As leis e os homens na tragédia de Santa Maria

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Foi preciso uma tragédia da enormidade dessa ocorrida em Santa Maria, causadora de comoção não só no Brasil, mas no exterior, que enlutou, no mínimo, 230 famílias em nosso país, para nos alertar sobre o que sempre desconfiávamos: temos leis pontuais, tal qual as que se referem à abertura de boates e estabelecimentos similares, absurdamente falhas. Algumas são estaduais, outras municipais. Umas e outras, porém, seja porque não preveem todos os quesitos imprescindíveis para as qualificar, seja porque quem tem a obrigação de fiscalizar a sua aplicação, por vários razões, certas delas condenáveis, faz vistas grossas.

 

Pergunto-me como uma lei que não liga para aquela que seria uma exigência obrigatória visando à liberação de casas de espetáculos, especialmente as que pretendem receber número elevado de clientes, não prevê que essas possuam portas suficientes para facilitar, em situações normais ou, acima de tudo, em emergências, a saída rápida das pessoas. Ou será que as leis existentes não tratam desta necessidade? Quem sabe, no entanto, isso esteja escrito, mas os fiscais, por isso ou aquilo, descumpram a exigência? Se a boate Kiss, por omissão da lei ou não sei de quem, tivesse, pelo menos, duas portas e não uma miserável saída apenas, provavelmente, a madrugada de domingo não terminaria de maneira tão trágica, mesmo que houvesse sido consumida pelas chamas provocadas pelo “sputnik” lançado contra o teto de espuma por um idiota.

 

Como de hábito, sempre que há uma tragédia, discutem-se leis e outras providências para evitá-las Essas, passado um tempo, acabam caindo no esquecimento A de Santa Maria, talvez, pela sua desgraçada magnitude, venha a receber outro tratamento. Oxalá isso aconteça. Senti-me ao tomar conhecimento do trágico episódio como se fosse um indiano ou morador de um desses países orientais, pródigos em desastres provocados pelos homens ou pela natureza. Mesmo sem confiar muito nisso, espero que os culpados pelo domingo mais trágico dos gaúchos, sejam punidos. Seja lá como for, nada, nada mesmo, será capaz de aliviar a dor das mais de 200 famílias que perderam seus entes queridos.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

9 comentários sobre “As leis e os homens na tragédia de Santa Maria

  1. Boa Tarde Milton e aos colegas blogueiros..

    Milton! sabemos que essa tragedéa de Santa Maria, vai ter varios embates politicos tanto no senado como na assembleia. Com toda certeza varios politicos vão apresentarem seus projetos salvadores e na opinião deles é panaceia.
    Como sabemos tudo isso, é oportunismo e holofotes. Nunca dão em nada.
    A pergunta que fica é: qual o cidadão brasileiro em sam conciencia que vai acreditar nos politicos que tem na sua ultma esfera um cidadão que provavelmente vai ser o presidente do senado que esta sendo condenado por varios crimes!
    Milton por acaso vc já leu o livro do grande José Lins do Rego, o Doidinho! Se vc leu, deve ter observado, que desde daquela época a familia calheiros já faziam suas trapaças. Em um dos capitulos desse livro, tem um membro dessa familia sendo procurado por dar gople nos comerciantes da época atraves de cheques sem fundo.
    Então esse politico vem sendo escolarizado desde de Itabaina.
    A coisa é seria meus caros, essa cabra tem norrall para dar e emprestar.

    Abr,

    José Sinval.

  2. Depois que vi as fotos de shows anteriores com fogos de artifício dentro da KISS fiquei intrigado como estudantes de áreas que cursam matérias de química ficaram passivos diante de tal afronta ao desastre potencializado. Afinal , creio que o espetáculo previsto continha esta aberração de fogos dentro de ambiente fechado.
    Não estou desculpando os proprietários, nem os produtores, muito pelo contrário, mas dentre tantas lições que a tragédia trará, uma delas é que os consumidores precisam se atentar aos serviços e produtos que compram.
    A propósito, o advogado destes proprietários atacando para se defender o indefensável, é no mínimo patético. Revoltante.

  3. Milton Ferreti, o problema do nosso País acredito que não seja a falta de Lei, acho que é preciso uma Lei para que se faça cumprir a Lei. Trabalhei de 82 a 98 como Discotecário de várias danceterias de SP, e percebi: Todas tinham falha de segurança (quem quiser entrar armado entra numa boa). Problema de prevenção de incêncio e saida de emergêcia. Todas tinham na época falhas graves. E o pior: todas tinham álvaras de funcionamento. Sabe como? Propina. Tinha uma casa que foi lacrada por um fiscal porque o dono cansou de pagar por fora. Sabe o que ocorreu? O dono da boate procuroui um vereador para dar um jeitinho. Por isso nas eleições os comerciantes e donos de estabelecimentos fazem campanhas para determinados politicos. Se as construtoras e o setor imobiliário podem dar dinheiro para campanhas e depois vem o presente com grandes obras e desrespeito ao Plano Diretor. E sabe o que esses comerciantes ganham? O Jeitinho Brasileiro. Lermbro que o dono da danceteria que trabalhei sabia dia e hora que a fiscalização ia chegar. Ai a casa ganhava uma maquiagem e tava tudo certo. A fiscalização deve chegar de surpresa e na hora da festa para verificar lotação da casa e se as mesas não estao nas saidas de emergencias. Outra coisa: O álvara é para musica mecânica (Um discotecário tocando a noite toda) só que da noite para o dia fazem palcos para shows com musica ao vivo com bandas e suas toneladas de equipamentos. Muitas vezes o sistema eletrico da sobregarga e escuridão total no salão esquentando fios que ficam sobre o teto do salão. O Carlos Magno tem razão: O público precisa valorizar mais seu dinheiro e não aceitar qualquer balada só porque é a balada da moda. O público precisa ser exigente como se estivesse comprando um produto. Como o produto é festa, o cliente acha que o dono do salão ta fazendo um favor para ele e não o contrário. O fato de ter álvara não significa que o local e seguro e foi fiscalizado. E como a inspeção veicular. Vc faz a inspeção e ganha o selo. Em 3 meses seu escapamento furou, catalisador quebrou ou entrou agua no motor e o seu carro sai fumaçando. Ou seja, vc tem o selo mas as coisas deterioram. Com as casas noturnas tbem é a mesma coisa. Ha o desgaste das coisas mesmo que vc tenha o alvara. Por isso, fiscalização surpresa pelo menos de 2 em 2 meses.

  4. Muito se fala sobre extintores de incêndio.
    Mas a maioria não serve para muita caisa, alem de prover dinheiro para os interessados (fabricantes e comerciantes).
    O que se deve dizer é que é preciso procurar com vela acesa um indivíduo que um dia apagou um incêndio com um extintor.

    Se usarmos um extintor contra um foco de incêndio, esse aparelho lança um fluxo intenso de gaz e produtos por poucos segundos e depois só serve para bater na cabeça de quem inventou essa coisa.

    Contudo, só falar o problema não basta, tem também que ter a solução.
    A solução é substituir esses extintores caros, por uma simples caixa d´água extra no teto do imóvel e uma mangueira que alcance os seus quatro cantos. Isso resolve porque a água apaga qualquer tipo de fogo.

    Adicionalmente, poderia ser desenvolvido um equipamento alimentado por bateria com tipo de bomba para pressurizar essa água, assim teremos um jato de água consistente mesmo quando sem energia elétrica.

    Garanto que assim as pequenas empresas gastariam menos do que se gasta hoje com esses extintores que são caros para serem implantados e ainda tem que ser carregados todos os anos.

  5. É de se lamentar e muito que somente a partir das tragédias a sociedade, representada pelos orgãos competentes, tomem providências para evita-las.
    De certa forma é assim mesmo, a partir das necessidades é que se fazem as leis, mas aqui em nosso país a coisa é demais de última hora ou somente após. Leis pontuais são criadas e geralmente motivadas por fortes comoções, como é o caso de Santa Maria e nesse ambiente tendem a ser frágeis. Muito além das leis a consciência deveria prevalecer. Não dá para aceitar que empresários, orgãos fiscalizadores e os próprios usuários apostem na sorte.
    Infelizmente nessa oportunidade ela não esteve presente.
    Lamento com o coração na garganta, indignado e quase desiludido.

  6. Qualquer obra que é feita no país inteiro, depois do projeto final e executivo aprovado este com certeza vai sofrer muitas modificações ao gosto e vontade do proprietário e depois fica por isso mesmo!

    Principalmente se o proprietário for pessoa com bom relacionamento politico, rico, milionário, poderoso, etc

  7. Senhores,

    O que muitos brasileiros como esse que vos fala, temiam, ocorreu. O sr. renan foi eleito presedente do senado.
    No calor da emoção dessa triste e inesquecivel tragedéa de Santa Maria, estamos esquecendo de estarmos discutindo essa situação que com certeza vai impactar muito na nossa vida.
    Para os politicos não, eles estão acostumado a comer no mesmo coxo mas nós não. Agora é hora de comesarmos encomodar os senadores, deputados federais e se possivel até a presidencia da republica. Seria muito importante todos os dias enviarmos e-mail para todos eles ou seja enchermos a cx. de mensagem deles com mensagens de repudio a mais essa afronta com o povo brasileiro.
    Milton não seria bom colocar isso em discursão?

    Att,

    Jose Sinval.

  8. Sr. Sergio coment.4.
    Lendo o seu comentário sobre o extintor de incêndio, eu gostária de tercer o seguite comentário discordando da sua posição. Quando o sr.fala que tem que procurar a luz de vela, quem já debelou um incêndio com o extintor, nesse ponto, o sr. tem razão pois, o extintor que podemos chamar de agente extintor, realmente não serve para debelar incêndio e sim principios de incêndios. Talvez não só o sr. mas muitas pessoas acham que invcêndio e fogo é a mesma coisa e não é. Fogo é toda chama que esta sobre controle. Por exemplo: a chama de um isqueiro, a chama do queimador de um fogão, o fogo de uma churrasqueira, etc.
    Esses exemplos, chamamos de fogo. Que na verdade é principio de incêndio. E ai, podemos tranquilamente apagar com um agente extintor. É claro, respeitando a classe de cada um. Ja o incêndio, é todo aquele fogo que foge do nosso controle. Por exemplo um incêndio em um tanque armazenador de conbustivel de uma refinaria, os incêndios que ocorreram nas favelas de SP, etc. Esse tipo de incêndio, realmente, não vai ser debelado com um agente extintor. Tem que ter ação do Corpo de Bombeiros.
    Então sr. Sergio o extintor ou o agente extintor tem grande importancia para todos aqueles que trabalham com ou proximo de materiais que sofre imflamabilidade.
    Outra situação importante que, grande parte da pupulação desconhece, as classes de incendio. Por que, quando ligamos para o Corpo de Bombeiros, é fundamental informar a classe do incêndio pois, para cada classe de incendio, existe um agente debelador, um agente extintor. Os incêndios estão classificados em: A, B, C, D.
    O incêndio de calsse A, é todo aquele que ocorre em matériais que queimam e deixam residuos. Exemplo: madeira, papel ou seja fibras em geral. Agente extintor utilizados é água pressurizada e água normal mesmo.
    Incêndio de classe B, é aquele que ocorre em liquidos inflamaveis. Exemplo: gasolina, alcool, tinatas, etc. O agente extinor, é espuma quimica, pó quimico seco. Incêndio de classe C, é aquele que ocorre em materais eletricos. Exemplo: motor, paineis eletricos, computadores etc. O agente extintor é o CO2 e pode ser utilizado o pó quimico seco. Só lembrando que ao utilizar o pó quimico, o equipamento é danificado mas, pode ser utilizado em falta do CO2. Incendio de classe D, é aquele que ocorre em metais. Exemplo: liga de magnesio, aluminio, vanadio e outros. O agente extintor utilizado, é o pó quimico seco especial, aréia e também limalha de ferro.
    Sr. Sergio, eu sei que o texto, ficou um pouco grande mas, o objetivo é para esclarecer as suas duvidas com relação aos agentes extintores.
    Caso o sr, tenha mais duvidas posso lhe ajudar esclarece-las.

    Abr,

    José Sinval.

  9. Ainda nao entendi porque nao se questiona de quem foi a ideia brilhante de revestir a boate com espuma altamente inflamavel. Quem autorizou a compra e instalacao desse material obviamente irregular..? Os bombeiros nao viram isso?? O resto foram erros que vc encontra em lugares publicos praticamente no Brasil todo.. Pequenos incendios devem ser corriqueiros nesses lugares, existem bailoes em galpoes de madeira com instalacoes eletricas adaptadas e nao ocorre nada na proporcao de Santa Maria. A unica diferenca q vejo foi a espuma inflamavel toxica. No resto demos sorte ate hoje.

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