Câmara cria Observatório contra pedofilia

 

Sem números exatos pela falta de capacidade do estado de coletar dados sobre a pedofilia, mas com conhecimento do drama que crianças e adolescentes enfrentam na capital, a CPI que investigou os crimes sexuais concluiu seu trabalho propondo a criação de um Observatório. De acordo com o vereador Carlos Alberto Bezerra Jr (PSDB), relator da comissão, o órgão teria participação de entidades civis, governos e vereadores com a intenção de analisar dados, divulgar informações e estabelecer indicadores sociais das vítimas deste tipo de crime.

O Observatório São Paulo da Proteção Integral à Infância e Adolescência é bem-vindo desde que não seja apenas para engrossar a lista de conselhos e organizações já existentes e com resultados pífios. Na cidade, por exemplo, existem 37 conselhos tutelares, constituídos legalmente e escolhidos através do voto. A própria CPI constatou que poucos acolhem as reclamações e acompanham o caso de meninos e meninas vítimas da violência sexual. A Justiça também carece de ações efetivas, apesar de ter em mãos todos os instrumentos necessários para combater este crime.

Ouça a entrevista do vereador Carlos Bezerra Jr, relator da CPI da Pedofilia, ao CBN São Paulo

Vereadores votam 14º para funcionário da Câmara

 

adoteSemana que vem, os vereadores de São Paulo votam dois projetos que mexem com dinheiro público e aumentam os salários do prefeito e dos secretários, além de oferecer um abono para cerca de 3.200 servidores ativos, inativos, pensionistas e comissionados do Legislativo. O bônus, que será pago ao funcionalismo em dezembro, está sendo chamado de 14º salário.

Ouça a reportagem da Cristina Coghi sobre o salário do prefeito, secretários e servidores da Câmara

O gaiato de plantão disse que os aumentos são necessários para pagar o IPTU aprovado pelos vereadores, nesta semana.

Sala de imprensa tem ‘escuta’ na Câmara de SP

 

Sala de Imprensa

Câmeras de vídeo com direito a escuta ambiental foram instaladas na ala reservada à imprensa  da Câmara Municipal de São Paulo e causam constragimento a jornalistas que fazem a cobertura do legislativo municipal. De acordo com o que apurou a repórter Cristina Coghi, da CBN, “funcionários afirmam que as câmeras captam também o som das conversas informais e entrevistas feitas pelos jornalistas no local”.

Há um controle, também, na identificação das equipes de reportagem que chegam a sede da Câmara.

Os repórteres entendem que a medida é retaliação do presidente da Casa, vereador Antonio Carlos Rodrigues (PR), que tem reclamado
de injustiças cometidas pelos jornalistas “que prejudicam pessoas de bem”. A bronca dele é acompanhada pelo vereador Wadih Mutran (PP) que se diz “perseguido pela imprensa”. Não por acaso, ambos respondem a denúncias na Justiça por irregularidades cometidas durante campanha eleitoral ou no exercício do mandato.

Ouça a reportagem de Cristina Coghi e a bronca dos vereadores

O sistema de câmeras com captação de aúdio está instalado, também, em salas onde ocorrem audiências públicas. Existe a possibilidade destas imagens serem levadas para a internet permitindo que o cidadão acompanhe as sessões. No entanto, seria necessário ainda resolver o problema da captação de som que é de baixa qualidade.

A utilização deste sistema para acompanhar o trabalho dos vereadores é bem-vinda. Para fazer escuta e constranger jornalistas , é lamentável.

(atualizado em 05.12, 16:30)

No fim da tarde de sexta-feira, o presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Antônio Carlos Rodrigues (PR), mandou a assessora de imprensa da presidência enviar nota à CBN (leia a nota na íntegra a seguir) negando a existência de câmera de vídeo na sala de imprensa, que o sistema de circuito interno capte áudio e que haja controle no acesso dos jornalistas do Legislativo Municipal.

Vereador influente na casa me confirmou que as câmeras captam o áudio, apesar da má qualidade, conforme já havia registrado na primeira versão deste post; a câmera em questão não está dentro da sala de imprensa – como cheguei a dizer durante leitura do post no CBN SP – está em ala reservada aos jornalistas ao lado do plenário, conforme informado na reportagem de Cristina Coghi (recomendo que acessem o link acima) -, espaço conhecido informalmente como “cercadinho”, onde repórteres conversam com os vereadores e trocam informações entre si, algumas sigilosas; todo e qualquer jornalista, seja de TV, rádio, jornal ou internet, que entrar na Câmara, precisa se identificar à Guarda Civil Metropolitana e aguardar autorização da assessora de imprensa da presidência para acessar o prédio, enquanto os demais cidadãos necessitam apenas apresentar RG na portaria aos funcionários administrativos.

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Vereador explica rodízio de 2 dias

 

A falta de discussão em torno do projeto de lei que aumenta a restrição de circulação de trânsito na capital paulista incomoda o vereador Ricardo Teixeira (PSDB), autor da ideia. Ele disse que nas audiências públicas faltam questionamentos pelo cidadão e não há apresentação de proposta para melhorar o texto aprovado em primeira votação.

Teixeira explicou ao CBN São Paulo como funcionaria o rodízio de carros em dois dias da semana, com restrição de circulação para quatro finais de placa a cada dia. Além disso, falou sobre outras medidas propostas como a criação de ciclofaixas interligando todos os parques da cidade, faixa com prioridade para motos e carros com mais de um passageiro, e a mudança no horário do comércio para evitar o deslocamento no horário de pico.

Ouça a entrevista do vereador Ricardo Teixeira (PSDB) ao CBN SP

Taboão também aumenta IPTU e sem discussão

 

iptu-300x299“Na sessão desta terça-feira, dia 1 de Dezembro, os vereadores de Taboão da Serra se calaram e aprovaram, sem qualquer discussão ou ressalva, o projeto de lei, encaminhado pelo executivo municipal, que atualiza a Planta Genérica de Valores (PGV) e, consequentemente, aumenta o valor de IPTU. Mais uma vez a população taboanense não foi consultada e só vai perceber o tamanho real do aumento quando o carnê do imposto chegar, via correio, a partir do mês de fevereiro de 2010”

A informação é de Allan dos Reis que adotou todos os vereadores da cidade de Taboão da Serra, região metropolitana de São Paulo, e está indignado com a falta de diálogo com a população. Apesar da dificuldade em obter informações – o líder do Governo, Vereador Paulo Félix (PSDB), após aprovar o projeto, não deu entrevista sob a alegação de que precisava se inteirar melhor do assunto -, ele diz que em algumas áreas o aumento deve chegar a 100% dos valor do IPTU pago, neste ano.

Leia a reportagem completa de Allan dos Reis

Câmara discute em audiência dois dias de rodízio

 

Dia Mundial Sem Carro na 23 de Maio 1Impedir que você circule de carro no centro expandido da cidade por sete horas em dois dias na semana é a ideia do projeto que será discutido em audiência pública, hoje, na Câmara Municipal de São Paulo. Atualmente, a proibição é para duas placas, por dia, e por seis horas. A proposta do vereador Ricardo Teixeira (PSDB) retiraria 40% da frota paulistana nos horários de pico dos dias úteis.

Em relação ao horário do rodízio, os automóveis não poderiam circular pela manhã das 7 às 10 horas, como atualmente, e das cinco da tarde às nove da noite – hoje a proibição é até às oito da noite. No projeto, outros aspectos como o aumento na restrição de estacionamento em vias da cidade são contemplados visando a melhora no fluxo de carros na capital paulista.

Teixeira disse ao site do Movimento Nossa São Paulo que “o projeto promove grande mudanças na cidade, mudanças polêmicas, e é natural que se queira debater mais o assunto.” Hoje, a Comissão de Finanças e Orçamento discutirá o tema na segunda audiência pública, o que abre a possibilidade de o assunto ir para o plenário.

Apesar de líderes dos partidos terem dito ao site do Nossa São Paulo que dificilmente haverá consenso neste ano para a votação do tema, os vereadores enfrentam um dilema. É praxe que pelo menos um projeto de lei proposto pelos parlamentares seja aprovado a cada ano, mesmo que o assunto não seja de agrado da maioria.

Se a tradição persistir neste fim de ano, os vereadores terão de aprovar o projeto de lei de Ricardo Teixeira que foi o único apresentado pelo parlamentar. E caberá ao prefeito vetar.

Em setembro, o Ibope fez pesquisa com cidadãos paulistanos na qual 52% disseram ser favoráveis à ampliação do rodízio para quatro dias, enquanto 42% foram contra. O maior problema nesta proposta está no fato de que os dias em que haveria restrição para circulação de carros mudaria de uma semana para outra. Um dos motivos do sucesso do rodízio – além da própria fiscalização – é o fato de os dias de restrição permanecerem o mesmo, facilitando a organização da agenda do motorista.

“Não é bode, não”, diz secretário sobre IPTU

 

bodeA política brasileira está cheia de bode na sala. Mas o projeto de lei que aumentava o IPTU em até 60% não era um deles. É o que insiste dizer o secretário de Finanças de São paulo Walter Rodrigues, apesar de ter demonstrado durante entrevista no CBN SP, de que a aprovação da proposta negociada na Câmara com reajustes menores (mas nem por isso pequenos) em nada prejudica os planos para 2010. Ou seja, já estavam dentro do previsto.

O que o bode tem a ver com isso ? Ele é personagem de uma velha história que se passa na casa da família com problemas financeiros, sem emprego e sem comida. Um dia, o pai aparece com um bode na sala. Ninguém entende nada até porque os problemas aumentam. O bode fede, incomoda a todo mundo, torna a vida insuportável. Em seguida, o pai tira o bode da casa e todos acreditam que as coisas ficaram melhores, apesar de nenhum dos velhos problemas terem sido resolvidos.

Depois de tentar majorar o IPTU em índices absurdos, o prefeito aceitou reduzir para até 30% nos imóveis residenciais e 45% os comerciais. O peso do reajuste ainda assim será grande, mas a ideia que a prefeitura passa é que foi boazinha com todos e aceitou recuar – ou fazer uma “mudança estratégica”, como prefere o prefeito Gilberto Kassab (DEM).

Mas vamos ao que disse o secretáario:

Ouça a entrevista do secretário Walter Rodrigues, ao CBN SP

O aumento do IPTU e o impacto político

 

adoteO eleitor esquece. Em poucas palavras é o que pensa o doutor em ciências políticas da USP Rui Tavares Maluf em relação ao impacto político que terá a decisão dos vereadores que apoiaram o aumento do IPTU. Ele entende que ao determinarem o reajuste no primeiro ano da atual legislatura, a distância até a próxima eleição amenizará qualquer prejuízo na imagem dos parlamentares. Memo para o prefeito Gilberto Kassab (DEM), autor da proposta, o peso da medida será menor.

Ouça a entrevista de Rui Tavares Maluf ao CBN SP

Como o seu vereador votou o aumento do IPTU

 

PLENARIO-1-12-2009-RenattodSousa-6440-72A mão forte do prefeito Gilberto Kassab (DEM) pesou mais do que a pressão popular, e o projeto que aumenta em valores consideráveis o IPTU de 2010 do paulistano foi aprovado por 39 votos a 15, e uma ausência. Mesmo assim, após dois dias de intensa negociação, o Executivo aceitou recuar alguns passos para conter a pressão da base governista que temia a reação negativa do eleitor.

O aumento máximo no IPTU do ano que vem foi reduzido para 30% nos imóveis residenciais e 45% nos comerciais (seria de 40% e 60%, respectivamente). O número de isentos também será maior do que o previsto por Kassab: 1,07 milhão. Na negociação com o prefeito, ficou acertado que os reajustes que não foram feitos agora serão parcelados nos próximos anos. No fim das contas, a prefeitura ainda terá R$ 544 milhões a mais no caixa, apenas com o IPTU.

Somente um vereador não esteve presente no plenário para votar: Netinho de Paula (PC do B). Desta vez, não houve abstenção, todos que estiveram no plenário disseram sim ou não para a proposta de aumento do IPTU do prefeito Kassab.

Veja como o seu vereador votou:

A favor

Abou Anni (PV)
Adilson Amadeu (PTB
Adolfo Quintas (PSDB)
Agnaldo Timóteo (PR)
Antonio Carlos Rodrigues (PR)
Atílio Francisco (PRB)
Aurelio Miguel (PR)
Carlos Alberto Bezerra Jr. (PSDB)
Carlos Apolinario (DEMOCRATAS)
Claudinho (PSDB)
Claudio Fonseca (PPS)
Dalton Silvano (PSDB)
Domingos Dissei (DEMOCRATAS)
Eliseu Gabriel (PSB)
Floriano Pesaro (PSDB)
Gilson Barreto (PSDB)
Goulart (PMDB)
Jooji Hato (PMDB)
José Olímpio (PP)
José Police Neto (PSDB)
Juscelino Gadelha (PSDB)
Mara Gabrilli (PSDB)
Marcelo Aguiar (PSC)
Marco Aurélio Cunha (DEMOCRATAS)
Marta Costa (DEMOCRATAS)
Milton Ferreira (PPS)
Milton Leite (DEMOCRATAS)
Natalini (PSDB)
Noemi Nonato (PSB)
Paulo Frange (PTB)
Penna (PV)
Quito Formiga (PR)
Ricardo Teixeira (PSDB)
Roberto Tripoli (PV)
Sandra Tadeu (DEMOCRATAS)
Souza Santos (PSDB)
Toninho Paiva (PR)
Ushitaro Kamia (DEMOCRATAS)
Wadih Mutran (PP)

Contra

Alfredinho (PT)
Arselino Tatto (PT)
Celso Jatene (PTB)
Chico Macena (PT)
Claudio Prado (PDT)
Donato (PT)
Francisco Chagas (PT)
Gabriel Chalita (PSB)
Ítalo Cardoso (PT)
Jamil Murad (PC do B)
João Antonio (PT)
José Américo (PT)
José Ferreira (Zelão) (PT)
Juliana Cardoso (PT)
Senival Moura (PT)

Cassação de governadores não comove eleitores

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos 

Um pedido de vista – o Ministro pediu o processo para examinar o seu conteúdo para depois votar – interrompeu o julgamento do governador de Rondônia, Ivo Cassol, no TSE. O placar está empatado em um a um. Corre o risco de ser cassado pois a decisão no TRE local foi unânime em cassá-lo. Está no cargo porque obteve uma Medida Liminar (provisória) do mesmo TSE, que entende prudente evitar o rodízio e o trauma das substituições.

Meses antes, o Tribunal havia confirmado a cassação dos mandatos do governador e do vice-governador da Paraíba por abuso de poder econômico e político e prática de conduta vedada nas eleições de 2006.  O TSE, tal e qual como já fizera o Tribunal Regional Eleitoral daquele Estado, reconheceu a utilização viciada e espúria de programa social para distribuir recursos públicos mediante a entrega de cheques a determinadas pessoas, eleitores, visando à obtenção de benefícios eleitorais. Diante da ausência de previsão legal e orçamentária para distribuição daqueles recursos e da ausência de critérios objetivos tais como estudos sociais, perfil do beneficiado, comprovação de carência, etc para escolha e concessão de benefícios, aquele Tribunal declarou o uso promocional do programa social. 

Um detalhe decisivo para a cassação: o próprio governador distribuía os cheques e atendia pessoalmente a eleitores em diversos municípios do Estado. Depois, numa prática nauseante, o Governo por ele chefiado, em nome do contribuinte, claro, enviava foto do governador junto com os cheques distribuídos. Para arrematar, às vésperas do pleito, ocorreu uma elevação dos gastos com o “programa”.

Embora afastado do cargo, Cunha Lima lidera com folga absoluta as pesquisas para o Senado Federal, a ser disputado em 2010.  

No início de março, o mesmo TSE cassou os mandatos do governador e do vice-governador do Maranhão por abuso de poder político, eis que suas campanhas eleitorais haviam sido drenadas por práticas não menos medonhas pelo governador da época. No julgamento, o Tribunal registrou a ocorrência da assinatura de convênios públicos do Estado em comícios do candidato Jackson Lago. Cassado e afastado, Lago provavelmente será candidato a Governador novamente em 2010, dizem os sites maranhenses.

Tanto o sucessor de Cunha Lima quanto de Lago respondem em processos junto aos seus TREs e TSE por motivos bastante semelhantes: abusos nas eleições de 2006.

Sabe-se que um expressivo contingente de candidatos disputa eleições desenvolvendo campanhas limpas e pregando propostas sem a interferência do abuso de poder econômico, político ou de autoridade. Todavia, não se pode ignorar que o discurso piegas de conotação sebastianista tem se mostrado deveras eficaz a ponto de vitaminar aristocracias estaduais, especialmente diante do horário gratuito de rádio e televisão proporcionado pela legislação, que a tudo distorce. 

A eficácia da relação paroquial e clientelista é indiscutível, sobretudo junto àqueles colégios eleitorais que apresentam altos índices de analfabetismo, baixa renda e desemprego.

Tal contexto, num país onde muitas campanhas eleitorais são drenadas pela corrupção e oportunismo entre o público e o privado, torna impossível divinizar a cidadania e transformar a representação popular em algo intocável ou insuscetível de questionamento judicial. Logo, cassar mandatos obtidos de forma espúria, indevida e sob o rompimento da legalidade, é uma valorização da Democracia.

Adiante, no início de novembro, o STF, confirmando decisão do TSE, cassou o mandato do Senador Expedido Júnior por corrupção eleitoral (cassado em Rondônia neste mesmo processo que o Governador Ivo Cassol responde). Porém, o Senador que assumiu a sua cadeira responde a vários processos, sendo que num deles, criminal, foi condenado à pena de prisão. Mais? Seu primeiro suplente no Senado é o seu pai. Mais um registro de nepotismo na Suplência.

Retomando, cabe uma pergunta: quem será que lidera as pesquisas para o Governo Estadual de Rondônia em 2010? O mesmo ex-Senador cassado!

Caso DF: juridicamente, há possibilidade de Impeachment, eis que os fatos, segundo as informações e gravações denunciantes, envolvem atos de gestão pública.

Estes processos, assim como mais meia dúzia de similares envolvendo outros Governadores que aguardam pauta no TSE, evidenciam que a reeleição para o Poder Executivo não deu certo no Brasil É necessário repensar o seu formato atual, que facilita a recondução do titular por conta da verdadeira confusão que se estabelece entre o gestor-candidato, um verdadeiro palanque ambulante.

O eleitor destes colégios eleitorais é, sem dúvida, partícipe direto deste circo de horrores. Aliás, a responsabilidade é parelha tanto dele como dos eleitos, vez que o candidato concorre porque sabe – e usufrui – desta relação neurótica. Afinal, todos os demandados na Justiça Eleitoral nestes processos foram eleitos ou reeleitos.

Por outra, cassar governadores que foram eleitos de forma ilícita não significa uma interferência de um poder no outro, tampouco rompimento da representação popular e muito menos vulneração da cidadania. Trata-se de uma restauração compulsória da normalidade, da ordem e até mesmo da higiene. 

Contudo, de tudo isso, também é possível se concluir que as cassações judiciais, se a um ângulo determinam o encerramento dos mandatos obtidos de forma espúria, a outro, não comovem os eleitores, visto que estes, sob a forma de desagravo, reconduzem cassados a relevantes cargos públicos.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado em direito eleitoral e escreve às segundas-feiras no Blog do Mílton Jung.