Aumento de ICMS no RS, lei mais branda para armas no BR e nós é que pagamos por isso

 

Por Milton Ferretti Jung

 

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Tivemos um dia movimentadíssimo, nessa terça-feira, em Porto Alegre. Já de manhã, o trânsito virou um caos, motoristas de ônibus e gaúchos que moram nas vizinhanças da Capital precisaram de muita paciência para chegar ao centro. A chuva intensa que vinha caindo e os funcionários públicos do Estado,dispostos a impedir que os deputados votassem o aumento do ICMS,a pedido do governador Ivo Sartori, se transformaram em barreiras quase intransponíveis para quem estava de carro ou no transporte público.

 

Convém lembrar a quem não é daqui que os funcionários vêm recebendo os seus salários com atraso e, ainda por cima, se sentem preocupados com aumentos de impostos,algo que ninguém aceita de bom grado. A simples ameaça de que a vida deles tende a piorar nos próximos meses,levou um bom número de manifestantes para a frente da Assembléia Legislativa,tentando impedir que o ICMS fosse votado.

 

Inicialmente os manifestantes foram obrigados a ficar atrás de grades que os impediam de se aproximar demasiadamente das portas da casa. De repente, a Brigada Militar foi surpreendida com os gradis sendo virados e se engalfinharam com a turba,procurando impedir que entrasse na Assembléia. A pancadaria foi exagerada. Armados com cassetetes e gás lacrimogêneo,os PMs – que aqui chamamos de brigadianos -, é claro,saíram ganhando. Três pessoas acabaram detidas e algumas,devido à furia dos soldados,ficaram feridas.

 

O tarifaço tem prazo de validade: será limitado até 2018. O IPVA para o bom motorista vai ser menor. Para que o desconto seja válido tem de ser pago,ao invés do mês de julho,já em abril.A vitória de Sartori foi pífia:28 a 27 votos. Seria interessante que nós,os eleitores desses políticos,ficássemos sabendo os nomes dos 28 que aprovaram o projeto que eleva a alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços.

 

Veja aqui como cada deputado gaúcho votou o aumento do ICMS

 

Aqui no Rio Grande do Sul estamos obrigados a enfrentar o ICMS e os seus efeitos detestáveis,como são todos os impostos. Não são,entretanto,piores do que certas ideias, que pareciam mortinhas da silva e, subitamente, ressuscitam. É o que está acontecendo, segundo fiquei sabendo ao ler a Zero Hora do dia 21 de setembro. O jornal disparou esta manchete: ”Lei mais branda sobre armas em debate”. Os defensores do direito de se armar,dizem que, se os brasileiros pudessem contar com armas,menos pessoas teriam sido mortas em uma década. E acrescentam que os facínoras possuem arsenais mediante contrabando. A culpa disso não seria da venda em lojas,mas das falhas da fiscalização nas fronteiras.

 

Laudívio Carvalho, deputado do PMDB/MG,assegura que não faz apologia do armamentarismo, mas defende o direito de defesa do cidadão, uma vez que o Estado não tem competência para garantir a segurança.Nesta quinta-feira, deverá ser votado em Comissão Especial na Câmara, a redução de idade de 25 para 21 anos de quem deseja se armar. O assunto é muito delicado e gera controvérsia entre os que defendem o uso de armas e os que não o aceitam. Se aprovada na Comissão Especial, a proposta de abrandar o estatuto irá ao plenário, em votação única. Confesso que não consigo imaginar o que seria mais seguro para o cidadão brasileiro.

 

Veja aqui como conversar com seu deputado sobre a lei que muda regras para uso e porte de armas no Brasil

 


Milton Ferretti Jung é jornalista,radialista e meu pai. Escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

A violência em Porto Alegre, a festa dos gaúchos e outras coisas mais

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Na semana passada, comparei Porto Alegre a Chicago,essa que conhecemos nos filmes produzidos em Hollywood nos quais a máfia estava presente. Não me arrependo de ter feito tal comparação. A situação na capital do Rio Grande do Sul confirmou o que escrevi. Roubos à mão armada,ainda mais quando as vítimas contribuem por permanecerem no interior dos seus veículos quando estacionados ou ao deixar os seus carros nas ruas de nossa cidade e esses somem e é preciso rezar para que não sejam desmanchados e tenham suas caras peças vendidas.Assassinatos viraram lugar comum. Os assaltantes ficam cada vez mais audaciosos. Caixas eletrônicas são explodidas porque os bandidos se sentem mais seguros ao usar tal sistema. Nesta semana,uma casal invadiu um ônibus de linha e roubou passageiros,principalmente os que usavam celulares. Depois disto,a mulher tentou fugir em um automóvel,mas o seu proprietário acabou prendendo-a no porta-malas e a levado para a Polícia Civil uma vez que a Brigada alegou não dispor de veículo para executar a prisão. Não sei se ela terminou por ficar presa,mas não duvido que não tenha ficado detida por muito tempo. Aliás,a impunidade é um convite a todo o tipo de crimes, principalmente quando os brigadianos participam de manifestações,porque são empregados do governo estadual. Não deveriam,mas se uniram aos demais funcionários governamentais e esqueceram que suas funções os obrigam a atuar na defesa da comunidade.

 

Nesta semana,a polícia esteve preocupada com a morte do vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores no serviço público gaúcho, Rogério da Silva Ramos. Quando concluí este texto a Polícia ainda tentava descobrir se o assassinato do líder sindical foi um latrocínio ou execução premeditada. O crime ocorreu na noite de quarta-feira. Rogério esperava a chegada da esposa em uma parada de ônibus quando foi abordado por dois homens que estavam em uma moto. Conforme a Brigada Militar,ele teria reagido a um assalto e acabou atingido por quatro disparos. A esposa da vítima,porém, não descarta a possibilidade de que o crime tenha sido planejado,porque o seu marido vinha sofrendo ameaças nos últimos dias.

 

Seja lá como for,o povo de Porto Alegre recebe os gaúchos de outras cidades que vieram para festejar o dia 20 de setembro,”Precursor da Liberdade”. A gauchada fica sediada por vinte dias no Parque da Harmonia em uma espécie de férias coletivas. Neste ano,o Parque da Harmonia, que é um local onde os nossos irmãos do interior se aboletam durante vinte dias,talvez sirva de lenitivo para as atuais preocupações dos porto-alegrenses com o dia-a-dia desta cidade abalada por tudo de ruim que vem acontecendo por aqui.A Polícia Militar está chegando cada vez mais perto dos que assaltaram um súper, feriram dois policiais da Brigada e acabaram matando o proprietário de uma padaria, situada na Avenida Getúlio Vargas, que passeava com o seu cachorro.Elvino Nunes Adamczuk foi vítima de uma bala perdida.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Porto Alegre entregue à violência me faz lembrar Chicago

 

Por Milton Ferretti Jung

 

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Porto Alegre já foi uma cidade relativamente tranquila. Não creio que tenha exagerado quando, num despretensioso texto para minha página no Facebook,a comparei com a velha Chicago que,se não me engano,era uma espécie de sede da máfia dos Estados Unidos e não somente nos filmes que nos acostumamos a ver essa famosa cidade. Ela não era fictícia,mas bem verdadeira. Já a cidade na qual moramos,especialmente nos últimos dias,sofreu uma transformação. Os bandidos locais estão ficando cada vez mais agressivos. A briga pelos pontos de venda do produto em que mergulharam com a cara e a coragem – os tóxicos de todos os tipos – torna-se muito mais violenta a cada dia que passa. O pior é que este recrudescimento não fica apenas nas vilas. Surge em um momento desastroso para a população: os funcionários públicos do governo gaúcho estão em greve. Encontram-se entre eles os que são responsáveis pela proteção do povo: os da Brigada Militar e Polícia Civil. A paralisação é mais do que justa. Os descontos nos salários,porém,não são. Mesmo os professores que não comparecem às escolas em que trabalham é pernicioso, com certeza,tanto para alunos e seus pais,mas não diz respeito à segurança,quem é que não sabe.

 

Quem acompanha a cobertura da mídia não desconhece o resultado trágico,inclusive,da perseguição empreendida pela Brigada Militar, na sexta-feira, que se estendeu por várias ruas e,uma bala perdida – quase sempre existe uma – atingiu um padeiro da Avenida Getúlio Vargas, no bairro Menino Deus, onde, aliás, vivi por muitos anos e meus filhos cresceram, sendo que um deles, o Christian, ainda mora lá. O padeiro, que morreu nesta terça-feira, levava para passear a cachorra da casa,antes que a sua família ocupasse os carros que os levaria ao litoral para aproveitar o feriado.

 

Com a manchete “Crimes e boatos elevam a sensação de insegurança ”a notícia da Zero Hora estampa a fotografia que acompanha o texto. Nessa,mostra o resultado da bomba explodida em Canoas,aliado a falsos alertas espalhados pelo WhatsApp. Até isso serve como uma espécie de arma para espalhar o terror por Porto Alegre e cidades vizinhas. “Assaltos ousados,arrastões,perseguições e arrombamentos,em apenas um dia em cinco agências bancárias pioraram ainda mais a sensação de insegurança como reflexo da paralisação da polícia no Estado.Essa parte do texto pertence ao atilado repórter policial Humberto Trezzi.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Rezemos, é o que resta

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Não há mais muitas coisas nem loisas neste mundo que me espantam. Só o que está acontecendo no Brasil já seria suficiente para me deixar em estado de alerta quando eu era mais novo.Pensei que tivesse lido tudo o que a mídia faz questão de divulgar,seja algo positivo ou negativo. E olhem bem tudo o que a TV, os jornais, as rádios e as redes sociais se desdobram para nos contar e, mesmo assim,há episódios que me enraivecem,me alegram,me entristecem ou me deixam indiferente.

 

Vou fazer uma confissão: um senhor idoso,do alto de seus 93 anos,surpreendeu-me. Seu nome é Hélio Bicudo. Duvido muito que os adultos se lembrem dele,embora o sobrenome chame a atenção por ser um tanto estranho.Tinha esquecido dele. Foi presidente do PT quando esse partido era muitíssimo mais sério do que hoje em dia.O Partido dos Trabalhadores representava um classe social respeitável,bem diferente dos que estão sendo presos pela operação Lava-Jato por força de suas falcatruas. O que fez esse cavalheiro,repito, de 93 anos,idade que não influiu no seu intelecto? Pode ter sido espantoso,mas Hélio Bicudo pretende que a Presidente Dilma seja destituída do seu cargo. Razões não lhe faltam. Basta ler a Zero Hora dessa terça-feira:

“Orçamento da União tem rombo de 30,5 bilhões e inclui aumentos de aliquotas sobre eletrônicos e bebidas para elevar receita. Salário mínimo previsto é de R$865,50.”

Enquanto isso,a maioria dos Estados está com sérios problemas,haja vista o que ocorre com o Rio Grande do Sul. Ivo Sartori viaja para Brasília a fim de tentar o desbloqueio das contas do Estado. Ao mesmo tempo,o Rio Grande talvez tenha de enfrentar greve até sexta-feira. Como escrevo na terça-feira visando a entregar o meu texto até quinta-feira,algumas coisas podem se alterar,tanto para melhor quanto para pior.A Brigada Militar e a Polícia Civil são categorias cuja greve,por óbvio, são as que mais preocupam a população. E não é somente o povo que se preocupa com os brigadianos em greve. Essa chegou também ao comandante-geral da Polícia Militar e a maior prova disso é o fato de o comandante ter resolvido dormir no quartel. O coronel Alfeu Freitas,às 6 da manhã,já estava reunido com os seus comandados. Na noite de terça-feira, Freitas, atendendo pedido do Secretário de Segurança, Wantuir Jacini esteve no QG a fim de saber a situação do policiamento e reconheceu que os atendimentos estavam reduzidos. Rezemos para que não ocorram desmandos na cidade para que a BB não seja chamada a intervir.

O que não tem remédio, remediado está

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Depois de escrever inúmeros textos em diversas versões do Windows, fui obrigado a passar para o número 10. A Microsoft me deu um ultimato: ou usava a novidade ou os computadores aqui de casa estariam superados e, portanto, tão inúteis quanto as romãs que nasciam atrás do muro dos fundos da casa paterna,isto é, as que roubávamos do vizinho e não tínhamos como saboreá-las:não prestavam para comer. Minha avó,em um caso como o que estou vivendo,prontamente dizia:meu neto,o que não tem remédio,remediado está. Já me dei conta de que este é um caso que não tem remédio. Então…remediado está. O diabo é que o primeiro texto que comecei a escrever para o blog desta quinta-feira,envergonhado por deixar passar uma semana sem dar o ar da minha graça para o Mílton, era,ao mesmo tempo,o primeiro texto que brotaria do Windows 10. Estava chegando à segunda parte quando,ao tentar corrigir uma batida errada no teclado do meu HP e o que eu já escrevera desapareceu como em um passe de mágica do tipo daquele que eu assistia no circo comandado pelo Orlando Orfei,que lembro com saudade.

 

Saudade estou sentindo,igualmente,dos Windows anteriores a este que me obrigaram a utilizar. Não reparem os leitores,se é que tenho algum,para a súbita diminuição das letras. Não encontrei onde as ampliar em nenhum lugar,mesmo depois de ter lido as instruções ou sei lá como chamam o que fica acima do texto. Peço aos deuses dos escritores para que me mantenha escrevendo. Não sei se esses deuses piscam os olhos ou,o que seria bem melhor,fechem completamente os olhos e façam de conta que não viram a minha falha. E ainda pedindo o auxílio dos deuses para que os erros deste vivente sejam desculpados,passo para assuntos imensamente mais sérios.

 

Por falar em seriedade,a dor que sentirá pelo resto de sua vida com a trágica morte do seu jovem filho,agredido que foi por 14 bandidos,4 deles menores de idade. Lembro,se é que nem todos conhecem a triste história,que o pai do menino,que temia festas longe da casa paterna,foi,como era o seu hábito,buscar o garoto ao final da festa. Não adiantou. Os facínoras, só a muito custo foram espantados,não antes de quebrar uma garrafa na cabeça do menino que já estava sentado no carro do pai. Roney Wilson chora e me levou a chorar também,ao dizer aos repórteres que perdeu o seu compnheiro,o seu guardião, culpando-se por não ter conseguido ajudá-lo. O jovem chegou a ser trazido para Porto Alegre,mas não resistiu ao ferimento. No Dia dos Pais,também em Charqueadas,presos fizeram reféns 112 familiares. Por falar no local onde ficou ferido de morte o filho de Roney,o policiamento é precário:um PM pela manhã,outro à noite.

Comissão especial aprova redução da maioridade penal para crimes hediondos

 


Por Milton Ferretti Jung

 

Nossa Presidente e o PT, ultimamente, estão “levando uma fumada”por dia,como se dizia nas  antigas.  Agora, perderam, ao menos parcialmente, a guerra que faziam para evitar a vitória dos defensores na questão da maioridade penal. Unidos, o presidente da Câmara,Eduardo Cunha e o PMDB,conseguiram convencer os que ainda resistiam,querendo que somente dos 18 anos em diante o sujeito fosse considerado maior. Isso acontecerá para quem tiver 16 anos e cometer crimes hediondos (como latrocínio e estupro), homicídio doloso (intencional), lesão corporal grave, seguida ou não de morte, e roubo qualificado. Pelo texto aprovado em comissão especial da Câmara dos Deputados, jovens entre 16 e 18 anos cumprirão a pena em estabelecimento separado dos maiores de 18 anos e dos adolescentes menores de 16 anos. Decisões que ainda precisarão passar pelo plenário da Câmara e do Senado e serem sancionadas pela Presidente antes de virarem lei.

 

Se já estivesse em vigor a diminuição,nos moldes que foi aprovada em comissão, lembro o que vi na televisão nessa quarta-feira. O Datena,cujo programa na Band trata de escabrosos assuntos,pôs o foco nos assassinatos de jovens,em uma cidadezinha do interior de Terezina. As mocinhas, depois de estupradas,eram jogadas em uma pedreira. Uma delas, com ferimentos gravíssimos no rosto e em outras parte do corpo,não resistiu. Imaginem a dor dos familiares dessas mocinhas,principalmente o sofrimento do pai da jovem, que ele acompanhou no hospital até morrer. 

 

Não consigo pensar nas pessoas que defendem a permanência da maioridade penal em 18 anos e,para tal, são padrinhos dos “coitadinhos”,sem dar-se conta de que também podem,mais dia,menos dia,ficar à mercê dos facínoras mirins. Não só esses cometem os mesmos crimes praticados pelos adultos (os de 18 anos para cima),sem dó nem piedade,como descobriram que havia outros meios de ferir e matar. Os bailes “funks”,normalmente um divertimento para pessoas de todas as idades,em especial no interior dos estados,onde o policiamento é precário ou inexistente,transformaram-se em locais escolhidos pelos bandidinhos e os seus “professores”,mais velhos e espertos. Inúmeros desses bailes deixaram famílias órfãs ou pais de filhos que perderam os seus nas brigas pós bailes.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai – o que não significa que ele concorde com as minhas opiniões. Escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele – o que não significa que eu concorde com as suas opiniões)

O tráfico de drogas e a morte de crianças

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Minhas colunas que,explico,tratavam quase sempre de histórias do meu passado,tanto as da época da adolescência,da juventude,dos casos e peripécias que vivi ou me contaram sobre colegas,essas muita vezes acerca de episódios cômicos,inclusive os com a minha participação,terão um assunto capaz de deixar-me não só preocupado como profundamente entristecido. Refiro-me às mortes de crianças de idades diversas,vitimadas por traficante. Esses bandidos mais do que nunca passaram a se digladiar e cometem todo o tipo de estrepolias:disputam pontos de tráfico de drogas,fazem-se de amigos em um dia e,em outro,dependendo das circunstâncias, transformam-se em inimigos figadais. A partir daí,num ápice,deixam de ser amigos e promovem,como aconteceu na época de veraneio em Tramandaí,um ataque com toda espécie de armas visando a mostrar ao ex-companheiro quem detém o comando da tráfico na região. Nesse episódio,os que enfrentaram aqueles que estavam em uma residência praiana,tinham até um guarda-costas, que era policial e preposto de um Secretário Estadual,cujo nome prefiro não revelar.  

 

De lá para cá tivemos um aumento da violência. A batalha entre as facções criminosas só fizeram aumentar. Há dois bandos disputando os pontos de tráfico. Aqueles que chegaram“ser amigos”depois do ataque à casa de Tramandaí,piorou consideravelmente após o assassinato de Crisitiano Souza da Fonseca,o Teréu. Esse foi morto por asfixia em um dos refeitórios da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (me engana que eu gosto). A cerimônia fúnebre ficou parecendo o enterro,para não exagerar,de um governador ou outra autoridade pública,jamais a de um traficante dos piores que atuavam em Porto Alegre.Foi necessária a presença da Brigada Militar,que monitorou a movimentação dos “enlutados” companheiros de Teréu. Após o assassinato desse, é dw se perguntar como se vingarão os seus ex-sócios (…)

 

A polícia – desculpem o lugar comum – terá de fazer das tripas coração se quiser enfrentar em condições mais próximas das do inimigo que cada vez mais aumenta o seu arsenal mortífero.Não basta somente evitar conflitos de gangues de traficantes,mas superar os malditos em armamentos. Seria ainda mais lamentável se esta disputa por pontos de tráfico matasse crianças com balas perdidas,dentro ou fora de suas casas,como vem acontecendo ultimamente. O Governo do Estado que trate de municiar quem precisa defender o seu bom nome.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Campanha propõe criação de DNA das armas para combater violência

 

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Impossível rastrear quatro de cada 10 armas usadas para cometer assassinatos no Brasil, pois estão com a numeração alterada. A situação é mais complicada quando se faz a busca em armas usadas durante os roubos: 54% estão com a numeração raspada. Estes são resultados de pesquisa inédita sobre o caminho percorrido por armas apreendidas em situações de crimes, realizada pelo Ministério Público de São Paulo em parceria com o Instituto Sou da Paz. O trabalho analisou 4.289 armas apreendidas em roubos e homicídios, na cidade de São Paulo, nos anos de 2011 e 2012.

 

Com aproximadamente metade das armas não tendo seu perfil revelado por conta da numeração raspada, fica ainda mais difícil o trabalho de investigação e o controle do mercado de armas no Brasil. A proposta agora é da criação do DNA das armas, sistema que já funciona em outros países como a Suíça. Impossível de ser visto a olho nu, o DNA poderá ser aplicado por meio de um registro de várias partes da arma, com isso a supressão da identificação somente será possível por meio da destruição da arma.

 

Com base neste trabalho, o Ministério Público e o Instituto Sou da Paz lançam campanha “DNA das Armas” destinada a promover o debate na sociedade sobre a necessidade de implantar esta tecnologia inteligente de marcação individual das armas de fogo, fabricadas no Brasil. De acordo com os organizadores da campanha esta é uma forma de aprimorar o “raio-x” da violência e com isso aperfeiçoar o combate ao crime, especialmente o de roubo.

 

Um dado interessante encontrado pela pesquisa que de certa forma derruba alguns mitos que sustentam a venda de armas no Brasil: 38% das armas rastreadas tinham registro legal prévio, o que na prática significa que foram vendidas legalmente e depois desviadas para as mãos de criminosos. Das armas com registro prévio, a grande maioria foi registrada no Estado de São Paulo, demonstrando que é preciso reforçar a fiscalização dentro das fronteiras do estado.

Lei que proíbe prisão antes da eleição está ultrapassada

 

Por Antonio Augusto Mayer dos Santos

 

A vedação de prisão de eleitores nos períodos imediatamente antecedentes e seguintes à realização dos pleitos, descontadas as exceções previstas, vigora desde o Decreto nº 21.076, de 24 de fevereiro de 1932.

 

O texto em vigor estabelece o seguinte: “Nenhuma autoridade poderá, desde 5 (cinco) dias antes e até 48 (quarenta e oito) horas depois do encerramento da eleição, prender ou deter qualquer eleitor, salvo em flagrante delito ou em virtude de sentença criminal condenatória por crime inafiançável, ou, ainda, por desrespeito a salvo-conduto”.

 

Esta redação legal, mantida praticamente inalterada ao longo de mais de oito décadas, esgotou-se. Não poderia ser diferente em relação a um instituto jurídico que remonta ao nefasto período do Estado Novo. Entre os segmentos de juristas e estudiosos, predomina o entendimento de que a interpretação literal do artigo 236 do Código Eleitoral colide com o direito de segurança pública guindado a patamares constitucionais pela Carta de 1988.

 

Como era de se imaginar, o Brasil tem eleições periódicas, passou de país agrário a urbano e a sua população superou os 200 milhões de habitantes. Contudo, este cenário implicou numa violência crescente e acompanhada de índices de criminalidade alarmantes. Delitos e criminosos não cessam mas gozam de uma tolerância legal absolutamente estarrecedora.

 

É diante dessa dura realidade que a regra eleitoral se mostra anacrônica ao restringir, senão obstruir, o trabalho de policiais, tribunais, promotores e juízes, além de reforçar a sensação de impunidade. Sua redação é lírica diante do cenário de guerra urbana que conflagra o cotidiano nacional.

 

O texto vigente exige alargamento para incluir outras hipóteses de prisão e adequação à realidade, ou seja, ao direito de segurança pública estabelecido em nome e em função da coletividade. Se as diversas proposições legislativas visando alterá-lo criam bolor no Congresso Nacional, que os integrantes da próxima legislatura tenham o bom-senso de votá-las. Afinal, “vivemos, atualmente, um período de normalidade político-institucional, com ampla liberdade de imprensa e com significativa participação popular, de sorte que não há mais espaço para normas dessa natureza”, sintetizou o bem fundamentado Projeto de Lei nº 5.005/13.

 


Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor dos livros “Prefeitos de Porto Alegre – Cotidiano e Administração da Capital Gaúcha entre 1889 e 2012” (Editora Verbo Jurídico), “Vereança e Câmaras Municipais – questões legais e constitucionais” (Editora Verbo Jurídico) e “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Escreve no Blog do Mílton Jung.

Os jovens no tráfico de drogas

 

Em quatro linhas, bem afiadas pela jornalista Sonia Racy, em sua coluna de domingo, no Estadão, encontro mais argumento para sustentar o que escrevi na sexta-feira, no blog, no texto “O que eu penso sobre a redução da maioridade penal”. Leia a nota que reproduzo a seguir e pense:

Tráfico de drogas já é o crime mais cometido pelos adolescentes da Fundação Casa. Dos 9 mil internos, 3,6 mil estão lá dentro por causa do delito.

 

E a coisa não deve mudar tão cedo. Apesar dos números, 451 municípios paulistas – 70% do total – não têm órgãos especializados para combate às drogas.