No caminho da Copa

 


Por Milton Ferretti Jung

 

Toda vez que,como se dizia antigamente,preciso dar tratos à bola a fim de encontrar assunto para este blog,antes de mais nada,passo os olhos pelos jornais. A expressão que usei acima não tem nada a ver,explico aos mais jovens,com a bola de futebol,objeto muito em moda nesta primeira metade de 2014 por força da Copa do Mundo. Não é,porém,por aí que vou começar o meu texto,não sem antes lembrar que o posto sempre ou quase sempre,nas terças-feiras. Alguns dos temas que elejo ficam,às vezes,sujeitos a chuvas e trovoadas,isto é,podem perder atualidade.

 

Chamou-me a atenção – e como! – nos jornais desta terça,a notícia de que a gasolina vai subir. Segundo a presidente da Petrobras,Graça Foster,o aumento se justifica,eis ser necessário o reajuste visando ajustar os preços internos aos do mercado externo. Será,entretanto,conforme a executiva,um aumento moderado. Acredite quem quiser na tal de moderação. Mesmo com o aumento da gasolina,graças a uma iniciativa governamental,veículos poderão ser comprados com financiamentos menos pesados. É fácil imaginar-se que o número de carros em circulação,depois de pequeno hiato,voltará a crescer e,por óbvio,a entupir as vias urbanas e as rodovias,as primeiras porque é nas cidades que os engarrafamentos tendem a ficar piores. Esse tipo de problema que as metrópoles enfrentam faz já muito tempo,está se estendendo agora até para cidades menores e não sofrerá solução de continuidade enquanto o transporte público não contribuir,de verdade,para que sirva, com qualidade, a maioria das pessoas. Estamos longe deste dia.Por enquanto, baderneiros de todo tipo estão tratando de incendiar coletivos,principalmente, no Rio e em Paulo.

 

Eu,particularmente,acredito tão pouco na melhoria do transporte público quanto na exigência da Anac – Agência Nacional de Aviação Civil – de que os voos,durante a Copa do Mundo,não sofram atrasos. A partir dessa terça-feira,empresas que não cumprirem a exigência receberão multas de R$ 12 mil a R$ 90 mil. Desculpem-me se me acham pessimista de carteirinha,mas também não creio que,aqui em Porto Alegre,a prefeitura conseguirá finalizar o viaduto da Pinheiro Borda e o corredor da Padre Cacique,antes do início da Copa.O prefeito Fortunatti garante que a data prevista para o término destas obras é 31 de maio. Faço votos que José Fortunatti possa cumprir o prometido.Ainda bem que a minha cidade sediará apenas cinco jogo do Mundial..

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele).

Plano Diretor acaba com as zonas residenciais de São Paulo

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

 

O Secretário Municipal de Desenvolvimento Urbano, Fernando de Mello Franco, há uma semana, em artigo na Folha se definiu claramente a favor da interferência nas zonas residenciais. Apontou o Movimento Defenda São Paulo como o vilão que critica e judicializa sem oferecer propostas e sem ter a visão geral da cidade. Cuja preocupação se restringe à preservação das áreas residenciais.

 

A realidade é que, antes da votação do Plano Diretor, o Movimento Defenda São Paulo, junto com mais 54 entidades representativas dos moradores nas áreas residenciais tiveram um contato pessoal com o Secretário, e apresentaram um documento que enumerava as razões pelas quais é fundamental a manutenção destes bairros verdes. Onde destacaram que as ZER zonas estritamente residenciais:

 

1. Ocupam apenas 3,94% do município.
2. Contribuem no aumento da umidade relativa do ar, que é e 5% maior do que nas ilhas de calor.
3. Contribuem no sistema de drenagem de águas pluviais
4. Contribuem para a refrigeração urbana e regulação climática.
5. Contribuem na retenção dos poluentes do ar pela massa arbórea.
6. São ocupadas por moradores de classes diversas, e não somente de classes privilegiadas.
7. Estão garantidas no texto da lei quanto a sua preservação e proteção quando classificadas com Macroárea de Urbanização Consolidada.

 

Este cuidado das associações de moradores, como se observou mais tarde, foi infrutífero. Depois da aprovação do PDE Plano Diretor Estratégico em primeira instância, Luiz Carlos Costa, professor, arquiteto, membro titular do Conselho Municipal de Politica Urbana e Diretor do Movimento Defenda São Paulo, publicou um artigo três dias antes no mesmo espaço ocupado pelo artigo do Secretário. Fato que certamente gerou a manifestação de Mello Franco. A publicação de Costa pediu um Plano mais sensato, e que não deixasse as brechas evidentes ao setor imobiliário. Além da autorização ao adensamento nas imediações do metrô, dos trens e das faixas exclusivas de ônibus, quando já existe super ocupação.
Às 55 entidades das zonas estritamente residenciais resta apostar nas Emendas e na proibição do financiamento das eleições pelas pessoas jurídicas.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Conte Sua História de SP: aulas no fusquinha 62

 

Por José Augusto da Silva Rocha
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

A vida de um professor é repleta de histórias e experiências, e comigo não é diferente. Iniciei a carreira em 1987 lecionando Ciências e Matemática na Escola Estadual Said Murad, na Zona Leste de São Paulo. Eu sempre gostei de Ciências e em minhas aulas procurava despertar o interesse dos alunos. A experiência que mais recordo foi a de 1989 quando os levei para conhecer a cozinha do McDonald’s, em um tempo em que não havia a prática do “visite nossa cozinha”. O objetivo foi trabalhar os micro-organismos e a saúde.

 

Já em 1992, na E.E. Jardim das Camélias, junto com os meus alunos, em especial o D’Ângelo, numa aula de física, criamos a primeira “Redação Móvel” transformando um fusquinha 1962 numa redação de jornal. Entre muitas outras experiências, a mais marcante, também em uma aula de física, na E.E. Professor Pedro Brasil Bandechicc, com os alunos, adaptamos uma bicicleta para atender as pessoas na rua como se fosse uma escola móvel, seguindo os passos do fusquinha 1962. Na aula, eu explicava aerodinâmica, Leis de Newton, inércia …, enfim, uma aula de física. Nesta época, estava estudando Filosofia, pois pretendia trabalhar com a matéria no Ensino Médio.

 

Em agosto de 2009, já lecionando Filosofia, e na mesma escola, em uma aula, explicando sobre a vida de Aristóteles, o aluno Wilson falou: “Professor Rocha, lembra da experiência da bicicleta na oitava série, vamos transformá-la num “Café Filosófico Móvel” onde o senhor poderia ensinar Filosofia na rua, como o Aristóteles fazia”. E, assim, iniciou-se mais uma história. Com o apoio dos alunos, começamos a desenvolver o projeto do café filosófico nas imediações da escola, como experiência e verificação da aceitação e participação do público. O envolvimento dos alunos foi 100%, incluindo outras turmas, pois eu ainda lecionava Ciências para o Ensino Fundamental. Após um semestre de trabalho, pude observar que o resultado foi positivo, pois aproximei os alunos e eles passaram a participar mais das aulas, tanto de Ciências como de Filosofia.

 

Em 2010, com a bicicleta totalmente readaptada, fomos para a rua desenvolver o café filosófico móvel, projeto que serviu como base, para outros, como o “A Educação como desenvolvimento local”, “Mediação Judicial” e o mais novo projeto que estamos realizando na E.E. Pedro Brasil Bandechicc com o objetivo, de despertar valores e respeito ao próximo, que se chama Justiça Restaurativa.

 

Hoje, ao comemorar 25 anos de magistério, só tenho que agradecer a todos os meus alunos, pois, com eles, aprendi mais do que ensinei. E a minha história não termina aqui, pois se educar é um atributo que Deus deu a todos e a alguns Ele chama de professor, sem perder a essência, hoje caminho em estradas paralelas. Em 2011, a convite de minha amiga, Dra. Margarete, fui fazer o Curso de Conciliação Judicial e descobrir ali a grande oportunidade de continuar contribuindo com a sociedade. Engajado neste caminho, o percurso da Justiça, em 2012, fui para a Faculdade de Direito, e posso me considerar um acadêmico de sorte, pois já iniciei o Curso com uma nova visão: o olhar,para a cultura da paz e não a cultura da sentença, que de certa forma, é ensinada nos Cursos de Direito. Neste ano, 2014, paralelo ao meu trabalho como professor, sou voluntário no CEJUSC Central, atuando como Conciliador e Mediador Judicial, iniciando assim mais uma história de minha vida, que mesmo, estando readaptada ainda pulsa em mim, o educador que nasci para ser. Muito obrigado a todos, por participarem direta ou indiretamente, de cada história, de nossa vida.

 


O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN SP. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode participar enviando seu texto para Milton@cbn.com.br ou agendando entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net.​

Avalanche Tricolor: amor de mãe é Imortal

 

Chapecoense 1 x 2 Grêmio
Brasileiro – Arena Condá (SC)

 

 

O Domingo do Dia das Mães começou onde sempre começam meus domingos, na capela da Imaculada Conceição, tão próximo de onde moro que deixo para sair de casa quando o sino chama. Pequena para a quantidade de famílias que a procuram especialmente em datas importantes como essa, assisti ao início da cerimônia em pé e do lado de fora. Somente quando o padre José Bertoloni já iniciava sua dinâmica de conversar com os fiéis, exercício que faz para agregar e tornar mais confortável a presença de tantas pessoas no interior da capela, consegui um pequeno lugar para sentar e me proteger do frio que começa a tomar conta de São Paulo neste meio de Outono. Vê-lo no altar foi uma satisfação especial, pois soube que esteve incapacitado de rezar a missa devido a forte gripe que o deixou na cama, semana passada. Pela idade que apresenta e os sinas de uma doença incômoda, fico sempre torcendo, ou melhor, fico sempre rezando pela saúde dele e para que no domingo seguinte volte a encontrá-lo. Bertoloni, que já foi personagem desta coluna, é conterrâneo e gremista, mas nesta manhã, em nossa conversa de despedida, quando costumamos trocar rápidas palavras entre um cumprimento e outro, nosso coração estava muito mais voltado para a lembrança de nossas mães que já se foram do que do time que jogaria logo mais à tarde, no interior de Santa Catarina. Foi um cumprimento silencioso e cúmplice. Eu perdi minha mãe, a Ruth, muito cedo, morta por um câncer fulminante, mas convivi com ela tempo suficiente para muitas lições e ótimas memórias. Eu e meus irmãos, tenho dois, o Christian e a Jacque, e uma prima irmã, a Anelise, soubemos tocar a vida em frente, sempre contando com o apoio do nosso pai, o Milton, que você costuma ler às quintas-feiras aqui no Blog e se aproveitando das muitas coisas que ela nos ensinou. Dia desses, quase sem querer, encontrei sua última carteira de identidade, entre várias fotos dos meus tempos de atleta e alguns recortes de jornal, curiosamente na véspera do aniversário dela que é comemorado no dia 25 de março. Se viva, estaria hoje com 77 anos e, com certeza, orgulhosa do caminho que cada um dos filhos tomou e disposta a nos embalar no primeiro sinal de fraqueza, como sempre fez quando precisamos. Entre nós e conosco, realizou alguns desejos como oferecer à filha e à sobrinha/filha uma linda festa de debutantes; conseguiu nos manter em uma das melhores escolas da cidade, mesmo diante de dificuldades financeiras que enfrentamos; viu todos os filhos se formarem na faculdade, pois sabia como a educação era fundamental; e, pouco antes de morrer, abriu uma creche onde exerceu o sonhado papel de professora. Não preciso dizer que minha mãe também torcia pelo Grêmio, apenas não lembro se era fanática como o pai e seus filhos. Lembro, porém, que era capaz de entender o meu sofrimento diante de alguns resultados negativos e permitir que eu ficasse até mais tarde na cama em troca de atividades externas onde, certamente, iria me deparar com torcedores adversários.

 

Pode parecer curioso que dedico este espaço, por costume preenchido com os feitos gremistas e do futebol, a falar de minha mãe em lugar de exaltar os dois gols de Barcos nesta tarde, em Santa Catarina. O primeiro saiu após uma virada rápida quase na área pequena em bola que sobrou de cobrança de escanteio e o segundo foi com drible e conclusão precisa, após troca de passes entre ele, Dudu e Luan, que entrou apenas no segundo tempo. A vitória em um estádio lotado – que o pessoal teima em chamar de Arena – e campo acanhado já coloca o Grêmio em seu devido lugar, na disputa do título e de vaga na Libertadores. Ou seja, havia bons motivos para escrever sobre o Grêmio, mesmo considerando que este campeonato ainda não me empolgou como deveria, talvez pela interrupção que teremos devido a Copa do Mundo e as desclassificações recentes. Mas, convenhamos, o dia ficou mesmo tomado pela força da data comemorativa, já que depois da missa era momento de se preparar para o almoço com as mães que estão em nosso entorno: mulher, sogra e cunhada. Sem contar que no instante em que parei para assistir ao jogo, o locutor da televisão informou que a última partida entre Grêmio e Chapecoense havia se realizado em 1978 e lá fui em buscar na minha memória os bons momentos que vivia com a Dona Ruth, há 36 anos.

Mundo Corporativo: Ernesto Haberkorn e 10 princípios para ter qualidade de vida

 

 

Ter sucesso na carreira profissional e manter a qualidade de vida é um desafio para os trabalhadores que vivem sob pressão e em busca de metas que muitas vezes parecem inatingíveis. Para ajudá-los a vencer esta batalha, o empresário Ernesto Haberkorn apresenta 10 princípios básicos que aplicou em sua própria vida com resultados positivos, nesta entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Haberkorn é diretor da TI Educacional e tem a carreira dedicada à área de tecnologia da informação. Ele foi um dos fundadores da TOTVS e lançou o livro Dicas Para Chegar Lá, distribuído gratuitamente em suas palestras. Para receber o livro em casa, basta fazer o pedido pelo e-mail ernesto@tieducacional.com.br

 

O Mundo Corporativo vai ao ar, quartas-feiras, 11 horas, e você assiste, ao vivo, no site da rádio CBN. As perguntas podem ser enviadas para o e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Gentileza e educação são essenciais no luxo

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

O mercado do luxo ainda representa para as pessoas a perfeição. Ou, talvez, a expectativa de que esta existe. Se pensarmos racionalmente, isso faz total sentido, e a perfeição é realmente um dos ítens que definem um produto como de luxo, além, é claro, da alta qualidade, prestígio e história da marca e de seu criador. Sem esquecer jamais dos aspectos intangíveis. O que é intangível é uma das principais chaves do sucesso (ou não) de marcas de luxo.

 

Apesar de parecer um “mundo perfeito” muitas marcas prestigiosas ainda pecam no atendimento. Treinamento de produtos, treinamento comportamental, desenvolvimento de pessoas. Tudo isso é essencial, claro, mas a educação e a gentileza vêm se tornando itens raros nas pessoas em diversos segmentos, independentemente de ser em negócios do luxo.

 

Além de informação sobre o produto, conhecer a história e valores da marca e até a forma de abordar o cliente, dar-lhe atenção, tratá-lo como único pode representar o encantamento do cliente pela marca. A falta dessa atenção tende a ser negativa. Decididamente negativa.

 

Vivenciei, recentemente, situação que considero exemplar do despreparo de profissionais que atuam no mercado de luxo. Em dezembro do ano passado, a apenas alguns dias do Natal, estava em uma loja de varejo de luxo em renomado shopping de São Paulo. Por ser período de grande movimento, a loja estava com todos os vendedores ocupados. Observando o comportamento deles, notei uma funcionária do caixa jogando Candy Crush no celular. Pedi a ela apenas uma informação. Ela me respondeu sem tirar seus olhos da telinha. Eu agradeci e ela não esboçou qualquer reação. Exemplo de falta de educação, falta de orientação e de treinamento comportamental.

 

A cada dia vemos mais pessoas instruídas, ou seja, que seriam educadas a princípio, mas com atitudes grosseiras ou desatenciosas. A gentileza, educação e o atendimento individualizado contribuem para o fluxo de clientes. O relacionamento com o cliente pode ser uma grande aposta para atrai-los e fidelizá-los. Gentileza e educação são aspectos intrínsecos que profissionais de atendimento devem possuir, seja para atuar com luxo ou não. Afinal, quem não gosta de ser bem atendido, entendido e encantado?

 

E os profisisonais da sua marca, são educados e estão preparados para lidar com os seus clientes?

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Mais uma viagem de bonde pelo passado

 

Por Milton Ferretti Jung

 

No texto que digitei para este blog,na última quinta-feira,dia 1º de maio,os bondes de Porto Alegre foram o meu tema. Cheguei a imaginar que tivesse esgotado o assunto. Ao buscar algo para preencher o espaço de hoje,porém,dei-me conta de que estava enganado. Esses veículos, que saíram de moda há muito tempo, foram protagonistas de variados e saudosos episódios que começaram na minha adolescência e se estenderam até eu ter atingido a idade adulta.

 

No texto anterior sobre os bondes,quase chegando à conclusão,assinalei que os meus filhos,por iniciativa da Ruth,a falecida mãe deles,levou-os a passear no último que rodou nos trilhos do Menino Deus. Se não estou enganado, Jacqueline, Mílton e Christian,especialmente este – o caçula – talvez somente tiveram aquela última chance de viajar em um desses veículos. A data da despedida foi 8 de março de 1970. Os três,naquele tempo,iam para os respectivos colégios de Kombi.

 

Viajei vários anos de bonde no tempo em que estudei no Colégio Anchieta,então situado na Avenida Duque de Caxias. Quando passei para o Colégio Nossa Senhora do Rosário,ía de carro com o meu pai. Em 1954,com 18 anos,ainda estudante,fiz um teste na Rádio Canoas. Eram muitos os candidatos,mas só três foram aprovados pelos inesquecíveis examinadores,o Léo Ramos e o Hélio Assis. A emissora montou o seu primeiro estúdio em uma casa de madeira,que ficava na frente da torre de transmissão. A Canoas,depois,mudou-se para a Rua Moura Azevedo e,a seguir,estabeleceu-se na Avenida Eduardo,hoje Franklin Roosvelt. Aí,os bondes já não circulavam mais.

 

Bem antes disso,entretanto,comecei a namorar Ruth. O namoro começou em uma quermesse da paróquia do Sagrado Coração de Jesus. Eu era um dos locutores na Voz Alegre da Colina,serviço de alto-falantes graças ao qual animávamos as festas de uma igreja que começava a ser construída. Se é que alguém está lendo este texto,informo que,no meu namoro,os bondes voltaram a aparecer. Os pais da Ruth deixaram as proximidades da casa onde eu morava,mudando-se para a Rua do Parque. Era,então,o bonde São João que me levava,ida e volta,à casa da minha futura mulher. A linha era servida pelos “gaiolas”,bondes de tamanho menor do que os demais. Como eles se sacudiam muito,não era raro que descarrilassem. Uns e outros percorriam a Rua do Parque em toda a sua extensão e iam até o fim da linha.Eu viajava neles para ir da casa dos meus pais,onde morei até pouco antes de casar,até a da Ruth.

 

Eu usava esses bondes também para ir trabalhar na Rádio Canoas. Em 1958,fiz dois testes na Rádio Guaíba. Passei em ambos,mas não gostei do salário que Mendes Ribeiro,diretor de broadcasting,me ofereceu quando passei no primeiro. Pouco tempo depois,voltei à Guaíba. Aden Rossi,chefe dos locutores dessa emissora,testou-me novamente. Passei no exame e continuei a usar os bondes da linha São João para ir da 16 de Julho,onde vivi boa parte da minha existência,até a casa da Rua do Parque. Ruth e eu casamos em 1961 e,ainda sem ser proprietário de automóvel,ia e voltava num Floresta até o meu sonhado emprego em uma rádio de porte. O último bonde que usei foi o Menino Deus. Os ônibus,se comparados com os bondes,serviram-me muito pouco. Por isso,vou continuar tendo saudade dos bondes e lamentando que tenham ficado apenas na lembrança neste país em que a mobilidade urbana é cada dia mais precária.

 


Milton Ferretti Jung é radialista, jornalista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Preço baixo na moda é custeado pelo mais fraco

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Por Carlos Magno Gibrail
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A entrada da FOREVER 21 no Brasil suscita mais uma vez a questão dos preços baixos. Esse fato aparentemente alvissareiro encontra um mercado brasileiro de moda mais crítico. O sucesso na abertura das duas primeiras lojas Forever, com filas de consumidores ávidos por seus produtos não tem iludido observadores atentos. E já apontam ganhos e perdas.
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A moda, um setor que até a pouco tempo não era levado a sério, tanto pelo jornalismo que via apenas o lado fashion, quanto pelo mundo econômico que o ignorava, evoluiu. Por isso, ficou claro que não há milagre nem novidade na operação do sul-coreano Chang.
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Um pouco de fama, um salário de fome, uma ágil espionagem, uma concessão especial dos shoppings, outro tanto de dumping e um tantão de pouca qualidade na matéria prima e na mão de obra, resultam nos atrativos preços apresentados. Esta é a realidade, lida com a expertise do ramo da moda brasileiro. Entendendo que Chang, idealizador e executor deste jovem império, quando diz que não gasta com marketing nem com classe executiva nas viagens aos seus diretores, está falando a verdade, mas justificando falsamente a causa do baixo preço.
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Prova é que ,segundo o jornalista Álvaro Leme, em matéria da VEJA, o Ministério do Trabalho americano tem acusações a Chang por pagar aquém do salário mínimo e submeter os funcionários a precárias condições de trabalho. Registra também que há mais de 50 ações de pirataria contra a Forever 21 por copiar modelos de outras marcas que estão sendo vendidos em suas lojas.
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A sagacidade que emana da operação de Chang deve ter prevenido-o das ameaças e oportunidades de nosso mercado. Alta tributação e consumidores intensos exigirão a agilidade e esperteza que tem caracterizado a Forever 21. Welcome!
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Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Um pouco do que penso sobre ser jornalista

 

Recentemente concedi entrevista para o site NUBE que faz seleção e recrutamento de estagiários na qual falei sobre exercer o jornalismo. Reproduzo aqui o resultado da conversa com a repórter Cláudia Giannoni. O texto que segue é da apresentação da entrevista feita pelo próprio site:

 

 

Jornalista há 30 anos e uma das vozes mais conhecidas pelo brasileiro. Logo cedo, acorda os paulistanos com as mais diversas notícias e informações e faz de sua rotina uma pauta diária. No “Especial Carreira” desta semana você conhecerá um pouco mais sobre Milton Jung, âncora da Rádio CBN.

 

Formado em jornalismo pela PUC, ele conta ter pensado durante uma época de sua vida em fazer educação física. “Porém, toda minha família é da imprensa, tio, pai, esposa. Então, não tive como fugir muito do ramo”, comenta.

 

Em sua carreira, já passou pelos mais renomados veículos de comunicação e adquiriu uma experiência imbatível na arte de noticiar. Portanto, se você quer conhecer um pouco mais sobre o mundo onde os acontecimentos mandam e desmandam nos assuntos midiáticos, assista agora mesmo mais uma reportagem da TV Nube!

 

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Conte Sua História de SP: chegou do Egito para encontrar a Liberdade

 

No Conte Sua História de São Paulo, você ouve um pequeno trecho do livro Vou para o Brasil, escrito por Ugo di Stefano, italiano nascido no Egito que veio jovem para o Brasil.

 

 

No dia 17 de dezembro de 1956 o navio atracou no cais de Santos. Desembarcamos com nossas poucas malas, só roupa e alguns livros. Subindo a serra de ônibus sob uma leve chuva, observava com curiosidade os telhados vermelhos das casas, muitas casas com telhados. Era acostumado a ver casas sem telhas. Claro, no Egito não chovia, portanto bastava uma laje de concreto e só. As telhas eram usadas em palácios públicos ou em grandes mansões. A vegetação da serra de Santos mostrava vários tons de verde e as árvores muito próximas umas das outras, sem deixar espaço. Incrível, uma floresta perto das cidades de Santos e de São Paulo. Uma maravilha! Em um bosque de pinheiros no Egito, era fácil o acesso entre as árvores, mas nesta linda floresta, de vegetação tão densa, não me parecia possível penetrar facilmente.

 

Recebi a informação que para encontrar uma pensão italiana razoável precisava comprar o jornal italiano Fanfulla publicado em São Paulo. Fiz isto e achei uma pensão que visitei. Era boa,. situada na rua Canuto do Val, no bairro de Santa Cecília e meu irmão ficou em outra, na rua adjacente à minha. As donas das pensões eram italianas e ofereciam café da manhã, almoço e jantar. No meu quarto um rapaz italiano que trabalhava como vendedor em uma firma de relógios de ponto. No dia seguinte fomos ao consulado geral da Itália para registrar presença e, mais importante, para perguntar sobre a possibilidade de trabalho. Quando souberam que vínhamos de Port Said, fomos apresentados imediatamente ao cônsul, que depois de conversar um pouco conosco chamou por telefone o responsável do jornal Fanfulla para anunciar duas pessoas que poderiam dar informações interessantes sobre o desembarque anglo-francês no Egito. Percebemos que a resposta do outro lado da linha era de que o assunto do desembarque já era notícia velha. Com um telefonema, o cônsul conseguiu um trabalho para mim nas Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo. Pediu-me, que fosse no dia seguinte à Praça do Patriarca, escritório central, falar com o sr, Maddaloni no sexto andar. Para meu irmão ele deu outro nome e endereço.

 

Fui admitido com o salário de 3.700,00 Cruzeiros, que era o salário mínimo da época, mas dava para pagar a pensão e ainda sobrava um pouco. Três meses depois o salário mínimo aumento para 4.500,00 Cruzeiros. Com o extra, dava p[araa fazer algo mais., Às vezes penso, como o Brasil mudou, Hoje com o salário mínimo em São Paulo de 755,00 Reais não daria para pagar uma pensão completa para uma pessoa em um bom bairro, como era Santa Cecília naquela época, em 1957.

 

Comecei a conhecer os arredores da pensão, Uma igreja grande e bonita, no largo Santa Cecília, lojas de departamentos, escritórios comerciais e sobrados bem pintados e bonitos. A avenida Angélica com grandes casarões e com uma bela praça de nome Buenos Aires, ampla e arborizada. Andando pela calçada da praça … O que vejo? … Alarme! Um jovem casal em pé, mais do que juntos se beijando apaixonadamente na boca? Um outro casal, nos seus 20 e poucos anos, sentado em um banco da praça, também se beijando com muito entusiasmo. na minha mente tocou o alarme: HARAM!!! Isto não pode ser, é HARAM. Na língua árabe HARAM quer dizer: PECADO, não permitido. Como fazer uma coisa destas em público? E tudo com a maior tranquilidade, não se importando com ninguém. Devo confessar que eu nunca fui santo, mas em público não se faziam estas coisas no Egito, herdando, assim, os costumes árabes. Foi neste momento que senti verdadeiramente o sublime sentido da liberdade. Me senti absolutamente livre … em um país livre.

 


O Conte Sua História de São Paulo tem a locução do Mílton Jung e a sonorização do Cláudio Antonio. Para participar do quadro que vai ao ar, aos sábados, após às 10h30 da manhã, no CBN SP, mande seu texto para milton@cbn.com.br ou agende entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net