Depois do incêndio

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Por Sebastião Nicomedes

Enquanto os políticos prometem
Enquanto não se comprometem
As coisas não acontecem
O crescimento desordenado
As ocupações, as favelas seguem
Sem saneamento básico
Luz é gato, água é gato
Crianças crescem
Comida na panela
Miséria de sobremesa
Enquanto o povo leva vida de gado
Os ratos roem

Vereadores-candidatos tiram nota 3 em projetos

 

Os vereadores de São Paulo que estão nas ruas pedindo seu voto nesta eleição e, portanto, esperam deixar a Câmara até o fim do ano apresentaram em um ano e meio 414 projetos de lei, porém apenas seis foram avaliados como de altíssimo impacto e 32 de grande impacto pelo Movimento Voto Consciente.

Como para boa parte do eleitor o principal papel do vereador é a criação de leis, este critério tem peso quatro no estudo realizado pela ONG. Ou seja, um 10 neste quesito vale 4 vezes mais do que um 10 recebido pelo parlamentar que participou de todas as reuniões das comissões.

Levando em consideração apenas a qualidade dos projetos de lei os vereadores candidatos que mais se sobressaíram foram Carlos Alberto Bezerra, Gabriel Chalita e Netinho de Paula com notas acima de 5. Nenhum dos analisados, porém, chegou a receber seis, o que seria considerado razoável para um parlamentar. A média geral ficou em um pífio 3,63.

Por outro lado, a presença dos vereadores candidatos nas sessões em plenário e nas comissões pode ser considerada positiva – ao menos antes de iniciada a campanha eleitoral. No caso da participação deles nas votações nominais, a média dos 17 parlamentares avaliados foi 7,75, com apenas dois deles tendo recebido menos de 6 pontos: Mara Gabrilli (5,26) e Netinho de Paula (5,24). Foi alta, também, a frequência nas comissões com apenas um parlamentar recebendo menos de 7 pontos: Marcelo Aguiar que teve 5,92.

Infelizmente, o “regime especial” de votação organizado pela própria Câmara Municipal para facilitar a vida dos candidatos não tem sido respeitado. Ampla maioria tem preferido os compromissos de campanha aos com aqueles que os elegeram. As ausências das sessões e comissões tem sido frequentes. Têm todo o direito de pretender posto maior na vida política, mas podiam abrir mão dos seus salários.

Os parlamentares estão mais atentos à construção de sites que atendam as demandas da sociedade pelo que se constata na avaliação. Foi o item em que mais apareceram notas 10 e obteve a segunda melhor média geral com nota 7,82. Os melhores desempenhos foram os de Carlos Alberto Bezerra, Eliseu Gabriel e Mara Gabrilli.

Ouça a entrevista com Sonia Barbosa, do Voto Consciente, ao CBN SP (publicado às 21:00)

O resultado deste trabalho feito pelo Movimento Voto Consciente deve ser um dos pontos levados em consideração por você ao decidir seu voto nas eleições de outubro. Serve como uma bússola a orientá-lo, mas que deve ser combinado com outros critérios de avaliação desenvolvidos pelo próprio cidadão, através de sua experiência, exigência e consciência.

Veja aqui o desempenho do vereador que pede o seu voto

Avaliação Voto Consciente

Conte Sua História de São Paulo: sentimental do tempo

 

Por Frank de Oliveira
Ouvinte-internauta do CBN SP

 

Ouça o texto de Franklin de Oliveira, sonorizado por Claudio Antonio

 

Para muitos, eu era ali um transeunte apenas, a disputar um espaço. Para esses muitos, tudo era apenas a metrópole pulsando ao cair da tarde. Para mim, era um mundo de lembranças, emoções e sentimentos. Quando parei o carro próximo à estação Marechal do metrô, tratava-se de uma providência prática. Por que insistir no trânsito até chegar ao centro da cidade, se o metrô era bem mais rápido? Mas a minha perdição foi desistir também do metrô e decidir ir a pé. Daí, o inevitável aconteceu: à minha revelia, as emoções me abraçaram, resultado das lembranças que emergiam pelas ruas por onde passava. Uma jornada psicossentimental por aquela região, mágica, que tinha em suas veias uma notável dicotomia – o chique de Higienópolis, ali tão perto, e a autenticidade dos Campos Elísios, que assumiam, impávidos, descontraídos até, a própria degradação, sem saudades do tempo em que eram o bairro mais badalado de São Paulo.

 

E foi por ali, no rumo das lembranças, que começou minha viagem no tempo. Ali, na rua Vitorino Carmilo, numa casa com tijolos aparentes, pertencente a uma vila inglesa, que por si já espelhava o passado.

 

Nessa casa, trabalhei no início deste século na edição de uma enciclopédia. Paralelamente, em casa minha, lia a biografia de Tarsila do Amaral escrita por sua sobrinha Tarsilinha, um mergulho na Belle Époque brasileira, com cenas que aconteciam ali bem próximo, na rua onde Tarsila tinha morado com Anita Malfatti, na casa de Mário de Andrade ou na de Dona Yolanda Penteado…

 

Histórias como aquela segundo a qual Mário comprava todas as flores da feira e mandava entregar na casa das meninas pintoras. Quando eu saía para o almoço, ficava imaginando que aqueles construtores de sonhos tinham andado um dia naquelas mesmas ruas, quem sabe com um poema ou um quadro a se formar na alma e na mente…

 

Da Vitorino para a rua Martim Francisco. Um espaço de alguns quarteirões, mas também um salto de muitos anos na minha vida. Um salto até a minha juventude em seus anos mais bonitos. Dezoito anos, a primeira namorada “firme”, Ângela… Ela morava na Martim Francisco, era nissei, de Sagitário. Três irmãs de personalidade fortíssima, e a mãe ainda mais. Ela me chamava de Toni (foi a única até hoje a fazê-lo). E volta e meia dizia: “Toni, eu não gosto disso!!!”. Quase um bordão. Com ela conheci muito de amor e de brigas, que aconteciam quase todos os dias e demoravam quase algumas horas…

 

Essa garota estudava comigo no Colégio Caetano de Campos, sim, mas o Caetano de sua versão mais bacana, ali na praça da República, com sua arquitetura antiga, ali onde conheci Jimi Hendrix, Janis Joplin, James Taylor, e onde aprendi, com o amigo Mazagão, que era possível você chorar diante da beleza, pelo excesso dela.

 

Em minha caminhada, antes de chegar ao colégio, havia o largo do Arouche, com seu cinema onde eu conhecia o porteiro, que me descolava ingressos gratuitos, para assistir a filmes que eu nem entendia direito. E também com seu restaurante macrobiótico Arroz de Ouro, onde eu ia com meu amigo Milton, que de tão fã dos Beatles quis também se ligar nessas modas, quando os quatro rapazes de Liverpool foram para o Oriente e voltaram de lá falando em meditação transcendental e em Ravi Shankar.

 

Ravi Shankar, que eu conheci ali bem perto, no Teatro Municipal. Naquele dia em que meus colegas descolados do Caetano de Campos me convenceram a cabular as duas últimas aulas, sair escondido e ir lá fazer pressão para entrar mesmo sem ter ingresso. E entramos! Difícil imaginar o efeito que causou naquele menino que eu era a magia de penetrar naquela sala já com as luzes da platéia apagada e dar de cara com toda a riqueza da música indiana, assim, sem prévio aviso.
Todas essas emoções estavam ali, guardadas. E foram despertadas de leve, por aquela caminhada entre bancários, automóveis, ruas e avenidas, como dizia a canção. Uma caminhada exterior, mas que me revelou de novo a mim mesmo, lembrança, sentimento, riso e canção, e uma imensa vontade de renascer.

 

Conheça o Blog de Frank de Oliveira, autor deste texto.

Uma agência metropolitana em SP, sugere especialista

 

São Paulo, capital, não vive isolada da região metropolitana e, portanto, há necessidade de que os planos de investimento na área de infra-estrutura sejam coordenados pela autoridade estadual. A afirmação é do professor e doutor em planejamento de transportes e logísticas Paulo Resende, convidado a propor temas para as entrevistas com os nove candidatos ao Governo do Estado, que começam semana que vem, dia 8 de setembro. no CBN São Paulo.

Para ele, é necessária a criação de uma agência que incentive os municípios da Grande São Paulo a dialogar sobre assuntos que estão interligados como o do transporte público. “A capital perde com congestionamentos R$ 30 bilhões”, comentou o doutor da Universidade de Illinois e professor da Fundação Dom Cabral e somente se pode buscar uma solução para este problema se forem levadas em consideração as viagens feitas entre as cidades.

Resende defende que o metrô esteja ligado a um sistema metropolitano de transporte muito mais amplo, assim como o aproveitamento de corredores de ônibus teria de ser compartilhado. Ele lembrou, ainda, que urgentemente deve se encontrar uma saída para interligar os dois principais aeroportos da região: Congonhas e Cumbica.

Ouça a entrevista de Paulo Resende, ao CBN São Paulo

Durante esta semana, nós ouviremos especialistas em áreas importantes para o Estado com o objetivo de incentivar você a também participar deste debate eleitoral, enviando perguntas ou sugestões de assuntos a serem discutidos com os candidatos ao Governo. Desde ontem, uma série de mensagens já foi enviada por ouvintes-internautas para milton@cbn.com.br. Você também pode publicar sua questão aqui no Blog do Mílton Jung.

Privatização de ônibus em Diadema não prevê estabilidade

 

Com todos os ônibus e micro-ônibus penhorados e dívida de R$ 110 mi, empresa pública será vendida e edital garante apenas permanência de atuais empregados na compra, mas não diz por quanto tempo.

Frota da ETCD sucateada

Por Adamo Bazani

A Câmara Municipal de Diadema, na Grande São Paulo, aprovou a privatização da ETCD – Empresa de Transportes Coletivos de Diadema, primeira e última empresa pública do setor no ABC Paulista, no dia 10 de junho, mas só depois de mais de 3 meses é que o edital da venda foi colocado na praça. A demora, segundo especialistas, além de questões técnicas, como organizar as exigências para as interessadas e estipular preços, se deve ao processo eleitoral.

Mesmo o debate já tendo saído da esfera do legislativo, os esforços políticos agora estão voltados para as eleições de outubro. Na Câmara, aliás, este debate foi marcado por muitas contradições, principalmente por parte dos vereadores do PT, que em promessas de campanha sempre se posicionaram contra a medida. O prefeito Mário Reali, também do PT, era outra figura da política regional que nos palanques se posicionou contra a privatização, mas não conseguiu recuperar a empresa.

O edital foi publicado há uma semana pela prefeitura e algumas empresas da região interessadas em explorar o sistema já retiraram o documento. Serão vendidas as cinco linhas municipais da empresa, hoje operadas por aproximadamente 60 ônibus e micro-ônibus. Estes veículos foram penhorados na Justiça como garantia de pagamento, a pedido dos credores. A dívida continuará sendo da Prefeitura.

A dívida, que continuará sendo da prefeitura, passa de R$ 110 milhões e é bem maior que o valor calculado das linhas que vão custar aos interessados entre R$ 12 milhões e R$ 15 milhões. O edital, no entanto, prevê um valor mínimo de R$ 8,5 milhões para que as empresas possam participar da concorrência.

Ainda de acordo com o documento, metade do valor oferecido pelo grupo privado tem de ser paga na assinatura do contrato. A outra metade pode ser paga em até 24 meses. O prazo para a exploração dos serviços é de 15 anos, renováveis por mais cinco, se a empresa atender as exigências operacionais e contratuais.

Há uma cláusula no contrato a ser assinado pela empresa compradora e no edital que prevê a contratação dos atuais funcionários da ETCD, inclusive os afastados por auxílio doença e auxílio acidente.

Diz o texto do edital:

No momento de instalação dos serviços para o início da operação, a concessionária contratará os motoristas, cobradores e demais empregados que, na ocasião, trabalhem no serviço de transporte coletivo do município de Diadema, em especial a ETCD

Há uma dúvida jurídica em relação a este parágrafo do edital. Ele deixa claro que os funcionários da ETCD terão os empregos mantidos no momento da compra da empresa, para o início da operação, mas não explicita de quanto tempo será essa garantia de emprego. Somente o futuro próximo dos funcionários está garantido. Apesar disso, os administradores exploram politicamente esta suposta estabilidade.

A frota da ETCD, hoje sucateada pelas dificuldades de manutenção, devido às dívidas e cortes de gastos, deve ser renovada e ampliada. Serão 63 ônibus, que terão de apresentar GPS e computador de bordo, como consta no documento.

Todos os ônibus que integram a frota deverão dispor de equipamentos tecnológicos para o controle de pagamento e arrecadação das passagens (sistema de catraca e validador eletrônicos), controle de posição do veículo (GPS), controle de informações operacionais (computador de bordo) e transmissão remota de dados

A ETCD perdeu na Justiça a liminar pela qual pretendia suspender o pagamento de R$ 450 mil a uma de suas maiores credoras, a Viação Alpina. Não há recurso.

Adamo Bazani, busólogo e repórter da CBN, escreve no Blog do Mílton Jung

Veja o desempenho do vereador que pede seu voto

(Atenção: os dados desta lista sofreram modificações às 21:40)

 

adoteUma ótima oportunidade para você analisar seu voto na próxima eleição. Os 17 vereadores que concorrem aos cargos de Senador, deputado federal e estadual tiveram seu desempenho avaliado pelo Movimento Voto Consciente que acompanha o trabalho parlamentar na Câmara Municipal de São Paulo.

O parlamentar que obteve a melhor avaliação foi Carlos Alberto Bezerra Jr do PSDB – que disputa vaga para a Assembleia Legislativa – com média 7,57, enquanto José Olimpio do PP – candidato a deputado federal – fechou a lista com meros 4,01. Netinho de Paula quer ser Senador e teve o sexto pior desempenho na avaliação, com 5,43.

Um destaque negativo no desempenho dos 17 vereadores foi o fato de nenhum deles ter obtido nota acima de 6 na avaliação sobre o impacto dos projetos na cidade. Em compensação, o desempenho foi muito bom em relação a presença deles nas Comissões. Com exceção de Marcelo Aguiar (PSC), todos obtiveram notas acima de 7.

Foram usados cinco critérios para determinar as notas dos vereadores: impacto dos projetos de lei apresentados; presença nas comissões; presença nas votações nominais; avaliação de seus sites; e adequação entre as promessas de campanha e os projetos apresentados. Sonia Barboza, do Voto Consciente, explica que “nem tudo que um vereador faz está nesta avaliação, e os critérios usados são aqueles que mostram o trabalho dos vereadores dentro da Câmara, que pode ser medido com objetividade”.

Veja a nota média de cada um dos vereadores avaliados:

Carlos Alberto Bezerra Jr. (PSDB) 7,57
Eliseu Gabriel (PSB) 6,97
Gabriel Chalita (PSB) 6,94
Milton Ferreira (PPS) 6,70
Mara Gabrilli (PSDB) 6,52
Penna (PV) 6,42
Francisco Chagas (PT) 6,39
Jooji Hato (PMDB) 6,32
João Antonio (PT) 6,29
Toninho Paiva (PR) 5,96
Adolfo Quintas (PSDB) 5,48
Netinho de Paula (PCdoB) 5,43
Ricardo Teixeira (PSDB) 5,33
Gilson Barreto (PSDB) 5,33
Marcelo Aguiar (PSC) 5,19
Agnaldo Timoteo (PR) 4,98
Jose Olimpio (PP) 4,01

Na lista, não estão incluídos os vereadores inscritos como suplentes de senadores, casos do presidente da Câmara Antonio Carlos Rodrigues (PR); Goulart (PMDB) e Marta Costa (DEM).

Candidatos ao Governo confirmam presença no CBN SP

 

CBN SP painelOs nove candidatos ao Governo do Estado de São Paulo confirmaram presença na série promovida pelo CBN SP, a partir da semana que vem. Oportunidade para conhecer um pouco mais do perfil e das ideias de cada um dos que estão nesta disputa que, por enquanto, tem como maior favorito o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB). O crescimento de Aloisio Mercadante (PT) nas últimas pesquisas abre perspectiva de que a eleição estadual possa ir para o segundo turno, apesar de a vantegam do tucano ainda bastante ser confortável.

As entrevista vão ao ar às 10 e meia da manhã, no rádio e na internet, e terão duração de 30 minutos. De acordo com sorteio realizado com os assessores das campanhas, o primeiro candidato a ser entrevistado é Paulo Skaf do PSB, no dia 8 de setembro, logo após o feriado.

Os ouvintes-internautas são convidados a participar da série enviando suas perguntas e sugestões de temas a serem debatidos nos encontros. A intenção é que a partir do material enviado ao CBN SP possamos construir uma pauta para as entrevistas que atenda as demandas do cidadão. Portanto, enviar seu material para milton@cbn.com.br ou deixe publicado aqui no Blog na área destinada aos comentários.

Veja como ficou o calendário das entrevistas:

Dia 08.09.10 – candidato Paulo Skaf (PSB)
Dia 09.09.10 – candidato Celso Russomano (PP)
Dia 10.09.10 – candidato Paulo Roberto Bufalo (PSOL)
Dia 13.09.10 – candidato Luiz Carlos Prates (PSTU)
Dia 14.09.10 –  candidato Aloizio Mercadante (PT)
 Dia 15.09.10 – candidato Anai Caproni Pinto (PCO)
Dia 16.09.10 – candidato Geraldo Alckmin (PSDB)
Dia 17.09.10 – candidato Fábio Feldmann (PV)
Dia 20.09.10 – candidato Igor Grabois Olimpio (PCB)

A saúde pública que não está no horário eleitoral


Vítima de assalto descreve o atendimento médico recebido após o marido ter sido baleado e se envolvido em acidente de carro no qual a filha de apenas 20 dias foi ‘jogada’ pela janela do veículo. O CBN São Paulo, nesta segunda-feira, quer saber como um hospital municipal, gerenciado pela Universidade Federal de São Paulo e Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina, oferece ao cidadão este tipo de atendimento.

Registre-se o mérito da reportagem do Estadão que em lugar de reproduzir BO de delegacia foi ouvir a história de pessoas.

Agora o outro lado (publicado em 31.08/17:00)

A falha nos equipamentos e a dificuldade para o atendimento ao paciente foram negadas pela Secretaria Municipal de Saúde, em entrevista ao CBN São Paulo nesta terça-feira. O coordenador da gerência hospitalar da prefeitura Paulo Kron disse que o hospital municipal Vila Maria esta devidamente equipado, mas que os problemas relatados na reportagem seriam investigados.

Ouça a entrevista do representante da prefeitura, Paulo Kron

Zona Leste, a terceira maior cidade do Brasil

 

A possibilidade de o estádio do Corinthians se transformar em sede da Copa 2014 abre perspectivas para a zona leste de São Paulo. Já falamos sobre isso no CBN SP recentemente. A história e os desafios da região estão sob o olhar do jornalista Wellington Ramalhoso, do Jornalirismo, que tem pesquisado e analisado a ZL, apelidade de Zona Lost, como ele bem explica na introdução de sua reportagem:

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Rendo aqui minha homenagem ao anônimo morador de São Paulo que apelidou a região mais populosa da cidade, a Zona Leste, de Zona Lost. A expressão bilíngue que inventou não é superpopular, mas é ouvida aqui e ali com frequência entre jovens, carrega uma incrível precisão e tem forte sintonia com a história da região.

Se você é de fora da Zona Leste, provavelmente já ouviu falar na Mooca italiana, no comércio popular do Brás, no alvinegro Parque São Jorge, no Tatuapé e seu anexo luxuoso, o (plim-plim!) Jardim Anália Franco.

Embora lhe faltem cartões-postais, a ZL, como também é conhecida, é isso e muito mais. É Itaquera, Guaianazes, Penha e São Miguel. É Ermelino Matarazzo, Aricanduva, Itaim Paulista, Cangaíba e Sapopemba. É Belém, Água Rasa e Ponte Rasa.

São os bairros com nome de cidade: Cidade AE Carvalho, Cidade Líder, Cidade Patriarca e Cidade Tiradentes. São as muitas vilas, Alpina, Carrão, Diva, Ema, Formosa, Matilde, Nhocuné e Prudente. São os santos de casa que não fazem milagre: Santa Clara, São Lucas, São Mateus e São Rafael. E uma lista infindável de bairros, alguns com nomes um tanto irônicos, como Jardim Imperador, Vila Califórnia, Vila Nova York e Vila Rica.

A Zona Leste paulistana é uma grande região dormitório: tem quase 4 milhões de habitantes. Ou seja, se fosse um município, seria o terceiro mais populoso do país! E desde o início de sua configuração urbana, no século 19, a região é habitada pela classe operária.


Leia o texto completo na última edição do Jornalirismo

Avalanche Tricolor: Alucinações em campo

 

Atlético PR 1 x 1 Grêmio
Brasileiro – Curitiba (PR)

Ancheta e Vilson

Vou cometer um heresia. Responsabilizem meu saudosismo, meu desejo de rever ídolos, minha vontade de reencontrar atletas que tornaram o Grêmio grande e vestiram com orgulho a camisa do Imortal Tricolor. Sei o quanto soara absurdo para você gremista o que direi no parágrafo seguinte, mas dadas as circunstâncias e o sofrimento que nos impingem estes jogadores que aí estão, tenho mesmo tido alguns delírios ao assistir aos jogos do nosso time.

Desde a primeira vez que vi este zagueiro Vilson em campo – e isto foi na partida contra o Santos – me vem a memória a imagem de Ancheta, zagueiro que deu elegância à camisa 3, nos anos de 1970. Mesmo com poucos títulos, numa era difícil para o tricolor, foi escolhido o melhor zagueiro em atividade no Brasil, em 1973, e conquistou o campeonato que marcou minha vida como torcedor apaixonado, o Gaúcho de 1977, que interromperia a série seguida de vitórias do adversário.

Capitão da Celeste, comandou o time Uruguaio na Copa de 1970, Ancheta marcava os atacantes com precisão, sem botinadas – o que lhe rendeu muito nariz torcido da própria torcida. Com sua história ganhou o respeito e a admiração dos torcedores, muitos do quais o incluem na lista do melhor Grêmio de todos os tempos.

Com tantos atributos e importância, por que lembro de Ancheta desde que Vilson assumiu a posição de titular no Grêmio ? Talvez o cabelo grande e ondulado; talvez o nariz longo e empinado – de quem olha mais a frente -; talvez o jeito de pisar no gramado. Tudo isso mais o acaso de vestir a camisa 3, provavelmente mexam com a memória deste gremista em busca de uma esperança.

Hoje, quando Vilson foi para a área adversária e subiu muito mais alto do que todos podiam imaginar, cabeceou a bola com a intenção de jogá-la lá onde ela parou, e fez o gol de empate, achei graça da minha comparação. E gostei de pensar que ali estava Ancheta de volta ao time, disposto a dar um rumo para um time sem prumo e a nos colocar no lugar que a nossa história merece.

Claro, era apenas uma brincadeira oriunda na alucinação que me ronda nestes últimos meses. Que Ancheta me desculpe, mas a lembrança dele me ajuda a encarar a fase de provação pela qual passamos.