila São Paulo. Como se tudo não bastasse, teve um filho no mesmo dia de São Paulo, que só não se chama Paulo porque aí a mãe já estava achando coincidências de mais.

 

Nosso outro personagem é Alci Cortezi que não nasceu em São Paulo, mas declara todo seu amor pela cidade que, pelo visto, foi à primeira vista, pois diz que começou, em 1971, quando chegou com toda a família: os pais e os irmãos,Alfredo, o mais velho, e Terezinha, a do meio. Veio da mineira Capiniópolis, onde trabalhava tirando leite de vaca e na lavoura. Os tios que já estavam por aqui, vendo as dificuldades na roça, mandaram carta convidando o pai dele para vir à São Paulo. Os irmãos ficaram na casa de uma família, na Capital. Enquanto o pai, a mãe e ele, o caçula, foram morar em São Roque. Alci chegou com apenas o quarto ano primário e assim que pode voltou à cidade grande, fez Madureza, curso técnico, faculdade, tem um escritório contábil, três filhos e está casado pela segunda vez.

 

Alci e Paulo Henrique são personagens do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capitulo da nossa cidade. Mande o texto para milton@cbn.com.br ou agende entrevista em áudio e vídieo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Outras histórias da nossa cidade, você ouve e lê aqui no meu blog, o Blog do Mílton Jung

Conte Sua História de SP: guiando por uma São Paulo que foi embora

 

Por Rodrigo youssef
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Uma historia que lembro foi da época em que estava tirando carteira de motorista.
Era 1994. Meu instrutor tinha 85 anos. Enquanto rodávamos a cidade, ele me fascinava com seus relatos de como era São Paulo quando ainda era criança.

 

A Avenida José Maria Withaker, no bairro da Saúde, contava, era um riacho onde ele nadava com os primos. O cavalo do tio dele aparava o mato alto de onde hoje é a Avenida Paulista. A 23 de Maio tinha muita terra vermelha nas sua margens havia um riacho, também, e, consta, seu solo era muito bom pra plantar milho.

 

Cada pedaço de asfalto e construção era um invasor, uma tampa de bosques e ribeiros, que se encolheram sob a minha cidade.  Fiquei tão impressionado com aquelas histórias que lembro até hoje do senhor magro de pele escura, contando devagar sobre uma São Paulo que parecia surreal para mim.

 

Rodrigo Youssef é o personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Envie seu texto para milton@cbn.com.br ou agende uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net.

Conte Sua História de SP: passou por minha lente

 

Por Marcos Falcon

 

 

 
Ocupado que estou em criar o site e o portfólio da empresa onde hoje trabalho, acabei envolvendo-me ainda mais com a Cidade de São Paulo. Após várias seções de “brainstorming” concluímos que deveríamos associar a comunicação visual de nossa empresa, que acaba de completar 50 anos, à imagem da Cidade. Um de nossos colaboradores colocou em pauta que a arquitetura de uma cidade é um de seus maiores valores históricos e sugeriu que a evolução arquitetônica de São Paulo fosse a linha mestra da comunicação de nossas peças de divulgação mercadológica. A idéia foi aceita de imediato sem restrições e a partir desse momento saímos a escolher as imagem que ilustrariam  esses veículos.

 

Não tive dúvidas e passei a andar diariamente com minha máquina fotográfica, minha entre aspas, da minha esposa a tira colo e registrar tudo que julgava belo no Centro Velho. Quanta beleza e quanta história eu vi. Encontrei locais onde convivem prédios do século 19 de Ramos de Azevedo com prédios ainda contemporâneos das décadas de 70 e 80, e a arquitetura futurista.

 

Fotografei por vários ângulos a Faculdade de Direito do Largo São Francisco com seus lindos arcos e vitrais maravilhosos. Também estiveram no foco de minha lente a Escola Técnica Álvares Penteado, o prédio do Palácio da Justiça e o Tribunal de Justiça.

 

Vi a obra prima da estrutura em aço com o qual fora forjado o Viaduto Santa Efigênia ligando o presente a visão de futuro de nossa cidade. Pude contemplar ali da São João com o Vale a vista do magnífico Edifício Martinelli em contraste com o cartão postal do Prédio do Banespa “agora Santander” (o banco mudou de nome, porém o prédio será sempre do Banespa).

 

Vi a esquina da São Bento com a Patriarca, onde um edifício de mais de um século contrasta com o imponente prédio do Unibanco, ou será do Itaú, na esquina com a Rua Direita.

 

Vi a Catedral, cujas pedras meu avô paterno Manoel Vilanueva Falcon talhou nas pedreiras de Itaquera. Meus olhos brilhavam e minha lente registrava a beleza do Pátio do Colégio onde a história teve início.

 

Também vi muita gente no chão, cheirando a urina e vivendo como animais abandonados.

 

Eu vi São Paulo. 
 

 

Marcos Falcon é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você mais um capítulo da nossa cidade. Marque uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net ou mande um texto para mim: milton@cbn.com.br.
 

O IPTU de São Paulo, a coceira e a falta de lógica

 

Por Julio Tannus

 

Em um país como este, salve-se quem puder!

 

1) Após aguentar por um bom tempo uma coceira pelo corpo, resolvi dar um basta. Procurei uma médica dermatologista. Saí de seu consultório esperançoso, com receitas e exames a serem feitos. Com o passar do tempo, não obtive nenhum diagnóstico e a coceira voltou.

 

Minha caminhada continuou sempre focada na ideia de dar um fim a esse sofrimento. Consultei uma clínica especializada em alergia e o resultado foi idêntico. Imediatamente consultei outro dermatologista e o resultado foi o mesmo: minha coceira persistiu.

 

Resolvi então apelar para uma médica dermatologista especializada em acupuntura. Parecia que finalmente estava chegando ao fim do túnel. Paralelamente foi recomendado que eu fizesse alguns exames na tentativa de encontrar a origem da coceira.

 

Recorri então a um dos mais conceituados hospitais para me submeter a um raio-x e ultrassonografia do abdômen total. O laudo da ultrassonografia dizia: “Discreta alteração textural hepática, com pequena área hipoecogênica junto à bifurcação portal (a tomografia computarizada pode trazer informações adicionais). Fui recomendado a fazer a tomografia. Dirigi-me então ao mesmo hospital para fazer uma tomografia computadorizada de abdômen total. O laudo dizia: “Achados da transição tóracoabdominal: acentuado enfisema pulmonar centrolobular e parasseptal e irregularidade cortical na porção lateral do 11º. arco costal esquerdo, podendo representar fratura consolidada”.

 

A dermatologista recomendou que eu fosse de imediato a um médico pneumologista para aprofundar o diagnóstico de “acentuado enfisema pulmonar”. Recorri então a um médico do próprio hospital onde havia realizado os exames. Após a leitura das imagens da ultrassonografia e da tomografia e de um exame clínico, eis o diagnóstico do médico especialista: “O senhor não tem absolutamente nada no pulmão, o laudo está totalmente equivocado”.

 

2) O cidadão, por problemas de segurança (teve sua casa assaltada), resolve mudar para um apartamento. Passados sete anos em sua nova residência, ele se dá conta que o valor do IPTU mais que dobrou no período. Como ele vive de aposentadoria, resolve consultar a Prefeitura de São Paulo sobre o porquê do aumento tão elevado, uma vez que sua aposentadoria não teve qualquer aumento, e sim as correções decorrentes da inflação. A explicação que conseguiu apurar para esse fato é que os imóveis na região foram muito valorizados.

 

E ele então arguiu: se sou proprietário de um imóvel e não tenho nenhuma intenção de comercializá-lo, porque um órgão público quer se beneficiar de sua valorização? Não seria o caso de obter vantagem sobre essa valorização apenas no caso de venda do imóvel?

 

E desfiou seu descontentamento e indignação para o atendente da Prefeitura: o retorno obtido com esse elevado aumento do imposto é inexistente! Continuamos com as vias públicas em péssimas condições, esburacadas, cheias de remendos mal feitos. A iluminação pública, no geral, é deficiente, propiciando todo tipo de insegurança aos cidadãos. Toda a vegetação não tem o tratamento adequado. Sem falar na falta de segurança. Que tristeza!

 

E agora nos vemos frente à frente com um Prefeito e Câmara de Vereadores aumentando mais ainda esse maldito imposto. Um dos argumentos usados é que o valor dos condomínios nesses bairros com imóveis mais valorizados são bem mais elevados que o IPTU. Raciocínio ridículo, para não dizer totalmente idiota. Ora, se descontarmos o valor dos impostos nas despesas de condomínios, que só no caso das despesas com funcionários acresce-se cerca de 50%, o argumento cai por terra.

 

Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada
Co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier) e escreve no Blog do Mílton Jung

É um assalto! Alguma novidade?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Polícia no SOS Morumbi

 

Domingo à noite, um casal de classe média alta, no bairro do Morumbi, precisamente no Real Parque, foi assaltado por um grupo de jovens armados. Escopeta, metralhadora e muita agressividade e violência, com arma apontada à nuca aos corpos deitados no chão Os criminosos roubaram dinheiro, cartões de crédito e o carro. Uns entraram na favela próxima, outros fugiram com o automóvel. Deixaram as vítimas na calçada.

 

Enfim, cena que o cotidiano urbano tem banalizado, não fossem alguns novos fatos. O casal foi a 34ª Delegacia de Polícia e não conseguiu fazer o BO – Boletim de Ocorrência, pois foram informados que estas unidades e mais quatro da região não fazem BO nos fins de semana por falta de pessoal. Foi a seguir na 89ª DP do Jardim Taboão onde efetivou o BO e soube que existem apenas dois carros para cobrir todo o Morumbi. Enquanto a polícia que normalmente fica em frente a loja do supermercado Pão de Açúcar, na Marginal Pinheiros, na altura da ponte Estaiada, com pelo menos dois veículos e motos, é classificada como Polícia de Trânsito e não faz ronda ostensiva. Faz segundo moradores da área a fiscalização nos carros novos e vista grossa aos calhambeques, tão freqüentes no bairro.

 

Realizado o BO, o casal alertou as entidades de bairro do ocorrido, prevenindo sobre o local e atentando ao fato, que terão cada vez mais o trabalho de sensibilizar todos os elementos envolvidos na segurança. Moradores, governo, polícia e imprensa. E, espera que ao menos o Ladeirão do Real Park, local do assalto e tão conhecido como ponto de crime, possa ser fiscalizado. Aproveitando-se inclusive da proximidade de eleições. Época em que os políticos se digladiam em busca de Luz, Câmeras e Ação.

 

Que tal Luz, Câmeras, e Ação, nos bandidos também?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.