Medo, pânico, fobia e pavor

Por Beatriz Breves

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Costumo dizer: infeliz aquele que não sente medo. É justamente uma dosagem adequada desse sentimento que nos permite ter cautela até ao atravessar uma rua. Sem um mínimo de medo, poderíamos colocar os pés no asfalto sem considerar o movimento dos automóveis, arriscando-nos a ser atropelados.

O medo é um sentimento natural que nos protege diante de um eventual perigo. Ele nos leva a parar, observar e avaliar a situação antes de prosseguir. Entretanto, dependendo de sua intensidade, pode dificultar nossos movimentos e até nos paralisar.

Embora não existam fronteiras nítidas entre medo, pânico, fobia e pavor na experiência de quem os sente, podemos reconhecer diferenças quanto à intensidade, ao foco da ameaça e à maneira como se manifestam.

Na fobia, o medo está voltado para algo específico, como um animal, um objeto ou uma situação. Sua intensidade pode ser tão grande que a pessoa passa a evitar aquilo que teme, mesmo quando o perigo é pequeno ou inexistente.

No pânico, o medo pode ser intenso e avassalador. Uma crise de pânico pode vir acompanhada de sensações físicas e de uma percepção de perigo iminente. Nem sempre a pessoa consegue identificar claramente o que desencadeou essa experiência.

Já o pavor, na minha experiência subjetiva, situa-se entre o medo e o terror: seria mais intenso que o primeiro e menos intenso que o segundo. Surge quando nos sentimos ameaçados, desprotegidos e indefesos, podendo nos paralisar e vir acompanhado de angústia e ansiedade. Pode ocorrer tanto diante de uma ameaça específica quanto quando não conseguimos reconhecer claramente a origem do que sentimos.

Se uma dosagem adequada de medo nos ajuda a cuidar da vida, sua intensidade excessiva pode restringir nossa maneira de viver. Por isso, compreender o que sentimos também implica perceber quando o medo nos protege e quando limita nossos caminhos.

Para isso, é importante reconhecer a quais outros sentimentos o medo se associa. Quando acompanhado de confiança em nós mesmos, pode nos ajudar a reconhecer o perigo e a agir com cautela. Já quando se associa ao sentimento de onipotência, podemos desconsiderar seus sinais de alerta, acreditando que nada nos atingirá e, assim, ficar desprotegidos.

Enfim, reconhecer nossas vulnerabilidades e fortalecer a confiança em nós mesmos não significa deixar de sentir medo, mas também compreender os sentimentos que o acompanham e, assim, encontrar condições para caminhar com mais cautela e segurança na vida.

Beatriz Breves é presidente da Sociedade da Ciência do Sentir. Psicóloga, bacharel, licenciada com especialização em Física (FAHUPE). Mestre em Psicologia (AWU/USA). Psicanalista (SBPRJ/IPA). Psicoterapeuta de Grupo (SPAG–E.Rio). Sócia titular do Pen Clube do Brasil. Integra o Quadro Efetivo da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB). Publicou O Eu Fractal e outros livros, pela ed. Mauad.

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