Tolere o risco da queda

Por Simone Domingues 

@simonedominguespsicologa

Photo by Afta Putta Gunawan on Pexels.com

“Quanto mais alto o voo, maior a queda”, diz o ditado.

Diante de experiências de vida que parecem desafiadoras, muitas vezes, relutamos em assumir riscos, desejamos garantias e, em geral, evitamos as situações por medo dos desfechos ou resultados.

Medo de quê?

Medo da perda.

Medo da perda de tempo, de pessoas, do tempo perdido com as pessoas.

Medo do arrependimento.

Desejamos certezas porque acreditamos que se o resultado não for como o esperado, que se algo der errado, nossa infelicidade será tão intensa que não seremos capazes de suportar.

Tememos os julgamentos e críticas, alheios e de nós mesmos.

Não raro, criamos em nossas mentes previsões catastróficas, exageramos na intensidade e duração de um resultado, sem antes mesmo considerar as diversas possibilidades que se abrem diante de nós, quando nos permitimos conhecer novos horizontes. 

Evitamos agir e assumir riscos, como se isso fosse escudo para um sofrimento futuro, ignorando que viver uma vida aprisionados pelo medo, coloca bolas de chumbo em nossos pés, nos aprisiona.

E isso também não seria uma forma de sofrimento?

Tememos as quedas por desconsiderar que nos possibilitarão experiências, conhecimentos sobre nós mesmos que poderão nos orientar para o futuro.

Por que conseguimos tirar as rodinhas de apoio da nossa bicicleta?

Porque assumimos tolerar o risco da queda, descobrir como a gente poderia se equilibrar e, desde então, ter confiança em nossa ação.

Talvez a gente precise testar as nossas previsões, reduzir a necessidade de certeza e aumentar a confiança na nossa habilidade de enfrentamento.

E se ainda assim a gente continuar com medo, então sugiro que possamos nos inspirar nas palavras de Martin Luther King: 

“Se não puder voar, corra. Se não puder correr, ande. Se não puder andar, rasteje, mas continue em frente de qualquer jeito”.

Você está pronto para decolar?

Simone Domingues é psicóloga especialista em neuropsicologia, tem pós-doutorado em neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do canal @dezporcentomais, no YouTube. Escreveu este artigo a convite, no Blog do Mílton Jung. 

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