Quem enxerga melhor, o lojista ou o Shopping?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Ao ouvir de Andreas Blazoudakis, com a bagagem de 17 milhões de
pedidos mensais atendidos no iFood, que teve dificuldade de convencer
os Shopping Centers da realidade do “on line to off line”, achei oportuno atentar para alguns pontos do processo de inovação.

 

No programa Show Business, em que foi entrevistado pela Sonia Racy,
André expôs a dificuldade inicial que teve ao convencer aos Shoppings que
eles não iriam perder os clientes com o delivery, pois eles já tinham
perdido.

 

Os números não são pequenos, pois 15% das vendas do negócio
estão no delivery. Além disso a recuperação do espaço perdido era viável, pois fora dos Shoppings os custos são mais elevados na formação dos
centros de distribuição. O Shopping é um centro já existente.

 

Ainda assim, foram os lojistas que entenderam e convenceram os
primeiros Shoppings a aderir ao delivery. A BRMalls aquiesceu à novidade seguida pelo Grupo Trigo, Outback, Multiplan e José Galló. Todos como
sócios.

 

Creio que cabe aqui uma reflexão sobre a questão da visão e da
criatividade, pois levamos 20 anos para os Shoppings aceitarem o sistema
virtual.

 

Será que nós os brasileiros somos tão criativos como achamos?

 

Pelo menos não somos os únicos, pois segundo Charles Bezerra, diretor da
?What If! — uma empresa global de inovação e criatividade –, no prefácio
do livro “Os verdadeiros heróis da INOVAÇÃO”:

“Quase todos os países do mundo pensam que são os mais criativos. Do Alasca à Nova Zelândia”

Matt Kingdon da ?What If!, o autor, foca no livro que a inovação vem pela mistura de pensamentos brilhantes, uma imensa dose de determinação e ousadia e um grande golpe de sorte ou serendipidade.

 

Serendipidade?

Um Conto popular na Veneza do século XVI define bem serendipidade:

 

Três príncipes de Serendip (Sri Lanka),foram enviados pelo pai a uma viagem para ver se estavam aptos ao trono. Cruzaram com um condutor de camelo que indagou se tinham visto o animal perdido, e eles responderam:

 

“Seu camelo é cego de um olho, tem um dente faltando e está transportando manteiga e mel”.

 

Pela associação de várias observações distintas explicaram:

 

“A grama foi comida em apenas uma das margens, o que só um animal cego o faria. A grama estava espalhada de forma desigual, possivelmente um dente estava faltando. As formigas em um dos lados da estrada indicavam a presença de manteiga. As moscas de outro lado, de mel”.

Serendipidade, diz Kingdon, é, portanto, um resultado feliz e proveitoso
que pode ter sido inesperado, mas não foi descoberto por puro acaso. O que parece sorte na realidade é algo arduamente alcançado.

 

Sob esse prisma, a inovação em princípio fica mais factível nas “startups”, mas se limitam pelo capital. Enquanto as grandes empresas têm condições de capital, mas limitações corporativas.

 

De qualquer forma será preciso enxergar melhor.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do
Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos
Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

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