Passe livre: a origem

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

O Movimento Passe Livre iniciado em 2005 e gerador das atuais manifestações que se alastraram por todo o país, depois de ter sido contemplado por Dilma Rousseff para iniciar a lista das reuniões presidenciais, teve ontem a aprovação da PEC 90/11 da tarifa zero, pela CCJ Comissão de Constituição e Justiça. Vitória e tanta, se considerarmos que ao levar o tema ao presidente Lula ouviram: “A idade é boa por isso. Quando a gente chega a ter 60 anos de idade, atinge a maturidade. Quando governa o Brasil, a gente tem seriedade. A gente não pode ficar entendendo que pode chegar um grupinho de pessoas e falar: ‘eu quero cinema de graça, eu quero teatro de graça, eu quero ônibus de graça’. Eu também quero tudo de graça, mas nós temos de trabalhar.” (Folha de S. Paulo, 16/03/06).

 

A verdade é que a deputada Luiza Erundina, autora da proposta da tarifa zero, é a origem de todo este processo. Em 1990, quando Prefeita de São Paulo, não conseguiu nem a votação ao Projeto do transporte gratuito, elaborado por seu Secretário dos Transportes Lúcio Gregori. Além de não ter maioria na Câmara, o PT, seu partido, foi contra. Ainda hoje Haddad considera utopia a sua execução. Erundina parte do princípio que a locomoção urbana é algo que pode ser colocada como a iluminação pública, ou o serviço do lixo. Deve ser inserida no IPTU, de forma que aqueles que podem mais paguem mais. Os que podem menos paguem menos. E, os que não podem não paguem.

 

Utopia ou não, o passe livre já existe no exterior e no Brasil em algumas cidades. Para uma concentração grande como São Paulo pode ser uma temeridade. Entretanto, ao mesmo tempo, há sistemas menos engessados que poderiam ser analisados. Há cidades em que algumas linhas são gratuitas. Outras as distinguem por áreas, em função da necessidade da população local.

 

Entre tantas incertezas, há a certeza da diversificação das necessidades. E neste caso é preciso respeitar esta segmentação. Como sempre se faz nas melhores práticas de mercadologia. Atendamos os consumidores oferecendo serviços e produtos adequados às suas necessidades. Por que não?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

7 comentários sobre “Passe livre: a origem

  1. Desconfio muito das pessoas que acham que as coisas devem vir p/ elas
    “de graça”, pois geralmente são pessoas pouco ou nada produtivas, se não, observem c/ mais critério!
    Considero razoável tarifas subsidiadas, mais baratas e justas.
    REFORMA TRIBUTÁRIA, JÁ!!!
    Moro em Belo Horizonte, Representante Comercial Industrial, 54 anos.

  2. Parabéns aos nossos manifestantes por exercerem a cidadania de forma pacífica e muito criativa. Nosso povo é da PAZ.

    Aos que fazem a confusão, ponderem, pois os gastos com a recuperação de bens sai do bolso do trabalhador.

    Como o colega de BH comentou, também acredito que as tarifas subsidiadas, mais baratas e justas correpondem a uma solução viável: um exemplo são as integrações entre todas as linhas de ônibus, metrô e trem como ocorre no exterior (exemplo real e atual: Canadá) com preço EXTREMAMENTE reduzido principalmente sobre passe mensal. Além disso, existem ainda passes com integração semanais, diários e para finais de semana; este último podendo ser para uso individual ou em grupo/famíllia com 2 adultos e 3 crianças o que incentiva o passeio e a descoberta da cidade utilizando transporte público.

    Gentileza, gera, gentileza!
    Sejamos firmes, convictos, bem informados, flexíveis quando necessário, trabalhadores competentes, mas… bem educados, gentís.
    Essa é a cara do Brasil.

  3. Geraldo Paulino, o seu modo de ver é o mesmo de Lula, e creio de parte da população brasileira. De qualquer forma a proposição deverá ao menos ser analisada, principalmente no mundo atual em que as cidades cada vez maiores exigem gastos em locomoção, que para os pobres pode significar grandes distancias.
    Há ainda que considerar que a vida no campo exige menos mão de obra, e a população urbana tende a crescer, evidenciando a questão da mobilidade.

  4. A gratuidade é tentadora.
    Mas a qualidade do transporte público é de qualidade?
    Está muito longe disso.
    Creio que melhorar a qualidade com custo zero é muito difícil. O dinheiro tem que sair de algum lugar…
    Creio que ter um transporte caro e com uma qualidade tão sofrível é um desrespeito com o trabalhador, com o estudante, e, em última análise, com o contribuinte. Nós pagamos impostos para que sejam empregados com qualidade, honestidade e responsabilidade.
    Buscar a utopia do transporte gratuito poderia ser até possível em São Paulo, mas não poderia ser realidade da maioria dos mais de 5.000 municípios brasileiros.
    Obrigado.

  5. George Hobert, tudo indica que a solução mais equilibrada é o respeito com a segmentação de mercado. Isto é, a compatibilidade entre a qualidade ofertada e o preço.
    Dentro deste aspecto poderíamos ter até linhas que seriam gratuitas, com qualidade menor e linhas que fossem mais completas e até serviços com ar condicionado que ajudariam a tirar automóveis das ruas.

  6. Amigos conheço as três cidades do Brasil onde existe a Tarifa Zero! São pequenas cidades que se tivessem transporte cobrado teriam menos passageiros, fato 1!
    O transporte nessas cidades entre as quais destaco Porto Real/RJ e Agudos/SP é feito com ônibus velhos, fato 2!
    No caso de AGUDOS que conheço muito e como disse a reportagem da RECORD NEWS exaustivamente repetida como “modelo”! digo que dos 14 ônibus disponíveis para 35 mil habitantes apenas 4 (quatro) são usados em linhas urbanas e são apenas 2 linhas circulando de hora em hora, sendo que os outros 10 ônibus cumprem apenas e exclusivamente o transporte escolar.
    Dos 12.000 usuários do sistema, a maioria é constituída de passageiros comuns, porém a prefeitura “espertamente” colocou juntamente nesse número o resultado do transporte escolar. Sabemos que o transporte escolar é uma coisa e o transporte urbano é outra. Então temos ainda mais dois aspectos a serem analisados.
    Os ônibus são velhos, a maioria de fabricação antes de 2000. Fui lá e constatei in loco, são ônibus de marca CAIO modelo Alpha ano 1997 ou seja 16 anos de uso, fato 3!
    Nos horários de pico eles circulam lotados igual ao de outras cidades, apesar de que eventualmente nesses horários são disponibilizados ônibus exclusivos do transporte escolar para auxiliar o transporte de passageiros urbanos, fato 4! Inclusive comprovado na reportagem da Record News porém omitindo-se que parte da frota escolar fazia esse serviço.
    Transporte urbano ideal seria um ônibus para cada 1.000 habitantes, como AGUDOS tem 14 ônibus e 35 mil habitantes, logo facilmente conclue-se que ELE NÃO ATENDE TODA A CIDADE E NÃO HÁ DIVERSIDADE DE DESTINOS TAL COMO NO SISTEMA DE OUTRAS CIDADES DE MESMO PORTE !
    A manutenção e os funcionários é por conta da prefeitura. Se as 5565 prefeituras quiserem comprar essa idéia poderão fazê-lo bastando ressuscitar as CMTCs, CTCs e outras Cs da vida que existiam no Brasil nos anos 50, 60, 70 e 80 sendo que a última gigante estatal de transporte foi privatizada pelo “general”Paulo Salim Maluf em 1993 tão logo pela primeira vez na vida ele assumiu o poder como prefeito de SP e pelo voto direto ! Os quase 30.000 funcionários da CMTC que votaram nele se ferraram ! Alguns estão desempregados até hoje vivendo de trabalho informal (mototáxi, camelôs etc…)

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