Avalanche Tricolor: antes tarde do que nunca

 

Grêmio 1 x 0 Fluminense
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

Este é um fato raro nesta coluna que se iniciou em 2007 juntamente com este Blog. Raro mas não necessariamente especial. A Avalanche sempre se apresenta em formato de post momentos após a partida do Grêmio quando descrevo parte do que senti assistindo ao meu time do coração, quase sempre pela televisão, dada minha distância geográfica. Dificilmente deixo para falar sobre o tema no dia seguinte, apenas quando as partidas se encerram muito tarde e minhas responsabilidade profissional e prudência pedem para que eu vá me deitar logo. Não lembro, porém, de alguma vez ter deixado esta Avalanche em “banho maria” por tantos dias como nesta semana. O curioso é que isto ocorreu em um momento importante para este novo time do Grêmio, a vitória sobre o até então invicto Fluminense. Ou seja, quando teria mais entusiasmo para despejar nestas linhas, me retraio, me atenho a outros compromissos como se, inconscientemente, tentasse conter o entusiasmo que toma conta da torcida gremista. Possivelmente o desafeto de meu tio mais famoso, Freud, explique este tipo de reação. Seja como for, estou aqui na Avalanche, hoje, para registrar que nossa satisfação se justifica pois o Grêmio tem amadurecido a cada jogo e dentre os méritos demonstrados destaco dois: bola e jogadores no lugar certo. Conseguimos ter a posse de bola em boa parte do jogo, e nossa escalação é coerente, sem invenção. Em um campeonato longo e difícil como o Brasileiro manter esta performance rodada após rodada é um desafio, pois nem sempre teremos todos os jogadores à disposição, haja vista o que ocorrerá na rodada desse sábado quando Kleber, Souza e Leandro estão fora. Mas o conceito de jogo não deve ser abandonado.

Confusão com as malas da Copa (de 1974)

 

Por Milton Ferretti Jung

 


Vou contar, nesta quinta-feira, mais uma história de rádio. Gostaria de escrever sobre o que foi discutido pelos especialistas em mobilidade urbana, que estiveram em Porto Alegre na semana passada, representando vários países, para relatar o que foi feito nas suas cidades de origem visando a resolver os angustiantes problemas de trânsito. A nossa mídia, porém, tratou do tema apenas antes da realização do Congresso de Trânsito Idéias que Salvam Vidas.

 

Desde 1958, a Rádio Guaíba, com um ano de vida, transmitiu a sua primeira Copa do Mundo: a da Suécia. E deu sorte! Fomos campeões. Daí para a frente, a emissora rio-grandense esteve presente em todos os Mundiais. Como narrador, cobri a minha primeira Copa em 1974, na Alemanha. Lembro-me, como se fosse hoje, da viagem para a terra de parte dos meus ancestrais,os Jung. O comentarista Ruy Carlos Ostermann e eu embarcamos em Porto Alegre, rumando para São Paulo, de onde saímos em direção a Paris. Ali, trocaríamos de avião. Perdemos, porém, a conexão para Frankfurt porque o nosso voo chegou com atraso à capital francesa. Saímos a buscar um avião que nos levasse ao destino final. Pergunta daqui, pergunta dali, encontramos o que queríamos. Em pouco tempo, estávamos desembarcando na cidade alemã em que ficaríamos hospedados durante boa parte da Copa. Os primeiros jogos da seleção brasileira seriam disputados.

 

O nosso desembarque em Frankfurt ficou marcado pelo susto que o Ruy e eu levamos. Fomos para a esteira esperar a nossa bagagem. Malas e mais malas cruzaram à nossa frente, mas as nossas não apareciam. E tivemos de pegar um táxi portando somente a bagagem de mão. Depois de chegarmos ao hotel no qual os companheiros que nos precederam já estavam seguimos com eles para um jantar promovida pela FIFA. Minhas melhores roupas estavam na mala desaparecida. Passei o jantar inteiro constrangido por me sentir mal vestido, obrigado a continuar vestindo o terno que usara na viagem. Creio que com o Ruy ocorreu o mesmo. Dormimos preocupados. No outro dia, pela manhã, dirigimo-nos os dois para o aeroporto. Lá chegando, fomos ao depósito de bagagens não reclamadas. E lá estavam as nossas malas. Elas tinham seguido em outro avião, que não aquele em que fizéramos o trajeto Paris-Frankfurt, graças às etiquetas nas quais constava o nosso destino final. O nosso retorno ao Hotel Europe no BMW que a Rádio alugara para os nossos deslocamentos na Alemanha foi feito por dois radialistas sorridentes, bem diferentes dos que, um dia antes, haviam desembarcado imaginando que nunca mas veriam as suas malas.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Está na hora de voltar, mas antes uma recomendação às cias aéreas

 

De volta ao trabalho, nesta quinta-feira. Foram 15 dias de férias, distante da crise em espírito apesar de bem próxima dela geograficamente. Estive na costa da Toscana nestes dias todos e aproveitei o melhor que pude meus momentos de descanso. Desta vez, preferimos – eu e minha família – ficar assentados no mesmo canto, evitando deslocamentos longos, troca de aviões e traslados que costumam causar muito desgaste. Não me desconectei por completo como da última viagem nas férias de inverno, mesmo assim tive o cuidado para não me afundar durante a navegação. Sabia que no retorno seria preciso fôlego pois teremos meses repletos de notícias com Jogos Olímpicos, julgamento do Mensalão e eleições municipais.

 

Antes de partirmos para os temas do cotidiano brasileiro, faço alguns registros de acontecimentos das férias. E começo pelo fim, o aeroporto de Fiumicino, ao lado de Roma, capital italiana, que apesar de ter infraestrutura bem mais avançada do que qualquer dos nossos aeroportos também peca no conforto oferecido aos passageiros. Quem pretende embarcar deve chegar bem mais cedo do que o comum, principalmente quando há o risco de o voo atrasar. A recomendação até pode parecer contraditória, mas o fato é de que praticamente não há cadeiras à disposição e se você não estiver entre os seis ou sete primeiros a entrar no local, terá de esperar em pé.

 

A situação não é muito melhor depois que você embarca no avião da Alitalia, mesmo que tenha tido o cuidado de comprar passagem para uma área considerada mais confortável do que a turística. Aliás, além de terem levado quase um mês para me enviarem a confirmação das passagens (por email, diga-se), ainda enviaram uma delas errada, o que só foi descoberto no check-in de retorno. O quesito simpatia no atendimento também não parece ser o forte da companhia italiana. Dentro do avião, a espera para a decolagem, tão demorada quanto no Brasil, foi feita sob um calor intenso e uma tentativa do comandante de “ressetar” o aparelho – ligou e desligou todos os equipamentos eletrônicos em cinco segundos, o que me levou a pensar se haveria necessidade de repetir o ato enquanto estivéssemos em voo.

 

A propósito, uma recomendação às empresas áreas. Sabe aqueles anúncios de segurança que são feitos antes da decolagem? Será que não dava para mandar aqueles informações por e-mail ou em um cartinha a cada passageiro ou seja lá qual for outra forma de contato, bem antes do embarque, ao menos antes de fecharem as portas?

 

Imagina se você é daqueles que tem um certo medo de avião, senta na poltrona já devidamente preocupado com as possíveis turbulências e começa a assistir ao vídeo de segurança. Já começam mostrando por onde você deve sair se houver algum problema, mas pedem para fazer isto calmamente. Alertam para a possibilidade do avião despressurizar, quando sua vida dependerá de máscaras que cairão do teto. Mas as coisas podem piorar e o avião pousar no mar quando, então, você terá de encontrar embaixo da sua poltrona um colete salva vida. Duvido que isto seja possível, pois não há espaço entre uma poltrona e outra. Vista o colete que só deve ser inflado quando você estiver na porta de saída, bem verdade que a cordinha pode não funcionar e você terá de assoprar em um canudinho até o salva vida estar devidamente cheio. Depois de tudo isto, se tiver sorte, terá lugar no bote que a empresa aérea garante que colocará à sua disposição. Convenhamos, depois de tantos alertas é de se surpreender que ninguém decida saltar pela porta antes do avião decolar.

 

Nos próximos dias, se houver tempo, prometo trazer outras constatações dessas férias. Agora, vamos ao trabalho.

De biquíni, a boa imagem do Brasil

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

O Brasil, com invejável litoral, com extensos recursos naturais, com talentos em música e futebol, já deveria ter um posicionamento dominante em produtos como o café, o campeonato nacional de futebol e demais artigos relacionados com o DNA nativo.

 

A França e a moda, a Itália e o vinho, Portugal e o azeite, a Inglaterra e a literatura, são exemplos notáveis.

 

Os biquínis brasileiros adentram agora neste propósito de utilizar a credibilidade conferida aos trajes de praia criados e produzidos aqui, oriunda da expertise em praia, mar e sol da natureza nacional. Com o projeto + Beach Brasil, a ABEST Associação Brasileira de Estilistas, com a participação da APEX Agência Brasileira de promoção de exportações e investimentos, reúne 18 fabricantes de moda praia, tendo como meta exportar e formar um posicionamento dominante neste mercado para a marca Brasil.

 

Este projeto +Beach Brasil, das marcas Água de Coco, Amir Slama, ANK Swimwear, Brigitte, Cia. Marítima, Cecília Prado Mare, Clube Bossa, Dalai Beachwear, Jo de Mer, Larissa Minatto, Lenny, Poko Pano, Salinas, Sol de Janeiro, Skinbiquini, Treza, Triya e Vix Swimwear, marcou presença em Miami (EUA): o Mercedes-Benz Fashion Week Swim, o evento mais famoso de moda praia americano, encerrado na segunda e a feira de negócios Swim Show, que completou 30 anos nesta edição e terminou ontem.

 

Valdemar Iodice, presidente da ABEST informou de Miami, que as doze marcas que participaram da Swim Show realizaram bons negócios e a PoKo Pano, ANK Swim, Cia. Marítima que desfilaram tiveram seus modelos destacados na cobertura do evento. Enfatizando que “a festa de lançamento realizada na noite de ontem (23) também foi marcante para as marcas presentes e para a entidade, já que recebeu cerca de 250 convidados entre compradores (como da loja The Webster, Saks Fifth Avenue, Harrods, Gilt Group, Shopbop etc.), estilistas brasileiros e mídia internacional”.

 

É bom mesmo que os maiôs pátrios tomem seus lugares ao sol, para evitar que países que já dominem alguns posicionamentos, façam também como a Suíça dos relógios, dos queijos e dos bancos, que nos vende café Nespresso a R$ 500,00 o quilo enquanto o quilo do café Qualitá custa R$ 15,00. E o café é nosso. Ou não é?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

A vã Filosofia!

 

Por Julio Tannus
 

 

Desde criança ficava intrigado com os fenômenos da eletricidade – as descargas elétricas, o acender e apagar das luzes… Não deu outra, me formei em engenharia elétrica, dei aula na universidade por dez anos, nas cadeiras de Teoria da Eletricidade, Eletromagnetismo, Máquinas Elétricas. Até que, após as primeiras aulas particulares com a filósofa Marilena Chauí, me dei conta que a fonte primeira de conhecimento dos fenômenos contidos na física estava na filosofia. Passei, então, por um bom tempo, a me dedicar de corpo e mente às ciências humanas. E depois, juntando as exatas com as humanas, ingressei no marketing, nos estudos de mercado e na pesquisa de mercado.

 

E a Filosofia? Deixou nossos bancos escolares. É uma grande perda. Retomo então a indagação que Marilena Chauí faz: Para que a filosofia? Inútil? Útil? E ela mesma responde: O primeiro ensinamento filosófico é perguntar: O que é o útil? Para que e para quem algo é útil? O que é o inútil? Por que e para quem algo é inútil?

 

O senso comum de nossa sociedade considera útil o que dá prestígio, poder, fama e riqueza. Julga o útil pelos resultados visíveis das coisas e das ações, identificando utilidade e a famosa expressão “levar vantagem em tudo”. Desse ponto de vista, a Filosofia é inteiramente inútil e defende o direito de ser inútil.

 

Não poderíamos, porém, definir o útil de outra maneira?

 

Platão definia a Filosofia como um saber verdadeiro que deve ser usado em benefício dos seres humanos.

 

Descartes dizia que a Filosofia é o estudo da sabedoria, conhecimento perfeito de todas as coisas que os humanos podem alcançar para o uso da vida, a conservação da saúde e a invenção das técnicas e das artes.

 

Kant afirmou que a Filosofia é o conhecimento que a razão adquire de si mesma para saber o que pode conhecer e o que pode fazer, tendo como finalidade a felicidade humana.

 

Marx declarou que a Filosofia havia passado muito tempo apenas contemplando o mundo e que se tratava, agora, de conhecê-lo para transformá-lo, transformação que traria justiça, abundância e felicidade para todos.

 

Merleau-Ponty escreveu que a Filosofia é um despertar para ver e mudar nosso mundo.

 

Espinosa afirmou que a Filosofia é um caminho árduo e difícil, mas que pode ser percorrido por todos, se desejarem a liberdade e a felicidade.

 

Qual seria, então, a utilidade da Filosofia?

 

Se abandonar a ingenuidade e os preconceitos do senso comum for útil; se não se deixar guiar pela submissão às idéias dominantes e aos poderes estabelecidos for útil; se buscar compreender a significação do mundo, da cultura, da história for útil; se conhecer o sentido das criações humanas nas artes, nas ciências e na política for útil; se dar a cada um de nós e à nossa sociedade os meios para serem conscientes de si e de suas ações numa prática que deseja a liberdade e a felicidade para todos for útil, então podemos dizer que a Filosofia é o mais útil de todos os saberes de que os seres humanos são capazes.

 

 
Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier) e às terças-feiras escreve no Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: ao infinito e além

 

Botafogo 0 x 1 Grêmio
Brasileiro – Engenhão (RJ)

 

 

Pode ter sido a camisa com o número 1 nas costas de Marcelo Grohe. Fiquei sabendo, nesta semana, que desde que ele passou a vesti-la, em lugar da 12 com a qual jogou as duas primeiras partidas como titular, o Grêmio não perdeu uma. Pode ter sido meu Ipad, que tem me permitido acessar a TV conectada em casa mesmo enquanto estou de férias na Itália. Foram três vitórias incontestáveis que assisti daqui da Maremma, região da costa de Toscana, que tornaram ainda mais agradáveis os dias de descanso. Alguém pode até imaginar que tudo está ligado a mística do adversário, aquele com o qual se alguma coisa pode dar errado, tenha certeza de que dará. Era a estreia da grande estrela internacional Seedorf diante de sua torcida e com a oportunidade de o time carioca entrar no sedutor G4. Por que daria certo?

 

Para os que preferem as superstições, tudo pode ter levado o Grêmio à vitória no encerramento da 11a. rodada do Campeonato Brasileiro. Melhor mesmo que tentem encontrar nas forças do além a resposta para a conquista de ontem contra um adversário direto na disputa pelo título, diante de um cenário tão desfavorável. Assim não perceberão que um novo time está sendo formado, com jogadores se posicionando melhor em campo e descobrindo seu papel no elenco. E talvez se surpreendam quando virem o Grêmio no topo da classificação. É lá que pretendemos chegar. Quando isto acontecer, não se engane, não será fruto do acaso, mas resultado do equilíbrio de alguns jogadores que estão conseguindo dar a equipe tranquilidade e qualidade.

 

Talvez você não tenha percebido, mas no parágrafo acima analiso o Grêmio fazendo uso do gerúndio, pois este indica uma ação em andamento e é isto que ocorre no tricolor gaúcho. O Grêmio não é um time pronto, e nosso desempenho logo após o gol da vitória se justifica nesta verdade. Sofremos uma pressão que poderia ter sido amenizada com a bola no chão, tocada de pé em pé, como fazíamos até então. Zé Roberto e Elano, no entanto, cansaram e ambos são referência e experiência no meio de campo. Por outro lado, ao conseguirmos conter o assédio do adversário, com bola tirada quase de dentro do gol, atacante derrubado no pescoção e nosso goleiro demonstrando uma incrível personalidade, ficou claro que, além de tudo, temos sorte. E é sempre bom contar com ela nos momentos decisivos, mesmo porque nossa meta é ambiciosa nesta temporada.

 

Lembrando o personagem de Toy Story, Buzz Lightyear: ao infinito e ir além.

De luxo

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

Adoro domingo. Acordo com certeza daquilo que quero e do que não quero e me deixo levar pelas surpresas do dia, se houver. É o descompromisso com o externo que me encanta. Os minutos passam, os eventos batem à porta, quando batem, e eu abro ou não. Posso ler, escrever, pensar, meditar, dormir, ver uns filmes, comer pipoca, cozinhar se me der na telha, criar, ouvir música, papear, aprender. Tem luxo maior? Um dia inteiro pra mim; oportunidade escancarada de ficar comigo mesma e com aqueles que amo e que me fazem bem, de preferência sem sair do meu ninho.

 

Ah! se a gente pudesse sempre praticar o ócio criativo sem culpa. Se a gente se aceita e gosta da própria companhia, então é um prato cheio. Jardim, sol e um bom livro que me leva a memórias e sonhos que tecem em mim um presente de infinitas dimensões. Minha oficina cheia de pano, linha, flor, brilho, renda, chita, botão, recheio… um exército de seres inanimados se oferecendo para vir a ser.

 

Valentina na caminha curte o seu presente, e nos fazemos companhia silenciosa e compreensiva, cada uma a seu modo. Estamos juntas há quatro anos e respeitamos nossos limites numa dança bem dançada, sem pisar nos pés uma da outra. Quando quer comer ou beber água senta na minha frente, dá lambidinhas no focinho, e fica me encarando, um olhinho no norte e o outro no nordeste, o que lhe confere um charme irresistível.

 

iPad e iPhone na mesa redonda – sou macmaníaca assumida – para ter a possibilidade de manter contato com o mundo lá fora. Faz anos que cancelei minha assinatura de jornal diário. Compro quando quero, leio o que quero, onde e quando quero. Isso é luxo!

 

Sempre que mergulho em mim vejo muito mais e melhor o lado de fora, ouço o chamado de uma florzinha rara que brota valente num vaso abandonado e superlotado, recebo a visita barulhenta de pássaros famintos pela banana fincada na primavera, brinco de alquimista no fogão e me emociono com a delícia de um simples omelete com pão fresquinho e uma salada de tomate e cebola só com azeite e sal, ou simplesmente gelatino no sofá. Neste inverno relâmpago que atinge São Paulo mantenho a lareira acesa, vivinha, e fico lendo as formas que o fogo me oferece. Curto meu filho e nossas cachorras e a chegada de um amigo aqui, outro ali, pra tomar um café e só ficar perto, falando abobrinha e rindo muito.

 

Calça de pijama divertida, chinelos comprados em Embu das Artes – numa tarde deliciosa com o Cláudio, a Karen e a Sofia, dando muita risada -, meias tricotadas pela minha sogra, a Dona Ruth, que me conhece muito bem, e… preciso de mais?!

 


Maria Lucia Solla é professora, realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: micro e pequenas consideram a ética essencial

 

Setenta por cento das micro e pequenas empresas consideram que a ética é essencial para o sucesso do seu negócio. Este é um dos resultado de pesquisa inédita feita pela Fundação Nacional da Qualidade que foi entender como os empresários brasileiros se comportam quando o tema é ética nos negócios. O presidente da Fundação, Ricardo Correa, em entrevista ao Mundo Corporativo, da rádio CBN, também conta algumas das estratégias que as corporações estão usando para combater irregularidades internas e reduzir os riscos de serem alvos de corrupção.

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da rádio CBN, com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn. Aos sábados, o programa é reproduzido no Jornal da CBN.

Kassab cria campo de distorção sobre Plano de Metas

Post publicado no Blog Adote São Paulo, da revista Época São Paulo

 

 

Steve Jobs era conhecido por criar um campo de distorção da realidade capaz de convencer as pessoas do entorno dele a buscar os resultados mais impossíveis. Foi assim que levou seus técnicos a aperfeiçoar de maneira incrível algumas das muitas traquitanas eletrônicas que usamos atualmente. Em São Paulo, parece que o criador da Apple tem inspirado o prefeito Gilberto Kassab (PSD) que, para avaliar seu desempenho, resolveu distorcer a verdade e desconsiderar os fatos. Recentemente deu nota 10 para sua gestão, na contramão do que os institutos de pesquisa demonstram quando ouvem a opinião do paulistano. Péssimo e ruim são os conceitos que mais encontram adeptos, enquanto diminui cada vez mais aqueles que dizem ser a ótimo ou bom o trabalho realizado por ele na cidade. Também não podíamos imaginar diferente, já que o alcaide, em janeiro, também deu nota 10 para a implosão de parte do prédio do Edifício Moinho que havia pegado fogo. E, como se sabe, a implosão falhou.

 

Nesta semana, Kassab voltou a aplicar o campo de distorção da realidade ao falar do Plano de Metas, apelidado pela prefeitura de Agenda 2012. Em entrevista ao programa Canal Livre, da Tv Bandeirantes, não apenas assumiu a autoria do projeto de lei que criou o sistema, como disse que nenhuma outra cidade teria aprovado a lei devido a má fé das entidades que acompanham o plano de metas, em uma referência direta ao trabalho realizado pela rede Nossa São Paulo.

 

Que o prefeito não esteja informado de que o Plano de Metas está em vigor em 29 cidades brasileiras e segue em tramitação na Câmara dos Deputados, onde, se aprovado, vai atingir a União, os Estados e todos os municípios, não me surpreende. Ultimamente ele esteve mais dedicado a sobrevivência de seu novo partido político, as costuras para ficar de bem com tucanos e petistas e a eleição de seu sucessor. Agora, não há o que justifique a distorção da verdade quanto a criação do Plano de Metas, projeto de emenda à lei orgânica que foi elaborado pela rede Nossa São Paulo que convenceu os líderes dos partidos na Câmara Municipal a aprovarem a ideia. Oded Grajew, coordenador geral da ONG, acredita que as afirmações erradas de Kassab se devam a algum lapso de memória ou falha da assessoria dele. Para mim é apenas mais um exercício do prefeito Kassab em seu campo de distorção da realidade.

Bons exemplos que podem salvar vidas no trânsito

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Os bons exemplos, venham de onde vierem e versem sobre o tema que versarem, deveriam ser sempre seguidos. O DETRAN do Rio Grande do Sul promoveu um evento, nesta semana, que trouxe a Porto Alegre autoridades de diversos países para ouvi-las discorrer acerca de trânsito. Refiro-me ao Congresso Internacional de Trânsito Idéias que Salvam Vidas. A iniciativa foi oportuníssima. Na Austrália, representada por Janet Dore, diretora executiva da Transport Accident Commission, a queda no número de mortos em acidentes caiu 60%, enquanto no Brasil, tivemos aumento de 25% na última década. Foram mais de 40 mil as pessoas vitimadas na trágica batalha travada em rodovias e áreas urbanas. A realização desse Congresso, em Porto Alegre, veio bem a calhar. Afinal, na capital gaúcha, são vistos, costumeiramente, nas nossas ruas e avenidas, motoristas despreparados ou tresloucados, conduzindo de maneira irresponsável os seus veículos, dos de duas rodas em diante.

 

Estou usando por base, neste texto, reportagem de Itamar Melo, publicada pelo jornal Zero Hora. Por falar em veículos de duas rodas, vem daí de São Paulo um dos bons exemplos, cujos resultados – os paulistanos devem saber melhor do que eu – se não são mais significativos, não é por falta de iniciativas das autoridades do setor. Desde 2005, para combater a mortandade de motociclistas, especialmente motoboys, foram oferecidos cursos gratuitos de pilotagem, teóricos e práticos. As empresas – e isso poderia ser feito em Porto Alegre – proporcionam aulas profissionalizantes e incentivos às que implantarem programas de prevenção.

 

Para resumir e não cansar a beleza dos raros leitores destas que costumo chamar de mal digitadas linhas, cito uma frase da campanha que visa a evitar tragédias, nas estradas, cometidas por quem bebe, lembrada pela australiana Janet Dore, diretora executiva da Comissão de Acidentes de Trânsito do Estado de Victoria: “Se bebe e depois dirige, você é um maldito idiota”. Já na Espanha, representada no Congresso, por Maria Segui Gomes, em 2003, o índice de mortes no trânsito era de 21,8 por milhão de habitantes. Em 2009, esse índice, que chegava a ser uma dos mais altos da Europa, havia caído para 5,9, poupando 10 mil vidas.

 

Preciso enviar este texto para o Mílton para que ele o poste no blog nesta quinta-feira. Estou digitando-o na terça-feira. Talvez possa voltar aos pontos altos do importante evento numa próxima quinta.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)