Usuário de Mac é esquecido pelas empresas

 

Apesar de os produtos da Apple se popularizarem e transformarem comportamentos, os usuários de seus computadores seguem sendo discriminados por instituições públicas e privadas. Aqueles que vivem a bordo de um Mac, não temos o direito de acessar, por exemplo, os sites de bancos como Bradesco e Itaú nem emitir Nota Fiscal Eletrônica pela página da prefeitura de São Paulo. Os dois maiores bancos do Brasil ainda não se adaptaram para atender clientes de contas jurídicas que usam os sistemas operacionais da Apple, como descobri recentemente. No caso do Bradesco não bastando a obrigação de ter um computador que rode Windows ainda é necessário navegar no Internet Explorer. Desde que o Itaú exigiu a instalação de mais uma ferramenta de segurança, o Guardião 30 horas, a restrição é semelhante para os clientes que têm conta jurídica. Enquanto que a prefeitura paulistana credencia empresas que fornecem o certificado digital mas não as obriga a atender a todos os contribuintes, excluindo os que usam Mac.

 

Sobre o assunto li, recentemente, no blog de Eduardo Seidenthal interessante análise sobre o comportamento discriminatório dessas empresas. Fundador da consultoria Rede Ubuntu, ele lembra que ao desenvolver tecnologia para atender a maioria, abrindo mão de uma parcela de seus clientes, as empresas esquecem que “quando falamos de pessoas, de experiência de consumidor, no caso de um indivíduo ele é 100% … Uma pessoa vale muito, ainda mais no mundo virtual que vivemos em que um indivíduo é capaz de influenciar um planeta”. É assim que quero ser tratado por todas as empresas, como um cliente único.

 

Bradesco responde (publicado 16h49)

 

Resposta publicada pelo Bradesco na área destinada aos comentários:

 

Oi Milton!

 

O Net Empresa atual, embora seja o mais completo do mercado, realmente não roda de maneira nativa no Mac. A alternativa por enquanto é virtualizar o Windows. Sabemos que não é o ideal e por isso há algum tempo estamos desenvolvendo o Novo Net Empresa, que será multiplataforma e cuja experiência de uso será semelhante à do Internet Banking pessoa física. O IB pessoa física funciona perfeitamente no Mac e tem sido reconhecido como um dos melhores da América Latina. Investimos algum tempo em testes e pesquisas com usuários para chegar a esse resultado, justamente porque queremos atender da melhor forma, a todo mundo. E estes testes também se estendem ao Net Empresa, então logo teremos boas novidades por aí. Qualquer dúvida, você e os leitores podem nos encontrar no Twitter @Alobradesco e na nossa fan page no Facebook (facebook.com/Bradesco), além dos nossos demais canais, em bradesco.com.br.

 

Grande abraço! 🙂
Banco Bradesco SA

Da terceirização à profissionalização

 

Por Julio Tannus

 

Outro dia desses, em uma reunião de síndicos, uma síndica, sabedora de que fui engenheiro da Light, me diz: “minha conta de luz passou de repente a valores altíssimos. Entrei em contato com a Eletropaulo. Disseram-me que haviam feito um “gato” na minha instalação elétrica e que para solucionar o problema eu ficaria dois dias sem energia elétrica”. Recomendei a ela entrar em contato direto com a ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica.

 

E aí eu reflito:

 

O advento da sociedade industrial trouxe consigo formas próprias de gerenciamento das atividades envolvidas nos processos de produção. O estudo dos tempos e movimentos é um exemplo típico de como se procurou adequar de forma eficiente processos de produção cada vez mais exigentes. Identicamente, a sociedade de serviços, constituída a partir da formação dos grandes centros urbanos, desenvolveu mecanismos para regulação e aprimoramento de sua eficiência. Ambas as atividades, de serviços e industrial, foram e são fortemente influenciadas pela resultante econômica de seu funcionamento.

 

No caso da indústria, aqui entendida como setor de produtos manufaturados da atividade econômica, o fenômeno da globalização dos mercados potencializou a competição entre produtos similares, provocando uma verdadeira corrida à busca de redução dos chamados custos de produção. Uma das formas encontradas para lidar com essa nova exigência é a conhecida Terceirização. Contrata-se de terceiros aquilo que era produzido internamente, mas que não é produto ou peça-chave da empresa. O relacionamento estabelecido nesse processo (de terceirização) é controlado pelo padrão de qualidade do produto terceirizado. Constitui-se assim, uma relação inequívoca e objetiva entre cliente-fornecedor, sob os auspícios da concretude de uma peça ou produto industrial.

 

Diversamente, no mercado de serviços, a ausência de algo tão concreto e objetivado como uma peça de um mecanismo remete a relação cliente-fornecedor a uma dimensão muito mais complexa de aferição e julgamento de sua eficiência. A Terceirização nessa área carece de parâmetros objetivos de avaliação para ser efetivada. A relação cliente-fornecedor passa a depender muito mais de aspectos subjetivos de avaliação. Confiança mútua e identidade de propósitos são alguns dos aspectos que determinam a qualidade dessa relação.

 

Assim, um dos caminhos possíveis de se trilhar para a efetivação de uma prestação de serviços competente é exatamente potencializar os aspectos subjetivos que definem a relação cliente-fornecedor. E também prover, do lado da empresa “terceirizada”, um caminho que propicie uma trajetória capaz de estimular a mão de obra envolvida, estimulando-a no seu desenvolvimento e engajando-a na busca constante da qualidade dos serviços prestados.

 

Em outras palavras, é preciso constituir “parcerias profissionais” que dêem conta desses aspectos. Passa-se então da “Terceirização” à “Profissionalização”. E, a nosso ver, a importância dessa passagem é vital, tanto para o que estamos denominando aqui de setor de serviços como para a indústria.

 

Senão vejamos: A NOHALL, fornecedora de terceirização nos oferece um depoimento: “Entre 1980 e 1990 iniciou-se a moderna terceirização na qual as grandes indústrias transferiram parcialmente parte de seu negócio para terceiros, com o objetivo de ganhar mais flexibilidade, velocidade de resposta e agilidade no atendimento… Além de obter: isenção total da tributação Federal, Estadual e Municipal; isenção de ônus trabalhista, férias indenizatórias, rescisões, afastamentos.”

 

Entretanto: Na década de 70, a titulo de exemplo, a Light Serviços de Eletricidade S.A. era a empresa responsável pelo abastecimento de energia elétrica na cidade de São Paulo. A Light, do ponto de vista técnico, era auto-suficiente. Herdeira da competência canadense, cujo proprietário era a empresa Brascan Limited, estava competentemente estruturada para dar conta de todas as atividades necessárias para suprir a cidade de São Paulo de energia elétrica: Planejamento, Projeto, Construção e Operação de Usinas, Linhas de Transmissão, Subestações e Distribuição. Até que o processo de terceirização começou a mudar o perfil da empresa e das responsabilidades do corpo técnico.

 

Hoje a Eletropaulo, herdeira da antiga Light Serviços de Eletricidade, praticamente terceiriza tudo aquilo que era de competência da antiga empresa. E as conseqüências negativas são inúmeras. A principal delas, a meu ver, é a falta de engajamento e de perspectiva profissional do corpo técnico envolvido com as várias atividades ligadas ao suprimento de energia elétrica, uma vez que boa parte é mão de obra de terceiros. E isso certamente tem afetado a qualidade dos serviços oferecidos, os quais, em se tratando de serviços públicos, em minha opinião, jamais deveriam ser terceirizados.

 

Essa armadilha algumas empresas privadas do varejo, por exemplo, não caíram. Os supermercados tendem a verticalização apresentando marcas próprias. Alguns terceirizaram produção e segurança, mas não abriram mão do atendimento final ao consumidor.

 

Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier), engenheiro da Light & Power nos anos 60/70 e colabora com o Blog do Mílton Jung

Foto-ouvinte: lixo entra em campo em São Mateus

 

Por Devanir Amâncio

 

Entulho no campo

 

A Copa do Mundo vem aí e o lixo entrou em campo. A própria Subprefeitura de São Mateus derrubou uma obra irregular, na Avenida Tenente Lauro Sodré, altura do número 888, Jardim Valquíria, região da Fazenda da Juta, extremo leste de São Paulo, e despejou o entulho no meio do único campo de várzea do bairro. O lixo impede a comunidade de jogar bola há cerca de 15 dias. Neste domingo (25/3), crianças manobravam um aviãozinho no local e reclamavam do mau exemplo da Prefeitura. O campo de futebol não possui grama especial,mas é grande – liga à uma área de lazer também mal cuidada.

Programa de fidelidade tem de ser simples e inteligente

 

Os programas de fidelidade há muito distribuem pontos, sendo os mais famosos os das companhias aéreas. Em lojas de remédio, de livros, de presentes, de qualquer outro tipo de coisa basta fazer a primeira compra e a oferta para um cartão que acumulará pontos aparecerá diante de seus olhos como a coisa mais maravilhosa do mundo. Gaste tantos reais, sempre no mesmo lugar e isto irá se transferir em benefícios para o senhor – é o que costumo ouvir. Nunca me contam como deve ser feito o resgate, e quando contam parece ser a coisa mais simples do mundo.

 

Com três bocas animais a alimentar – Eros, o labrador, Ramazzotti, o shitzu, e Bocelli, o persa – e o preço da ração em alta, sempre é bem-vinda uma promoção, portanto não deixei de aproveitar o cartão oferecido pela Cobasi, uma das maiores lojas do setor, em São Paulo. Em pouco tempo se descobre como falta inteligência no gerenciamento e no sistema eletrônico que controla estes programas. Depois de acumular cerca de 1.500 pontos em compras, fui pedir o resgate que somente é permitido mediante a apresentação do cartão da loja que tem o mesmo número do meu CPF. Como perdi minha carteira recentemente, tive de solicitar novo cartão e para isso pagar R$ 15, imagino que seja o custo para sua confecção, ou uma espécie de punição por ser tão esquecido (neste caso, merecida). Com o cartão em mãos pedi para descontar os pontos acumulados do total da conta, e fui obrigado a apresentar minha carteira de identidade, afinal precisava provar que eu sou eu. Documentação entregue e aliviado por não ser necessária firma reconhecida em cartório, fiquei no caixa a espera da autorização da gerente da loja. Sem que esta passasse o seu cartão em um leitor óptico, não teria como a atendente dar o desconto – talvez porque não confiem em seus funcionário, ou em seus clientes. Antes de fechar o negócio, ainda tive de assinar um papelzinho amarelo, daqueles que a impressão não dura mais de uma semana na sua carteira, confirmando o resgate. Além de toda a burocracia que o sistema digital foi incapaz de resolver, ainda soube que apesar da atendente ter passado meu cartão na máquina, esta não registra o CPF para emissão da nota fiscal paulista. Ou seja, é preciso pedir o número para o cliente e digitar mais uma vez, desperdiçando tempo e paciência que podem fazer falta para os demais clientes que estão na fila. Ao cabo de tudo, ganhei R$ 50 por ter gastado muito mais do que R$ 1.000 no decorrer de um ano.

 

Deixo claro que não estraguei meu penteado nem ganhei uma ruga sequer pelo tempo de espera, mas fiz questão de registrar esta operação por perceber que os métodos de gerenciamento não avançaram como a tecnologia e, assim, ao implantá-la sob a justificativa de agilizar o processo acabam emperrando-o com regras redundantes. O erro no sistema aplicado na Cobasi tornou-se mais evidente horas depois quando fui fazer compras na Livraria Cultura, que também tem seu programa de “milhagem”. Ao pagar, informei o número do CPF, soube que tinha direito a desconto, o resgate foi imediato, não houve necessidade de autorização prévia, apresentação de cartão do programa nem qualquer outra burocracia, e meu CPF já estava na máquina a espera da confirmação da emissão da nota fiscal paulista. Simples, assim. Mas para isso é preciso ser inteligente, também.

Avalanche Tricolor: Os guris são gremistas, assim como Fernando

 

Cruzeiro 1 x 2 Grêmio
Gaúcho – Novo Hamburgo (RS)


 

Falei nesta Avalanche muitas vezes sobre o desafio de criar em seus filhos a mesma paixão que você tem pelo time de coração, principalmente quando eles nascem tão distante. Aqui em São Paulo, todo o corintiano torce para que não coloque no mundo um palmeirense, enquanto são-paulinos perdem os cabelos em pensar que o menino pode se transformar em corintiano – e vice-versa. De onde vim, o risco é ainda maior, imagine o garoto ou a garota ser um vira casaca, terá seu nome riscado da partilha. Apesar de não cultivarem a mesma admiração que tenho pelo futebol – descobriram coisas mais interessantes para se divertir – e serem paulistanos de certidão, não tenho dúvida de que meus guris são gremistas (e não só pelo fato deles terem boas notas na escola), desde que choraram abraçados comigo nos minutos finais da Batalha dos Aflitos, em 2005. De qualquer forma, é sempre bom receber alguns sinais como neste domingo em que, por compromissos pessoais e companhias legais, fiquei sem condições de assistir a parte do jogo contra o Cruzeiro. No momento em que compartilhava um paella com amigos, o Grêmio entrava em campo para mais um compromisso pelo Campeonato Gaúcho, e seria muito antipático consultar o resultado da partida a todo momento na tela do celular – gosto muito pouco dessas pessoas que são incapazes de conversar com você sem estar com um olho no telefone, parece que dali virá coisa mais importante que a sua companhia.

 

Com o sabor catalão ainda nos lábios e a garganta regada por um vinho maravilhoso deixei o apartamento dos amigos quando a partida ainda estava no primeiro tempo, e como sempre faço liguei para casa para saber como estavam os meninos, se precisavam de alguma coisa e avisar que deveria chegar em meia hora ou um pouco mais. Foi quando tive a surpresa de saber que o mais moço, Lorenzo, craque do League of Legends e fanático por Call of Duty: Moder Warfare III – jogos eletrônicos que rodam no computador e no XBox, respectivamente – estava de olho no PPV assistindo à partida do Grêmio. Claro que assistia de um jeito que só esta garotada é capaz, com os dedos no teclado, fone no ouvido, movimentação intensa na tela do PC e, mesmo assim, ciente de tudo que acontecia em campo. “Pai, o Grêmio está vencendo por 1 a 0”, disse ele em uma frase de significado enorme para mim; não pelo resultado em si, mas pela demonstração de que o Grêmio, sim, faz parte do cotidiano deles. Se estava ansioso para ver mais um desempenho do tricolor, naquele momento suspirei aliviado: não só havia recebido mais um sinal de quanto eles gostam do meu time (do nosso time), como, também, sabia que o Grêmio estaria em boa companhia até a minha chegada.

 

Tive tempo de ver todo o segundo tempo, me irritar com a falta de finalização do ataque e os vacilos da defesa, lamentar o gol adversário, agradecer pela marcação correta do pênalti, me indignar com o comportamento da Brigada Militar e vibrar com a vitória aos 53 minutos. Ainda consegui ver a reprodução da bela cobrança de falta de Fernando, este gremista de nascença. Todos esses momentos curti e sofri  sentado no sofá ao lado dos meninos que, defintivamente, aprenderam a ser gremista.

De cidade

 

Por Maria Lucia Solla

 

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que tal se desarmar
brincar de paz
treinar o amar
hein meu rapaz

 

que tal dar licença
pra quem quer passar
evitar desavença
e a vida levar

 

que tal tentar esse jeito
de boa vontade
pra curar a dor no peito
melhorando você
eu e a cidade

 


Maria Lucia Solla é professora, realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

O que vão vestir os homens no inverno 2012

 

Por Dora Estevam

 

Enquanto esperamos pacientemente os dias mais frios, separei pra você algumas fotos e filmes que mostram um pouco do que está por vir neste inverno masculino. Uma das peças mais esperadas para é a “Jacket Bomber”, jaqueta inspirada nos uniformes dos aviadores. Renovada por vários estilistas a peça ganhou as prateleiras e as ruas. Particularmente, gosto muito das jaquetas em homens, elas são simples e causam uma boa impressão. As de couro são as mais charmosas.

 

 

Confesso que nos desfiles de moda masculina, tirando os estilistas que trabalham com roupas mais clássicas, acho bem difícil encontrar modelos casuais usáveis. Quase não se vê. O estilo da passarela, então, nem se fale. É roupa em cima de roupa que não dá para o leitor e comprador final (o varejo) entender muito bem. No fim acabam usando as mesmas peças por falta de opção. Ou por não querer sair por ai com cara de passarela. Aqui no Brasil quem brinca bastante com as roupas masculinas é o estilista Alexandre Hechcovitch. A moda que a marca propõe para o inverno é baseada na vestimenta dos judeus ortodoxos. Muita lã, malha, algodão encerado e couro. Se você entende um pouco sobre os costumes da religião vai entender as produções que ele fez na passarela.

 

 

Interessante é o trabalho do estilista Todd Snyder. Ele fez uma coleção inspirada na onda militar moderna de uma forma que dá vontade de encher o armário com as peças dele. Veja o clipe da marca.

 

 

Note também que em termos de estilo os cabelos aparecem bem curtinhos e o acessório para os dias ensolarados que não pode faltar também são óculos.

 

 


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, aos sábados, no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: Seja inesquecível para o seu cliente

 

“Excelência em atendimento é tornar-se inesquecível para o seu cliente, superar a concorrência e a expectativa do consumidor”. A definição é do professor-titular da PUC-SP de Graduação e Pós-Gradução de Marketing, Alexandre Luzzi Las Casas, que, nesta entrevista ao Mundo Corporativo, da Rádio CBN, fala das estratégias a serem implantadas no seu negócio para transformar o atendimento em diferencial competitivo. Durante a entrevista, ele responde a uma série de perguntas de ouvintes-internautas interessados em compreender como melhorar o relacionamento com os clientes e reduzir o número de reclamações recebidos pelas empresas prestadoras de serviço. Alexandre Las Casas é o coordenador do livro “Marketing em Atendimento ao Cliente”, lançado pela MBooks.

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da CBN, com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN

Os interesses público e partidário na decisão sobre o Instituto Lula

 

Vereadores da CCJ aprovam cessão de terreno para Instituto Lula

 

A concessão de terreno da Cracolândia, centro de São Paulo, para construção do Instituto Lula, como já era de se esperar, tem provocado brigas entre o PT e o PSDB. Este contra e aquele a favor, obviamente, apresentam argumentos jurídicos e históricos para defenderem suas posições e tentar influenciar os vereadores dos demais partidos na votação de projeto assinado pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD) que pretende ceder área na Rua dos Protestantes, próximo à Estação da Luz, por 99 anos, onde deverá ser erguido o Memorial da Democracia. Após ouvir declarações de lado a lado minha dúvida, levada ao ao durante o Jornal da CBN, é como seria a postura desses mesmos vereadores se a cessão fosse para o Instituto FHC. Petistas aceitariam a ideia de que seria uma forma de “honrar o legado de todos os presidentes que lutaram pela democracia no Brasil” ? Tucanos votariam contra sob a justificativa de que o instituto “não oferece as contrapartidas exigidas por lei de atividades gratuítas e nas áreas de educação e cultura” ? Du-vi-de-o-do

 

O líder do PSDB na Câmara Municipal, Floriano Pesaro, enviou-me resposta na qual nega que a ótica do partidarismo não influencia sua opinião contrária a concessão do terreno para o Instituto Lula: “Trata-se de concessão onerosa. A Nova Luz tem necessidades mais prioritárias do que um museu supostamente democrático – que certamente irá mitificar a figura de Luis Inácio da Silva. O debate aqui limita-se, portanto, ao interesse público” – está escrito em trecho da mensagem que traz informações, também, sobre a constitutição do Instituto Fernando Henrique, criado em 2004 apenas com recursos privados.

 

Com todo respeito a Pesaro, que teve o cuidado de apresentar sua opinião sobre o tema – até agora não recebi nenhuma mensagem da bancada petista na Casa -, a postura dos dois partidos quando expostos em situações contrárias não respalda seus argumentos. Haja vista o que ocorre quando se debate a criação de CPIs em qualquer uma das casas legislativas, independentemente do tema ou das provas. Se a CPI pretende investigar atos do Governo, quem está nele a chama de oportunista e descabida, entendendo que são suficientes as investigações feitas pela polícia, Ministério Público ou a própria Justiça. Quem está na oposição, de oportuna e eleitoreira, para na sequência acusar os adversários de estarem usando a máquina do Estado para impedir a apuração das denúncias. O interesse partidário, historicamente, está acima dos interesses públicos – ao menos é o que assistimos até aqui. Se alguém pretende provar que age diferente, que prove com suas atitudes no cotidiano da política. E tenha paciência até que a minha percepção mude – a minha e de toda a torcida do Flamengo (apesar de, neste caso, ser mais apropriado usar a do Corinthians).

A teoria do Fecho Eclair no trânsito da cidade

 

Conheça outros textos, como este, publicados no Blog Adote São Paulo, na revista Época São Paulo.

Cruzamento insano

 

Encontrar um gargalo no trânsito de São Paulo não exige muito esforço do motorista, basta sair de casa, tentar acessar a primeira avenida que estiver no caminho e, logo, estaremos parados diante de um enorme congestionamento. O Jornal da Tarde, nesta semana, fez reportagem na qual motoristas de táxis relataram problemas como semáforos sem sincronia, estreitamento de pistas ou cruzamentos mal sinalizados que emperram o fluxo de veículos. Lembrei de conversa que havia tido, recentemente, com Seu Pereira, motorista que me salva nas horas de aperto (ou atraso), para quem comentei sobre um problema que tem se agravado nas últimas semanas sempre que deixo a rádio CBN, na rua das Palmeiras, bairro de Santa Cecília, em direção a avenida 23 de Maio. Tem sido difícil cruzar este trecho pela Amaral Gurgel e início da ligação Leste-Oste devido a uma pista que está parcialmente interrompida, na parte de baixo da passagem, devido as obras que ocorrem na Praça Rossevelt, que fica no andar de cima. Seu Pereira me explicou que a dificuldade se dá por mau comportamento dos motoristas que, sem educação, costumam impedir a passagem dos outros, tornando a vida ainda mais difícil no trecho. Bastaria um pouco de respeito para diminuir o impacto da interdição, disse-me ele.

 

Contei a história acima no Jornal da CBN para ilustrar a situação vivida pelos motoristas paulistanos, e ouvi ótima recomendação do meu colega de bancada Thiago Barbosa. Ele disse que na Alemanha os motoristas aprendem a usar a “Teoria do Fecho”, isso mesmo, estávamos nos referindo ao fecho de calça, ao zíper, ao fecho eclair ou a braguilha, como chamam alguns. O fecho só fecha porque os “dentes” se encaixam de forma organizada, um de cada vez, um de cada lado, sem atropelos. Quantas vezes enfrentamos dificuldades com esta peça da roupa quando, na pressa e de forma atabalhoada, puxamos o fecho com força, e ele ficou acavalado. Além de perdemos tempo, corremos o risco de sairmos pela rua com a braguilha aberta, e pagamos aquele vexame. No trânsito devemos respeitar a mesma norma quando vamos entrar em uma pista que fica estreita logo a frente ou que recebe fluxo de veículos de outras duas. Em lugar de um carro cortar o outro como se estivéssemos em uma competição na qual vence quem chegar primeiro, seria mais lógico, como o fecho da calça, entrar o carro de um lado, seguido do que está no outro lado e seguir assim sucessivamente. Mas como o Thiago falou isso funciona na Alemanha, aqui em São Paulo estamos sempre com a braguilha aberta passando vexame.