Lugares de São Paulo: As vacas no Museu de Escultura

 

as três vaquinhas

O Museu Brasileiro de Esculturas, ao lado da avenida Europa, nos Jardins, é surpreendente de vez em quando. No pátio aberto ao público, costumam surgir imagens nem sempre fáceis de compreender, mas instigantes na sua maioria. O ouvinte-internauta Allan dos Reis passeou por lá e ficou admirado com a manada de vacas com a qual se deparou. Era parte das esculturas que tomarão a cidade, a partir de hoje, em mais uma edição da bem-humorada Cow Parade 2010. Allan, integrante do Adote um Vereador, não perdeu a oportunidade de identificar na vacaria uma das mais irônicas esculturas desta mostra.

Com ou sem vacas, o Museu Brasileiro de Esculturas é uma boa dica para se conhecer e se destacar na série de fotos sobre os lugares da cidade, preparada pelos ouvintes-internautas do CBN SP. Aliás, prepare-se você porque a qualidade do material que já tenho em mãos, valerá um slideshow especial na próxima segunda-feira, dia 25, aqui mesmo no blog.

Desde já agradeço a estes colaboradores e ao talento deles.

História do ônibus: Bilhete único e integração

 

Da década de 90 aos anos 2000, o sistema de ônibus funcionou com mais tecnologia, mas antigos problemas permaneceram com a superlotação e o atraso nas viagens. O bilhete único e o uso de combustível mais limpo foram avanços importantes no período, como você verá na quinta reportagem da série.

EM 1991, sistema foi municipalizado

Por Adamo Bazani

Em 1993, a Companhia Municipal de Transporte Coletivo não operava mais o sistema na cidade de São Paulo.

Empresas particulares e consórcios começaram a operar no lugar dos 2.700 ônibus da CMTC. Muitos eram da própria companhia, outros eram novos. Parte da frota que não foi usada pelas empresas ficaram estacionados em garagens e pátios. Muitos ainda hoje apodrecem ao ar livre quando poderiam ter sido leiloados para operar em outras cidades quanto ainda tinham condições de rodar.

Para se ter ideia de como a CMTC havia se transformado em ‘cabide de emprego’, quando foi privatizada tinha 27 mil funcionários. Com a entrada dos empresários, o sistema de gerenciamento caiu para 1.200 empregados.

Isso não significa que empresa pública de transportes é algo que não dá certo. A Carris de Porto Alegre, empresa municipal mais antiga do País, em operação desde o século XIX, presta serviços sem problemas. Se não fosse a CMTC, mesmo com as dificuldades ainda existentes no setor, a cidade estaria bem aquém do atual patamar. Isso porque, como empresa pública, a CMTC fez investimentos no sistema que as empresas particulares não queriam, não teriam condições nem obrigação de fazer.

Investimentos e pioneirismo custaram muito à CMTC, mas são unânimes os especialistas em transporte público ao dizerem que não foram estes os fatores que sucatearam a companhia. O erro estava na maneira pela qual foi administrada e abusada por diversas figuras públicas ao longo de sua história.

FOTO 9 - Protesto contra a privatização da CMTCUm ano após as mudanças, a CMTC era apenas gerenciadora do sistema de transporte e havia 47 empresas de ônibus transportando passageiros. Em 8 de março de 1994, a companhia foi rebatizada SPTrans – São Paulo Transportes – e novo enxugamento de pessoal ocorreu.

Os anos 1990 também tiveram avanços. Em fevereiro de 1991 entrou em operação o Corredor Vila Nova Cachoeirinha com a implantação de ideias que faziam parte de estudos mais antigos da Secretaria dos Transportes e da CMTC. Por exemplo, a viabilização de corredores em canteiros centrais, e embarques e desembarques pelos dois lados do ônibus, que ganhou portas na esquerda. Isto ofereceu mais agilidade para entrada e saída de passageiros e maior flexibilidade ao corredor – se o lado direito da via apresentasse dificuldades para a instalação do corredor, tudo bem, os ônibus operavam do lado esquerdo.

Em junho de 1991, se iniciou a operação com ônibus a gás natural e, no mesmo mês, para conter a evasão de receitas, os embarques começaram a ser feitos pela porta dianteira. A primeira linha a contar com a novidade foi a 805 A – Circular Avenidas.

Em 11 de setembro foi inaugurada a primeira linha de micro-ônibus de São Paulo. O serviço era diferenciado, os passageiros não poderiam viajar em pé e a tarifa era mais alta (15 cruzeiros na época). Os micros que faziam o itinerário circular pela região central eram movidos a álcool.

Em 1998, começou a cobrança automática de tarifas, com validadores eletrônicos dentro dos ônibus. No mesmo ano, também iniciou-se o Projeto VLP – Veículos Leves Sobre Pneus – , o Fura Fila, promessa da campanha eleitoral do prefeito Celso Pitta que até hoje não está concluído.

A facilidade do pagamento de passagens e a necessidade de integração foram marcas dos anos 2.000. Os estudos do Bilhete Único se iniciaram em 2001. O sistema permite até quatro viagens de ônibus pelo preço de uma passagem, em um período de três horas. Por uma tarifa um pouco maior é possível a integração com o metrô e trens da CPTM. Os primeiros testes foram feitos com o Bilhete Único do Idoso e a implantação compleeta em 2004.

Foi também em 2004 que houve a construção de quatro corredores de ônibus com faixas exclusivas à esquerda: Jardim Ângela-Guarapiranga-Santo Amaro; Capelinha-Ibirapuera-Santa Cruz; Parelheiros-Rio Bonito- Santo Amaro; e Campo Limpo-Rebouças- Centro. Cinco novos terminais também foram entregues: Grajaú, Guarapiranga, Jardim Britânia, Parelheiros e Varginha.

(Amanhã, as tendências para o transporte de passageiros são o tema do último artigo desta série)


Adamo Bazani é repórter da CBN e busólogo. Desde segunda-feira, escreve uma série de reportagens sobre a história dos ônibus em São Paulo, em homenagem aos 456 anos da capital paulista

Educação, cultura e histórias no CBN SP 456 anos

 

CBN SPNem só de música se fará o CBN SP 456 anos, em homenagem a São Paulo, na próxima segunda-feira. Além das atrações já apresentadas aqui no blog – maestro João Carlos Martins e o Samba do Baú – teremos uma sala cheia de convidados. No Pátio do Colégio, onde será montado o cenário para a festa, duas mulheres de fibra e talento conversaram comigo e o com o público: Maria Alice Setubal, socióloga, é agitadora educacional, com forte atuação na zona leste da cidade; e Dagmar Garroux (a Tia Dag), fundadora da Casa do Zezinho, é agitadora social, com presença marcante na zona sul. As duas vão compartilhar a experiência que desenvolveram ao trabalhar com educação e cultura.

Alguns dos comentaristas do CBN SP que você está acostumado a ouvir diariamente na nossa programação também estarão por lá. O Gilberto Dimenstein, do Mais São Paulo, o Cid Torquato, do Cidade Inclusiva, o Rodrigo Pereira, do Época SP na CBN, e a Patrícia Madeira, da Climatempo, vão contar da relação deles com a cidade de São Paulo.

E por falar em contar histórias, você também poderá contar a sua. O Museu da Pessoa, em parceria com a CBN, levará para o Pátio do Colégio um estúdio no qual os ouvintes-internautas poderão gravar em áudio e vídeo depoimentos e lembranças que tem da cidade – material que além de integrar o acervo do Museu, será reproduzido no programa Conte Sua História de São Paulo.

O CBN SP 456 anos será nesta segunda-feira, 25 de janeiro, a partir das 9 e meia da manhã, no Pátio do Colégio.

Avalanche Tricolor: Ele é o goleador

 

 

Grêmio 3 x 2 Caxias
Gaúcho – Olímpico Monumental

Foi o André Sanchez ou o Deva Pascovicci, não lembro mais. No Esquina do Esporte, um deles apostou na qualidade superior de Washington como atacante na comparação com Borges que havia estreado no Grêmio, no fim de semana. Aceitei compará-los, jogo a jogo, gol a gol. Mesmo porque o atacante do Imortal Tricolor havia começado em vantagem.

Logo na primeira partida fez um daqueles gols com personalidade de atacante. Daqueles que recebe a bola de costas, gira sobre o zagueiro, dispara com força para dentro da área e bate firme no gol. Pouco antes, havia desperdiçado uma boa oportunidade. O desempenho de seu adversário virtual no jogo de estreia na temporada se resumiu a três chances perdidas de gol.

Nesta noite, lá estava Borges mais uma vez com a camisa do Grêmio. Joga com cara de satisfação, mostra talento no toque de bola, se dá bem com o companheiro de frente, Jonas. E voltou a marcar, o segundo gol em dois jogos. Desta vez com oportunismo, bem colocado, na posição de quem está a espera para matar. Matou, correu para a torcida, deu cambalhotas, abriu os braços e foi recebido com a paixão da Avalanche.

Borges está na frente desta disputa de dois grandes atacantes brasileiros que até o ano passado jogavam em um mesmo time, mas não conseguiam ser parceiros em campo.

Mais a frente deles, porém, está Jonas, um cara estranho, difícil de entender, que comemora os gols com uma dança esquisita. Foi taxado de o pior goleador do mundo ano passado. Já havia deixado o Grêmio há algum tempo. Voltou sem prestígio e terminou a temporada como goleador. Neste ano, começou no banco, depois de uma polêmica com o presidente do clube que admitiu colocá-lo em uma negociação qualquer. Entrou, virou o jogo e ouviu seu nome ser festejado pelo torcedor.

Nesta noite, saiu como titular e marcou mais dois gols. Um deles o árbitro vai registrar para o zagueiro que desviou a bola para o próprio gol, não levando em consideração o esforço do atacante e a esperteza de chutar forte e cruzado na pequena área a espera de um esbarrão.

Estou desconfiado que entre Borges e Washington, eu, o Deva e o André ainda iremos bater palmas mesmo é para Jonas. Ele merece.

Nos descontos: o Grêmio completou hoje 40 partidas sem derrota dentro do Olímpico Monumental. Não perde por lá desde setembro de 2008. Quem se atreve!

Menino do Grajaú, a culpa não é da bananeira

 

Casas construídas em condições precárias nos barrancos desabam e matam famílias inteiras. Nesta quinta-feira, apenas um garoto de seis anos sobreviveu e logo saberá que a mãe, o pai e a irmã de nove anos foram soterrados no barraco em que viviam no Jardim Grajaú, extremo sul de São Paulo. Bem perto dali, quatro casas haviam sido interditadas pelo risco que havia de uma tragédia. A do garoto não tinha recebido aviso prévio mas veio a baixo assim mesmo.

Outra lição que o menino terá, em breve, é jamais plantar bananeira no terreno em que mora, pois este espécie de árvore só nasce em local com muita umidade e se estiver no morro é por que o lençol freático está ralo, aumentando o risco de escorregamento.

Ouça a explicação do coronel Luiz Massao Kita, da Defesa Civil do Estado de São Paulo, sobre o efeito das bananeiras

Antes, porém, que alguém ensine ao garoto recém-orfão de que a causa da tragédia foram as bananas que ele tanto gostava de pegar no pé, que saiba os motivos que levaram a família dele para o barranco. Que entenda a responsabilidade daqueles que tem o poder para definir políticas de habitação popular; daqueles que permitiram que a família dele fosse explorada e ocupasse áreas de risco; daqueles que deixaram de investir o dinheiro dos impostos em ações de combate as enchentes para fazer propaganda de si mesmo.

O menino sobrevivente do Grajau ainda tem muito a aprender, em São Paulo.

Governo explica novo pedágio na Castello

 

O Governo de São Paulo não pretende rever o valor dos pedágios na rodovia Castello Branco e entende que a criação de novo acesso ao Rodoanel era necessária por considerar injusto que alguns motoristas tenham o privilégio de usar a via sem pagar a tarifa. Em entrevista ao CBN SP, o secretário estadual de Transportes Mauro Arce também criticou o prefeito de Osasco Emídio de Souza (PT) que entrou com ação para impedir as mudanças na cobrança de pedágio na Castello Branco, rodovia sobre concessão da Viaoeste. Disse que a medida foi tomada apenas por “desencargo de consciência”, pois ele já sabia como seria o projeto, há mais de um ano:

Ouça a entrevista com o secretário estadual de Transportes Mauro Arce

Prefeito de Osasco diz que secretário mente

O prefeito Emídio de Souza, de Osasco, respondeu às críticas feitas pelo secretário estadual de Transportes e disse que Mauro Arce mente quando afirma ter apresentado a todos os prefeitos da região da Castello Branco o projeto de mudanças na rodovia. Ele alega que não havia sido informado do bloqueio no acesso ao Rodoanel antes da praça de pedágio.

Ouça a entrevista do prefeito de Osasco Emídio de Souza

A metrópole alagada

 

Av do Estado ou Rio Tamanduatei (Petria Chaves)

“São Paulo tem só um ponto de alagamento, a cidade”. Foi do Liberdade de Expressão e de sua nova participante, a filósofa Viviane Mosé, que saiu a frase para definir a situação enfrentada pela capital paulista após uma noite inteira de chuva. A repórter Pétria Chaves sobrevoou áreas críticas como a Ceagesp, na zona oeste, e as marginais Pinheiro e Tietê e registrou imagens que mostram a dimensão do problema. Mas foi na zona leste que ela encontrou a foto mais ilustrativa da encrenca que a cidade enfrenta por ocupar as várzeas de córregos e rios: “Avenida do Estado ou Rio Aricanduva ?”, peguntou Pétria.

(Para ver mais imagens da enchente desta quarta-feira visite nosso álbum no Flickr)

Ciúmes, inveja, egoísmo … quem não tem ?

 

Por Abigail Costa

Responda de primeira:
– Você já sentiu inveja de alguém?
– Ódio do chefe?
-Ciúmes do namorado?

Se a resposta for negativa, não se preocupe. Um dia você sentirá pelo menos um de uma dúzia desses sentimentos “pequenos”.

Pensando lá trás, quando carregava meu filho de poucos meses  no colo, e no bate papo entre nós (no qual só eu falava):
-De quem é esse bebê? É só da mamãe, não é?

O pobrezinho deveria pensar: Que mulher egoísta!  E o cara que saiu pra trabalhar? Também não sou do papai?

Mais tarde a bronca em cima do mesmo menino, agora não mais um bebê:
-Divide com o amiguinho!  Que coisa feia….. e por aí vai.

Quando a gente, bem mais crescida,  esbarra numa situação  que envolve sentimentos não declarados do bem, ficamos “oh !”. Como o ser humano pode ser assim ?

Enquanto falava com o meu bebê,  apesar do tom de brincadeira, o querer só pra mim estava desenhado. O que eu não sabia era que isso seria passado adiante, como sempre acontece.

Declaradamente, outro dia um amigo disse com todas as palavras que teve inveja de mim. Quem estava perto ou soube do acontecido corou. Eu compreendi. Que fique registrado, não tenho pretensões  de seguir carreira religiosa.

Apenas entendi o sentimento de alguém que gostaria de ter tido o que eu tenho.  De não ter investido na felicidade como uma moeda de troca, mas como uma grata previdência, antes e depois da aposentadoria.

Meu caro, já fui muito mais egoísta. Inveja, não, sempre senti vergonha dela.

Agora, ciúmes, será que tem na medida certa?
Por hora vou driblando o meu.

Abigail Costa é jornalista e sem esconder seus sentimentos (ou quase) escreve às quintas-feiras no Blog do Mílton Jung

Samba de raiz na festa do CBN SP 456

 

O projeto “Samba do Baú” será uma das atrações musicais do CBN SP 456 anos em homenagem a cidade de São Paulo. Boa oportunidade para conhecer o trabalho de jovens que se reuniram há cinco anos na zona leste para preservar  um estilo de música que perdia espaço no cenário cultural: o samba de raiz.

No Pátio do Colégio, o grupo vai completo e disposto a mostrar que a música que consagrou sambistas com o talento de Geraldo Filme segue viva na capital paulista. Pra saber mais do Samba do Bau assista ao vídeo neste post, no qual intepretam Silêncio no Bixiga ou acesse o site do projeto.

O CBN SP 456 anos será ness segunda-feira, 25 de janeiro, a partir das 9 e meia da manhã, no Pátio do Colégio, centro de São Paulo.