De Natureza e seus afins

 

Por Maria Lucia Solla

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Olá,

Criamos cada dia maior barreira entre nós e a Natureza e, separados dela, nos perdemos.
De que Natureza é Vida, e de que somos Um com ela, disso nos esquecemos.

Temos alma, repetimos prepotentes; cheios de certeza,
e essa jóia ela não tem, a tão defendida Natureza.

“Bando de naturebas.
Esquecerem-se de que aprendemos a nos unir por Reinos, eu, você e eles
e a mantermos, bem separados, cada um e todos eles?”

“Olha só com que tipo de gente você está se misturando, meu filho!
Espera só que se não me obedecer, te faço ajoelhar no milho, até o
anoitecer.”

Mas o simples mortal nunca se considera tão simples assim e acha brega o papo de voltar à Natureza e à própria essência.
Estratificamos assim a nossa existência:

Lá em baixo o inferno
onde faz calor mesmo no inverno.

Depois vem nosso planeta, a Terra
onde há riqueza, e o alimento se encerra.

Logo depois, o que brota dela
milho, feijão, boi, vaca, cão e cadela.

Em seguida viemos nós
que separados disso tudo, com orgulho,
nos sentimos cada dia mais sós.

E finalmente vem o céu,
mas o que não percebemos, de tão sutil que tudo isso é,
é que logo depois dele, vem de novo o inferno.

É que, na verdade, é o céu que nos separa dele – do mundo cruel – com um simples e tênue véu.

Disso tudo, o que ainda mais não percebemos é que todas essas camadas nos permeiam e que nós as permeamos também.

Me perdoe, mas por hoje cansei.
Permite, Vida, que eu desligue só por hoje, mente e coração!
Não aguento mais, a cada segundo, ter de aprender uma nova lição.

E você se sente assim também?
Pense nisso, ou não, e até a semana que vem

PS 1: Quero agradecer a Mário Castello e a Stratos Giamoukoglou o enriquecimento do meu album de fotografia.

PS 2: Música: De e por Maxime Le Forestier, “Comme un arbre” do cd Essentielles

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira. Aos domingos, escreve e desvenda o véu da vida no Blog do Mílton Jung

Gripe suína e descontrole põem medo em Porto Alegre

 

Foram três dias seguidos dentro de um dos principais hospitais de Porto Alegre, capital gaúcha. O desfile de máscaras era constante nos corredores. Lavar às mãos em totens de gel espalhados por todos os cantos, uma obrigação. Na porta da emergência, algumas pessoas se acumulavam a espera de informação e atendimento. Os leitos de maternidade deram lugar a pacientes que não haviam contraído gripe – tenha ela qual fosse o nome -, mas exigiam cuidados emergenciais. Os “gripados” estavam em macas dentro de quartos feitos de cortina. Os graves foram para isolamento. Áreas de convívio passaram a receber pacientes, também. Em um só dia, havia 23 a espera de internação, mas sem apartamento.

Pendurados no celular, as pessoas davam detalhes da situação, falavam de colegas de trabalho que contraíram a doença. “Está todo mundo gripado por lá”, ouvi de um deles. “A gerente está com pneumonia”, comentou a moça na cafeteria.

Enfermeiros e auxiliares tiveram carga de trabalho aumentada há um mês e tentam ser solícitos apesar dos (im)pacientes.

Lá embaixo, o grupo de operários se esforçava para interferir o mínimo possível no cotidiano hospitalar enquanto conclui a obra de ampliação do setor de emergência. Assim que esta etapa se encerrar, nova área sofrerá intervenção para que mais leitos estejam à disposição da população.

No ar, muito mais do que pó, bactérias ou vírus, havia preocupação e medo. Tudo por causa da gripe.

Na primeira página do jornal e a qualquer hora que ligar o rádio, repetem-se os números de pessoas mortas pela gripe suína. Médicos, infectologistas, diretores de hospitais e políticos são entrevistados, um atrás do outro. Uns dizem uma coisa, outros dizem outras. Nem sempre esclarecem o que disseram.

O secretário estadual de Saúde muda de opinião a medida que se sente coagido pelo noticiário. As escolas do Estado decidem ficar fechadas e as particulares são forçadas a repetir o mesmo gesto, pressionadas pela opinião pública. As da capital (enfim, alguém pensa) abrirão pois sem a merenda escolar os alunos tendem estar mais frágeis a doenças.

Os que não estão por aqui telefonam preocupados com a gripe. Alertam para os sintomas que se aparecerem devem ser combatidos imediatamente, “de preferência longe desta cidade que não tem mais leitos”. Mas cuidado quando pegar o avião, afinal por mais de uma hora todos estarão confinados no mesmo ambiente expelindo perdigotos e afins.

O pânico está instalado em Porto Alegre por causa do risco de morte provocado pela gripe suína. Mas a verdade, que a paranóia não deixa ninguém enxergar, é que, até o momento que escrevo este texto, ninguém morreu contaminado pelo vírus H1N1 na maior cidade do Rio Grande do Sul.

O que fazemos é um desserviço à saúde.

Avalanche Tricolor: Merecemos mais

 

São Paulo 2 x 1 Grêmio
Brasileiro – São Paulo

 

Hospitais costumam ser frios e brancos. Nunca encontraremos neles, por mais que seus administradores se esforcem, o aconchego de nossas casas, não bastasse o fato de jamais estarmos lá por um bom motivo. A meta é nobre, sem dúvida: sairmos pela porta da frente com mais saúde do que entramos. Mas só vamos para lá por razões no mínimo desconfortáveis.

Nesta noite de quinta, um gremistão de quatro costados de quem tenho orgulho de ser filho esteve sentado em uma grande poltrona bege diante de um computador se esforçando para assistir ao seu time de coração. A TV pendurada na parede a frente da cama móvel, infelizmente deu preferência a outras partidas do Campeonato Brasileiro. Nunca entendi bem o critério das emissoras para escolher qual jogo iriam transmitir, principalmente os canais a cabo. E ‘pagar-para-ver’ não é opção oferecida nos estabelecimentos hospitalares, ainda. Tem mais com que se preocupar.

A conexão não é boa, a imagem também não. O radinho de pilha sintonizado na Rádio Guaíba, da qual é funcionário há mais de 50 anos, é a salvação para este momento de angústia (esportiva). Tentei amenizar a situação, dizendo que mais interessante do que a partida são os bons resultados nos exames médicos, mas ele não se convenceu: “sei disso, mas para mim é importante, também”.

Conseguiu ver parte da partida e ouvir toda ela, mas tenho certeza de que se a pressão foi medida logo após o jogo apresentou forte variação. Ver o Grêmio perder mais uma vez fora de casa, mesmo contra um time como o São Paulo, causa alterações no humor e no coração. Principalmente, quando o árbitro é tão incompetente quanto alguns jogadores que vestem a camisa do clube que você ama.

Assisti de maneira bem mais confortável ao jogo desta noite. Aliás, assisti bem pouco ao jogo, pois estava muito mais atento a melhoria nos índices medidos pelos aparelhos médicos do que nas estatísticas anunciadas pelos comentaristas. E de todas as certezas que tive após os 90 e poucos minutos disputados, é que o meu pai merecia bem mais do que o Grêmio, o árbitro e a vida nos ofereceu nesta noite de quinta-feira.

O que me tranquiliza é saber que nós seremos – como sempre fomos – capazes de vencer mais esta etapa.

Carta à Dona Eunice

Por Abigail Costa

Escrevi outro dia para uma amiga que me pedia conselhos.

Em tempo: Aprendi que conselho se dá em duas condições, quando é pedido ou em caso de risco de morte. No meu caso, a orientação foi solicitada.

Como estava em outro país escrevi um longo e carinhoso e-mail. Disse que deveria ver a vida como uma viagem, sem se importar com o lugar (na janelinha ou no corredor ?), tudo deveria ser contemplado. Sem reclamar da demora na decolagem, da refeição, do companheiro ao lado.

Que ela experimentasse curtir a vida como uma viagem na qual a partida ou a chegada não fossem o mais importante, e, sim, o caminho todo ao destino esperado.

Pois bem, cá estou voltando das minhas férias dentro de um avião com a família. Fomos em cinco: eu, marido, dois filhos e a mamãe. Voltamos em quatro. A vovó ficou para cuidar da netinha que chega agora em outubro.

Como sempre fui ruim em despedidas, antes que alguém viesse até o carro me adiantei gritando: volto logo, sem choro por favor. Adiantou ? Que nada… a choradeira começou na sala mesmo.

Ok. sempre foi assim.

Estamos a não sei quantos metros de altura (é melhor nem saber), o jantar já foi servido. Ao meu lado uma senhora acompanha a filha e as netas. Pronto, lá vem a mamãe na minha cabeça. Um nó na garganta me deixa a sensação de boca amarga. Um choro sentido que não dá pra segurar. O comissário atento me oferece mais uma bebida. Aceito, sei que foi precisar.

Com a minha mãe na cabeça lembrei dos conselhos que, semana passada, havia escrito pra minha amiga. E a partir daí fiz um balanço de como tinha sido minha relação com a mamãe. Dei o que podia ? Ofereci o que ela merecia ? Retribuí à altura? Não digo em bens materias, falo de carinho e emoções. Daquela sopa maravilhosa que encontro pronta todas as noites de inverno. Da dedicação aos netos.

Até onde curti esses momentos ? Quantas vezes elogiei seu jantar ? Quanto tempo dei a ela ?

Cara, estou longe da Dona Eunice faz pouco tempo, mas a saudade já tem quilômetros !

Claro que ela sabe a filha que tem. TPM em último grau, voz alta até para agradecer, mas quando digo aos outro sempre reafirmo a mim mesma. Estou aqui para melhorar. E tento.

Outubro, Dona Eunice, te vejo de novo nos EUA. Por aí será inverno, mas a sua paciência como sempre será branda para me receber.

Eu vou voltar melhor, como filha e como mãe. Prometo aproveitar melhor meus momentos, afinal estamos aqui pra isso. Ainda bem que temos tempo ou pelo menos esperamos por ele.

Até lá.

Ps. Cuidarei bem dos seus netos.

Abigail Costa é jornalista, mãe, filha e verdadeira. É o resultado deste coquetel de emoções que você lê todas as quintas no Blog do Mílton Jung.

De volta ao Senado

Por Carlos Magno Gibrail

288 bilhões de reais é motivo suficiente para voltar ao tema. É vultoso em valor absoluto ou relativo, convertido em dólar ou libra, em euro ou yen.  Principalmente se considerarmos que este montante, equivalente a mais de 22 programas Bolsa-Família, poderá ser debitado a todos os brasileiros e creditado a uns poucos.

“Por uma manobra articulada pelo próprio governo, a Câmara adiou, ontem, a votação da medida provisória (MP) 460, que reduz impostos do programa “Minha Casa, Minha Vida”. O motivo do impasse é o artigo, incluído pelo Senado, que garante o direito de as empresas aproveitarem créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre as exportações até 2002, o chamado “crédito-prêmio de IPI”. O governo não quer a aprovação e avisou que vetará a proposta se ela for aprovada pelos deputados. Até a semana passada, o Ministério da Fazenda confiava na derrubada do texto na Casa, onde a base é maioria”. Cristiane Jungblut e Eliane Oliveira, O GLOBO, 15 de julho.

A  MP 460 é a reedição da MP 449 no que diz respeito ao Crédito Prêmio do IPI. Suas Excelências tentaram introduzir na MP 449 o Refis 3 e os créditos acumulados no caso do IPI que montam a R$ 280 bilhões.

Não deu certo, porque na última hora o relator, senador Francisco Dornelles PP percebeu que o Tesouro teria um rombo bilionário, e retirou a emenda. Agora, as senadoras Ideli Salvatti PT e Lúcia Vânia PSDB  conseguiram contrabandear a mesma emenda para a MP 460, por força do lobby da FIESP e CNI, oferecendo esse brinde de R$ 280 bilhões para empresas como Sadia , Grupo Gerdau, Vale, CSN e outras grandes exportadoras brasileiras.

É importante observar que 80% das exportações brasileiras são feitas por menos de 50 empresas.

No domingo agora, Élio Gaspari, sob o título Bolsa IPI, chamou a atenção pelo fato da oposição no Senado estar apoiando os exportadores:

“A MP onde enfiaram contrabando quase foi aprovada antes do recesso da Câmara. A oposição (repetindo, oposição) fez força para isso, mas a base do governo atrapalhou o jogo. Como os interessados disseram que negociaram a ciranda com o Ministério da Fazenda e viram-se desmentidos numa nota oficial, é provável que o governo se empenhe para derrubar a emenda contrabandeada. Os interessados na Bolsa IPI têm até o dia 13 de agosto para concluir as negociações na Câmara. Depois disso o truque vira pó”.

Na nota, o Ministério da Fazenda diz que o reconhecimento do crédito-prêmio do IPI até 2002 terá como consequência uma corrida aos tribunais por aqueles que não se beneficiaram da medida. A estimativa dos técnicos é que 40% dos exportadores de manufaturados estão nessa situação.

A Fazenda também diz que o projeto viola as regras internacionais,  já que o benefício pode ser interpretado como subsídio. Por isso, é passível de contestação na Organização Mundial do Comércio.

Além disso, a aprovação da MP com a emenda do Senado representa para o governo federal uma confissão de que o benefício não teria sido extinto em 1983 (tese da União) ou em 1990 (tese do Supremo Tribunal Federal): “o que traduzirá em prejuízo evidente para a defesa do Estado perante o Supremo Tribunal Federal”.



Segundo a Receita Federal, a medida representa um risco potencial de R$ 288 bilhões. O ministro Guido Mantega rebateu a declaração do diretor do Departamento de Relações Internacionais e de Comércio Exterior da FIESP, Roberto Giannetti da Fonseca, de que teria havido acordo para a inclusão da emenda no Senado, pela relatora Lúcia Vânia (PSDB). O acerto teria como objetivo amenizar o rombo para a União. Ela (a emenda) não resolve o problema e é lesiva aos interesses da União. “Esse problema só será resolvido com julgamento pelo Supremo Tribunal Federal”, diz Mantega na nota, sendo contrário à proposta.

E cabe registrar que nesta mesma MP que cuida do programa Minha Casa Minha Vida e do caso do IPI, temos também a questão dos preços diferentes para pagamento com cartão de crédito.

É o reflexo do Senado de hoje, onde a coerência está na incoerência. Para não falar na decência, que ausente, pode dar lugar a indecência.

(Leia, também: O Senado não é mais aquele)

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, às quartas escreve no Blog do Mílton Jung e todo dia está de olho neles

Rigras, da lama à premiação (I)

Por Adamo Bazani

Dono de empresa de ônibus, considerada a melhor do Estado em linhas intermunicipais, de acordo com a EMTU, conta que os ônibus atolavam na garagem e que foi vítima de descrédito.

“Enxergar o transporte sob o olhar do passageiro, pensar primeiro na qualidade, em vez de quantidade, e ter uma dose de paixão e razão. São os ingredientes necessários para conseguir o sucesso no ramo de transportes”.

A frase pode parecer jargão de quem é dono de empresa de transporte de passageiro, mas no caso de Nivaldo Aparecido Gomes, 51 anos, reflete a realidade da história da empresa que dirige, a RIGRAS – Rio Grande da Serra Transporte Coletivo e Turismo. A empresa ganhou neste ano, o Primeiro lugar no ranking da EMTU que leva em consideração a qualidade dos serviços de transportes intermunicipais urbanos das regiões metropolitanas de São Paulo.

Assim como Nivaldo, a empresa, fundada em 1980, está rejuvenescida. A garagem limpa e os ônibus novos com boa manutenção são resultado de trabalho árduo, segundo o empresário, que começou no ramo aos 29 anos praticamente por acaso. Na época, em 1986, o primo dele, Roque Garcia, já tinha uma empresa de ônibus: a fretamento Suzantur, em Suzano. Foi quando decidiu comprar a RIGRAS, propondo parceria com Nivaldo.

Ele trabalhava desde os 15 na CTBC (Companhia Telefônica da Borda do Campo) e cursava engenharia. “Até então, nunca imaginei que ia trabalhar e me apaixonar por ônibus, mas aceitei a proposto e comecei a tomar conta da empresa, na sociedade com meu primo”

Nivaldo se considera um corajoso e vencedor. Se hoje a sede da empresa, em Ribeirão Pires, na Grande São Paulo, é considerada uma das mais organizadas do Estado, o início era bem diferente. “Quando assumi a Rigras tomei conhecimento do desafio que tinha pela frente”

Desafio a começar pela própria garagem, que na época, ficava no município de Rio Grande da Serra. Se nas histórias anteriores você acompanhou que os ônibus atolavam na lama, durante o trajeto, na Rigras, o problema já começava “no próprio quintal de casa”.

“Quando chovia forte, os ônibus nem conseguiam sair da garagem, porque o pátio virava um lamaçal só. Os ônibus eram invadidos pelo barro e não conseguiam sequer sair do lugar. Tínhamos de andar de botas dentro pátio. Foi aí, que percebi, com a ajuda do curso que tive de engenharia, que deveria ver a empresa como um todo, participar de todos os processos e incentivar os funcionários a trabalharem naquelas que não eram as melhores das condições. Até hoje, atuo em todos os setores da empresa”.

Nivaldo ainda lembra que quando o ônibus saía da garagem, atolava na rua, metros depois, antes mesmo de chegar ao ponto inicial. Não havia dinheiro para pavimentar a garagem. Na verdade, havia pouco dinheiro para tudo.

Quando foi comprada por Roque Garcia, com Nivaldo entrando no desafio, a saúde financeira da empresa era horrível. Dívidas trabalhistas, com fornecedores, com poder público e apenas nove ônibus na frota, dos quais dois eram quase sucata. Os que circulavam também eram velhos, mal conservados. Eram veículos Caio Gabriela e Caio Bela Vista, Mercedes Benz 1113, com mais de 15 anos de uso intenso.

Três meses depois, ainda em 1986, Roque e Nivaldo compram outra empresa da região, a Viação Valinhos, com 15 ônibus. As situações financeira e da frota eram praticamente as mesmas. Enquanto o primo tocava a Suzantur, Nivaldo se dedicava à Rigras. Saía de madrugada da garagem , fazia socorros mecânicos e cuidava da contabilidade”.

Um dos maiores desafios foi enfrentar o descrédito da população, a Rigras tinha até então uma péssima imagem, dos fornecedores, dos cobradores de dívida, de alguns funcionários e do poder público. “Eu tinha de convencer todos que queria trabalhar com seriedade, que não tinha o propósito de fazer milagres, mas que eu queria melhorar os transportes na região de Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra e Suzano.”

Nivaldo lembra que, ainda em 1986, teve uma reunião com vereadores de Rio Grande da Serra. “Eles colocaram um gravador na mesa e tive de registrar todas minhas promessas de que faria uma boa administração. No início, pensavam que eu era mais um aventureiro no setor de transportes”. A associações de bairro também cobravam desempenho da empresa

“O jeito então, era trabalhar, mais que o dobro”.

A situação financeira da empresa ia melhorando aos poucos, com administração racional, mas ainda era difícil. E Nivaldo se cobrava constantemente para haver uma mudança.

“Lembro-me de um dia que um fornecedor veio fazer uma cobrança para mim. Dias antes, tinha luxado o dedo e colocado uma tala para imobilizá-lo, mas eu já tinha melhorado. Quando ele veio me cobrar, tinha vergonha de dizer que não tinha dinheiro, então, coloquei a tala de novo no dedo e disse para ele passar depois de uma semana, porque não podia assinar os cheques e as notas. Não foi desonestidade, foi vergonha mesmo. Hoje eu e esse fornecedor rimos muito desta passagem”.
Depois de cerca de três anos, o primo de Nivaldo, decide sair da sociedade. O sogro do empresário, o construtor Jaime João Franchini, entra de novo sócio e a empresa ganha fôlego, apesar das dificuldades.

A garagem da empresa sai do “lamaçal” de Rio Grande da Serra e vai para Ribeirão Pires. A “nova” garagem era de terra e tinha muita lama com a chuva, mesmo assim era melhor que a anterior.

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De compaixão e dó

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça De compaixão e dó na voz da autora

Olá

É difícil aceitar o outro, se não aceitamos a nós mesmos.
É difícil entender a dificuldade do outro,
se não olhamos a vida de frente e não reconhecemos a nossa verdade.
É dificílimo sentir compaixão, quando só o que sabemos é sentir dó e paixão.

Levante a mão quem nunca deixou de aceitar, de entender ou de sentir compaixão.

Sofremos porque no cardápio da vida, entre amor e paixão, preferimos a apimentada, que apesar dos fogos de artifício nos faz sentir sós, mesmo com a casa lotada.

Paixão é íntima da solidão.
Compaixão não; a compaixão é íntima do amor;
Faz que entremos na arena para derrotarmos com o outro, a dor.

Ouvir dizer a torto e a direito, que alguém está apaixonado, enlouquecido,
é corriqueiro,
mas você já ouviu dizer que alguém esteja compadecido?
E olha que a palavra não pertence a idioma estrangeiro.

Na compaixão é impossível se sentir sozinho. Ela traz o “com”, com ela.
É como o sonho do Raul, que se sonha junto.

Compaixão contém paixão, e tem, sim, uma pitada de dó, mas seu ingrediente principal é simpatia.
E simpatia leva você a entrar na realidade do outro, sem armas, sem julgamento, mesmo que de sair não tenha nenhuma garantia.

Dó humilha, vem de cima e te deixa envergonhado
Compaixão não; fica ali, aconchegante, do teu lado.

Dó afasta, mantém distância para não se contaminar.
Compaixão traz a certeza de que o outro não vai te abandonar.

Compaixão é aquele estar ali do amigo, que quando te vê chorando não diz:

“Não chora; para com isso. Isso é jeito ser?”

Ah, então me diz como sofrer e aproveita o embalo, e me ensina a viver.

Eu, estou aprendendo a desistir de explicar os motivos que me fazem chorar, e aqueles que me fazem celebrar.

Não quero convencer ninguém de como dói a minha dor.
E sabe o que mais? Não sou aluno, mas também não quero ser professor.
Assim que eu entender melhor a vida, me despir do ego e deixar minha alma gritar no meio da praça, cada dia meu terá mais motivos de celebração,
e cada dia meu será menos povoado de aflição.

E você, o que me diz disso tudo?
Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de lingua estrangeira e escreve aos domingos no Blog do Mílton Jung sempre com paixão.

Avalanche Tricolor: Uma vitória e um golaço

 

Grêmio 3 x 2 Santo André
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

Tá certo que minhas férias estão chegando ao fim e passarei estes quatro dias aproveitando cada minuto deste fim, por isso pouco tempo tive para assistir ao Grêmio e me sentir a vontade para escrever sobre mais uma “façanha”. Mas em certos momentos da vida, melhor que palavras é um link para compartilhar com você lances geniais como o de Souza, na noite deste sábado. Clique aqui e comemore comigo este chute genial

São Paulo quer experiência italiana contra Cracolândia

Imagem publicada no site do IBGF sobre a comunidade de San Patrignano

Imagem publicada no site do IBGF sobre a comunidade de San Patrignano

Os inúmeros programas de revitalização desenhados, prometidos e, em alguns casos, aprovados na Câmara Municipal não foram suficientes para resolver um sério problema social na região central de São Paulo. A Cracolândia, que chegou a ser rebatizada Nova Luz, segue firme e forte a causar riscos à população, expor crianças abandonadas, proporcionar mercado a traficantes e constranger o poder público. Conhecer a experiência da Comunidade Terapêutica San Patrignano, em Rimini, na Itália, é o próximo passo da prefeitura que, em carta enviada à organização, propõe um trabalho de parceria.

Foi uma entrevista do presidente do Instituto Brasileiro Giovanni Falconi Walter Maierovitch à Fabíola Cidral, no CBN São Paulo, há uma semana, que motivou o prefeito Gilberto Kassab (DEM) a envolver o secretário de Controle Urbano Orlando de Almeida em conversa com dirigentes da comunidade que abriga cerca de 1.800 pacientes. O trabalho lá desenvolvido é recomendado pela União Europeia e ONU, mas desconhecido pelas autoridades paulistanas até então.

As informações também estão na internet, no site da sociedade, podem ser encontradas na Wikipedia, e em relatório da Organização das Nações Unidas.

Maierovitch, com quem tive o prazer de ‘bater bola’ em comentário na CBN, é dos grandes estudiosos em combate ao crime organizado, tráfico de drogas e atuação mafiosa. Quem acredita realmente que estes são temas importantes tem obrigação de consultar o site do Instituto Brasileiro Giovanni Falconi com frequência. Em 2006, por exemplo, abriu um dos seus artigos com o pensamento que resume a filosofia que impera na Comunidade Terapêutica San Patrignano: “Drogados irrecuperáveis não existem, mas também não existem drogas não danosas”. O restante sugiro que você leia por lá e aproveite para colocar o endereço do IBGF e do Blog Sem fronteiras , também assinado por ele, entre seus favoritos.

‘Adote um vereador’ contra corrupção em Nova Jersey

“A corrupção é um câncer que está destruindo os valores fundamentais do Estado” – Ed Kahrer, FBI

A tese nos é familiar, mas se refere a ação da polícia federal americana, nesta quinta-feira no estado de Nova Jersey. Foram presas 44 pessoas dentre elas prefeitos de Hoboken, Ridgefield and Secaucus.  Dois legisladores e vários rabinos também tiveram seus nomes envolvidos em caso de corrupção e venda de órgãos. O negócio preferido deles era regatear rins.

Fui surpreendido no meio de minhas férias com esta informação que caiu na internet de algo que ocorria tão próximo de onde estou nesta semana. Antes, porém, de qualquer maledicência, principalmente daqueles colegas de trabalho que costumam acordar muito cedo na rádio CBN, a cidade de Ridgefield, envolvida nesta história, é homônima da que me encontro nesta semana. Esta é do estado de Connecticut, aquela de Nova Jersey.

Mesmo para um estado com rico histórico de denúncias e falcatruas, os americanos dizem que as barbaridades cometidas pelos supostos integrantes da quadrilha, desta vez, teriam superado todos os limites. Dezenas de milhões de dólares teriam sido lavados através de ações de caridade promovidas por rabinos que envolviam negócios em Nova Jersey, Nova Iorque e Israel.

O moço da foto é o parlamentar democrata Daniel Van Pelt no momento em que deixava a corte acusado de aceitar U$ 10 mil de suborno.

Algumas semelhanças, no cargo dos envolvidos, na forma de agir e de se esconder das câmeras de fotografia me levam a pensar que está na hora de propor uma espécie de “Adote um Vereador” versão Nova Jersey.