De onde vem esta força ?

 

Por Abigail Costa

Uma das maiores recompensas da minha profissão de jornalista é conhecer pessoas. Em todos os lugares, gente interessante com histórias para contar. Isso, histórias. Conhecimento.

Nem sempre você vai para uma reportagem de entrega de Oscar. Nem tudo são flores, ainda mais morando e trabalhando nesta cidade chamada São Paulo.

Esses últimos dias tem sido de um enorme aprendizado. Tenho conhecido mulheres, mães. Diferentes do que tinha visto antes.

Entro na casa delas para ouvi-las. Elas falam de dor, de perda. Choram, pedem justiça, não cruzam os braços. E num dado momento a conversa ganha um rumo diferente. A voz continua embargada, mas decidida.

Encontrei com Márcia numa manifestação no centro. Ela veio do Rio de Janeiro para contar que o filho foi morto. Vítima de uma “troca de tiros com policiais”.

Márcia passou quatro anos trabalhando para mostrar a inocência do garoto de 16 anos. Conseguiu provar que os assassinos do filho eram dois PMs. Hoje, condenados e expulsos da corporação.

Já Maria Aparecida, mãe de Alexandre, descreve o que aconteceu: o filho foi morto no começo do mês na frente da família. Apesar dos apelos da mãe, do irmão de 13 anos, a cena de espancamento só parou quando Alexandre já não oferecia mais “resistência”. O crime dele: a moto estaca sem placas, disseram os policiais.

Ouvir essas histórias tristes contadas por quem mais sofreu e sofre pela falta dos filhos é difícil. Mas no meio de tanta tristeza, elas têm uma força inacreditável. No caso da Márcia, incansável. Lutaram para provar que os filhos que criaram não são bandidos.

Elas são mulheres simples.
Elas são mulheres fortes.
Elas são mães.

Abigail Costa é jornalista, mãe de dois meninos e escreve às quintas-feiras no Blog do Mílton Jung

4 comentários sobre “De onde vem esta força ?

  1. Felizmente Abigail, essa força vem de nós, ela está em nós. É que as vezes não a enxergamos, esquecemos, sei lá…
    Mas parece que temos a tendência de ofuscá-la. Como se pudéssemos deixar de sermos nós mesmos e viver do que pensa que sejamos as outras pessoas. Vivo nessa luta, tenho sorte de conseguir me ver de vez em quando. É quando sou melhor.
    Abraço

  2. Milton, outro dia vi a abordagem de uma dessas bits e fiquei surpresa pois a pessoa que estava no veiculo a minha frente, foi solicitado que parasse, continuou na pista,a pessoa nem desceu do veiculo e o aparelho que mede a dosagem alcoólica foi passado pela janela pelo PM pela porta do veiculo, foi rápido, mas se a pessoa estivesse mesmo embriagado, será que o policial empenhado iria mandá-lo descer e fazer o procedimento correto ou teria deixado ir, haja vista que era 05:00hs da manhã final de plantão…
    Desta forma é fácil falar em números de bits porque na minha opinião este não é o procedimento correto e aproveitando não tenho visto nenhuma brts.

  3. Já diz um sábio ditado: “Deus dá a cruz do peso e do tamanho que VOCÊ consegue levar”. Essa mulheres guerreiras e batalhadoras aguentam esse peso. Aos trancos e barrancos, muitas vezes, mas é assim que Deus as vê. Vendo os problemas dos outros percebemos que os nossos são mínimos e egoístas né? Ainda bem que você enocntra com muitas pessoas diferentes, todo dia, e através das histórias delas, consegue nos transmitir belos pensamentos, toda quinta. OBRIGADA!

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