Por Abigail Costa
Essa foi uma das inúmeras pérolas que colecionei durante os anos que passei pelos estádios de futebol.
Entre uma jogada e outra, o narrador soltava a frase….
Na ocasião, ela cabia durante os noventa minutos de jogo.
Saí das quatro linhas há algum tempo, mas o velho e bom profissional continua narrando as partidas. Entre outras palavras de efeito, ele caprichando nos “rrrrrrr”.
“Se você sentirrrrrrr que não dá, não forrrrrrrrça”.
Antes que alguém diga que temos que morrer tentando, (isso fica lindo no texto), faço aqui minhas costuras.
O não força não significa desistência.
Se a gente entender como uma forma de guardar forças para o que realmente interessa, a vida fica mais leve.
Não tem um dia que não me deparo com uma situação onde não forçar é o melhor resultado.
Isso, principalmente em relação as pessoas. As mais próximas, sempre.
“Será que não é melhor isso para você?” “Amanhã não é mais conveniente?”
“Quero aquilo, hoje mesmo!”
Mesmo sabendo que a decisão tomada não chega a ser a mais conveniente, fico quieta.
No lugar de espernear mostrando o por quê das escolhas, não forço.
Liberdade para ele, respeito pra mim.
E no trabalho? Quantas vezes isso não acontece?
Quantos por causa dos outros estragam seu dia, sua família? Prejudicam a família.
Insistiram e forçaram a barra.
Tenho usufruído da experiência do narrador. Tem dado certo.
“Isso vai te deixar feliz?”
Que bom!
Eu estou ainda melhor.
Abigail Costa é jornalista e escreve no Blog do Mílton Jung sem forçar
