E as ciclovias!?

 

Por Julio Tannus

 

Ciclovia_Fotor

Trabalhei desde 1975 com o sistema de transportes na cidade de São Paulo: SISTRAN – Sistema de Transportes para a cidade de SP, no governo Olavo Setúbal na Prefeitura e Paulo Egídio Martins no Estado. Participei de projetos no Metrô e coordenei projeto para um novo sistema de trólebus. No governo Franco Montoro (governador) e Mário Covas (prefeito) atuei no projeto Participação e Descentralização.

 

Tudo engavetado!

 

Mudam-se os personagens e a peça é outra! O que é preciso mudar é essa estrutura política infame!

 

Lutei ferozmente, enquanto presidente e fundador da Sociedade Amigos da Região da Praça-do-Pôr-do-Sol para um novo Plano Diretor para a cidade de São Paulo, no governo Marta Suplicy: só faltou sair tiros, não fosse a intervenção da polícia, pois em uma das reuniões descobriu-se que o lobby imobiliário havia “comprado” alguns participantes para que votassem a favor de seus interesses.

 

Falando das ciclovias: essa medida é totalmente irresponsável, pois não há nenhum controle sobre as bicicletas, não se tem qualquer registro de quem é o proprietário, de quem está dirigindo, e assim por diante. Afora a questão da (in)segurança: se somos assaltados dentro de nossos carros, o que dirá em cima de uma bicicleta!

 

E há quem a defenda, citando como referêcia algumas cidades europeias. Amsterdã, por exemplo, é uma cidade totalmente plana, com uma população incomparavelmente menor e socialmente diferente da nossa.

 

E as ciclovias foram construídas nesse período totalmente atípico de falta de chuva.

 

Como diz o sociólogo Zygmunt Bauman sobre os dias atuais, quando, na visão dele, a experiência e a maturidade não têm mais vez: “aprender com a experiência a fim de se basear em estratégias e movimentos táticos empregados com sucesso no passado não funciona mais”.

 


Julio Tannus é Consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier)

5 comentários sobre “E as ciclovias!?

  1. Sr. Julio Tannus, em primeiro lugar, gostaria de parabenizá-lo pelo seu currículo. Mas permita-me colocar um ponto de interrogação sobre seu artigo. Em um primeiro momento, o Sr. coloca o ciclista como agente de insegurança, para logo em seguida colocá-lo como vítima potencial (?). Vivemos em uma zona metropolitana que é o protótipo do caos, da anomalia, da aberração total da idéia de sociedade. E, certamente, uma das consequências mais nefastas do desenvolvimento anaplásico desta metrópole é a impossibilidade de mobilidade urbana. Certamente, o que a prefeitura de S. Paulo vem fazendo pode estar longe do ideal, mas seria possível imaginar a implementação de um sistema de mobilidade ideal em uma sociedade tão distante deste? Eu tenho 50 anos de idade, nasci e vivo nesta cidade. Desde que me conheço por gente, fala-se que um dia a cidade pararia por completo. Estamos bem próximo disso, concorda? Tenho certeza de uma coisa: algo revolucionário e, de certa forma, radical, precisava ser feito, mesmo que custasse o confronto com a opinião pública. E é por isso que aplaudo o prefeito Fernando Haddad. Foi lançada a pedra fundamental de uma revolução na mobilidade urbana de nossa caótica metrópole. Caberá aos futuros governantes ter a coragem da continuidade e do aperfeiçoamento. Se seremos uma Amsterdã um dia eu não sei. Provavelmente não estarei vivo para ver. Mas em 2014 começamos a deixar de ser um pedaço do inferno sobre a Terra, ao menos em relação à locomoção.
    PS: antes que alguém questione, friso que não votei no Haddad. Não sou petista. Não votei nem mesmo na Dilma. Sou médico, trabalho em 3 locais diferentes, um destes a mais de 20 km de minha residência. E, há alguns anos, abandonei meu carro particular, que somente é usado nos finais de semana, quando muito. A maior parte das pessoas que usa o carro particular poderia e deveria fazer o mesmo, mas preferem esperar que nos transformemos antes em Amsterdã, para tomar uma atitude individual.

    • Meu caro Dr. Mauro, como coloquei em meu texto, além de criticas que venho fazendo a administração pública em nosso país – federal, estadual e municipal – critico também a forma como as ciclovias vem sendo implantada. Será que é essa a forma tecnicamente mais eficiente para acabarmos com os sofridos congestionamentos em nossa cidade? Certamente, em minha opinião, que não. Poderia traçar aqui uma longa explicação sobre outras alternativas para a solução desse nosso sofrimento. Por ora, fico por aqui. Agradeço suas considerações.

  2. Eu acrescentaria ainda caro Dr. Mauro dois comentários: 1) há um bom tempo existe uma tecnologia para semáforos inteligentes – no cruzamento entre duas vias o sistema detecta qual via não está passando veículo ou tem pouco volume de tráfego e dá preferência para a via mais congestionada. 2) Os nossos motociclistas se sentem donos de nossas avenidas e ruas, não respeitando nenhum limite de velocidade, quebrando nossos espelhos retrovisores e outras agressões. Por que não temos instalados semáforos inteligentes e porque não há qualquer regulamentação para o tráfego de motocicletas?

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