Trólebus é a melhor solução, diz instituto internacional

 

Às vésperas do encerramento do contrato com a Eletropaulo, estudo mostra que o custo para reativar linhas é pequeno e maior problema está na manutenção do sistema.

Manutenção de trólebus

Por Adamo Bazani

Este ano se encerra o contrato com a Eletropaulo, responsável pela conservação da rede de trólebus na capital e região metropolitana. E a expectativa é que o trabalho fique ao encargo das gerenciadoras dos transportes nas duas áreas, SPTrans e EMTU.

Órgãos internacionais realizaram análises independentes sobre o assunto e concluíram que, apesar de todo o sucateamento que a rede da cidade de São Paulo é vítima, inclusive com redução de mais da metade de sua extensão nos últimos 10 anos, o trólebus ainda é a solução mais limpa, barata e viável. Necessita, porém, de soluções urgentes, com vistas ao conforto, agilidade e menor poluição.

Este repórter teve acesso a um estudo realizado pelo ITDP – Institut for Transportation e Development Policy (Instituto de Políticas e Desenvolvimento em Transporte), no quais seus técnicos analisaram as necessidades dos transportes na capital e nos municípios do ABC Paulista, desde 2008, e realizaram uma série de entrevistas com gestores, integrantes de órgãos públicos, motoristas e usuários.

O estudo diz entre outras coisas:

“… muitas cidades em muitos países revitalizaram suas áreas centrais priorizando modos de transportes elétricos e removendo os ônibus a diesel e automóveis privados. Sendo assim, no caso de São Paulo, as rotas de trólebus na área central seriam revitalizada e teriam melhor aproveitamento da rede…”

E prossegue:

“Mesmo que atualmente as condições econômicas dos trólebus não pareçam tão favoráveis, seria muito prejudicial à população que as linhas remanescentes sejam removidas de São Paulo.. Existe um risco de que o custo do diesel suba rapidamente no futuro, por ser uma reserva natural limita”

E finaliza::

“Portanto, o IDTP recomenda que São Paulo mantenha e modernize a frota de trólebus existente. As implicações ambientais e econômicas de qualquer outra decisão, dado o atual nível de incertezas, merece ser estudado com maior cuidado possível”
O órgão faz um alerta importante de que “remover completamente a existência do sistema de trólebus sem substituí-lo por uma alternativa muito limpa seria dar um passo atrás na política de combate à poluição de São Paulo”.

Os dados que aparecem no trabalho do IDTP são impressionantes.

Vamos pensar com os pulmões.

Se os 140 km de rede de trólebus atuais na capital fossem substituídos por ônibus diesel, mesmo modernos, seriam lançadas na cidade de São Paulo mais de 150 mil toneladas de CO2 por ano. A rede atual, que não é nem a metade do que era, transporta 2,56 milhões de passageiros por mês.

Às vésperas do fim do contrato com a Eletropaulo fica mais um alerta: o maior problema encontrado pelos técnicos é em relação justamente a manutenção da rede área. Isso faz com que nosso trólebus tenha menos capacidade de transporte por sentido, que em São Paulo é de 7.500 usuários, enquanto em Quito, no Equador é de 12 mil passageiros.

Reportagem publicada pelo Portal G1, em maio, dá conta que a manutenção é tão ruim, que há uma emenda nos fios a cada 58 metros, o que provoca desconforto para motoristas e usuários. (Leia aqui)

A foto, de acervo do grupo CMTCBUSSP, desperta saudade de uma época na qual a própria CMTC fazia a manutenção da rede, o que ocorreu entre 1949 e 1983, quando o serviço foi parar na Eletropaulo.

Adamo Bazani, busólogo, jornalista da CBN, que não quer ser obrigado a respirar 150 mil toneladas de CO2 por ano a mais.

O Dia Sem Carro na sala de aula

 

Os alunos do Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos do Butantã foram provocados a debater em sala de aula sobre a Semana da Mobilidade e o Dia Mundial Sem Carro. O trabalho foi desenvolvido pela professora Elisabet Gomes do Nascimento para que os estudantes pensassem soluções para a questão da mobilidade e do transporte público. Textos de sites como o do Nossa São Paulo e deste blog foram utilizados e o resultado do trabalho reproduzo a seguir:


1 – Dia Mundial Sem Carro

De carro ou bicicleta?
Incentivar as pessoas
Ainda não tem metrô nem ciclovias suficientes

Mostrando que somos capazes de ficar
Um dia sem carro
Não esquecendo que o pedestre
Deve ter prioridade
Inspeção veicular ajuda, mas não resolve
Assim o povo se conscientiza
Lutando para vencer a poluição

Sempre que saimos à rua
Encontramos congestionamentos
Metrô é parte da solução

Comece hoje a deixar seu carro em casa
Ande de bicicleta ou experimente ir a pé
Repense seus hábitos
Respeite faixas e sinalização
O planeta  agradece

Alunas: Telma Lopes Galhardo Dias;Maria do Carmo R. Monteiro; Tatiane Vieira

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No Dia Sem Carro, jornalista e ciclista

 

Sou jornalista há 26 anos, blogueiro há quatro e ciclista há uma semana. Tudo bem que pedalo desde guri em Porto Alegre, mas nunca muito além do meu quarteirão, limite que mantive em São Paulo. Havia feito passeios de bicicleta na Cidade do Cabo, durante a Copa do Mundo da África, mas foi semana passada que arrisquei o primeiro desafio. O segundo foi neste Dia Mundial Sem Carro e foi o mais difícil pois, além de distante, fiz o percurso na ida e na volta – interminável volta que se encerrou diante de casa quando completei 39km em um só dia – com interrupções, lógico.

Escrevo ainda sob o efeito da pedalada. No corpo, nas pernas em especial, e na cabeça, também. Haja fôlego e preparo físico para percorrer ruas e avenidas que separam minha casa, na zona sul, da rádio, próximo ao centro. Mesmo que algumas destas vias tenham ares bastante agradáveis, em especial no Butantã e nos Jardins, atravessar a cidade é tarefa hercúlea – para usar expressão dos tempos de meu pai – para um neófito como eu.

Dia Mundial sem Carro - Floriano Pesaro e Milton Jung

Meu guia de pedal, Mig, foi excepcional para a ida. A volta tive de fazer na cara, na coragem e no resto de fôlego que tinha.

Pelo plano de viagem do Mig, fugimos das vias mais movimentadas o quanto foi possível. Em vez de Francisco Morato ou a inclinada Giovanni Gronchi, começamos na avenida Pirajuçara e Eliseu de Almeida. Pista larga em boa parte do percurso, apesar da obra que segue no canteiro central, mas com caminhões e ônibus. E uma pista simbólica para entender as prioridades de uma prefeitura que adora fazer mizancene no Dia Mundial Sem Carro.

Ali deveria ter sido construída uma ciclovia. Promessa de prefeito em 2007 com projeto desenhado e tudo mais. Por enquanto, só tem lama. E a CET envia nota dizendo que o plano da prefeitura está sendo readequado, sem prazo para terminar o tal estudo, menos ainda iniciar a tal obra. Será que erraram na primeira vez ? Os 750 ciclistas que usam a vida diariamente vão esperar sentados no selim.

Passar por dois quarteirões da Vital Brasil nos obrigou a andar entre os carros. Calma lá ! Estavam todos parados, assim como os ônibus. E logo que algum deu sinal de se movimentar, já havíamos vencido esta etapa.

Cruzar a ponte Euzébio Matoso foi tenso. Aliás, cruzar as pontes é sempre tenso quando se está de bicicleta. Mas deu pra vencer o percurso e logo fugir para o início da Rebouças, na esquina com a Marginal Pinheiros. Dali pra frente, uma sequência de belas alamedas, árvores na calçada, praças e “ouve o passarinho cantando”, chamou-me atenção meu tranquilo colega de pedal.

Difícil foi encarar a Bela Cintra e seus quarteirões finais, íngremes, intermináveis para meu (des)preparo, logo ali para quem já pedala há algum tempo. Mas superá-lo, mesmo que empurrando a bicicleta em uma das quadras, tinha duas motivações: encontrar a turma toda na Praça das Bicicletas, na avenida Paulista com Consolação, e depois descer o resto do percurso até a rádio.

Dia Mundial Sem Carro - praça do Ciclista

Entre um gole de suco, frutas e barrinhas de cereal conversei com muita gente que havia estacionado na praça. A primeira reivindicação veio do Carvalho, funcionário de banco, que pedala todos os dias, mas sente falta de um banheiro com chuveiro na agência. Dificuldade enfrentada pela maioria dos ciclistas-trabalhadores. Felizmente, a CBN pode ser incluída na lista das empresas amigas da bicicleta. O banho foi o prêmio que recebi logo que cheguei por lá.

Houve quem reclamasse da falta de respeito com o ciclista. Devo ter tido sorte de iniciante. Pois nos 14km do Desafio e nos 39km do Dia Sem Carro o grau de risco foi muito baixo, o confronto com os carros e ônibus não foi evidente, e notei motoristas segurando no freio para permitir a passagem da minha bicicleta. Ouvi uma só buzinada na volta pra casa de alguém que parecia gritar para mim: teu lugar é na calçada ! Não é, mesmo.

É preciso, aqui, deixar esta questão bem explicada: evidentemente que quanto mais você pedala, maior é o risco. E quanto mais você pedala de maneira arriscada, o perigo é eminente. Mesmo que a rua seja espaço público e, portanto, a bicicleta teria de estar incluída nela, não adianta partir para o enfrentamento, o ciclista é o elo mais fraco nesta corrente, só superado pelo pedestre.

Por falar em calçada, dado o caminho privilegiado que fiz, fiquei satisfeito em ver que boa parte delas tinha guia rebaixada, sinal positivo para a civilidade que deve prevalecer no ambiente urbano.

Mig foi meu guia no Dia Mundial Sem Carro

Após 1h10 de pedalada, com mais meia hora de conversa na Praça do Ciclista, chegamos a CBN. Suado, sim, mas extremamente acelerado para trabalhar, ainda mais com o banho antes de entrar no ar. Havia entre os colegas da redação um espécie de espanto pela minha tarefa, principalmente ao ouvirem a promessa de que retornaria para casa no pedal. O Leonardo Stamillo, nem tanto. Ele é ciclista de verdade e hoje também estacionou a bicicleta no estacionamento da rádio.

Quem sabe seja possível incentivar outros companheiros de trabalho a usarem a bicicleta. E, em breve, tenhamos um número razoável de jornalistas ciclistas. Sugiro apenas que nas primeiras tentativas, façam percursos menores do que o meu. E se forem, respirem bem, antes de voltar.

Meu retorno foi bem mais demorado e sem a orientação do Mig. Mesmo por caminhos mais amenos, a perna estava muita pesada e, às vezes, tinha dificuldade para encontrar ar para os pulmões (sem contar que muitas vezes quando o encontrava vinha sujo pela descarga dos carros ou pelo pó das obras). Parei em vários pontos, bebi muita água, sentei na calçada, respirei até o batimento cardíaco baixar os 200 bpm.

Fui mais inseguro no caminho, mas aproveitei o embalo das pedaladas o quanto pude. Tive que cruzar a ponte Cidade Jardim e não foi muito fácil, não. Peguei avenidas mais longas e alcancei novamente a Elizeu que me pareceu bem mais extensa do que pela manhã, mas cheguei a meu destino.

Estou muito cansado, claro, mas bastante satisfeito com o resultado e a expectativa de incluir a bicicleta no meu cotidiano. Ainda não para as distâncias que percorri nestes dias, mas para trechos que estejam ao meu alcance e que vão bem além do quarteirão do tempo de criança.

Logo após o banho em casa, me preparo para esticar as pernas e descansar. Ledo engano, o rapaz do Censo bateu na porta. Profissão: jornalista e ciclista, brinquei com todo meu atrevimento.

NB: Na primeira foto, meu bate-papo com o vereador Floriano Pesaro (PSDB); na segunda, a mesa que nos esperava na Praça do Ciclista; na terceira, na frente da CBN e ao lado do meu guia, Mig

Estou de saída e hoje vou pedalando !

Vou tentar mais uma vez. Depois de completar o percurso de 14 quilômetros do Desafio Intermodal, vou encarar 18 pedalando no Dia Mundial Sem Carro. Na primeira vez não havia compromisso com o tempo, apenas com a causa. Desta vez, tenho de estar atento aos dois.

Para quem está acostumado com a bicicleta como meio de transporte, tarefa simples. Para mim, sempre um desafio.

Saio logo cedo de casa, próximo do Portal do Morumbi, e vou para o bairro de Santa Cecília, quase no centro, onde está a rádio CBN. Lá “bato ponto” às 10:02, assim que a vinheta do CBN SP vai ao ar. Meu “guia do pedal” Marcelo Mig disse que é bom sair às 7 e meia da manhã e não ter necessidade de acelerar o pedal. Cheguarei, se o previsto ocorrer, com boa antecedência.

Ele também me fez vários alertas: não esqueça o capacete; óculos para proteger é importante, e de preferência troque os pneus por modelo mais apropriado ao asfalto. Luz de alerta na frente e atrás, luvas, câmbio ajustado e espaço para o celular que vai gravar parte do trajeto foram cuidados que eu acrescentei na lista.

Vou sair pela avenida Eliseu de Almeida para fugir da complicada Francisco Morato. Apesar dela não ser grande coisa, também, era lá que deveria haver uma das muitas ciclovias prometidas na cidade. Se tudo der no tempo certo, encontrarei uma turma de ciclistas lá no fim da Bela Cintra para recuperar o fôlego da subida até o espigão da Paulista. Dali pra frente, é só descida.

O que interessa mesmo é me convencer de que posso usar a bicicleta sempre que sentir necessidade. E chamar atenção para o fato de que a cidade precisa se adaptar a este modelo de transporte, também.

Se não somos capazes de criarmos pistas específicas e mais seguras que sejamos de construir uma consciência cidadã em favor da bicicleta.

Até mais !

Ônibus a bordo dos 60 anos da TV brasileira

 

Nas seis décadas em que está no ar, a televisão brasileira sempre teve a companhia dos ônibus. Os dois, juntos ou separados, deixaram sua marca no cotidiano do cidadão

nibus-da-TV-Record-1970

Por Adamo Bazani

Os dois são considerados veículos. E veículos de massa. Estão aí para atender a população independentemente de classe social e região. Os donos de ambos os negócios conseguiram poder econômico e social tão grande que, se não podem mudar, poder influenciar e muito nos rumos seguidos pela sociedade. Por que não dizer que podem colaborar para a queda e crescimento de governos, também. Quer mais uma coincidência? Ambos passaram a ser tipicamente brasileiros a partir dos anos de 1950.

Apesar de os dois fazerem parte do cotidiano do brasileiro, um é veículo de comunicação, e o outro, de transporte. São eles, a televisão e o ônibus. Este, aliás, tem aparecido com frequencia naquela. Atualmente, há até é um reality show a bordo de um ônibus. Na maioria das vezes, porém, o que aparece na tela do brasileiro é o ônibus sendo vítima e vitimando. Passageiros inconformados com as situações precárias dos transportes, acidentes por imprudência de motoristas, descuido de algumas empresas em relação a manutenção e também as péssimas condições de conservação das estradas.

Mas por que ligar a história do ônibus com a da TV ?

As duastêm pontos em comum, como a influência em relação a vida da população e até os poderes constituídos. E as lembranças dos ônibus que estrelaram na TV vêm bem a calhar, já que neste sábado, 18.09, a TV no Brasil completou 60 anos de transmissões. Cheios de altos e baixos, orgulhos e vergonhas, mas considerada uma das de maior destaque do mundo.

No 18 de setembro de 1950, uma menina com trajes de índio dizia: “Boa noite, está no ar a TV do Brasil”. A TV Tupi iniciava as transmissões. O primeiro programa foi o Show do Taba, que teve a participação de Lolita Rodrigues. A Dama da TV brasileira, Hebe Camargo, também estava por lá.

Assis Chateaubriand, fundador da TV Tupi não imaginaria, provavelmente, que a TV no Brasil ganhasse tamanha influência e tivesse as atuais proporções. Assim como vários donos de empresas de ônibus, que dirigindo suas jardineiras, enfrentando as dificuldades de comunicação entre um bairro e outro, uma cidade e outra, talvez não imaginassem que algumas viações hoje se tornariam impérios.

E assim como as empresas de ônibus iam crescendo com o desenvolvimento econômico e urbano, a partir dos anos de 1950 – década inclusive que a Mercedes Benz fez o que é considerado o produto que marcou a escala de produção do genuíno ônibus no Brasil (os monoblocos) – as TVs também foram surgindo.

Em 1950, foi a TV Tupi; em 1954, a TV Record (a mais antiga em funcionamento); em 1960, a TV Excelsior; em 1965, a TV Globo, com o surgimento de outras redes locais e nacionais, até 1981 com a criação da TVS, hoje SBT, de Silvio Santos.

Nem só de acidentes e protestos vive o ônibus na televisão.

Houve aparições tímidas e triunfais. Exemplo, era a simpática Marinete, uma jardineira transformada em personagem da novela Tieta, da Rede Globo. Os mais antigos, apaixonados por ônibus, aguardavam numa propaganda da Shell, um ônibus da Itapemirim rasgar um enorme painel branco e aparecer triunfante. A Itapemirim se destacou com a propaganda na qual havia um menino sentado do lado do ônibus grande com uma miniatura nas mãos, réplica perfeita. Qual busólogo nunca invejou este menino? A Cometa, também tinha seus comerciais de destaque.

Das telonas para as telinhas, marcaram muito a Sessão da Tarde, filmes com ônibus como estrelas: Velocidade Máxima, As Peripécias do Ônibus Atômico e Priscila, a Rainha do Deserto.

Ao lembrar estes momentos faço aqui nossa homenagem a estes dois veículos fundamentais para a sociedade brasileira.

Adamo Bazani é busólogo, jornalista da CBN, e escreve no Blog do Míton Jung

N.B: A Imagem que ilustra este post é uma raridade cedida pelo historiador Marco Antônio da Silva: um monobloco Mercedes Benz O 321, usado em gravações pela TV Record, nos anos de 1970. Duas coicidências, a Mercedes, fabricante de ônibus mais antiga em operação no Brasil, e a TV Record, a emissora mais antiga em funcionamento.

STJ decide: Leblon vai operar em Mauá

 

Decisão de Ministro do Superior Tribunal de Justiça acaba com domínio das empreas de Baltazar de SouZa e leva em conta a necessidade de mudanças no sistema de transporte.

Ônibus da Leblon, Maua

Por Adamo Bazani

O presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Ari Pargendler, manteve, nesta quarta-feira, a decisão do seu antecessor, ministro Celso Asfor, que permite a empresa Leblon Transporte operar  18 linhas de ônibus (o lote 2) na cidade de Mauá, região metropolitana. A decisão foi do colegiado do tribunal e ainda cabe recurso.

A empresa venceu a licitação aberta em 2008, mas as viações que perderam o certame, TransMauá e Estrela de Mauá, entraram na Justiça. Em Brasília, o mais recente instrumento jurídico usado pelas empresas de Baltazar José de Souza, que já detém o lote 1 , pela Viação Cidade de Mauá, foi um agravo de instrumento. As alegações dos advogados da TransMauá e Estrela de Mauá, de que a licitação não estaria de acordo com parâmetros legais e de concorrência, foram rejeitadas pelo presidente do Superior Tribunal de Justiça. A postura de Ari Pargendler vai ao encontro do posicionamento do presidente anterior.

A reportagem teve acesso exclusivo à decisão de julho deste ano que foi mantida nesta quarta-feira. Nela, o ministro considerou que as empresas que contestam a licitação utilizaram “premissas manifestantes e falsos argumentos”. O Judiciário reconhece que a situação dos transportes coletivos é crítica e que são necessárias mudanças, conforme o texto:

…em apreço ao interesse público e com base no fato do próprio contrato de concessão com a empresa vencedora do certame ter sido assinado e publicado é indubitavelmente importante para o município de Mauá sob pena de ver os interesses de seus munícipes e o erário lesados, que o processo licitatório em análise não seja obstado, muito menos lesado”

A decisão do ministro Asfor, mantida nesta semana pelo ministro Pargendler, ainda reconhece a situação dos transportes de Mauá.

..tamanha precariedade do sistema de transporte municipal já havia sido instaurado medida pra apurar as irregularidades na prestação do serviço

A informação foi confirmada pela Assessoria de Imprensa do Superior Tribunal de Justiça.

Procuramos o Grupo Leblon. Os responsáveis pela empresa só devem se pronunciar com a publicação no Diário Oficial, mas consideram a decisão uma vitória e reconhecimento pela qualidade de serviços apresentada na licitação.

A Empresa Viação Januária, que opera as 18 linhas da cidade, pertencente ao mesmo grupo de Baltazar José de Souza, confirmou que vai procurar as possibilidades jurídicas que ainda restam De acordo com a Januária, os ônibus da empresa operam normalmente.

A questão da bilhetagem eletrônica é o principal empecilho para os ônibus da Leblon saírem da garagem. A Leblon, no entanto, está em processo adiantado quanto a elaboração do sistema que seja compatível para toda a cidade. Nesta semana voltamos à garagem da empresa para confirmar a realização deste trabalhos.

De acordo com a Prefeitura de Mauá, a empresaa inda está no prazo legal para a intalação dos equipamentos.

Na garagem da Leblon, há cerca de 80 ônibus 0 km. No próximo mês devem chegar mais veículos novos, acessíveis, articulados de grande capacidade, modelo Volvo B 12 M, carroceria Marcopolo Viale.

Adamo Bazani, jornalista da CBN e busólogo, escreve no Blog do Mílton Jung.

“Bicicleta pode criar cidadão mais consciente”,diz Ciclo BR

 

Desde ontem recebo enorme quantidade de mensagens via e-mail, blog ou Twitter a propósito da participação no Desafio Intermodal 2010. A maioria me incentivando a seguir no pedal. Prometo que vou insistir. Mas quero dividir com você o comentário publicado neste Blog pelo André Pasqualini, do Instituto CicloBR para que possamos entender melhor o espírito do Desafio Intermodal 2010. Ao André e equipe que organizaram mais este evento, meus parabéns. Ainda quero registrar a importância de se ter ao lado um guia com a experiência, paciência e desejo de ensinar como foi meu caso que em todo o trajeto teve a orientação do Mig. Que possamos compartilhar novas pedaladas.

Vamos ao texto do André:

O Desafio Intermodal não é uma competição, embora muitas pessoas e, às vezes, até alguns participantes encarem dessa forma.

Realizamos o Desafio há cinco anos. Desde o começo a ideia é comparar os modais ano a ano e o trajeto é o mesmo até para facilitar essa comparação. Mas por mais que a organização se esforce, infelizmente, parte da mídia encara o Desafio como uma corrida maluca.

O Desafio serve para inúmeras coisas. Primeiro mostrar às pessoas que o carro não é a única opção para deslocamento nessa cidade, até a ciclista Cycle Chic, que pedala com roupas casuais e num ritmo tranquilo para não transpirar muito, chegou antes do carro. Até skate e patins chegaram antes do carro.

Infelizmente, a modalidade transporte público, apesar de uma melhora, está longe de ser cativante. Infelizmente, a maioria da população quer mesmo é diminuir seu tempo de deslocamento e não está muito preocupada se sua opção faz mal a cidade. Infelizmente, ainda teremos muitos carros nas ruas, pois quem optou por transporte público ficou refém do trânsito causado por carros, sendo que a maioria deles tinha uma pessoa dentro.

Finalizando, o Desafio Intermodal serve para mostrar a sociedade que, além de haver outras alternativas ao carro, tem que, de forma urgente, cobrar para que essa injustiça com o transporte público pare de ocorrer. Mesmo se para isso ela tiver que sacrificar o espaço que hoje é dado para quem está de carro.

Os dados estão aí, agora cabe a população fazer sua parte.

E Milton, lindo seu relato, muito mais que uma corrida, um dos objetivos do Desafio é mostrar que as cidades possam ser mais humanas desde que os meios de locomoção que aproximam as pessoas da cidade sejam valorizados.

Sei que a bicicleta não vai resolver todos os problemas de deslocamento em São Paulo, mas ela pode servir para criar cidadãos mais conscientes, reforçando esse elo de amor com a cidade que é tão diferente vista de fora dos carros. Sim, nossa cidade é linda e precisa urgentemente de nós.

Abraços e muito obrigado pelo apoio, em meu nome e com certeza, em nome de todos do Instituto CicloBR.

Para mais informações sobre o Desafio Intermodal 2010 visite o site do Instituto CicloBR

Bicicleta ganha de W.O do helicóptero

 

portal_de_caragua_dia_mundial_sem_carrosUma hora e 5 minutos de pedalada, 30 minutos de mais diversão, e cheguei a sede da prefeitura de São Paulo convencido de que a bicicleta é um meio de transporte para mim também. Que é uma alternativa para o cidadão, nunca tive dúvida, haja vista o número de pessoas que se deslocam na cidade seja por vontade seja por necessidade. Pesquisa divulgada pelo Nossa São Paulo, ontem, mostra que para 227 mil paulistanos a bicicleta é o caminho para deixar o carro em casa – ou não tê-lo.

Já o Heródoto Barbeiro deve ter ido dormir com a certeza de que o helicóptero não é uma opção das mais seguras. Pagou o mico de ficar no chão, devido ao tempo fechado na cidade no fim da tarde desta quinta-feira quando se realizou o Desafio Intermodal, dentro das comemorações da Semana da Mobilidade.

É isso mesmo: o helicóptero perdeu por W.O no seu confronto direto com a bicicleta. Sei lá se por medo de estragar o cabelo na garoa ou por falta de visibilidade mesmo, meu experiente colega nada pode fazer com seu brevê que leva a assinatura de Santos Dumont. Não bastasse ter entregue os pontos antes mesmo de encarar a disputa, ainda enfrentou congestionamento para deixar o Campo de Marte, pela Marginal Tietê, na zona norte.

O Desafio Intermodal não é uma competição de velocidade ou performace. O que se busca é mostrar à cidade as diferentes possibilidades que temos para nos locomover. E, principalmente, que podemos reduzir o tempo desperdiçado no trânsito. Mesmo estudo da Nossa São Paulo, citado no primeiro parágrafo, informa que o tempo médio para se deslocar entre as atividades diárias do paulistano é maior do que 2h40.

Acostumado a usar a bicicleta como instrumento de lazer, encarei o desafio pessoal de utilizá-la como meio de transporte. O percurso que se iniciou no número 1000 da Berrini, zona sul, foi de aproximadamente 13 quilômetros e tinha como ponto final a prefeitura, ao lado do Viaduto do Chá, no centro.

Acompanhado pelo experiente ciclista Mig, que me passou todas as instruções necessárias, e pelo colega de rádio Leonardo Stamillo, seguimos por ruas secundárias dos bairros do Brooklin, Moema, Ibirapuera, Paraíso, Liberdade e centro. Como iniciante a ideia era fugir do trânsito pesado.

Mesmo assim houve momentos em que tive de pedalar entre ônibus e carros; e forçar o pedal para encarar subidas como a da Abílio Soares, logo após ter apreciado a paisagem noturna do Parque do Ibirapuera. Parei para gravar imagens e depoimentos para o Stamillo que tentava me seguir com uma câmera de vídeo. E conversar com outros ciclistas que participavam do evento.

Fiz questão de parar sobre a 23 de Maio e apreciar o trânsito congestionado lá embaixo. Quase uma vingança de quem várias vezes esteve preso no asfalto. Será o Heródoto aquele Kombi atravancando a avenida ?

Na Vergueiro e Liberdade, uma transgressão. Transformamos a motofaixa em ciclofaixa com a aceitação dos poucos motociclistas que passavam por ali, após às sete e meia da noite. E nesta experiência, a constatação de que a cidade precisa abrir corredores para bicicletas, também. Não é por acaso que 25% dos entrevistados na pesquisa do Nossa São Paulo dizem que usariam a bicicleta como meio de transporte se houvesse a construção de ciclofaixas.

Andar de bicicleta me ofereceu a oportunidade de ver São Paulo de uma maneira diferente, mais próxima e com mais calma, quase como se eu tivesse a chance de tocar a cidade inalcançavel para quem está dentro do carro.

O risco no trânsito existe para todos nós e quanto mais frágeis somos nesta “cadeia alimentar” mais nos transformamos em alvo. Minha sorte de iniciante, porém, impediu que tomasse sustos no caminho. A responsabilidade de meu guia, também. Aprendi que não se deve ter medo no tráfego pesado, mas respeito – de todas as partes.

Quando cheguei na prefeitura, todos os participantes já estavam por lá. Haviam feito caminhos mais curtos, mais rápidos e sem paradas prolongadas.

Logo alguém me provocou: vai vender o carro ?

Ainda não, mas ele vai ficar muito mais tempo guardado na garagem, com certeza.

Quanto ao Heródoto Barbeiro, vou ligar o Jornal da CBN bem cedinho para ouvir as justificativas deste aviador frustrado. E deixo o convite para que no ano que vem, ou a qualquer momento em edição extraordinária, ele encare comigo uma pedalada pela cidade.

Desafio: Heródoto de helicóptero e eu no pedal

 

portal_de_caragua_dia_mundial_sem_carrosA bicicleta não é meio de transporte no meu cotidiano. É lazer. Pedalo em volta de casa, ruas tranquilas ou praças mais próximas. Ando, paro, bebo água, retomo o passeio, paro para bater papo e retorno relativamente satisfeito – um pouco cansado na maioria das vezes.

Encarar o trânsito de São Paulo, hoje, no horário de pico em percurso de mais de 12 quilômetros, entre a Berrini, zona sul, e a sede da prefeitura, no centro, será, sem dúvida, enorme desafio pessoal.

Será que sou capaz ?

A proposta do Desafio Intermodal é esta mesma. Testar formas diferentes de se locomover no ambiente urbano. Mostrar às pessoas – a nós mesmos – que existem alternativas para o carro. Temos à disposição uma variedade de modais de transporte que podem fazer parte do nosso dia-a-dia.

Por isso, a partir das cinco da tarde, cicloativistas e incentivadores da bicicleta estarão reunidos na praça General Gentil Falcão, próximo do número 1.000 da avenida Luis Carlos Berrini, de onde partirão uma hora depois em direção ao centro. De trem, de metrô, de ônibus, de moto, de bicicleta, a pé, correndo e, claro, de bicicleta. Cada um a seu modo fará o mesmo percurso.

O helicóptero, pelo segundo ano, estará presente, cedido pela rádio CBN. Em 2009, eu estava a bordo, neste ano o lugar será ocupado por nosso colega Heródoto Barbeiro. Experiente – como poucos no planeta Terra -, já tendo pilotado avião e pequenos helicópteros, pretende “honrar” o nome da aviação e chegar em primeiro lugar. Ano passado, ficamos em quarto, atrás de duas bicicleta e uma moto. (para saber sobre o evento do ano passado, clique aqui)

O interessante é que neste Desafio não está em jogo quem é mais rápido. Mas quem é mais rápido, mais econômico e menos poluente. Nesta tenho certeza de que vencerei do Heródoto pois minha bicicleta tem impacto zero no meio ambiente.

Vou pedalar na categoria “ciclista iniciante” e depois que vi o meu roteiro de viagem coloquei em dúvida minha condição física para completar o percurso, principalmente por causa de algumas subidas que terei no caminho. Em compensação terei a oportunidade cruzar o Parque do Ibirapuera pedalando.

Confira aqui o percurso que vou realizar de bicicleta, nesta quinta-feira.

Heródoto e eu teremos o acompanhamento do Leandro Motta e do Leonardo Stamillo, respectivamente, que gravarão em vídeo nosso desafio para depois compartilharmos com você a experiência.

Nos acompanhe, hoje, na CBN ou pelas ruas de São Paulo.

Serviço

Programação do Desafio
17h00 – Início da Concentração Na Praça Gal Gentil Falcão e atendimento a imprensa.



17h50 – Alinhamento dos participantes e explicação das regras do desafio



18h00 – Pelo viva-voz do telefone celular, representante da organização, que estará diante da prefeitura, dá a largada. Cada uma das pessoas se dirige ao seu modal e faz o trajeto que considerar mais conveniente.



18h30 – Previsão de chegada dos primeiros participantes em frente à Prefeitura de São Paulo



20h00 – Previsão de chegada do último participante