Conte Sua História de SP: prazer, sou o Mendigo Japonês!

 

Mário Curcio
Ouvinte da rádio CBN

 

 

Quem mora aí região de Santo Amaro, Alto da Boa Vista e Granja Julieta com certeza já me viu muitas vezes. Eu sou o Paulo Ueda, mas certamente você só me conhece como o “mendigo japonês”, aquele baixinho bravo, bem cabeludo e barbudo, sempre usando umas caneleiras feitas de papelão e carregando um saco com as coisas que junta.

 

Sei que muita gente aí se pergunta: um mendigo japonês? Mas eles são tão certinhos, sempre com muito juízo… Por que será que ele virou mendigo? Será que tem família? É, amigo, um dia eu já tive jipe, caminhão. Tenho família em Marília, Campinas e também na Vila Prudente.

 

Na verdade nem mesmo eu sei há quanto tempo estou na rua. Acho que acabei perdendo tudo porque já não era bom da cabeça. Mas é certo que estou aqui no bairro desde que o “Seu” Júlio Guerra ergueu a estátua do Borba Gato na Avenida João Dias e depois mandou colocar ali entre a Santo Amaro e a Adolfo Pinheiro. Aquele painel em frente ao Teatro Paulo Eiró também foi o “Seu” Júlio que fez. Dormi muito na praça em frente ao teatro e às vezes corria atrás e assustava as meninas que faziam balé numa escola ali perto. E já zanzava ali pelo Alto da Boa Vista desde que o uniforme do colégio Doze de Outubro ainda era marrom e o do Jesus Maria José era cor de vinho.

 

Vi muita coisa aqui em Santo Amaro. A escola Linneu Prestes tinha cada festa junina! Às vezes alguém me dava um guaraná, um cachorro quente. Bom mesmo era o cheiro do churrasco e do milho cozido, mas naquela época eu já não tinha os dentes para comer carne ou roer a espiga.

 

Lembro também dos gritos que vinham dos fundos da 11ª Delegacia, ali da Rua Anchieta. Eram os presos apanhando. Vi também os quebra-quebras no início dos anos 80. Saquearam várias lojas do Largo 13 de Maio e aquele supermercado Peg Pag da João Dias onde hoje funciona a Chocolândia. Ali não sobrou uma prateleira, levaram tudo, a começar pelas bebidas.

 

Vi também quando ficou pronto o terminal Santo Amaro. Meu Deus, haja ônibus nesse lugar. Já as obras do metrô não acabam nunca. E também não param. Dia e noite é aquele “pi-pi-pi” vindo das máquinas e caminhões manobrando.

 

Ano a ano fui ficando mais velho, caminhando cada vez menos e dormia sempre num terreno gramado ali da Granja Julieta, nos fundos do Colégio Friburgo. Até outro dia eu era aquele mendigo. Não sou mais. Parti e pedi pra voltar como árvore. Sabe como é, as pessoas gostam mais de plantas que de mendigos.

 

E agora você já sabe: o “mendigo japonês” tinha nome. Ele se chamava Paulo Ueda.

 

Paulo Ueda é personagem do Conte Sua História de São Paulo. O texto é do ouvinte Mario Curcio. A sonorização do Claudio Antonio. Conte você também mais um capitulo da nossa cidade. Envie seu texto para milton@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: Marco Gorini diz como conseguir dinheiro para a sua ideia

 

 

“Você precisa saber que risco você quer tomar, que risco você pode tomar e, principalmente, o risco que você deve tomar”. A sugestão é do economista Marco Gorini aos empreendedores que pretendem ir ao mercado em busca de investimento para seus negócios, produtos e serviços. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no Mundo Corporativo, da CBN, Gorini alerta que muitos projetos deixam de existir antes mesmo de chegarem ao seu ponto de equilíbrio por não conseguirem os recursos adicionais que podem sustentar o negócio. Gorini escreveu com Haroldo da Gama Torres o livro “Captação de recursos para startups e empresas de impacto – guia prático” (Alta Books) no qual oferece uma série de dicas que podem ajudar você a tornar seu negócio sustentável.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site http://www.cbn.com.br. O quadro é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e tem a colaboração de Alessandra Dias, Douglas Matos e Débora Gonçalves.

Avalanche Tricolor: pé no chão e bola pra frente

 

Palmeiras 4×3 Grêmio

Brasileiro – Pacaembu/SP

 

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Edílson teve mais um ótimo desempenho, foto de LEO PINHEIRO/GrêmioFBPA

 

Alguém aí imaginava que seria fácil? Pensava que jamais tomaríamos gol, tiraríamos ponto de todos os adversários e a liderança era algo permanente? Acredito que não.

 

Temos consciência das necessidades de nossos time e das dificuldades impostas pelos outros, especialmente quando estivermos jogando fora de casa.

 

Portanto, sem frustração, desespero ou caça às bruxas.

 

Vi gente saindo de cabeça baixa e se esquivando pra não encontrar o amigo temendo ouvir uma flauta, como se estarmos em segundo lugar no campeonato fosse vexame pra alguém.

 

Em competição desta dimensão, o importante é estar sempre ao alcance dos lideres, o que mantemos e temos mantido desde a primeira rodada.

 

Lembre-se ainda que fizemos uma sequência de cinco clássicos, dentro e fora de casa. Só pegamos campeões nesta caminhada. Apenas na sexta rodada – no próximo domingo – nos foi reservado o direito de enfrentarmos um time que ainda não levantou o troféu.

 

Além disso, sem ilusão, temos um time com feitos e defeitos. Jogadores de qualidade superior a média e outros tantos de quem o técnico precisa tirar 100% da sua capacidade. Esquema tático que agrada há muitos – eu, inclusive – e falhas defensivas que vinham sendo corrigidas, mas voltaram a se apresentar na partida de ontem à noite.

 

Fomos superiores em boa parte do jogo e estivemos com a vitória nas mãos até tomarmos um gol espírita. Os sete gols marcados mostraram o tamanho da partida e do desempenho das duas equipes. Infelizmente, tinha um árbitro para atrapalhar e errar (para os dois lados).

 

Quero ainda destacar a participação de Edílson na lateral direita que fez uma das mais bonitas jogadas da partida, no lance que deu início ao segundo gol, e marcou o terceiro em jogada construída por ele desde o início. Tem feito diferença no time.

 

Domingo tem mais e a liderança está logo ali… bola pra frente!

Marcas de luxo fecham as portas no Brasil

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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Não há dúvidas que o Brasil vive momento delicado. Política e economicamente o país está em crise, e cada vez mais estampado nas páginas de renomeados jornais e revistas internacionais.

 

O mercado de luxo, apesar de ter a imagem de um mercado “sem crise” vive agora situação de alerta. Algumas marcas já deixaram o País por conta da elevação do câmbio e da alta carga tributária, fatores que podem tornar a operação de algumas marcas simplesmente inviável por aqui.

 

O varejo de luxo especificamente parece ser o mais atingido. A francesa Ladurée, famosa por seus tradicionais macarons, encerrou suas atividades no Brasil: recentemente fechou sua linda loja do Shopping JK Iguatemi em São Paulo. Atualmente o preço unitário de seus macarons estava R$ 11, mesmo valor que custa para importar cada doce. Ainda no segmento alimentício, a marca espanhola de chocolates Cacao Sampaka e a americana Red Lobster, famosa por suas lagostas, também encerraram suas atividades no Brasil.

 

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A grife Vilebrequin, uma das marcas mais exclusivas de moda praia, também está deixando o país. Seus famosos shorts custavam a partir de R$ 880 em suas lojas no Brasil. Desde janeiro de 2016, a grife anunciou liquidação de 50%, que dura até os dias de hoje, o que é raro (e inadequado) na gestão de uma marca de luxo. Sua loja no Rio de Janeiro já foi fechada e esta semana a marca anunciou em seu perfil no Instagram que fechará também suas unidades dos shoppings Cidade Jardim e Iguatemi São Paulo. A grife conseguiu manter por algum tempo o preço de seus produtos negociados ainda com o dólar americano em valor razoável. Com a desvalorização do real perante o dólar, novas peças passariam da casa dos R$ 1400, inviável para o varejo de luxo brasileiro.

 

Apesar da crise e do dólar alto, há ainda empresas que apostam no Brasil. É o caso da americana Ralph Lauren, que em 2001 havia encerrado suas atividades e em 2015 voltou a investir por aqui, inaugurando sua loja no Shopping Cidade Jardim com as coleções mais exclusivas e de edição limitada. Este ano, a grife voltou também com a coleção Polo, inaugurando loja no Shopping Iguatemi São Paulo, um dos mais tradicionais do país.

 

Vale destacar que, quando a operação da marca não é feita diretamente por ela como o caso da Vilebrequin, fica ainda mais difícil bancar os custos e lidar com variação cambial, uma vez que, obviamente, seus representantes no país precisam ter margem de lucro. No caso da Vilebrequin, representada pela empresária Michelle Nasser, chegou a trabalhar com margens reduzidas, mas pelo visto não foi suficiente para sobreviver por aqui.

 

Ricardo Ojeda Marins é Coach de Vida e Carreira, especialista em Gestão do Luxo pela FAAP, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. É também autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

O dia em que o “gol-gol-gol” virou tema da aula de direito

 

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Milton F. Jung, o segundo da esquerda para a direita, ao lado de um dos filhos, o Christian, na homenagem do TJ-RS

 

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul lançou campanha de comunicação com o objetivo de dar publicidade aos serviços prestados ao cidadão. Nos spots que serão distribuídos para as emissoras de rádio, a locução ficou a cargo de juízas do próprio TJ que seriam a representação de Themis, a Deusa da Justiça. Bendito ao fruto entre as mulheres está Milton Ferretti Jung, que não requer mais apresentações neste blog: ele foi convidado para gravar os textos de abertura e encerramos dos spots.

 

Em agradecimento ao trabalho que realizou no rádio gaúcho, Milton foi homenageado pelo TJ, durante a cerimônia que marcou o lançamento da campanha. Abaixo, reproduzo parte do texto divulgado pela assessoria de comunicação do Tribunal, no qual se refere ao homenageado. Destaco a interessante história do dia em que, narrando futebol, Milton criou o grito que se transformou em sua marca, o gol-gol-gol:

 

A voz do rádio

 

Nascido em Caxias do Sul, Milton Ferreti Jung trabalhou na Rádio Guaíba, de 1958 a 2014, após uma passagem de 4 anos pela Rádio Canoas, onde começou como locutor de radioteatro da emissora. Em 1964, assumiu o comando do noticiário “Correspondente Renner”. Participou das Copas do Mundo de 1974, 1978 e 1986.

 

Pela precisão da pronúncia, Milton é conhecido como a grande voz do Rio Grande do Sul. “Todos nós, aqui no Judiciário, somos apaixonados pelo rádio. Aliás, aquela frase que diz que brasileiro não vive sem rádio, acredito que é verdadeira. Temos aqui no RS alguns profissionais que marcaram, de maneira muito importante, a nossa radiodifusão e o Milton Jung foi uma dessas pessoas. Agora está aí conosco, com saúde, gozando de merecida aposentadoria, e a nossa ideia de homenageá-lo, fazendo a vinheta, e festejá-lo um pouco, me parece, é mais do que merecido”, agradeceu o Desembargador Túlio Martins.

 

Para o Presidente do TJ, Milton é “a voz de uma geração, marcando a credibilidade da radiodifusão gaúcha”. Em momento de descontração, o magistrado fez questão de relembrar a narração de Milton em um jogo do Grêmio, no início da década de 1970: “Com um gol de Loivo Coração de Leão, numa histórica virada do Grêmio contra o Flamengo, o assunto superou a aula do Professor Enio Kaufmann, no Colégio Aplicação, com a narração do Gol,Gol,Gol, que virou a marca registrada de Milton”, brincou o magistrado.

 

Ao final, o Presidente Difini e o Desembagador Túlio fizeram a entrega de uma placa ao jornalista, agradecendo pela colaboração dele para a campanha Justiça Gaúcha Informa.

Aposentadoria sem futuro: as novas gerações que se preparem

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O Protecionismo, mecanismo que o Governo propõe, quando objetiva preservar mercados ou classes trabalhistas é um sistema que requer uma administração equilibrada. Para evitar que uma intensidade exagerada na medida não o leve a reduzir o tamanho destes mercados. Entretanto, raramente o equilíbrio é conseguido.

 

No Congresso, esses processos recebem os impactos de correntes ideológicas conflitantes, além de estarem nas mãos de alguns políticos carreiristas. Por isso, direitos ao trabalhador acima do padrão estão gerando custos elevados e as empresas perdendo poder de competição. Assim como as condições de aposentadoria estabelecidos em cenário diferente e mantidas até hoje leva ao Governo uma carga insuportável.

 

Se os poderes Executivo e Legislativo não agem ou atuam em dose exagerada como tem ocorrido, o mercado responde. O crescimento do número de PJ – Pessoas Jurídicas em contrapartida a CLT para salários mais altos e das Diaristas para sobrepor ao registro de Doméstica, é evidente. E, dentro desta mesma linha, no post do dia 26 deste blog, Mílton Jung relata que lendo reportagem de O Globo encontrou a pesquisa da Manpowergroup e da Reputations Leaders, a qual ressalta que a geração “millenials” espera trabalhar até a morte. É o mercado reagindo.

 

Mílton explica que os “millenials” são jovens nascidos na metade da década de 80. No mundo pesquisado 12% pensam desta forma, e no Brasil 10%, que se destaca pelo futuro, onde 60 a 69% estão otimistas.

 

Quanto a incerteza indagada por Mílton Jung de como o mercado reagirá a tanta gente trabalhando, acredito que o próprio mercado responderá.

 

As novas gerações que se preparem.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Só 11% das câmaras municipais de SP atendem a Lei de Acesso à Informação

 

Por Marcia Gabriela Cabral
Advogada, especialista em Direito Constitucional e Político,
Conselheira Participativa Municipal
Integrante do Adote um Vereador

 

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Prédio da Câmara Municipal de São Paulo – Flickr/Milton Jung

 

A Lei de Acesso à Informação (12.527/2011), conhecida como LAI, completa 4 anos de existência. Ela regulamenta o direito constitucional que assegura a todos o acesso à informação, por parte dos órgãos públicos, que ficam obrigados a informar o que lhe for solicitado, salvo informações consideradas sigilosas.

 

Deve ainda, disponibilizar de forma ativa, isto é, de maneira espontânea, as informações dos órgãos, para que todos tenham conhecimento.

 

A LAI regula o acesso às informações dos órgãos públicos integrantes da Administração Direta dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, incluindo os Tribunais de Contas e o Ministério Público, bem como a Administração Indireta, que compreende as Autarquias, as Sociedades de Economia Mista e demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios.

 

Ainda, aplica-se a LAI às entidades privadas sem fins lucrativos que recebem, para realização de ações de interesse público, recursos públicos.

 

Adiante, verificaremos o grau de efetividade da LAI, ou seja, se esta tornou-se uma lei que “pegou”, portanto, está sendo cumprida, ou, se não saiu da teoria.

 

No Estado de São Paulo, segundo um estudo realizado pela Rede pela Transparência e Participação Social (RETPS) e apresentado nesta semana, 66% das Prefeituras paulistas (Executivo) ainda não possui norma específica regulamentadora da LAI.

 

Este número é pior em relação ao Legislativo municipal, pois somente 11% possuem normas regulamentadoras da LAI.

 

Destacamos, que em relação ao Executivo municipal, embora o número de regulamentação seja pequeno, 92% das prefeituras tem algum tipo de site/portal da transparência. Bem como quanto as Câmaras, 75% delas também possuem algum tipo de site/portal da transparência. Porém, estes instrumentos estão muito limitados, com poucas informações, não satisfazendo as diretrizes do amplo acesso à informação e a transparência.

 

Quanto aos Tribunais de Justiça, a Ong Artigo 19, constatou que “nenhum dos Tribunais avaliados cumpriu todos os requisitos do levantamento”.

 

Diante dos dados, concluímos, que a Lei de Acesso à Informação ainda está em fase de implementação.Contudo, para que realmente se torne efetiva, se faz necessário que os órgãos e entidades que acompanham a efetividade da mesma, pressionem os órgãos públicos a tomarem medidas para ampliarem o acesso às informações públicas.

 

Além disso, cabe aos cidadãos requerer tais informações (se utilizando da LAI) e fiscalizar a atuação dos diversos órgãos públicos, exercendo assim, o controle social, que é de suma importância para “frear” os abusos que costumam ocorrer nestas instituições.

Avalanche Tricolor: líderes, invictos e felizes!

 

Grêmio 2×0 Coritiba
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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A felicidade de Everton, na foto de LUCAS UEBEL/GREMIOFBPA

 

Quatro campeões brasileiros nas quatro primeiras rodadas. Três vitórias e um empate. Seis gols marcados, nenhum tomado.

 

Ser líder do Campeonato Brasileiro não é obra do acaso. É obra de Roger e sua equipe. Uma gente que decidiu responder as críticas ouvidas após as desclassificações do início da temporada trabalhando duro a cada treino, acertando o que estava desacertado e levando para campo o futebol qualificado que começou ser desenhado no ano passado.

 

O passe, na partida de hoje, demorou para entrar. Mas quando entrou, não havia retranca capaz de segurar nosso ataque. Everton tentou uma primeira vez pegando a bola sem deixar cair no chão. E foi muito feliz na segunda, quando se antecipou ao zagueiro e marcou o gol que abriria nossa vitória.

 

Foi feliz, Everton, sim. E somente o foi graças ao trabalho de equipe, pois nas duas jogadas foi a troca de passe precisa e o deslocamento dos jogadores pelo lado esquerdo que colocaram nosso ataque em condições de gol.

 

E a felicidade foi ainda maior quando o mesmo Everton misturou velocidade e técnica para dar duas meias-luas em seus marcadores e provocar o pênalti, no segundo tempo. Pênalti cobrado com muita tranquilidade pelo goleador Luan.

 

E se nosso ataque foi feliz, foi porque nossa defesa soube segurar as tentativas do adversário. Aquela mesma defesa da qual muitos de nós reclamamos – e muitas vezes com justiça – acertou a passada, a despeito de ter de buscar sua formação no banco de reserva nos últimos jogos.

 

E se o ataque e a defesa foram felizes, nós estamos felizes, é lógico.

 

Felizes e conscientes de que a maratona do Brasileiro cobra preço alto das equipes de ponta e esta corrida está apenas se iniciando. Outros campeões cruzarão nosso caminho, e azarões também estarão dispostos a nos surpreender.

 

Agora, independentemente do que possa acontecer daqui pra frente, e quero crer que este Grêmio tem muita coisa boa para fazer ainda, hoje é momento de aproveitar e curtir as alegrias que Roger e sua equipe nos oferecem.

 

Sejamos felizes!

Quintanares: A ciranda rodava no meio do mundo

 

 

Poesia de Mário Quintana
Publicado em A Rua dos Cataventos – 1940
Interpretação de Milton Ferretti Jung

XXIV [A CIRANDA RODAVA NO MEIO DO MUNDO]

 

A ciranda rodava no meio do mundo,
No meio do mundo a ciranda rodava.
E quando a ciranda parava um segundo,
Um grilo, sozinho no mundo, cantava…

 

Dali a três quadras o mundo acabava.
Dali a três quadras, num valo profundo…
Bem junto com a rua o mundo acabava.
Rodava a ciranda no meio do mundo…

 

E Nosso Senhor era ali que morava,
Por trás das estrelas, cuidando o seu mundo…
E quando a ciranda por fim terminava

 

E o silêncio, em tudo, era mais profundo,
Nosso Senhor esperava… esperava…
Cofiando as suas barbas de Pedro Segundo.

 

Quintanares foi apresentado originalmente na rádio Guaíba de Porto Alegre.

Conte Sua História de SP:encontrei minha namorada platônica

 

Por José Geraldo Barbosa Duarte Junior

 

 

Eu morava em Moema e estudava em Santo Amaro, na escola estadual Alberto Conte. Onde hoje está a Avenida Ibirapuera e a Vereador José Diniz havia uma linha de bonde. Era de bonde que seguia para a escola.

 

Tinha uns 14 anos e estava apaixonado pela colega de ginásio, mas não tinha coragem de revelar isso a ela. Era muito tímido. Ela virou minha namorada platônica. Morava no Brooklin e preferia o ônibus para ir a escola. Apenas algumas vezes, pegava o bonde.

 

Amigas em comum, que sabiam da minha paixão pela menina, resolveram agir como cupido. Quando a minha namorada platônica entrou no bonde, que naquele dia estava vazio, todas elas se afastaram de nós, deixando-nos sozinhos para conversar. Fiquei atônito.Não consegui nem cumprimentá-la. Sumiram todas as palavras da minha boca.

 

Talvez por não entender o que acontecia, a menina ficou na dela. Eu fiquei mudo até Santo Amaro. e minhas amigas ficaram desapontadas comigo.

 

O fato é que naqueles tempos nunca tive coragem de me aproximar dela e revelar minha paixão.

 

Os tempos passaram e essa coisa mal resolvida estava guardada em minha lembrança.

 

Hoje estou casado, com filhos e netos.

 

Não para viver um momento que nunca tive, mas como curiosidade, sei lá, queria encontrar aquela minha namorada platônica e saber como foi a vida dela.  Queria contar a ela a minha paixão.

 

E foi graças ao advento do Facebook que a encontrei.

 

Ela não se lembrava da minha existência, mas aquiesceu a amizade.

 

Foi quando, então, pude revelar aquela paixão juvenil. Mas não fique pensando outra coisa, não: hoje, somos apenas amigos e eu me senti liberto da paixão que me remoía.

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, no CBN SP, logo após às 10h30. O quadro é sonorizado por Claudio Antonio e tem narração de Mílton Jung.