Das muitas homenagens ao estádio do qual nos despediremos neste fim-de-semana:
Das muitas homenagens ao estádio do qual nos despediremos neste fim-de-semana:

O jornalista Joelmir Beting morreu na madrugada desta quinta-feira, aos 75 anos:
A coluna do Joelmir Beting era consulta obrigatória antes de sair da redação para as reportagens de economia, na época em que trabalhei na TV Cultura, ali pelos anos de 1990. Do texto dele tirava o entendimento para a pauta que iria fazer. Mantive a prática mesmo quando o tema já não era recorrente nas minhas reportagens. Joelmir tornava simples a complexa arte de escrever sobre números, índices, bolsa de valores, negócios de outro mundo. Escrevia com agilidade e ritmo. Períodos curtos, bem combinados. Metáforas inteligentes. Doses corretas de humor e ironia. Habilidade que tornou fácil a transição dele do jornal para os meios eletrônicos, rádio e TV. Desculpe-me se digo que esta migração de meios tenha sido fácil para ele. Não é para desmerecê-lo. Ao contrário. É que Joelmir sempre nos deu a impressão de que o mundo era simples de entender e viver. Fazia isso com profundo conhecimento e alegria.
Por Milton Ferretti Jung

Conheci quando criança – nem me lembro que idade tinha – a primeira praça de futebol do Grêmio: o Estádio da Baixada ou, se preferirem os mais velhos, o Fortim da Baixada, situado na Rua Dona Laura, no bairro Moinhos de Vento. Meus amigos e eu, deixamos Higienópolis, onde morávamos, caminhando até a Baixada. Era um domingo e pretendíamos dar um jeito de entrar no Estádio. Queríamos ver o Grêmio jogar. O máximo que conseguimos foi espiar a partida por uma fresta. Eu, pelo menos, não voltei mais a ver o Grêmio atuar naquele local, cujo pavilhão de madeira foi cedido ao Força e Luz, dono do Estádio da Timbaúva, em troca do zagueiro Airton, de saudosa memória para os gremistas.
Minha carreira radiofônica começou em 1954,na Rádio Canoas, um pequena emissora, por coincidência, no mesmo ano em que o Presidente tricolor, Saturnino Vanzelotti via realizar-se o seu sonho de dar ao seu Clube um moderno Estádio, o Olímpico Esse, mais tarde, foi ampliado por outro dirigente: o Dr.Hélio Dourado. Uma das minhas primeiras tarefas, na Canoas, foi a de fazer a cobertura jornalística da inauguração do Estádio Olímpico. Há quem imagine que eu tivesse narrado o Gre-Nal, que havia sido o jogo escolhido para a festa inaugural, de má memória para o Grêmio. Eu era solteiro e ainda morava no bairro de Higienópolis. Casei e nos mudamos para bem bem perto do Olímpico, onde o Christian, meu caçula,ainda reside, isto é, na Rua Saldanha Marinho. O Mílton Jr., que jogou na escolinha de futebol do Grêmio e depois, passou 12 anos no basquete gremista, atuando do time infantil ao adulto, hoje âncora do Jornal da CBN, em São Paulo, no blog dele, sempre que o Grêmio joga, não deixa de escrever a “Avalanche Tricolor”. Nessa, não faz muito, lembrou, que considerava o pátio do Olímpico, uma extensão do quintal da nossa casa.
Neste domingo, Mílton e Lorenzo, um dos meus netos, mais Christian e Fernando, o filho dele, ambos que seguem morando na Saldanha Marinho, vão tentar acostumar-se a viver longe do novo e moderníssimo estádio gremista: a fabulosa Arena. Ficamos com dois corações, um deles triste, com a despedida do passado; o outro, alegre com o a praça de esportes do presente, que se inicia daqui a alguns dias.
Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)
Por Carlos Magno Gibrail

Os nossos Estados Federados, há tempos em combate agressivo na disputa pelas montadoras de automóveis e caminhões, seguiram no mesmo ritmo na questão das cidades sede da COPA 14. Surpreendentemente se uniram agora no caso do petróleo. Partiram para assaltar as riquezas futuras do Rio e do Espírito Santo. Chegamos então ao limite. A competição passa a ser usurpação.
Em resposta, o Rio de Janeiro, através de seu governador Sergio Cabral, informou que o estado não poderia realizar a COPA nem a Olimpíada sem o capital do petróleo. Insensatez que o prefeito Eduardo Paes assimilou. E, após apresentar o velódromo e o autódromo da cidade do Rio para demolição, ao receber um terreno para a futura construção do novo autódromo, atacou São Paulo, advertindo que tiraria dos paulistanos a F1 e a levaria para os cariocas. Fala bélica e inoportuna.
Mas, voltando ao universo competitivo padrão, percebe-se que os Estados deveriam ter mais foco e menos abrangência, competindo, mas apostando no talento e na cultura regional para apresentar produtos e serviços diferenciados ao mercado nacional. Evitando assim a oferta exagerada do mesmo, que não fortalece, enfraquece. Na literatura, na música, no cinema, no esporte, na gastronomia, enfim nas múltiplas possibilidades, será mais eficiente escolher setores peculiares ao Estado do que apostar a esmo.
Uma moda que a própria atividade industrial e comercial da Moda também se defrontou. Caminha agora para o equacionamento deste canibalismo. A Moda como indústria tem tido muitas cidades competindo para se tornar polo de criação e comercialização. Justamente numa fase de transição, onde um processo de concentração de empresas se intensificou ao mesmo tempo em que grande número de novos players internacionais aporta no país.
Ao encerrar o ciclo de lançamentos com a feira mineira, que também apresentou diminuição de marcas e de público, como já tinha ocorrido em São Paulo e no Rio, desponta uma tendência positiva. É a provável segmentação de estilos e produtos, de acordo com o potencial natural de cada cidade.
São Paulo, historicamente com a moda mais urbana e atualmente mais autoral, fica com o SPFW e a porta de entrada das grandes operações internacionais de moda.
O Rio, imbatível na modinha, hoje “fast fashion”, dominará a moda praia e a moda descartável, levando ao mundo o alegre espírito carioca através do Fashion Rio.
Belo Horizonte, através do Minas Trend Preview, dominará na moda festa e nos tricôs.
Tudo indica que desta forma os talentos da indústria de moda de cada região estarão fortalecidos e contribuirão para a maior racionalidade das marcas, dos compradores e da imprensa. Uma moda que deveria ser copiada por todos. Inclusive os de fora da moda.
O Brasil agradece. A todos, e aos Estados Federados.
Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung
Dos 165 senadores, ex-senadores e suplentes, apenas 47 vão pagar os valores do imposto de renda sobre os 14º e 15º salários. O senado bancou mais de R$ 5 milhões de imposto dos parlamentares que não manifestaram interesse em pagar o débito com recursos próprios.
Confira abaixo a lista dos senadores que pagaram a conta por iniciativa própria (atualizada às 15h36):
Aécio Neves (PSDB-MG)
Alfredo Nascimento (PR-AM)
Aloizio Mercadante (PT-SP, atual ministro da Educação)
Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP)
Alvaro Dias (PSDB-PR)
Ana Amélia (PP-RS)
Ana Rita Esgario (PT-ES)
Armando Monteiro (PTB-PE)
Blairo Maggi (PR-MT)
Casildo Maldaner (PMDB-SC)
Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)
Cícero Lucena (PSDB-PB)
Clésio Andrade (PMDB-MG)
Cyro Miranda (PSDB-GO)
Edison Lobão (PMDB-MA, atual ministro de Minas e Energia)
Eduardo Braga (PMDB-AM)
Eduardo Suplicy (PT-SP)
Eunício Oliveira (PMDB-CE)
Flexa Ribeiro (PSDB-PA)
Gim Argello (PTB-DF)
Gleisi Hoffmann (PT-PR, atual ministra-chefe da Casa Civil)
Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE)
João Tenório (ex-senador pelo PSDB alagoano)
José Agripino (DEM-RN)
José Pimentel (PT-CE)
José Sarney (PMDB-AP)
Kátia Abreu (PSD-TO)
Lindbergh Farias (PT-RJ)
Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC)
Marco Antonio Costa (PSD-TO, suplente de Kátia Abreu)
Marco Maciel (ex-senador pelo DEM de Pernambuco)
Marina Silva (ex-senadora pelo PV do Acre)
Marta Suplicy (PT-SP, atual ministra da Cultura)
Paulo Bauer (PSDB-SC)
Pedro Simon (PMDB-RS)
Pedro Taques (PDT-MT)
Randolfe Rodrigues (Psol-AP)
Regis Fichtner (PMDB-RJ, atual secretário da Casa Civil do Estado do Rio de Janeiro)
Ricardo Ferraço (PMDB-ES)
Rodrigo Rollemberg (PSB-DF)
Sérgio Souza (PMDB-PR, suplente da ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann)
Valdir Raupp (PMDB-RO)
Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)
Vital do Rêgo (PMDB-PB)
Waldemir Moka (PMDB-MS)
Walter Pinheiro (PT-BA)
Wellington Dias (PT-PI)
Centenas, milhares de estorninhos realizam manobras que até hoje intrigam os homens pela velocidade com que são capazes de se mover em bloco, sem causar acidentes e provocando movimentos de extrema beleza. O burburinho de estorninhos é um fenômeno que inspira os incentivadores das transformações provocadas pelas sociedades em rede de comunicação e serve de exemplo para as empresas e empresários compreenderem a importância das relações de colaboração. O presidente do Instituto de Marketing Industrial José Carlos Teixeira Moreira falará sobre conceitos que geram esses novos movimentos e as mudanças nas relações corporativas, no programa Mundo Corporativo da CBN. Você pode assistir à entrevista, em primeira mão, nesta quarta-feira, a partir das 11 horas, só no site da rádio CBN. Participe com perguntas que podem ser publicadas aqui no blog, nosso grupo do Linkedin, no e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e no Twitter @jornaldacbn com a hastag #mundocorporativo
A cobertura jornalística exige alguns esforços extras para que a notícia chegue até a casa dos telespectadores. A maioria sequer percebe os desafios enfrentados pelos repórteres no cotidiano da cidade e quanto é exigido de criatividade para superar percalços. Neste caso, a repórter da TV Globo Sabina Simonato teve de encarar um inimigo comum das mulheres de saia: o vento. Diante do prédio da rua Riachuelo, centro de São Paulo, que acabara de ser cenário de uma tentativa de invasão por sem-tetos, ela e sua equipe encontraram uma forma original para impedir qualquer safadeza do vento. A foto é do ouvinte-internauta e colaborador deste blog Devanir Amâncio.
Em meados dos anos 50 Peter F. Drucker escreveu em seu livro The Practice of Management “Existe somente uma definição válida para os objetivos de um negócio: criar um consumidor”. Inaugura-se aí um paradigma: A Satisfação do Consumidor.
Na década seguinte, com a primeira grande crise do petróleo, as previsões e estratégias de negócio, até então baseadas em dados históricos, passam a trabalhar com base nos Cenários Estratégicos e Tendências Socioculturais. “Most U.S. companies continue to use a variety of forecasting techniques because no one has apparently developed a better way to deal with the future’s economic uncertainty.” (Scenarios – uncharted waters ahead – Pierre Wack – Harvard Business Review)
Um dos teóricos mais importantes da atualidade, o sociólogo polonês Zygmunt Baumann dedica os seus estudos, ensaios e obras à interpretação da modernidade e da época pós-moderna. Segundo o autor, a vida atual impõe uma condição humana onde predominam o desapego e a versatilidade em meio à incerteza, exigindo estar-se na vanguarda constantemente.
Paralelamente, em um congresso sobre marketing e pesquisa de mercado nos anos 90, o presidente da associação mundial de pesquisa de mercado e opinião declarou: “durante o século 20, o petróleo foi a fonte estratégica. A Gestão do Conhecimento muito brevemente terá o mesmo peso estratégico para os negócios… o conhecimento deverá tornar-se o petróleo no século 21”.
Sobre a Gestão do Conhecimento:
– A informação torna-se necessária, mas não é suficiente para a tomada de decisões correta.
– É preciso transformar a informação em conhecimento (o todo é maior que a soma de suas partes – Gestalt)→ compreensão real da dinâmica social, cultural, do marketing e dos cenários futuros.
– Conhecimento identifica oportunidades onde inicialmente havia somente ameaças e riscos.
Os Instrumentos:
– “Business Intelligence System”
– Listen (o que aconteceu?)
– Learn (por que aconteceu?)
– Lead (como fazer acontecer?)
(The Meeting of the Minds – Vince Barabba – Harvard Business Scholl Press/1995)
Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier) e escreve no Blog do Mílton Jung, às terças-feiras.
Por Antonio Augusto Mayer dos Santos
Por transição, segundo o Dicionário Houaiss de Língua Portuguesa, se entende a passagem de um estado de coisas ou de uma condição. No contexto administrativo, significa a garantia de que o prefeito eleito receberá do Poder Executivo os subsídios indispensáveis à elaboração e efetivação do seu programa de gestão.
Esta medida, a par de civilizada, é de inquestionável relevância no cenário jurídico-político na medida que não somente institui como disciplina uma relação formal e organizada de responsabilidade entre o governante e o seu sucessor, especialmente porque o primeiro assegurará ao outro, previamente à posse, o acesso às informações e situações oficiais sobre o ente público: estrutura de governo, orçamentos, previsão de receita e execução de programas.
Estas informações são importantíssimas na medida que o eleito, no primeiro ano de seu governo, executará um orçamento planejado e votado anteriormente. Por outras palavras: o orçamento do primeiro ano de cada novo governo é elaborado por aquele que está encerrando o mandato.
Diante deste descompasso, o qual, é bom lembrar, se repete a cada dois anos ora nos Estados ora nos Municípios, o relator da CCJ do Senado Federal, em voto que proferiu no Parecer nº 1.080 de uma Proposta de Emenda Constitucional que regulamenta as denominadas transições pós-eleitorais, anotou que “A continuidade administrativa constitui, efetivamente, um princípio fundamental na concepção moderna de Estado Democrático de Direito. O Estado deve sempre dirigir sua atuação no sentido de assegurar a manutenção dos direitos dos cidadãos, o que implica a prestação de serviços à sociedade, em caráter constante, sem interrupções”. Mais adiante, ao concluir sua manifestação acerca da proposta, acentuou que a mesma “privilegia acentuadamente a autonomia de cada ente federativo, ao encaminhar a regulamentação, por leis da União, dos Estados, Distrito Federal e Municípios, da forma como serão instituídas as equipes de transição, respeitando, dessa maneira, o equilíbrio do pacto federativo”.
Passada a eleição, o eleitor desconhece estas circunstâncias. No entanto, a necessidade de uma regra disciplinando este assunto é inadiável. Primeiro, para despir o vencedor do pleito daquela condição de candidato e, com isto, inserí-lo na realidade de gestor eleito. Depois, para que o processo eleitoral não se sobreponha às questões da administração. Por fim, porque contribuinte não pode ficar à mercê de um quadro de instabilidades decorrentes de desacertos partidários. Para preservar a continuidade administrativa e serviços públicos, impedindo que mesquinharias, ressentimentos ou quireras paroquiais desviem tanto a finalidade quanto a rotina das instituições públicas.
A propósito destas situações, as mesmas tem se revelado comuns, especialmente após campanhas eleitorais acirradas seguidas de vitórias de adversários ferrenhos.
Não tem sido à toa que os veículos de comunicação referem episódios de sonegação de documentos, excessiva burocratização, sabotagens, danificação de arquivos e até furtos de equipamentos no período que antecede a passagem do poder. No entanto, é inadmissível que atos passionais ou motivados por vaidades capazes de gerar prejuízos ao erário não sejam objeto de tipificação no período entre o final de um exercício e início de outro. Trata-se, pois, da necessária adequação, nos demais planos federativos, daquilo que já consta disciplinado ao federal através da Lei nº 10.609/02.
Em síntese: esta regulamentação elevaria as transições pós-eleitorais a um patamar institucional impedindo a sonegação ou obstrução de informações e simultaneamente protegendo tanto a legalidade quanto a eficiência, ambos valores administrativos que devem ser preservados independentemente da orientação partidária que estiver no poder.
Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor dos livros “Prefeitos de Porto Alegre – Cotidiano e Administração da Capital Gaúcha entre 1889 e 2012” (Editora Verbo Jurídico), “Vereança e Câmaras Municipais – questões legais e constitucionais” (Editora Verbo Jurídico) e “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.
O brasileiro, em geral, está sempre em busca de heróis. Às vezes tenho a impressão de que o que queremos mesmo são vingadores. Faz isto no esporte quando deposita todas suas esperanças em uma seleção de futebol e depois, frustrado pela derrota, passa a odiar quem, até então, movia sua paixão. Na política não é diferente, haja vista o que fez com Fernando Collor, o Caçador de Marajás, e todos os demais presidentes que o seguiram. Atualmente, o posto está reservado para o ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa que chegou a ser comparado com Batman, o Cavaleiro das Trevas, pela toga que se parece com a capa do super-herói das histórias em quadrinho. Há quem defenda seu nome para cargo eletivo, mais uma vez na tentativa de encontrar o salvador da pátria. O maior risco em se reproduzir este comportamento é que perdemos a capacidade de desenvolver consciência crítica em relação aos homens e aos fatos. Ou se é mocinho, ou se é bandido.
Semana passada, o mocinho da hora, Joaquim Barbosa, errou feio ao interpelar o jornalista Luiz Fara Monteiro, da TV Record, durante conversa em off nos bastidores do STF. O repórter perguntou se ele pretendia manter um tom “mais tranquilo, mais sereno” na presidência e teve de ouvir insinuações pouco apropriadas para um ministro: “Logo você, meu brother!”, disse o ministro em referência ao fato de o jornalista ser negro. “Ou você se acha parecido com a nossa Ana Flor (repórter da agência Reuters, que é branca)? A cor da minha pele é igual à sua. Não siga a linha de estereótipos porque isso é muito ruim. Eles foram educados e comandados para levar adiante esses estereótipos. Mas você, meu amigo?”.
A notícia divulgada por alguns veículos de comunicação, entre os quais a rádio CBN, levou o jornalista Luiz Monteiro a enviar para um grupo de colegas de profissão e amigos a nota que reproduzo a seguir:
Amigos e colegas!
Para muitos já não é novidade. Foi noticiado na noite de quarta-feira no Blog do Noblat com direito a transcrição do áudio na íntegra. Durante entrevista em “off”, o ministro Joaquim Barbosa invocou a cor da minha pele para questionar uma pergunta legítima que fiz. Eu quis saber se o estilo demonstrado por ele naquele dia, véspera de sua posse como presidente do STF – mais sereno e tranquilo na condução das sessões – daria o tom de sua administração futura.
Sou pago para perguntar. Para contar fatos vividos e/ou apurados por mim. É o compromisso que tenho com meu empregador e, principalmente, com seus telespectadores. Quem ouvir o áudio da entrevista, disponibilizado no blog (com link ao final da página) notará que o questionamento foi feito de maneira gentil e educada. Sem agressividade ou ironia, não justificando em nada o arroubo do presidente da Suprema Corte. Não foi a primeira vez que Barbosa se dirigiu a mim sem elegância, como conta o competente Rodrigo Haidar no twitter, repórter do Consultor Jurídico. O incidente desta semana também foi presenciado por dezenas de jornalistas, que, como mostra o áudio, confrontaram o ministro quando o próprio quis negar um temperamento difícil.
Venho só agora me posicionar sobre o contencioso porque a entrevista se deu em “off”. Como o site do jornal O Globo e, hoje, a Folha de S. Paulo publicam, me sinto à vontade para me expressar sobre o acontecido. Repórter não gosta ser notícia. E fiquei triste ao ter sido destacado pela minha cor. Lamento muito a atitude de Joaquim Barbosa, que, infelizmente, arranhou meu orgulho em ver um magistrado oriundo de uma classe humilde presidindo nossa mais alta Corte.
Joaquim Barbosa, repito, errou feio ao cobrar que o repórter se comporte de maneira determinada porque é negro. Assim como errou ao enxergar nos repórteres não-negros um padrão de atitude que pautaria suas reportagens. E errou porque não existem pautas de brancos, de negros, de amarelos ou de vermelhos nas redações. Assim como se espera que, a cor da pele, não seja determinante nas suas decisões na corte nem nas decisões de seus colegas não-negros. Errou por dar conotação racista – e usando de racismo – às críticas que, por ventura, receba em vez de aproveitá-las para analisar seus atos. E continuará errando se não pedir desculpas publicamente ao repórter.
Este erro em nada invalida os elogios ao trabalho que Joaquim Barbosa vem realizando no STF, assim como este trabalho não o exime de agir com educação e equilíbrio. Aos brasileiros que preferem o caminho mais fácil, construindo o estereótipo de herói ou vilão em vez de desenvolver o pensamento crítico e razoável, fica o ensinamento de que as pessoas não são somente mocinhos ou somente bandidos, são, simplesmente, pessoas que cometem acertos e erros. E por estes devem ser avaliadas, independentemente de sua condição social ou raça.
O Brasil não precisa de heróis, apenas de homens justos.