Botafogo 3×2 Grêmio
Brasileiro — Nilton Santos, Rio de Janeiro
Havia duas lendas no banco do Grêmio nesta noite no Rio de Janeiro.
Luiz Felipe Scolari, que conquistou alguns dos principais títulos da nossa história, entre eles o Campeonato Brasileiro e a Libertadores da América.
E Renato Portaluppi, protagonista das maiores conquistas já alcançadas pelo Grêmio, técnico mais vezes campeão pelo clube — ao lado de Oswaldo Rolla — e único a merecer, até agora, uma estátua de bronze na Arena.
Somados, Felipão e Renato conquistaram 17 títulos como treinadores do Grêmio. Acrescente mais cinco à conta de Renato como jogador, incluindo o Mundial Interclubes de 1983.
A imagem dos dois lado a lado, exatamente na semana em que o Grêmio completou 123 anos de fundação, era suficiente para acelerar o coração. A emoção tomava conta do torcedor e trazia uma tremenda saudade dos tempos em que a ideia da imortalidade se materializava nos gramados do Brasil e do mundo.
Iludidos que somos, apesar de todas as limitações que nos acompanham ao longo do ano, chegamos a imaginar que alguma energia vinda do passado contaminaria o time. Quem sabe resolveria nossos problemas, mesmo que por apenas uma noite.
O Grêmio saiu atrás no placar e conseguiu empatar ainda no primeiro tempo. Parecia o início da virada. A realidade, porém, se impôs. Permitimos que o Botafogo abrisse dois gols de vantagem e, mesmo assim, continuávamos olhando para o banco de reservas, à espera de alguma intervenção sobrenatural.
O gol milagroso até surgiu. A tecnologia, porém, impediu que ele se realizasse.
A realidade já não permite tamanho romantismo. Quando a bola começa a rolar, as limitações do elenco e a fragilidade tática ficam escancaradas. O time parece ter evoluído muito pouco desde o início da temporada. Faltam organização, segurança e capacidade de reagir sem depender de um lance fortuito ou de alguma lembrança gloriosa.
Felipão e Renato carregam uma parte fundamental da grandeza do Grêmio. Representam aquilo que fomos e tudo o que ainda desejamos voltar a ser. Só não podem entrar em campo. Nem suas histórias são capazes de marcar, organizar a defesa ou corrigir os erros de um time sem rumo.
Para escapar da situação em que estamos, será preciso muito mais do que a força mística de nossos ídolos. O passado pode inspirar, aquecer o coração e até alimentar a esperança. Quem precisa salvar o Grêmio, porém, está no presente.
E, por enquanto, o presente não está à altura da nossa história.
