Enchente, taxa, esgoto e a mesma m…

 

Osasco pós enchente 2

A palavra ganhou destaque na mídia na boca do presidente Lula, semana passada, e se tornou apropriada para a situação vivida por moradores do extremo leste e região metropolitana de São Paulo. Haja vista o que ocorreu nesta quarta (16.12) em bairros de Osasco tomados pela lama e na terça retrasada (08.12) no Jardim Pantanal e áreas vizinhas, na capital, que ainda estão embaixo d’água.

Em três entrevistas, o CBN São Paulo falou sobre assuntos diferentes mas que migravam para o mesmo fato: a falta de estrutura das cidades para encarar os fenômenos do clima. Aliás, a própria Patrícia Madeira, da Climatempo, logo na abertura do programa, chamou atenção para o fato de apesar da quantidade de chuva ser muito grande, não há nada de excepcional neste mês de dezembro.

Ela disse que esta história de que “em duas horas choveu o equivalente a oito dias” é balela. Pois a chuva não cai em prestação, costuma despencar na cabeça do cidadão em pancadas como a que ocorreu nestas últimas semanas.

Mas vamos ao que disse cada um dos nossos entrevistados.

A cidade de São Paulo tem planos de construir 21 parques lineares até o fim do Governo Kassab. Dos 13 previstos para este ano, sete foram entregues. A maior aposta é com o Parque Linear da Várzea do Tietê que deve ter sua primeira etapa entregue em um ano:

Ouça a explicação do secretário interino do Verde e Meio Ambiente da cidade de São Paulo, Hélio Neves

A Sabesp, por sua vez, deixou de tratar boa parte do esgoto gerado na última semana na região de São Miguel Paulista, por defeito em seu equipamento. Sem contar que o esgoto coletado no Jardim Pantanal é todo despejado no rio Tietê.

Ouça a entrevista com o superintendente da Sabesp Paulo Nobre

E como tudo se deve a forma com que ocupamos o ambiente urbano, a professora de engenharia hidráulica da USP, Mônica Porto, defende medidas urgentes para melhorar a drenagem do solo e comentou sobre a necessidade de criação de uma taxa para combater enchentes, a taxa da drenagem:

Ouça a entrevista com a professora de Engenharia Hidráulica da USP Mônica Porto

Aos que não querem ouvir falar em taxa, uma notícia: apesar de a secretária estadual de Saneamento e Energia Dilma Pena ter se sensibilizado com o tema, e se declarou a favor da cobrança, o comentário dela não repercutiu bem no Palácio dos Bandeirantes e em Copenhagen, na Dimarca, onde está o governador de São Paulo José Serra (PSDB).

9 comentários sobre “Enchente, taxa, esgoto e a mesma m…

  1. Antes de qualquer consideração é preciso lembrar que a carga de tributos paga por aqui é das mais altas no mundo. Medidas de saneamento e combate a enchentes são de médio e longo prazo e exigem que providencias sejam tomadas agora para dar resultados em cinco ou dez anos.
    Quem administrava isto aqui há cinco ou dez anos atrás?
    Sou “figadalmente” contra essa ou quaisquer outras taxas e pedágios que venham a ser cobradas, além dos caríssimos impostos. O dinheiro pago com estes, seria duas vezes ou mais suficiente não fosse a improbidade e corrupção, históricas no poder público.
    As enchentes de agora, são sinal bem claro de que o poder público não trabalhou bem mas alertas para a falta de investimentos no passado e políticos jogando pra torcida no presente, vemos todos os anos bem por esta época mesmo. Todos os anos, as mesmas chuvas, as mesmas desculpas e o mesmo povo sofrendo com a mesma m… entrando dentro de casa.
    Que tal uma taxa por incompetência e propaganda enganosa?
    Quem tiver olhos para ver, que fiscalize, e adote!

  2. Não tem que ter mais taxa nenhuma em São Paulo. A verba do IPTU dá e sobra para as providências necessárias. E a primeira delas, é desocupar as àreas próximas aos rios, córregos etc, que não devem mais ser invadidas pela população. A mesma população que joga lixo pela janela e depois reclama que o rio subiu…

  3. Fico assustado com disposição dos secretários, engenheiros e superintendentes em criar taxas para certas soluções. Qualquer um de nós sabe reconhecer que, uma coisa é receber as taxas, outra é vê-la aplicada.
    Por acaso, quem é que vai pagar a conta? Sempre a classe média porque ela tem imóvel registrado, paga seus impostos e taxas em dia.
    Se alguém tem culpado pelas enchentes e suas conseqüências diretas são Prefeitura e Estado. Onde estavam quando a ocupação irregular se formou? Onde estavam quando os vereadores e deputados aprovavam aumentos nos seus vencimentos ao invés dos recursos serem mais bem aplicados? Para estes existem verbas!
    A propaganda do município tem verba suficiente e com folga para seu emprego e não seria o caso de encontrar recursos para o combate já das enchentes?
    Criar taxas já virou uma instituição. É comprovação do descaso!
    Os recursos já estão no orçamento, este só precisa ser adequadamente utilizado.

  4. Quanto mais o paulistano paga de impostos, taxas, pedagios, multas, etc mais a qualidade de vida piora, o transito mais caotico, saneamento básico parece que deixou de existir faz tempo, saude publica literalmente acabou para o povo mais carente, as escolas estaduais estão caindo aos pedaços, hospitais idem, repartições, veiculos, transporte publico hiper deficiente, etc et cetc

    Para onde vai toda a grana que os governos arrecadam?

    Pelo que podemos notar, em beneficio da população, muitissimo pouco tem-se feito
    Basta ve o caos que a grande São Paulo se tornou sobre vários aspectos, principalmente em épcas de chuvas.

    Alouuuuuuuu
    Estamos aqui embaixo, senhores prefeito, vereadores, sub prefeitos, secretarios, os do alto escalão.

  5. Esta foto poderia ter sido feita em várias cidades brasileiras.

    Ela mostra o quanto as soluções arquitetônicas da habitação são inadequadas e o quanto o modelo urbanístico dos bairros é inapropriado.

    Mais do que nunca, o uso do solo no Brasil clama por um planejamento integrado.

    Somente um planejamento que vise a conservação urbana e o desenvolvimento sustentado pode garantir qualidade de vida nas cidades.

    Sem uma medida concreta de planejamento, de nada adiantarão as “cestas básicas de construção” e as “bolsas isso e aquilo”.

    Um abraço,
    Eliane

  6. A Sabesp deixando de tratar esgoto por defeito de equipamento é uma m… Depois vem o Exmo. Governador do Estado de S.Paulo dizer que a SABESP é a maior companhia de saneamento básico da América Latina. Bom, propaganda ele sabe fazer, agora ja é especialista em meio-ambiente…

    _

  7. Bom dia

    É lamentável o que vem ocorrendo no Brasil e no mundo.
    Essa ocupação de areas de varzeas e mananciais ocorre pelo crescimento populacional desordenado.
    As pessoas se reproduzem sem condição nenhuma e depois cobram do estado a saúde, moradia, transporte, enfim, se cada um cuidasse dos seus e arcasse com suas responsabilidades, essas cenas não ocorreriam.
    Outra coisa é a migração interna, São Paulo não tem mais condições de receber pessoas que não tem qualificação e moradia.
    Não é mais possível permitir que pessoas ocupem areas públicas e depois queiram que o governo pague pela desocupação do lugar.

    Abraços

    Eduardo

  8. Milton, bom dia! (se é que depois de tanta incompetência das autoridades de São Paulo podemos dizer isso…)

    Moro na região de São Miguel, na Vila Jacuí. Passo todos os dias para ir trabalhar pela Av. Imperador x Av. Augusto Antunes, próximo ao Terminal de Municipal de ônibus A. E. Carvalho.

    No trajeto para o trabalho, todos os dias vejo uma enorme placa do Governo do Estado de São Paulo indicando a construção de um complexo de apartamentos ao custo de alguns milhões de reais, o que é muito bom, precisamos de moradias mesmo.

    Ocorre que os apartamentos estão prontos há mais de 6 meses, terminadinhos, pintados, bonitos mas a CDHU não os entrega.

    Fica a pergunta: o que estão esperando? A eleição de 2010 chegar?

    E O POVO DO JARDIM PANTANAL MISTURADO COM O PRÓPRIO ESGOTO.

    Isso não pode continuar Milton. Cobra a CDHU em nome daquelas pessoas que estão precisando dos apartamentos.

    É UM ABSURDO, condicionar as ações públicas essenciais ao calendário eleitoral…

    Um abraço.

    Ronny Almeida – Advogado

  9. Ouvi a reportagem com a coelga Profa. Enga. Hidráulica Monica Porto.

    Antes da criação de mais uma taxa, onde os munícipes já contribuem com os devidos impostos em todos os setores a solução para as enchentes começa com o exercício da propria cidadania.

    O simples fato de punir o cidadão que joga degetos na via pública diminuirá em muito a sujeira de bocas de lobos, canalizações e respectivamente rios.

    Após a edução individual vem a cobrança dos orgão públicos para a cobrança da manutenção preventiva destes equipamentos de drenagem, onde estas manutenções são feitas somente em épocas antecendentes aos meses de chuva, porém a adminsitração pública não leva em consideração que o cliema está mudando e temos chuvas fora de época que acabam inundando por falta destas manutenções preventivas.

    A solução de campanhas contra a impermeabilização do solo na capital, já está insituida por lei, porém somente para edificações novas.

    A PMSP poderia no criar uma taxa por tempo determinado inserindo a mesma no IPTU por iniciativa própria, para a troca do revestimento das calçadas e passeios públicos padronizando as mesmas para os pisos “ecólogicos” ou simplesmente de pisos de cimento intertravado, aumentando em muito a área permeável da cidade, como já foram feito em algumas ruas de Sâo Paulo – Oscar Freire, Avenida Jabaquara Praça da Arvore, etc).porém executando para todas as ruas dos pontos mais altos para os pontos mais baixos (segurando a água do nível mais alto para o mais baixo).

    Da mesma forma que criar o incentivo do uso deste revestimento nas casas e prédios já construidos, e também com relação às caixas de retenção promovendo até descontos na taxa do IPTU para a criação da concientização coletiva da cidadania, e não o inverso criando simplesmente uma taxa que não saberiamos onde e como o orgão público iria investir.

    A questão de drenagem da cidade de São Paulo é uma questão complexa e delicada, e deve ser tratada envolvendo todos os níveis, incluindo os munícipes que são um dos maiores contribuintes para esta impermeabilização de solo e pela falta de cobrança ao Orgão Público, ou seja pela total falta de cidadania.

    Não simplesmente criando mais uma taxa com o intuito e sem o real objetivo de resolução da permeabilidade do solo da cidade ou de retenção das águas pluviais em cada casa do munícipe, onde novamente não teríamos meio de fiscalização de quanto é realmente esta arrecadação e de que forma está sendo utilizada, pois devido ao clima cada vez mais virão chuvas de densidade maiores.

    Infeliz a colocação da Colega Profa. Monica Porto.

    Cordialmente

    Ricardo Yamanashi
    Eng. Civil

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