Os robôs vêm aí. E daí?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Estudos da Universidade de Brasília relatam que em sete anos podemos ter mais da metade dos empregos formais executados por robôs ou sistemas inteligentes. A pesquisa realizada pelo Laboratório de Aprendizado de Máquina em Finanças e Organização da UnB concluiu que 57% dos brasileiros (25 milhões) exercem funções com probabilidade muito alta ou alta de serem substituídos pela tecnologia. Por exemplo, cobradores de transportes coletivos, recepcionistas de hotel e taquígrafos. Enquanto que as profissões como analistas de computação, engenheiro de sistemas operacionais e psicanalistas estão fora da automação.

 

Convenhamos que esse cenário é antes de tudo estimulante. Afinal, a priori, a tecnologia e o homem estarão sempre em evidencia.

 

Com o intuito de identificar o que ocorre em um dos mercados mais próximos de substituição do trabalho humano pela tecnologia — que é o atendimento on line — fomos verificar como o maior player de plataforma de atendimento ao Consumidor, a Hi Platform, está operando.

 

Em 2012, pioneiramente, através de Alexandre Bernardoni, seu fundador, a Hi Platform começou a comercializar chatbots*, procurando substituir o trabalho humano nos SAC. Essa atividade hoje é desenvolvida por conteudistas que precisam ter conhecimento de linguística, de comunicação e de ciências humanas. Segundo Fábio Miranda, o diretor que nos atendeu, a tarefa inicial é identificar os problemas em escala e as soluções em escala — separando-as e aglutinando-as de forma a poder deixar de utilizar nesses casos o atendimento humano.

 

Há trabalhos realizados em call center nos quais se identificou, inicialmente, que 50% das solicitações poderiam ser atendidas por máquina, resultando eliminação significativa de posições. Com o progresso do trabalho dos gestores de conteúdo, pode-se chegar a fortes reduções. Entretanto, Miranda ressaltou que, ao mesmo tempo, o conteudista percebe quando é extremamente importante passar ao atendimento humano.

 

Dentre os 900 clientes atendidos pela Hi Platform, a Netshoes resolve pelo Hi Bot 51 mil dos 100 mil atendimentos mensais que trafegam pelo robô; a SKY, com 300 mil atendimentos mensais que trafegam pelo bot, tem 29% do SAC resolvido exclusivamente pelo assistente virtual. A Passarela, terceiro maior e-commerce de moda, em um ano passou para o robô 40% dos atendimentos.

 

 

A Hi Platform com o foco em bots de atendimento — para liberar o telefone e o chat humano; em vendas, agindo em demanda latente; e com motor próprio de processamento de linguagem natural que opera em três línguas — é um fornecedor natural ao varejo omnichannel. E a grandes demandas específicas de vendas e atendimento, capacitada inclusive em evitar congestionamentos como Black Friday, etc.

 

As posições perdidas nos call centers estão sendo substituídas por funções mais qualificadas como as de gestão de conteúdo. Ao mesmo tempo, aos que fecharam, surgiram empresas como a Hi Platform, com 160 funcionários dos quais 14 conteudistas e 30 desenvolvedores. Os demais, em atividades de marketing e administração.

 

A previsão da chegada dos robôs deve ser considerada com a cautela histórica da inutilidade do estudo da melhoria da iluminação a gás quando surgiu a invenção de Thomas Edison com a energia elétrica. E com a certeza de que a tecnologia e as ciências humanas serão sempre necessárias.

 

Que sejam bem-vindos os robôs!

 

*Chatbot é um programa de computador que tenta simular um ser humano na conversação com as pessoas. O objetivo é responder as perguntas de tal forma que as pessoas tenham a impressão de estar conversando com outra pessoa e não com um programa de computador.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Um comentário sobre “Os robôs vêm aí. E daí?

  1. Eles não estão chegando, eles já chegaram. A inteligencia artificial é uma realidade que se desenvolve mais e torna-se melhora cada dia. Esses percentuais de atendimento por robôs só tendem a aumentar.

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