Voto distrital divide opiniões de deputados, em debate no Jornal da CBN

 

Adote

 

Com a intenção de provocar a reflexão em torno da reforma política, que está em discussão, mais uma vez, na Câmara dos Deputados, o Jornal da CBN, colocou em debate, na manhã desta segunda-feira, o sistema eleitoral. Na comissão especial que trata do tema existem propostas para criação de voto distrital, em diferentes formatos, e a manutenção do atual sistema proporcional. Mendes Thame, do PSDB-SP, defende a substituição do sistema proporcional pelo distrital com o objetivo de aproximar o eleitor do candidato e reduzir custos de campanha. Já Chico Alencar, do PSOL-RJ, mesmo identificando distorções no atual modelo, teme que sua extinção reduza a participação de minorias e deixe os eleitores sem representantes.

 

Ouça aqui o debate do Jornal da CBN

 

No decorrer da semana, o Blog vai publicar diferentes opiniões sobre o tema.

O tráfico de drogas e a morte de crianças

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Minhas colunas que,explico,tratavam quase sempre de histórias do meu passado,tanto as da época da adolescência,da juventude,dos casos e peripécias que vivi ou me contaram sobre colegas,essas muita vezes acerca de episódios cômicos,inclusive os com a minha participação,terão um assunto capaz de deixar-me não só preocupado como profundamente entristecido. Refiro-me às mortes de crianças de idades diversas,vitimadas por traficante. Esses bandidos mais do que nunca passaram a se digladiar e cometem todo o tipo de estrepolias:disputam pontos de tráfico de drogas,fazem-se de amigos em um dia e,em outro,dependendo das circunstâncias, transformam-se em inimigos figadais. A partir daí,num ápice,deixam de ser amigos e promovem,como aconteceu na época de veraneio em Tramandaí,um ataque com toda espécie de armas visando a mostrar ao ex-companheiro quem detém o comando da tráfico na região. Nesse episódio,os que enfrentaram aqueles que estavam em uma residência praiana,tinham até um guarda-costas, que era policial e preposto de um Secretário Estadual,cujo nome prefiro não revelar.  

 

De lá para cá tivemos um aumento da violência. A batalha entre as facções criminosas só fizeram aumentar. Há dois bandos disputando os pontos de tráfico. Aqueles que chegaram“ser amigos”depois do ataque à casa de Tramandaí,piorou consideravelmente após o assassinato de Crisitiano Souza da Fonseca,o Teréu. Esse foi morto por asfixia em um dos refeitórios da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (me engana que eu gosto). A cerimônia fúnebre ficou parecendo o enterro,para não exagerar,de um governador ou outra autoridade pública,jamais a de um traficante dos piores que atuavam em Porto Alegre.Foi necessária a presença da Brigada Militar,que monitorou a movimentação dos “enlutados” companheiros de Teréu. Após o assassinato desse, é dw se perguntar como se vingarão os seus ex-sócios (…)

 

A polícia – desculpem o lugar comum – terá de fazer das tripas coração se quiser enfrentar em condições mais próximas das do inimigo que cada vez mais aumenta o seu arsenal mortífero.Não basta somente evitar conflitos de gangues de traficantes,mas superar os malditos em armamentos. Seria ainda mais lamentável se esta disputa por pontos de tráfico matasse crianças com balas perdidas,dentro ou fora de suas casas,como vem acontecendo ultimamente. O Governo do Estado que trate de municiar quem precisa defender o seu bom nome.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Avalanche Tricolor: o café da manhã, o sorriso sem-vergonha e o empate na estreia

 

Grêmio 3 x 3 Ponte Preta
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Jogar domingo cedo muda alguns hábitos e ainda provoca estranheza, apesar de ter gostado do horário novo das 11 da manhã. Antecipei a missa matinal para o sábado à noite, quando encontrei, na paróquia da Imaculada Conceição, o padre José Bertolini, que já foi motivo de conversa nesta Avalanche, por ser gaúcho e gremista. Assim que me viu, deu um sorriso sem-vergonha (se é que padres fazem isso). Está rindo de mim, padre? – perguntei. Rindo da nossa situação, respondeu em referência ao Grêmio. Achei um pouco de exagero dele, mas quem sou eu para contestar o padre na porta da Igreja. E pensar que Bertolini estava antevendo o que aconteceria na manhã seguinte.

 

Falava, porém, com você sobre a mudança de hábito. Domingo gosto de ficar um pouco mais de tempo na cama para compensar o fato de madrugar durante toda a semana. Hoje, me organizei para o omelete, o café e as torradas estarem prontos antes da hora. Não queria perder nenhum minuto da nossa estreia no Campeonato Brasileiro 2015. Sem contar que era um dia especial, era Dia das Mães, e fiz questão de servir o café na cama, uma estratégia que sempre dá bons resultados (e não estou me referindo ao futebol).

 

Aliás, por ser Dia das Mães, este domingo provocava ainda outras mudanças, pois o almoço em família seria depois da partida e não antes como estávamos acostumados. Como a festa seria em casa, porque nos negamos a sair para almoçar nestas datas, precisávamos acertar as agendas com os convidados. E antecipo-lhe que deu tudo certo (ou quase). Organizamos almoço: mulher, sogra e cunhada eram as homenageadas em torno de uma mesa onde foi servida galinhada, prato que tem a galinha caipira como vedete e um sabor maravilhoso. O vinho era italiano e parecia ter sido escolhido a dedo, haja vista a boa vontade com que os convivas se fartaram da bebida. Inclusive o autor deste texto. O bate-papo foi divertido, com boas lembranças de um tempo em que a maioria ali em volta da mesa usava calça e saia curtas. A conversa correu tão solta que quase esqueci a frustração que havia sentido minutos antes com o empate aos 49 minutos do segundo tempo.

 

Estava tudo tão intenso – o sabor da comida, o paladar do vinho e a diversão do encontro – que não resisti: fui dormir. Era para ser apenas um cochilo, mas se estendeu por boa parte da tarde deste domingo, quando geralmente dedico ao futebol. Ao acordar para escrever esta Avalanche, parecia que tudo que havia acontecido na Arena já era passado distante. Antes fosse, pois assim não precisaria perder meu tempo tentando explicar como fomos capazes de ceder duas vezes ao empate. O dois a zero que começou a ser construído no primeiro tempo e se confirmou no início do segundo dava a ideia de termos a partida dominada. Precisaríamos apenas administrar o resultado como costumam dizer os comentaristas de futebol. Só faltou combinar com o adversário.

 

Os dois gols de Yuri Mamute ratificaram as qualidades técnica e física do nosso atacante e a ideia de que ele não pode ficar fora do time titular. É mais incisivo do que qualquer outro jogador que temos no elenco. A lamentar que a seleção brasileira o levará embora por sete rodadas. É incrível como a CBF consegue ser tão perniciosa com os clubes brasileiros. Todos na pindaíba e com dificuldade para manter jogadores, e a instituição, durante a mais importante competição que realiza, confisca seus principais craques.

 

Curiosamente, outro jogador que se destacou de forma positiva hoje, Marcelo Grohe, passará pela mesma situação. Pior ainda, pois ficará à disposição da CBF, na reserva da seleção, com chances mínimas de jogar na Copa América. Fará pouco por lá e nada por aqui. Os gols que levou, neste domingo, não foram responsabilidade dele. Antes do empate se concretizar, Marcelo já havia nos salvado algumas vezes, o que também mostrou nossa dificuldade em segurar o assédio do adversário. Quando o goleiro é obrigado a aparecer de mais, alguma coisa está errada na frente dele.

 

Mesmo após levar dois gols rapidamente, conseguimos pressionar e retomar a vantagem no placar com uma bola empurrada para dentro da goleira em jogada que teve a participação de Douglas e Matias Rodriguez, dois jogadores que passaram pela mesma situação: haviam perdido o lugar no time titular, mas acabaram sendo chamados para mudar a partida quando já demonstrávamos preocupante fragilidade.

 

Foi um empate amargo, na estreia, em casa, contra adversário que não é cotado para disputar o título e depois de termos a vitória duas vezes nas mãos. Resultado que não tem nada a ver com o fato de a partida ter sido disputada às 11 da manhã de domingo e no Dia das Mães. Tem muito mais a ver com o sorriso do padre Bertolini.

De ‘politicamente correto’

 


Por Maria Lucia Solla

 

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Título não é aval de importância, competência ou caráter. É sugestão de excelência.

 

Título é circunstância. Hoje você é miss, amanhã não é mais. Um dia estudante, no outro delinquente.

 

Tem vezes em que o sujeito se encaixa na função com tanta harmonia, que enobrece o título. Noutras o rebaixa.

 

Sujeito? Nós, ora!

 

Somos nós que enobrecemos ou conspurcamos o cargo que ocupamos. Onde quer que seja. Nós que o levamos às alturas, ou o lançamos na lama, como têm feito os políticos brasileiros.

 

Quando digo ‘nós’, me refiro ao ‘nós’ tradicional, que quer dizer inclusão de cada ser humano vivente, e quiçá os não tão viventes assim. O ‘nós’ de antes do advento do ‘politicamente correto’, um arroubo autoritário, preconceituoso e burro, na minha humilde opinião. Quem é que não concorda que favela dá samba e comunidade esconde a verdade?

 

Estou certa de que não sou a única a encarar metamorfose atrás de metamorfose nestes tempos difíceis de dificuldades financeiras, emocionais e que-tais.

 

Não somos nunca o eu de ontem.

 

E por falar em ontem, enfrentei a cozinha e o fogão. Uma varrida, um pano passado com o rodo… não limpa! Aí tem que atacar de jeito o que pedia para ser atacado. Balde, vassoura, rodo, escova, sabão, água sanitária, amaciante para atenuar o perfume do coquetel, um par de luvas que ganhei da Rose, e encaro a tarefa. Aprendo no percurso. Reinvento a roda.

 

Que falta faz uma empregada doméstica! Saudade de quem salvou o funcionamento da minha casa para eu poder trabalhar. Naquele tempo, empregada doméstica dava título à pessoa capaz de realizar os serviços domésticos, como cozinhar, lavar, passar, varrer, esfregar o chão, esticar um olho nas crianças e emprestar ouvidos aos queixumes e à confidência de cada morador da casa incluindo cachorro e papagaio.

 

O título era ‘Empregada Doméstica’ porque a pessoa era empregada por uma família, não por uma empresa. Descrição perfeita. Alguém que contava com a confiança dos moradores da casa, como se fosse da família. Do túnel do tempo!

 

E, já que falamos delas, vivam as empregadas domésticas!, especialmente as que são mães. Negras, brancas, amarelas, gordas, magras, altas, baixas, que deixam seus filhos em casa ou na creche, para dar atenção aos nossos. Que fazem o que não sabemos ou não podemos fazer.

 

Né?
Levanta teu brinde, e até a semana que vem.

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Escreve no Blog do Mílton Jung

Conte Sua História de SP: o leite na porta de casa e o padeiro na sala, na Alameda Franca

 

Por Cristina Khouri

 

 

Sou neta de imigrantes sírios que chegaram no Brasil ainda na adolescência. Meus Avós eram irmãos e aqui construíram seus negócios e fizeram família. Meu pai, Manoel Francisco, se estabeleceu na região da 25 de Março vendendo tecidos na famosa LOJA 73 na antiga Rua Santo André.

 

Ele me contava sempre sobre as histórias da cidade, como a construção do Mercado Municipal da Cantareira e da dificuldade de fazer a fundação pelo fato do solo não ser firme, dos lampiões de gás que eram acesos com uma vareta longa nos fins de tarde e apagados no começo da manhā. Sempre lembro desse detalhe quando passo todos os dias pela Praça da Sė a caminho do trabalho e vejo aqueles postes imponentes enfeitando a Praça. Imagino a magia desta cena! Pena que nāo estāo cuidados!

 

Falava-me sempre sobre a Revoluçāo de 32 e por que as iniciais MMDC no Obelisco do Ibirapuera.

 

Na época do carnaval, ele nos levava para acompanhar o Corso, um desfile de carro, e íamos felizes, sentados no porta malas aberto da perua Dodge, participando das brincadeiras de rua, jogando confetes e serpentinas nos foliões.

 

Passeava com minha māe, Dona Emília, na rua Direita, numa casa de lanche onde ela se encontrava com amigas para um chá. Aliás, também para compras, pois o comércio se concentrava no centro da cidade.

 

Lembro-me bem da nossa casa na Alameda Franca em cuja porta o leiteiro deixava as garrafas de vidro cheias de manhā e minha mãe retornava as vazias no dia seguinte quando ele trazia o leite novamente. O padeiro, o senhor Vilarinho, trazendo na sua camionete uma variedade enorme de pães, que ele colocava numa cesta oval de vime e entrava nas casas para as pessoas escolherem. Esse ritual acontecia no café da manhã e na hora do almoço. Enquanto eu almoçava, escolhia o pāo doce que iria levar para o lanche da escola.

 

 
Que emoçāo andar naquele bonde aberto na Avenida Paulista! Era um passeio divertido! E quando saíamos de carro, eu pedia pro meu pai sempre andar nos trilhos .

 

Assim como ir no Parque Shangai, no circo do Arrelia ou no Horto Florestal! As brincadeiras de rua, onde a meninada batia figurinha, jogava bolinha de gude ou andava de carrinho rolemā! Costumávamos ir até a Igreja da Penha pois meu pai era devoto.

 

Foram tempos marcantes na minha vida e de meus irmāos. Eu amo esta cidade, ela nos acolheu e ofereceu tudo que tem de melhor.

 

Cristina Khouri é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode enviar seu texto para miltonjung@cbn.com.br e ler outras história da nossa cidade aqui no Blog.

Mundo Corporativo: Stella Susskind fala como cliente oculto ajuda a melhorar o atendimento

 

 

“Tem de pensar que todo cliente é um cliente secreto, não se pode pecar com cliente nenhum, todos devem ser atendidos com atenção especial, não se pode esquecer que por trás desta palavra “cliente” existe um ser humano, com ligações racionais e emocionais com cada uma das marcas”. A recomendação é de Stella Kochen Susskind, especializada em atendimento ao cliente, entrevistada por Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Susskind é presidente da Shopper Experience e foi pioneira na aplicação da metodologia do cliente oculto para avaliação do serviço prestado pelas empresas, no Brasil. Ela explica os benefícios deste método, como funciona e, inclusive, a oportunidade de emprego que existe: “é um consumidor efetivo com hábito de compra, uma dona de casa, profissional liberal, estudante e executivo que são treinados e avaliam lojas, companhias aéreas e bancos; eles vão além da experiência do cliente comum”.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site http://www.cbn.com.br, com perguntas do ouvinte pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelos Twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN e tem participação do Paulo Rodolfo, Douglas Mattos e  Ernesto Fosci.

Buenos Aires: apesar da crise, a cidade ainda encanta

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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A crise na Argentina parece piorar a cada dia. O mercado do luxo no país é um dos que mais se abalaram com a situação do país presidido por Christina Kirchner. Como já falamos anteriormente, aqui no Blog do Mílton Jung, diversas lojas de marcas internacionais fecharam suas portas, em Buenos Aires, por conta da intensificação das medidas adotadas pelo governo argentino para restringir importações e operações em moeda americana.

 

Ralph Lauren, Louis Vuitton, Nina Ricci são algumas das que já deixaram o país por conta dessa situação. As poucas que restaram estão saindo, o que mostra uma situação com tendência a piorar. Ermenegildo Zegna, que ainda mantinha sua linda loja na Avenida Alvear, no bairro da Recoleta, também fechou, há alguns meses. Tiffany&Co é uma das poucas grifes internacionais que ainda não deixaram o país e segue no Shopping Patio Bullrich, também na Recoleta. A falta de produtos nas lojas dessas marcas foi um dos principais problemas decorrentes da limitação às importações que as impediam de abastecer com artigos do exterior.

 

Em minha recente visita a Buenos Aires, foi triste notar que, a cada ano, a cidade está mais descuidada e suja e a Argentina, com inflação assustadora. Em relação a junho de 2014, quando estive ali pela última vez, notei que de lá para cá muitos produtos, inclusive os menus em restaurantes tradicionais, tiveram um aumento de 50%. Apesar da moeda argentina estar desvalorizada perante o real brasileiro (1 peso = 3,10 reais), a capital portenha hoje está longe de ser um destino barato para os brasileiros ou ao menos barato como há alguns anos esteve em relação a São Paulo.

 

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Apesar da crise e suas conseqüências, os segmentos de hotelaria, gastronomia e arte ainda garantem à capital portenha seu charme e sofisticação. Hotéis de luxo como Palacio Duhau-Park Hyatt, Four Seasons, Alvear Palace e Faena investem cada vez mais na excelência em serviços prestados e em sua gastronomia. Chás da tarde, brunch aos domingos além do ambiente dos hotéis. O Faena, por exemplo, projetado por ninguém menos que Philippe Starck, é um ícone do luxo contemporâneo e o favorito dos mais antenados que valorizam design, luxo e gastronomia. O ambiente do hotel é moderno e incrível, bem como de seus restaurantes e sua famosa piscina, que tem uma imponente coroa.

 

Buenos Aires, bem como toda a Argentina, vive uma situação como nunca. Um país que não tinha pobreza, hoje tem na capital federal inúmeros moradores de rua. É triste e inaceitável, como em nosso lindo Brasil, ver um povo chegar a tamanha pobreza e miserabilidade. Como tudo depende do olhar de quem vê, apesar desse cenário, eu ainda olho a capital portenha com brilho nos olhos. O seu luxo intrínseco e seu charme estão vivos em suas construções, em sua história e em seu ar de cidade sofisticada, de que sempre teve fama. A arte, a cultura, a arquitetura e as experiências gastronômicas felizmente parecem ser imortais na capital da Argentina.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Perguntei ao Siri: “você já se apaixonou?” E ele respondeu

 

Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA:
“Ela”
Um filme de Spike Zonze.
Gênero: Drama ou Romance
País:USA

 

Theodore é um escritor que, evidentemente, tem muitos problemas para se relacionar. Então, se apaixona por um sistema operacional chamado Samantha! Realmente, não sei se é drama ou romance.

 

Resenha:
Desta vez vou abandonar minha forma costumeira de escrever, para abrirmos uma discussão maior a respeito deste filme.

 

Assisti-o junto com meu marido e um casal de amigos, que ficaram bastante impressionados com as questões levantadas após seu término. O personagem se apaixona por um sistema operacional chamado Samantha. É um sistema extremamente evoluído, capaz de sentir. Ele é um mini celular que fica ligado por bluetooth a um fone de ouvido. Como uma namorada, o sistema faz ligações para Theodore no meio da noite, viajam juntos, saem com amigos… Tudo exatamente como em um namoro normal só que sem a presença física. Essa é uma das questões…

 

Que triste nosso destino, não? Nos relacionar com máquinas!?? Se você pensar bem, já estamos a meio passo disto, pois não nos relacionamos com as máquinas, mas através delas… Cadê aquela despedida de telefonema onde um fala “desliga você primeiro…”, “não, tudo bem desligo eu…”. “você…”, “eu…”. Ou, então, a espera por uma ligação desejada?

 

Hoje, você consegue ver se alguém leu ou não sua mensagem/email… Rastreia as pessoas por redes sociais…Aplicativos… Nossa privacidade e mistério são zero, sem falar na frieza e superficialidade que nossos relacionamentos estão se moldando a ponto de nos tornarmos seres não sociáveis, travados de uma maneira que realmente só conseguiremos nos relacionar com sistemas…Fim do mundo!

 

Fora isto, no filme o sistema tem vontade própria e acaba mandando uma compilação das cartas de Teodore para uma editora… Ah que legal! O sistema ajudou o seu dono! Mas pensem comigo, se conseguiram codificar o amor, podem muito bem codificar o ódio e o sistema se virar contra seu dono e/ou criador! E aí?? Tudo é sistema, certo? E se o sistema ficar amigo de outro sistema e resolverem juntos começar uma guerra? Da maneira como pensam os sistemas no filme, isto é perfeitamente possivel…

 

Faça uma brincadeira:

 

Quem tiver Iphone, pergunte ao Siri se ele te ama. Resposta que obtivemos: “a cada dia que passa gosto mais de você”. Outra: “Siri, você já se apaixonou?”. Resposta: “acho improvável já que sou incapaz de amar”. Humm, será?… MEDA!

 

Não é para pensar? Onde vai parar a evolução das máquinas? E a nossa involução?

 


Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Toda semana, sugere e escreve sobre filmes aqui no Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: porque somos gremistas, meninos!

 

Inter 2 x 1 Grêmio
Gaúcho – Beira Rio (POA)

 

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Há três dias vejo um dos meus meninos vestindo a camisa do Grêmio. Não essa tricolor que vestem nossos jogadores em campo, mas camisas estilizadas, com destaque para o azul que nos representa, o símbolo no lado esquerdo do peito e imagens de um passado recente em que o Olímpico era nossa casa. Algumas tem dizeres impressos no tecido, mensagens enaltecendo nossa história e nossos mitos. Vestiu para ir a faculdade e a academia; para passear no shopping, também. Vestiu porque mesmo tendo nascido longe do Rio Grande aprendeu a ser gremista. Gosta de ser visto assim, identificado como tal. Os amigos mais próximos insistem em perguntar para quem ele torce aqui em São Paulo, como se torcer para o Grêmio não fosse suficiente. Ele não titubeia em responder: sou Grêmio e isso me basta!

 

Hoje, desde cedo, ele e o irmão acordaram mais atentos ao futebol do que costumam ser. Já devo ter contado aqui que, apesar da paixão do pai pelo esporte, eles preferem se concentrar nos times que disputam as competições eletrônicas, especialmente League of Legend, do que na bola rolando. No almoço, queriam saber como estávamos para a decisão e o que nos esperava na partida final.

 

Mesmo que diante do computador, torceram por mim desde o primeiro minuto de jogo, em Porto Alegre. Viram-me sofrer com dois gols que tiveram origem em falhas indesculpáveis de nossos marcadores. Viram-me vibrar no único lance em toda a partida no qual merecemos fazer nosso gol. Aproximaram-se de mim no segundo tempo para compartilhar o drama do relógio que corria para o minuto final. Lamentaram nossos erros e a falta de criatividade como lamentamos todos nós que torcemos pelo Grêmio.

 

Neste domingo, em que nossos defeitos se repetiram e nossos méritos não surgiram, assim como eu, os dois ficaram frustrados com o resultado final. É claro! Perder títulos sempre nos deixa com um gosto amargo. Tiveram, porém, mais uma lição de como um gremista é forjado. De que maneira nossa alma se constrói e nosso coração é massacrado. De que forma precisamos aprender a sofrer para nos tornarmos maior. De que o caminho até a vitória é aberto a partir dessas derrotas. Aprendizado que me fez mais forte na infância para me transformar em campeão do mundo na adolescência. E que está aí para moldar uma nova trajetória com as correções de rumo que se fizeram necessárias.

 

Independentemente do que tenha acontecido hoje e do que venha a acontecer amanhã e depois, nosso destino já está traçado: somos gremistas. E isso nos basta!