Avalanche Tricolor: Na física e no esporte tem de ter esforço e inteligência

 

Pelotas 1 x 0 Grêmio
Gaúcho – Pelotas (RS)

 

 

Fui um aluno mediano, pouco disposto a afundar os olhos nos cadernos escolares e lamento não ter aproveitado melhor o que os professores teimavam em me ensinar na sala de aula, na época do Rosário, escola católica, muito bem estruturada e na qual passei ótimos momentos da minha adolescência, boa parte deles nas quadras de esporte e na praça ao lado, onde os amigos se encontravam sobre as coisas que mais interessavam na nossa vida – futebol, basquete, baladas e namoradas, não necessariamente nesta ordem. Apesar de tudo e devido a tudo, tenho boas lembranças daquela época e tenho certeza de que alguns professores, também. Era melhor nas matérias de humanas do que de exatas (o que já sinalizava um caminho para a comunicação), por isso foi um enorme desafio sentar a mesa com meu filho mais velho, o Gregório, que pediu ajuda para a prova de física, neste domingo à tarde. Tive dificuldade para entender algumas fórmulas, mesmo prestando atenção no enunciado dos exercícios. Mas conversamos bastante, conferimos com os resultados oficiais e, após algum esforço, ouvi dele que estava pronto – disse, na verdade, “quase pronto”, pois sempre foi muito exigente com seu desempenho e talvez tenha sido isso que o levou a receber honra ao mérito em todos os anos até aqui. Isto e, lógico, sua capacidade intelectual.

 

Ao terminar os estudos, liguei a televisão e a partida já havia se iniciado. Logo percebi que à tarde não seria das melhores, pois antes de nossos méritos aparecerem, o adversário tinha se aproveitado de nossas carências. Houve algumas tentativas, muita bola jogada para dentro da área e uma quantidade enorme de escanteios, a maioria concluída com um cabeceio sem sentido. Estava evidente que a fórmula usada para chegar ao gol não era a correta, haja vista os poucos momentos em que, realmente, as chances de empate foram claras. No fim da partida ainda ouvi Léo Gago reclamar da falta de esforço do time e estaria totalmente certo se completasse a fala chamando atenção para a ausência de criatividade. Para que se tenha a melhor avaliação possível e o resultado seja alcançado é preciso equilibrar raça e inteligência, suor e talento, esforço e criatividade. O bom de toda esta história é que o desempenho final não depende de apenas uma prova, mas do conjunto da obra. Espero que o Professor tenha habilidade para cuidar disso.

De buzina e salsa

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

Olá,

 

e o buzinaço continua. Falta de respeito. Falta de educação. Uma festa de horror. Maricotas estressadas, carpideiras inconsoláveis; humanos que se mostram feios, detestáveis.

 

Droga! Não dá para ter bom humor o tempo todo. Ainda menos no trânsito de São Paulo. Eu tento e confesso que fico contente a cada avanço, mesmo que o percurso seja esburacado de tanto retrocesso. Mas buzina… pensa bem! Um motorista buzinando feito doido, por tudo e por nada também, não passa de um gurizinho mal-criado e mimado, até o âmago da alma, que se atira no chão do shopping center e esperneia e grita porque não ganhou o que queria. Sem vergonha, umbigo-centrado, e deixo você continuar, usando teu vocabulário. E tem de toda raça, de todo tamanho, de todo feitio. Tem rico e pobre, culto e inculto, gordo e magro, bonito e feio. Naquele momento não é a carcaça, não é o intelecto; são as entranhas que falam. E elas vão mal, obrigada!

 

Do lado de fora da cabina de comando do Planeta, quiçá do Universo, tem carro caindo aos pedaços, se esvaindo em fumaceira preta. Tem também carro importado de perder o fôlego, tem o que se arrasta e o que voa, mas na cabina do carro, do ônibus e do caminhão tem gente como você e como eu, cada um num estágio de crescimento, de refinamento do corpo e da alma. Cada um com sua porção de consciência. E por falar em consciência, um dos meus assuntos favoritos, consciência não se desenvolve só com pieguice, como parece ser a ideia da maioria. Consciência é GPS de ponta, para a evolução. É o guia para o caminho do estar-bem e que, consequentemente, leva a Deus. E como consciência é uma parte de nós que não pode ser vista nem tocada, acaba relegada a plano inferior na lista de prioridades.

 

A dança de salão, aquela na qual a gente ainda dança em par, eu considero uma das melhores maneiras para desenvolver a consciência. A gente apoia a mão direita na mão do parceiro e a esquerda no seu ombro – em caso de atração, essa posição vai atingindo graus mais estreitos e o par se transforma num só, num abraço cadenciado no ritmo que dita cada passo. Na dança, quando vai melhorando, a gente não pisa mais no pé do outro e, num pequeno gesto do parceiro, segue sem questionar para não quebrar a harmonia. Um rodopio para a esquerda segue um movimento sutil do outro, uma intenção de passo para trás, e lá vai a dupla. A dança de salão ensina respeito e reação na medida certa.

 

Assim, para curar a febre do buzinaço e fazer de nós pessoas melhores, pais e mães melhores, amigos melhores, formando uma cidade melhor, um planeta melhor, mais alegre e menos violento, levanto a bandeira da dança de salão. Dança, já! No currículo escolar, desde a pré-escola, e oferecida a todos os idosos, pelo estado, em troca de economia na saúde pública, é claro.

 

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

 


Maria Lucia Solla é professora, realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Um homem e três peças

 

Por Dora Estevam

 

No editorial de estilo desta semana, a Revista GQ escolheu ninguém menos elegante do que Tom Brady* (já ligou o nome a pessoa?) elegantemente vestido em um terno três peças. Digamos que isto é a celebração da alfaiataria. A produção lembra bem o estilo Tom Ford de se vestir. Camisa super branca, calça e paletós pretos. No editorial a revista mostra o jogador vestido com um terno das marcas mais caras do mundo, coisa que não é todo mundo que pode pagar.

 

A brincadeira pode ficar interessante se você desmembrar as peças e seguir o estilo na hora da compra. Todas podem ser facilmente encontradas em lojas não tão caras – e provocar o mesmo efeito.

 

 

Se você é adepto do estilo três peças (chame-o de terno) vamos aos detalhes para não esquecer nenhum item na hora da compra:

 

-Um bom prendedor de gravata
-Uma boa camisa de abotoar
-Colete
-Calça
-Paletó
-Sapato
-Lenço para o bolso
-Gravata

 

Se você quiser gastar mais dinheiro, um prendedor de gravatas com uma bela textura para ser usado diariamente. Prefira preto e branco que não sobrecarregam a produção. E já que você não é um super modelo não esqueça do sorriso no rosto.

 

*Ok, você não se deu ao trabalho de ir ao Google para saber que é Tom Brady, então eu conto: é quarterbaker do New England Patriots e, acima de tudo, casado com Giselle Bundchen

 


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, aos sábados, no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: O poder da comunicação no varejo

 

“O Brasil é um dos países em que mais se compra por impulso, ao menos 10% das compras no varejo ocorrem desta maneira”, é o que diz o professor de comunicação da Unversidade Federal do Rio de Janeiro, Gilberto Strunck. Na entrevista ao Mundo Corporativo, da Rádio CBN, Strunck fala das estratégias de comunicação e design que ajudam a venda de produtos e serviços. A partir de experiências que apresenta, percebe-se que boa parte das vezes nossas escolhas não são conscientes, somos induzidos a levar alguma coisa para casa pela disposição na loja, tipo da embalagem e oferta apresentada, entre outros tantos fatores explorados pelos fabricantes.

 

Autor do livro “Comunicação por impulso – trade marketing, merchandising e o poder da comunicação e do deign no varejo”, lançado pela Editora 2AB, Gilberto Strunck diz que, ao contrário do que pensa o senso comum, os homens compram muito mais por impulso do que as mulheres: “elas são profissionais”.

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar, às quartas-feiras, 11 horas, no site da rádio CBN. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN. Participe pelo Twitter @jornaldacbn e pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br

Por bibliotecas atrativas e no fim de semana

 

Texto publicado, originalmente, no Blog Adote São Paulo, da revista Época São Paulo

 

Trabalho de Eduardo Kobra quase finalizado

 

Em casa – leia-se, em Porto Alegre – não tinha uma biblioteca enorme à disposição, mas era muito comum ver meu pai com um livro na mão. Se não me falha a memória, ele gostava de romances policiais e talvez tenha sido isso que me impulsou a ler Agatha Cristie, primeira autora que aparece em minha lembrança literária, apesar de que antes dela, além dos infantis, havia aquela série clássica de brasileiros que fazem parte da lista de leitura obrigatória na escola – mas eu detestava ser obrigado a ler. A maioria deles fui conhecer somente mais tarde quando o hábito da leitura havia se transformado em um prazer e, isto, foi, sem dúvida, lição que aprendi, muito mais pelo exemplo do que pelas palavras, com meu pai. Foram poucas as bibliotecas que frequentei, se não me engano havia uma no colégio em que estudava, o Rosário, bem servida e estruturada, mas não dependia dela, pois, privilegiado, tinha livros ao meu alcance. Sei bem, porém, quanto estes equipamentos abrem as portas para o conhecimento em uma cidade e, por isso, espanta ver que 73% das pessoas jamais tiveram oportunidade de entrar em uma biblioteca no Brasil, conforme pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, feita pelo Ibope e encomendada pelo instituo Pró-Livro.

 

A cidade de São Paulo, foco de nosso olhar, apesar de ter das maiores redes de bibliotecas do País, como sempre ressalta a prefeitura em suas notas oficiais, também fica a dever a seus moradores quando o tema é acesso a literatura. Conforme o Observatório do Cidadão da Rede Nossa São Paulo, regiões como a de São Mateus e Cidade Ademar, onde vivem mais de 635 mil pessoas com 15 anos ou mais, não têm um só livro disponível à população em equipamentos públicos de cultura. Dos 96 distritos, 90 não conseguem oferecer 1 livro por morador, quando a meta recomendada pela Unesco é de, no mínimo, 2 livros por habitante adulto.

 

Bem verdade que a expansão da rede de CEUS, com seus prédios mais abrangentes e multifuncionais, permitiu que uma quantidade maior de livros estivesse ao alcance dos leitores, além de iniciativas como o ônibus-biblioteca e Bosques de Leitura, mantidos pela prefeitura, e as bibliotecas nas estações de metrô, resultado de trabalho da iniciativa privada – apenas para citar algumas ações interessantes. Mesmo assim ainda não é suficiente para tornar o paulistano um leitor apaixonado. Percebe-se, por exemplo, que as bibliotecas que existem são pouco atrativas – com as exceções de praxe – pois apesar de 67% das pessoas que responderam a pesquisa nacional do Ibope saberem da existência de uma próxima de casa, a frequência é muito reduzida.

 

Para amenizar este cenário, ao menos entre meninos e meninas do Parque Doroteia, no extremo sul da capital paulista, os criadores da Associação Esportiva Unidos Da Doze tiveram uma ideia simples e genial ao transformarem a pequena sala da entidade em biblioteca, graças a doações recebidas de diferentes instituições e pessoas dispostas a ajudar. A garotada que bate bola no campinho de futebol, enquanto descansa, estica a mão, pega um livro legal e começa a praticar um esporte ainda raro no Brasil: a leitura. Inclusive no fim de semana – informação que ressalto para chamar atenção da prefeitura que insiste em manter as bibliotecas municipais fechadas exatamente quando os jovens teriam mais tempo para aproveitar estes locais. Fico imaginando como seria bacana fazer das bibliotecas pontos de encontro e entretenimento cultural especialmente nas regiões em que são poucas as áreas de lazer.

“Que livro você está lendo nesta semana?”

 

A pergunta foi simples, mas provocou uma reação bastante interessante, transformando meu Twitter em uma rica biblioteca com sugestões dos ouvintes-internautas. Hoje, na conversa diária com Dan Stulbach, Zé Godoy e Teco, no Hora de Expediente, durante o Jornal da CBN, falamos sobre resultados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil (Ibope/Instituto Pró-Livro), que, entre outros pontos, mostrou que os brasileiros leem quatro livros por ano, em média. Em seguida, perguntei pelo Twitter “qual o livro que você está lendo?” e recebi mais de 60 respostas. Alguns ouvintes-internautas pediram para que eu compartilhasse a opinião dos demais, criando uma enorme lista de sugestões. Aproveito para agradecer aos que tiveram a gentileza de citar “Jornalismo de Rádio” que lancei pela Editora Contexto, em 2004.

 

Veja as respostas enviadas, faça sua escolha, deixe outras sugestões nos comentários e boa leitura:

 

@ca_marcelino – Chatô, O Rei do Brasil… to na página 21 e já tô encantada!!!

@8Rosangela – A arte de ser leve de Leila Ferreira bem bacana.

@rcaldeirini – Quando é preciso ser forte DeRose

@sspyder @miltonjung Fenomenologia do Espírito do Hegel intercalado com a República.

@BaldinMP13 A Dance with Dragons – George R R Martin

@rbtravassos estou lendo Personal Branding – Arthur Bender

@analuizamarques e @30Ronaldoalves Jornalismo de rádio, Milton Jung

@ricsantos “Muito Além do nosso eu” do @MiguelNicolelis

@kelygouveia “Ficções”- Jorge Luis Borges.

@mandapraesse O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de Saramgo!

@kellypassos “A menina que brincava com fogo”

@tabgiannini Beyond the bounderies – Miguel Nicolelis

@AlmirVieira Os Meninos da Rua Paulo (relendo)

@VanderAbreu China Megatrends, John Naisbitt

@TCOSTAESILVA li “o X da questão” e ao contrário da maioria, achei ruim. Uma mistura de autobiografia c/ autopromoção e uma pitada de autoajuda!

@Manfredo O Tao da Física de Fritjof Capra

@julianodip e @flamacedo O livro do Boni

@Ana_Matta O Jardineiro Fiel

@Elkeane estou lendo o “Content Strategy for the Web” de Kristina Halvorson’s

@a_magrela Biografia de Olga Benário

@SaintCoast o Cemitério de Praga do Humberto Eco!

@FlavyaPereira Antologia Poética, Carlos Drummond de Andrade.

@tommaioral 1808

@tazerldeiascom Estou lendo Steve Jobs por Walter Isaacson.

@OdilPereira Nesta semana, estou lendo “O fio das missangas – Couto, Mia”.

@leontheroad PLO Omaha poker.

@Maracard estou lendo historia da alimentação no Brasil de Luiz da Câmara Cascudo.

@sandrosepa Os Miseraveis ( Victor Hugo ) muito bom !

@kattiabasile Estou lendo “Conversas com Mies van der Rohe” de Moises Puente .. onde ele fala sobre suas ideias basicas sobre arquitetura @jornaldacbn

@oandrebelizario Em Aguas Profundas do David Lynch

@Deyver Qual e a tua obra, do Mario Sergio Cortella

@ZayraNavarro Bom dia, estou me aprimorando com: Controladoria – Uma Abordagem – de Armando Catelli

@Rogeriawerneck Millenium – A menina que brincava com fogo. Excelente!

@betelnet “Ombudsman: o Relógio de Pascal” de Caio Tulio Costa

@InsolenteTemera Eu terminei “O clã dos doze apóstolos” de Olga Behar, jornalista da Colômbia. Grande sugestão para conhecer sobe Alvaro Uribe

@drsoares A Guerra dos Tronos: Festim dos Corvos

@claudiorsouza Como mudar o mundo, eric hobsbawn.

@thiago_osantos Relendo “o mundo é plano” Thomas Friedman

@KarlaPierri De amor e de sombra, Isabel Allende

@fabiik 1Q84 do Haruki Murakami!!!

@abtfkeury Estou lendo Metro 2033

@SabrinarGomide Cavalo de Tróia 1.

@Fvet66 Planos de Negócio Vencedores, de Rhonda Abrams.

@Qvivais Pai Rico, Pai Pobre, do Robert Kiyosaki e Etiqueta sem Frescura, da Cláudia Matarazzo.

@eleonorabfruet “Dois irmãos” de Milton Hatoum.

@luiskolle Milton, estou relendo “Multiplicando o Bem-estar” de Sérgio Buaiz

@vanessavcamargo Estou lendo Memórias de Sherlock Holmes, Arthur C. Doyle, da Ed. L&PM Pocket

@isabelcampos A primavera do Dragão

@marcostwt Deus e o Estado – Bakunin

@Pr_Begnalia “O Incomparável Jesus Cristo” do Dr. Amin Américo Rodor, Unaspress.

@PadreWesley07 Cristianismo puro e simples de C. S Lewis

@quasecubano A Humilhação, de Phillip Roth. Grande autor norte-americano.

@Liddiane A força de ser mulher, Lisa Bevere.

@AnselmoAndriolo Livro do Desassossego, Fernando Pessoa

@fjsp pode ser um #mangá? estamos relendo “Sandman: Caçadores de Sonhos” (1999), do @neilhimself e com ilustrações de #YoshitakaAmano

@rickaoi Bem vindo a bolsa de Valores. Marcelo Piazza.

@wandKernelpanic A menina que roubava Livros

@AndreaVecci “Sobre a China” Kissinger

@GustavoSemblano Os Donos do Poder, de Raymundo Faoro

@daniel_puzzi Da Euforia à Crise

@FlavyaPereira Antologia Poética, Carlos Drummond de Andrade.

Avalanche Tricolor: dá para ter bons sonhos

 

Grêmio 4 x 0 Avenida
Gaúcho – Olímpico Monumental

 

 

Abrir a Avalanche chorando minhas pitangas não é o ideal após uma noite em que o Grêmio confirma a classificação a fase final da Taça Farroupilha, com bom desempenho em campo e vantagem sobre os demais adversários, além de ser o ÚNICO time com 100% de aproveitamento neste segundo turno. Mas você, caro e raro leitor deste blog, sabe bem do meu drama matinal, pois antes mesmo do sabiá cantar já estou em pé, na mesa do café, lendo meu jornal e me preparando para mais uma jornada. Portanto, dormir cedo é quase obrigação e, confesso, poucas coisas conseguem mudar este meu compromisso com a cama e o sono. O Grêmio é uma delas, mesmo quando o jogo tem pouca importância – se é que possível falar isso de uma partida em que o meu time do coração esteja em campo. Por isso, mesmo depois de um dia tão cheio de tarefas profissionais e familiares, me dispus a esticar à noite e acompanhar o Imortal Tricolor em mais um desafio pelo sempre disputado – com facas, dentes e travas da chuteira – Campeonato Gaúcho. Sabia bem o esforço que seria encarar a sexta-feira diante desta situação. E não é que em um minuto de jogo, nossa equipe já dava sinais de que eu poderia dormir tranquilo com um golaço de Marcelo Moreno? Aliás, não havia transcorrido os primeiros 15 minutos e o placar marcava 2 a 0, graças a mais um gol de Moreno, desta vez de pênalti cavado por Bertoglio. O curioso é que o time estava tão solto em campo, trocando passes, se movimentando bem, chutando a gol e sem muitos riscos que acabei ficando até o final diante da televisão. Até porque você sabe que meu time gosta de provocar muitas emoções, mesmo quando tira vantagem logo cedo. No fim fui premiado com uma boa partida e também vi os gols de Léo Gago e Bertoglio (aliás, companheiro ideal para Moreno). E fui dormir com a certeza de que posso sonhar com bons desempenhos na temporada. Boa noite !

Minha cidade adotiva faz 240 anos

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Permitam-me que escreva sobre uma cidade que está completando 240 anos, fundada que foi por açorianos em 1772. É de onde envio todas as quintas-feiras esta coluna para o blog do meu filho. Quem vem me concedendo um pouco do seu tempo para ler as que, no passado, eu próprio chamaria de mal traçadas linhas, sabe a qual aniversariante me refiro. Já para quem me acompanha pela primeira vez, informo que Porto Alegre é o meu assunto de hoje. Minha relação com esta que é uma das principais metrópoles do país começou há 76 anos. Nasci em Caxias do Sul, na casa dos meus avós e onde nasceu e morou minha mãe e seus dez irmãos. Nunca perguntei aos meus pais, falta de curiosidade da qual me arrependo até hoje, com quantos dias de vida me trouxeram para Porto Alegre. Creio que dificilmente tenha passado de uma semana. Fotos em preto e branco confirmam que o meu primeiro aniversário foi festejado na Rua Conselheiro Travassos, bairro da zona norte. Em outra fotografia, apareço sentado na janela da frente da primeira casa em que morei na capital gaúcha, a poucos metros da rua inundada pela cheia de 1936, do Guaíba, rio que, de repente, passaram a chamar de lago. Esta foto foi tirada em setembro, um mês antes que eu completasse um ano.

 

Tirante o ano e meio que sofri num internato na cidade de Farroupilha, por sinal, apenas 18 quilômetros distante de Caxias, foi em Porto Alegre que estudei até conseguir o meu primeiro emprego como radialista, profissão que exerço ainda hoje. Foram quatro anos na Rádio Canoas e depois, na recém inaugurada Guaíba, com passagem pelo Canal 2. Como jornalista escrevi colunas esportivas no Correio do Povo e na Folha da Tarde. Integrei, também, os departamentos de criação de três agências: Standard, Publivar e Idéia.

 

Não imaginem que, ao fazer este relato, esqueço que sou caxiense de nascimento. Tenho muita saudade da Caxias dos meus avós, da minha mãe, dos meus tios e inúmeros primos. Visitei-a incontáveis vezes, inclusive em campeonatos gaúchos, como narrador da Rádio Guaíba. Foi lá até que fiz minhas primeiras narrações esportivas. Mendes Ribeiro, meu chefe, escalava os neófitos para narrar os jogos disputados lá, que começavam meia hora antes que os de Porto Alegre. Tal qual fez o meu filho que, tendo desembarcado em São Paulo em 1991, virou paulistano de coração por vários e bons motivos que ele mesmo não cansa de repetir, eu adotei Porto Alegre e Porto Alegre me adotou. Afinal, por iniciativa de um de seus vereadores, o saudoso Isaac Ainhorn, falecido em 2006, tornei-me Cidadão Honorário de Porto Alegre e, nesta semana, em que minha cidade adotiva festeja seus 240 anos, torço para consiga resolver,mesmo que paulatinamente, os problemas que todas as grandes cidades não podem se furtar de enfrentar.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Chico Anysio e suas (boas) ideias para o futebol

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Dentre a multiplicidade de talentos que permearam a trajetória do então estreante cearense Chico Anysio, segundo lugar no teste profissional da rádio Guanabara para locutor e sétimo para ator, o que o habilitou como locutor e ator, afinal perdera para Sílvio Santos e Fernanda Montenegro. Assumiu também as funções de editor de humor e comentarista de futebol.

 

A paixão pelo futebol aflorou quando seu pai, presidente do Ceará FC levou o Palestra Itália à sua terra natal. E encantou o menino Chico e seus conterrâneos. O futebol e o Palestra passaram a fazer parte dele, embora Vasco, Flamengo, América e Fluminense de algum modo em momentos distintos também.

 

Em 17 de janeiro de 2009, para publicar neste blog artigo sobre as regras de futebol, solicitei ao Chico as observações e sugestões para a tão necessária mudança. Editei alguns trechos da sua abalizada opinião.

 

Até agora não houve mudança, mas o adeus de Chico propicia a publicação do material completo que gentilmente me enviou:

MODIFICAÇÕES NAS REGRAS DO FUTEBOL

 

A Copa do Mundo de 2006 na Alemanha, nos deu a segunda pior média de gols por partidas e pela segunda vez o campeonato teve que ser decidido nos penalties, pela falta de gols nos jogos a partir das quartas de final, exceção feita ao jogo da Itália contra a Ucrânia, pela grande diferença de valores das duas seleções – o que permitiu que a Itália vencesse por 3×0. Além deste placar, os demais foram sempre 0x0, 1×1, 1×0 ou 2×0, na vitória da Itália sobre a Alemanha, com os dois gols acontecendo aos 119 e 120 minutos de jogo. O futebol é o único esporte coletivo que insiste em não modificar suas regras, o que não acontece com o basquete e o vôlei. Aqui estamos enviando algumas sugestões para tornar os jogos mais emocionantes e, certamente produzindo resultados onde mais gols venham a acontecer.

 

1- A supressão de um jogador de cada time
2– Em vez do jogo ser disputado em dois tempos de 45 minutos, passar a ser disputado em 4 tempos de 20 minutos, só sendo contados os minutos de bola correndo. O tempo do jogo passaria a ser uma atribuição do 4° juiz. O intervalo do primeiro tempo de 20 minutos será de cinco minutos, com os jogadores permanecendo no campo e o técnico tendo o direito de lhes dar instruções. O intervalo entre o segundo e o terceiro tempo será de 12 minutos, com os times indo para os vestiários
3– Cada equipe poderá fazer até 5 substituições nos dois primeiros tempos e mais 5 nos dois últimos; jogadores substituídos podem retornar ao campo quantas vezes forem necessárias.
4– A bola só sai quando toca no chão (a exemplo do que acontece no vôlei).
5– Quando a bola for pela linha de fundo ao tocar num defensor, será marcado um córner e que será batido do local onde hoje se bate; se a bola for para a linha de fundo propositadamente impulsionada por um jogador do time que se defende, será marcado um mini-corner, que será cobrado da interseção da linha da grande área com a linha de fundo.
6– Quando o jogo tiver que ser paralisado para entrada da maca, o jogador que sair deverá ficar fora do campo por 5 minutos. Ou ele está realmente machucado e precisa dos 5 minutos, ou não está e os 5 minutos se transformam num castigo. (Talvez 3 minutos, apenas)
7– Em bola parada não haverá impedimento.
8– Serão criados dois outros cartões: o branco – que expulsa o jogador por 10 minutos e o azul que obriga o técnico a retirar aquele jogador que recebeu o cartão e colocar outro no seu lugar; este jogador que sair estará eliminado da partida.
9– O tempo que o goleiro poderá ficar com a bola na sua área passa a ser de cinco segundos, em vez de seis, mas haverá uma máquina que marcará com cinco sinais agudos, este tempo. Passando dos cinco segundos, uma falta será marcada contra o seu time, como já acontece, cobrada por um tiro indireto.
10– O empate de dois gols para cada lado dará dois pontos a cada equipe; empatar com um gol para cada time, um ponto; empate sem gols, NENHUM ponto. A vitória com uma diferença de gols igual ou superior a três, valerá quatro pontos.
11– Será criada uma linha prolongando a da grande área e os impedimentos só acontecerão a partir daquela linha.
12– Os árbitros serão instruídos a marcar penalties nas faltas que acontecerem dentro das áreas, como marcam faltas em jogadas iguais acontecidas no meio do campo.
13– Cada equipe poderá cometer no máximo 5 faltas em cada tempo de 20 minutos; da sexta falta em diante a cobrança será feita de uma marca a ser criada dois metros atrás da meia lua da área e sem barreira.
14– Saindo dos pés da baliza, será demarcada uma área de um metro, que será até onde o goleiro poderá tocar na bola, ao ser cobrado um penalty. Se ele tocar na bola fora desta área será marcado gol.
15-Devem ser criados nos novos juízes, os “juízes de áreas”, que marcarão as faltas acontecidas nos escanteios

 

Estas modificações, se não aceitas pela International Board, poderão servir para que seja criado um esporte paralelo ao futebol, com um campo menor e a utilização de nove jogadores em cada equipe (oito mais o goleiro).

 

Este esporte, que poderia ser chamado de PELÉ-BOL, não teria a lei do impedimento e as regras seriam estas que estão acima descritas, além das normais do futebol (exceção feita ao impedimento).

 

Chico Anysio é mais um que confirma que há homens insubstituíveis.

 


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas no Blog do Mílton Jung

Foto-ouvinte: Do começo ao fim de expediente, o céu em São Paulo

 

O vermelho dominou o céu de São Paulo no amanhecer desta terça-feira e quando seguia para o metrô Barra Funda, na zona oeste, Massao Uehara se encantou com esta imagem.

 

Começa o dia em São Paulo

 

No fim do expediente, após forte chuva na capital, nosso colega de estúdio Thiago Barbosa encontrou o céu amarelo no horizonte, nesta foto tirada do alto da Vila Mariana, zona sul da capital.

 

Fim do expediente