De bem com a TPM

 

FRISO VERMELHO

 

Por Abigail Costa

TPM, uma companheira de décadas.
Chegou assim, CHEGANDO, nem pediu licença, entrou e ficou.
Por diversas vezes tentei deixá-la de fora da minha vida, mas se tem alguém fiel a mim, é a bendita.

No começo me desesperava.
Meu Deus, até ontem estava tudo bem! Agora estou me sentindo péssima.

E a coitada da mamãe que mesmo fazendo “de um tudo” pra me agradar, nada estava bom. Sem falar da sensação de vítima, coitada, rejeitada e INCHADA de fato!

Resumi o que se pode escrever sobre ela. Tem tantos outras impublicáveis.

Se o conselho é “procure um médico”, “terapias complementares”, “blá-blá-blá…” já procurei, já tomei, já fiz.

Com o passar do tempo resolvi tirar proveito, sim, até o ruim, se espremer do lado certo, vinga. Sei quando minha amiga-mensal está se aproximando. Primeiro aviso aos mais chegados. Segundo não sou, estou me sentindo coitada. Agora vem a parte melhor. Faço uso dela, LITERALMENTE.

O que poderia passar por mais um incomodozinho, resolvo, falo, deixo bem claro.
Interessante é a vontade de botar pra fora o que me incomoda, sem medo….
O que antes poderia ser um “isso nem vale a pena retrucar”, com a minha fiel escudeira vale.

É mais que um anti-qualquer-coisa que sara a gente.
É seguro, é legitímo.
É uma coragem que você não sabe de onde vem.
Às vezes o som da própria voz surpreende.

Como me sinto depois?
De alma lavada.
Sem pedido de desculpas, pra mim é claro.

Em tempo: já me despedi da minha… mês que vem tem mais.

Abigail Costa é jornalista e escreve no Blog do Mílton Jung, ao menos uma vez por mês sob o efeito da TPM.

Terminar o dia em paz

 

Abigail Costa

Um dos prazeres em ser jornalista é conhecer gente. Todo o dia tem uma pessoa nova. A semana toda ouvindo histórias de encher os olhos de otimismo, outras que são a cara da dor de tanta amargura.

– Oi, prazer, como vai?

– Eu? indo né filha, a vida você sabe…

Começou por aí já sei que é melhor nem esticar a conversa. Dispenso o cafezinho e vamos direto ao assunto. É o tempo de ligar o microfone, duas ou três perguntas e fui.

Se já sei que não vou gostar do enredo pra que aceitar a dança?

Estou em fase de seleção. Quem oferece otimismo pra esse lado. Pessimismo, senhor? Lá atrás da fila, por favor.

Sabe que tem funcionado. A volta pra casa é mais leve. Isso acaba atraindo outros na mesma sintonia.

Tive o prazer de conhecer pais, mães, irmãos dos Mamonas Assassinas. Treze anos depois do acidente áereo, os filhos deixaram saudade, claro! Tristeza não.

Em nenhum momento ouvi:

Por quê? Justo com eles?

A lembrança é amorosa e você se pega quase que “enrolando” para o assunto render mais.

De volta pra casa penso que eles apesar do sofrimento pela perda, não se alimentaram do problema, não ficaram doentes.

Bom demais terminar o dia em paz.

Aprendizado que satisfaz a alma da gente.


Abigail Costa é jornalista e escreve às quintas-feiras no Blog do Mílton Jung quando está em paz.