Trolébus é mais eficiente que híbrido, diz consultor

 

Trólebus mais eficiente

A tecnologia mais apropriada para o transporte público não é exatamente nova. É usada na cidade de São Paulo desde os anos de 1970, tem plano pronto de expansão mas segue sem investimento. O trólebus, movido a energia elétrica, é considerado a melhor solução para que a capital tenha um transporte limpo e eficiente, na opinião do consultor de políticas públicas de transportes Adriano Branco.

Ao CBN SP, Branco comparou o uso do trólebus com o ônibus híbrido (elétrico/diesel) que começará a ser testado semana que vem na capital. (veja a reportagem aqui). Ele lembrou que qualquer solução apresentada até aqui importa na queima de algum tipo de combustível ao contrário do motor exclusivamente elétrico.

Explicou, ainda, que o rendimento energético do trólebus é de 80% enquanto os veículos com motor a combustão fica em torno de 20% – ou seja, ônibus a diesel e assemelhados usam muita energia para pouco resultado. Além disso, a poluição gerada pelos elétrico é zero, de acordo com o consultor.

A modernização sugerida por Adriano Branco deve ocorrer na forma de o município operar o sistema de trólebus, já que haveria necessidade de se controlar a rede de energia elétrica, com manutenção frequente, e fazer com que o transporte ocorresse em corredores exclusivos.

Ouça a entrevista do consultor Adriano Branco, ao CBN SP

“Por que punir Moema com ciclovia ?”

 

bicicleta rua

A pergunta que abre este post foi feita pela presidente da associação dos moradores de Moema, Lygia Horta, ao fim do debate sobre o projeto de criação de ciclovias no bairro da zona sul de São Paulo, promovido pelo CBN SP. Do outro lado, estava André Pasqualini, do Instituto CicloBR, autor da proposta que ganha forma na Companhia de Engenharia de Tráfego.

O diálogo entre um cicloativista e uma tradicional moradora de Moema expôs com clareza e sem dissimulação pontos de vista antagônicos e representativos. Confesso que fiquei chocado com algumas afirmações (e perguntas) que foram feitas, e ao mesmo tempo satisfeito. Em meio a um debate eleitoral no qual candidatos escondem suas verdadeiras razões e se expõem apenas após o crivo dos homens do marketing, a sinceridade dos entrevistados é bem-vinda.


Ouça o debate entre André Pasqualini (ClicloBR) e Lygia Horta (Associação dos Moradores e Amigos de Moema), no CBN SP

Ouça a notícia sobre o projeto que cria ciclofaixas em Moema

Discordo da ideia de que a criação de ciclofaixas assim como a formação de pistas segregadas para transporte público possam prejudicar a qualidade de vida de uma região – desde que feitas dentro de parâmetros razoáveis, em especial quando me refiro aos corredores de ônibus. Mas a cidade é plural e abriga visões completamente diferentes, por isso viabilizar a convivência dos contrários é um desafio para a autoridade pública. E para a própria sociedade.

Tem-se de pesar os interesses em jogo, os privilégios propostos e os conceitos que movem cada grupo social deste enorme condomínio em que vivemos. E decidir em favor da cidade.

Moema vem sofrendo transformações desde a criação da ciclofaixa de lazer que liga alguns parques, no domingo pela manhã. No fim de semana, aumentou a circulação de bicicletas internamente. Não apenas de pessoas que “vêm de fora”, mas de moradores da região que passaram a experimentar este modelo de transporte. Não por acaso é alvo desta iniciativa em estudo pela prefeitura.

Respeitando as opiniões contrárias e sempre disposto a abrir espaço para o debate público, sou a favor de que a cidade seja riscada de ciclofaixas em todos os cantos e bairros. Moema inclusive.

Ônibus menos poluente faz teste em São Paulo

 

Volvo híbrido paralelo

Apesar de ainda usar diesel, o ônibus híbrido que começa a ser testado semana que vem, em São Paulo, gera metade da poluição dos veículos convencionais. É o que diz o presidente da Volvo Bus Latin American, Luis Carlos Pimenta, apostando na eficiência da tecnologia que combina o motor diesel com o elétrico.

Os dois motores funcionam em paralelo sobre o mesmo eixo de tração. O elétrico é usado para arrancar e acelerar até a velocidade de 25 quilômetros quando, então, o motor a diesel entra em ação. A energia que sustenta o motor elétrico é gerada por ele próprio no momento da frenagem.

Levando em consideração a baixa velocidade com que os ônibus rodam em São Paulo, a tendência é que se use menos diesel do que em cidades como Curitiba, onde está em teste há três semanas. “Se é bom por um lado (economia), é ruim pelo outro (atrasos)”, comentou o executivo da Volvo.

A Volvo começará fabricar estes modelos, no Brasil, em 2012, e os ônibus devem chegar ao mercado com valor 50% maior do que os convencionais. Mesmo assim, Pimenta entende que as empresas terão vantagens a medida que a economia de combustível, um dos maiores pesos no custo da operação, pode chegar a 33%. “Em seis anos, o ônibus se paga”, calculou. Este modelo já roda em cidades como Londres, Luxemburgo e Estocolmo


Ouça a entrevista do presidente da Volvo Bus Latin American, Luis Carlos Pimenta, aio CBN SP

Na conversa, fiquei com a impressão de que ainda estamos distantes de nos livrarmos por completo do uso do diesel. A melhor solução encontrada até agora na fábrica sueca é um motor elétrico combinado com o combustível B-30 – que usa mistura de 70% de diesel e 30% de biodiesel.

Sobre a qualidade do diesel produzido no Brasil, o presidente da Volvo defendeu o uso do padrão europeu nos centros urbanos. Hoje, a Petrobrás põe no mercado o S-50, que tem 50 partículas por milhão de enxofre, enquanto na Europa se consome o S-10, que despeja 80% menos enxofre no ar.

Apesar do S-50 ser um avanço em relação ao que era produzido recentemente no País, Luis Carlos Pimenta disse que “ainda não é a melhor combinação de diesel, podemos chegar até 10 partes e para as capitais isto terá que vir em um futuro próximo”.

Vereadores vão pedir vagão só para mulheres

 

A Câmara Municipal de São Paulo vai sugerir ao secretário estadual de Transportes Metropolitanos que reserve para as mulheres um vagão em cada composição do metrô e da CPTM. A proposta foi enviada pelo Movimento Voto Consciente e aceita pelos vereadores da Comissão de Constituição e Justiça. A intenção é proteger as mulheres que reclamam de assédio sexual e moral devido a superlotação dos trens.

Várias iniciativas já foram realizadas com o objetivo de conter os abusos. Em Brasília, tem projeto de lei querendo impor vagões femininos em todo transporte ferroviário. Em Pernambuco e no Rio, as assembleias legislativas aprovaram lei reservando um vagão para as mulheres, a falta de fiscalização, porém, e o excesso de passageiros levaram ao desrespeito da determinação.

Mesmo na capital paulista, em 2007, a Câmara Municipal chegou a aprovar projeto de lei que obrigava as empresas de ônibus a terem carros exclusivos para as passageiras, medida que não foi a frente. No metrô se ensaiou esta determinação, sem sucesso. Como este modelo de transporte é do Estado, o legislativo municipal tem pouca possibilidade de interferir, por isso aceitou a proposta da ONG e vai apenas levar ao secretário José Luiz Portella o pedido.

Hoje, o público feminino é maioria no metrô, segundo pesquisa da própria companhia.

Basílica de Aparecida, maior estacionamento do mundo

 

Destacado internacionalmente, o estacionamento do templo religioso no interior de São Paulo recebe quantidade de ônibus que supera a frota da maioria das cidades brasileiras e pode ser considerado um dos maiores terminais de ônibus do mundo.

Por Adamo Bazani

Quatro mil ônibus colocados lado a lado, dos quais 2,5 mil fretados, junto com mais de 6 mil carros, em uma área de cerca de 272 mil metros quadrados, formam o maior estacionamento do mundo que pode ser encontrado na Basílica de Aparecida, conforme registra o Guiness Book, o livro dos recordes.

Para se ter ideia, esse número de ônibus é 10 vezes superior a toda frota municipal de uma cidade como Santo André, no ABC Paulista, que tem cerca de 400. O terceiro maior templo católico do mundo comporta em torno de ¼, mais precisamente 26,6%, da frota que atende a capital paulista onde rodam 14 mil 995 mil ônibus cadastrados.

Sem exageros, a Basílica de Aparecida, na região do Vale do Paraíba, interior de São Paulo, pode ser considerado um dos maiores terminais rodoviários do mundo. Isso sem contar que o templo recebe também fiéis vindos de ônibus urbanos e rodoviários de linhas regulares, não fretadas.

A foto, conservada por Jorge A. Ferreira, mostra que o local é testemunha da evolução da indústria de ônibus e do transporte coletivo em geral. A imagem é de 1961, quando a torre da basílica ainda estava sendo erguida. Nela podem ser vistas preciosidades da história dos transportes, como Monoblocos O321, da Mercedes Benz, os primeiros ônibus integrais, que unem num bloco só motor, chassi e carroceria, de alcance nacional e internacional fabricados no Brasil, além de velhos Carbrasas e Nicolas, entre outros.

E quem quer dar um passeio pelo passado e até mesmo pelo futuro da história dos ônibus, uma volta no enorme estacionamento é uma boa pedida. Isso porque, o local, principalmente no dia 12 de outubro, recebe ônibus do Brasil inteiro, de empresas de diferentes portes e passageiros com situações financeiras distintas. Assim, é possível ver os modelos mais modernos do mercado, com computadores de bordo, ambientes para jogos e entretenimentos eletrônicos, até os veículos mais simples do início dos anos de 1980, às vezes até mais antigos.

A Basílica chega a receber em feriados prolongados como este até 400 mil fiéis. E foi essa demanda e a necessidade de receber de forma mais organizada possível que motivou a construção do atual templo. As movimentações para que a Basílica atual fosse construída começaram em 1926 por romeiros e funcionários do templo da época. A estrutura era pequena para o número de religiosos. Mas os pedidos foram negados pelo então arcebispo de São Paulo, Dom Duarte Leopoldo, que preferiu concentrar esforços para ampliação de igrejas na capital e do Seminário do Ipiranga, também na cidade de São Paulo.

A iniciativa só foi abraçada em 1939 pelo sucessor Dom José Gaspar. Mas a trágica morte do religioso num acidente de avião, em 1943, interrompeu os planos. As obras tiveram um início tímido em 10 de setembro de 1946, quando foi lançada a pedra fundamental que pouco tempo depois foi roubada. As obras só se intensificaram em 1955 e além de dízimos e doações dos fiéis, recursos públicos foram usados.

O Governo Federal ofereceu o transporte de cimento. Com recurso público foi feita toda a estrutura de ferro da torre principal. As obras de canalização da Ponte Alta e do nivelamento do Morro dos Pitas saíram dos cofres estaduais, além do asfaltamento da praça principal. A Basílica só foi concluída quase 40 anos depois do início das obras, em 4 de julho de 1980.

As empresas de fretamento devem muito a fé, pois Aparecida é um dos maiores mercados para o setor. Em contrapartida, a Igreja Católica tem de agradecer ao serviço de ônibus, sem este não haveria como tantos fieis seguirem a caminho da Basílica.

Adamo Bazani é jornalista da CBN, busólogo e escreve no Blog do Mílton Jung

Empresa começa operar após brigas, bombas e ameaças

 

Concorrência acirrada atrasou início das operações da Leblon, na cidade de Mauá. Os ônibus da empresa começam a rodar, oficialmente, no dia seis de novembro. O MP investiga ações violentas

Ônibus da Leblon, Maua

Por Adamo Bazani/CBN

A prefeitura de Mauá, na Grande São Paulo, determinou que as operações da Empresa Leblon Transporte de Passageiros, vencedora da licitação do lote 02, que contempla 18 linhas, comecem no dia seis de novembro. Será um sábado, ideal para os passageiros se adaptarem às mudanças, e já no primeiro dia útil da semana, terem algum conhecimento das linhas que deixarão de ser prestadas pela Viação Januária, cujo grupo responsável, Baltazar José de Sousa, perdeu o certame público.

Apesar de a Empresa Leblon Transporte, do Paraná, ter vencido a licitação em 2008, esta só conseguiu autorização para iniciar as operações em novembro, principalmente por causa dos recursos jurídicos impetrados pelas empresas TransMauá e Estrela de Mauá, ambas do mesmo dono da Viação Januária, que contestaram a licitação.

Os recursos da TransMauá e Estrela de Mauá chegaram até o Superior Tribunal de Justiça, em Brasília, instância na qual foram derrubados pelo presidente Ari Pargemdler, que teve o voto seguido por todo o colegiado do STJ, conforme já havia revelado a reportagem.

O secretário de Mobilidade Urbana de Mauá, Renato Moreira dos Santos, conversou com exclusividade com este repórter nesta quinta-feira sobre a expectativa pelo início de operaçao da Leblon: “É uma oportunidade importante para Mauá ter uma operadora com padrão de transporte premiado e que atua num dos melhores sistemas do País”. Em relação a bilhetagem eletrônica, Renato Moreira dos Santos falou que não haverá perda financeira para o usuário. Ele prevê benefícios e diz que o processo está bem adiantado em relação ao sistema a ser utilizado: “A empresa Leblon Transporte está atendendo ao edital de licitação. Até os dias 20 ou 25 deve estar concluída a interoperabilidade. Os equipamentos da Leblon e da Viação Cidade de Mauá vão se comunicar”

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Morumbi em choque

De Pitta à Kassab, passando pelo Governo, a defesa de novo Minhocão


Por Carlos Magno Gibrail

Morumbi, marca urbana das mais respeitadas do país, vê sua população mais tradicional em choque, e em rota de colisão com os trilhos aéreos do Metrô paulistano.

O monotrilho anunciado efetivamente coloca em risco a categoria e os atributos de sua marca, através da ameaça à qualidade de vida da região, cujos moradores planejam colocar em xeque o poder municipal e estadual, para reverter a demolição florestal e concreta que se anuncia. Justamente por parte dos políticos que tanto apoiaram e acabam de eleger. O futuro governador em entrevista à CBN afirmou que apóia e executará o projeto. Embora reportagem da Folha sinalize mudanças em várias Secretarias.

O atual governador ao lançar o edital da linha ouro disse: “Eventualmente o metrô aéreo pode afetar a paisagem de quem vai estar na beira da avenida, mas não é justificativa suficiente para deixar de fazer um metrô que vai custar um terço ou 40% em relação ao metrô que custaria duas vezes e meia a mais”.

Goldman apenas deixou de citar os alertas da própria companhia do Metrô, no estudo de impacto ambiental, que dentre outros itens já tínhamos destacado em artigo anterior:

O morador que não tiver seu imóvel demolido deve sofrer outro impacto negativo de ALTA RELEVÂNCIA: a mudança da paisagem devido à presença de vigas de até 15 metros de altura …

Será um grande causador de incômodo à população vizinha, que pode ter uma redução da qualidade de vida. A obra será usada por mais de 200 mil passageiros por dia …

Haverá ainda impacto sonoro. É sugerida uma proteção com barreira acústica para minimizar a propagação do ruído …

Nas vias de baixo tráfego haverá aumento significativo do movimento devendo atrair também camelôs e desvalorizando alguns espaços do entorno…

O padrão residencial vertical faz com que o impacto visual do monotrilho seja intensificado, pois alguns domicílios ficarão no mesmo nível que as estruturas permanentes.

Isto é, não escapará nada, nem casas nem apartamentos.

A tarefa de reversão que os moradores terão que executar não é das mais fáceis, pois a preservação de casas de alto padrão e de vigorosa área verde não é eleitoreira. Pelo contrário, pode parecer elitista e protecionista à cidadãos abastados pelo restante da população paulistana, se não enxergarem as vantagens da manutenção de área tão qualificada como visual e pulmão verde, essencial para toda a cidade. Aliás, região considerada como “área de preservação ambiental permanente” pelo poder municipal, e endossado por lei.

Foi um dos objetivos da reunião que aproximadamente 100 participantes de entidades representativas de moradores da região realizaram segunda-feira. Unindo especialidades jurídicas, técnicas econômicas e sociais através das entidades locais: a SMM Sociedade dos Moradores do Morumbi, a SAJM Sociedade amigos do Jardim Morumbi, a SAVIAH Sociedade amigos da Vila Inah, o CONSEG Morumbi e o Movimento Defenda São Paulo propõem uma abertura de negociação com Prefeitura e Governo de São Paulo. Almejam alertar para a questão ambiental, que acreditam pode ser preservada através de mudanças a serem realizadas.

De contato agendado com o líder do Prefeito, vereador José Police Neto PSDB, estarão a seguir buscando o atual e o futuro Governador, assim como o Ministério Público.

Que a técnica e a civilidade proposta pelas respectivas entidades enumeradas possam receber a mesma receptividade do poder público paulista, visando apenas o interesse público. Principalmente quando estão envolvidas gigantescas corporações, a começar pela estrangeira Bombardier, acirrada competidora da verde amarela Embraer.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras no Blog do Mílton Jung

Google Street View flagra desrespeito ao transporte público

 

Faixas e corredores de ônibus são invadidos e a certeza da impunidade mantém esta prática. O que era de conhecimento dos brasileiros pode ser visto agora pelo mundo.

Invasão em corredor de ônibus

Por Adamo Bazani

O ônibus na era tecnológica. Não apenas pelos modernos equipamentos que contemplam controle operacional total das funções do veículo e desempenho do motorista, dispositivos de segurança ao frear, acelerar e para estabilidade, enfim bem diferentes dos queixo-duros, com volante pesado e marcha seca que não engatava se o motorista não cambiasse no tempo certo.

Aqui, minha atenção é para o fato de os ônibus também serem estrela no Google Street View, ferramenta de pesquisa da Internet que é a sensação do momento. Para quem gosta deste tipo de veículo, como eu, é uma fonte incrível de imagens, sendo possível conhecer os ônibus de várias partes do País.

Com um olhar mais crítico, é possível verificar, também, o desrespeito ao transporte público.

Como a cultura brasileira incute que quem tem carro tem poder e pode tudo, os poucos espaços dedicados exclusivamente ao transporte de passageiro acabam tomados pelos motoristas de caros de passeio. A própria CET estimou que, por mais esforços que faça para controlar os casos de abuso e invasões de faixas e corredores, apenas 30% dos infratores são punidos.

O que conhecíamos há muito tempo acabou se tornando acessível aos olhos do mundo.

Como bom busólogo, tive a curiosidade de procurar endereços de garagens, terminais e corredores. Imagens de carros no meio de faixas preferenciais, entre as imensas filas de ônibus, ficaram comuns no dispositivo da Internet.

Também como bom andreense, quis fazer uma pesquisa nas ruas do bairro onde moro. E encontrei mais imprudência contra os transportes públicos, desta vez bem debaixo do meu nariz. A cerca de 400 metros de casa, no fiml da minha rua, há o Corredor Metropolitano ABD, na Avenida Pereira Barreto, em Santo André. É um corredor segregado, onde as vias para ônibus são divididas por canteiros, jardins e muretas das demais pistas para carros.

Pois ao digitar o nome da avenida, me deparo com um carro, em primeiro plano, invadindo o corredor sem nenhum constrangimento.

Os corredores de ônibus também podem ser usados por ambulâncias, carros de socorro em geral e carros oficiais, sendo estes últimos recomendados que só se os utilizem em caso de necessidade urgente ou trânsito intenso nas vias comuns. Mas na foto do Google pode-se ver que o trânsito na Avenida Pereira Barreto estava muito bom para os carros.
A maior parte das políticas públicas de trânsito e transportes sempre foi voltada para o meio de locomoção individual. Se não bastasse isso, o dono do carro ainda se sente no direito de invadir o pequeno espaço para os transportes de massa. E as autoridades que deveriam dar o exemplo abusam no direito de ocupar esta área mesmo quando não haveria necessidade.

A multa para quem invadir corredor ou faixa exclusiva para ônibus é de R$ 127,90 por infração, rendendo a cada notificação cinco pontos negativos na carteira nacional de habilitação, o que está enquadrado em infrações consideradas graves.

A CET divulgou que entre 2008 e 2009 houve aumento significativo no número de multas em toda a cidade de São Paulo e a infração que mais cresceu foi justamente a invasão de corredores e faixas de ônibus que neste período teve um acréscimo de 150%, passando de 72.194 notificações em 2008 para 192.745 no ano de 2009.

Navegar pelo Google Street View torna bastante claro o tamanho desta irresponsabilidade e causa revolta em qualquer cidadão com capacidade de entender a importância do transporte de passageiro, como este cidadão-busólogo que lhe escreve.

Veja mais imagens curiosas descobertas por internautas no Google Street View

Adamo Bazani, jornalista da CBN e busólogo, escreve no Blog do Mílton Jung

Trólebus é a melhor solução, diz instituto internacional

 

Às vésperas do encerramento do contrato com a Eletropaulo, estudo mostra que o custo para reativar linhas é pequeno e maior problema está na manutenção do sistema.

Manutenção de trólebus

Por Adamo Bazani

Este ano se encerra o contrato com a Eletropaulo, responsável pela conservação da rede de trólebus na capital e região metropolitana. E a expectativa é que o trabalho fique ao encargo das gerenciadoras dos transportes nas duas áreas, SPTrans e EMTU.

Órgãos internacionais realizaram análises independentes sobre o assunto e concluíram que, apesar de todo o sucateamento que a rede da cidade de São Paulo é vítima, inclusive com redução de mais da metade de sua extensão nos últimos 10 anos, o trólebus ainda é a solução mais limpa, barata e viável. Necessita, porém, de soluções urgentes, com vistas ao conforto, agilidade e menor poluição.

Este repórter teve acesso a um estudo realizado pelo ITDP – Institut for Transportation e Development Policy (Instituto de Políticas e Desenvolvimento em Transporte), no quais seus técnicos analisaram as necessidades dos transportes na capital e nos municípios do ABC Paulista, desde 2008, e realizaram uma série de entrevistas com gestores, integrantes de órgãos públicos, motoristas e usuários.

O estudo diz entre outras coisas:

“… muitas cidades em muitos países revitalizaram suas áreas centrais priorizando modos de transportes elétricos e removendo os ônibus a diesel e automóveis privados. Sendo assim, no caso de São Paulo, as rotas de trólebus na área central seriam revitalizada e teriam melhor aproveitamento da rede…”

E prossegue:

“Mesmo que atualmente as condições econômicas dos trólebus não pareçam tão favoráveis, seria muito prejudicial à população que as linhas remanescentes sejam removidas de São Paulo.. Existe um risco de que o custo do diesel suba rapidamente no futuro, por ser uma reserva natural limita”

E finaliza::

“Portanto, o IDTP recomenda que São Paulo mantenha e modernize a frota de trólebus existente. As implicações ambientais e econômicas de qualquer outra decisão, dado o atual nível de incertezas, merece ser estudado com maior cuidado possível”
O órgão faz um alerta importante de que “remover completamente a existência do sistema de trólebus sem substituí-lo por uma alternativa muito limpa seria dar um passo atrás na política de combate à poluição de São Paulo”.

Os dados que aparecem no trabalho do IDTP são impressionantes.

Vamos pensar com os pulmões.

Se os 140 km de rede de trólebus atuais na capital fossem substituídos por ônibus diesel, mesmo modernos, seriam lançadas na cidade de São Paulo mais de 150 mil toneladas de CO2 por ano. A rede atual, que não é nem a metade do que era, transporta 2,56 milhões de passageiros por mês.

Às vésperas do fim do contrato com a Eletropaulo fica mais um alerta: o maior problema encontrado pelos técnicos é em relação justamente a manutenção da rede área. Isso faz com que nosso trólebus tenha menos capacidade de transporte por sentido, que em São Paulo é de 7.500 usuários, enquanto em Quito, no Equador é de 12 mil passageiros.

Reportagem publicada pelo Portal G1, em maio, dá conta que a manutenção é tão ruim, que há uma emenda nos fios a cada 58 metros, o que provoca desconforto para motoristas e usuários. (Leia aqui)

A foto, de acervo do grupo CMTCBUSSP, desperta saudade de uma época na qual a própria CMTC fazia a manutenção da rede, o que ocorreu entre 1949 e 1983, quando o serviço foi parar na Eletropaulo.

Adamo Bazani, busólogo, jornalista da CBN, que não quer ser obrigado a respirar 150 mil toneladas de CO2 por ano a mais.