Entenda um pouco mais sobre as oportunidades nos esports e pare de proibir seu filho de jogar videogame

 

 

Meu olhar atento ao que acontece com os esportes eletrônicos está diretamente ligado ao que aprendi com meus filhos — foram eles que me apresentaram as oportunidades que surgiram neste mercado. Já falei sobre esse assunto com você neste blog e trato do tema, também, em “É proibido calar!”.

 

No vídeo acima, Bel Pesce entrevistou um dos meus filhos — o que atua profissionalmente no setor como strategic coach. Ele explicou como funciona esse mercado em que atua e algumas carreiras que podem ser exploradas no segmento. Falou, também, da importância de os pais conhecerem essa realidade e das responsabilidades que os jovens têm de assumir para seguirem nesse caminho, especialmente com os estudos.

 

Se você quiser entender um pouco mais sobre como funciona tudo isso, confira o vídeo. E pare de de proibir seu filho de jogar vídeogame.

A seleção brasileira precisa ser tratada como empresa

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Comissão técnica e jogadores que compõem a seleção brasileira de futebol são profissionais competentes, cujas carreiras de sucesso avalizaram suas funções na seleção.

 

Ao encerrar sua participação na COPA seria imperioso avaliar o empenho e o desempenho. Por que não se fez uma análise técnica do trabalho que competia a cada um, como é norma nas empresas organizadas?

 

Creio que mesmo superadas as fases do “Complexo de vira lata” e da “Pátria de chuteiras” convivemos com distorções dentro e fora de campo, que levam a erros nas avaliações. E essas passam a ser indulgentes, quando deveriam ser transcendentes.

 

A continuidade da Comissão Técnica, por exemplo, é de fato um sinal positivo de avaliação, mas deveria ser estendido sobre outros aspectos. A diferença entre a performance antes da COPA e na COPA foi grande, e isto precisaria ser analisado.

 

Aos jogadores, era essencial para a equipe e para cada um deles, uma resenha do trabalho individual e coletivo. Ao menos para purgar abordagens paternalistas e machistas circulando nos meios digitais e oficiais — que estão transformando-os em meninos ou deuses acima de qualquer crítica negativa.

 

A esse respeito, o artigo da jornalista Mariliz Pereira Jorge – “Jogadores de futebol não são meninos” -, na FOLHA de ontem, reflete bem a constrangedora realidade da cultura e do culto do mundo do futebol e de seus astros:

 

“Parece que encontraram uma forma de maximizar grandes feitos ou de minimizar grandes responsabilidades. Nas duas situações basta infantilizar o sujeito. Foi assim no caminho percorrido para a classificação para a Copa”

 

“Na derrota, o “adjetivo” deu o tom condescendente. Perderam, mas nossos meninos lutaram tanto”.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

O seu técnico já leu “Moneyball”?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O Campeonato Brasileiro mal começou e é visível a importância do acerto nas contratações de jogadores. Nem sempre o maior investimento é o melhor resultado. E, hoje, vemos que os times na ponta da tabela são os que menos gastaram em aquisições. Ao mesmo tempo também é de fácil observação nestes casos o excesso de prática sem análise, ou seja, confiar apenas na experiência de especialistas.

 

Há cinco anos, Daniel Kahneman, Nobel de Economia, ensinava que a decisão correta deve ser tomada rápida e devagar, isto é, com prática e teoria.*

 

(leia, também, meu artigo: O Nobel de Economia e o resultado nas Olimpíadas)

 

A partir dessa premissa, Michael Lewis, economista e historiador, através do best-seller “Moneyball – O Homem que Mudou o Jogo” revolucionou o beisebol, aplicando a estatística para a contratação de jogadores. Num dos relatos, Lewis aponta a análise incorreta na avaliação de um jogador, quando a velocidade embora excepcional tivesse que estar conjugada a outros golpes.

 

 

Esta semana, Michael Lewis está nas páginas amarelas de Veja, onde fala sobre os limites da mente, ao comentar seu recente lançamento “O Projeto Desfazer”, do qual espera que as pessoas possam entender as diferenças entre o julgamento de um analista de dados e o julgamento intuitivo.

 

Mas o que me levou a trazer Michael Lewis para a pauta de hoje foi a seguinte fala:

 

“O médico lista os sintomas e o algoritmo diz qual deve ser a doença. Eu não sei se as análises de Moneyball afetaram o futebol brasileiro, mas imagino que hoje seja muito menos provável que a avaliação dos jogadores e das estratégias seja feita por uma única pessoa que se autodenomina especialista do que por meio de análise criteriosa de estatísticas sobre o desempenho dos atletas”.

 

Que todos perguntem aos técnicos dos seus times se já leram Moneyball, e se concordam com Lewis. Ao Rogério Ceni, além dessas questões indagaria se o algoritmo de Lucão é favorável.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

 

Avalanche Tricolor: Felipão, eternamente gremista!

 

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Lá se vai Felipão! É o que pensam muitos daqueles que resumem sua vivência com o futebol ao que se publica nas reportagens esportivas. Imagino que outros tantos, que costumam se ater a breves capítulos em lugar de analisar a história, também devem estar crentes dessa verdade. Leram hoje pela manhã que o técnico deixava o comando do time que assumiu no ano passado, após a perda do título Gaúcho e de dois resultados negativos no Campeonato Brasileiro. E acreditaram. Ledo engano!

 

Felipão não se irá jamais do Grêmio. Ele eternizou seu nome, deixou suas marcas e troféus. Será para sempre lembrado pela forma como forjou times vencedores, mesmo quando os títulos não foram conquistados. Transformou elencos muitas vezes mal-falados pela crítica em grupos de batalhadores, talentosos e vitoriosos jogadores. Ajudou a construir o mito da imortalidade.

 

Em suas passagens pelo comando da equipe levou o Grêmio dez vezes a finais de competições. Nos fez campeões gaúcho em 1987, 1995 e 1996; da Copa do Brasil, em 1994, da Libertadores, em 1995, da Recopa Sul-Americana e do Campeonato Brasileiro, em 1996. Até à final do Mundial Interclubes nos levou, e só não a levou por circunstâncias tortuosas que apenas quem é gremista sabe bem quais foram.

 

Como técnico do Grêmio, ganhou sete finais de dez disputadas. Ganhou de goleada: 7 x 3. Foi também uma goleada histórica, 4 x 1, em um Gre-Nal, jogado no dia de seu aniversário, seu legado nestes dez meses em que, graças a fidelidade ao ex-presidente Fábio Koff, se dedicou a treinar o time gremista. E registro esse fato, pois acabo de ler de um crítico que Felipão não fez nada pelo Grêmio nessa passagem. Memória curta!

 

Felipão fez, sim! E, mesmo agora, quando sai do cargo, segue fazendo ao escrever carta na qual alerta para os riscos que o Grêmio corre, vítima que pode ser de uma luta política que só serve aos que pensam apenas em seus interesses. Com a personalidade que agregou à imortalidade tricolor, diz que deixa o Grêmio agora para não impor nenhum ônus ao clube: “eu quero deixar o Grêmio em condições e possibilidades de até boas contratações se assim quiser. Porque aí será melhor para o Grêmio. Eu como gremista gostaria de ver muito mais. Um Grêmio muito melhor”.

 

Ao ler que Felipão foi embora do Grêmio, não acredite, não. Felipão não se irá jamais! Felipão sempre será do Grêmio! Eternamente gremista!

Avalanche Tricolor: um técnico para deixar saudades

 

Grêmio 2 x 3 Coritiba
Brasileiro – Arena Grêmio

 

Enio Andrade

 

A experiência mais gratificante que tive com um técnico de futebol foi com Ênio Andrade quando, pela primeira vez, treinou o Grêmio, em 1975. Anos difíceis aqueles, nos quais o título gaúcho era quase uma utopia e sequer tínhamos direito de sonhar com o Brasil ou o Mundo, apesar de já estar escrito pelo destino que haveríamos de conquistá-los. Foi, por sinal, o próprio Ênio quem abriu caminho para essas vitórias quando voltou a ser nosso treinador nos anos de 1980, mas este foi outro momento da nossa vida como torcedor. Seu Ênio, como sempre respeitosamente o chamei, foi muito mais do que o técnico do meu time de coração. Adotei-o como padrinho pelo carinho que sempre teve comigo desde que fui apresentado a ele por meu pai, Milton Ferretti Jung, que você, caro e raro leitor, conhece muito bem. Além de acompanhar a todos os treinos do Grêmio ao lado do gramado, tinha o privilégio de assistir às conversas que eles travavam ao fim dos trabalhos em uma mesa que lhes era reservada na cozinha do bar que funcionava dentro do estádio Olímpico. Aprendi muito sobre futebol naqueles tempos e não apenas sobre estratégias em campo, mas do jogo de tramoias e injustiças que se desenrola na maioria das vezes distante dos olhos do torcedor. Convidado por ele, me travesti de gandula para funcionar como “pombo-correio” do técnico que, na época, não podia sair da casamata, como era chamado o banco de reservas. Seu Ênio me passava as instruções e eu corria até atrás do gol gremista para transmiti-las ao goleiro Picasso. Inúmeras vezes, percebia que a orientação tinha um sentido e jogávamos a bola para o outro. O aprendizado mais importante se deu no campo pessoal: foi ele o responsável por me convencer de que eu seria muito mais honesto se procurasse meu pai para contar-lhe que havia rodado de ano na escola, notícia que eu relutava em anunciar, apesar de todos na família já saberem.

 

Antes de a partida de hoje se iniciar, tive a oportunidade de ouvir o comentarista da Sport TV Maurício Noriega citar o nome de Ênio Andrade, curiosamente ao falar da situação crítica vivida pelo Coritiba, time pelo qual Seu Ênio conquistou o Campeonato Brasileiro, em 1985. Apenas para refrescar sua memória, ele já havia sido campeão pelo Grêmio, em 1981, e mais tarde ganharia seu terceiro título nacional no comando de outro clube gaúcho (deixemos de lado, porém, esta lembrança). O comentário de Noriega foi o estopim para a saudade que venho sentindo de um treinador estrategista, com habilidade para enxergar a partida e mudar a maneira de se comportar do time na conversa de vestiário, substituindo ou apenas trocando o posicionamento de seus jogadores. Com a competência de um maestro que conhecendo cada peça à disposição as faz superar seus limites. Um técnico como Seu Ênio que conseguia nos explicar, sobre a mesa do bar, com algumas caixas de fósforo e um maço de cigarros, como o Grêmio venceria o Gre-Nal no fim de semana (e vencemos). A saudade aumentou a medida que o jogo desta noite de domingo se desenrolava, pois mesmo diante do placar que encaminhava uma vitória era perceptível que alguma coisa estava fora da ordem. Fernandinho e Matías Rodriguez estrearam; Giuliano estava em campo e Luan, também; Barcos se redimia com dois gols; Rhodolfo se esforçava como podia; Marcelo Grohe e o travessão defendiam o que dava; mas nada convencia. A virada que se desenhou era apenas uma ilusão como vimos no minuto derradeiro da partida.

 

Trinta e cinco jogos, 17 vitórias, 11 empates, sete derrotas e uma goleada histórica depois, Enderson Moreira foi demitido. Nos últimos 13 anos, 21 técnicos – entre titulares e interinos – passaram pelo Grêmio e apenas dois deles, Tite e Mano, deixaram saudades pelas graças alcançadas. Amanhã (ou daqui a pouco), alguém será escalado pela direção para ocupar este cargo. Sei que não encontraremos ninguém à altura do Seu Ênio, gente como ele não existe mais, mas seria pedir muito que a diretoria contratasse alguém à altura do Grêmio?

O espírito santo de orelha

 

Por Milton Ferretti Jung

O comandante deste blog, Mílton Jung, se transferiu, em 1991, para São Paulo, com armas e bagagens (armas no sentido figurado, claro;as bagagens não exigiram nada além uma valise, se bem me lembro). Lá – escrevo de Porto Alegre, como sempre, o que explica o uso do advérbio lá – fez carreira, primeiro na televisão, depois no rádio – creio que os leitores concordam – e se transformou, mais tarde, em excelente chefe de família. Daqui, levou a saudade dos que deixou na sua cidade natal e sua paixão pelo Grêmio, ambas imensas. A propósito, ele deixa que esta fique evidente, aqui mesmo neste blog, ao escrever sob o título Avalanche Tricolor o que pensa sobre cada jogo do seu time. Admiro sua capacidade de, sempre que necessário, driblar a realidade, no seu texto, sempre que esta não corresponda ao seu desejo de ver o Grêmio vitorioso.

Foi numa dessas ocasiões, faz pouco – quem leu aquela Avalanche deve estar lembrado – que o Mílton contou ter sido, no tempo em que era gandula no Olímpico, pombo-correio de Ênio Vargas de Andrade. Ênio, que não costumava fazer mis-en-scène à beira do gramado, algo comum hoje em dia, passava ao então gurizinho a instrução que queria fazer chegar a algum jogador ou a determinado setor da equipe. Miltinho corria até o goleiro Picasso e lhe dava o recado do treinador. Ele só não contou na sua Avalanche Tricolor que, quando o Grêmio não era feliz no jogo, Ênio tinha de consolá-lo no vestiário, onde o falso gandula se debulhava em lágrimas.

A tecnologia, porém, chegou ao futebol. Os técnicos, agora, postados durante a maior parte dos dois tempos do jogo dentro de área que lhes é destinada à margem dos gramados, passam a partida inteira berrando instruções e fazendo gestos que, tenho lá minhas dúvidas, esperam que seus jogadores compreendam. Talvez os gritos, em sua maioria, caiam em ouvidos moucos. Imagino, entretanto, que a finalidade dos “professores” acabe sendo atingida, isto é, passam para os torcedores a idéia de que estão dirigindo seus atletas como se tivessem nas mãos a batuta de um maestro de orquestra sinfônica. Calma, chego agora à tecnologia a que me referi no início do parágrafo.

Os pombos-correios, graças aos celulares e aos hand-talkies, já não são mais necessários. Não sei se ainda existem técnicos capazes de dispensar os espíritos santos de orelha. Os que assim chamo, ficam em cabinas nos estádio ou, pelo menos, em posições mais elevadas do que a dos treinadores. Confesso que, como nunca ouvi a conversa entre o chefe e seu subalterno (dizem os linguarudos que, às vezes, esse entende mais de futebol que aquele) desconheço o teor do papo deles. O que eu sei é que no tempo do meu inesquecível amigo Ênio Vargas de Andrade, sobre o qual só ouvi elogios ao ser humano que era e à sua competência, seja como jogador, seja como técnico, não havia acessórios eletrônicos e, com certeza, se existissem naquela época, profissionais como ele e Telê Santana, por exemplo, dariam preferência ao tête-à-tête com os jogadores, no vestiário, antes e após as partidas. E dizer que os antigos não recebiam as polpudas somas pagas hoje a, me desculpem, muitos que não mereceriam receber salário mínimo.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Avalanche Tricolor: “Vencedor é …”

“…  aquele que tem a capacidade de arriscar”

Paulo Autuori

Paulo Autuori, nosso comandante chegou

A principal contratação do Grêmio, neste ano, não estará em campo, mas ao lado dele orientando o Imortal Tricolor. Paulo Autuori chegou nesta segunda-feira, se apresentou e falou sobre seus desafios que tem como principal meta chegar a final do Mundial Interclubes. Reproduzo algumas das frases do técnico durante entrevista coletiva e demais informações publicadas no site Grêmio.net tão imparcial quanto pretende ser esta coluna que escrevo hoje em edição extraordinária:

Paulo Autuori foi apresentado oficialmente, na Sala de Conferência do Estádio Olímpico, no começo da tarde desta segunda-feira. Ele estava no Catar, dirigindo o Al-Rayyan, e assume o grupo em meio à disputa do Campeonato Brasileiro e da Libertadores.

O treinador chega com o histórico de campeão do torneio continental em duas oportunidades, comandando Cruzeiro (1997) e São Paulo (2005). Além disso, ainda conquistou o Mundial de Clubes com o time paulista.

Ficha Técnica:

Nome: Paulo Autuori de Melo
Nascimento: 25/08/1956
Local: Rio de Janeiro (RJ)
Clubes: Portuguesa-RJ, América-RJ, São Bento-SP, Marília-SP, Bonsucesso-RJ, Botafogo-RJ, Vitória-POR, Nacional-POR, Marítimo-POR, Benfica-POR, Cruzeiro, Flamengo, Internacional, Santos, Alianza Lima-PER, Sporting Cristal-PER, Seleção Peruana, São Paulo, Kashima Antlers-JAP e Al-Rayyan-CAT.
Títulos: Campeonato Brasileiro (1995), Campeonato Mineiro e Libertadores (1997), Campeonato Peruano (2001, 2002), Libertadores e Mundial de Clubes (2005).

Confira algumas frases do novo comandante gremista:

Motivo pelo qual aceitou vir para o Grêmio:
“Após o primeiro contato, eu me fiz as perguntas que sempre faço antes de qualquer decisão. Aonde? Quando? Com quem? Respondidos esses questionamentos, me decidi. É o clube certo, com uma história grandiosa. São as pessoas certas, no momento certo”.

Desafio de estar no Grêmio?
“Não quero ser melhor que ninguém. Eu pretendo lutar contra mim mesmo e ser mais do que aquilo que já sou. É um desafio grande voltar ao Brasil, deixar a qualidade de vida que deixei no Catar. Estou pronto para voltar, de ser questionado, chamado de burro. Eu quero provar a mim mesmo que estou pronto para esta volta”.

Negociação com o Grêmio?
“Foi um processo atípico, de rara convicção. A direção teve a capacidade de correr riscos. Isso é uma mensagem para mim e para os jogadores. Só é vencedor aquele que tem a capacidade de se arriscar”.

Categorias de Base:
“Eu sempre falo de conceitos e não de pessoas. O futebol não pode mais fechar os olhos para as Categorias de Base. E, como tenho convicção nisso, acredito em um trabalho de integração e interação entre a equipe principal e as Categorias de Base” 

Avalanche Tricolor: Paciência e caráter

Paulo Autuori, futuro técnico do GrêmioForam duas semanas das mais perigosas para o Grêmio. Nem tanto pelos adversários em campo, superados um após o outro, a ponto de estarmos hoje com uma das melhores campanhas do futebol sul-americano. Mas corremos sérios riscos. E não digo isso devido a ausência do técnico, não. Rospide se comportou bem para a função de interino. Seu rosto tímido ao lado do gramado estava a altura do seu papel.
Os nomes que surgiram na mídia para substituir Celso Roth é que não ofereciam segurança nenhuma. Diga-se a bem da verdade que dos diretores do Grêmio, os que decidem mesmo, jamais ouvi que pretendiam contratar este ou aquele treinador – exceção a Paulo Autuori, por quem iremos esperar mais 30 dias . Mesmo os pedidos insistentes por Renato Gaúcho, inclusive com aval de Fábio Koff, foram elegantemente negados. Desde o fim de semana, leio também que Vanderlei Luxemburgo estava cotado. Ninguém confirmou. Mas confesso que temi o pior.

A cobrança por uma decisão rápida, apressada, no afogadilho, conspirava contra o Grêmio, após o erro na forma e momento com que Celso Roth foi afastado. Para atender a pressão, Duda Kroeff e companheiros poderiam falhar como nossos atacantes o fizeram nas primeiras partidas da Libertadores ou os homens do meio de campo ao não serem precisos no passe ou nossos defensores quando dão o bote errado para desarmar o adversário.

Paciência é um mérito. Não sei se foi esta a virtude exercitada pelo presidente do Grêmio no evento da contratação de Paulo Autuori.  Um contratação acertada, mesmo com a presença apenas após as oitavas-de-finais da Libertadores e a estreia do Campeonato Brasileiro. Melhor a espera do que o erro da precipitação.

Seja o que tenha sido, o destino nos ajudou, afastou os perigos e vai colocar no comando da equipe gremista alguém que conquistou duas Libertadores e o respeito de clubes no mundo inteiro. Alguém a altura do Grêmio, pelo conhecimento e pelo caráter. Por que para mim, caráter é fundamental.