O petróleo é nosso, o vazamento é deles

 

Por Carlos Magno Gibrail

Ontem foi estancado o vazamento de petróleo ocasionado pela Chevron, empresa petrolífera autorizada a operar no Campo de Frade na bacia de Campos.

O IBAMA aplicou 50 milhões de reais em multa, que poderá chegar a um total de 150 milhões, segundo estimativas de órgãos federais. A empresa é acusada de negligência em relação à segurança e de omitir e falsear informações a respeito. Além de não possuir equipamento e tecnologia de segurança exigida.

O desastre ecológico chegou afetar ,segundo dados da ANP , 160km2 de área através de visão via satélite nos dias 12 e 14. No dia 18, por observação, estava com 11,8km2 de área poluída.

Neste campo, já cimentado, a Chevron não operará mais. E poderá também ficar fora da continuidade das operações futuras, inclusive do Pré-Sal.

Certeza apenas quanto aos danos causados ao meio ambiente. E incertezas sobre os novos rumos da exploração e divisão das riquezas do petróleo nacional.

Alerta essencial para a segurança das gigantescas condições exigidas para as atividades no Pré-Sal. Sinalizando que a preocupação e a preservação do meio ambiente é algo que precisa ser controlado competentemente.

A falha da Chevron levanta também a questão dos municípios e estados produtores afetados por estes desastres. E poderá contribuir para uma solução mais equilibrada na proposta do deputado Ibsen Pinheiro, vetada por Lula e, agora em outubro através do substitutivo Vital do Rêgo, aprovado no senado. Que deverá ser recusada por Dilma, apesar da unanimidade dos governadores dos estados não produtores.

Na hora de usufruir dos royalties da exploração do petróleo do estado produtor, todos os estados solicitam a equânime divisão. E neste momento de desastre como dividir os prejuízos?
Equanimamente?

Tira-se mais de 11% da receita do Rio, equivalentes a quase 8 bilhões de reais e deixa-se a conta do prejuízo por lá? Isto sem falar no Espírito Santo e São Paulo.

O petróleo é nosso, mas a despesa é somente dos municípios e estados produtores?

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

O futebol é nosso!

 

Por Carlos Magno Gibrail

Tudo indica que definitivamente o Brasil será o centro mundial do futebol, assim como a França é da perfumaria, a Itália da moda masculina, a Suíça dos relógios, os Estados Unidos do varejo, etc. É uma posição gerada pelo mesmo fator que estabeleceu as hegemonias citadas, ou seja, o poder econômico. E explicada pela tendência de crescimento financeiro exponencial que os principais clubes nacionais têm apresentado.

Nada a ver com a qualificação dos dirigentes de clubes ou de federações. Simplesmente pela pujança do mercado consumidor, estimado hoje em 100 milhões de pessoas e desejado pelas empresas solidamente operadas que oferecem produtos e serviços aos brasileiros emergentes.

Marcos Motta, da RBMF advogados, empresa com expertise na exportação e importação de jogadores no mercado internacional, entrevistado por David Gold apresentou estudo que foi exposto no 13th International Football Arena (IFA), demonstrando que nos últimos oito anos aumentaram em 300% as receitas dos clubes brasileiros (leia reportagem completa aqui). Foram R$ 2,5 bilhões no ano passado, significativo pela evolução e também pela concentração, o que aponta para uma elite que estará em breve competindo com os grandes europeus. Entre 2008 e 2010 o Corinthians expandiu 144%, o São Paulo 83% e o Flamengo 59%. O Corinthians tem hoje a maior receita anual, R$ 227 milhões, o Internacional R$ 215 milhões, o São Paulo R$ 210 milhões. E, o Santos vem aí provavelmente com o maior crescimento de 2011.

São números , segundo Jamil Chade enviado especial do Estado ao IFA em matéria de domingo, que comparados ao R$ 1 bilhão do Real Madrid, ou aos R$ 800 milhões do Manchester United, ainda distam. Entretanto, enquanto o Campeonato Brasileiro se agiganta e afunila em termos de patrocínio pela TV, graças à negociação individual dos grandes, o Corinthians com patrocinadores exclusivamente nacionais, sem considerar Lula, tem a camisa mais patrocinada do mundo.

Marcos Motta, flamenguista, ressalta que apenas 23 jogadores saíram enquanto que em 2008 foram 65. E, mais de 120 foram repatriados.

Neymar, Ganso, Leandro Damião e Lucas em outros tempos já estariam no exterior. Feito significativo para valorizar o Brasileirão, acrescido do retorno de Ronaldinho, Fred, Elano, Deco, Luis Fabiano, Adriano. Na esteira do sucesso anterior de Ronaldo e Roberto Carlos para o marketing do futebol.

Na advertência de Jamil para a dívida de mais de R$ 300 milhões de cada um dos cariocas Botafogo, Fluminense e Flamengo. Na preocupação de Motta com o calendário para facilitar e qualificar a presença dos grandes nacionais em torneios com o exterior. São alertas cujas soluções melhorarão esta evolução.

Contudo, é fácil concordar com David Gold: “O futuro parece brilhante e muito amarelo e azul para o país de maior sucesso internacional no mundo do futebol”.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung




Boa notícia não dá audiência

 


Por Carlos Magno Gibrail

O Brasil conquistou seis medalhas de ouro, três de prata, duas de bronze e dez certificados de excelência no maior torneio de educação profissional e tecnológica do mundo. Ocorrido em Londres no mês de outubro. Tirou o segundo lugar, ficando na frente do Japão, da Suíça e demais países desenvolvidos. Atrás apenas da Coreia do Sul.

Esta notícia não foi estampada com o merecido destaque em nenhuma das mídias, que, coincidentemente, abrem as primeiras páginas para alardear os rankings de educação que tem colocado nosso país em constrangedoras posições.

A mesma imprensa que brada a necessidade do ensino técnico, não abriu espaço para informar que a dupla gaúcha Christian Alessi e Maicon Pasin, do Centro Tecnológico de Mecatrônica, do SENAI, em Caxias do Sul, ganhou o ouro em mecatrônica e foi o destaque da equipe brasileira, vice-campeã do 41º Worldskills, que reuniu 944 competidores de 51 países e receberam mais de 200 mil visitantes. Assim como deixou de informar que Willian Grassiote do SENAI de Taguatinga é o melhor profissional do mundo em mecânica de refrigeração. Jecivaldo de Oliveira é excelência na aplicação de revestimento em cerâmica, após três anos treinando dia após dia, sem feriado, sem fim de semana no SENAI DF. Guilherme Augusto Franco de Souza do SENAI Mooca SP, é ouro em desenho mecânico em CAD. Gabriel D’Espíndula do SENAI Paraná é o melhor do mundo em eletrônica industrial. Natã Barbosa é ouro em web design pelo SENAI de Joinville. Também de Joinville Leandro Duarte e André Peripolli programaram um robô móvel e ganharam certificado de excelência. Do SENAI do Rio, Rodrigo Ferreira da Silva, filho de segurança de joalheria, é o melhor do mundo na ocupação de joalheria.

À falta de informação temos o oposto quando, por exemplo, na CBN, ao lado de qualificados comentários de Lucia Hipólito, Miriam Leitão, Max Gehringer, Arnaldo Jabor, etc. comandados por Mílton Jung, há a intromissão de um repórter anunciando acidente fatal de algum anônimo no trânsito paulista. Como se a má-noticia, mesmo que sem pedigree, tenha que comparecer no cardápio jornalístico.

Há, entretanto uma boa notícia, pois a tecnologia através da pressão dos dois bilhões de internautas ou dos cinco bilhões de proprietários de celular no evoluído mundo atual, abrirá definitivamente a customização da editoria. Ou seja, vamos selecionar a pauta de interesse. Por segmento, e individualmente.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas, no Blog do Mílton Jung

As motos de São Paulo

 

Por Carlos Magno Gibrail

Cidade das motos

Há 10 anos o guitarrista dos Titãs, Marcelo Fromer morreu atropelado por uma moto. Hoje, isto é repetido a cada três dias, e numa recíproca macabra, diariamente, mais de um cidadão motociclista morre na cidade de São Paulo. A partir daí só a certeza de que as 900mil motos, das quais 200mil de profissionais, crescerão numericamente enquanto diminuirão os espaços. E, por sua vez, a adrenalina acionada levantará as velocidades e as atrocidades de manobras extremas.

A simplista solução restringindo o condutor ou a motocicleta, embora sugerida por alguns, evidentemente não é o caminho sustentável. É preciso ir à causa, já que o efeito é conhecido. E, não é difícil perceber, a falta do transporte coletivo de qualidade e em quantidade é o principal vilão da tragédia urbana paulistana.
Enquanto não chegam os kms de metrô, trens e demais coletivos necessários, é preciso facilitar a vida das motos. Protegê-las e normatizá-las. Não é possível manter também aqui a hegemonia do automóvel.

As faixas exclusivas e o controle de velocidade, acenadas como impraticáveis, precisam ser examinadas e desenvolvidas.

Sabemos que a tecnologia pode tudo quando quer. A faixa exclusiva foi indeferida porque o STF entendeu que a União não pode legislar nacionalmente no trânsito local.

Discriminar as motos trará aumento do problema pela inevitabilidade, pois seu preço acessível tornará cada vez mais atrativa sua utilização, quer para transporte, quer para negócio. Se quisermos voltar a dirigir autos sem o sobressalto atual dos ataques de motoqueiros alucinados e, também, sem o preconceito de motoristas assustados, é bom adiantarmos as soluções.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e, às quartas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung

Aristóteles, Platão, Juvenal e o Itaquerão

 

Por Carlos Magno Gibrail

Que a democracia nasceu na Grécia todos sabem, embora muitos desconheçam que Aristóteles e Platão eram contra o regime do povo. Aristocratas, assim como Juvenal. Os intelectuais gregos não conseguiram barrar a democracia. Juvenal conseguiu.

Juvenal Juvêncio, presidente do São Paulo, clube originalmente democrata, encabeçou o retrocesso político. Aumentou o mandato enquanto presidente e usufruiu da própria mudança para se manter no poder durante três períodos então aumentados, alegando que o novo estatuto zerava o passado. A partir daí o enredo é similar a todas as ditaduras. Embora convencional por estar inserido no futebol. Atividade apaixonante, mas eivada de instituições autocráticas, com frios cartolas e vivida no momento de Copa do Mundo.

Juvenal após destratar o maior cliente tenta o confronto com Ricardo Teixeira e se dá mal. Fica sem Andrés Sanches, o cliente maltratado, sem a Globo, sem a FIFA e acreditando em Kassab e Lula.

A FIFA, que já sinalizara seguir o COI na preferência pelos BRICS quando fez a China, emergente poderosa, gastar fortunas , deixava claro o indício da estratégia de exigir os mais altos investimentos nos eventos a serem realizados. A Rússia na preparação para a Copa 2018 já faz os maiores gastos da história em preparativos. O estádio Luzhniki de Moscou, de acordo com o Estadão de domingo, cinco estrelas pela UEFA, terá que investir 2 bilhões de reais para atender a FIFA.

Juvenal somava aos desafetos o estádio do Morumbi, um entrave nas pretensões da FIFA e da classe política, ávidas por maciços gastos públicos. Restava apenas o trunfo da cidade de São Paulo, única capaz de receber a abertura. Eis que o “inculto”, mas certamente experiente Andrés Sanches, já habilitado nas lides com os russos e Kia, e, evidentemente apadrinhado pelo “iletrado” Lula, equacionam o Itaquerão. De graça para o Corinthians, o inimigo numero 1 do Juvenal.

Aristóteles e Platão, embora aristocratas, deram à humanidade seus conhecimentos. Juvenal perdeu a chance de fincar a bandeira da democracia nesta aristocracia do futebol. O esporte mais popular do mundo.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e, às quartas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung

Pot-pourri da corrupção

 

Por Carlos Magno Gibrail

Na canção, é comum ordenar músicas com afinidades, para tributos a estilos, compositores ou épocas. Por que não na corrupção? Para cumprimentar autores de textos atuais sobre a corrupção, destacamos:

O que retém a voz da rua” – Notas & Informações Estadão. As manifestações de rua não refletem o desconhecimento da população, mas a melhora sem precedentes no padrão de vida, que não as anestesia, apenas não as incentiva.

“Faz diferença” – Editoriais Folha. Sem novas mobilizações populares, dificilmente medidas para coibir a corrupção encontrarão meios de implantação. Entretanto, a faxina de Dilma se conclusa, o voto aberto no Congresso, a Ficha Limpa e a diminuição dos 25mil cargos nomeados, poderão contribuir no movimento contra a corrupção.

“Abaixo a corrupção” – Eliane Catanhêde. A onda contra a corrupção está crescendo. A Ficha Limpa e sua ampliação ao Executivo e Judiciário, o fim do voto secreto no Congresso, a abrangência do CNJ, começam a tomar corpo.

“Um campo e um tiro” – Carlos Heitor Cony. Nesta batalha contra a corrupção não há rosto, ou tem tantos que dificulta a identificação. Jacó corrompeu Esaú, Judas vendeu o seu mestre, Collor ganhou um Elba. Rostos em todos os casos. Até num caso às avessas. Getúlio quando soube que um de seus filhos comprara um campo no Rio Grande do Sul com Gregório, seu guarda-costas corrupto e mandante de assassinato, perguntou-lhe se era verdade. Ao ter a confirmação, deu um tiro no peito.

“A ‘primavera’ brasileira não chega” – Fernando Rodrigues. O copo meio cheio ou meio vazio é propício à análise das recentes manifestações públicas contra a corrupção. Seu raquitismo não desmerece o movimento. A realidade é que ainda não temos um caldo de cultura já pronto e desaguando em grandes protestos contra a roubalheira do dinheiro público.

“A corrupção é hoje fato normal no Brasil” – CBN Arnaldo Jabor. A dificuldade é que tudo está corrompido. Os comentaristas se esgoelam em vão, e os canalhas não tiram as mãos das cumbucas. Será que um dia teremos uma “primavera” brasileira?

“Presidente: sonhar e não ceder” – Miguel Srougi. Presidente, a senhora adotou algumas medidas corretivas diante da corrupção, tragédia que nos assola, mas isso foi só um começo, talvez pouco. Como médico luto contra o câncer de próstata que ameaça 140 mil homens, mas escrevo para falar de outra doença que ameaça toda a sociedade brasileira.

E, assim por diante. Não há espaço para todas as manifestações. Felizmente.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

A foto deste post é do álbum digital de Saulo Cruz, no Flickr

FIFA instiga e espreita

 

Por Carlos Magno Gibrail

As grandes marcas internacionais se sobrepõem as nações, mudando culturas e hábitos ancestrais. Entretanto, estas multinacionais normalmente se enquadram nas leis dos países em que atuam.

Não é o caso da FIFA.

Buscando lucros totais em todas as atividades relacionadas ao evento COPA, atropela o ordenamento político e jurídico existente nas sedes dos jogos. A venda de ingressos e de imagens, produtos centrais de um jogo de futebol passam a ser detalhes, tal a variedade de produtos e serviços sob seu controle.

Esta filosofia, crescentemente intensificada, atingiu até a Alemanha, que se curvou diante da cerveja americana imposta pelo evento. Mas, para evitar dificuldades futuras a FIFA, passou a direcionar a escolha a nações com destaque em corrupção. Veio a África do Sul, o Catar e a Rússia. Nós inclusive.

Eis aí a chance de o Brasil surpreender e provar que não é membro deste grupo.

Não vai ser fácil, pois já há Prefeitos e afins se manifestando a favor da FIFA. E, das 12 sedes, apenas o Paraná é o estado em que não há lei conflitante com as exigências da FIFA. Estado, aliás, que já sentiu o método adotado nas compras. As cadeiras do estádio do Atlético Paranaense estavam pedidas a empresa nacional quando tiveram que cancelar e efetuar encomenda a fornecedor europeu, pois as especificações de tamanho e inclinação exigidas eram contempladas apenas pelo fabricante recomendado pela FIFA.

Do Mineirão, vem a confirmação deste esquema. O gramado exigido, de grama meio sintética e meio natural, acoplado a uma drenagem eletrônica por sensores é fabricado apenas pela belga Desso.

Onze cidades sede têm ressalvas na aceitação das normas. A meia-entrada de estudantes, a venda de bebidas alcoólicas e a Cidade Limpa, são entraves estaduais. Entretanto, salvo algumas poucas manifestações contrárias, como a vinda da Bahia com Ney Campello, de acordo com matéria de capa da ISTO É, tudo indica, que encabeçadas por São Paulo, as coisas serão facilitadas. Justamente a cidade do NON DUCOR DUCO. Não serei comandado, comandarei.

O governo federal tem o Estatuto do Idoso, o Estatuto do Torcedor e o Código de Defesa do Consumidor, que se choca com as normas da COPA. Dilma publicamente vem rechaçando a sua aceitação.

A FIFA dias atrás levantou uma previsão de prejuízo acima de cem milhões de dólares se acatar a meia-entrada. A mídia abriu grande espaço. Como se estivéssemos preocupadíssimos com o valor e a perda, esquecendo que em nosso país quem paga a conta da meia-entrada é quem paga a inteira. E quem a paga é o consumidor e não a FIFA.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

N.B: A foto das obras no Mineirão é de SylvioCoutinho/site Copa 2014

Brasil: primeiro e terceiro mundo?

 

Por Carlos Magno Gibrail

Fenômenos naturais e sociais desagradáveis, antes, distantes de nossa terra, mas comuns em países centrais, começaram a surgir sem maiores explicações em território brasileiro.

Tornados, abalos sísmicos, assassinatos em escolas. Fatos indesejáveis de primeiro mundo que se misturam a outros típicos de terceiro mundo, como a censura à imprensa, a tentativa de proibir comerciais, as corrupções em ministérios, as propinas pagas a políticos em frente a câmeras, e as mortes no trânsito, numa escalada jamais vista até então.

Até mesmo o surgimento de uma imprensa que não deve nada aos escandalosos e arbitrários tablóides ingleses. Rafinha Bastos foi além dos britânicos e das grosserias do Pânico na TV. Não satisfeito em protagonizar a insolência e o desrespeito a uma mãe e seu bebê por nascer, manda a Folha de São Paulo, que o criticou, para aquele lugar. Do qual, aliás, a maioria acha que ele deveria ficar para sempre.
Nesta semana tudo indica que teremos a recompostura. Ronaldo Fenômeno, que vinha mantendo uma relação participativa com o programa, já rompeu com o CQC, enquanto a direção da TV Bandeirantes estará afastando Bastos.

No aspecto corrupção, a Presidenta Dilma, levou a faxina até Bruxelas. O alvo desta vez não é nenhum ministro, embora possa até sobrar para alguém do andar de cima, como diria Élio Gaspari. A FIFA quer que o Brasil suspenda o Código de Defesa do Consumidor, o Estatuto do Idoso e o Estatuto do Torcedor. Dilma na segunda feira respondendo à jornalista Mônica Bergamo já tinha antecipado a sua posição perante a Joseph Blatter e a Jerôme Valcke: “Minha querida, isso é uma lei brasileira”. “E não pode mudar. Não é uma questão de querer ou não querer.”

Clovis Rossi confirmou ontem na Folha, em seu artigo Bombeiros, que Dilma não abrirá mão da soberania da lei brasileira. Muito melhor do que andaram fazendo governo e município de muitos estados e cidades, como São Paulo, que se curvaram a gana investidora de Valcke, Teixeira e Cia.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Keynes: é melhor conhecer o cara

 

Por Carlos Magno Gibrail

Keynes é um fenômeno. Não é herói contemporâneo. Nem artista, nem esportista. É economista, mas é mais acessado no Google do que Leonardo di Caprio.

Keynes anda infernizando a vida de muita gente O governador texano Rick Perry ficou tão irritado com a presença incômoda que interrompeu um debate republicano para informar aos adversários que Keynes, afinal, estava morto.

Estas notas contidas no artigo de Silvya Nasar, dias atrás no New York Times e publicadas em Visão Global no Estado, traduzem a ressência de Keynes no panorama atual.

John Maynard Keynes nasceu e faleceu na Inglaterra em 1883 e 1946 respectivamente. Economista e otimista defendeu a intervenção do Estado na busca pelo pleno emprego. Considerou que o ciclo econômico não é auto regulado e, portanto, as teorias clássicas precisariam ser revistas.

Keynes consolidou a sua teoria no livro “Teoria geral do emprego do juro e da moeda”.

“A teoria atribuiu ao Estado o direito e o dever de conceder benefícios sociais que garantam à população um padrão mínimo de vida como a criação do salário mínimo, do seguro-desemprego, da redução da jornada de trabalho (que então superava 12 horas diárias) e a assistência médica gratuita. O Keynesianismo ficou conhecido também como “Estado de bem-estar social”. Wikipédia

A atualidade keynesiana foi marcante na ultima crise econômica mundial, quando a maioria das nações, encabeçada pelos Estados Unidos de Obama seguiram a sua cartilha. Hoje, ainda com a Europa em discussões frenéticas, assombradas pelos gregos, nada de Aristóteles, Sócrates e Cia.

Lord Keynes, o britânico, é o “cara”.

Como se não bastasse ter brilhado na vida profissional, o inglês de Cambridge foi diferenciado na vida pessoal. Participou do Grupo de Bloomsbury, onde intelectuais como a ensaísta Virginia Woolf, o pintor Duncan Grant e o escritor Lytton Strachey deram margens a controvérsias pelas posições e ações.

Lord Keynes esteve envolvido com Duncan Grant que conheceu em 1908 e, também, com o escritor Lytton Strachey, antes de se apaixonar e casar com a bailarina russa Lydia Lopokova no ano de 1925. Ela engravidou em 1927, mas a gestação não vingou.

Keynes não deixou filhos, mas sua obra está viva, para perturbar republicanos e neoliberais.


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve no Blog do Mílton Jung às quartas-feiras.

Megaengavetamento: testemunho e apelo

 

Por Carlos Magno Gibrail

Quinta feira eu estava na Serra do Mar no exato momento em que ocorreu o maior engavetamento da história do caminho do mar bandeirante.

Salvo pelo GPS que indicou a Via Anchieta, testemunho que a cena da Imigrantes não se repetiu ali porque a estrada já estava congestionada. Ainda assim pude vivenciar a sensação de total horror ao perceber que as carretas carregadas que vinham atrás quase colidiram com o meu veículo.

Não se enxergava nada, calcula-se apenas 10m, e não havia acostamento suficiente. A solução era andar muito devagar e manter uma distância dos gigantes que lotavam o leito da rodovia. Mesmo porque nas pequenas arrancadas era visível a impaciência dos motoristas, coisa de doido, ou de cegos, porque quem não enxergasse que visibilidade não havia boa visão não podia ter.

Neste quadro não ficou nenhuma dúvida que a velocidade, tão combatida no ambiente urbano, é fatal nas rodovias. Mesmo porque ficamos diante do absurdo de habilitar motoristas sem treinamento para rodovias. Muito menos para situações de extrema dificuldade como grandes temporais e cerrações agudas.

As placas de advertência, o alerta dos policiais, não irá resolver. O apelo sério é que haja habilitação específica. Embora a solução definitiva seja desmitificar a generalidade da habilidade de dirigir. Quem disse que todos os cidadãos estão aptos para o volante? Ao mesmo tempo em que cada vez mais se cuida para que o trabalho, seja manual ou intelectual esteja sendo executado por pessoas potencialmente capazes e de personalidade adequada ao seu desempenho, entregamos habilitação e uma arma feroz, para qualquer um que passe num exame incompleto.

E, a técnica está propondo outro modelo, pois a Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego) avaliou através do seu diretor e chefe do departamento de medicina de tráfego ocupacional Dirceu Rodrigues Alves, que o principal fator negligenciado no acidente foi a velocidade. Assim como a não exigência aos motoristas, de habilidades em situações desfavoráveis.

A complexidade do trânsito de hoje não pode ignorar o preparo para enfrentá-lo.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve no Blog do Mílton jung, às quartas-feiras.