Avalanche Tricolor:  calma que estamos chegando!

Brusque 1×1 Grêmio

Brasileiro B – Estádio Augusto Bauer, Vale do Itajaí/SC

Villa e Bitello comemoram o gol do Grêmio, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

Às vésperas da viagem a Porto Alegre, com uma série de tarefas a realizar, apesar de as férias terem se iniciado há três dias, e com as malas a fazer, ainda deu tempo de sentar à frente da TV e assistir à partida desta noite. Estava apenas cumprindo tabela, confesso. A mente ainda mantinha o ritmo acelerado por uma trabalho intenso, compromissos que não cabiam em apenas uma agenda e um trânsito complicado no início da noite paulistana.

Assisti ao primeiro tempo do jogo do jeito que deu. Na tela do celular,  enquanto me deslocava do último compromisso do dia para a casa — garanto que o fiz com toda a segurança possível. Dei mais ouvidos do que olhos para a partida que rolava na “tv”. E o que ouvia do narrador e dos críticos era crítico. Expectativa zero de sairmos com a vitória em mais um partida fora de casa. 

Foi então, com surpresa, que tive tempo de ouvir o gol que abriu o placar logo no início do segundo tempo — uma jogada com qualidade bem superior a tudo o que havíamos registrado até então e acima daquilo que viríamos a seguir. Ferreirinha e Bitello triangularam, tiveram precisão no passe e completaram para as redes, com um toque sutil entre as pernas do goleiro adversário. 

Pelo visto, foi tudo que conseguimos fazer. E o suficiente para levar mais um empate para casa. 

Há quem reclame da série de empates fora de casa. Haverá de convir, porém, que muito melhor são os empates do que as derrotas “conquistadas” pelos adversários que estão ficando cada vez mais para trás. 

Toda vez que ouço os comentaristas repetirem que “o Grêmio chegou ao oitavo jogo sem vitórias como visitante”, penso que eles esqueceram de lembrar que desses oito somente em um deixamos de pontuar — ou seja, perdemos apenas uma partida fora de casa. Os empates fora de casa têm sido compensados com as vitórias na Arena — foram sete até agora. 

No total, 19 jogos, oito vitórias, nove empates e apenas duas derrotas — suficientes para nos colocarem entre os quatro primeiros que sobem para a primeira divisão, ao fim do primeiro turno do campeonato.

Sábado que vem se inicia o returno quando teremos a oportunidade de enfrentar os adversários mais fortes na Arena. Eu estarei lá na Arena para reforçar nossa torcida. E em campo, teremos Lucas Leiva — que trará talento e maturidade para o meio de campo — e um elenco mais consistente, com a chegada de Thaciano e Guilherme. Roger também está conseguindo fazer com que o time tenha melhor performance, especialmente quando joga em casa. Tudo leva a crer que essa nova etapa será bem melhor, e a primeira divisão ficará ainda mais próxima. 

Calma, gente, nós estamos chegando!

Avalanche Tricolor: sai da frente que atrás vem gente!

Grêmio 3×0 Tombense

Brasileiro B – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Bitello prestes a marcar seu gol, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

Lá se foram um tanto de horas desde o apito que marcou o fim de mais uma boa partida do Grêmio. Nesse meio tempo, namoramos o terceiro lugar da tabela de classificação pela primeira vez desde o início da “maldita” B, tiramos vantagem sobre os que tentam colocar o pé na zona de classificação e encostamos nos que estão acima na tabela. 

Mais do que isso: chegamos a 12 jogos invictos, cinco vitórias seguidas em casa, tomamos um só gol nas últimas dez partidas e elevamos Diego Souza a goleador da competição, já tendo marcado nove. 

As conquistas não param por aí: se na rodada anterior não titubeei em taxar que “o Grêmio renasce para o futebol”, a distância entre o fim do jogo e o momento em que escrevo essas linhas me dá tranquilidade para afirmar: “sai da frente que atrás vem gente!”.

O Grêmio descobriu o caminho do futebol. Está de volta a triangulação,  sempre demandada por Roger, em que cada jogador que tem a bola no pé encontra dois colegas disponíveis para receber, ampliando o percentual de passes certos — vide as estatísticas de Villasanti e Bitello. Sem a bola, marca próximo da área do adversário e aumenta o índice de desarmes e interceptações. 

Lá atrás, na defesa: #meodeosdoceo. Gabriel Grando ganha maturidade e, na partida, fez defesas difíceis — a primeira logo no início, o que eliminou a possibilidade de iniciarmos a disputa em desvantagem. Os laterais dão sinais de estarem mais seguros, Bruno Alves faz da discrição sua eficiência. E Geromel …. será que ainda tenho palavras para elogiá-lo? O Cara é o melhor jogador da série B, segundo meu coração e as estatísticas do serviço Footstats 12A.

Sim, caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche, mesmo depois de tantas horas após o fim da partida desse sábado à tarde, meu entusiasmo pelo futebol jogado segue firme e forte. Alguém pode me acusar de ser um iludido — talvez até tenha razão e eu não correrei para negar — mas essa minha sensação diz muito sobre o que Roger está conseguindo construir no comando do Grêmio, aos trancos e barrancos. 

Que venham os reforços! Que cheguem as próximas rodadas! E que essa “maldita” termine logo, porque não vejo hora de assistir ao Grêmio de volta ao seu lugar.

Avalanche Tricolor: o Grêmio renasce para o futebol

Grêmio 2×0 Náutico

Brasileiro B – Arena Grêmio, Porto Alegre RS

Geromel perfeito como sempre, em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Há 17 anos, o Grêmio renascia para o futebol em uma partida que entrou para a história, enfrentando o mesmo adversário desta noite. Na época, foi protagonista de um feito inacreditável que ganhou nome e sobrenome: Batalha dos Aflitos. Daquele tempo, não apenas por coincidência, estavam, hoje, na Arena, Galatto, Anderson e Lucas Leiva. Mais do que eles, estava em campo o mesmo espírito aguerrido de um time que se notabilizou pelos resultados impossíveis, a ponto de ter conquistado o direito de usar “Imortal” como epíteto. E isso foi essencial para a vitória neste fim de sexta-feira que, guardadas as devidas dimensões, também nos fez renascer.

A sequência de partidas invictas e a presença constante nas últimas rodadas na zona de classificação não eram suficientes para o time conquistar a admiração e o engajamento dos torcedores. A qualidade do futebol jogado era sofrível. A bola, maltratada. A vergonha da queda estava na postura dos jogadores que pareciam entrar em campo arqueados. O constrangimento de estar na Segunda Divisão falava mais alto do que o desejo de deixá-la. 

Hoje, depois de um primeiro susto, que não durou muito mais do que três minutos, a postura do Grêmio foi outra. A marcação forte lá na frente sufocou o passe de bola adversário. A precisão das nossas jogadas era visível com a aproximação dos setores, o deslocamento mais rápido dos jogadores e a chegada frequente ao gol adversário. Uma entrega que não se via até então com tanta intensidade, por mais que alguns jogadores se esforçassem para oferecer isso ao torcedor.

Quando se aproximava o fim da primeira tempo, dirimindo qualquer temor de que o que assistíamos era apenas uma ilusão, abrimos o placar com um gol de Ferreirinha, que começa a voltar à equipe depois de longo período de lesão. No segundo tempo, mesmo que o ritmo tivesse diminuído, a ideia de jogo imposta por Roger se mantinha, com alguns jogadores se destacando acima da média, como Villasanti e Biel. Aos 34 da etapa final, após uma sequência de jogadas no ataque, Bruno Alves concluiu de cabeça e ampliou o placar para dois a zero.

Era, sem dúvida, um Grêmio diferente que assistíamos em campo. E o torcedor logo entendeu o recado, oferecendo em troca seu apoio e incentivo. Aplaudiu, cantou e vibrou como nunca nesta temporada. A alegria do futebol estava de volta, mesmo com algumas limitações e deficiências que precisam ser corrigidas. Roger sabe disso e tem se esforçado nesse sentindo, já prevendo o aproveitamento dos reforços que chegam — em especial Lucas Leiva, sim, nosso volante que iniciou sua jornada na Batalha. 

Agora já estamos há onze jogos invictos, seguimos na quarta posição mas já pedindo passagem para os poucos adversários que estão acima na tabela de classificação. O Grêmio ressurgiu para o futebol nesta noite sob o comando de Geromel que tem sido, sem dúvida, o principal jogador desta equipe, pela sua liderança e pela qualidade que desfila nos gramados. O que fez na Arena nesta sexta-feira foi coisa de outro mundo. Colocou os atacantes adversários no bolso, desarmou, deu chapéu, driblou, saiu para o ataque e ofereceu assistência aos seus colegas. Ninguém mais do que ele merecia ver o Grêmio redivivo para o futebol.

Avalanche Tricolor: minha mãe tinha razão!

Bahia 0x0 Grêmio

Brasileiro B – Arena Fonte Nova, Salvador BA

Grando defende mais uma, em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Os acréscimos já corriam no cronômetro do árbitro quando a bola veio por cima, pegou a defesa se deslocando e Bruno Alves em uma rara atrapalhada, até aparecer livre no pé do atacante de frente para o gol. A Gabriel Grando restou abrir ao máximo seus longos braços, escancarar as pernas o mais distante que foi possível e diminuir o espaço para o chute. A batida da bola no pé do poste ecoou de Salvador a Porto Alegre e som passou raspando aqui por São Paulo. Acompanhei em silêncio e sem respirar o interminável instante em que a bola percorreu a trajetória entre o pé do atacante e o poste gremista; o silêncio e o momento anaeróbico se mantiveram até ela ser despachada para escanteio por um dos nossos que estava no caminho.

Tomar um gol àquela altura causaria um tremendo estrago para nós que estamos resistido entre os quatro primeiros do campeonato desde que assumimos este posto há três rodadas. Diante das limitações técnicas perceptíveis sempre que a bola começa a rolar, a manutenção no G4, o reduzido número de gols que tomamos — apenas cinco em 16 jogos — e a série de dez partidas invictas são quase uma dádiva dos “deuses do futebol”, como se tentassem se desculpar por não terem nos concedido a benção de “sofrer sem cair” no ano passado — não que tivéssemos feito por merecê-la. 

Justiça seja feita, estar na parte de cima da tabela tem muito a ver com a forma com que Roger decidiu montar o time, considerando o elenco que tinha em mãos. O treinador sabe que não tomar gol e sair de campo sempre com algum ponto no bolso, nas partidas fora de casa, é lucro, enquanto não encontra a formação ideal nem os jogadores apropriados para cada posição. É dele, também, a capacidade de mobilizar o grupo a superar com muito esforço e dedicação a falta de criatividade. 

Tem o mérito de Grando, na partida de hoje — que fez ao menos duas grandes defesas — e de Geromel, em todo o campeonato — nosso capitão é supremo mesmo frente às dificuldades do time. E, claro, se aqui estamos na décima-sexta rodada do Campeonato Brasileiro, devemos muito à máxima que ouvia da Dona Ruth, sempre que eu conseguia me safar de alguma molecagem aprontada lá nas bandas da Saldanha Marinho: “guri, você tem mais sorte do que juízo!”.

O Grêmio, também, mãe! O Grêmio, também! 

Avalanche Tricolor: dia para se ter orgulho

Grêmio 1×0 Londrina

Brasileiro B – Arena Grêmio, Porto Alegre

Geromel com a faixa nas cores do arco-íris, em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

A bola roubada ainda no ataque, o  movimento rápido dos jogadores de frente, o passe com velocidade e precisão e a conclusão estufando a rede estiveram presentes no único e necessário gol do Grêmio, nesta noite de terça-feira. Não tínhamos ainda nem mesmo 15 minutos de futebol na Arena quando a equipe comandada por Roger tomou à frente do placar e dava sinais de que dominaria a partida.  Não foi bem assim que as coisas se desenrolaram, especialmente no primeiro tempo, quando o time deixou de ter a intensidade sempre pedida pelo técnico.

No segundo tempo, por curioso que pareça, a performance foi muita mais próxima daquilo que se imagina para o Grêmio nesta temporada, apesar de não termos conseguido marcar nenhum gol e sofrido com as estocadas do adversário. Chegamos com maior frequência ao ataque, vimos mais movimentação pelas pontas, aceleramos o passe e houve a exigida entrega de cada jogador em campo. Quem não conseguiu oferecer técnica, doou suor e no estágio atual é o que precisamos para a única conquista que nos move neste momento: voltar à Série A.

Ao fim e ao cabo, chegamos a nove jogos invictos e três vitórias seguidas em casa, marcamos 13 gols e tomamos apenas cinco, em 15 partidas — campanha suficiente para nos manter mais uma rodada entre os quatro primeiros colocados. 

Começa a chegar a hora de o torcedor entender que o comportamento precisa mudar nas arquibancadas, também. A ressaca do rebaixamento não pode servir de desculpas para o desânimo. A dificuldade que o time ainda tem de encantar, vem sendo superada com o esforço do grupo. 

Do lado de fora, a direção apresentou, na noite de hoje, aquele que pode ser o estopim para a retomada da avalanche que foi marca de nossa torcida — se não literalmente, porque está proibida, ao menos de forma simbólica: Lucas Leiva está de volta com a camisa 15, a mesma que vestiu na Batalha dos Aflitos, na sua estreia de temporada pelo Grêmio, em 2005. Fez parte do grupo que dois anos depois chegou à final da Libertadores, para após se consagrar no futebol da Europa.

Vamos aproveitar a manutenção no G4, a sequência de resultados positivos e o retorno de ídolo para “entrar em campo” e jogarmos juntos com o time. Ter orgulho do que conquistamos em nossa história, nos inspirarmos nessas glórias e ajudar o Grêmio a voltar à sua jornada campeã. 

Eu sei que o desempenho tende a não motivar muita gente, mas poderíamos recuperar a alegria de ver o futebol, ocupando todos os espaços da Arena, levando o time a jogar embalado pelas cantorias e gritos de incentivo. Tem sido assim com alguns dos nossos principais adversários que mesmo tendo nível técnico muito semelhante ao nosso, jogam com uma motivação extra, graças ao apoio de seus torcedores.

Adoraria ver de volta a alegria daqueles rapazes que no fim dos anos de 1970 não tiveram medo do preconceito, das ameaças de uma gente selvagem e da própria repressão política e policial, que imperava na época, ao fundarem a Coligay, a primeira torcida assumidamente gay do país. Um grupo de jovens, gremistas e fanáticos que superaram todas as dificuldades — inclusive a escassez de títulos — para ocuparem seu espaço na arquibanca e na sociedade, sem precisarem esconder suas identidades. 

A Coligay foi pioneira e surgiu em 1977, na mesma época em que o Grêmio retomaria o título gaúcho, e se manteve até 1983, quando fomos campeões do Mundo. Apesar da demora para ser reconhecida como patrimônio de nossa história, foi um marco na luta em favor da diversidade.  

Se muitos clubes neste 28 de junho se identificaram com a causa LGBTQIA+, estampando as cores do arco-íris em seus uniformes e bandeiras, somente um time de futebol pode dizer com orgulho no coração ter acolhido a primeira torcida gay do País. 

Que o entusiasmo da Coligay baixe sobre cada um dos nossos torcedores e possamos colocar em prática o lema da campanha de marketing que o Grêmio escolheu este ano: “quando time e torcida jogam juntos ninguém mata quem é imortal”. 

Para conhecer melhor a história da Coligay, conheça o livro ‘Coligay: tricolor e de todas as cores”, escrito pelo jornalista Léo Gerchmann

Avalanche Tricolor: antes de os astros se alinharem

Avalanche Tricolor:

CSA 1×1 Grêmio

Brasileiro B – estádio Rei Pelé, Maceio/AL

Janderson comemora o gol de empate, em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Os astros se alinharam nesta madrugada de sexta-feira, em um desses fenômenos que ocorrem com baixa frequência. A última vez foi há 18 anos e a próxima só em 2040. Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno e a Lua, todos a olhos vistos, atuando de forma sintonizada no céu, em uma parceria de dar inveja a quem tenta encontrar o mesmo nos gramados brasileiros —- e aqui não falo exclusivamente do meu Grêmio: o futebol jogado, com as exceções astronômicas de sempre, tem sido de qualidade bem discutível.

Antes do espetáculo no céu, assisti ao jogo do Grêmio, em Alagoas, onde a falta de sintonia dos ‘astros’ esteve evidente no primeiro tempo e melhorou um pouco no segundo, o que logo se percebeu com o gol relâmpago, no primeiro ataque coordenado, com os pontas chegando em velocidade pelos lados e Janderson concluindo para as redes. Dali pra frente, a despeito de alguns sustos — e que sustos —, o time dava sinais de que tinha potencial para virar o placar. Chances apareceram e foram desperdiçadas. Por outro lado, riscos ocorreram e, ainda bem, não se realizaram. 

Ao fim e ao cabo, levar um ponto para Porto Alegre se não era o ideal, era o que tínhamos para a noite de quinta-feira, especialmente depois de sair atrás do placar. Estamos há oito jogos sem saber o que é derrota e espero que essa jornada invicta se estenda por muito mais rodadas, ao menos até estarmos consolidados entre os quatro primeiros colocados da competição. 

Enquanto esse momento não chega, nos cabe levar adiante a máxima italiana que o Zio Ferretti, lá de Caxias do Sul, costumava repetir nas mais diversas situações: piano, piano, se va lontano. E desejar que, da próxima vez, os astros se alinhem em nosso favor — os celestes e os tricolores.

Avalanche Tricolor: Diego Souza, um oportunista

Grêmio 2×0 Sampaio Corrêa

Brasileiro B – Arena Grêmio, Porto Alegre RS

Diego comanda a comemoração do gol, em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Pode me chamar de oportunista — se é que você, caro e raro leitor desta Avalanche ainda desperdiça seu tempo me chamando de alguma coisa. Pelo que li, se não neste blog, ao menos nas redes sociais, ainda tem quem perca seu tempo me criticando. Verdade que a avalanche de comentários não veio pelo que falo e penso do futebol. O tema era outro: política. E o clima anda quente por aquelas bandas.

Sendo assim, de volta ao futebol e ao meu oportunismo. Foi estratégico de minha parte esperar o fim da rodada de sábado para escrever sobre o Grêmio. Em outros tempos, teria feito meus elogios (?) logo após a vitória na Arena. Os três pontos conquistados, porém, não eram a garantia de permanência no G4, pois dependeríamos do revés de um dos adversários, que se realizou já nos embalos de sábado à noite. 

Diante da intolerância de alguns ‘amigos’ de rede social — que são incapazes de procurar um só mérito no time do Grêmio, pois parecem mais interessados em atacar seus desafetos e eleger como salvador seus ídolos —, achei que comemorar a vitória com os dois pés dentro do G4 fortaleceria meus argumentos.

Oportunista portanto que sou, aqui estou, na manhã de domingo, festejando o resultado que o Grêmio alcançou diante de 30 mil torcedores, dentre os quais alguns — ou seriam muitos —- impacientes, que vaiam mais forte do que cantam nossos hinos de louvores. Ainda bem que a turma da ‘arquibancada norte’ agora está mais próxima do gramado e consegue, assim, com efeito, entoar nossas músicas e empurrar o time e os demais torcedores. 

Preferiria que os protestos contra os desafetos viessem ao fim da partida e não enquanto a bola está rolando, pois atinge, também, a segurança dos demais companheiros que estão em campo. Como sou otimista, porém, melhor a vaia na Arena do que a ausência no estádio; melhor o apupo na arquibancada do que a violência que assistimos de torcidas, que ameaçam jogadores e treinadores. 

Quero crer que o time, por maduro que seja, e seu técnico, com inteligência emocional elevada, tenham personalidade para driblar essas situações e superar às críticas — o que só vai ocorrer quando demonstrarem capacidade de se manter entre os quatro primeiros colocados da competição. Só os resultados em campo serão suficientes para acalmar os ânimos e calar os desânimos. 

Por falar em oportunista …

O gol que abriu o placar no sábado foi de puro oportunismo. Diego Souza estava, como sempre costuma estar, no lugar certo e na hora certa para cabecear a bola para as redes, depois do lançamento de Diogo Barbosa — sim, foi do desafeto da torcida o cruzamento lá do outro lado da área que permitiu a chegada de Bruno Alves pelo alto, o cabeceio no travessão e a sobra para o nosso atacante. Foi dele, Diego, o lance do pênalti tanto quanto a cobrança paciente e precisa na bochecha da rede e distante do goleiro que definiu a vitória.

Diego Souza este oportunista é o goleador do Brasileiro B, com sete gols, e o gremista que mais marcou no Século 21, com 80 gols. Aos 37 anos, completados na semana passada, é referência também fora de campo. Muita gente o chamava de ‘cansado’, sem entender que havia sido acometido duas vezes pela Covid e jogava em um time que tinha uma série de dificuldades técnicas — sem nunca deixar de marcar seus gols. Chegou a ser dispensado pela diretoria e aceitou voltar em um gesto de humildade e resiliência. E foi assim, resiliente e oportunista, que calou os críticos.  E só assim, com humildade, resiliência e resultado após resultado, o Grêmio voltará a conquistar a confiança da totalidade de seu torcedor. 

Avalanche Tricolor: nossas virtudes!

Sport 0x0 Grêmio

Brasileiro B – Arena de Pernambuco, Recife/PE

Rodrigues na disputa da bola, em foto de Lucas Uebel

Paciência! Muita paciência! Parece ser a virtude necessária ao fim de mais uma rodada à beira do G4. Estamos a um ponto do grupo que se candidata à ascensão, mas ainda não estamos lá. Não precisa ser agora, porque ainda nos falta bem mais de meio campeonato pela frente, e de nada adianta estar lá para ceder a posição depois. Difícil, porém, é exercitar a paciência em momentos como esse. A ansiedade que nos toma e o desejo de nos livrarmos da maldição da B o mais breve possível, transtornam o torcedor, incomodam os jogadores e pressionam o clube.

Temos de ter tanto paciência quanto força e coragem —- outras das virtudes necessárias para nos elevarmos à Série A. Estas, ao menos, não nos têm faltado. Haja vista a forma como o time se apresentou nas últimas rodadas. Há clara entrega de cada jogador na disputa pela bola, a despeito das limitações técnicas que impedem um passe mais preciso,  um chute certeiro ou a conclusão no gol (que são as virtudes mundanas que o futebol cobra). Nossa defesa é exemplar nesse cenário. Em 12 jogos, tomou apenas quatro gols. Nos últimos cinco, nenhum. Geromel é o ícone deste trabalho; Kannemann, o guerreiro; e Rodrigues, um batalhador. 

O resultado que levamos para Porto Alegre, na noite desta segunda-feira, alcançado com força e coragem, está no limite da paciência exigida. A derrota seria imprudente. Fossem os três pontos, o G4 estaria conquistado Com o ponto ganho na casa do adversário, perseveramos. Seguimos na disputa. E temos a chance de descontarmos a diferença na próxima rodada quando estaremos de volta à Arena.

Como o assunto desta Avalanche são as virtudes. tenhamos fé esperança! 

Avalanche Tricolor: jogando juntos!

Grêmio 2×0 Novorizontino

Brasileiro B – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Janderson comemora diante da torcida, em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Foram necessários dois gols para valer um. Dois pênaltis no mesmo minuto, para um ser sinalizado. Trinta e oito dias para a primeira vitória. E 450 minutos para balançarmos a rede. A despeito de tudo isso saímos com os três pontos que precisávamos para ficarmos ao alcance do G4, que nos colocará de volta à Série A.  

E, às vezes, uma vitória só é suficiente para que se crie um novo horizonte — sem trocadilho com nosso adversário dessa noite de terça-feira. O próprio capitão Geromel — que zagueiro, #meodeosdoceo — falou ao fim da partida: o que até então eram quatro jogos sem vitória, transformou-se em cinco sem derrota. Assim como o que antes era limitação, agora é superação; e os todiados, Thiago Santos e Janderson que o digam, são aplaudidos.  

São os poderes de um gol (no caso dois) e de uma vitória que vinham nos fazendo falta nas últimas semanas e fizeram aumentar a pressão contra Roger, a quem não se queria dar tempo para trabalhar, mesmo que se saiba das dificuldades para reestruturar um time ainda impactado pela tragédia do ano passado. Aliás, recorro mais uma vez às palavras do nosso capitão que chamou atenção, ao fim da partida, ao fato de o time estar dando sinais de que está mais sintonizado com as demandas da Série B — o que já se havia assistido na partida anterior.

Agora, espera-se que também o torcedor entre em sintonia com a Série B, por mais que essa situação seja incômoda para todos nós. Se faltava uma mensagem da equipe o recado foi emitido, dentro e fora dos gramados. Edílson revelou que os jogadores pediram à direção para que se reduza o preço dos ingressos com a intenção de aumentar o público nas partidas em casa, como estamos vendo acontecer com alguns dos clubes que estão no topo da tabela.

Está mais do que na hora de o Grêmio e sua torcida colocarem em prática o lema proposto pelo marketing do clube para esta temporada: “quando time e torcida jogam juntos, ninguém mata o que é imortal!”

Avalanche Tricolor: entre agruras e prazeres, um gole de vinho!

Vasco 0x0 Grêmio

Brasileiro B – Estádio de São Januário, Rio

Benitez luta pela bola em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

À distância, vê-se ao longe; e com a razão se expressando mais do que a emoção. Não sei bem o que teria escrito nesta Avalanche se mantivesse a tradição de publicá-la logo após a partida, nem garanto que fosse muito diferente do que você, caro e cada vez mais raro leitor, vai ler a seguir. Em detrimento desta oportunidade — da escrita imediata —, sobrou-me o espaço para a reflexão nem sempre tão simples de ser feita quando o olhar do torcedor se sobrepõe à lógica do jogo. 

Na noite dessa quinta-feira, enquanto o Grêmio se engalfinhava —- sim, esse é o melhor verbo para definir algumas das poucas cenas que assisti em campo — com o adversário, eu estava cumprindo compromisso assumido com a colônia italiana. Dois de junho é a data da Festa della Repubblica e, a convite do cônsul-geral da Itália, em São Paulo, Domenico Fornara, apresentei a cerimônia oficial, com direito a discursos, música de qualidade e sorteio de prêmios. Tinha muito comida boa, também, devidamente preparada pelo alagoano Zé Maria —- José Maria Meira, um chefe de gosto sofisticado, cultura incrível e de uma simpatia ímpar. Um craque na culinária e na generosidade.

O que um jornalista de sobrenome tedesco fazia no comando da festa italiana talvez valha uma justificativa: entre o Mílton e o Jung, existe um italiano que se expressa nos costumes e hábitos, nos sabores e prazeres, e no sobrenome Ferretti, família oriunda da cidade de Ferrara, na região da Emiglia-Romagha. Foi de lá que o bisnonno Vitaliano partiu em direção ao sul do Brasil e se estabeleceu em Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, no início do século 20. Teve vários filhos, dentre eles Dona Ione, minha nonna, mãe do meu pai, que me deu o privilégio e missão de ser o único dos netos a levar à frente o sobrenome da famiglia

Tudo justificado, voltemos ao futebol.

Em meio a festa, busquei na tela do celular o único recurso para acompanhar, mesmo que de revesgueio, a partida do Grêmio que, diziam, seria a última de Roger Machado. A pressão contra o treinador — típica dos apressados e doentes — existe quase desde o início do seu retorno ao clube. Com duas semanas, o Grêmio caiu na Copa do Brasil, ainda na primeira rodada. No primeiro grande desafio, depois da queda, perdeu o Gre-Nal. A maioria esquece que, em seguida, goleou o tradicional adversário, ganhou o Hexacampeonato Gaúcho e ainda levou de brinde a Recopa Gaúcha. 

O futebol imediatista pensado por muitos, os torcedores ainda machucados com a tragédia de 2021 e aproveitadores da desgraça alheia se uniram contra Roger. Os resultados e a performance de alguns jogadores também não ajudaram muito. Como acredito demais no potencial do nosso técnico, tudo que não queria ver na noite de ontem era o jogo insosso e sem alma das últimas partidas, que, certamente, resultaria em derrota. Convenhamos, não seria um resultado intragável, dadas as circunstâncias — jogávamos em um estádio transformado em caldeirão e contra um dos principais adversários da competição. Mas o contexto não permitia mais um revés.

Foi diante desses cenários ambíguos — em que eu aproveitava os prazeres proporcionados pela colônia italiana, em São Paulo; e o Grêmio, as agruras de enfrentar seus próprios ‘monstros’ e o ambiente hostil criado pelo adversário, no Rio — que vi nosso time lutar como nunca havia feito até então neste campeonato. Em campo, Roger deu preferência aos “cascudos”, apostou na experiência de veteranos, alguns odiados pelo torcedor, e conseguiu mobilizar a equipe, mesmo que ainda não tenha sido capaz de tirar do time um futebol de qualidade.

No segundo tempo, Roger foi obrigado a fazer substituições devido ao desgaste físico de alguns jogadores — a intensidade na marcação no campo do adversário cobra um preço alto. Perdemos espaço e aceitamos a pressão. E, por mais que os chatos das redes sociais só encontrassem defeitos, esse foi mais um mérito do time de Roger: soube resistir à imposição do adversário.

O ponto conquistado fora, os dois roubados do adversário, que jogava em casa, e a permanência no pelotão de cima, a uma vitória do G-4, deveriam ser comemorados ao fim da noite. Tanto quanto a mudança de atitude do time que se revelou capaz de lutar pela bola, apesar de nem sempre saber bem o que fazer com ela quando esteve em sua posse. 

Pelo que li na escrita de torcedores em rede e na fala de alguns cronistas, porém, muitos preferiram exaltar as críticas e os problemas. Fiquei com a impressão de que estavam incomodados com o fato de o conjunto da obra de ontem à noite ter favorecido à manutenção de Roger. Enquanto eles esbravejam e se alimentam de suas convicções odiosas, prefiro me embevecer com a crença de que somos capazes de dar a volta por cima, como já fizemos no passado. E se puder saborear tudo isso com um vinho italiano, melhor ainda!