Semana passada, fim da tarde, deixei um condomínio da avenida Juscelino Kubitschek com pressa para voltar para a casa. O ponto de táxi vazio me fez caminhar até a esquina mais próxima para pegar o primeiro que passasse. Estiquei o braço para um que apareceu no horizonte e para outro mais distante, os dois foram embora. Deviam estar a caminho de uma chamada. Lembrei-me dos filmes americanos, nos quais o mocinho de chapéu e capa deixa o escritório e antes do primeiro passo na calçada, estica o braço e um Yellow Cab aparece para levá-lo a qualquer canto de Manhatan. Mas eu não estava em Nova York e a cena foi substituída pela minha irritação assim que percebi o excesso de carros nas ruas e a ausência de táxis.
Na hora do rush a impressão é que os 32.219 táxis desaparecem da cidade de São Paulo. Chego a reclamar que são poucos, mas os motoristas com os quais converso me convencem de que o problema é o congestionamento que os deixa emperrados e impede número maior de corridas. Esta dificuldade provocou a criatividade de jovens que desenvolveram o aplicativo Moove Taxi que põe no celular e tablet do paulistano informações sobre os pontos de táxi mais próximos de onde estiver. A versão beta foi apresentada em agosto e em dois meses mais de 1.500 pessoas já se interessaram pelo serviço que é gratuito.





Seu Francisco vai mudar de endereço. Ele está sempre de mudança. Morava em casa, foi para a rua, consegue, vez em quando, um albergue. Chegou a vez do albergue se mudar de um número para outro na mesma Cardeal Arcoverde, rua de Pinheiros, primeiro bairro em que busquei abrigo quando cheguei em São Paulo. Ao contrário de Francisco, carroceiro, não precisei mudar muito de casa nem vivo na rua ou passo fome. Menos ainda sofri preconceito como ele e todos os que usam as dependências do albergue para serem acolhidos pela dignidade. Moradores do entorno os querem bem distantes dali, pois vão afugentar clientes, sujar o ambiente urbano e desvalorizar o patrimônio. Deveriam valorizar mais suas próprias vidas e privilégios conquistados -imagino, a duras penas – entendendo que nem todos têm os mesmos direitos e oportunidades.




