Por Sônia Alves
Ouvinte-internauta do CBN São Paulo
“Caro Mílton,
Ouvi quando você, em boa conversa com Sidney Resende, pronunciou a seguinte frase: “eu não sei o que acontece com a educação de São Paulo”, se referindo às péssimas notas dos estudantes no exame de avaliação da qualidade do ensino.
Pois bem, se me permite, eu tenho uma avaliação que, bom frisar, não é só minha, mas compartilhada com vários educadores de renome no país, qual seja, a educação no Estado de São Paulo sofre de falência, resultado de um programa educacional equivocado que priorizou a liberação de novas vagas em detrimento da qualidade do ensino. A política da aprovação automática (e não progressão continuada) visou matricular e empurrar série acima o maior número de alunos para dar satisfação a inúmeras cobranças de índices de analfabetismos e de falta de vagas, sem nenhuma preocupação com conteúdo pedagógico e com o aprendizado.
Essa foi, e está sendo, a política do PSDB em todos esses anos à frente do governo do Estado. E essa é uma visão que compõe todo o pensamento neoliberal, que tem na educação uma ferramenta de formação de mão-de-obra barata para o mercado de trabalho e que, portanto, oferece aos pobres uma escola pobre e não mais que isso.
Se compararmos, as medidas adotadas pelo governo Kassab, elas vão na mesma linha: esvaziaram os CEUS das atividades culturais e esportivas, transformando-os apenas num escolão, com a desculpa da dificuldade de articulação entre as secretarias envolvidas para implantação de atividades integradas.
Em outras palavras, a burocracia está acima das necessidades da população. Então, tira-se o acesso à cultura e aos esportes da comunidade, das crianças e dos jovens da periferia. Afinal, de acordo com os preceitos neoliberais, o estado tem que ser mínimo e a riqueza e o conhecimento para poucos. Essa é a lógica”.
Sônia Maria Corrêa Alves é economista e participa do CBN São Paulo por e-mail comentando os temas discutidos no programa.