Da maloca querida à favela temida

 

Por Carlos Magno Gibrail

Foto da Galeria de George Campos no Flickr

Saúde, educação e habitação, trinômio básico para o bem estar de qualquer população. A acrescentar apenas mais três necessidades urbanas contemporâneas: segurança, transporte e previdência social. Temas adequados ao momento nacional, véspera de eleições estaduais e federais.

As variações climáticas extremas ocorridas recentemente, tal qual no passado, quando antecederam e aceleraram rupturas, como a Revolução Francesa, ressaltaram o problema habitacional brasileiro com o alastramento das favelas, extensa e intensamente.

Em 1897, Prudente de Moraes decidiu exterminar Canudos e seu líder Antonio Conselheiro arrasando a “Cidadela” para mostrar ao mundo que o Brasil tinha reconquistado o território do “incompreensível e bárbaro inimigo” como descreveu Euclides da Cunha. A desinformação governamental existente ficou evidenciada na duração da batalha de junho a outubro daquele ano, travada contra a população instalada em morros, entre eles o Morro da Favela, batizado com o nome da planta que o cobria, favela.

De volta ao Rio, sem o soldo prometido, os combatentes se instalaram no Morro da Providência e levaram a alcunha de favela trazida de Canudos. Com a Lei Áurea de 1888, e as reformas urbanas de Pereira Passos em 1902, o Rio iniciou a era das favelas. Ex-combatentes, ex-escravos e ex-moradores do centro da cidade passaram a ser favelados.

De lá até cá, somos a 8ª economia do mundo, mas dos 200 milhões de brasileiros 50 milhões vivem em favelas. Do Rio a São Paulo, que viu no processo de industrialização e urbanização a partir de 1950 o início do problema das favelas, a questão é efetivamente considerada como algo negativo a ser resolvido, embora visto de diferentes ângulos. De origem e de tratamento.

Os que consideram os favelados migrantes se integrando ao meio urbano e criando lugar que possa lembrar o campo, sugerem que é preciso treiná-los e reurbanizar o espaço, fazendo com que gradativamente passem a se incorporar ao mercado de trabalho e à cidade.

Outros visualizam as favelas como local onde se obtém votos, e neste aspecto visitam-nas constantemente, fazendo promessas e interferindo na vida da comunidade, agindo com acentuada demagogia, colocando o interesse eleitoreiro em primeiro lugar.

Há quem veja as favelas apenas como território de marginais e defende a total destruição, tipo Canudos.

Alguns mais criativos e românticos se inspiraram e compuseram sucessos musicais. Dorival Caymmi: “Eu não tenho onde morar. É por isso que eu moro na areia. Eu nasci pequenininho como todo mundo nasceu. Todo mundo mora direito. Quem mora torto sou eu.” (ouça aqui)

Jota júnior e Oldemar Magalhães: “Favela amarela. Ironia da vida. Pintem a favela. Façam aquarela. Da miséria colorida.”

Adoniran Barbosa: “ …O dono mando derrubá.Peguemo tudo a nossas coisa.E fumo pro meio da rua…” (ouça aqui)

Os mais técnicos como o economista Sérgio Besserman, em recente entrevista a Veja, tendo em vista a tragédia carioca, sugere que em casos de risco de terrenos contaminados ou íngremes, inevitavelmente a remoção é a saída correta. Em casos como as grandes favelas, tipo a da Rocinha no Rio, onde há uma enorme população é prudente reurbanizar. Quando não há este empecilho defende categoricamente a remoção: “Em contradição com a opinião dominante, acho que há muitos casos em que a remoção se justifica. Encarando uma questão de fundo econômico que é central: as áreas favelizadas provocam uma acentuada degradação da paisagem da cidade, um ativo cujo valor é incalculável. Portanto quando uma análise de custo-benefício revelar que a realocação de uma favela trará retorno financeiro e social elevados, por que não cogitar sua remoção?”

Besserman ressalta, todavia a fundamental questão da autoridade do Estado e do ordenamento jurídico no âmbito das favelas: “É preciso fazer primeiro o básico do básico: o Estado deve recuperar o monopólio da força nos territórios hoje dominados pelos bandidos. As favelas são lugares em que milhões de pessoas vivem sob outras leis que não a do estado de direito democrático. Na prática elas não estão sob a órbita da Constituição Brasileira.”
Considerando que o Brasil estará sendo observado dentro em breve em função da Copa e das Olimpíadas, e ainda este ano em eleições, é imprescindível absorver a lição de Canudos. É preciso discernir no uso das armas adequadas. Os canhões para os bandidos, a técnica para a estratégia e honestidade acima de tudo para o país e para a nação.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas no Blog do Mílton Jung

Eles viajaram nas fotos

 

Leão Serva

Os caras sempre foram conhecidos pelo talento em outras áreas. Escrevem, inventam, medicam, consultam e ensinam. De repente tomam coragem e decidem se expor ao público através do olhar diferenciado que captaram com suas máquinas de fotografia. Manipulam as imagens sem pudor com o objetivo de torná-las ainda mais interessantes, oferecem além do que a própria lente seria capaz de enxergar. E, agora, tentam transformá-las em valores que dêem suporte ao Instituto Democracia e Sustentabilidade, recém-criado com a ideia de colocar a questão ambiental na agenda política brasileira.

Falo de Caio Tulio Costa, Leão Serva, Adolfo Lerner e Beto Ricardo que reuniram seus trabalhos fotográficos em mostra que está aberta, sempre após o meio-dia, no Espaço de Arte Trio, na rua Gomes de Carvalho, 1759, na Vila Olímpia. E que se encerrará no dia 1º de junho com a realização de um leilão em benefício à causa defendida pelo IDS.

Para ilustrar esta conversa, duas imagens que surgiram da polaroide do Leão, feitas a partir do mesmo ponto, para o mesmo lado, mas com intervenções que mudam seu significado.

Vereadores discutem se o seu bairro terá mais prédios

 

São Paulo de concreto 3

O bairro do Ipiranga virou cenário de discussão entre os vereadores José Police Neto (PSDB) e Chico Macena (PT), que participaram de entrevista sobre o substitutivo do Plano Diretor, no CBN São Paulo. O texto elaborado pelo líder do Governo na Câmara, após debates realizados na Comissão de Políticas Públicas do legislativo municipal, pretende incentivar a construção de imóveis em áreas importantes da cidade que, segundo alguns setores, estariam saturadas. Ou seja, não haveria mais espaço para prédios sejam comerciais sejam residenciais.

Macena foi quem citou o Ipiranga, na zona sul da capital, como exemplo de região que não teria estrutura para enfrentar mais uma fase de verticalização. Porém, há outros bairros que podem passar pela mesma situação em vista do texto que será votado até o fim do ano pela Câmara Municipal.

Police Neto respondeu que a proposta dele não tinha esta intenção. O tucano entende que a própria Câmara poderá definir melhor as regiões em que deve haver, por exemplo, incentivo para moradias de interesse social. Além disso, lembrou que há proposta bastante clara para ocupação no entorno das vias férreas.

Acompanhe o debate dos vereadores Police Neto e Chico Macena e participe das discussões na Câmara Municipal.

Veja mais destaques da pauta #cbnsp
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GPS com antiradar –
O uso de GPS com informações sobre radar na cidade de São Paulo é permitido por lei, segundo o advogado Ciro Vidal. O Código Brasileiro de Trânsito exige que a localização dos radares seja pública. Porém, ele ressalta que o uso de equipamentos capazes de burlar os radrares é proibido. Ouça o que diz Ciro Vidal sobre o tema.

Dia do Desafio – Os paulistanos estão convidados a realizarem, atividades físicas nesta quarta-feira quando se realiza em cidades do continente americano o Dia do Desafio. Para participar, basta realizar a ação que pode ser uma simples caminhada até a disputa de competições esportivas e registrar o feito pelo telefone 0800-11-82-20. Para entender os objetivos do evento acompanhe a entrevista da coordenadora do Sesc Luciane Perin.


Epoca SP na CBN –
John Pizzarelli no Bourbon Street é uma das atrações musicais desta terça-feira, em São Paulo. Ouça mais dicas com Luciano Marsiglia.

Esquina do Esporte –
A seleção brasileira perde tempo ao enfrentar equipes como o Zimbábue e a Tanzânia, mesmo que os jogos sejam vistos apenas como treinos um pouco mais fortes, antes da Copa do Mundo. A opinião é de Mário Marra e Marcelo Gomes que participaram do quadro esportivo do CBN SP.

Foto-ouvinte: Esquina do mundo

 

“Uma celebração de todos os paulistas, onde quer que tenham nascido”, escreveu Luis Fernando Gallo, nosso colaborador e ouvinte-internauta, sobe a 15a. Festa do Imigrante, que se realizou neste domingo, na Hospedaria do imigrante, no Brás. Além de compartilhar com a gente alguns momentos deste encontro que se repetirá domingo que vem (30.05), Luis Fernando sugere o passeio de Maria Fumaça.

O serviço da festa:

Local: Memorial do Imigrante – Rua Visconde de Parnaíba, 316 – Brás
Preço: R$ 5
Meia entrada: R$ 2,50 (é preciso apresentar a Carteira de Estudante)
Isentos: Maiores de 60 anos e crianças até 7 anos isento; professores (mediante comprovação)
A entrada pode ser paga com cartões de crédito ou débito, mas o consumo de alimentos deve ser pago com dinheiro
Mais informações: (11) 2692-1866 / 2692-2497 / 2692-1335

Ônibus em São Paulo anda mais devagar que galinha

 

Corredores mal planejados reduzem a velocidade dos ônibus para até 12km/h, em média, enquanto as galinhas atingem velocidade de até 15km/h.

Adamo bazani

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Uma fila de ônibus no correr da Santo Amaro, zona sul da capital, é o que se percebe na primeira foto do acervo de Alberto Gomes, feita em 1988. No primeiro plano há um Caio Amélia Mercedes Benz da Gatusa, outro da São Luis e um Marcopolo Torino Scania da CMTC – Companhia Municipal de Transportes Coletivos.

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Uma imensa fila de ônibus no corredor das avenidas Rebouças e Eusébio Matoso, sem ponto de ultrapassagem, é o que se vê na imagem feita pelo repórter fotográfico da Folha Imagem, Renato Stockler, em 2005.

Especialistas em trânsito e mobilidade urbana são unânimes em dizer que os corredores de ônibus são uma das medidas para melhorar os deslocamentos urbanos, diminuir congestionamentos e atrair os passageiros dos carros para o transporte público. Os ganhos ambientais com a redução das frotas de carros de passeios também são grandes. Um ônibus pode tirar das ruas de 20 a 40 carros de uma só vez. São dezenas de escapamentos sendo substituídos por um único veículo. Esses ganhos se tornam maiores ainda se os corredores de ônibus contarem com veículos de tecnologias limpas como os trólebus.

Cidades de condições econômicas diferentes mostraram que corredores modernos podem, sim, ajudar e muito nos problemas urbanos.

Lion, na França, possui um dos mais modernos sistemas de ônibus elétricos, integrados até mesmo com carros de passeio, que param em determinados pontos, em bolsões de estacionamento, para seus donos seguirem para as áreas mais movimentadas de transporte público. Curitiba, no Paraná, o primeiro sistema de ônibus expressos do mundo, inaugurado em 1974, foi um dos agentes principais para remodelar a cidade, que é considerada modelo. Na Colômbia, o Transmilênio é um dos casos mais bem sucedidos da América do Sul, contando com ônibus modernos, de grande capacidade, num sistema que agiliza as operações com o pagamento da passagem antes do embarque e pontos de ultrapassagem. Entre São Mateus, na zona Leste da Capital Paulista, e Jabaquara, na zona Sul de São Paulo, passando pelos municípios do ABC Paulista, o corredor, na maior parte dos trechos segregado dos demais veículo e eletrificado, foi considerado por um índice de qualidade da EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, que leva em consideração a opinião dos usuários, entre outros fatores, o melhor sistema de ônibus intermunicipal do Estado de São Paulo. O fato de a maior parte do corredor ser eletrificada, é um dos pontos apontados como positivos pelos usuários.

Enquanto isso, na capital paulista, os corredores de linhas municipais, apesar de apresentarem avanços e melhorias ainda têm muito a ser modificados.  A partir de 2001, houve um grande contrassenso em relação a tecnologias limpas nos corredores. Ligações como as da Nove de Julho e de Santo Amaro, na gestão da então prefeita Marta Suplicy perderam as redes aéreas de alimentação, aposentando quase metade dos trólebus em São Paulo. A velocidade média dos ônibus, atualmente,  é considerada muito baixa para o esperado, de acordo com os dados da própria CET e SPTrans. (A velocidade nos corredores você confere abaixo). Não há pontos de ultrapassagem para os ônibus e, muitas vezes, os corredores se limitam a faixas pintadas na via comum ou separadas por um canteiro. Mas por que isso?

Na história da formação dos corredores de São Paulo é possível encontrar algumas respostas, com fatos e não com opiniões apenas.

Um destes fatos foi a falta de planejamento. A cidade cresceu privilegiando os carros, quando se passou a investir nos corredores havia pouco espaço para serem implantados. A maior parte surgiu defasada e sem estar preparada para absorver o aumento da demanda provocado pelo crescimento da cidade.

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Novas estações ainda não aliviarão metrô

 

Linha Amarela do Metrô de São Paulo

A entrega das duas primeiras estações da linha 4-Amarela do metrô não será suficiente para amenizar a situação daqueles que se aglomeram nas plataformas e enfrentam dificuldades par embarcar nos vagões nos diferentes ramais do sistema. A inaguração será nessa terça-feira e a nova linha que funcionará em sistema de teste durante as próximas semanas ligará a avenida Faria Lima, no Largo da Batata, até a Avenida Paulista. Para que os primeiros resultados sejam percebidos será necessário que a extensão da linha ocorra ao menos com a abertura de mais duas estações – Butantã e Pinheiros – o que deve ocorrer até o fim do ano.

Novo modelo de concessão e tecnologia avançadas são marcas da linha 4-Amarela, conforme destacou em entrevista o secretário estadual de Transportes Metropolitano José Luis Portela. O novo trecho deverá ser percorrido em pouco mais de 6 minutos, o que oferecerá enorme ganho principalmente para os passageiros de ônibus que hoje perdem de 20 a 30 minutos, apesar da existência de um corredor exclusivo.

Para conhecer as novidades que estarão disponível acompanhe aqui a entrevista com o secretário Portela que foi ao ar, nesta terça-feira.

Lixo da cidade

 

O lixo toma o espaço dos pedestres na rua Maria Branca, Vila Rosária, em São Miguel Paulista, zona leste de São Paulo, conforme registra o colaborador e ouvinte-internauta Marcos Paulo Dias. “No local, proliferação de insetos e roedores”, relata.

Lixo na maria branca

Não muito diferente é a situação encontrada pelo repórter da CBN Juliano Dip que no sábado passou pelas margens do rio Tamanduateí, desde o Viaduto Grande São Paulo até a rua São Raimundo.

Lixo no Tamanduateí

Paixão uniu música e games

 

Marcelo Martins sempre gostou de videogame e mesmo casado não abre mão de se divertir diante do monitor. Desde o início do ano tem uma ótima desculpa para continuar “brincando”: montou uma empresa com mais três colegas na qual produzirá música para videogames. Com ele, estão Daniel Maudonnet, André Tavares e Patrick Andrews que apostam no crescimento deste mercado no Brasil, além da possibilidade de passarem a trabalhar com desenvolvedores no exterior.

Nesse sábado, conversei com Marcelo no CBN São Paulo. Você confere a entrevista aqui e nos links a seguir ouve algumas das trilhas compostas pelo quarteto.

Música_videogame_1

Música_videogame_2

Passeio e cultura no cemitério

 

A importância da Marquesa de Santos vai muito além do que se conhece nos livros de história. Por obra dela foi possível a construção do Cemitério da Consolação que foi ponto de encontro de um grupo de paulistanos, nesse fim de semana. Foi de lá que Carlos Beutel e Laércio Cardoso de Carvalho conversaram comigo, no CBN SP desse sábado, sobre o projeto “Visita à Arte Tumular˜, no qual visitaram túmulos de pessoas famosas como dos escritores Monteiro Lobato, Oswald e Mário de Andrade e conheceram obras de artes assinadas por Victor Brecheret e Luigi Brizzolara.

Na entrevista que você ouve aqui conheça mais histórias sobre a Marquesa de Santos e o cemitério da Consolação.

Conheça mais nos sites Caminhada Noturna e Arqbacana