Do alto da escadaria
uma paisagem bizarra
se desnuda ante meus olhos.
Reflexo de meu fascínio
pelo bairro que tanto amo,
de onde retiro o alimento
para os sonhos que sustento.
Como poeta solitária
em um mundo tão povoado,
os fantasmas do passado
acalento entre meus braços.
Bixiga tradicional,
por contraste, de vanguarda.
Região de tantas luzes
e de sons alucinados.
De pureza e sedução
de extravagantes pecados,
prostitutas, travestis,
parzinhos apaixonados.
De casais bem comportados,
de motéis sempre lotados.
De prédios ensolarados,
de becos, vilas, malocas
de malandragens, macumbas,
de entusiastas do samba,
de paulistas de costado,
de imigrantes arraigados.
De pizza, macarronada,
de vinhos, queijos, salames,
de um chopinho bem gelado.
De feiras, festas e crimes,
teatros, bares, cantinas,
buzinas, vaga ocupada,
guarda-carros e ambulantes.
Da Achiropita famosa,
de campanários e fé.
Da via expressa, da pressa,
dos passeios demorados.
De encontros despreocupados,
de luar, de serenata,
de meus antigos cismares,
de meus projetos futuros.
Do meu fervor, do meu pranto,
do meu gáudio, do meu riso,
Bixiga do meu encanto!
Amaryllis Schloenbach é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você ainda pode participar das comemorações dos 468 anos da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
Ao longo da história da humanidade, diferentes conceitos sobre o adoecimento mental conduziram a práticas desumanas que em muito contribuíram para os estigmas e preconceitos sofridos pelas pessoas que têm transtornos mentais.
Doentes mentais já foram considerados hereges; foram colocados em embarcações que vagavam à deriva por rios europeus; foram considerados perigosos e levados à prisão; já foram trancafiados em hospícios, excluídos do convívio social.
O avanço científico, especialmente o desenvolvimento das neurociências, permitiu novas compreensões e tratamentos dos transtornos mentais. Além disso, fenômenos sociais têm alertado sobre a necessidade de prevenção e promoção da saúde mental, conduzindo a estudos científicos que compreendam seus fatores de risco e proteção.
A saúde mental de uma pessoa está relacionada ao seu bem-estar, ao autoconhecimento e a maneira como reage às situações de adversidades e conflitos, com o menor impacto sobre o seu funcionamento.
Alguns fatores de risco à saúde mental são apontados por estudiosos, como a experiência individual do estresse, a vulnerabilidade genética e fatores de risco ambientais, dentre os quais destacam-se: condições socioeconômicas desfavoráveis, como pobreza e falta de habitação segura, desemprego, baixa remuneração e violência.
Diante de tantos desafios e adversidades, o que permite que alguém se mantenha mentalmente saudável?
Ter esperança, satisfação em vários domínios da vida, autoaceitação, bons relacionamentos, maior capacidade de resiliência, maior tolerância à frustração, empatia, criatividade e espiritualidade são apontados nos estudos, como recursos e estratégias de enfrentamento mais positivas para o desenvolvimento da saúde mental. Esses recursos podem ser compreendidos como habilidades individuais para o enfrentamento, percepção de rede de apoio e engajamento social e autoconceito positivo.
Algumas atividades também estão relacionadas à redução do estresse, dos níveis de ansiedade e de depressão, tais como alimentação saudável, prática regular de atividade física, sono adequado, atividades de lazer, de relaxamento e de autocuidado.
Como cultivar essas práticas, quando há escassez de emprego, moradias inadequadas e tantas outras desigualdades sociais?
Cuidar da saúde mental não pode ser um modismo ou privilégio de alguns grupos sociais. É uma necessidade urgente e para todos, exigindo que programas preventivos sejam implementados, como políticas de saúde pública, tendo em vista o sofrimento que os transtornos mentais geram em pacientes e seus familiares e o elevado custo dos tratamentos.
Promover a saúde mental não é sinônimo de excluir das experiências de vida alguns sentimentos mais desagradáveis, como tristeza, raiva ou ansiedade. É colocar em prática ações preventivas que possam criar estratégias para que tais sentimentos sejam vividos, validados e superados sem o adoecimento emocional.
Cuidar da saúde mental não é uma ação individual. É coletiva, cuja responsabilidade recai sobre pessoas e organizações, sobre famílias, escolas, empresas e governantes.
Somente é possível cuidar daquilo que se valoriza.
Mas qual é a medida de valor da nossa sociedade? Sucesso profissional? Dinheiro? Produtividade?
Enquanto houver negligência do autocuidado, privação dos momentos de lazer e aprendizagens que não priorizam o desenvolvimento de habilidades sociais, seremos levados à exaustão e nos manteremos adoecidos.
Que possamos criar uma cultura de saúde mental, como proposto pela campanha ‘Janeiro Branco’, não apenas como uma meta para esse mês, mas como uma cultura de saúde para o ano todo.
Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do canal @dezporcentomais no Youtube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung
Desde o nascimento no Bexiga, no inicio dos anos 1950, esta cidade está impregnada na minha alma. Em cada momento me apaixonei por uma região, por um lugar da cidade.
Na infância, Santo Amaro. Foi onde residi. Tinha mais do que um “appeal” todo especial. Era uma região bucólica onde o adensamento populacional era incipiente, onde as matas e a grande quantidade de campos futebol, se estendiam desde muito próximo do Largo Treze de Maio, o Largo da Matriz, até as cercanias do bairro do Socorro, onde hoje predomina o autódromo de Interlagos.
Pescar na Ilha do Bororé, na represa Billings, era comparado a hoje ir para Mato Grosso ou até a Amazônia, pela virgindade da mata e quantidades de peixes. Sem falar das onças e dos macacos que ocupavam o imaginário infantil das crianças. Naquela época pegar o bonde dos botinas amarelas de Santo Amaro até a Praça Clovis Bevilácqua no centro da cidade era mais que a glória.
No fim dos anos 1960 e por toda a década de 70, me apaixonei pela região dos Jardins, onde a Rua Augusta tinha um fascínio extra.
Os clubes esportivos e os locais de dança trouxeram ao adolescente o que esta cidade tinha de mais pungente. Não posso deixar de ressaltar a Praça do Por do Sol no Alto de Pinheiros, cujo o amanhecer junto a amada juvenil trazia deleites de uma leve taquicardia.
Já os campus da USP na cidade universitária e o da PUC, tão efervescentes no período militar, traziam um sentimento de liberdade, e em muitos momentos nos davam a sensação de estarmos vivendo na Woodstock brasileira.
Dessa época, tenho um registro grafado a fogo no meu coração, num jardim que ficava entre a Praça do Por do Sol e a Avenida Pedroso de Moraes. Por falta de dinheiro, estava roubando umas margaridas para dar à minha namorada. Fui pego em fragrante pelo guarda que fazia a ronda. Depois que contei minha história ele parou de me reprimir e me ajudou montar um ramalhete de margaridas.
Nos anos 80 e 90 a região que mais me atraiu foi a da Avenida Paulista até os centros, velho e novo da cidade, onde a busca diária por um lugar ao sol na futura vida profissional, me fez conhecer as maravilhas da região. As praças da Sé, da República e Roosevelt formavam um triângulo onde tudo podia acontecer. Conhecer bares, restaurantes, boates e teatros, aliviavam as tensões de mais de dez horas de trabalho intenso de segunda à sexta.
A virada do ano dois mil e os que se seguiram neste século 21, talvez em função da minha maturidade, me fez voltar atenção para a região expandida da alegria, da cultura, do entretenimento e do bom viver, que vai da glamorosa Vila Madalena até o charme do mais importante parque da cidade de São Paulo, o do Ibirapuera.
Andar e viver as Ruas da Vila Madalena, é de fazer inveja ao público do badalado Soho, em Nova Iorque, porque aqui o encontro com os frequentadores, conhecidos ou não, são muito mais calorosos.
Tomo a liberdade para parafrasear o grande Millôr Fernandez que dizia brincando “que só haveria justiça social se todos pudessem morar em Ipanema “. Como paulistano da gema garanto que só se todos pudessem morar na Vila Madalena.
Durval Pedroso é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você ainda pode participar das comemorações dos 468 anos da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
E hoje é São Paulo: a forja, a usina, a mais possante
máquina que conduz todo o Brasil avante…
Sempre o seu coração, sempre o seu braço forte!
((em breve, o áudio deste texto estará disponível))
Colombina é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antonio. Participe desta série e envie o seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br.
“Metaverso é esse ambiente digital que duplica ou multiplica nossa existência; a existência das nossas relações pessoais e com o mercado”
Cecília Russo
O ‘Datatroiano’ informa: a cada três textos que você lê hoje em dia, em dois encontrará a palavra ‘metaverso’. Pode até ter algum exagero nessa estatística, a gente sabe, mas você haverá de concordar que o ano que se foi impôs essa palavra. Até o onipresente Mark Zuckerberg mudou sua marca, virou Meta, para tirar proveito dessa que já é uma realidade, especialmente nos espaços e diálogos dedicados à inovação.
Recentemente, Walter Longo, sócio-diretor na Unimark Comunicação e especialista em inovação e transformação digital, disse, em palestra que você pode assistir aqui (claro, depois de ler esse texto e ouvir o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso), que o metaverso é onde você vai viver e trabalhar em breve. Como quem pensa em marcas precisa pensar em movimentos e realidades que estão entre nós, Jaime Troiano e Cecília Russo estão alertas diante do que o metaverso pode trazer de transformação nas relações pessoais, comerciais e entre empresas.
No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Cecília lembrou que há muitos anos se usa uma equação aparentemente simples, readaptada de conceitos da psicologia, que revela o papel que as marcas têm na vida das pessoas.
Eu atual + Espaço de idealização = Eu ideal
Ou seja: temos um “eu atual” e queremos alcançar o “eu ideal”. Entre um e outro, existe o ‘espaço de idealização’.
“As marcas que ocuparem melhor o espaço entre quem eu sou e quem eu quero ser serão aquelas que vão ter maior valor, permanecerão nas minhas escolhas e significarão alguma coisa na minha vida”
Cecília Russo
Jaime explica que alcançar o ‘eu ideal’ é ser mais do que somos ou diferente do que somos; e apesar desse desejo estar armazenado em algum canto da nossa mente nem sempre é algo muito consciente. Para estar mais próximos do ‘eu ideal’ podemos ocupar esse ‘espaço de idealização’ com uma viagem, um curso, um projeto pelo qual somos apaixonados, um trabalho na empresa que admiramos, um relacionamento com pessoas ou com marcas pelas quais temos grande estima. Sim, as marcas também são veículos que podem nos transportar em direção ao nosso ideal.
“Criar conexões poderosas, autênticas e mais duradouras com marcas para mover pessoas em direção a seus sonhos: esse é o supremo objetivo do Branding”
Jaime Troiano
É evidente que — como Cecília já havia chamado atenção e Jaime reforçou em sua fala, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso — essa equação que explica como o ser humano se move é tema que surge muito antes do metaverso. Desde Platão, passando pelos estóicos, o cristianismo, Hegel e a psicologia — com Freud expressando isso em seu conhecimento —, o desejo é visto como um mover-se em direção a alguma coisa, o meio do caminho do que somos e do que queremos ser.
A proposta do metaverso surge neste espaço de idealização. Por meio de avatares, podemos criar personagens, ser aquilo para onde nosso ideal aponta. Jaime ressalta que não seremos outra pessoa, apenas estaremos exercitando aquilo que queremos ser. E testando se essa ‘duplicata digital’ de nós mesmos nos aproxima, de verdade dos nossos mais recônditos sonhos.
O que as marcas tem a ver com isso?
“Os consumidores vão conviver com o metaverso. E a marcas têm de estar onde os desejos estão …”
Cecília Russo
Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso que vai ao ar, aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN:
Nasci dia 21 de abril de 1959, no Hospital e Maternidade de Vila Maria, na zona norte. Na época meus pais e meu irmão mais velho, moravam em um cortiço no bairro de Vista Alegre, também na zona norte. Logo eles compraram uma casa no Bairro de Vila Medeiros divisa com a Vila Sabrina.
Na minha infância, o lugar que mais freqüentava era o Vajão, um imenso espaço com mais de dez campos de futebol, um perto do outro, onde times de várzea disputavam seus torneios. Muitas vezes, assistimos a bolas chutadas de um campo cairem no outro, interferindo no andamento da partida. Com o tempo tudo isso acabou. Nos anos de 1980, lá se ergueu o que é hoje o Jardim Guançã.
Casei-me em 1978. fui morar no Mandaqui. Da minha casa ao Horto Florestal são cerca de quatro quilômetros. Aos fins de semana, quando possível, visitava o Horto, batizado Parque Estadual Albert Löefgren, e passava o dia por lá.
Tinham muitos macacos, aves, peixes nos lagos, e Mata Atlântica à disposição. Pessoas nadavam por ali, jogavam muita comida para os peixes e aves. Havia lixo, também. Por descaso e vandalismo, os lagos ficaram poluídos. E o Horto ficou insuportável. Resolvi não voltar mais.
Com a concessão do Horto para a iniciativa privada, em 2021, apesar de cobrarem a entrada, o parque começou a ser recuperado. E a ficar mais parecido com o lugar que conheci no passado. E que mais gostava de frequentar em São Paulo.
Quem sabe, um dia eu volto?!?
Odnides Pereira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você ainda pode participar das comemorações dos 468 anos da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
Naqueles anos de 1970, assim como os nossos embalos de sábado à noite, com reuniões entre amigos e “bailinhos na garagem”, foram marcantes, as tardes de domingo igualmente nos deixaram saudades. Morávamos próximos à Cidade Universitária — era assim que chamávamos o campi da USP. Sem muitos recursos para o lazer, procurávamos lugares que pouco ou quase nada nos custavam: era lá o nosso refúgio.
No decorrer da semana, no pátio da escola, combinávamos os encontros em frente aos colégios Daniel Paulo Verano Pontes ou Lourival Gomes Machado – ambos no bairro do Rio Pequeno, região do Butantã. Desses pontos partíamos em turmas de até 20 jovens, formadas por meninos e meninas. Trago na memória cada um daqueles amigos e amigas com os quais compartilhamos momentos especiais nas tardes de domingo.
Era quase rotina sairmos a pé em direção à Cidade Universitária. Nada entendíamos de paisagismo ou de arquitetura, mas o “leiaute” da sua estrutura nos encantava, nos atraía, simplesmente uma magia.
Em suas alamedas desfilávamos absoluto. Nos gramados verdejantes um futebolzinho sem compromisso, linhas nas mão e pipas no ar. Nas sombras de seus arbustos, namoricos sem malicia, amizades sem cobrança — ainda nos sentíamos crianças. Ah, quantas lembranças! Cada cantinho daquele lugar; o nosso “playground”; o espaço predileto de todos. Tudo aquilo nos era familiar.
Ao término dessa agitação, nos sentíamos recarregados para enfrentar a “segundona” e partíamos para nossas casas, sem uma despedida formal, com a certeza de que aquela não seria a última tarde de domingo.
Agora, maduro e longe de ser taxado de saudosista, posso atestar convicto que, de todos os encantos dessa pauliceia gigante, o campi da USP, no Butantã, é para mim o lugar especial nessa imensidão de cidade, quer seja pela sua pujança, quer seja pelas lembranças.
Samuel de Leonardo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você ainda pode participar das comemorações dos 468 anos da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
“Em 2022, há coisas que as empresas certamente continuarão a fazer com suas marcas e procedimento. E há outras que precisam ser melhoradas”
Jaime Troiano
Com o ano iniciado, e os aprendizados de 2021 ainda em mente, as marcas tem de estar prontas para o que vem por aí, independentemente das surpresas que a ômicron, a política e a economia – não necessariamente nesta ordem – nos proporcionarem. Jaime Troiano e Cecília Russo, no primeiro programa do ano, listaram cinco coisas que não podem faltar em 2022.
1. Prepare o seu Plano B
É preciso pensar já no seu plano B. Nos dois anos de COVID, descobriu-se que muitas empresas e marcas estavam despreparadas, seja para sobreviver na crise sanitária seja para aproveitar a retomada da economia. Foi evidente o estrangulamento nos serviços oferecidos quando os consumidores correram atrás de coisas que tinham deixado de fazer durante a pandemia. Faltaram produtos e os serviços ficaram lotados. O planejamento da sua marca já está pronto para o que der e vier?
2. Clareza nas mensagens e desafios
Empresários e gestores têm de sentar com suas equipes e conversa de forma transparente e clara sobre os desafios de 2022. É preciso que todos estejam na mesma sintonia porque nada será muito fácil daqui para frente. E se a comunicação não estiver ajustada, tenha uma certeza: “vai dar ruim”.
3. Engajamento dos colaboradores
Ninguém vende bem o que não comprou. Se os colaboradores ou funcionários não estiverem convictos do valor e da relevância da marca, dificilmente a empresa estará engajada para ter força no mercado.
4. A busca do propósito
Não contrate pessoas que não acreditam no propósito e nos valores da empresa e da marca. Não contrate apenas quem espera pelo holerite. Não contrate quem vai remar contra. O pessoal do RH sabe bem como escolhe o perfil dos colaboradores que somam à marca.
5. Digital e pessoal
Este será o ano em que, tudo que aprendemos com o universo digital, vai se consolidar de uma vez por todas. Mas é também o ano em que as pessoas vão querer “tirar o atraso” de todos os laços pessoais que ficaram hibernando em 2020 e 2021
“Preparem-se para ativar, tanto quanto possível, seus canais pessoais de contato com o mercado”
Canto ou Encanto de São Paulo, são vários. A cidade, superlativa como ela é, não poderia ser diferente. Mas um canto é especial: a avenida Paulista. Não é clichê ou lugar comum.
Aos domingos, preferencialmente, eu e minha esposa, Maria Luiza, vamos à Paulista fotografar. Até aqui parece falta de opção ou imaginação, se não fossem os personagem e situações que lá encontramos.
Troca de simpatias, olhares e gentilezas estão disponíveis na Paulista.
O encanto é que as pessoas que encontramos, na grande maioria anônimas, nunca mais reencontraremos. Evaporam no ar. Ficam a simpatia, a pose, o espontâneo, o olhar, o sentimento captado. Ficam a beleza, a feiúra, o inusitado, o incomum, o bizarro. Ficam o animal, o humano, a infância, o apressado, o tranquilo, o ajustado, o desajustado. Ficam o artista, o que um dia será um artista, o vendedor, o comprador, o leitor, o artesão.
A paisagem e tudo mais que registramos fica eternizado em nossas fotografias.
Isto é vida. Isto é São Paulo. Isto é a avenida Paulista.
Cláudio Lobo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você ainda pode participar das comemorações dos 468 anos da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
“A gente não quer só comida A gente quer comida, diversão e arte A gente não quer só comida A gente quer saída para qualquer parte”
Marcelo Fromer, Arnaldo Antunes e Sergio Britto
Outro dia, zapeando pelas redes sociais, uma postagem despertou a minha atenção e me fez curiosa. A influenciadora digital contava para os seus seguidores como um prato com uma hortaliça específica, em diferentes versões – crua, refogada, em folhas fatiadas fininhas ou enrolada como pétalas de flores – era tudo o que alguém precisaria em uma única refeição.
Sem a pretensão de fazer qualquer análise nutricional sobre isso, até porque me faltariam competências técnicas, aquilo me gerou uma enorme inquietude e preocupação, tendo em vista que alguns transtornos mentais ainda são pouco conhecidos ou negligenciados.
Numa sociedade que valoriza padrões de beleza e a “cultura da magreza”, alguns comportamentos disfuncionais, que geram sofrimento e prejuízos significativos, são até mesmo incentivados.
Todos os anos, milhares de pessoas sofrem com transtornos alimentares. Segundo a Organização Mundial da Saúde, esses transtornos atingem cerca de 4,7% da população brasileira, podendo chegar a 10% entre os adolescentes, com alta taxa de mortalidade.
Esses transtornos são caracterizados por alterações nos hábitos alimentares e em comportamentos relacionados à alimentação, resultando em danos físicos, psíquicos e sociais. Em geral, há uma conexão doentia da pessoa com o alimento, num sentimento de amor e ódio com a comida, resultando em agressões ao próprio corpo.
As pessoas que sofrem com os transtornos alimentares, na maioria das vezes, apresentam distorções sobre o próprio peso, sobre o formato do corpo, sobre o ato de comer e, especialmente, sobre o valor de si mesmas.
Dentre os transtornos de alimentação mais prevalentes estão a anorexia nervosa e a bulimia nervosa.
O que é anorexia nervosa?
A anorexia nervosa é caracterizada por um medo intenso de ganhar peso, o que leva a pessoa a restringir o consumo de alimentos, através de dietas rígidas e/ou jejuns prolongados, podendo fazer uso de métodos que auxiliem na perda de peso, como laxantes, diuréticos, indução de vômitos ou prática excessiva de atividade física.
Em geral, apesar da perda acentuada de peso, essas pessoas continuam insatisfeitas com o corpo ou com o peso, tendo uma preocupação exagerada por essa temática, o que favorece o isolamento social, gera prejuízos nas atividades acadêmicas ou de trabalho, bem como nas relações afetivas.
O que a bulimia nervosa?
Semelhante à anorexia, na bulimia nervosa há uma importante insatisfação com a imagem corporal e uma preocupação com o ganho de peso, entretanto, as restrições alimentares são seguidas por um descontrole na ingestão de alimentos, geralmente consumidos em grandes quantidades, caracterizando episódios de compulsão alimentar.
Após os episódios de compulsão, há um sentimento de culpa pela perda de controle e pelos alimentos consumidos, levando a comportamentos compensatórios e disfuncionais para evitar o ganho de peso, como uso de laxantes, indução de vômitos e prática de atividade física intensa.
Quais as causas dos transtornos alimentares?
Não há uma causa específica para os transtornos alimentares, mas os estudos sugerem a participação de fatores biológicos, psicológicos, para os quais se destaca a baixa autoestima, e fatores sociais, especialmente a influência da mídia e das redes sociais.
Nos transtornos alimentares há uma crença de que o corpo pode ser completamente transformado e de que seguir dietas restritivas ou praticar exercícios são escolhas e dependem apenas do esforço pessoal. Além disso, há uma ideia de que alcançar o “corpo ideal” será o passaporte para o sucesso, valorização ou resolução de outros problemas da vida.
Desse modo, essas pessoas são mais vulneráveis às postagens que indicam jejuns prolongados, dietas restritivas ou exibição de corpos “perfeitos”, como situações fáceis de serem atingidas, exigindo apenas força de vontade. Isso gera um enorme sofrimento.
Suas comparações são injustas. Excluem aspectos individuais relacionados ao biotipo e aumentam a autocrítica, reforçando o sentimento de fracasso, de perda de controle e incompetência. Como num círculo vicioso (e perverso), essa frustração piora os sentimentos de tristeza e ansiedade, levando a uma intensificação dos comportamentos disfuncionais.
Outro dia, eu tive conhecimento de um aplicativo de jejum no qual a pessoa é “premiada” pela quantidade de horas que está sem se alimentar, e toda a comunidade que está “firme” como ela é quantitativamente descrita, como um incentivo para a sua não desistência.
Fiquei imaginando o que seria do mundo se houvesse um aplicativo capaz de indicar, numa situação de intenso sofrimento emocional, como uma comunidade estaria “firme”, quantitativamente descrita, como apoio às necessidades do outro, como incentivo para a sua não desistência da vida, de si mesmo.
Promover a saúde mental é um dever coletivo, mas, infelizmente, nossa sociedade está adoecida, não apenas pelos transtornos mentais — especialmente pela falta de empatia, numa busca exagerada por uma vida “perfeita”, retratada num clique e capaz de obter uma curtida a mais.
Estamos famintos! Nos falta diversão, nos falta arte, nos faltam saídas para muitas partes… Porque na balança da vida, o que deveria contar é quem se é e não o peso corporal que se tem.
Assista ao “Dez Por cento Mais” sobre “Transtornos Alimentares”
Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do canal @dezporcentomais no Youtube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung