Avalanche Tricolor: estava mais pra Divino

 

Corinthians 3 x 1 Grêmio
Brasileiro – Pacaembu (SP)

 

Você há de convir, caríssimo torcedor gremista, futebol aos sábados, 9 da noite, só se for do Divino, o melhor time da dramaturgia brasileira,  que reúne um grupo de jogadores mais envolvidos em paixões e dramas do que com a bola. Algumas vezes até os vemos trocando passes durante os treinos, em um estádio de subúrbio e sob o comando de um técnico que não apita nada. Sabemos que a bola entra no gol ou se espatifa na arquibancada de acordo com o interesse do autor João Emanuel Carneiro. É ele quem decide o destino de cada jogada na novela. Em um capítulo, Roni, o craque e filho do presidente, estufa a rede para mostrar que está de bem com a vida, mesmo que para esconder sua homossexualidade tenha sido obrigado a casar com Suelen, a maria chuteira do bairro. Em outro, Jorginho, filho adotivo do eterno ídolo Tufão, tropeça na bola como complemento de um capítulo no qual se enreda ainda mais em uma trama familiar difícil de explicar.  Iran, que sonha em morar na zona Sul, e Leandro, por quem Roni é apaixonado, também aparecem com algum destaque, mas não são capazes de mudar o jogo. Neste roteiro que está com a bola toda no Ibope, por mais surpresas que surjam a cada capítulo, me parece bem razoável que o único final feliz que podemos garantir é o da vitória do Divino e a conquista do título no último capítulo, de preferência com gol de Adauto, que voltaria a jogar depois de ter encerrado a carreira precocemente, após perder penâlti na decisão da Segunda Divisão, no Maracanã.

 

Perdoe-me, caro e raro leitor, se dedico o parágrafo inicial desta Avalanche para falar de novela. Mas como tenho sempre a impressão de que o destino tricolor faz parte de um roteiro de drama, sofrimento e glória, escrito pelo destino, quero crer que o resultado desta noite de sábado seja apenas um capítulo desta trama que culminará com a conquista do Campeonato Brasileiro, assim como acontecerá com o Divino, na novela Avenida Brasil.

Recomeçar é um luxo

 

Por Abigail Costa

 

Eu queria ter na vida
Simplesmente
Um lugar de mato verde
Pra plantar e pra colher
Ter uma casinha branca
De varanda
Um quintal e uma janela
Para ver o sol nascer

 

E segue em frente o poeta dizendo que a busca pela felicidade é um luxo.
E é sobre esse assunto que eu vou comentar de vez em sempre: luxo.

 

De bate-pronto, o que é luxo pra você?
Alguém poderia responder, um jato particular.
Férias no Butão!
Um champanhe aberto em restaurante francês.
Uma semana numa ilha deserta.
Um fim de semana com os meus filhos e o telefone desligado.
Preparar um jantar para meu marido e dizer coisas que em anos não tive tempo de falar.

 

O luxo vai do que o dinheiro pode comprar ao imaterial.
A fé. O carinho. O tempo….
Aprendi dias atrás que o tempo é o luxo imaterial mais cobiçado, hoje em dia.

 

Sempre tive a ideia que quanto mais trabalho, mais produção; mais produção, mais dinheiro; mais dinheiro, mais felicidade?

 

Lembra daquela propaganda do Estadão na qual os amigos subiam numa baita montanha e ao chegar no topo gritavam: -Uhu!!!!! Uhu!!!!!! Depois de assistí-la, sempre me questionava: E agora? A cena parava lá em cima, mas o ponto de interrogação ficava aqui comigo. Eles querem o quê?

 

O que eu não sabia era que o topo era o luxo, naquele momento.
O ápice da felicidade era chegar lá. O resto era recomeço.
Recomeçar é um luxo.

 


Abigail Costa é jornalista e recomeçou a escrever no Blog do Mílton Jung

Conte Sua História de SP: Aquela rua também não existe mais

 

No Conte Sua História de São Paulo, as muitas lembranças da ouvinte-internauta Lêda Vianna, nascida na capital, no ano do 4o centenário da cidade, 1954:

 


Ouça aqui o Conte Sua História de São Paulo de Lêda Vianna, sonorizado pelo Cláudio Antônio

 

Nasci na Maternidade Matarazzo, ou Umberto Primo, no Bixiga, que não existe mais. Os prédios ainda estão lá, são lindos. A arquitetura, quartos amplos, tudo lindo. Pena que, como tantas coisas lindas da minha cidade, foi deixado de lado. Dizem que vai ser mais um shopping center, ou mais um sei-lá-o-quê. Até hoje não foi dado um destino decente àquele lugar, símbolo de uma época, de uma cidade mais tranquila e confortável, da amplidão dos espaços.

 

Morávamos na então Rua Iguatemi, a original, onde hoje é a av. Faria Lima – “aquela” rua também não existe mais, e hoje passa por mais uma reestruturação e alteração da paisagem. Pelo que me lembro,  rua estreita, casinhas geminadas, gostosas, com quintal pequeno, jardim. Nos fundos da casa, muro com o Clube Pinheiros, de onde já nasci sócia. No meio da tarde minha mãe passava nosso lanche, recém preparado, por cima do muro, onde era o parquinho. Do outro lado da rua, em frente de casa, a Oficina Mecânica do Kirita. A família toda da minha mãe levava o carro pra consertar lá.

 

Vizinho ao Clube Pinheiros uma grande mata, parte da Mata Atlântica, segundo me disseram. Linda, árvores grandes, muito bonitas. Anos depois ali foi construído o Shopping Center Iguatemi, o 1º centro de compras do país, um novo conceito, uma pequena revolução nos nossos costumes. Foi o começo do abandono das lojas de rua. Com a construção do Shopping quase todas as árvores foram retiradas, mas sobraram várias ainda – na frente do Shopping um estacionamento igual ao que ainda existe nos fundos, com 4 ou 5 ruas de estacionamento, com muitas árvores e sombras. Mas isso foi bem depois.

 

Em 1957, 1958 talvez, mudamos para Santo Amaro, um bairro com ar do campo, cara de cidade do interior – na Chácara Flora ou Chácara Santo Antônio, não sei.  Rua Água Vermelha, esquina com Vitorino de Morais. Rua de terra, água de poço, sem luz na rua. Casas só de um lado da rua, do outro, mato. Ou mata. E barulho de passarinhos, grilos à noite. Outro mundo.

 

 
Tinha ainda um sub-prefeito, resquícios de quando aquela área era outro município. Nas placas estava escrito “Av. Santo Amaro – Subprefeitura de Santo amaro”.  Nossa rua era travessa da av. Santo Amaro, um pouco depois de onde viria a ter a escultura do Borba Gato. Mas isso foi depois.

 

Também por ter sido outro município existem lá muitas ruas importantes com o mesmo nome de ruas da “cidade de São Paulo”.

 

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Playlist para um feriado prolongado

 

Por Dora Estevam

 

Usei como referência alguns playlists tocados em desfiles e eventos de moda. A escolha, na maioria das vezes, é feita conforme o estilo da marca: praia, moda feminina, masculina, clássica ou jovem. Note nos vídeos da Jennifer Lopez e do Justin Bieber os cenários e os figurinos, são totalmente ligados a moda. Mais que moda, é o show que permite estas extravagâncias. Na verdade, quando assistimos a um clipe esperamos sempre este cenário com todo o colorido, jogo de luzes, coreografias incríveis, e, é claro, a música boa, não é?

 

Vamos lá, é só apertar o play e se divertir.

 

 

 

 

 

 


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, aos sábados, no Blog do Mílton Jung

Mundo Digital: como planejar seu tempo e carreira

 

É possível ter sucesso profissional e qualidade de vida mas para isso você tem de ajustar seu modelo mental, que determina a capacidade de tomar decisões, a habilidade de usar a energia pessoal para realizar seus objetivos e de aplicar estratégias para incrementar a execução. O diretor da Triad PS Christian Barbosa, ensina como planejar seu tempo e sua carreira, nesta entrevista do programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Autor do livro Equilíbrio e Resultado – Por que as pessoas não fazem o que deveriam fazer? (Editora Sextante), Barbosa diz que é preciso selecionar ideias, executá-las e evitar a procrastinação, assim se conseguirá acabar com um mal que incomoda executivos e os mais variados tipos de profissional: a falta de tempo.

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, no site da rádio CBN, com participação dos ouvintes-internauas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

O rádio completa 90 anos no Brasil

 

 

Três capítulos do livro Jornalismo de Rádio (Editora Globo) que lancei em 2004 e falam do surgimento dese veículo no Brasil, há 90 anos, e como foi sua invenção:

 


SÍMBOLO DA MODERNIDADE

 

Imagine se visitando uma dessas feiras de informática. Centenas de pessoas cruzando os corredores e você lá no meio, com os olhos arregalados para os equipamentos de última geração, duvidando que um dia se tornem acessíveis ao público.

 

Lembro do sucesso que fez a edição do Jornal 60 Minutos, da TV Cultura de São Paulo, quando durante a transmissão conversei ao vivo, através de um videofone, com um repórter que participava de uma exposição de tecnologia. O equipamento era novidade, isso pouco antes do fim do século XX.

 

Cito essa passagem para convidá-lo a voltar quase um século no tempo e se pôr no lugar das pessoas que, em 7 de setembro de 1922, tomaram as dependências do pavilhão da Exposição Internacional do Rio de Janeiro. O ambiente era festivo, o país comemorava o centenário da Independência. Pelos alto-falantes era possível ouvir transmissões feitas alonga distância, sem fio — ou wireless, para usar expressão da moda, na época. O mesmo som chegava a receptores espalhados em outros pontos da Capital Federal, além de Niterói, Petrópolis e São Paulo.

 

Roquette Pinto esteve por lá e se encantou com o que ouvia, apesar de ser ruim o som que saía dos alto-falantes instalados na exposição. O barulho era infernal, com muita gente falando ao mesmo tempo, e a música e os discursos reproduzidos arranhavam os ouvidos. No meio da multidão também estava Renato Murce, que dedicaria a vida ao rádio. No depoimento registrado no livro Histórias que o rádio não contou (Harbra, 1999), de Reynaldo C. Tavares, Murce afirma ter percebido logo que algo novo surgia. Menos preocupado com a confusão, viu a curiosidade e a desconfiança dos rostos ao redor.

 

A primeira pessoa que falou ao microfone de rádio, em uma estação instalada no Sumaré, pela Western Eletric, foi o presidente Epitácio Pessoa. E o povo,que se juntava na exposição do centenário, uma multidão incalculável, era pior do que São Tomé. Estava vendo, ouvindo e não acreditando. Como que em um aparelhinho, pequenino, lá longe, sem nada, sem fio, sem coisa nenhuma, podia ser ouvido à distância? E ficava embasbacado. Mas não nasceu para o Brasil propriamente o rádio, porque não havia ainda quase nenhuma rádio receptora. Era de galena, muito complicado. E quase ninguém podia ouvir a não ser aqueles que estivessem ali presentes. E os que ouviram, ouviram o Guarani, de Carlos Gomes, irradiado diretamente do Teatro Municipal. Esta foi a primeira experiência do rádio no Brasil.

 

Vale ressaltar: há quem defenda que a primeira emissora do Brasil foi a Rádio Clube de Pernambuco, fundada por jovens do Recife, em abril de 1919. Apesar de os registros mostrarem que a experiência estava mais próxima da radio telefonia, não deixe de citar o fato, principalmente se falar de rádio por aquelas bandas. A propósito, como veremos a seguir,a história da radiodifusão é marcada por dúvidas e controvérsias.


 

PADRE E BRUXO

 

Uma conversa do presidente da República Rodrigues Alves com um de seus assessores, no Palácio do Governo, no Rio de Janeiro, em 1905, pode ter tirado de um brasileiro o direito de ser reconhecido como o inventor do rádio. O representante do governo havia acabado de visitar o padre Roberto Landell de Moura, de quem ouviu explicações sobre algumas geringonças inventadas por ele. Coisas como telefônio, teleauxifônio e anematofono, espécies de telefone e telégrafo sem fio e de transmissores de ondas sonoras — a maioria já patenteada por ele, nos Estados Unidos, em 1904.

 


Jamais escreva o nome desses aparelhos em texto a ser transmitido pelo rádio. Se tiver que fazê-lo, grife as palavras. A norma serve para demais palavras estranhas e/ ou estrangeiras.Os locutores agradecem.

 

Bem que o padre de 44anos, nascido em PortoAlegre, se esforçou para convencer o enviado do Palácio que os aparelhos montados por ele poderiam estabelecer comunicação com qualquer ponto da Terra, por mais afastados que estivesse um do outro.

 

Não se sabe se foi devido às limitações intelectuais do assessor, que talvez não tenha entendido o que lhe era apresentado; se pelo fato de o padre ter solicitado dois navios da esquadra brasileira para uma demonstração pública dos seus inventos; ou se o assessor ficou assustado ao ouvir que um dia ainda seriam possíveis comunicações interplanetárias. Certo é que, ao voltar ao Palácio, o burocrata, a exemplo de um carimbo de repartição pública, foi taxativo:”esse padre é um maluco”.

 

Não era novidade para Landell de Moura. Ele já fora várias vezes transferido de paróquia, ou mesmo de cidade, acusado de ser impostor, herege e bruxo. Acusações dirigidas a ele, em 1892, quando, utilizando uma válvula amplificadora com três eletrodos, transmitiu e recebeu a voz humana. O feito se deu em Campinas, interior paulista, e nem mesmo ouvindo as pessoas foram capazes de acreditar.



 


FEZ-SE O SOM

 

O mérito de Landell de Moura, reconhecido apenas após a morte, em 1928, é evidente quando se pesquisa a história do surgimento do rádio. Do telégrafo, termo que surgiu no fim do século XVIII à telefonia, já no século XIX, muitos avanços levaram à radiodifusão. Estudos sobre a eletricidade e suas características se somaram até chegar ao aparelho que, atualmente, existe na casa da maioria dos brasileiros e nos carros, também.

 

O professor de física James Clerk Maxwell, em 1863, mostrou como a eletricidade se propagava sobre forma de vibração ondulatória. Teoria usada 24 anos depois pelo físico alemão Heinrich Rudolf Hertz, e desenvolvida pelo francês Edouard Branly, em 1890, e pelo britânico Oliver Lodge, em 1894.

 

Naquela época, Landell de Moura já havia assustado muita gente por aqui com seus inventos, e feito, inclusive, suas primeiras experiências com transmissão e recepção de sons por meio de ondas eletromagnéticas. Há registros de que usou a válvula amplificadora em testes pelo menos dois anos antes do equipamento ter sido apresentado ao mundo pelo americano Lee DeForest.

 

Não cabe aqui discutir de quem é o mérito da invenção, pois há muita controvérsia, mesmo entre os estudiosos do tema.

 

Até o nome de Guglielmo Marconi como inventor do rádio é contestado. Mas o italiano teve seus méritos — e como teve. Industrial com visão empreendedora, percebeu em vários inventos já patenteados a possibilidade de desenvolver novos aparelhos, mais potentes e eficazes. Foi o que fez para chegar à radio-telegrafia, em1896.

 

Já no início do século XX, o russo David Sarnoff, que trabalhava na Marconi Company, afirmou ser possível desenvolver uma “caixa de música radio-telefónica que possuiria válvulas amplificadoras e um alto-falante, tudo acondicionado na mesma caixa”. Tal equipamento seria o protótipo do rádio como veículo de comunicação de massa.

 

A indústria de radiodifusão nasceu, de fato, em 2 de novembro de 1920, em Pittsburgh, quando a KDKA foi ao ar, graças a Harry P. Davis, vice presidente da americana Westinghouse. Essa mesma empresa, dois anos mais tarde, traria equipamentos para a Exposição Internacional do Rio de Janeiro, ao lado da Western Eletric. Harry acompanhava com entusiasmo o resultado do trabalho artesanal de Frank Conrad, que transmitia músicas e notícias captadas por receptores de galena, inicialmente construídos pelos próprios usuários e, em seguida, produzidos em série pela empresa.

 


Para não cometermos injustiça, combinamos assim: na hora de redigir um texto deixe os títulos de lado. “Marconi, o inventor do rádio”, “Landell de Moura, o homem que apertou o botão da comunicação” e “Roquette Pinto, o pai do rádio brasileiro” são clichês que devem ser substituídos por informações que agreguem valor à notícia e ajudem a esclarecer o ouvinte. Lembro de um boletim que gravei para a TV Globo, em 1991, antes de uma reunião do Mercosul, em São Paulo, e disse que o Paraguai era o “Paraíso do Contrabando”. Na ocasião, um correspondente internacional comentou, balançando a cabeça em sinal de reprovação: “o que seria dos jornalistas sem os clichês…”. Aprendi a lição e reproduzo o fato para que você não passe pelo mesmo constrangimento.

Neste feriado, lembre-se: devagar se vai ao longe

 

Por Milton Ferretti Jung

 

O feriado do dia 7 de Setembro é daqueles que se prolongam por bem mais que 24 horas, razão pela qual são chamados, talvez por influência da mídia, de feriadões. Não gosto desse superlativo.Prefiro que sejam identificados, apenas, como feriados prolongados. O nome deles, porém, não tem a menor importância. Todos, em geral, começam, como o de amanhã, numa sexta-feira e se estendem até o domingo. Cada um aproveita os longos feriados da maneira que mais lhe apraz. Há quem adore assistir ao tradicional desfile comemorativo da Data Magna da nossa independência, existe quem prefira aproveitar o fim de semana comprido para descansar ou, então, para viajar, elegendo, como destino, praia, serra ou mesmo uma visita a parentes que moram em outras cidades. Quem fica ou quem sai, torce para que o tempo seja bom, coisa que nem sempre acontece.

 

Preocupa-me, no caso dos que optam por viajar, seja qual for o tipo de veículo escolhido para tal, com o que ocorre, principalmente, quando os feriados começam em sextas-feiras. Refiro-me às tragédias provocadas por acidentes de trânsito. No último fim de semana – nem era de feriadão – morreram, nas estradas gaúchas, 11 pessoas. Dessas, apenas duas foram vitimadas na Região Metropolitana. Para tentar evitar quaisquer acidentes, a Polícia Rodoviária Federal, em parceria com a Brigada Militar e Departamento Estadual de Trânsito (DETRAN), vão reforçar os efetivos, montar barreiras e por em ação radares. Isso, com toda a certeza, ajuda. Entretanto, não basta. Os motoristas precisam se conscientizar que não podem transformar os veículos que dirigem em armas letais, o que acontece quando fazem ultrapassagens em locais indevidos, em velocidade superior aos limites ou empunham a direção embriagados. Gosto de velhos ditados. No caso, lembro aquele que diz: “devagar se vai ao longe”.

Avalanche Tricolor: Torcida e time fazem uma baita diferença

 

Grêmio 2 x 1 Atlético (GO)
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

Gremio x Atletico-GO

 

Você, caro e raro leitor deste blog, sabe bem que muito mais do que o placar final e a conquista alcançada, escrevo esta coluna, desde 2007, com base na emoção emanada da camisa que nossos jogadores suam em campo. E hoje me atrevo a escrever esta Avalanche antes mesmo de saber o resultado final da partida. Já estamos vencendo por 2 a 1, mas poderia ter começado este parágrafo antes mesmo de ver Elano brilhar com dois belos gols, um que partiu do seu talento na cobrança de falta – parecia ter colocado a bola com a mão no arco adversário – e outro no qual fechou com precisão uma belíssima jogada construída, não por um jogador, pelo coletivo tricolor.

 

Fui conquistado por este Grêmio desde o momento em que a câmera percorreu as arquibancadas e percebi que todos os espaços estavam devidamente ocupados. Acreditei neste time no instante em que o juiz apitou o início do jogo e havia uma tensão que ligava cada um de nossos jogadores, os levava a correr com uma gana que há muito não via nesta equipe. Estava evidente que algo novo surgia na relação entre torcida e time, aquele algo que fazia falta e me incomodava tanto, como já expressei em Avalanches e comentários anteriores. O Grêmio de hoje, sei lá qual será o resultado final, é um time com outra alma, apoiada pela paixão de seus torcedores, e isto pode fazer uma baita diferença para as nossas pretensões neste Campeonato Brasileiro. Porque é isto que nos torna Imortal !

Casa, trabalho, e… Shopping Center

 

Por Carlos Magno Gibrail

 


O grande desafio comercial para o varejo real, na era virtual em que vivemos, é tornar o ambiente das compras como um espaço de prazer.

 

Grandes operadores sonham em transformar suas unidades como o terceiro lugar para as pessoas irem. Isto porque, a casa e o trabalho são endereços permanentes, mas quem conseguir se posicionar como a terceira alternativa certamente terá extraordinária vantagem competitiva. Com relação aos do mesmo canal de vendas e de outros, como os meios eletrônicos.

 

Recentes dados do IBOPE sinalizam que os Shoppings Centers estão neste caminho. E, os consumidores respondem e correspondem. Aproximadamente 11 milhões de brasileiros frequentam os Shoppings diariamente, o que significa que 376 milhões visitam mensalmente estes locais. O que não é pouco, pois podemos dizer que dois brasis vão aos Shoppings todo mês.

 

O detalhe é que destes, apenas 40% vão às compras. Da parcela maior de 60%, 15% passeiam, outros 15% se alimentam, 10% assistem a filmes e encontram pessoas, 10% buscam serviços, 5% pagam contas e 5% usam caixas eletrônicos.

 

Se de um lado esta estratificação dilui a conversão em vendas, tanto que os Shoppings com os R$ 108 bilhões de 2011 ficam com apenas 18% do varejo, ao mesmo tempo contribui qualitativamente gerando o diferencial necessário para enfrentar os outros canais. A internet cravou R$ 18,7 bilhões e apresentou um crescimento de 26%, enquanto os Shoppings, mesmo com 22 novos empreendimentos, ficaram com 18% de aumento de faturamento em relação ao ano de 2010.

 

Considerando para os próximos oito anos as previsões de aumento do mercado consumidor brasileiro com base no ciclo entre 12 mil dólares a 17 mil dólares de renda per capita anual, e no bônus demográfico, as estratégias de posicionamento e crescimento dos Shoppings e dos meios eletrônicos deverão incentivar uma atenção total ao novo consumidor. Por sua vez, as marcas terão a chance de não repetir a miopia dos Shoppings Centers, que ignoraram o e-commerce.

 

Ao que tudo indica algumas já estão atentas, pois há casos excepcionais de aproveitamento do mercado real para entrar no virtual. As livrarias são um bom exemplo. A Livraria Cultura e a Livraria da Vila reúnem os canais ao mesmo tempo em que abrem espaço de lazer e prazer em lojas projetadas para ser efetivamente uma alternativa para encontrar pessoas, ou mesmo para a solidão compartilhada. Enquanto muitas vezes há aumento de despesas, se descobre também alternativas de lançamento de novos produtos como viagens e passeios para os clientes fidelizados.

 

É um aspecto que os Shoppings terão que atentar, pois o sistema hoje vigente em que as lojas satélites ficam com a maior parte da conta, pode inviabilizar as cadeias de lojas de marcas exclusivas que não contam com as benesses das âncoras e das mega-lojas. Assim como o cinema descobriu a pipoca e o próprio Shopping o estacionamento como fontes invejáveis de faturamento, é hora de abrir o olho. É um novo cenário, que terá um consumidor mais e mais informado e segmentado, exigindo das marcas e dos Shoppings Centers competência para criar e antecipar ambientes, produtos e serviços, que valham a pena sair de casa.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Ouvintes escrevem sobre os 90 anos do rádio no Brasil

 

A série de reportagem produzida pela CBN sobre os 90 anos do rádio, que serão comemorados no dia 7 de setembro, sexta-feira, têm provocado muitas lembranças e comentários de ouvintes-internautas. Um dos que se entusiasmaram foi o jornalista Paulo Brum, gaúcho erradicado em Brasília. Reproduzo a seguir o texto enviado por ele, antes deixo o link para o trabalho da repórter Nathalia Toledo que apresenta arquivos históricos do rádio brasileiro:

 


Acesse aqui a série de reportagens sobre o 90 anos de rádio, da CBN

 

 


Por Paulo Brum

 

Mais uma vez volto a escrever-lhe, dessa vez para falar do rádio. Hoje pela manhã escutei toda a discussão sobre a breve história do rádio no Brasil, Rádio Nacional, Mairink Veiga, Paulo Gracindo, Emilinha Borba, Mario Lago, e outros tantos imortais!
 

 

Há alguns anos fui entrevistado pela BBC sobre a importância do rádio, sobre a escuta da BBC em ondas curtas, etc. Essa entrevista resultaria anos depois na emissão de notícias da BBC para o Brasil, como a que hoje transmite a CBN.

 

Bem, digo isso para registrar minha devoção ao rádio, desde a infância, no interior do Rio Grande do Sul, único meio de comunicação com o Brasil e o mundo.

 

O rádio servia para enviar recados de parentes e pessoas que estavam na cidade para quem estava no interior, no campo. Eram recados de alguém que estava enfermo, de algum falecimento ou nascimento, de alguém que estava viajando e desceria em tal ou qual encruzilhada, ou de alguma encomenda, um medicamento, que viria pelo ônibus.

 

As notícias da capital, Porto Alegre, eram escutadas pela manhã, geralmente tomando um mate. As rádios Farroupilha e Gaúcha eram, e ainda são, as mais escutadas.

 

A novela Direito de Nascer está na minha memória, ainda garoto. Minha mãe, irmã, tias, juntavam-se próximas ao rádio para escutá-la. Choradeira geral, muitas vezes. Lembro-me também do Morro dos Ventos Uivantes. Morria de medo, não ia dormir enquanto o pessoal também não fosse. O vento e o uivo do cão eram aterrorizantes, então.

 

As emissões das Copas do Mundo, não havia televisão, eram emocionantes. O som parecia ir e vir, dava realmente a impressão de distância continental.

 

Também eram escutadas rádios do Uruguai, da Argentina. Lembro-me das emissões da Rádio El Mundo, do programa “Montevideo de Noche”, da voz rouca e absolutamente sensual de uma locutora, que embalava a imagens de adolescência com músicas que não chegavam ao interior do Rio Grande do Sul, Zitarrosa, Mercedes Sosa, tangos, jazz, etc

 

Quando os Tupamaros sequestraram o Embaixador do Brasil no Uruguai, Dias Gomide, juntamente com o agente da CIA, Dan Mitrione, no frio do inverno, juntávamo-nos todos ao redor do rádio para acompanhar. Pelotas estava ao lado da fronteira, meu pai era trabalhista e ia seguidamente conversar com o Brizola em Montevidéu. A preocupação era grande. Se a ditadura aqui também apertasse, para onde ir?

 

Durante a ditadura a única forma de saber o que realmente acontecia no Brasil era pelas ondas curtas, pela BBC, Rádio França Internacional, Central de Moscou e até pela Voz da América. Escutei discursos intermináveis de Fidel Castro pela Rádio Havana, Território Livre da América (sic).

 

Campanhas em defesa dos presos políticos no Brasil, Chile, Uruguai, Argentina, Nicarágua, África do Sul, Mandela e outros países e pessoas que naqueles momentos da Guerra Fria sofriam com ditaduras sanguinárias.

 

A guerra do Vietname também nos atingia, mesmo no hemisfério sul, no Rio Grande. Escutar os Beatles pela BBC era o máximo, sensacional!

 

Também eram tempos em que a utopia ainda fazia parte do nosso imaginário de um futuro igualitário, humano, justo, fraterno. Esse encantamento daria lugar a outra realidade anos depois, já na democracia, fim da guerra fria, queda das colônias portuguesas, Revolução dos Cravos, queda do Franquismo, Perestróika, Bin Laden, Torres Gêmeas de Nova Iorque, invasão do Iraque, Afeganistão…

 

Ainda hoje mantenho esse costume de escutar rádio, pela manhã, em casa, no carro, em qualquer lugar onde esteja. Já há algum tempo deixei de escutar as ondas curtas, mas reconheço que elas chegam a lugares onde a internet, com todo o seu alcance, ainda não chega.