Avalanche Tricolor: uma vitória de virada e com direito a passeio

 

Grêmio 3 x 1 Sport
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

 

Era meia noite e meia em Ansedonia (ITA) quando a partida do Grêmio estava começando, em Porto Alegre, e a decisão de assistir ao jogo poderia comprometer a programação de férias na manhã seguinte. Com os dias que faltam sendo contados na ponta do lápis, deixar um passeio de lado com a família nem sempre é boa escolha, principalmente quando se acorda com céu azul e o sol iluminando a costa da Toscana – que é a promessa cumprida de todos os dias neste verão italiano. Estava, porém, curioso para conferir se o bom futebol da rodada anterior, quando vencemos em Belo Horizonte, se repetiria diante da torcida e contra um time que tendia a jogar fechado, muito fechado. Não resisti e antes mesmo de os times entrarem em campo, peguei meu Ipad, fui para um canto da casa onde a internet navega mais rápido e comecei a torcida.

 

Mais uma vez éramos o dono da bola, no sentido de estar com ela nos pés muito mais do que o adversário, o que tem se repetido jogo após jogo, mas faltava criatividade para furar um bloqueio tão intenso, o que, somado ao constante risco de tomarmos um gol de contra-ataque e de cabeça, seria suficiente para estragar meu programa e provar que tinha feito uma escolha errada. Ir para o intervalo da partida em desvantagem fez minha frustração aumentar e me questionar sobre o desempenho de domingo passado. Se imaginava que poderia dormir tranquilo sem ver o segundo tempo, ledo engano. Permanecer acordado e na torcida eram obrigações naquele instante. O Grêmio precisaria de toda força e inspiração, mesmo que de outro continente, para derrubar aquele paredão construído em seu caminho.

 

Valeu a pena. E me desculpe Leandro, menino tão tímido para jogar quanto para falar, que desabrochou ao entrar e marcar dois gols, considerado por muitos o personagem da partida. Me perdoe Marcelo Moreno que parece ter acordado após o desastre de dois jogos atrás e retomou seu papel no ataque marcando gols decisivos nas últimas partidas. Me senti muito mais recompensado mesmo foi pelo que vi Elano fazer no meio de campo gremista ao usar o drible para desmontar o adversário e a inteligência para dar oportunidade a seus companheiros. O primeiro gol surgiu de um desses momentos de criatividade do recém-contratado, apesar de que na estatística não lhe caberá sequer o mérito da assistência. No terceiro, teria todo o direito de concluir a gol, pois era quem mais havia tentado marcar, a maior parte das vezes de fora da área. Mas foi inteligente e solidário ao dar sequência a mais bonita troca de passes de toda a partida e oferecer a Leandro o prazer do gol. O talento foi reconhecido pela torcida que gritou seu nome, o que não fiz apenas porque acordaria meus companheiros de viagem, e eram quase duas e meia da madrugada.

 

Agora são nove da manhã por aqui, quatro horas no Brasil, estou de café tomado, diante do cenário que a quinta-feira me prometia, e sem um pingo de sono, apesar de a partida ter se encerrado tão tarde. Ou seja, tanto tive a satisfação de confirmar que temos um novo time como terei a alegria de agora pela manhã dar seguimento aos passeios destas férias.

Além da engenharia de tráfego

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Considerar o trânsito além da engenharia de tráfego foi o propósito de Enrique Peñalosa, economista e doutor em Administração Pública, ao assumir a cidade de Bogotá entre 1998 e 2001. Submetendo a técnica à cidadania e transformando radicalmente uma cidade de mais de sete milhões de habitantes.

 

Optando por Bogotá como uma cidade cidadã, agiu como um Administrador Geral, e tomou medidas radicais: comprou o Country Club e construiu um parque público, estabeleceu mais de 300 km de “Ciclorutas” nas avenidas da cidade, colocou obstáculos no meio fio impedindo o estacionamento em frente a grandes prédios e áreas de compras, demoliu a grande área dos drogados e criou um jardim infantil, instituiu o “Pico y Placa” rodízio de carros com quatro finais de placas diárias, aumentou o espaço para os ônibus, alargou as calçadas, substituiu áreas de garagem por espaços públicos.

 

Estas realizações deram a Penãlosa uma extraordinária bagagem, testada na RIO +20 e também na excelente entrevista publicada em 24 de junho no caderno Cotidiano da Folha, realizada por Vaguinaldo Marinheiro e Regiane Teixeira e, enaltecida por Ruy Castro em sua coluna no dia 13.

 

Ficou claro que como Administrador soube tratar a cidade como um todo, assim como diferenciar o público do privado, evidenciando que o automóvel é um bem privado e deve ser tratado como tal. Ou, como exemplificou, se é aceito que guardar suas roupas não é da alçada da prefeitura, por que o carro também não é da conta de cada um? Assim como cidade rica não é aquela em que os pobres andam de carro, mas onde os ricos usam transporte público. Vide New York, London, Zurich. E, mais: “Devemos pensar em cidades para os mais vulneráveis. Para as crianças, os idosos, os que se movimentam em cadeiras de rodas, os mais pobres. Se a cidade for boa para eles será também para os demais”.

 

Será?

 

Enrique em 2007 e 2011, embora mais famoso e festejado inclusive internacionalmente, perdeu as eleições para o cargo que tanto revolucionou.

 

Será que para as grandes cidades brasileiras teremos algum candidato disposto a Administrar Geral e considerar o que reza a Constituição no sentido de igualdade de todos perante a lei como Enrique Penãlosa assim a lê?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Em família, pedalando na natureza de La Feniglia

 

Bicicleta em Ansedonia

 

Pedalar é uma das melhores maneiras de conhecer uma região, sendo assim não podia rejeitar o convite da família assim que cheguei a Ansedonia. Perto da casa onde estou aproveitando as férias, é possível alugar bicicletas a € 6 e andar o dia inteiro, a única obrigação é estar de volta antes das oito da noite, caso contrário você vai ter de ouvir poucas e boas do dono do negócio, que, por sinal, arrisca algumas palavras (e palavrões) em português, fruto do casamento com uma brasileira. Eles haviam descoberto o passeio alguns dias antes e não viam hora de me apresentar o programa que, sabiam bem, iria me agradar em cheio.

 

Antes de seguir em frente nesta história, dadas as imagens que tenho acompanhado da campanha eleitoral em São Paulo, considero ser importante o alerta aos raros e caros leitores do blog que, apesar de aparecer em fotos com uma bicicleta, não me lançarei candidato a prefeitura nem a vereador.

 

Dito isto, vamos as minhas pedaladas.

 

Pedalando em la Feniglia

 

Logo no primeiro dia de descanso éramos cinco embarcando em quatro bicicletas, lógico que o carona sobrou para mim, supostamente o mais bem preparado para pedalar em longa distância, já que a maioria dos meus companheiros de viagem não se atreve a “bicicletiar” quando está em São Paulo. O caminho sugerido não poderia ser mais inspirador, uma trilha de seis a oito quilômetros nas dunas de La Feniglia, uma reserva florestal que liga Ansedonia a Monte Argentario, tomada de pinheiros mediterrânicos que amenizam o intenso calor desta época do ano. Ao contrário do que se poderia imaginar, o terreno é firme e com subidas amenas, o que me permitiu percorrê-lo com tranquilidade, apesar do peso do meu carona. O trajeto segue em paralelo a praia e a cada um quilômetro você tem o acesso ao mar lhe convidando para uma parada. A trilha sonora, composta por uma enormidade de cigarras, embala cada pedalada. E a copa das árvores se encontrando criam a sensação de um extenso túnel verde com sombra e ar agradável.

 

Bicicleta na praia

 

Das muitas coisas legais neste caminho é saber que a qualquer momento você pode descansar na beira do mar. Antes de entrar na praia você encontra locais apropriados para estacionar as bicicletas, apesar de a maioria das pessoas preferir deixá-las o mais próximo possível das barracas. E são muitas as famílias que usam a bicicleta para chegar ao local, apesar de haver estacionamentos para carros nas duas pontas, do lado de Ansedonia e de Monte Argentario. Muitos combinam os dois tipos de transporte. Nossa intenção não era ficar na praia, portanto fizemos apenas um pit stop, entramos no mar, nos refrescamos e logo retornamos às bicicletas. É possível pedalar até o lado de trás desta faixa de areia de onde se consegue ver a cidade de Orbetello e o lago que a cerca e, se tiver fôlego, seguir em frente para cruzar por um santuário de pássaros. Um dos poucos obstáculos foi uma cobra que cruzou nosso caminho, que parecia bem mais assustada do que todos nós.

 

Orbetello

 

Desta vez, decidimos não entrar em Monte Argentário e retornamos pelo mesmo caminho, assim que avistamos a saída de La Feniglia. Em todo passeio encontramos famílias pedalando, muitas transportando sacolas, barracas e outros penduricalhos típicos de quem pretende ficar o dia à beira mar. E o dia merecia este descanso. Nós estávamos entusiasmados demais para pararmos por muito tempo em qualquer lugar, queríamos mesmo era pedalar e aproveitar toda a paisagem. E o fizemos com muito prazer.

As Depredações Escolares: lugar público, terra de ninguém

 


Por Julio Tannus

 

As depredações nas escolas públicas em nossa cidade não são de hoje, e também não é nosso privilégio.

 

Escola abandonada

 

No início da década de 80, no Governo Franco Montoro, e a pedido do então Governador de São Paulo, através de sua Secretaria de Educação, foi-se a campo para levantar o máximo de informações sobre essa questão. Falou-se com diretores de escola, educadores, alunos e todo o elenco participante desse espaço vital para a sociedade como um todo.

 

Desde então, vários problemas vem sendo levantados, e entre outros, relacionados à:

 

Vagas

 

A instabilidade e a incerteza quanto às vagas geram mal-estar no seio da população, que termina por imprimir sua revolta contra o prédio escolar. Qualquer tentativa de negociação para resolver a questão passa, necessariamente, pela ampliação do número de vagas oferecidas.

 

Local

 

As favelas e os bairros desfavorecidos fazem com que a escola seja um lugar privilegiado, pelo seu tamanho em relação aos barracos, pelo seu prédio mais bem equipado que as moradias populares e, principalmente, por representar o Estado e ser patrimônio público. Por precárias que sejam as instalações escolares contam com salas de aula e cadeiras para acolher um número importante de pessoas. Apesar da precariedade das instalações elétricas, elas existem e, mesmo não sendo um modelo apropriado, podem ser utilizadas. Enfim, a escola tem sanitários, água encanada e outros pequenos benefícios que os barracos dos moradores nem sempre possuem.

 

Diferenças Sociais

 

Escolas localizadas em áreas onde subsistem sociedades diferentes, umas mais pobres que outras, um mais desfavorecido que o outro – miseráveis e pobres. E aí se formam grupos ou “panelas”, gerando-se conflitos permanentes. E os conflitos entre grupos são fatores que contribuem para o surgimento da depredação escolar.

 

Manutenção

 

Qualquer dano no prédio escolar é estímulo para a promoção reprodutiva de depredações. Desta forma, os banheiros, as descargas, os azulejos, as torneiras, os vidros, e outros objetos danificados devem ser reparados o mais breve possível.

 

É dessa época a ideia de ocupar os prédios escolares nos fins de semana com várias atividades – esportes, cultura, lazer – a fim de se coibir tais depredações, que nesse período são mais agudas.
Várias outras iniciativas têm sido tomadas, entretanto, todas elas incapazes de solucionar o problema.

 

Dois textos cobrem de forma ampla o assunto:

 

Formas contemporâneas de negociação com a depredação
Hélio Iveson Passos Medrado

 

Iniciativas públicas de redução da violência escolar no brasil
Luiz Alberto Oliveira Gonçalves
Marilia Pontes Sposito

 

Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Às terças-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung

História para contar: o médium de Pelotas

 

Uma vez um tio meu faleceu, e estava sendo velado na sala lá de casa. Eu estava na cozinha. Daí a pouco chamei a mãe e disse: “O tio não tá morto”. “Como não tá morto?” “Ele passou aqui agora, tava brincando. Inclusive, olha lá onde ele tá, ele tá na volta do caixão, olha ele lá.” Ela: “Tu tá enxergando?!” E eu: “Tô enxergando!”

 

Não era a raça, porém, que mais causava transtornos para Neives. Mesmo porque, Pelotas é uma das cidades com maior concentração de negros do Brasil, muitos dos quais nasceram de famílias de escravos levadas para a região no período das charqueadas. Ele sofria mesmo devido a uma capacidade que percebeu quando ainda era menino: a de falar com os espíritos. O mínimo que diziam dele é que estava com o diabo no corpo.

 

O primeiro trecho é escrito e contado por Mestre Baptista e o segundo de crônica que escrevi com base na história dele. Os textos na íntegra estarão no livro Todo mundo tem uma história pra contar, do qual você pode ser autor e ganhar exemplares por meio do Concurso Cultural Você Escritor – Saiba como participar, visitando o Blog da Olhares, de onde copiei post acima. O projeto é uma parceria com o Museu da Pessoa, que também está ao nosso lado no programa Conte Sua História de São Paulo.

Avalanche Tricolor: Com o Grêmio, onde eu estiver

 

Cruzeiro 1 x 3 Grêmio
Brasileiro – Belo Horizonte (MG)

 

 

O mar Tirreno desenhado pelas praias de La Feniglia mais a direita e o Monte Argentario ao fundo compuseram o cenário de onde assisti à partida desse domingo. Cinco horas a frente, quando o jogo se iniciava em Minas Gerais já deveria ser noite na Itália, mas em Ansedonia, cidade pequena ao sul da Toscana, o sol teima em permanecer no céu até pelo menos às nove horas e, em boa parte do primeiro tempo, o colorido provocado por seus raios no horizonte dividiu minhas atenções com o ótimo desempenho da equipe tricolor. A região onde estou ganhou espaço no noticiário internacional devido a barbeiragem do comandante Schettino que tombou o Costa Concórdia e matou 30 pessoas, local que virou atração turística que, confesso, não me interessei a visitar, pois são tantos os lugares históricos e bonitos nas redondezas que não me entusiasmaria com a desgraça alheia.

 

Para ter as imagens do Grêmio, em continente tão distante, me beneficie de um equipamento eletrônico que havia comprado na última viagem aos Estados Unidos. Com o SlingBox, uma pequena caixa preta que se conecta no modem da TV a cabo e na internet de casa, consigo acessar as imagens da minha televisão em qualquer ponto do planeta usando um celular, um tablet ou um computador. Com o aplicativo SlingPlayer devidamente instalado e uma conexão wi-fi à disposição, foi muito simples ver o jogo desse domingo. O equipamento não exige nenhum conhecimento muito apurado, é simples de ser ligado e acessado, basta ter as peças certas colocadas nos lugares certos – um pouco daquilo do que se viu na partida de domingo.

 

A escalação de Luxemburgo não teve invenção. Wesley e Gilberto Silva são os dois melhores zagueiros à disposição. Tony na ala direita se revelando cada vez mais competente e habilidoso para chegar na linha de fundo e Pará, na esquerda, como melhor opção que se tem até o momento. Os volantes Fernando e Souza são especiais, seja pela forma como marcam seus adversário seja pela tranquilidade com que saem jogando, coisa rara para gente da posição. Zé Roberto e Elano têm experiência, sendo que o primeiro é muito superior a maioria dos que estão jogando por aqui e o segundo, se estiver concentrado no futebol, pode fazer diferença. No ataque, Kleber e Marcelo Moreno. Não quero dizer que esta é a melhor escalação do Campeonato Brasileiro, mas, com certeza, é a melhor que o Grêmio tem para este campenato e, portanto, é com esta que devemos seguir em frente.

 

Nem mesmo a falta de um zagueiro na maior parte do jogo, provocada por mais um erro do árbitro, desequilibrou o Grêmio, que preferiu passar a bola e mantê-la em seu domínio a sorteá-la com chutões para o alto, como costumava fazer. De diferente em relação as demais partidas, o fato de que a posse de bola resultou em chutes a gol e, não por acaso, levou os dois atacantes a voltar a marcar.

 

O domingo me proporcionou duplo prazer. Além de aproveitar as praias e as incríveis paisagens desta região da Itália, pude apreciar o melhor desempenho do Grêmio neste ano. As férias vão terminar em breve. Que o futebol gremista se repita até o fim desta temporada !

De pomba e circunstância

 


Por Maria Lucia Solla

 

 

Muitos têm caído de seus pedestais de papel moeda, levando consigo os abutres que os cercam. Desmoronam seus postos impostos a nós pela corja que nos esfrega na cara o caráter decomposto e malcheiroso. Veem entre lágrimas de crocodilo e sorrisos marotos o rolar de mansões milionárias erguidas à custa do suor e do sacrifício de muitos. Veem seus comparsas rolarem na fenda que se abre com grande possibilidade de continuar a se abrir sem trégua, até engoli-los também, mas mesmo assim não há motivo para perder a esperança e tomar um cálice de amargura temperada com preconceito, cada vez que as notícias quebram barreiras e insistem em chegar a nós.

 

É assim mesmo na hora da faxina que está acontecendo neste canto que nos cabe no Universo. Muito sabão, muito esfregão, muita pá de lixo ainda são precisos. Os ratos fogem para a escuridão solitária de seus esconderijos, mas muitos de nós continuamos de cabeça erguida, dormindo tranquilos em nossas camas forradas de vida e não de morte, de compaixão e não de prepotência, de mais perguntas que certezas.

 

São tempos de dureza estes vividos por nós humanos. Nada é fácil, dizem, mas dizem também que caminho fácil não leva a lugar que valha a pena. Não sei se é assim que funciona, e na minha experiência de vida não consigo encontrar base para essa afirmação e acreditar nela, mas acredito, sim, que se aprende mais quando há desafio que nos tira da zona de conforto. Acredito que além das matérias que compõem o currículo escolar dos nossos filhos e dos nossos netos, é urgente acrescentar outras humanas de verdade, que mostrem a eles que é sempre preciso estar alerta para o crescimento do ego que se esforça para sobrepujar a humanidade, a integridade e a liberdade que são nossas por direito.

 

Cachoeira, Demóstenes, Juquinha, Valério, Dirceu, Morais, e muito mané que vive no anonimato por ordem de importância política e econômica, são raposas que cuidam do nosso galinheiro, mas há esperança, sim, nos diz a pomba branca que pousou no esquife do Cardeal Eugênio Sales, que não precisou de advogados e juízes que se põem à venda. Há esperança, sim, nos diz a pomba branca, símbolo do Espírito Santo, que velou o corpo do trabalhador de Deus. Há esperança sim, nos diz ela que não abandonou o espaço onde jazia o corpo do homem de bem. Do homem do bem.

 

Maria Lucia Solla é professora, realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: Talento, a riqueza da nação

 

A verdadeira riqueza de uma nação é o talento. Mais do que o nome de seu novo livro, a afirmação é ponto de partida para que o consultor Alfredo Assumpção alerte para a necessidade de o Governo Federal criar um ambiente que incentive as empresas a investirem no capital humano. Para o CEO e sócio-fundador da Fesa, consultoria especializada em recrutamento de altos executivos, a economia somente se desenvolve através do setor privado: “é quem sabe fabricar todos estes produtos que transformam a sociedade; o governo não fabrica nada, portanto tem de funcionar como ‘anjo da guarda’ apenas”. Segundo o consultor, o dinheiro que deveria ser investido em programas de desenvolvimento dos recursos humanos acaba nas mãos do governo devido a altíssima carga tributária, o que impede que as empresas brasileiras não apenas propiciem o surgimento de novos talentos como, também, as faça perdê-los para outros países. Nesta entrevista ao Mundo Corporativo, da rádio CBN, Assumpção diz que “o maior contigente de líderes do Planeta se encontra nas empresas, não mais nas Forças Armadas, na Igreja ou nos governos; então é lá que se precisa desenvolver talentos”

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, com transmissão ao vivo pelo site da rádio CBN. O programa é reproduzido aos sábados, dentro do Jornal da CBN. Os ouvintes-internautas podem participar com perguntas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br ou pelo Twitter @jornaldacbn

Equação: esporte + música + street dance

 

Por Dora Estevam

 

 

Responda-me uma coisa:  garra e determinação você tem, certo? Ah tá, está meio com a bola baixa e não está se animando com nada. Eu dou uma força para você sair dessa. Vem ver estes vídeos que eu separei na minha pastinha, eles animam bem  e dão um  pique total! Uhuhuh!

 

 
 

 

 
Som, som, som… Cenas do filme Street Dance 2, fiquei eufórica.

 

 

 

 
Este é bem velhinho mas só de olhar já muda o astral.

 

 

 
 
 
A esta altura quem estava de mau humor já deu uma sacudida na cadeira, não? É isso ai, a ideia é trazer notícias que inspirem pensamentos e atitudes positivas, a vida fica bem melhor assim, o que você acha?
 
Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton jung, aos sábados.

De volta a Paraty… na Flip

 

Por Julio Tannus

 

 

Foi uma festa inesquecível. O mar, a cidade, o folclore, os autores e o público presente. Foram mais de 20 mil pessoas que passaram por Paraty para participar de 135 eventos da Flip, Flipinha, FlipZona e Flip-Casa da Cultura. A programação incluiu blocos, cirandas e bonecos nos cinco dias do evento. Participaram 40 autores de 15 países.

 

Transcrevo aqui texto sobre o encerramento desta festa literária maravilhosa, onde foram sugeridas várias leituras preferidas pelos autores participantes.

 

O encerramento da 10ª. Festa Literária Internacional de Paraty foi uma celebração da poesia, do conto, da crônica e do romance, presentes nos trechos de obras que os autores convidados leram para a plateia. Como disse Liz Calder, a criadora da Flip, ouvir dos escritores alguma coisa daquilo que eles mais apreciam em literatura era a melhor maneira de fechar o último dia antes de mais um ano de espera por nova festa.

 

Amin Maalouf foi o primeiro, e escolheu um trecho do livro de memórias “O mundo que eu vi”, do austríaco Stephen Zweig. O capítulo, intitulado “O mundo da segurança”, fala do estado de bem-estar em que se vivia na Áustria antes do nazismo; e sua escolha, ainda que não explícita, soou como uma homenagem ao Brasil, país que Zweig escolheu para viver seus últimos dias.

 

A escolha de Dany Laferrièrre foi ler o conto “Funes, o Memorioso”, de Jorge Luís Borges, que narra o reencontro com o personagem Irineo Funes, uma das figuras míticas do escritor argentino.

 

Já Dulce Maria Cardoso preferiu o primeiro texto em prosa publicado pelo português Herberto Helder, intitulado “Os passos sem volta”, considerado por alguns críticos como o maior poeta português depois de Fernando Pessoa.

 

Enrique Vila-Matas repetiu o mesmo poema que havia lido seis anos atrás, na Flip. E leu mais uma vez “Ao volante do Chevrolet pela estrada de Sintra”, de Fernando Pessoa por seu heterônimo Álvaro de Campos.

 

Depois dele, Zoé Valdez escolheu Lygia Fagundes Telles, e leu o trecho final do conto “O moço do saxofone”, publicado no livro “Antes do baile verde”.

 

Ian McEwan selecionou o denso conto intitulado “Os mortos”, parte de “Os Dublinenses”, de James Joyce, no qual um homem redescobre o amor por sua mulher ao ouvir dela, de passagem, um comentário sobre o jovem que se havia deixado morrer por ela.

 

Javier Cercas preferiu o final de “Dom Quixote”, de Cervantes, capítulo intitulado “Feliz mal entendido”, quando o cavaleiro da triste figura retorna para casa, curado de sua loucura mas agonizante dos sofrimentos de sua aventura. No leito de morte, Quixote manda buscar o tabelião, Sancho Pança e sua sobrinha e herdeira, para ditar seu testamento. Em meio às lamentações do escudeiro, ele encerra sua história: “Já fui louco e sou são”.

 

Para marcar os 50 anos, dois dias e 17 horas que, segundo ele, se completavam naquele momento em relação à morte de William Faulkner, Juan Gabriel Vasquez escolheu aquele que considera “o mais faulkneriano dos escritores latino-americanos”, o uruguaio Juan Carlos Onetti, de quem passou a ler um trecho de “O estaleiro”.

 

Luiz Fernando Veríssimo, o último a apresentar suas preferências literárias, decidiu que somente revelaria o nome do autor no final. Leu, então, a crônica intitulada “Imaginação”, que termina como uma ode à literatura: “Estou só, com minha imaginação e um livro”. Depois, revelou que se tratava de Millôr Fernandes, um dos mais profícuos autores brasileiros de todos os tempos, falecido em março deste ano.

 

Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Publicado excepcionalmente hoje, esscreve às terças-feiras no Blog do Mílton Jung.