Avalanche Tricolor: Desculpa, Zé !

 

Grêmio 0 x 0 Coritiba
Brasileiro – Olímpico Monumental

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Lembro quando o Grêmio trouxe Paulo César Lima para formar o time que seria campeão gaúcho em 1979. Famoso por seu comportamento polêmico tanto quanto pelo futebol elegante que jogava, chegou ao Rio Grande do Sul sob a desconfiança daqueles que não viam nele capacidade de oferecer ao torcedor gremista o esforço que sempre esperamos daqueles que vestem nossa camisa. Diziam que não teria força nem vontade para disputar o ríspido Campeonato Gaúcho e logo tiraria o pé das divididas e seu time de campo. Eu era adolescente e recordo do orgulho de saber que o Grêmio estava contratando um craque que havia brilhado na seleção brasileira e nos campos da Europa, onde jogou pelo Olympique de Marseille. Naquela época não era normal trazermos jogadores com este perfil, nossos principais craques com carimbo no passaporte haviam passado pela Argentina e Uruguai. Caju, apelido que ganhou pela cor que pintava a cabeleira, provou ser maior do que os críticos, participou da histórica partida contra o Esportivo, em Bento Gonçalves, única disputada no Brasil abaixo de neve, driblou quem tentou intimidá-lo pela força e conquistou o título de campeão gaúcho daquele ano. Voltou ao Grêmio, em 1983, para conquistar o Campeonato Mundial.

 

Paulo César Caju surgiu nas minhas lembranças neste início de noite de sábado, quando, aliás, assistimos a um jogo nem um pouco memorável – bem distante disto. A imagem daquele craque apareceu graças a Zé Roberto e sua performance impressionante, um jogador que consegue ser talentoso mesmo quando a mediocridade o cerca. Na estatística apresentada ao fim do primeiro tempo, nosso camisa 10 havia feito 20 passes e acertado todos, não sei quantos desses de calcanhar, desnorteando seu marcador e deixando seus companheiros em situação de ataque. A facilidade com toca na bola e como se movimenta para driblar os adversários, além da inteligência e visão de jogo, fazem dele um jogador muito diferente dos demais. Lamento apenas que não é retribuído da mesma forma por parcela de seus companheiros que deveriam pedir desculpas por não serem capazes de acompanhar o raciocínio do nosso craque.

Avalanche Tricolor: a reafirmação de um título

 

Fluminense 2 x 2 Grêmio
Brasileiro – Engenhão (RJ)

 

 

Você que me privilegia, rodada após rodada, com a leitura desta Avalanche não vai se surpreender com o que direi a seguir. Talvez você que esteja somente de passagem, pouco acostumado as minhas declarações apaixonadas, se espante e imagine que estou aqui ocupando espaço com subterfúgios para justificar um resultado que para a maioria dos torcedores brasileiros se aproximaria do infortúnio, pois nos deixa distante do título, mais uma vez. No entanto, eu e, com certeza, boa parte dos gremistas jamais nos pautaremos pelo comportamento da maioria. Temos uma olhar singular em relação ao futebol jogado e as exigências quanto à disposição do nosso time. Entendemos cada partida como uma disputa única, um momento de prazer próprio.

 

E, convenhamos, que prazer foi ver o Grêmio lutar bravamente dentro de campo, nesta noite de quarta-feira. Jogar equilibrando talento e raça, o que para muitos pode ser incompatível. As cobranças de falta de Elano, com categoria, que nos levou ao primeiro gol e de Léo Gago, com força, que deu origem ao segundo, resumem bem este meu pensamento. Também soubemos tocar a bola com esmero e roubar a bola com valentia, apesar da desvantagem numérica, exatamente no momento em que mais precisaríamos estar completos.

 

Não me cabe agora julgar o que levou Marcelo Moreno a tomar aquela atitude antes mesmo de completar o primeiro minuto em campo, logo após substituir Leandro. Quero crer que tenha sido uma reação provocada pelo excesso de paixão, de alguém que não suportou ver o adversário injustamente virar o placar quando o empate parecia ser o resultado mais apropriado até aquele momento. O certo é que a saída do atacante boliviano nos deu oportunidade de reafirmar que somos merecedores do título que mais orgulha nossa torcida. E foi pela reconquista deste título que comemorei ao apito final. O título de Imortal Tricolor.

Avalanche Tricolor: desanimar, jamais !

 

Grêmio 1 x 1 Botafogo
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

 

Dá uma baita tristeza! A cara dos torcedores, destacada pelas câmeras na transmissão da TV, deixava isto muito claro. Um gol naquela altura do campeonato – literalmente – é de desanimar qualquer um. Assim como desanima ver que os lances a nosso favor são anulados, como o gol de Zé Roberto no primeiro tempo, enquanto os principais adversários são beneficiados, às vezes duplamente, na mesma partida.

 

O desânimo sobre o qual escrevo no parágrafo acima, no meu caso em particular, não dura mais do que algumas linhas, pois antes mesmo de começar a escrever esta Avalanche penso em tudo que já passamos na arquibancada, nas dificuldades encaradas com coragem, mesmo quando estávamos cientes da nossa incapacidade, nas derrotas sofridas e classificações que sabíamos impossíveis.

 

Logo percebo que vivemos outro momento, mesmo com resultados adversos como o desta noite de domingo. Mesmo entendendo que não conseguimos manter a bola no pé durante todo o segundo tempo. Sabendo que abdicamos de chutar a gol e nos faltaram substitutos a altura dos titulares.

 

Temos um time que desde a décima rodada está na zona da Libertadores. Tem o respeito dos adversários. Disputa ponto a ponto a vice-liderança. E ainda vive a esperança de conquistar o título, mesmo precisando driblar suas carências, erros de arbitragem e o talento dos concorrentes diretos.

 

Por tudo isso, não temos de desanimar, apenas lamentar. E no meio da semana nos recompor e encarar a partida como final de campeonato, pois não jogamos por um título. Jogamos porque gostamos. Porque queremos vencer sempre.

Avalanche Tricolor: uma jogada que conta uma história

 

Sport 1 x 3 Grêmio
Brasileiro – Ilha do Retiro/Recife

 

 

Estava estatelado no chão, parecia abatido, sem força para reação. Foi humilde para se levantar sem lamentar, não esboçou qualquer reação nos olhos, parecia estar apenas cumprindo sua missão. Teve personalidade para erguer a cabeça, acreditar na sua capacidade, apostar em seu talento e enxergar no horizonte um espaço para brilhar. O lance que resultou no primeiro gol do Grêmio na importante vitória desta noite é praticamente a transcrição da história de Anderson Pico, nosso ala esquerdo que depois de todas as adversidades impostas por ele próprio encontrou no Olímpico, sua primeira casa, o ambiente que necessitava para rever sua carreira. Pediu para ficar, prometeu melhorar, entrou em campo e nunca mais deixou o time. Hoje, fez um gol segundos após escorregar no gramado da Ilha do Retiro e cair. Parecia perdido. Parecia, mas não estava. Ficou em pé, dominou a bola e viu, entre os zagueiros e o goleiro adversários, o espaço para dar inicio a mais uma conquista neste Campeonato Brasileiro. Não me refiro aos três pontos – estes buscamos todos os jogos -, mas a vice-liderança, uma posição que estamos galdando a cada rodada, para a qual nos preparamos para assumir na hora certa, sem precipitação. Faltam dez pontos para superar o líder e ficarmos com o título. A maior parte não acredita que sejamos capazes, considera o resultado final favas contadas. Muitos gremistas devem pensar da mesma maneira, principalmente quando viram que o time enfrantaria esta batalha contra os desesperados da Ilha com um elenco de reservas, pelas ausências de Gilberto Silva, Fernando, Zé Roberto, Elano e Marcelo Moreno. Devem ter preferido assistir às agruras de Max e o bem tramado enredo da novela Avenida Brasil. Azar deles todos, incrédulos. Perderam Anderson Pico, Naldo, Léo Gago, Marquinhos, Marco Antônio e o serelepe Leandro. Um dia serão todos, assim como eu, fiéis à Imortalidade.

Avalanche Tricolor: a vitória de uma torcida

 

Grêmio 2 x 1 Cruzeiro

Gremio x Cruzeiro

 

O juiz acabara de apitar o fim da partida e Marcelo Grohe correu em direção a Geral do Grêmio para comemorar a vitória, jogou a camisa para os torcedores, voltou à goleira, ajoelhou-se e agradeceu. Agradeceu a Deus, a quem é devoto, tanto quanto havia agradecido à torcida gremista a principal responsável pela virada desta noite. Éramos mais de 30 mil no Olímpico Monumental, que não arrederam o pé apesar da dificuldade do time em chutar a gol, da dificuldade ainda maior de superar o goleiro adversário quando conseguia chutar a gol e da tempestade que despencou sobre o estádio assim que a bola começou a rolar. Nenhum trovão, nenhum relâmpago, menos ainda o aguaceiro que teimava em atrapalhar nossas investidas calaram a voz dos nossos torcedores. Assim que levamos o gol em uma jogada isolada e descuidada, o grito soou mais forte nas arquibancadas.

 

Quando voltamos para o segundo tempo, em desvantagem, a pressão aumentou. O time foi empurrado para frente, cada roubada de bola era uma comemoração, divididas eram aclamadas e o esforço para superar a limitação técnica, ovacionado. O gol mais bonito foi o de Marcelo Moreno que entrou no segundo tempo, apesar dos problemas de saúde. Um golaço. Mas foi o de Marquinhos o mais simbólico. Antes de a bola parar no fundo do poço, uma sequência de lances mostrou o que nossa torcida é capaz de provocar. Moreno prensou bola duas vezes com seus marcadores, na segunda, foi jogado ao chão, caiu de joelhos, mas conseguiu fazer o passe. Leandro deu seguimento, entrou com velocidade na área, escapou dos zagueiros e chutou com muita força. No rebote do goleiro, a bola parecia fugir do nosso ataque, mas Marquinhos, caído, com a perna esticada, conseguiu empurrá-la para dentro do gol, quando tudo parecia perdido. Marquinhos, não. A torcida do Grêmio fez aquela bola entrar no gol.

 

Kleber até destacou a energia transmitida no vestiário, durante o intervalo, por Emerson, nosso auxiliar, campeão da Libertadores, do Brasileiro e da Copa do Brasil. Não sabia ele que Emérson era apenas o porta-voz de nossos torcedores e somente por isso fomos capazes de vencer com Naldo, Marco Antonio, André Lima e Marquinhos, e sem Gilberto Silva, Zé Roberto e Elano. À torcida gremista, nosso brinde nesta noite de sábado.

Avalanche Tricolor: Uma só palavra

 

Grêmio 1 x 1 Santos
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

 

Os últimos domingos têm se encerrado com uma boa programação de TV, a começar pelos jogos do Grêmio que, por coincidência, estão fechando as rodadas do Campeonato Brasileiro há alguns fins de semana. Ao fim do jogo troco, imediatamente, o apito do juiz real pelo juiz da ficção, conforme confidenciei há alguns domingos, nesta Avalanche. Tenho gostado muito da série FDP da HBO e não apenas por encontrar várias citações ao Imortal, mas pelas divertidas histórias envolvendo o árbitro Juarez Gomes da Silva protagonizado pelo ator Eucir de Souza. Em seguida, assistimos (e uso o plural, porque a família está unida no sofá de casa) à série The Newsroom que conta os bastidores de um fictício canal de TV e do telejornal comandado por Jeff Daniels no papel do âncora Will McAvoy. Neste domingo não foi diferente, apesar de o Grêmio ter tentado estragar a programação com um “empate fora da curva”. Tanto um seriado como o outro compensaram com boa diversão, polêmica e discussões existenciais.

 

E a você que aguentou ler todo o parágrafo anterior a espera de alguma explicação para o resultado desta noite, quando poderíamos ter nos aproximado perigosamente do vice-líder, colocado pressão sobre o líder e ficado ao alcance do desejo maior, tenho a dizer apenas a primeira palavra que me veio à cabeça, menos inspirado no seriado da HBO e muito mais na confusão que fizemos em campo: FDP.

Avalanche Tricolor: revelações no Equador

 

Barcelona (EQ) 0 x 1 Grêmio
Sul-Americana – Guayaquil

Era final de Copa do Mundo para o adversário, que levou 50 mil torcedores ao seu estádio, planejou cada momento da partida como sendo definitivo e na estratégia contou, inclusive, com o apoio dos gandulas para acelerar o jogo. Apenas não contava com a mística copeira do Grêmio que surgiu mais uma vez no Equador. Menos ainda com a excelente atuação de Marcelo Grohe, que, na noite dessa quarta-feira, recebeu o certificado que lhe faltava para conquistar a confiança dos torcedores. Logo no início da partida, momento que poderia ter sido fulminante para nossas pretensões, Marcelo jogou-se corajosamente aos pés do atacante que já havia conseguido escapar da marcação. Comemorei sua defesa como se fosse nosso gol. Não bastasse o talento, teve sorte ao assistir bolas se chocarem na trave e no travessão, uma delas inclusive resultado de fogo amigo quando Anderson Pico na tentativa de salvar o time deu um peixinho na pequena área e, em vez de jogá-la para escanteio, a cabeceou no poste gremista. Nosso ala praguejou e socou a grama ao fim da jogada quando deveria ter olhado para o céu e agradecido aos Deuses do Futebol que viam tudo das nuvens e de dedos cruzados a nosso favor.

 

O gol no fim do primeiro tempo, quando Werley de cabeça completou cruzamento de Elano, não seria, por incrível que pareça, a maior das emoções na partida. Além das já relatadas defesas de Grohe, tivemos Tony expulso no segundo tempo e, com os dez que restaram em campo, ressurgiu o espírito guerreiro que transformamos em marca na nossa história. A vitória fora de casa nos aproxima das quartas-de-final, mas, antes disso, prova aos nossos jogadores que todos têm de pagar um preço muito alto para vestir a camisa gremista, têm de se redobrar em força, expor-se ao perigo, não temer nenhum adversário e jamais se sentirem impotentes. Na noite em que nos dedicamos à Sul-Americana fomos duplamente recompensados: vencemos nosso adversário no Equador e ficamos mais próximos da vice-liderança do Brasileiro – pelo resultado de nossos adversários e pela coragem revelada.

Avalanche Tricolor: Um bom resultado e boas histórias do rádio

 

Atlético MG 0 x 0 Grêmio
Brasileiro – Belo Horizonte (MG)

 

Nesta semana que se inicia, teremos um dia dedicado ao rádio, dia 25, terça-feira, e muitos admiradores do veículo falarão sobre o assunto. Na sexta-feira que passou, gravei programa sobre o tema ao lado de nomes consagrados como Joseval Peixoto, da Jovem Pan, José Paulo de Andrade, da Bandeirantes, e Heródoto Barbeiro, ex-colega da CBN, sob o comando de Haisen Abaki, âncora da rádio Estadão/ESPM, que promoveu o encontro. Na conversa descontraída, me emocionei ao ouvir histórias do passado do rádio e citações feitas ao meu pai, Milton Ferretti Jung, este que você lê às quintas-feiras, aqui no Blog. E das muitas, Joseval contou como eram as transmissões esportivas nos anos de 1960 e 1970. Com histórico muito mais recente no rádio e histórias menos heróicas para levar ao ar uma partida de futebol, recorri às lembranças do Milton pai, que, em junho deste ano, relatou em post a aventura que foi não transmitir partida entre Grêmio e Atlético Mineiro, no estádio Independência, em Belo Horizonte, na década de 60.

 

Os detalhes do feito (ou do não feito) você lê em “Uma boa história do rádio”, publicada no dia seis de junho, mas em resumo o que Milton pai escreveu é que por incapacidade da Radional, operadora nacional responsável por levar as transmissões ao ar, e carência tecnológica, ele e o comentarista Ruy Carlos Ostermann, narraram um jogo inteiro e somente souberam que a partida não estava sendo transmitida para o Rio Grande do Sul, pela Rádio Guaíba de Porto Alegre, minutos antes de se encerrar. Talvez por prudência ou falta de memória, meu pai, tão ou mais gremista do que eu, nunca me disse qual foi o placar daquele jogo, afinal ainda era uma época em que os times gaúchos não eram vistos com o devido respeito pelos clubes do centro do país.

 

Aqueles eram outros tempos, pois hoje as transmissões de rádio e a tecnologia disponível não nos impõem mais este tipo de risco, salvo a falta de energia elétrica nos transmissões e outros quetais. O rádio está, inclusive, na internet. E nós torcedores conseguimos assistir aos jogos pela televisão, ao vivo, com precisão e uma sequência incrível de cenas captadas por câmeras espalhadas em todo o campo. O Grêmio também é outro, foi campeão Mundial uma vez, Brasileiro e da Libertadores, duas, e é visto por seus adversários como um inimigo difícil de superar. É com base nesta imagem que vejo o empate deste domingo contra o mesmo Atlético Mineiro, um dos protagonistas da história radiofônica descrita por meu pai, como um bom resultado para quem ainda tem pretensões de chegar a mais um título brasileiro. Verdade que naquela época, anos 60, também éramos pretensiosos, mas ainda não tínhamos a fama de Imortal Tricolor. E isso conta muito.

Avalanche Tricolor: um abraço monumental

 

Flamengo 1 x 1 Grêmio
Brasileiro – Engenhão (RJ)

 

Abraço ao Olimpico from Fuca79 on Vimeo.

 

Acabo de assistir a mais um capítulo de FDP, seriado da HBO que tem um juiz de futebol no centro da trama, e mais uma vez o Grêmio é lembrado no roteiro de José Roberto Torero. Dia desses apareceu nossa torcida em sua avalanche e hoje um dos alunos, ao ser perguntado para que time torcia, disse que era gremista, único clube fora do eixo Rio-São Paulo a ser citado na sala de aula. As referências ao Imortal Tricolor apenas reproduzem na tela a percepção que temos do Grêmio na vida real, e a mobilização desse sábado, em Porto Alegre, confirma nosso sentimento. Na comemoração dos 109 anos, reunimos cerca de 25 mil torcedores, de acordo com informações do site Gremio.net, para dar um abraço no Olímpico Monumental, estádio do qual nos despediremos este ano. E o abraço foi muito além das expectativas, pois para um dia sem futebol no gramado, nossa torcida mostrou sua força ao comparecer em número que é mais do que o dobro da média de pessoas que têm visto os jogos do Campeonato Brasileiro. Não pude estar lá, mas a família esteve bem representada pelo Christian, Vitória e Fernando que fizeram questão de compartilhar conosco o vídeo acima.

 

Antes do seriado da HBO, assisti ao Grêmio enfrentar o Flamengo e empatar partida na qual tínhamos todas as oportunidades para vencer e encostar nos líderes, preparando o bote final à liderança. Fizemos um golaço após troca de passe que deixou clara a qualidade técnica de alguns de nossos jogadores e nosso potencial. E deixamos de fazer muito mais porque, às vezes, tenho a impressão de que falta uma fagulha para acender a alma de cada um dos que estão em campo. Aquela chama que o torcedor é capaz de provocar quando invade o Olímpico Monumental. Também não quero ficar aqui cobrando de uma equipe que tem se mantido em posição privilegiada nesta competição há muitas e muitas rodadas. Mesmo porque – e já escrevi sobre isso na edição anterior da Avalanche – temos de ter muita paciência para darmos o passo (ou seria o passe?) na hora certa, atingirmos o topo na rodada final, no jogo que marcará a real despedida do nosso estádio, na Azenha, quando, então, daremos um abraço monumental, um abraço campeão.

Avalanche Tricolor: paciência, muita paciência

 

Grêmio 2 x 0 Náutico
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

 

 

O Grêmio teve muita paciência, disse Anderson Pico ao fim da partida. Sem dúvida, esta tem sido uma das marcas do Imortal nesta temporada. Tivemos paciência suficiente para trocar bola desde a defesa até o meio de campo. Tivemos paciência para esperar um espaço na retranca adversária para que a bola chegasse aos pés, quem sabe na cabeça, de nossos atacantes. Tivemos paciência para suportar jogadas sem muito sentido, sem destino na maioria das vezes. Jogadas que se perdiam pela linha de fundo, às vezes pelas laterais do campo. Tivemos paciência para ver o time jogando pelo meio congestionado de jogadores adversários, porque pelos lados ninguém aparecia. E se aparecesse, ninguém tinha a inspiração de cruzar a bola para deixá-la em condições de gol. Fomos pacientes para ver Kleber ser escorraçado por seus marcadores sempre que a bola seguia em sua direção. Tivemos muita paciência para que Marco Antônio dissesse por que deveria vestir a camisa gremista. E graças a esta paciência, o vimos marcar um improvável gol de fora da área quando entrar nela parecia impossível. E por causa dela, estamos tranquilamente ocupando a terceira posição no Campeonato Brasileiro. Apenas esperando um ou outro tropeço dos dois advesários que estão a nossa frente. Paciente.

 

N.B: Ver Lúcio, hoje meio campo do Náutico, deixar o gramado aplaudido pela torcida gremista, apenas reforça minha admiração por estes torcedores capazes de preservar a história de seu clube. Lúcio foi grande quando vestiu nossa camisa, e sempre será respeitado por este comportamento. Aplausos para ele, e para os torcedores do Grêmio.