Avalanche Tricolor: começo encorajador e rejuvenescedor, no Gaúcho

 

Esportivo 0 x 2 Grêmio
Gaúcho – Bento Gonçalves (RS)

 

 

O Grêmio foi a Montanha dos Vinhedos – estádio com nome mais pomposo do que sua estrutura – com um time muito jovem, garotos que até ontem tinham a ambição de conquistar a Copa São Paulo de futebol júnior; havia outros que acabaram de chegar ao clube, talvez ainda sem acreditar na rara oportunidade de sair de uma equipe da quarta divisão do campeonato brasileiro para integrar um elenco disposto a ganhar a América. A esses juntaram-se dois ou três nomes um pouco mais conhecidos do torcedor. E todos foram entregues ao comando de um técnico, Mabília, que sequer havia tido a chance de treinar os profissionais ainda. Um cenário que se construiu graças ao encavalado calendário do futebol brasileiro que, como costuma dizer minha mãe, precisa colocar Porto Alegre dentro de Canoas. Aos que leem esta Avalanche distante do Rio Grande do Sul cabe a explicação: Canoas é cidade metalúrgica ao lado da capital gaúcha que tem pouco mais de 320 mil habitantes, enquanto Porto Alegre, abriga cerca de 1,4 milhão.

 

Se a tarefa de encaixar as competições estaduais, nacionais e sul-americanas no período de um ano é praticamente impossível, nós sabemos bem que para o Grêmio tudo é pode acontecer. Por isso, mesmo com a equipe principal treinando em Quito, no Equador, há uma semana, para iniciar a disputa da Libertadores, o espírito tricolor se fez presente em Bento Gonçalves. Pequenos e grandes guerreiros apareceram com a camisa do Grêmio, demonstrando talento, garra e precisão, apesar de desentrosados. Dos baixinhos, Gustavo Xuxa foi o maior, tendo sido caçado boa parte do jogo por seus marcadores. Dentre os grandes, Lucas Coelho foi o melhor, revelando personalidade ao partir para cima da defesa, força para driblar os zagueiros e um pé certeiro no chute. Fez o primeiro gol e permitiu, com um desvio de cabeça, que o segundo fosse marcado por Paulinho, este da lista dos recém-chegados.

 

Claro que esta é a primeira partida oficial do ano e pouco pode significar para o restante da temporada. Nossas atenções estão todas voltadas para quarta-feira quando teremos o primeiro dos muitos desafios da Libertadores. Mas para um campeonato que começa quando ainda estamos nos espreguiçando das férias e sem o mesmo glamour do passado, o que vimos no fim da tarde deste domingo foi encorajador. Diria mais: rejuvenescedor.

De definição

 

Por Maria Lucia Solla

 

Flores

 

Dizemos que o que se planta, se colhe; e ao mesmo tempo mora na mente a crença na sorte e no azar. Eu colho o que planto e vira e mexe me vejo de mãos dadas com uma ou o outro. Quando passo um tempo com um deles, depois da festa ou do sofrimento, me dou conta de quanto aprendo, de quanto cresço, de quanto tenho e do pouco que preciso. Tem também o fato de que o que é sorte para um pode ser azar para o outro. De qualquer ângulo que eu olhe, dentro ou fora do cerco, esses dois aparentados me dão a oportunidade de me tornar mais humilde e de me levar a entender que estar no comando do barco é uma função que se curva frente à força do mar. Sinto que vale mais o que tenho, do que o que não tenho.

 

Na verdade é preciso ter coragem para seguir o coração e para perceber a oportunidade que a sorte carrega. É pegar ou largar. Sorte e azar são duas faces da moeda, como tudo neste planeta de contrastes. Sorte vem vestida de alegria, satisfaz; azar vem devastando na porta de entrada. Agora, que a moeda cai de um lado ou do outro e vira a vida de pernas para o ar, isso não dá para negar.

 

Tenho aprendido que não é a sorte que vem até mim, mas sou eu que percebo o caminho até ela e decido ficar ali o maior tempo possível. Cada um escolhe o seu caminho, ou não…

 

“A definição está sujeita a revisão; é um ponto de partida, não algo esculpido em pedra para ser defendido até a morte.” Daniel C. Dennet, no livro que ganhei do Dimas e do Zeca, Quebrando o Encanto.

 

Até a semana que vem.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

A semana de moda masculina de Milão

 

Por Dora Estevam

 

Apesar de estarmos no meio da semana de moda de Paris, quero que você veja algumas tendências apresentadas na semana anterior, a de Milão. Os italianos apresentaram uma coleção mais próxima da realidade, mostraram que sabem fazer roupas masculinas. Ternos bem cortados, alfaiataria perfeita, sweaters coloridos e calças mais largas. Acompanhe os comentários dos editores que se sentaram nas primeiras filas dos desfiles e foram entrevistados pelo querido Tim Blanks da Style.com.

 

Gucci

 

 

Prada

 

 

Dolce & Gabbana

 

 

Street style, shooting dos editores

 

Vou mostrar para vocês algumas fotos dos editores que foram cobrir a semana. Veja como eles se vestiram para a cobertura.Esteja atento às roupas das meninas. Influência masculina total.

 

 

Paris

 

E segue até domingo, dia 20, a semana de moda de Paris, vejam estas fotos do primeiro dia dos desfiles, que começou na quarta-feira, dia 16.

 

 

E então, quais as suas impressões com relação a moda italiana e parisiense?

 

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, no Blog do Mílton Jung, aos sábados.

Mundo Corporativo: esteja preparado para liderar

 

“Ser líder dentro de uma empresa não depende do cargo que você ocupa”. A afirmação é de Edilberto Camalionte, sócio da Atingire, empresa de treinamento corporativo, em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Para Camalionte, o profissional que pretende se capacitar para o papel de liderança em um grupo precisa, primeiro, avaliar aquilo que você tem a possibilidade de ser versus o que você é, ou seja, identificar os seus talentos. Segundo, desenvolver olhar crítico a respeito daquilo que você faz hoje: “as pessoas passam muito tempo da vida delas reclamando daquilo que elas fazem, reclamando das empresas que elas passam, sem conseguir perceber a função especifica que elas tem nas empresas”. E, terceiro, você tem de refletir se está se preparando para exercitar a função de líder. Camalionte escreveu ao lado de Fernando Jucá, Ricardo Jucá e Ruy Bilton o livro “Academia de Liderança” (Papirus 7 Mares).

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da rádio CBN e você pode participar com perguntas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Conte Sua História de SP: pecado na procissão de São Miguel

 

Por Suely Pires Eustachio Vale
Ouvinte-internauta

 

Ouça este texto sonorizado pelo Cláudio Antonio, no Jornal da CBN

 

Nasci na Zona Leste de São Paulo, mais especificamente em São Miguel Paulista, na época, 1949, Baquirivú, ali, vizinho de Guaianazes. Vivi 60 anos nesse bairro, que mais parecia uma cidade de interior, onde se reconhecia as pessoas pelo sobrenome: “ele é dos Piassi”, ou “ela é dos Lapenna”, ou “ele é dos Velucci”, e assim por diante. Tempo que se comprava com caderneta no açougue e do “Seu Osvaldo”, e no empório do “Seu Firmino” e se comprava em prestações o material de construção no Depósito Jaraguá, onde eu ia de mãos das com o meu pai, muito orgulhosa, no início do mês para pagar as prestações da casa que fora construída recentemente.

 

Estudei no Colégio D.Pedro I, da rede estadual de ensino, em frente ao Mercado Municipal do bairro, onde começa a Rua Serra Dourada, que hoje se parece mais com a Rua Direita do centro de São Paulo, tão grande é o movimento de pessoas.

 

Continuo residindo na Zona Leste, no bairro do Tatuapé, mas pelo menos uma vez por mês vou a São Miguel Paulista para fazer compras em um supermercado do bairro com minha tia Nim. Tenho saudades dos amigos e parentes que ainda estão lá, dos anos vividos na Rua Professor Joaquim de Camargo e das procissões do Santo Padroeiro, São Miguel, quando o Padre Aleixo Monteiro Mafra (hoje nome da praça principal, onde se encontram a capelinha e a Igreja Matriz), são-paulino roxo, saia da procissão, ia até uma casa ou bar para tomar informação do resultado do jogo do seu time do coração. Era o que bastava para carolas dizerem: “que pecado”!

 

Suely Pires Eustachio Vale é personagem do Conte Sua História de São Paulo. Escreva para milton@cbn.com.br e vamos comemorar os 459 anos de São Paulo.

O que fazer para reduzir tiroteios

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Outra escola dos Estados Unidos foi palco não de uma tragédia igual a que recentemente comoveu o mundo por ter vitimado 20 crianças, em um colégio de Newton-Connecticut, mas também teve a protagonizá-la um atirador solitário. Essa ocorreu no Colégio Taft Union, localizado a 190 quilômetros de Los Angeles. Um aluno apenas ficou ferido. O episódio fez com que recrudescesse, porém, o debate, sobre a necessidade do controle da venda de armas naquele país. Lembrou-me o Mílton, quando dei asas, neste blog, à minha revolta com o massacre de Newtown, que no Estados Unidos armas são vendidas até em supermercados.

 

O presidente Barack Obama chorou, recorda-se, ao discursar naquela ocasião, diante dos familiares das vítimas. Mais do que ir às lágrimas, ele decidiu passar ao seu vice, Joe Biden, a responsabilidade de coordenar um grupo de trabalho capaz de construir – palavra em moda por aqui – propostas de mudanças na legislação acerca de porte de armas. Biden teve um encontro com representantes da National Rifle Association (em português ,Associação Nacional do Rifle) e ficou sabendo (?) que, nos últimos 18 dias, a NRA contabilizou mais de 100 mil novos sócios. Possui, agora, 4,2 milhões de membros pagantes. A maldita sociedade que tem como nome uma arma letal, segundo tudo indica, não se impressiona com as tragédias que, volta e meia, estarrecem o seu país. Aliás, apesar dos pesares, a NRA, segundo um dos seus porta-vozes, espera alcançar 5 milhões de associados, antes que termine o debate encabeçado por Joe Biden sobre a posse de armamentos. A declaração do tal porta-voz que mais me impressionou negativamente foi a de que a instituição pela qual se manifesta vai falar com “verdadeiros americanos” ao redor do país que esperam que a NRA não comprometa algum princípio da Segunda Emenda. Textualmente, o ilustre americano, declarou: ”Nós não vamos apoiar o banimento de armas. Mas nós estamos ouvindo”. Desconfio que essa última frase tenha segundas intenções. E não as do Governo dos Estados Unidos. James Alan Fox, professor de criminologia em Boston, lembra que, em alguns estados do seu país, pode-se comprar uma arma por mês; em outros, quantas as pessoas quiserem. Lamentavelmente, vamos ter de continuar tomando conhecimento de novas tragédias, eis que o próprio criminologista americano, ouvido por telefone pela Zero Hora, disse que “não há muito que se possa fazer para reduzir tiroteios”.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Foto-ouvinte: a cara de São Paulo aos 459 anos

 

Juca Kfouri

 

Um senhor sentado na praça comendo pastel é a cara de São Paulo, aos 459 anos, para a ouvinte-internauta Neusa Stranghette. E o senhor da foto, não é um senhor qualquer. Nem a praça é uma praça qualquer. É Juca Kfouri participando do programa especial em homenagem a São Paulo, promovido pela rádio CBN, no Pátio do Colégio, no ano passado.

 

Curta o álbum de fotografias da série “A Cara de São Paulo aos 459 anos”, promovida pelo Blog do Mílton Jung, construído pelos ouvintes-internautas da CBN.

Conte Sua História de São Paulo: o Sargento salvou meu casamento

 

Por Bernadete Areias Borges
Ouvinte-internauta

 

Mosteiro de São Bento

 

Ouça este texto sonorizado pelo Cláudio Antonio, no Jornal da CBN

 

Rodrigo e eu marcamos nosso casamento no Mosteiro de São Bento, centro da cidade, para o dia 17 de janeiro de 2004. A escolha do local foi feita depois de termos rodado São Paulo inteira a procura de alguma igreja diferente de todas que já tínhamos ido. Visitamos a Capela da PUC, mas era pequena para os 300 convidados. A Catedral da Sé, mas era grande demais… Enfim, decidimos com um ano e meio de antecedência que o Mosteiro de São Bento seria a igreja ideal. Durante este período, nos aproximamos dos monges e aprendemos a apreciar ainda mais as belezas do Mosteiro. As exigências foram cada vez mais fazendo sentido. Eram proibidas velas para não estragar as madeiras, flores grandes para não diminuir a beleza … Tivemos muita dificuldade de contratar um coral que não tivesse voz feminina, pois mulheres não poderiam passar pela clausura, acesso até o lugar das vozes.

 

Tudo estava perfeito, atendendo nossos sonhos e respeitando a importância do Mosteiro de São Bento, até que recebi uma ligação do meu avô Roberto. Paulistano de 80 anos, aposentado do Jockey Club de São Paulo, conhecia o Centro de São Paulo como ninguém e foi ele quem me alertou: – “Você está sabendo que haverá uma caminhada pelo Centro Histórico de São Paulo para comemorar os 450 anos da cidade no dia do seu casamento?”.  Pronto, já não sentia mais minhas pernas e meus sonhos tinham desabado!

 

 
Procurei mais informações e descobri que todo o Centro seria fechado para carros e a caminhada passaria pelo Mosteiro de São Bento por volta das cinco horas da tarde. Meu casamento estava marcado para as seis, impreterivelmente, após as 18 badaladas dos sinos da Igreja. Falei com todas as secretarias envolvidas, prefeitura, DSV, até que descobri uma Base da Polícia Militar em frente ao Mosteiro. Liguei, expliquei para um Sargento minha situação e ele, provando de que ainda existe gente boa neste mundo, de a solução. Uma vez que os acessos estariam fechados, pediu que eu comunicasse a todos meus convidados que viessem pela Rua Florêncio de Abreu e subissem a ladeira lateral ao Mosteiro (que é contramão e tem trânsito proibido), pois haveria um acesso permitido apenas aos convidados do casamento.

 

 
Claro que não acreditei que isso funcionaria, mas como não havia nenhuma outra opção, fizemos as comunicações devidas  e começamos a rezar para São Bento. A semana foi longa, mas a espera foi compensada: ao seguir as instruções, passei pela caminhada como alguém famosa, com toda a pompa dentro de um Rolls Royce (que pertenceu a Getúlio Vargas), sendo fotografada por todas pessoas que estavam admirando e prestigiando a mais linda das cidades brasileiras, São Paulo. Ao chegar no Largo São Bento, quem veio me receber? Ele, o Sargento. Mesmo estando de folga fez questão de organizar a chegada dos convidados e me dar todo suporte para o grande dia. Batedores da Polícia Militar escoltaram meu carro, que ficou parado em um isolamento da PM até a entrada na Igreja. Infelizmente – seja pelo nervosismo seja pela emoção – não me lembro do nome do Sargento que tanto me ajudou, mas é a ele que dedico minha homenagem à São Paulo.

 

Bernadete Areias Borges é personagem do Conte Sua História de São Paulo. Escreva para milton@cbn.com.br e comemore conosco os 459 anos de São Paulo.

Conte Sua História de São Paulo: meu mico paulistano

 

Por Carlos Santiago
Ouvinte-internauta

 

1958

 

Ouça este texto sonorizado pelo Cláudio Antonio no Jornal da CBN

 

Certa vez, meados de 1995, embarquei num ônibus que saía da Vila Mariana e percorria toda avenida Paulista e Doutor Arnaldo, seguindo pela Sumaré, que era meu destino. A viagem era para ser tranquila, sem transtorno. No entanto, quando o ônibus chegou ao Paraíso, o trânsito parou. O trânsito em São Paulo sempre para quando a gente precisa andar. E ficou alguns minutos sem sequer se mover. Eu que já estava com pressa para chegar ao compromisso marcado – a gente está sempre com pressa em São Paulo – não suportei aquela ansiedade. Logo percebi que estávamos em frente à estação Paraíso e tive uma ideia brilhante. Pago a passagem, peço para descer aqui mesmo, corro para o Metrô, embarco no trem e vou até a Estação Clínicas, desembarco, volto à Paulista, e pego o ônibus que vai para o Sumaré que esta mais à frente. Driblo o congestionamento e chega a tempo na reunião. Jogada de gênio. Rapidamente pus o plano em ação, desci do ônibus, entrei na estação do Metrô, peguei o trem, desci do trem e em poucos minutos estava na Clínicas. Logo cheguei no ponto a espera do próximo ônibus. Porém, com o passar do tempo percebi que havia sido muito otimista com relação a quantidade de ônibus disponíveis na linha. Imagine qual não foi a surpresa do motorista, do cobrador e de alguns passageiros, que me reconheceram, assim que entrei no mesmo ônibus pela segunda vez, em meia hora. Todos me olhavam com um enorme ponto de interrogação, sem entender minha estratégia. Eu mesmo não pude conter o riso diante do ridículo da situação, pois além de pagar três passagens em vez de uma, cheguei atrasado do mesmo jeito. Fora o mico paulistano.

 


Carlos Santiago é personagem do Conte Sua História de São Paulo. Envie um texto para milton@cbn.com.br e vamos juntos comemorar os 459 anos de São Paulo.