Da perna errada da mulher ao gesto certo dos catadores

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Duas notícias, por serem incomuns, chamaram, particularmente, a minha atenção. Confesso que me senti tentado a voltar a um assunto que já preencheu alguns textos anteriores por mim digitados para este blog: trânsito. Escrever sobre tal tema, porém, é chover no molhado. Torna-se repetitivo. Referindo-se a acontecimentos de segunda-feira, por exemplo, Zero Hora, na sua vigésima sexta página, pôs em manchete: ”Trânsito fatal. Dia trágico deixa dez mortos”. Trata-se isso de alguma novidade? Claro que não. Acidentes trágicos registram-se com indesejável frequência. Geralmente envolvem automóveis e caminhões. Com a chusma de veículos que circulam por este país, muitos comprados em longas prestações, acidentes graves já não são de espantar. Perdão. Passo de imediato para o que hoje fez a minha cabeça.

 

Maria Nunes da Silva, de 87 anos, quebrou a perna esquerda ao cair no pátio de sua casa. Esperou 13 dias para fazer uma cirurgia pelo SUS – que novidade! – a fim de corrigir a fratura. Enquanto aguardava, ficou internada no Hospital Municipal de Novo Hamburgo. A operação, depois da pressão feita por um de seus filhos para que o procedimento fosse realizado sem mais tardança, ocorreu na última sexta-feira. Cirurgia executada,foi colocada em sua perna uma placa de platina. Ao perguntar a uma enfermeira do bloco cirúrgico se estava tudo bem com a sua mãe, foi informado tinha dado tudo certo com a operação da perna direita de dona Maria. Perna direita?!? Caiu a ficha da família. A senhora idosa havia quebrado a perna esquerda e não a operada. Erro crasso! E eu me pergunto como um médico pode se enganar tão redondamente, logo ele que teve diante de seus olhos o corte cirúrgico que, imagino eu, não mostrava osso rompido na perna direita da paciente. O Hospital Municipal de Novo Hamburgo, em nota da sua direção,confirmou o erro. O prontuário indicava lesão no fêmur da perna esquerda. No dia seguinte, ou seja, no sábado, dia 8 do corrente, Maria Nunes da Silva teve operada a perna certa. “Falha Humana”, rezou a nota da direção. O caso foi parar na Delegacia Distrital de Novo Hamburgo.

 

Caso de polícia virou, também, o episódio protagonizado pelo casal de catadores de lixo que achou, em sacos, 20 mil reais roubados do restaurante Hokkai Sushi, aí em São Paulo (lembro que escrevo de Porto Alegre e, por isso, o aí), Rejaniel de Jesus Silva Santos e Sandra Regina Domingues, que andou sendo ameaçado de morte pelos ladrões. No Brasil, pelo jeito, ser honesto como esses dois, apesar dos maus exemplos dados por gente grandona de nossa República Federativa, é altamente perigoso. Ainda bem que os proprietários do restaurante assaltado, em razão das ameaças sofridas pelos dois honestíssimos atores deste episódio urbano, os colocaram em um hotel, ofereceram-lhes um curso de qualificação para trabalharem em uma das unidades da empresa ou, se preferirem, lhes darão passagem a fim de que se mudem para o Maranhão, onde vive a família de Rejaniel.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Os extremos do Morumbi: preservar e degradar

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Uma ilha de prosperidade cercada de favelas por todos os lados, como já se disse, talvez venha inspirando ações extremistas no trato com a invejável cobertura verde ainda existente. E mal trato com a marca Morumbi.

 

O alto preço da fama tem sido uma constante. Segurança na mira de manipulados holofotes, verticalização acentuada, priorização aos automóveis, desconsideração com as casas e seus moradores.

 

Com tudo isso era de se esperar o Monotrilho, que reflete o desprezo pela qualidade local. A qualidade que originou o conceito do bairro, como o Clube Paineiras do Morumby, ora surpreendido por um cuidado singular, ao tomar conhecimento de uma demanda por tombamento de seu patrimônio. Logo ali, onde não se consegue mais uma vista pura, dada a poluição visual das torres do Shopping Cidade Jardim, devassando uma centena de mansões. Sem falar no trajeto para o túnel JK, que Maluf mudou na ultima hora para a Avenida das Begônias.

 

O CONPRESP Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo, baseando-se no patrimônio da arquitetura moderna do arquiteto Carlos Barjas Milan e posteriormente do arquiteto Paulo de Melo Bastos, na influência na urbanização da cidade, na importância referencial e paisagística na década de 1960 e a existência de obras no Clube, resolveu abrir processo de tombamento.

 

O Paineiras através da palavra de seu Vice-Presidente, arquiteto Sergio Henri Stauffenegger, nos informou que Milan não projetou o todo. Apenas algumas construções, assim como Paulo Bastos, e que existem várias unidades com outras interferências. Ressaltou que o Clube não gostaria de ser tombado, pois embora eu o tivesse lembrado de uma valorização do patrimônio em função do tombamento, disse que o trabalho que futuras reformas teriam certamente não compensaria. Principalmente por prever que estas liberações contem um aspecto não essencialmente técnico.

 

Creio que as razões do Conpresp e do Paineiras são coerentes. Incoerente tem sido a atuação da Prefeitura e do Governo do Estado de São Paulo.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Apagão nunca mais!

 

Por Julio Tannus

 

Queda de raio, tempestade, mau tempo…? ou Incompetência, falta de preparo técnico, terceirização de mão de obra, falta de planejamento, falta de investimento em pesquisa e desenvolvimento de novas técnicas, sistema de manutenção inadequado, falha na operação do sistema…?

 

Claramente o grande aumento da demanda por energia elétrica e o crescente número de interligações entre os sistemas elétricos existentes no país tornam a operação e o controle destes sistemas uma tarefa complexa. Claramente também se faz necessário um aumento nos investimentos visando melhorar o fornecimento de energia para evitar falhas ou má operação. Entretanto, nada que as tecnologias disponíveis não possam evitar os “apagões”.

 

Além de soluções técnicas tradicionais do tipo Sistema de Rejeição de Carga, que corresponde a algo como “impedir o efeito dominó” do sistema interligado (que desliga equipamentos ao longo da linha de transmissão em virtude de um desequilíbrio sério que põe em risco a rede e os equipamentos dos usuários nas casas), fala-se hoje em uma proposta que tem sido estudada em todo o mundo: é o de redes elétricas inteligentes, ou seja, fazer uma gestão melhor das redes para diminuir incertezas, evitar problemas de pico de tensão e falhas, com um sistema de controle ponto a ponto ao longo das redes.

 

Outra possibilidade é a descentralização da geração e da transmissão de energia elétrica para evitar novos apagões generalizados, como o que deixou 18 estados às escuras na terça-feira, 10/11/09. Assim, uma alternativa seria investir em pequenas e médias empresas capazes de produzir regionalmente energia alternativa como a biomassa, aeólica (dos ventos), e de outros recursos naturais. Mesmo que essa energia esteja ligada ao atual sistema de transmissão interligado, esses pólos geradores seriam capazes de assumir sozinho o abastecimento de uma determinada região, evitando um apagão geral.

 

Outro ponto que pode ser considerado como fundamental para explicar o apagão é a falta de gestão pública. Em tese o sistema interligado de transmissão é extremamente positivo, mas é preciso planejar, construir e operar adequadamente. É preciso saber se quem está operando o nosso sistema sabe o que está fazendo. Ou seja, é preciso saber se não está existindo um problema de gestão. Mesmo admitindo que acidentes possam ocorrer, o sistema é projetado para perder um dos equipamentos e seguir funcionando sem causar o efeito dominó. Dessa forma, jamais deveríamos ter um apagão como o de 10/11/09.

 

Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Às terças-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung

Seu Jeremias não fala no celular enquanto dirige

 

Jeremias é motoristas de táxis e estava impressionado com o que havia lido um dia antes, no Estadão de domingo. Uma pesquisa mostrava que 59% dos jovens dirigem teclando no celular e apesar de boa parte deles (48%) entender que o comportamento é arriscado não abre mão de conversar com os amigos, responder e-mails, postar no Facebook ou tuitar no meio do trânsito, pelo smartphone. Um hábito que não se restringe aos instantes em que o carro está “estacionado” no meio da avenida devido ao congestionamento ou porque o sinal fechou. Ocorre mesmo em alta velocidade como se percebe em parte das entrevistas feitas com 350 motoristas de 18 a 24 anos. Um absurdo, uma irresponsabilidade – esbravejava Jeremias – antes de seguir com seu discurso: muitos acreditam serem capazes de realizar os dois atos com a mesma precisão, alguns garantem que digitam sem olhar para o teclado.

 

Tudo foi tão chocante para Jeremias que ele resolveu guardar o caderno Metrópole, do Estadão, para mostrar a passageiros como eu. Por isso, a cada nova informação que me transmitia, sacudia o jornal com a mão direita, enquanto a esquerda mantinha o carro na faixa. Virou a página com destreza para me mostrar outra reportagem sobre o mesmo assunto. Em entrevista ao jornal, um jornalista americano William Powers, autor do livro O BlackBerry de Hamlet, comentou que todo dia jovens sacrificam suas vidas para ler uma mensagem enquanto conduzem um automóvel. Jeremias gostou mesmo foi da ideia de Powers que sugeriu o envolvimento das empresas de telefonia móvel em campanhas para mudar esta situação extremamente grave e que tende a se agravar se nada for feito. Segundo leitura rápida feita pelo motoristas de táxis, enquanto dirigia, empresas como Google e Facebook estão incentivando as pessoas a se desconectar, sair da frente da tela dos computadores.

Ao fim do minucioso relato sobre a reportagem que tanto o incomodou, Jeremias virou para trás e me entregou o jornal para ver uns desenhos que explicavam tudinho o que ele estava me falando. E enquanto o trânsito fluía normalmente nessa segunda-feira de feriado em São Paulo, eu agradecia por não ter embarcado em um táxi conduzido por um desses motoristas jovens e conectados. Ainda bem que encontrei Jeremias, senhor de idade, responsável, adepto as práticas de direção segura e que não usa estes equipamentos eletrônicos enquanto dirige. Só lê jornal.

Obras públicas e eleições municipais

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

 

Em sua redação primitiva, a Lei nº 9.504/97 dispunha que era “proibido aos candidatos a cargos do Poder Executivo participar, nos três meses que precedem o pleito, de inaugurações de obras públicas”. Porém, nesta eleição de 2012, nenhum candidato poderá participar de inauguração de obra pública nos três meses anteriores ao pleito. Além disso, se antes só havia a cassação do registro, agora se pune com a perda do mandato. Ou seja: julgada a infração após a eleição, haverá o impedimento da posse ou mesmo o afastamento do mandato daquele que foi condenado.

 

Se ao início esta regra tinha por objetivo atingir exclusivamente os candidatos aos cargos do Poder Executivo, inclusive os Vices, tanto da situação como da oposição, de qualquer esfera (Federal, distrital, estadual e municipal), agora a regra atinge a todos os candidatos. Porém, existem algumas considerações e ressalvas. Se o titular do mandato não estiver em campanha à reeleição inexistem restrições à sua presença nos atos de inauguração. Também não se pode confundir proibição de presença em inauguração com proibição de inauguração. Inaugurar é ato corriqueiro e lícito. O candidato pode participar das inaugurações antes do início da proibição e poderá referir-se livremente às obras durante a propaganda eleitoral. Por fim, nada proíbe que imagens de obras já inauguradas ou por concluir sejam exibidas.

 

É verdade que a partir de 7 de julho deste ano o cidadão diluído discretamente entre os demais do povo, salvo pirotecnias ou dissimulações, não tem como auferir vantagem eleitoral significativa pelo simples fato de acompanhar um evento muitas vezes rápido e meramente burocrático. Mas não se iluda aquele que pretende burlar a lei ou duvidar de seus desdobramentos. A par dos seus excessos redacionais, trata-se de uma restrição não somente mantida como aperfeiçoada pelo Congresso Nacional ao longo do tempo eleição após eleição tendo como objetivo resguardar a impessoalidade administrativa ao impedir que eventos patrocinados pelos cofres públicos sejam desvirtuados e utilizados indevidamente em prol de campanhas eleitorais. Ou seja: inauguração não pode ser um comício. Se for, o infrator corre o risco de ser cassado e ficar inelegível.

 

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor dos livros “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age) e “Vereança e Câmaras Municipais – questões legais e constitucionais” (Editora Verbo Jurídico). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Começou a "procissão" eleitoral

 

 

As cenas pelo Brasil de candidatos a prefeito no início da campanha eleitoral – uma delas das quais participei indiretamente, como você lê em post anterior – lembrou-me Procissão, de Gilberto Gil:

 

Muita gente se arvora a ser Deus
E promete tanta coisa pro sertão
Que vai dar um vestido pra Maria
E promete um roçado pro João
Entra ano, sai ano, e nada vem
Meu sertão continua ao deus-dará
Mas se existe Jesus no firmamento
Cá na terra isto tem que se acabar

 

Vereador vai buscar voto na Igreja

 

Candidato na missa de domingo é sinal claro de que a campanha eleitoral começou. Sentado na primeira fila da enorme Igreja de São Paulo Fourier, na Super Quadra do Morumbi, sempre cheia e frequentada por gente humilde da região, estava o vereador e candidato Antonio Carlos Rodrigues (PR), que tem a área traçada como seu reduto eleitoral. A missa rezada pelo Bispo Dom Emílio Pignoli, da Diocese de Campo Limpo, costuma ter um bom número de fiéis e a presença deles nesse domingo de chuva e frio não decepcionou. Jamais havia visto o vereador na Igreja, o que não significa que este não seja seu hábito aos domingos. Pode ser apenas uma coincidência. O que não consegui entender é porque antes da benção final, quando são feitos os convites para participação em eventos religiosos e oferecidos alguns produtos à venda na livraria da Igreja, o comentarista da missa fez questão de citar a presença do vereador, desejar-lhe sucesso na campanha e pedir uma salva de palmas. Por mais que saiba que transformar o altar em palanque é prática comum no Brasil, esta mistura ainda me incomoda muito. E me senti assistindo, ao vivo, à uma cena de ‘O Bem Amado’.

A rica biblioteca do Jornal da CBN

 

Cada vez me convenço mais de que se é verdade que o brasileiro tem fama de que lê pouco – e a ideia é ratificada pesquisa após pesquisa -, o ouvinte-internauta do Jornal da CBN não se encaixa nesta estatística. Basta falar de livros no programa e pedir sugestões para que listas enormes sejam formadas. Semana passada, na sexta-feira, entrevistei o escritor Pedro Bandeira sobre o sucesso da Flip, que se encerrou nesse domingo. No bate-papo, ele disse, entre outras coisas, que as novas mídias estão incentivando as pessoas a lerem, sinalizando otimismo em relação ao mercado literário no Brasil. Ouça a entrevista dele aqui. E logo após nossa conversa, convidei os ouvintes-internautas e os comentaristas da CBN a sugerirem livros ou dizerem o que estão lendo neste momento. Resultado, uma biblioteca com dezenas de títulos e autores que reproduzo a seguir.

 

Aqui, o que disseram os comentarista da CBN:

 

A Sagrada Família, Zuenir Ventura (Arthur Xexeo)
Adolph Hitler, John Toland (Carlos Heitor Cony)
Os imperfeccionistas, Tom Rachman (Gilberto Dimenstein)
Iludido pelo acaso, Nassim Nicholas Taleb (Luis Gustavo Medina)
No Jardim das Feras, Erik Larson (José Godoy)
Tudo ou Nada, Luis Eduardo Soares (Dan Stulbach)
A visita cruel do tempo, Jennifer Egan (Dan Stulbach)
O filósofo e a política, Norberto Bobbio (Kennedy Alencar)
Getúlio, Lira Neto (Kennedy Alencar)
Guerra e Paz, Leon Tolstói (Kennedy Alencar)
Memórias de uma guerra suja, Cláudio Guerra (Miriam Leitão)
Lo suficientemente Loco, Una biografia de Marcelo Bielsa (Mário Marra)

 

A seguir, as dicas dos ouvintes-internautas:

 

O remorso de Baltazar Serapião, Valter Hugo Mãe (@gustrod75)

Imagens da Organização, Gareth Morgan (@mvjbonfim)

Ágape, padre Marcelo Rossi (@dmmtoddy)

A Bíblia Sagrada (@ricardovilela22)

Capital erótico, Catherine Hakim (@atargino)

A Economina do Cedro, Carlos Alberto Júlio. (@heitoranderson)

A Marcha para o Oeste, Cláudio e Orlando Villas Bôas (@fernanjones)

Madame Bovary, Gustave Flaubert (@renatortl)

O Poder Dos Quietosm Susab Cain (@renatortl)

A Última Música, Nicholas Sparks (@Solanggi)

Transição Planetária, Divaldo Pereira Franco (@a_lenice)

Os Sete, Andre Vianco (@sandraspf)

A Arte da Prudência, Baltasar Gracián y Morales (@jjihec)

Millenium – A rainha do castelo de ar, Stieg Larsson (@rogeriawerneck)

As Esganadas, Jô Soares. (@FabianoBarbeiro)

Mentes Perigosas, o psicopata mora ao lado, Ana Beatriz Barbosa Silva (@8Rosangela)

Saga brasileira, Miriam Leitão (@marcossmooks e Mario C. Delvas)

Sherlock Holmes, Arthur Conan Doyle (@antsoares)

Quem Matou a Mudança, Ken Blanchard (@andrefelizardo)

Imagens da Organização”, Gareth Morgan (@mvjbonfim)

A Festa do Bode, Mário Vargas Llosa.(@yhuri)

Monstros Invisíveis, Chuck Palahniuk. (@iMarceloMachado)

Paulo Francis, uma coletânea de seus melhores textos (@ferbrak)

A Guerra dos Tronos, George R R Martin! (@A_MANDEL)

O povo brasileiro, Darcy Ribeiro (@fazenghelini)

O Cemitério de Praga, Umberto Eco. (@pbicudo)

Geração superficial, o que a internet está fazendo com nossos cérebros, Nocholas Carr (Walter Bazzo)

A Revolução do Amor, Luc Ferry (Walter Bazzo)

Gaia- Alerta fFnal, James Lovelock (Walter Bazzo)

Sempre a Mesma Neve e Sempre o Mesmo Tio, Herta Müller (Walter Bazzo)

Quarto de Despejo, diário de uma favelada, Carolina Maria de Jesus (Sandra Regina Silva)

Vocês Ainda Não Ouviram Nada. A Barulhenta História do Cinema Mudo, Celso Sabadin (Chi Qo)

A Águia e a Galinha, uma metáfora da condição humana, Leonardo Boff (Thina Bitencourt)

O Marechal da Vitória, Tom Cardoso e Roberto Rockmann (Marcos Schettini Soares)

Alcorão (Tony Anderson)

O Pequeno Prícipe, Antoine de Saint-Exupéry (Beatriz Souza)

Paradise Lost, John Milton (Raymond Rebetez)

Privataria Tucana, Amaury Ribeiro Jr (Fernando de Oliveira e Reinaldo Guimarães)

A elegância do Ouriço, Muriel Barbery (Tereza Cristina Cavalcanti)

Vida Dupla, Pierre Assouline (Tereza Cristina Cavalcanti)

A Essência da Mente,de Steve Andreuss (Silveira)

Kundalini Yoga ou O Livro Amarelo, Samuel  Aun Weor (Silveira)

Manual de Redação da CBN, Mariza Tavares (Rita Bueno)

As Veias Abertas da América Latina, Eduardo Galeano (Rita Bueno)

O Livro dos Espíritos, Alan Kardec (Rita Bueno)

Recursos Educacionais Abertos – Práticas Colaborativas e Políticas P;ublicas

A Sombra do Vento, Carlos Ruiz Zafón (Heriberto Freire Caseca)

Dom Casmurro, Machado de Assis (Lennilson)

Eu Amo Fusca – a história brasileira do carro mais popular do mundo, Alexandre Gromow 9Alexandre Gormow)

Dewey, Um Gato entre Livros, Vicky Mirin com Bret Witter (José Daniel)

Os Próprios Deuses, Isaac Asimov (Délia Costa)

Jogos Vorazes, Suzanne Collins (Diogo)

Piaf, Uma Vida, Carolyn Burke (Eduardo Rodrigues Monteiro Silva)

The Nature of Man, Metchnikoff (David Hruodbeorth)

Revolução dos Bichos, George Orwell (Paulo Roberto Zuza Malta)

O Nome do Vento e O Silêncio do Sábio, Patrick Rothfuss (Rosemary Barros)

Brasil, Uma História, Eduardo Bueno (Aline Côdo)

The Family, Mario Puzzo (Aline Côdo)

Desván de América, Enrique Pérez Díaz (Aline Côdo)

Dignidade, Médicos sem Fronteiras (José Alves)

Pai Rico, Pai Pobre, Robert Kiyosaki (Fernando Andrade)

Valsa Negra, Patrícia Mello (Camila Victor)

O Futuro da Humanidade, Augusto Cury (Hugo Alves)

O Evangelho Segundo Jesus Cristo, José Saramago (Soélis Prado Mendes)

A Conspiração Franciscana, John Sack (Roberto Jacob)

Crônicas de Gelo e Fogo, George R. R. Martin (Leandro Perin)

Novas Utopias, Psicografado por Carlos Pereira (Paulo César Soares)

Bruxas, Miriam Black (Thiago Pagliarini)

Um Dia, David Nicholls (Íria Molina)

Armas Germes e Aço, Jared Diamond (Ricardo)

Por que Nações Falham: As origens do poder, prosperidade e pobreza, Daron Acemoglu e James Robinson (Ricardo)

Ernesto Guevara, Também Conhecido Como Che, Paco Ignacio Taibo II (Xavier Lemos)

Nelson Rodrigues por ele mesmo, Sonia Rodrigues (Rodrigo Amaral)

Amigos Ouvintes, Arnaldo Jabor (Christiano Schulz)

O Homem e seus Símbolos, Carl Gustav Jung (Pedro Paulo Rodrigues)

O Efeito Sombra, Deepak Chopra (Pedro Paulo Rodrigues)

Um Defeito de Cor, Ana Maria Gonçalves (Kleber Miguel)

Avalanche Tricolor: estes que aí estão atravancando o meu caminho

 

Santos 4 x 2 Grêmio

Brasileiro – Santos (SP)

 

 

Você, caro e raro leitor desta Avalanche, é testemunha do que vou dizer. Sabe bem que busco neste espaço driblar os percalços, uso da imaginação para enxergar méritos onde muitas vezes havia apenas uma jogada grotesca, e analiso, aqui, meu time de futebol com o olhar do homem apaixonado incapaz de encontrar defeitos na mulher amada, mesmo que esta faça dele gato e sapato (pra não falar em bicho pior). Por tudo isso que já fiz, pelo esforço que exerci em situações até mesmo mais constrangedoras, peço licença. Um resultado como o desta tarde na Vila Belmiro é excelente para expurgarmos todos os cuidados que costumamos ter ao falar do nosso time do coração. A diferença no placar nem chegou a ser escandalosa como se desenhou em alguns momentos e o árbitro que cometeu erros muito mais pela sua incompetência do que por seu caráter prejudicou o Grêmio. Mas algumas coisas vem acontecendo no estádio Olímpico que me incomodam muito e, me parece, começam a contaminar a disposição dentro de campo, haja vista a forma resignada com que o time jogou, sem praticamente levar perigo ao adversário, aceitando o resultado, nem mesmo brigando contra as injustiças do juíz.

 

Vamos a elas:

 

Por que o Grêmio não é capaz de contratar um craque internacional como Furlán?

 

Por que o Grêmio sequer cogita trazer Ganso, mas acerta com Elano?

 

Por que o Grêmio não tem nenhum jogador na seleção brasileira?

 

Por que o último jogador gremista que vestiu a camisa do Brasil teve de ser vendido?

 

Por que o Grêmio é incapaz de revelar e manter seus talentos (exceção feita ao valioso Fernando)?

 

Por que preferimos vender Mário Fernandes, um talento que se machuca muito, para gastar dinheiro com Fábio Aurélio, que só se machuca?

 

Por que contratar Sorondo se todos sabiam dos problemas físicos dele?

 

Por que gastamos tanto dinheiro com jogadores lesionados?

 

Por que temos de sempre lutar pela última vaga na Libertadores e não montamos um time para ser campeão brasileiro?

 

Por que temos a maior torcida do Rio Grande do Sul, mas não o maior número de sócios?

 

Se tenho tantas dúvidas, assim, mas não desisto de torcer pelo Grêmio é porque, ao menos para esta questão, tenho uma resposta, inspirada no gremista Mário Quintana: todos esses que aí estão atravancando meu caminho, eles passarão, o Grêmio, jamais!

 

NB: Não venha me dizer que Quintana não torcia para times de futebol ou coisa pior, homem inteligente como ele jamais faria uma escolha equivocada.