Copa & Aeroportos

 

Por Carlos Magno Gibrail

Aeroporto de Congonhas por Luis F Gallo

A FIFA, fazendo jus às mais errôneas tipologias de gestão, que a caracteriza, ignora também a Lei de Pareto. Ou, mais grave ainda, aplica-a da forma não indicada. Cuida dos 20% que poderão no máximo solucionar 80% das questões não cruciais à execução da Copa 14 no Brasil. Ao invés de tratar dos 20% que resolveriam 80% das operações mais significativas para um evento bem organizado: Infra-estrutura e estádios inexistentes.

Enquanto foca atenção no estádio do Morumbi, que é dentre os indicados o que menos deveria preocupá-la, pois já existe e o investimento a ser feito será privado, ignora a capacidade urbana das cidades, sem a qual os consumidores nem chegarão para assistir ao espetáculo.

Cabe então à imprensa o alerta, que já começou. A revista Veja de 4 de abril elencou vários tópicos à Infraero com críticas severas , ao que a Infraero contrapôs, alegando ainda que tinha encaminhado dados solicitados pela revista , e que não foram considerados na análise.

Para Veja: Guarulhos, Brasília, Salvador estão com pátios saturados – as companhias aéreas estão anunciando bilhões em investimentos sem contrapartida da Infraero – o que está ruim vai piorar – há corrupção na Infraero – o número de passageiros está dobrando nos principais aeroportos – nos horários de pico é o caos – em Seul com 30 milhões de passageiros/ano há 120 guichês de atendimento da polícia, em Cumbica para 21 milhões de passageiros/ano há 21 guichês – nas salas de embarque a recomendação é ter 1m2 por pessoa, em Congonhas, Confins, Porto Alegre , Brasília e Fortaleza não é o que acontece.

Para a Infraero: Guarulhos, Brasília, Salvador estão com pátios saturados apenas nos picos e as companhias podiam estender os horários – a Infraero vai investir 7 bilhões até a Copa – não haverá caos se considerar os investimentos e a melhoria dos sistemas – a corrupção está sendo combatida – as ampliações atenderão a demanda – pela otimização sugerida pela IATA não há como ter capacidade para o pico e ficar com o aeroporto vazio fora dele – haverá aumento dos guichês da policia federal de 21 para 29 – as causas para as salas de embarque não apresentarem espaços mínimos de 1m2/pessoa deve-se normalmente a condições climáticas e atrasos de vôos, independentemente da atribuição da Infraero.

Acrescentemos a informação publicada na Folha de domingo que Cumbica no primeiro bimestre apresentou aumento de 50% comparativo a 2007. Chegamos a uma situação de risco, se mantida a tendência. Considerou-se o ponto de partida de 20,5milhões de passageiros/ano 2010 para estabelecer a capacidade instalada para 2014 de 30,5 milhões de passageiros para uma estimativa de 29,5 milhões de passageiros. Ora, se em 3 anos, com crise financeira mundial no meio, chegou-se a 50%, em 2014 o fluxo será maior.

Fica evidente que aspectos como os dos aeroportos, que envolvem Governo, Infraero e companhias aéreas que não se entendem, além de variáveis mercadológicas e econômicas, são complexos e merecedores de um acompanhamento amplo e permanente, administrativo e técnico.

Mais uma vez concluímos que o futebol, embora sendo o artigo esportivo mais popular do mundo, continua a demonstrar que as empresas que o oferecem não obedecem as melhores práticas de administração. Quer se trate de organização, de finanças, de operação ou de marketing.

Os sistemas sucessórios são ditatoriais com as piores maneiras de manutenção do poder. As tecnologias são rechaçadas com intenção de manter sob controle o incontrolável, ficando com o poder sob a arbitragem humana.

É por isso que a categoria futebol, mesmo sendo esporte líder mundial e as empresas que o representam tendo marcas de massa, consumidores fidelizados e apaixonados (sonho de qualquer executivo do mundo dos negócios), não tem nenhuma organização no ranking das maiores companhias do planeta.

Carlos Magno Gibrail, doutor em marketing de moda e escritor do Blog do Mílton Jung às quartas-feiras, está publicado hoje devido ao feriado de 21 de abril.

Foto-ouvinte: O Bruce Wayne da CBN

 

Batkombi

Na tentativa de esconder sua identidade por trás da máscara do morcego, Heródoto Barbeiro parece ter deixado escapar um detalhe que não passou desapercebido pelo ouvinte-internauta Fazoli. A famosa kombi do mestre foi flagrada circulando na cidade com a tradicional marca do super-herói de Gottan City que tem sido altamente requisitado pelos moradores da capital paulista. Heródoto Bruce Wayne Barbeiro ainda não fez nenhuma declaração oficial sobre o achado da Batkombi.

Trólebus completa 61 anos sem poluir e sob ameaça

 

No dia 22 de abril, o trólebus comemora 61 anos no Brasil e o “Ponto de ônibus” apresentará três reportagens relatando a trajetória deste modelo de transporte de passageiros, no Brasil, ilustradas com imagens históricas. Conte você também sua experiência com o trólebus.

TRÓLEBUS ACLIMAÇÃO 1949

Por Adamo Bazani

Em 61 anos de Brasil, evoluiu muito, cresceu, mudou de visual várias vezes, ficou mais bonito e mais forte. E, levando em consideração a idade, podemos dizer que ficou, também “prá frentex”. Mesmo assim, o trólebus não recebe o valor que merece e foi rejeitado em vários lugares.

As primeiras operações comerciais deste ônibus 100% não-poluente foram em São Paulo, no dia 22 de abril, de 1949. A CMTC inaugurava a linha Aclimação / Praça João Mendes, de 7,2 km de extensão, em substituição a linha 19 dos bondes da antiga Light, empresa que teve os bens assumidos pela companhia municipal entre 1946 e 1947.

Apesar de os primeiros trólebus terem sido importados dois anos antes do início de sua operação, a ideia de implantar um sistema de ônibus elétrico (já consagrado na Europa e Estados Unidos) na cidade de São Paulo é anterior a esta época. Em 1939, a Comissão Municipal de Transportes Coletivos entregou a Prefeitura parecer favorável à adoção de ônibus elétricos na cidade. Neste mesmo ano, foi iniciado o estudo para a implantação da primeira linha, justamente servindo o bairro da Aclimação.

Mas as coisas andavam lentas demais no poder público municipal. O transporte na cidade estava completamente desorganizado. As empresas de ônibus disputavam regiões de alta demanda e melhor infra-estrutura, e as demais eram abandonadas pelos prestadores de serviço. A Ligth, que operava os bondes na Capital, depois dos sustos das Guerras Mundiais, perdeu o interesse neste modelo de transporte. Ficou no sistema até o fim do segundo grande conflito obrigada por força da lei, já que os bondes se tornaram essenciais com a crise sem precedente no fornecimento de petróleo.

A visão de vários administradores públicos em todo o mundo se voltava para os ônibus elétricos. Mas quem assumiria este sistema? Quem investiria na implantação de redes aéreas e novos veículos, importados e mais caros ?

Os empresários que tinham passado por muitas dificuldades para manter suas operações devido ao encarecimento do combustível e das peças no período da Segunda Guerra não se arriscariam num investimento tão alto.

Assim, pode-se afirmar que o trólebus no Brasil teve sua implantação e manutenção ligadas ao investimento público. E foi justamente a recém-criada empresa pública de São Paulo, a CMTC – Companhia Municipal de Transportes Coletivos – que assumiu o investimento para colocar o Brasil na rota dos ônibus elétricos.
Para operar a primeira linha, foram importados 30 veículos com as seguintes configurações:

–  06 unidades de chassi Pulman Standard, carroceria da mesma marca e sistema elétrico Westinghouse norte-americanos,.
– 20 unidades de chassi War La France, carroceria Wayne e sistema elétrico Westinghouse, também dos Estados Unidos e
– 04 unidades de chassi English Associated Equipament Company, carroceria da mesma marca e sistema elétrico BUT – British United Traction, da Inglaterra.

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Pauta do dia #cbnsp 19.04.2010

 

Jardim Pantanal

Jardim Pantanal – Cenário de uma das tragédias do verão paulistano, o Jardim Pantanal mudou pouco desde que foi decretado estado de calamidade, há dois meses. A repórter Pétria Chaves sobrevoou o local com o helicóptero da CBN e identificou vários focos de lixo próximo aos córregos da margem do rio Tietê. As ruas estão úmidas – conforme ela descreveu -, apesar de não haver mais alagamentos.

Praça Roosevelt – A prefeitura de São Paulo anuncia mais uma tentativa de recuperação da praça Roosevelt: 1º de junho começam as obras, disse a gerente de intervenções urbanas da Emurb, Rita Gonçalves. A burocracia é o motivo para os atrasos no projeto de revitalização da área que vem sendo debatidos ao menos há cinco anos. Quanto a convivência de comerciantes, clientes e moradores do entorno da praça, Rita Gonçalves disse que depende muito mais do interesse das partes em entrarem em um acordo do que do poder público.

Morador de Rua – A secretária municipal da Ação Social Alda Marco Antonio será convocada para divulgar os dados do censo sobre os moradores de rua na capital paulista. Foi o que disse o vereador Chico Macena (PT) que preside a Frente Parlamentar das Pessoas em Situação de Rua. Ele participou de debate promovido pelo CBN SP com a vereadora Sandra Tadeu (DEM) que apesar de ocupar a vice-presidência da frente confessou conhecer muito pouco sobre o assunto. Acompanhe o debate que foi ao ar, nesta segunda-feira, e participe das reuniões da frente parlamentar quintas-feiras, às cinco e meia da tarde, na Câmara Municipal de São Paulo.

Esquina do Esporte – A construção do time do Santos se deve a mística que existe em torno do clube e a infraestrutura desenvolvida na última década. É a opinião de Deva Pascovicci e Victor Birner sobre a equipe que se transformou na sensação do futebol brasileiro neste 2010 e está próximo de conquistar o título de campeão paulista.

Época SP na CBN – Moby na sexta-feira em São Paulo é uma das principais atrações culturais desta semana e está nas dicas do Rodrigo Pereira. Para hoje, tem Virginia Rosa e Rivotril.

Senadores mais jovens em 2010

 

Por Antonio Augusto Mayer dos Santos

Este ano haverá eleição para 2/3 das cadeiras do Senado Federal. Não se pode invocar o adjetivo “renovação” para estas 54 disputadas e atrativas vagas porque tradicionalmente os Senadores são reeleitos. Porém, ante a escassez de projetos convincentes e ainda diante dos últimos escândalos que macularam a Casa, está na hora dos cidadãos promoverem uma alteração na sua composição a partir de um elemento sutil: a idade de seus integrantes.

Atualmente, para concorrer ao Senado Federal, o cidadão ou cidadã precisa ter 35 anos no dia da sua posse. Todos os pretendentes deste ano, em todos os Estados, assim precisarão documentar sua idade na Justiça Eleitoral. Todavia, tramita na Câmara dos Deputados, sob apoio de respeitados e respeitáveis parlamentares, a Proposta de Emenda Constitucional nº 20/07 visando reduzir de 35 para 30 anos a idade mínima para os candidatos aos cargos de Presidente e Vice-Presidente da República e Senador. Segundo sua autora, a deputada federal Manuela D’Ávila (PCdoB-RS), a exigência de 35 anos corresponde a um “conceito ultrapassado de que experiência está vinculada à idade”.

Oportuna e bem fundamentada, esta PEC, embora desconhecida da maioria, reflete coerência à última edição da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (PNAD) cujo resultado concluiu pelo cadastramento de 40 milhões de eleitores brasileiros com idade entre 16 e 30 anos. Este fator é significativo e merece ser considerado porquanto diz respeito ao universo eleitoral do país.

Ao questionar conceitos tradicionais, supostamente intocáveis, a proposta, que ameaça feudos e Gabinetes inteiros por conta de suas projeções, traz um texto que desconstitui o conhecido truísmo assentado na (falsa) máxima de que a experiência, necessariamente, está vinculada à idade. Logo surge a indagação: como se mensura a experiência de alguém para a política? “Ter experimentado muitas coisas ainda não quer dizer que se tem experiência”, já ponderava Marie von Ebner-Eschenbach no início do século XX. Se a um ângulo ninguém ou nenhuma instituição, salvo extravagância, despreza a experiência como fator estratégico em qualquer ramo de atividade, por outro, a frase da escritora austríaca se insere num contexto quando o assunto diz com o exercício de cargos eletivos.

Evidenciando o cabimento da PEC, uma rápida consulta a recentes projetos formulados por Senadores com mais de 35 anos vai revelar a presença de erros gramaticais e justificativas confusas ou inconsistentes, ainda que suas excelências tenham exercido mandatos anteriores como Vereadores, Deputados ou Governadores.

Neste sentido, a proposta também potencializa a neutralização de duas anomalias: a feudalização de bancadas ou mandatos e a protelação do ciclo natural de renovação das lideranças políticas e partidárias.

Por outra, está cientificamente comprovado que é antes dos 30 anos que o ciclo de plenitude da vitalidade mental e intelectual inicia sua ascensão mais vigorosa. Prova disso e, conseqüentemente, da adequação da PEC são, por exemplo, as estatísticas de aprovação em concursos públicos e a consolidação de importantes instituições voltadas ao estudo e desenvolvimento de diversos setores impulsionadas por profissionais com idade inferior a da faixa etária da PEC.

É essencial que prevaleça uma distinção entre experiência e senso de responsabilidade. Ora, enquanto aquela está vinculada ao acúmulo de vivências, conhecimentos e práticas, o outro independe da idade para o exercício de atribuições ou mandatos. Tanto assim que se pode ter responsabilidade sem experiência quando esta não consolidar aquela, salvo se, apenas na Argentina e nos EUA, onde se exige dos candidatos à Presidência e ao Senado a idade dos 30 anos, mencionados conceitos sejam distintos dos daqui.

Eleger Senadores e Senadoras mais jovens neste outubro de 2010 é uma ação que projeta renovações e rompe arcaísmos impregnados de mitos e estereótipos. Congressistas probos, desvinculados de passados nebulosos e mais dinâmicos ou produtivos certamente oxigenarão o Senado Federal.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Cidade bonita é cidade eficiente

 

Em entrevista ao Estadão, neste domingo, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) anunciou que “a cidade vai ficar mais bonita de novo”. Falou em momento de virada, retomada de obras e investimentos com um discurso bastante otimista para quem sofreu forte desgaste em sua popularidade nos últimos meses e encerrou o período de verão com 18 mortes provocadas pelas enchentes, cinco vezes mais do que no ano anterior.

Kassab não levou em consideração esta tragédia que São Paulo encarou nos temporais, pois na entrevista ao jornalista Diego Zanchetta insistiu que, em 2009, fez a lição de casa e não endividou a capital.

Uma cidade não pode ser medida apenas pelo dinheiro que tem em caixa, mas pela maneira como as pessoas vivem e são respeitadas nela. O que aconteceu no verão paulistano não é coerente com o discurso do “fizemos o que tinha de ser feito”.

O prefeito me fez lembrar, também, do Projeto Belezura, criado na gestão da prefeita Marta Suplicy (2000-2004), que se resumiu a umas pinceladas no muro do Pacaembu e a palmeiras imperiais plantadas em avenidas. Desta vez, Kassab fala em asfalto nas ruas.

Mas São Paulo precisa mais do que isso. O trânsito tem de fluir, o transporte de passageiros tem de rodar em corredores exclusivos, as calçadas tem de ser decentes, a assistência social tem de existir, a infra-estrutura tem de ser ampliada e passar por manutenção, o serviço público tem de respeitar o cidadão e ser rápido no atendimento às suas demandas, as pessoas tem de ter acesso a ampla rede de saúde e educação, a fiscalização tem de estar atenta para impedir abusos a lei, entre outros aspectos que transformam de verdade o ambiente urbano.

A cidade de São Paulo não precisa ser mais bonita, tem de ser mais eficiente.

Foto-ouvinte: Reabilitar, incluir e acessar

 

“Não tenho palavras para descrever o que é que a gente sente quando vê de perto a realidade e as dificuldades que os estimados 20 milhões de deficientes têm no seu cotidiano”, escreveu o colaborador do Blog, Luis Fernando Gallo, após estar na Reatech, feira internacional que trata de tecnologias de reabilitação, inclusão e acessibilidade de pessoas com deficiência.

Sem palavras, descreve suas sensações em uma série de imagens feitas durante a visita no Centro de Exposições Imigrantes.

Conte Sua História de São Paulo: Reveillon no ônibus

 

Maria das DoresPassar o reveillon dentro do ônibus e passear com as amigas até os cinemas da cidade estão nas lembranças da ouvinte-internauta Maria Francisca das Dores registradas pelo Museu da Pessoa para o Conte Sua História de São Paulo. Natural de Passos, interior de Minas, veio para a capital trabalhar na casa de uma família aos 20 anos. Desde aquela época construiu uma relação de carinho com São Paulo, apesar de considerar a cidade, atualmente, muito insegurança.

Ouça o depoimento de Maria Francisca das Dores, sonorizado por Cláudio Antônio

Você também pode participar deste quadro que vai ao ar aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN SP. Agende um entrevista pelo telefone 011 2144-7150 ou no site do Museu da Pessoa e Conte Sua História de São Paulo.

De seu Antônio

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça “De Seu Antônio”, escrito, falado, fotografado e sonorizado pela autora

Céu por Maria Lucia Solla

ah seu Antônio
andei pensando melhor
e cheguei à conclusão

não sou eu que tenho a vida
mas é ela que me tem

viemos aqui para ser
às vezes brincar de ter
olhar e acreditar ver
dizer e acreditar saber

mas na verdade seu Antônio
o que a gente tem
é pura e simples ilusão
e mais nada não

mesmo a dor
aquela que dói de verdade
mesmo o amor
aquele que sacode aprisiona
e te joga de cara na lona
não existe

acredita?

a vida é sonho
que quando pesadelo
dá um medo medonho
um arrepio constante
que parece frio
tem jeito de calafrio
mas que nunca é feio o bastante
pra que a gente dele desista
pra que a gente perca o rumo de vista

uma curva mais fechada aqui
um descampado ali
uma cabana com lenha no fogão
e desenho de fumaça vindo lá do galpão

isso é viver de verdade
não ter de nada e de ninguém saudade
se aninhar na cabana
tendo um anjo de proteção
de campana
e amar
amar
amar

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung pra alegria de todos nós, Antônios


Você ainda vai ter um dia de Alice

 

Por Dora Estevam

Ela está por toda parte. Pode ser vista nas embalagens de maquiagem, nas estampas de camisetas, nos editoriais de revistas de moda (as mais importantes do mundo), também em desfiles e exposições.

Já sabem de quem estou falando?

Não, não é da Lady Gaga. É Alice. Sim, ela mesma. De ”Alice no País das Maravilhas”.

Alice 1 Capa TeenVogue

Criada em 1865 e agora resgatada por Tim Burton, a personagem, interpretada pela atriz Mia Wasikowska, virou febre nos mercados da moda e beleza, a começar pelos Estados Unidos, onde o filme já foi lançado. Com agenda cheia, a atriz quase não tira o vestido azul-celeste, mesma cor do usado pela personagem no filme, como podemos ver na capa da Teen Vogue de março.

Com estreia programada para a próxima semana aqui no Brasil, a releitura deste clássico da literatura fantástica de Lewis Carroll tem causado alvoroço na moda. Estilistas enlouquecidos com as roupas e o figurino do filme fizeram versões do modelito azul.
 
Até a poderosa Anna Wintour editora-chefe da Vogue América, se rendeu e dedicou várias páginas a Alice. Anna buscou um time peso-pesado para a produção do editorial: Olivier Theyskens, Tom Ford, Helmut Lang, Marc Jacobs, Karl Lagerfeld (para Chanel Haute Couture), Jean Paul Gaultier, Viktor & Rolf, Stephen Jones (para Christian Lacroix Haute Couture), John Galliano (para Christian Dior Haute Couture), Donatella Versace (para Atelier Versace) e Nicolas Ghesquière (para Balenciaga). 

Detalhe: a movimentação começou com o início das filmagens. No ensaio, cada estilista veste a modelo com o vestido azul do filme, o que remete a cada cena e ao cenário escritos no livro. Um verdadeiro affair do cinema com a moda. A personagem foi encarnada pela top  Natalia Vodianova e as fotos feitas por Annie Leibovitz.
 
Alice 2 ensaio
 
Ao que tudo indica o filme vai dar lucro também fora das telas, são incontáveis os produtos lançados: a marca de esmaltes OPI criou quatro cores inspiradas no filme e a Urban Decau, uma edição de sombras embalada com a estampa do cenário, edição limitada. A esta altura já não deve ter mais nada nas prateleiras. 

O marketing fortíssimo da Disney contratou a estilista Stella McCartney que criou uma linha de colares e pulseiras com pingentes de cristais Swarowski e Plexiglass (tipo de cristal acrílico).
 
Alice 3 brincos-swarovski-e-broche-da-hora-do-cha-louise-buchan

Se for contar tudo o que estão fazendo por aí, você teria de rolar páginas e páginas de post neste blog. Até a nossa amiga Rihanna já fez um editorial vestida de Alice. Foi em 2009 para a Vogue Itália. O ensaio foi todo em preto e branco, apenas com destaque em uma foto justamente a imagem da cantora com o vestido azul-celeste.
 
Carol Trentini, modelo brasileira também teve seu momento Alice para a revista Numéro, só que numa versão gótica da personagem. Inspirado  também no mundo de Carrol, a princesa Paola de Orleans e Bragança foi Alice por um dia e fez  a campanha para uma marca de jóias no Brasil.

Alice 4
  
É impressionante o sucesso que o filme está fazendo no quesito figurino e cenário. Tim Burton tem ótima reputação no mercado cinematográfico. Acertou mesmo em fazer esta reprodução. Só resta saber se o filme ficou bom. O que veremos semana que vem.
 
E para entrar no clima do País das Maravilhas, vá à exposição sobre o universo dos sonhos de Carroll, no Shopping Portal do Morumbi. O espelhinho com moldura laranja foi o escolhido para ser redesenhado por 40 artistas brasileiros. E os trabalhos serão vendidos a R$ 200 cada um com renda para a entidade que cuida de crianças com leucemia, a Abrale .
 
É isso, assistam e depois nos contem como foi o filme e o que você resolveu comprar para entrar no mundo de “Alice e o País das Maravilhas”.

Dora Estevam é jornalista e escreveu este texto no Blog do Mílton Jung com um vestido longo azul-celeste