Tecnologia para conter os “barbeiros”

 

Por Milton Ferretti Jung

 

O Departamento Estadual de Trânsito – DETRAN – do Rio Grande do Sul está tomando importantes providências para diminuir o número de acidentes fatais neste estado. A primeira providência deve ser adotada no início de 2013 e visa a melhorar, com ajuda da tecnologia, as provas realizadas por quem pretende tirar carteira de habilitação. Os exames serão monitorados em tempo real. Os carros das autoescolas passarão a contar com câmeras que irão gravar, com áudio e vídeo, o procedimento dos professores e de seus alunos. Graças ao sistema que será implantado, os candidatos à carteira, que não se conformarem com o resultado dos testes, poderão entrar com recurso, valendo-se das imagens de suas provas, recebidas em uma central.

 

O controle biométrico, também será aperfeiçoado para evitar fraudes. Terminais de autoatendimento serão instalados, por exemplo, em shoppings, nos quais poderão ser agendados exame de saúde, provas técnicas e práticas etc. Por outro lado, os agentes de trânsito – leia-se EPTC – já estão testando o registro de multas em tablets ou smartphones. Com isso, o preenchimento errado dos talonários atuais, o que não é incomum, tenderá a evitar o que ocorre agora, isto é, que uma em cada 10 infrações não seja enviada ao infrator.

 

Até março de 2013,o governo do estado afiança que cadastrará os Centros de Desmonte de Veículos, na tentativa de inibir a venda de peças sem procedência. Há, no momento, 311 CDVs registrados. Outra medida elogiável é a que se refere ao acordo com a Secretaria Estadual da Educação para a compra de 4 mil livros didáticos sobre educação no trânsito que serão distribuídos nas escolas de Ensino Fundamental e Médio. Afinal, como garante um velho adágio popular, é de pequenino que se torce o pepino.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

O complexo de “vira-lata”

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Nelson Rodrigues, em 31 de maio de 1958, na última crônica antes da estreia da seleção brasileira de futebol na copa do mundo na Suécia titulou sua coluna “Personagem da Semana”, na revista Manchete, com o provocativo: “Complexo de vira-latas”. E explicou: “Por complexo de vira-latas entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. Isto em todos os setores e, sobretudo, no futebol”. Ainda assim apostou na vitória, e, como sabemos, veio o primeiro título mundial. Nelson só não acertou nas consequências: “Só imagino uma coisa – se o Brasil vence na Suécia, e volta campeão do mundo! Ah, a fé que escondemos, a fé que negamos, rebentaria todas as comportas e 60 milhões de brasileiros iam acabar no hospício”.

 

Nem hospício, nem a fé se tornaram referência. Ganhamos cinco copas, temos o maior número de campeonatos mundiais, exportamos enxurradas de craques. Na América Latina o domínio é tanto que decidiram proibir final de campeonatos continentais entre nossos times. Mas, o complexo voltou. Nas vésperas de sediar o próximo mundial, Ronaldo o Fenômeno, legítimo produto nacional, o maior goleador de mundiais, eleito três vezes o melhor do mundo, e hoje Diretor do COL, consegue fora dos gramados o que nunca tinha feito dentro deles, pisar na bola: “O futebol brasileiro não vive o seu melhor momento. Talvez até esteja no seu pior momento da Historia”.

 

Fora do Brasil, o pessoal do futebol se aproveita. Breitner, alemão campeão do mundo em 1974, na Soccerex do Rio disse que ficamos fora das mudanças do futebol mundial nos últimos anos. E, em relação ao mundial de clubes, a fala em algumas ocasiões é míope ao avaliar o campeonato da FIFA. Quando não é, é até de desprezo. Atitude que alguns conterrâneos nossos tem endossado ingenuamente, pois a simples observação do comportamento dos europeus após os jogos finais no mundial de clubes constata que a fala dos homens precisa sempre ser reavaliada. Explosões dos europeus de alegria ou tristeza relacionadas com vitória e derrota são visíveis a olho nu.

 

O velho e sábio Nelson Rodrigues viveria hoje uma assertividade invejável, pois enquanto o complexo ainda persiste a paixão também explode. No tricolor campeão que tanto amou e nos “loucos” que chegam amanhã em Tókio.

 

Felipão tem mesmo que levar este espírito dos clubes à Seleção.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Algumas tristezas na nossa Legislação

 

Por Julio Tannus

 

INSS

 

O cidadão recolheu por 25 anos o INSS sobre 20 salários mínimos. No início dos anos 90 o Congresso Nacional Brasileiro decreta que o valor de recolhimento para o teto deve baixar para 10 salários mínimos. Pouco tempo depois, sua secretária que pagava o carnê do INSS no banco, é orientada por um caixa do banco a corrigir o recolhimento para 3 salários mínimos. Passados 3 meses com recolhimento sobre 3 salários, o cidadão toma conhecimento do equívoco e volta a recolher sobre 10 salários mínimos. No ano de 1996 é feita a aposentadoria com base em 3 salários mínimos. No final dos anos 90, ao comentar com um amigo essa trajetória, lhe é indicado um advogado para entrar com uma ação na justiça contra o INSS. O processo, após longo período, é indeferido. Em 2011 o cidadão resolve fazer uma consulta ao INSS sobre sua aposentadoria. A gerente da agência lhe informa que ele tem uma quantia considerável para receber. Só que venceu o prazo de 10 anos e ele perdeu o direito de recebimento. Que tristeza!

 

IPTU

 

O cidadão, por problemas de segurança (teve sua casa assaltada), resolve mudar para um apartamento. Passados 7 anos em sua nova residência, ele se dá conta que o valor do IPTU mais que dobrou no período. Como ele vive de aposentadoria, resolve consultar a Prefeitura de São Paulo sobre o porquê do aumento tão elevado, uma vez que sua aposentadoria não teve qualquer aumento, e sim as correções decorrentes da inflação. A explicação que conseguiu apurar para esse fato é que os imóveis na região foram muito valorizados. E ele então arguiu: se sou proprietário de um imóvel e não tenho nenhuma intenção de comercializá-lo, porque um órgão público quer se beneficiar de sua valorização? Não seria o caso de obter vantagem sobre essa valorização apenas no caso de venda do imóvel? E desfiou seu descontentamento para o atendente da Prefeitura: O retorno obtido com esse elevado aumento do imposto é inexistente. Ou seja, continuamos com as vias públicas em péssimas condições, esburacadas, cheias de remendos mal feitos. A iluminação pública, no geral, é deficiente, propiciando todo tipo de insegurança aos cidadãos. Toda a vegetação não tem o tratamento adequado. Sem falar na falta de segurança. Que tristeza!

 

ITCMD

 

O casal vive por mais de 40 anos em perfeita sintonia e harmonia. Com dois filhos e um patrimônio conseguido do trabalho profissional de ambos durante esse período. Até que uma doença grave acomete um dos membros do casal que, após um longo período de sofrimento, vem a falecer. De repente o parceiro vivo é informado sobre a necessidade de fazer um inventário. Ao que ele indaga: um inventário? Mas o nosso regime de casamento é com comunhão universal de bens, ou seja, no caso de meu falecimento os nossos bens vão automaticamente para nossos dois filhos. Ao que é informado que na legislação atual é necessário fazer o inventário. Sem alternativa, ele contrata um advogado e gasta uma quantia em dinheiro que consome toda sua poupança. Então ele pergunta: será que inventaram esse inventário só para pagarmos mais um imposto elevadíssimo, o tal do ITCMD Imposto Sobre “Causa Mortis” e Doações de Quaisquer Bens ou Direitos. Que tristeza!

 

A TRISTEZA MAIOR

 

Ninguém reclama, ninguém contesta, ninguém se manifesta! Só reproduzindo o cartaz abaixo:

 

 


Julio Tannus é consultor em estudos e pesquisa aplicada. Às terças-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung

A Avalanche definitiva

 

 

Voltei para casa. Mesmo morando há 21 anos em São Paulo, lá ainda é a minha casa. Minha infância, minha adolescência e o início da vida adulta foram vividos por lá. Fui brincar no pátio como fazia quando criança. Vi o campinho de futebol, encostado na rua Dr Aurélio Py, onde joguei bola muitos anos, nos tempos em que, como zagueiro e lateral esquerdo, exercitava a arte de chutar canelas. Havia muitos carros estacionados sobre ele, mas o areião, no qual rasguei joelhos e cotovelos, ainda se destaca em toda sua extensão. Do outro lado, vi a quadra na qual joguei basquete, passei frio e escorreguei na água da chuva que ultrapassava o telhado que despencou durante um vendaval. No meio do caminho enxerguei a sacada, onde meus craques apareciam de vez em quando, abanavam e, com o polegar, davam sinais de confiança. Foi meu pai quem lembrou das piscinas que ladeavam a avenida Carlos Barbosa, as quais frequentava carregado pelas mãos da minha mãe, no verão gaúcho. Os guris com quem fiz amizade não encontrei. Devo ter passado por eles, mas a idade escondeu seus traços de criança e não os reconheci. Havia outros ao meu lado. O Christian, meu irmão, o Fernando, meu sobrinho, e o Lorenzo, meu filho mais novo, que não escondia a alegria de estar compartilhando comigo as brincadeiras de criança naquele imenso pátio que se transformou o Olímpico Monumental.

 

No último dia de vivência no estádio, cenário de parte da minha vida, chorei de forma contida, não pela despedida, mas ao ouvir, mais uma vez, o radinho de pilha transmitir a voz de meu pai que, Milton Ferretti Jung, que por 15 longos minutos, narrou os lances do Gre-Nal. Antes do jogo, havia sido tocante ouvir as declarações dos craques do passado que desfilaram no gramado do Olímpico. Gente como Gaspar, Jardel, Danrley, Mazaropi, Iura e Loivo, meu eterno Coração de Leão. Nada se comparou, porém, a transmissão feita pelo meu craque da locução esportiva. Perfeccionista, jura que os óculos impróprios para a distância atrapalharam e preferia ter dado ritmo mais acelerado ao jogo. Só ele tinha esta preocupação. O que nós, seus fãs e ouvintes, queríamos era relembrar, agradecer por todas as emoções narradas. Tirar foto ao lado dele, assim como dezenas fizeram questão na caminhada até a cabine da rádio Guaíba. Voltar no tempo.

 

O Gre-Nal desse domingo, que só descrevo ao fim desta segunda-feira pela necessidade de retomar o fôlego, sufocado pelas sensações que vivi, era coadjuvante num cenário tão grandioso. A falta do futebol bem jogado, a carência de habilidade para furar bloqueios defensivos, a predominância da violência, o descontrole dos comandantes e a incompetência do árbitro pouco nos importaram. Esperávamos o fim da partida ansiosos para dar adeus ao velho estádio. E o fizemos com uma Avalanche definitiva, que extrapolou os limites da Geral, torcida que trouxe este movimento sincronizado para as arquibancadas. Era a última vez, oficialmente, que comemoraríamos nossos feitos, ao lado de filhos, sobrinhos, irmãos, pais e amigos no pátio da minha casa. No Olímpico Monumental.

De vida

 

Por Maria Lucia Solla

 

Amo a Vida.
Sou profundamente grata por ela
e hoje partilho esse amor
através da voz de quem sabe
como e o que dizer.

 

 

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio dos luceros que cuando los abro
Perfecto distingo lo negro del blanco
Y en el alto cielo su fondo estrellado
Y en las multitudes el hombre que yo amo

 

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado el oído que en todo su ancho
Graba noche y día grillos y canarios
Martirios, turbinas, ladridos, chubascos
Y la voz tan tierna de mi bien amado

 

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado el sonido y el abecedario
Con él, las palabras que pienso y declaro
Madre, amigo, hermano
Y luz alumbrando la ruta del alma del que estoy amando

 

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado la marcha de mis pies cansados
Con ellos anduve ciudades y charcos
Playas y desiertos, montañas y llanos
Y la casa tuya, tu calle y tu patio

 

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio el corazón que agita su marco
Cuando miro el fruto del cerebro humano
Cuando miro el bueno tan lejos del malo
Cuando miro el fondo de tus ojos claros

 

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado la risa y me ha dado el llanto
Así yo distingo dicha de quebranto
Los dos materiales que forman mi canto
Y el canto de ustedes que es el mismo canto
Y el canto de todos que es mi propio canto

 

Gracias a la vida, gracias a la vida

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

João Camargo, o glamour da alfaiataria masculina

 

Por Dora Estevam

 

Na tarde de sexta-feira, Lucas, jogador do São Paulo, foi parar no ateliê do alfaiate João Camargo. Vendido para o Paris Saint-Germain por R$108 milhões, onde se apresenta no mês que vem, o meia-atacante dá sinais de quem pretende mostrar aos franceses que a elegância dele não se resume ao belos dribles em campo.

 

 

Craque da alfaiataria, João Camargo é um dos poucos que ainda exercem esta profissão, em extinção por falta de mão-de-obra, mesmo. Leva-se muito tempo para aprender as técnicas do ofício. Mas esta é uma outra conversa que abordaremos nas próximas conversas.

 

Recentemente, estive com Camargo em um evento para noivos, quando conversamos sobre as proporções e referências da moda masculina. Falamos, principalmente, dos ternos que revelam elegância e sofisticação, além de demonstrarem virilidade em quem os veste. Para tanto, é preciso seguir algumas regras. Tudo tem que estar em harmonia com o biotipo e a postura do homem: sapato, gravata, paletó e calça acompanhados do colete, uma belíssima camisa com o colarinho igualmente impecável. Quem resiste aos elogios?

 

No Brasil, a cultura dos sem-gravata pegou por conta da imagem descontraída que o homem transmite em uma entrevista, na agêcia de trabalho, ou em casos informais mesmo. Os candidatos, nas ultimas eleições, aderiram ao estilo para falar mais de perto com os eleitores. Mas, na hora “h”, na hora do casamento, de um outro compromisso formal, a elegância pede – e pede com exageros – o traje completo. Que o digam os muitos banqueiros que vestem as criações da alfaiataria do Camargo. E o próprio Lucas que, fira dos gramados, terá de encarar muitos eventos formais na elegante Paris.

 

O interessante do atendimento do Camargo é que, além da excelência em cortes e modelagens, o alfaiate presta consultoria aos noivos. Por exemplo, ensina ou renova a postura que valorizará a roupa e o corpo no momento da foto. Deve-se ter cuidado até para abraçar os convidados. Uma dica é desabotoar o paletó.

 

 

Acompanhe trechos da minha conversa com João Camargo:

 

O homem e o alfaiate

 

Alfaiate é uma figura que ficou esquecida no mundo dos homens por um bom tempo, e quando isto aconteceu eles perderam a referência de moda. Hoje, o homem está se cuidando mais, vai ao cabeleireiro, faz regime, quer eliminar a barriga saliente, entre outras medidas que revelam a vaidade masculina. Para ajudá-lo, a consultoria pretende que o noivo leve os ensinamentos para além do casamento. Ao confeccionar o terno, assim como ocorre com a roupa das mulheres, Camargo leva em consideração a silhueta, e propõe ajustes de calça e cintura alta

 

Etiqueta e postura

 

Uma boa postura vale tanto para aprender a desabotoar o paletó na hora de dar um abraço, quanto para posar para as fotos.

 

Cores dos ternos

 

Camargo ressaltou a importância das cores dos ternos dos noivos, a primeira escolha é sempre o preto, depois o cinza e, por último, marinho. Há quem prefira os mais claros, até mesmo o branco. Para Camargo, esta escolha deixa a noiva em segundo plano. Ninguém vai lembrar do vestido dele. É melhor pensar bem antes de tomar esta decisão.

 

Gravatas e colarinhos

 

Foram muitas as dúvidas, principalmente sobre as gravatas: qual modelo está na moda? Qual devo usar: a fininha ou a mais larga? Para o alfaiate tudo vai depender do biótipo da pessoa. Como você acha que ficaria um homem alto e forte com uma gravata fininha? Não dá.  Tem de haver equilíbrio ao vestir.

 

Desfile

 

Nas passarelas dos desfiles do Camargo, além dos belíssimos e elegantes ternos, tem sempre modelos, celebridades do momento, que arrancam suspiros da platéia. Neste que gravei um trecho, esteve o  modelo e ex-BBB Jonas Sulzbach . Vamos conferir alguns momentos por aqui.

 

 

Alguém tem alguma dúvida de que o jogador Lucas chegará elegantemente vestido com um terno com silhuetas e tecidos impecáveis, no Paris Saint-Germain?

 

 

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung, aos sábados.

Mundo Corporativo: lojas virtuais exigem mais das lojas convencionais

 

As vendas na internet estão mudando o comportamento do consumidor e levando o comércio a criar lojas cada vez mais atraentes. A diretora-geral do Popai Brasil – Associação Global de Marketing no Varejo, Ana Cláudia Costa, explica que para concorrer com as vendas online é fundamental investir ainda mais nas sensações que uma loja pode provocar, surpreender o cliente, produzir vitrines diferentes, criar iluminação aconchegante, oferecer aromas que não incomodem e som ambiente coerente ao conceito da marca e do produto. É preciso estar atento para o fato de que as compras nas lojas físicas são muito mais emocionais do que nas lojas virtuais. Na entrevista ao Mundo Corporativo da CBN, Ana Cláudia Costa, recomenda que o comerciante que explora os dois canais de venda ofereça produtos e faça promoções diferenciadas mas mantendo alinhamento na comunicação.

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da CBN, com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN. Você pode participar das discussões no grupo Mundo Corporativo da CBN, no Linkedin.

Tenho muito orgulho deles

 

 

Permita-me, caro e raro leitor deste blog, abrir espaço entre posts e comentários, para dividir com você as emoções que me aguardam neste fim de semana. Sei que pode parecer corujice, exercício muito praticado pelos pais em razão do sucesso dos filhos. Esta, porém, é na contramão de seu significado pois parte do filho para o pai e do marido para a mulher, também. Sim, em lugar de uma, farei duas corujices. Justificáveis, acredito, dadas as emoções com as quais me confrontarei.

 

A primeira, na noite desta sexta-feira, quando Abigail Costa, que você lê de vez em quando neste blog, minha mulher e mãe dos meninos, subirá ao palco do Esporte Clube Sírio para receber o Troféu Regiani Ritter, da Aceesp – Associação dos Cronistas Esportivos de São Paulo, pelos bons anos que dedicou ao jornalismo esportivo nas TVs Globo e Cultura, onde foi apresentadora e repórter. O prêmio especial é um reconhecimento ao pioneirismo de seu trabalho, iniciado na segunda metade dos anos de 1980, época em que não era comum a presença de mulheres no cotidiano do futebol e demais modalidades esportivas. Foi, também, uma das primeiras apresentadoras do Globo Esporte. A mesma sensibilidade com que cobria a chegada de craques nos clubes, vitórias e derrotas de torcidas e as muitas aventuras que vivenciou, anos depois, levou para a redação do jornalismo. A lembrança do nome dela por colegas chega em um momento importante de revisão, reavaliação do que fez, e de projeção, que poderá levar seu talento para outras áreas profissionais. Enquanto estiver aplaudindo a entrega deste troféu, vou lembrar de alguns domingos em que tive de deixá-la na porta do estádio para trabalhar e noites que fiquei acordado esperando sua chegada – oportunidades em que tentei demonstrar com gestos, e talvez não tenha conseguido transmitir para ela, o que sempre senti no coração: orgulho.

 

As emoções se estenderão ao domingo quando estarei ao lado de parte da família assistindo ao Gre-Nal, último jogo do estádio Olímpico Monumental, em Porto Alegre. Mais do que os acontecimentos no campo, estarei atento ao som do radinho de pilha, sintonizado na Rádio Guaíba de Porto Alegre, para relembrar os bons tempos de narração de Milton Ferretti Jung, este que você lê às quintas-feiras aqui no blog, também. A pedido de torcedores gremistas, a emissora o convidou para transmitir os primeiros 15 minutos do clássico em uma homenagem ao Grêmio, ao Olímpico e a todos nós que somos filhos, parentes, amigos e fãs do Milton Gol-Gol-Gol Jung. Vou retornar aos tempos em que, criança ainda, ficava sentado ao lado dele, na cabine da Guaíba, no Olímpico, assistindo ao jogo e orgulhoso de saber que era meu pai quem, com a voz incrível e precisão invejável, embalava as emoções dos torcedores gremistas, sempre a espera do seu grito original de gol-gol-goooooooooool !

E o menino descobriu um templo

 

Por Silvio Bressan
Jornalista e gremista

 

 

Havia muita cor e barulho naquela noite de dezembro de 1971, quando o menino assustado entrou pela primeira vez no Estádio Olímpico. Grêmio e Coritiba disputavam um jogo do Campeonato Brasileiro, mas para uma criança que só via futebol pela TV, em preto e branco, o que mais chamava a atenção era a imensidão daquele espaço, o verde da grama, o colorido dos uniformes e os sons da torcida. Os dois gols do ponteiro-direito Flecha me iniciaram na profissão de fé pela camisa 7, a mesma que já havia sido honrada por Tesourinha e Babá e ainda seria consagrada por Tarciso e Renato. Graças ao Olímpico, futebol para mim tornava-se uma coisa real, palpável, com cor, cheiro, barulho e a minha saga de gremista ganhava um palco, um verdadeiro templo para celebrar algumas de minhas maiores decepções e alegrias até hoje.

 

E já lá se vão mais de 40 anos de emoções variadas, mas sempre intensas… Logo no segundo jogo (Grêmio 1 x 1 Cruzeiro, em 1972), o espanto pelo soco de Everaldo no juiz José Faville Neto. Depois, a reverência de ver, pela primeira e última vez, o gênio Pelé naquele histórico gramado (Grêmio 1 x 0 Santos, em 1974). Na mesma época, um inusitado 0 x 3 contra um desconhecido time de Encantado virar 3 x 3 para o delírio da multidão (por outro lado, nos anos 80, também houve um 4 x 1 conta o Santo André que virou 4 x 4 para a frustração geral).

 

Eram tempos difíceis, anos de chumbo para a democracia e a torcida gremista, com derrotas em Gre-Nais e um jejum de oito anos sem títulos. O adolescente tímido, porém, como toda a nação tricolor, não desistia. Mesmo quando a bravura de um Chamaco, Cacau, Tarciso e Iúra não era suficiente para vencer o tradicional rival, lá estava ele na geral, almofada numa mão e rádio na outra, acreditando que um dia a sorte mudaria. E mudou tão de repente que quase ninguém acreditou. Na verdade, levou apenas 14 segundos até que Iúra, agora melhor acompanhado, abrisse o placar naquele Gre-Nal de agosto de 1977. O Grêmio deu a saída de bola e, sem que o adversário tocasse na bola, já estava vencendo.

 

Tínhamos, enfim, um time confiável, onde a bravura de Tarciso e Iúra agora era lapidada pela categoria de Tadeu Ricci, André e Éder. Naquele ano foram sete Gre-Nais e o Grêmio venceu cinco, três deles no Olímpico, com direito à duas goleadas. E chegamos ao dia mais importante, até então, para a história daquele adolescente no Estádio Olímpico. O Gre-Nal de 25 de setembro teve de tudo: pênalti perdido por Tarciso, gol do André, contusão do mesmo André na comemoração e um final tumultuado pela invasão da torcida e briga no gramado. O mais importante, porém, para aquele rapaz, era que finalmente seu time era campeão, em cima do seu principal adversário, e no seu grande palco. Não havia nada mais a desejar. Como reza uma de nossas mais famosas faixas, “Nada pode ser maior”.

 

Saindo da adolescência, ainda vieram o título de 1979, também no Olímpico, e a escalada nacional e mundial, a partir de 1981, com a conquista do campeonato brasileiro, até o título da Libertadores, em 1983, o maior feito da história do Olímpico. Na década de 80, aliás, fomos brindados por uma seqüência memoráveis de vitórias em Gre-Nais e títulos no nosso maior templo: de 85 a 90 quase todas as decisões foram clássicos vencidos pelo Grêmio no Olímpico. Em 89, já na vida adulta, pude testemunhar o título da primeira Copa do Brasil, em 1989, um sábado à tarde, em cima do Sport. Um ano depois, já morando em São Paulo, tive a felicidade de assistir a um 4 x 0 no Gre-Nal decisivo do campeonato. Não sabia porque pretendia voltar, mas aquele foi meu último título no Olímpico.

 

De lá para cá, como morador de São Paulo, voltei esporadicamente ao velho templo, com vitórias e derrota. A cada viagem à cidade natal, mesmo quando não havia jogo, o compromisso obrigatório era dar uma passada no Olímpico, visitar a loja e sentar nas arquibancadas, mirando o gramado. Queria aproveitar cada instante naquele velho concreto oval e rememorar as cenas mais marcantes dessas quatro décadas: as brigas e o “senta e levanta” dos Gre-Nais; a enorme buzina que ficava no meio da geral e nos ensurdecia cada vez que era acionada; ao lado do alarme sonoro, a tradicional faixa “Com o Grêmio onde o Grêmio estiver”, sempre estendida e guarnecida por fiéis escudeiros; os corneteiros da social, sempre mais exigentes e pouco pacientes com o time; o pânico que se instalava na torcida quando o limitado Vilson ajeitava a bola na intermediária e todos gritavam “Não chuta, Vilson, não chuta!”; as imprecações contra o indefectível cotovelo do zagueiro Figueroa; o cheiro misturado de cigarro e cerveja; no verão, o picolé que já chegava líquido; no inverno, o café quente demais e o amendoim que era só casca e farelo; no final, os jornais queimados pela arquibancada e a volta a pé pela Azenha entupida de gente, rádio colado no ouvido e o passo apressado para não perder o último ônibus, lá na Avenida Ipiranga. No retorno à São Paulo, ficava sempre uma ponta de nostalgia até o próximo encontro com o Olímpico, que era sempre eletrônico. Numa volta à minha infância, antes do primeiro jogo, o Olímpico passou a ser uma imagem constante na minha TV.

 

Em outubro deste ano, resolvi me despedi do glorioso casarão. Convidei meus irmãos, residentes ainda em Porto Alegre, e alguns amigos daquelas jornadas, que hoje moram em Santa Catarina, para reviver parte da nossa adolescência e juventude. E lá fomos para a última aventura no templo azul. Como mascote da turma, um menino de 13 anos, filho de um amigo, com a camisa tricolor e a uma alegria incontida. Era seu segundo jogo no Olímpico e fiquei imaginando se sua empolgação era a mesma daquele menino no início da década de 70. Fomos para trás do gol do ginásio, à esquerda das cabines de rádio, ali exatamente onde estávamos há 35 anos, vendo André Catimba vencer Benitez e fazer história. Dali também vibramos com o gol do zagueiro Werley, no empate de 1 x 1 com o Santos. Não havia mais Pelé e Neymar não brilhou, até foi expulso. Mas tudo isso foi muito menos importante do que ver a emoção do menino, que, como outras gerações desde 1954, era renovada a cada quarta e domingo naquele verdadeiro santuário.

 

Tenho orgulho de ter vivido, no Olímpico, 20 de seus quase 60 anos de história memorável. Foi ali que o menino, adolescente e adulto forjou sua identidade de gremista, temperada nas vitórias e derrotas, como toda a grande paixão. É esse sentimento que levarei para a Arena e essa é a maior homenagem que posso prestar ao antigo estádio e legar às novas gerações que surgirão no moderno templo. Ainda que o antigo casarão não esteja mais lá, a alma e o coração de todos os gremistas das últimas seis décadas lá estarão. Imortal mesmo é a lembrança que não se apaga e o velho Olímpico de tantas cores, barulhos, frustrações e glórias continuará com sua chama acesa na memória de milhões de torcedores.

 

Como impedir que SP gaste R$ 50 bi em congestionamentos

Texto publicado originalmente no Blog Adote São Paulo no site da revista Época SP

 

Dia Mundial Sem Carro na 23 de Maio

 

Os congestionamentos já custam R$ 50 bilhões por ano para a cidade de São Paulo e o bolso dos paulistanos, conforme estudo da Fundação Getúlio Vargas. A instituição calculou o que deixamos de fazer e produzir enquanto estamos travados no trânsito, assim como os gastos com combustível, manutenção de veículos, poluição gerada e doenças provocadas. O incrível na conta é que o custo tem dobrado a cada quatro anos, coincidentemente período completo de uma gestão no Executivo. O difícil é saber que um prefeito só jamais dará conta do recado, sendo necessárias ações de longo prazo. Antes que Fernando Haddad, que assume em janeiro, veja na afirmação anterior uma justificativa para deixar a coisa como está, deixo claro que as soluções que nos levaram a uma mudança no futuro têm de começar imediatamente.

 

No plano de governo, aprovado por parcela da população, há a previsão de se construir o que foi batizado de Arco do Futuro, conjunto de ações que pretendem mudar a lógica de crescimento de São Paulo aproximando a casa dos paulistanos do local de trabalho. A intenção é criar esta oportunidade a cerca de 1,3 milhão de moradores dos bairros entre São Mateus e Itaquera. A principal mudança deve ocorrer na Avenida Jacu-Pessego, na zona leste, que seria transformada em pólo comercial e industrial. Haddad acredita que com isenções fiscais conseguirá levar empresas para a região. Avaliar o tipo de emprego a ser criado para atender as demandas das novas economias e do conhecimento que circula nos extremos da cidade é fundamental, sob o risco de criar vagas para uma mão de obra que não existe..

 

Vai ter de ir além.

 

Ampliar o sistema de trilhos na cidade – e para tal precisará planejar a extensão ao lado do Governo do Estado -, abrir corredores de ônibus sem medo de estreitar a passagem de carros, rever a entrada de veículos em algumas regiões, oferecer espaços saudáveis para a circulação de bicicletas e pedestres, investir em tecnologia para melhorar a engenharia de trânsito, são apenas algumas das soluções que fazem parte deste elenco de medidas.

 

Este projeto exigirá coragem, compromisso e dinheiro.