Avalanche Tricolor: Sorria, André !

 

Grêmio 4 x 2 São Paulo
Brasileiro – Olímpico Monumental

A partida terminou tarde hoje. Jogo neste horário é proibido para menores de cinco anos. Imagino que o André, este garotinho de três anos que aparece na foto, estivesse dormindo quando se encerrou o jogo de hoje. Mas isto não impedirá dele e de seus amiguinhos gremistas saberem amanhã cedo, assim que acordarem, que o time pelo qual torcem não perde a mística da imortalidade.

Longe de mim arriscar aqui um novo destino para o Grêmio neste Campeonato Brasileiro. Humildade combina com nosso momento e, portanto, a meta é sempre os três pontos do jogo seguinte e com estes pontos nós iremos até onde eles nos levarem.

A nossa imortalidade, porém, foi colocada à prova mais uma vez na competição. Quantos de vocês que lêem enrustidamente este espaço dedicado aos gremistas não andaram apostando por aí que o rebaixamento era definitivo. Quantos não propagaram a ideia de que nossos jogadores estavam com tempo de validade vencido – e Douglas era o principal alvo dessa crítica.

Mais do que isso, nossas qualidades foram esquecidas (às vezes até por nosso elenco), nossa coragem era motivo de ironia dos adversários, e os comentários teimavam em nos depreciar usando clichês do futebol: só sabem marcar, time retranqueiro, falta talento, o forte é a bola alta e outras coisas do tipo.

Assim como há duas semanas o menino André pode dizer orgulhoso para os coleguinhas que havia visitado com toda a família gremista o local onde será a Arena Tricolor, nesta quinta-feira, ao chegar na escolinha, poderá encher o peito mais uma vez e com sorriso no rosto falar a todos: “meu time é tri-legal !”.

Diga mais, André. Lembre que os retranqueiros do Sul têm o goleador do campeoanto, Jonas, com 14 gols, 66 já marcados na história do Grêmio. Têm André Lima com cara de menino perdido que fez dois em uma só partida. E tem até Diego que mal foi apresentado à torcida e já marcou, também. Todos atacantes, gente que joga lá na frente, mas não foge da luta quando precisa arrancar a bola do pé adversário.

Tem uma turma que sabe trocar passe, se movimenta com rapidez, não teme dar um chutão pra fora nem usar o calcanhar quando for oportuno. Que dá chance até de a torcida gritar Olé, só de brincaderinha.

Eh, André ! Você ainda vai ter muitos bons motivos pra abrir esse sorriso gostoso e emocionatnes histórias pra contar aos seus amigos, pode ter certeza. E não esquece de agradecer ao papai Leandro que lhe ensinou a lição direitinho: bacana mesmo é torcer para o Grêmio, o Imortal !

Foto-ouvinte: Arte e rabisco na porta do Teatro

 

Tapumes, antes e depois

Os grafites que ilustravam os tapumes que estão em torno do Teatro Municipal de São Paulo foram “atacados” por cartazes mal-colados, conforme registrou o colaborador do Blog Marcos Paulo Dias. As duas imagens que você vê acima foram feitas por ele. A primeira há alguns meses quando as cores e traços chamaram a atenção dele, pois quebravam a monotonia da obra de reforma do teatro mais importante da capital. A segunda, dia 5 de agosto, quando os papéis colados sobre os desenhos lhe causaram uma reação negativa.

Dura vida paulistana

 

Por Sérgio Mendes

SDC10905

Clique aqui e ouça este som enquanto lê o texto a seguir

Ta cada dia mais difícil de se viver em São Paulo e, as vezes, o barulho impede a gente  até de trabalhar. Pois foi o que me aconteceu nesta última quinta feira, 29/07, quando cheguei no ”serviço” às 7 em ponto .

Como o zelador, podia resolver tudo no grito. E eu não tive a menor dúvida. Mudei de sala, pedi ao zelador que os deixasse em paz e observei um pouco enquanto eles invadiam o espaço com aquela algazarra.

A gritaria, encantadora, era de uns visitantes andarilhos (voarilhos?) que naquele dia elegeram a minha janela para papear… por pouco não mandei também o meu aluno embora!

Viver em São Paulo está ficando cada vez mais difícil, o que salva são estes encantamentos que de vez em quando nos acontecem e a gente aprende a ouvir. Mesmo quando tem por ofício ensinar a falar.

Sérgio Mendes é ouvinte-internauta, professor de inglês e integra o Adote um Vereador

Falta cidadão na Câmara Municipal

 

adoteO que precisa mudar na Câmara Municipal de São Paulo ?

Foi a pergunta que fiz a Sonia Barboza, do Voto Consciente, em entrevista na qual  pretendia avaliar o trabalho do legislativo paulistano. Ela me surpreendeu com a resposta. Em lugar de cobrar dos vereadores, chamou atenção para a baixa participação do cidadão no parlamento.

Ouça a entrevista de Sonia Barboza ao CBN São Paulo

Tem razão, Sonia. A Câmara que temos é a que escolhemos. E se nos mantivermos distantes, é a que teremos para sempre. Pouco adianta cobrar do vereador que ele tome decisões compatíveis com o meu pensamento, que atue de maneira apropriada a um representante do cidadão, se este – o cidadão – não demonstra interesse nem está atento ao trabalho realizado por lá.

Sei que estamos em uma democracia representativa. Escolhemos o vereador – assim como escolheremos o presidente, o governador, os senadores e os deputados federal e estadual – para que ele decida em meu nome. Mas não é assim que funciona. Eu sei e você, também.

Por isso, precisamos controlar os passos que estes representantes dão. Devemos mostrar a eles que estamos de olho no que fazem ou deixam de fazer. Que os fiscalizamos.

A presença do cidadão na Câmara é essencial. E os integrantes do Voto Consciente sabem a diferença que isto faz na vida do parlamento, assim convocam todos os eleitores a comparecerem nas sessões em plenário, nos encontros das comissões e nas audiências públicas.

Sonia Barboza aproveitou a entrevista para convocar os eleitores a assistirem o seminário que se realizará, no dia 9 de agosto, às 10 da manhã, quando a prefeitura explicará os critérios que utiliza para definir os investimentos na área de saúde.

Após a entrevista dela no CBN SP, recebi várias mensagens de ouvintes-internautas comentando sobre o horário do encontro que se realizará no momento em que estão trabalhando. É verdade. Dez da manhã tem muita gente no emprego. Mas duvido que seja este o principal motivo para a ausência do cidadão na Câmara. Mesmo que a reunião fosse à noite, os mesmos alegariam outras razões para não participar.

Infelizmente, não faz parte do nosso cotidiano acompanhar o trabalho parlamentar. Há um descrédito preocupante em relação ao papel dos políticos, sem dúvida. Mas a ausência ocorre muito por inércia da sociedade.

Tem gente, por exemplo, que se apresenta como apolítica, como se fosse possível viver sem esta. Esquecem que as decisões tomadas no parlamento mexem com a nossa vida. Razão pela qual promovo à exaustão a ideia do Adote um Vereador.

É preciso estar de olho no que fazem na Câmara Municipal para não sermos surpreendidos com medidas estapafúrdias que prejudicam o nosso dia a dia.

Controle os políticos, antes que eles controlem você.

Cochichos e recados nos caminhos do Morumbi 2014

 

Direto de Roma/Itália

Toda vez que o presidente Lula abre a boca pra falar de Copa, o projeto Morumbi’14 sai da gaveta novamente, onde está guardado com pastas e documentos importantes que podem decidir o destino do estádio de São Paulo.

No lançamento do estranho logo para o Mundial do Brasil, Lula passou recado ao prefeito da capital paulista Gilberto Kassab (DEM), que está na África sob a alegação de que precisa conhecer programas e soluções desenvolvidas por aquelas cidades.

Kassab foi, na verdade, fazer política, não planejar.

As constatações do prefeito de que São Paulo não deve nada ao sistema de transporte de Johannesburgo e seria impossível construir um Soccer City com dinheiro público poderiam ser feitas de dentro do gabinete dele, no Viaduto do Chá. Haja vista que ao planejarem a Copa da África, as autoridades sul-africanas foram a São Paulo, especificamente na região do ABD paulista, passaram por Curitiba e esticaram viagem a Bogotá, na Colômbia, para entender como transportar passageiros com qualidade. Devem ter ficado presos em congestionamentos na cidade de São Paulo, onde não se investe em corredores de ônibus, há bons anos.

E como Kassab foi fazer política, voltará da África com o recado do presidente lhe coçando a orelha: “Continue a brigar pelo Morumbi” – está no Blog de Cosme Rímoli, em 08/07/10.

Há pouco mais de um ano, em outro cochicho nem tão baixo assim, Lula falou ao Ministro do Esporte, Orlando Silva Júnior, durante cerimônia no estádio do Morumbi: “Diga ao Ricardo (Texeira) para parar de falar m…. . É preciso baixar a crista dele. O Morumbi é o estádio de São Paulo para a Copa” – descreveu Juca Kfouri em 24/06/09

Pode parecer uma contradição (mas só a quem mantém a visão ingênua de que tudo é uma questão de preferência clubística), o corintiano Lula tem sido o “Embaixador do Morumbi” desde o primeiro minuto de jogo e seu esforço aumentou após encontro com o presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio – o mesmo que ao assinar nota em resposta a exclusão do estádio da Copa, ameaçou: “A Justiça é filha do Tempo. O Tempo é o Senhor da Razão. O Tempo dirá. E nós também” (16/06/10). Dirá o quê ?

Há quem não consiga dissociar a frase final daquela nota com o comentário presidencial, na cerimônia africana, de que o Brasil é feito de gente que não desiste nunca. Disse isso em uma das três vezes nas quais citou nominalmente Ricardo Teixeira, durante a cerimônia. Mais do que um slogan, um alerta ?

Destacou, também, o necessário combate a corrupção na Copa 2014. Quando, aliás, não será mais presidente do Brasil: “pode contar comigo no que for necessário” – fez questão de avisar a Teixeira.

Terça-feira (07/07/2010), já em solo africano, em outra das suas frases, Lula não foi descuidado na fala: “Se a CBF adotasse o que eu adotei quando era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, a cada oito anos a gente trocava a direção da CBF. No sindicato a gente trocava”.

Quanto a Kassab, não-alheio a discussão, voltará a São Paulo talvez com a bagagem vazia de projetos urbanísticos, mas com um aparente alívio: poderá reaproximar seu discurso pró-Morumbi ao do Palácio dos Bandeirantes, de onde se ouvia dos corredores críticas pesadas contra o alcaide. E, ao mesmo tempo, costurar com investidores a construção do Plano B, ou P, o Piritubão.

Desembarcará em São Paulo, com um pé em cada estádio.

Por enquanto, vizinho do Palácio, Juvenal Juvêncio só abre a gaveta de seu escaninho, cheia de pastas e documentos, pra remexer no projeto de reforma do estádio do Morumbi.

É das conversas ao pé de orelha, bate-papo nos bastidores e recados indiretos que se constrói o caminho para São Paulo ser sede da abertura da Copa do Mundo de 2014. Ou qualquer outra coisa que tenha o mesmo valor.

O que levar da Cidade do Cabo

Direto da Cidade do Cabo

Cidade do Cabo da Table Montain

A beleza intransferível da Cidade do Cabo seria o melhor que teríamos para levar daqui para São Paulo, pensei logo que a Fabíola Cidral perguntou-me sobre o assunto durante o CBN São Paulo, desta terça-feira. Fui injusto com certeza com esta que é a mais europeia das cidades sul-africanas, pois uma atenção maior no entorno e veremos que há muito mais do que a natureza ofereceu.

A limpeza do Cabo chama atenção, mesmo com a cidade tomada de turistas desde o início do mês. São milhares deles desfilando todos os dias, em especial no Waterfront, sem que deixem espalhados pelas calçadas suas marcas. Tive a curiosidade de perguntar a moradores daqui se a situação se devia aos cuidados para a Copa do Mundo e estes me garantiram que a vida por aqui é assim.

Desconhecem a Lei Cidade Limpa, pois é possível encontrar nas empenas dos prédios alguns anúncios publicitários. A poluição visual, porém, é imperceptível, talvez resultado do respeito que têm pela paisagem da cidade, desenhada pela Table Mountain e a baía logo em frente. Mesmo as lojas não usam luminosos extravagantes e na rua principal, Long Street, se esforçam para manter o cenário do passado, com balcões de arquitetura vitoriana que se estendem sobre as calçadas.

Cidade do Cabo

O desrespeito arquitetônico mais gritante está no pé da montanha, onde uma empresa de construção usou de uma brecha na legislação para levantar três torres absurdas que rasgam o visual da cidade. Exageraram tanto que chamaram atenção dos locais e as autoridades foram obrigadas a impedir que a construção seguisse para cima. Foi concluída, está em funcionamento, mas é uma vergonha viver ali.

Hoje pela manhã, encontrei com o jornalista Daniel Piza, do Estadão, que foi nosso colega na CBN, também. E ele me alertou para outro fator interessante que muitas vezes passa despercebido de nossos olhos: a organização nos pontos turísticos. Comparamos a subida a Table Mountain, feita por um teleférico, e a subida ao Corcovado, no Rio de Janeiro, que já havia sido motivo de queixa de um artista chileno que conheci. Aqui, chegasse aos 1.000 metros de altura e se tem um enorme parque para andar de maneira segura e rápida para as condições. As filas, apesar de grande, fluem sem cansar, ao contrário das que encontramos na capital fluminense. A estrutura oferecida ao turista também é muito boa.

Isto se repete em todos os demais pontos de visitação.

Cap Bay e Table Montain

Levaria para São Paulo, o respeito que os motoristas tem com as faixas de segurança. Em um trânsito que anda na mão inglesa, principalmente na área turística, o pedestre tem preferência para atravessar as ruas. Aliás, apesar dos problemas alegados para deslocamento, temos um tráfego bem mais ameno que o da capital paulista, pois falamos de uma cidade com 1,3 milhão de moradores que vivem em um extensa área geográfica, o que faz com que a densidade demográfica seja baixa, muito diferente de São Paulo.

Falaria, também, do respeito aos ciclistas, fator que presenciei nos primeiros dias de visita à cidade, porém ouvi queixas de brasileiros especializados no tema que estiveram por aqui. Renata Falzoni, por exemplo, disse que correram riscos ao encarar ruas e avenidas da cidade. Na dúvida, que levemos apenas o que eu vi e deixemos por aqui o que ela identificou.

A reclamar o serviço de táxi, bastante precário, apesar de termos encontrado motoristas sempre simpáticos e perdidos. Sim, eles pouco conhecem a cidade, parece que desembarcaram por aqui dias atrás para faturar com o movimento da Copa. Aliás, não só parece, pois é o que acontece com vários prestadores de serviço.

Torcedores na Cidade do Cabo

Deixemos por aqui, também, a violência que impera nesta sociedade. Mas São Paulo também é muito violento ? Índices comparados, a taxa de homicídio na capital paulista é metade da que encontramos na Cidade do Cabo. A insegurança, aliás, leva os restaurantes a manter hábito estranho para nós, às 11 horas as cozinhas fecham e não servem a mais ninguém. Quem chegou atrasado terá de se virar em algum pub da área turística.

Uma última coisa que gostaria de levar na mala é o clima que tomou conta da cidade neste Mundial, mas para tal teremos, primeiro, que garantir a participação de São Paulo na Copa2014.

Avalanche Tricolor: Agora é a Copa

São Paulo 3 x 1 Grêmio
Brasileiro – Morumbi (SP)

Três casacos de lã, calças para o frio e algumas malhas mais grossas. É preciso também camisa social. Três ou quatro, não mais do que isso. Não é bom esquecer as camisetas de baixo e as meias de inverno. Cachecol, luva, cueca, bota, sapato e tênis. Pantufa, não ! Isso é coisa para o Heródoto Barbeiro.

Livros, máquina de fotografia, gravador, bloco de anotações, caneta. Ops ! Será que esqueci de alguma coisa ? Espero que não. São duas malas meio vazias pra quem saber voltarem bem cheias.

Desculpe-me ! Se você esperava ter neste espaço sempre dedicado ao esporte algum comentário sobre o jogo desta tarde no Morumbi, esqueça. Meu domingo foi destinado a arrumar as malas porque na madrugada de segunda embarco para a Copa.

Estarei nos próximos 20 dias aportado na Cidade do Cabo com alguns compromissos: atualizar este Blog aqui e o Blog Fora da Área que comecei a escrever hoje no Portal Terra, onde também mediarei as conversas, ao lado do ex-goleiro e técnico Zetti, em um programa que irá ao ar todos os dias a partir da uma da tarde. E, claro, sempre que a turma do CBN SP entender que posso ser útil estarei a postos para conversar com você na rádio.

Até a África do Sul !

Blogs são fórum de pequenas e importantes causas

 

O uso dos blogs para defender o cidadão, proteger praças, reivindicar melhorias para ruas e preservar áreas históricas é cada vez mais frequente. Pequenas, mas importantes causas são expostas na blogosfera aproveitando a facilidade para publicação destes temas e transformando este espaço em fóruns de discussão com capacidade de mobilizar comunidades.

Todo dia, recebo ao menos uma sugestão de leitura de blog por parte de ouvintes-internautas. De maneira inteligente e criativa, às vezes simples e sincera, estes cidadãos esperam com isso dar maior dimensão a suas ideias.

Falei do tema na quinta-feira, no CBN São Paulo, e decidi publicar aqui alguns exemplos de trabalhos que estão sendo realizados por blogueiros em favor da cidadania.

Na campanha promovida pelo programa em “adote um vereador”, você diversas vezes indicou como fazer como fazer esta “adoção”, e fundamentou a importância da atitude a ser tomada. Suas palavras me levaram sim a adoção, mas não de um vereador e sim do bairro em que resido, o Jardim Álamo, localizado no município de Guarulhos, que se encontra totalmente abandonado, não desfrutando de segurança pública e serviços essenciais.

Assim escreveu Júlio César, do Blog Jardim Alamo que já foi procurado por vereadores da região desde que uma nota sobre o trabalho dele foi publicado em jornal local.

Com fotos organizadas em seu álbum no Flickr e o Blog Obervatório Meu lugar: São Paulo, Robson Leandro da Silva tem a intenção de destacar a necessidade de se preservar ícones da história paulista. Em uma de suas iniciativas tratou do painel que você vê abaixo, criado por Clóvis Graciano, considerado dos melhores pintores do Brasil. Este trabalho está em uma das paredes do Sebo José de Alencar,na rua Quintino Bocaiúva, 285, no centro.

4541379855_101575b7a4

Thiago Donnini foca seu olhar para o entorno da Praça da Árvore, no Bairro da Saúde, na capital. Não apenas para alertar as autoridades, mas para conscientizar moradores e comerciantes, ele escreve o Blog Praça Com Saúde :

Com a intenção de mobilizar a comunidade e órgãos públicos, dei início a um blog que pretende aglutinar iniciativas (simples, individuais, familiares ou de grupos do bairro) que traduzam uma outra forma de habitar a região da Praça da Árvore (Avenidas Jabaquara, Bosque da Saúde etc). Nessa região, infelizmente, o comércio e a sujeira andam juntos.

Um blog dedicado a uma ciclovia é o que fez o ouvinte-internauta Luis Barretto. Para o Cadê a Ciclovia do Sumaré ele também se inspirou na ideia do Adote um Vereador. Defensor da preservação da região conseguiu, inclusive, levar sua reclamação para portais de notícias:

O Governo e Prefeitura de São Paulo estão fazendo e prometendo novas ciclovias mas talvez esqueçam o quão importante é conservar as já existentes. Fiz uma reportagem falando sobre esse descaso com a ciclovia da Sumaré em 2008 para o VC Repórter do portal Terra e então foi prometido para o final daquele ano uma reforma. Inútil dizer o resultado.

O Nelson Cuca Rodoveri Jr aproveita seu site Cuca Têxtil para mostrar o trabalho que desenvolve para pessoas com deficiência.

Estou cego a  6  anos e  sentimos o quanto fazemos parte de uma população quase invisível, por conta desse fato sempre tive consciência que poderia continuar minhas atividades como empreendedor…apenas necessitei de algumas adaptações e  isso graças a  tecnologia tudo se acertou perfeitamente, sinto-me perfeito em  meu mundo que é  o  mesmo das pessoas ditas normais.

11[6]

A Flavia Serafim e o Gladstone Barreto são velhos guerreiros na blogosfera. Com o Blog São Paulo Urgente conseguiram levar a frente uma série de temas que consideram importantes para a preservação da cidade. Encontram espaço, ainda, para registrar perigos urbanos como o trabalho do “pintor-aranha” que encontraram na Marquês de Itu, região central

Da estupidez da enchente à gentileza do banheiro

 

Por Abigail Costa

– Moço qual é o próximo voo?
– Para onde senhora?
O moço elegante e engomado da companhia área parecia surpreso.
– Destino? Qualquer um, desde que a chuva não pare a cidade.

Esse diálogo só aconteceu na minha cabeça, tamanho o desespero de ficar três horas e 10 minutos para percorrer 23 quilômetros do trabalho para casa.

Deu fome e pra encher o estômago água. A água engana mas enche a bexiga, logo…
O negócio começou a apertar.

No rádio, o Eros Ramazzotti cantava “Unica come sei”. E eu respondia: única e sem saída. Assim que encontrei uma, tive que decidir: entre a Marginal congestionada e a avenida lotada. Optei pela avenida. Pelo menos tinha a chance de encontrar um boteco – meu interesse imediato era um banheiro.

Nada de restaurantes, bares.
Um posto no meio do caminho, no meio do caminho um posto.
Aleluia !

Já não tinha mais vontade de nada. Sentia dores. Na bexiga? Nem sei dizer, já estava generalizada, sem exageros. Parei o carro, desci meio curvada tentando me equilibrar no salto alto (tão elegante sempre, e tão ridículo naquele momento).

Meu primeiro olhar encontrou a placa SANITÁRIO. Foi tipo paixão à primeira vista. Ela piscou pra mim. Antes precisava localizar o frentista. Estava na cara que a porta estava trancada. Imaginei uma linha reta e mirei o rapaz gordo de boné vermelho.

– Posso usar o banheiro?
Ele sem nenhum pudor:
Vai trocar o óleo, hein?
Não entendi a brincadeira, ou não quis. Queria sim um banheiro.

Sorridente, ele saca um galão de óleo vazio que servia para segurar uma pequena chave. Agarrei o galão como um troféu e me mandei. Claro que a caminha ao meu destino não foi fácil. Passar entre os carros com aquele negócio nos braços, chamava a atenção. E muito.

Alguns motoristas sabiam exatamente onde eu ia. Certamente muitos já teriam passado por isso. Mirei a setinha enquanto pensava: Mesmo que não tenha papel já tô no lucro. Quando abri a porta, estava num oásis. Limpeza, papel higiênico, papel toalha e sabonete líquido. Nem acreditei.

Passada mesmo fiquei quando li na parede:

“Senhores clientes, caso não encontre o recinto limpo, sem papel ou com problemas de iluminação, aperte a campanhia e avise a gerência”.

Como assim? Estou fora de São Paulo ?

Aquilo me fez engolir a vergonha que estava sentindo em ser paulistana e sentir orgulho das pessoas que tentam fazer desta cidade um pouco melhor. Evidentemente, fui agradecer ao frentista. Ele ficou até meio sem graça. Talvez como eu, não esteja acostumado a gentilezas.

Abigail Costa é jornalista, escreve às quintas-feiras no Blog do Mílton Jung e teve de encarar com altivez o temporal de ontem na cidade de São Paulo