Kobra refaz painel atacado por religiosos, em Atenas

 

Eduardo Kobra refez o painel que havia sido atacado por religiosos incormados com o que entendiam ser uma agressão a tese do criacionismo, já que a obra “Evolução Desumana” retrata imagens da evolução humana, segundo Charles Darwin. O trabalho assinado por ele e Agnaldo Britto Pereira foi realizado em um muro próximo à estação do metrô Pefkakia, ponto nobre de Atenas, na Grécia. “Não podemos ceder espaço para os intolerantes”, disse Kobra em resposta ao risco de que novos ataques ocorram.

Médicos pedem rigor para carteira de motociclista

 

Cidade das motos

Em dez anos, os atendimentos pré-hospitalares a vítimas de acidentes com motos aumentaram 148,6% na cidade de São Paulo, de acordo com números divulgados pelo Hospital das Clínicas da FMUSP. Em 2010 foram 18.081 ocorrências contra 7.271 atendimentos em 2001. O mais preocupante nos dados divulgados neste início de semana é que os acidentes costumam aumentar em mais de 50% no segundo semestre do ano.

Na tentativa de mudar este cenário, o I Fórum Saúde e Trânsito, realizado em junho, sugeriu a formação de direção defensiva e exame de habilitação adequado às condições de trânsito que serão enfrentadas pelos motociclistas, com maios rigor na primeira habilitação. Outra sugestão é criar categorias na habilitação de motociclistas e especificar a velocidade máxima de circulação das motocicletas de acordo com as características de cada via.

A discussão, por enquanto, é teórica pois são poucas as medidas efetivas que tenham sido adotadas no País com o objetivo de acabar com o extermínio de motociclistas que assistimos nas grandes cidades brasileiras. Em São Paulo, capital em que o problema se agrava, conforme os números expressos no trabalho desenvolvido pelo HC, houve alguns ensaios sem nenhum convicção por parte da prefeitura na tentativa de reduzir o número de acidentes e mortes de motociclistas.

De luz

 

Por Maria Lucia Solla

Por dois ou três minutos vou me esvaziar de mim e, durante esses cento e tantos segundos, deixar-me invadir por uma luz que ilumina sem brilhar e conforta sem subjugar. Mas é preciso que eu tenha cuidado para não me render à tentação de pensamento e emoção que brotam do ego, e para não enfiar em cada canto disponível a fissura por controle e julgamento.

Vou percebendo a luz se alastrar num raio desmedido, sem freio nem direção, tocar tudo o que encontra pela frente e transformar tudo o que é tocado. Colher lágrima de dor e semear alento, distribuir compaixão e coletar solidão, cansaço e descrença. Ela vai apagando a certeza, depondo a razão, apagando dos olhos e da memória do homem a mentira e desmentindo a fé que precisa de guia para chegar ao Criador.

Ela vai fazendo o que lhe é próprio fazer, tocando cada canto esquecido de cada esquina de espaços que desconheço e apagando a lembrança dolorida, o sonho fracassado, a frustração pelo que passou e a incerteza pelo que ainda nem chegou. Vai alcançando cada um: letrado e desletrado, enricado e empobrecido, diplomado e tatuado, o calmo e o arretado, o querido e o detestado, e vai sinalizando o caminho para o fim de tanto sofrimento.

Vou me aquietando enquanto ela põe rédeas na minha mente que mente, que mente, que mente, que me leva pela estrada errada que vem prometendo o cetro e a coroa desde a materialização do nosso chão e do nosso céu, que nem mesmo nossos são.

Ela vai convencendo a mim, e a quem puder alcançar e tocar, de que é melhor deixar ir o que nunca foi e nunca será meu, que nem sempre quem ama é amado, e que para o amor não há regra e nem livro editado. Vai afastando de mim, e de quem puder alcançar e tocar, os rebentos da carne e do coração, como faz a macieira que permite que a maçã se solte e siga o próprio destino. E ela, a luz, ainda vai desativando bombas criadas para destruir, e vai levando dos nossos corações o impulso de matar e de morrer e plantando, em seu lugar, coragem de viver, mansidão e leveza de simplesmente ser.

Que o toque da luz nos faça esquecer o que precisa ser esquecido, administrar o possível e aceitar o impossível.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e escreve, aos domingos, no Blog do Mílton Jung

Mundinho do luxo

 

Por Dora Estevam


 
Depois de polêmicas e discussões que duraram quatro meses o estilista Christian Louboutin perdeu na justiça para a marca Yves Saint Laurent o direito de usar exclusivamente as solas vermelhas. Em abril, o designer de sapatos abriu um processo contra a grife  YSL por entender que a última teria copiado a sola vermelha dos seus modelos de calçados. Detalhe, o designer pediu 1 milhão de dólares contra a marca.

“Solas vermelhas são empregadas com frequência no design de sapatos desde os usados pelo rei Luis XIV, em 1600, aos de Dorothy em O Mágico de Óz”, alegou a defesa de YSL.

 “Levando em consideração o fato segundo o qual, na indústria da moda, a cor possui funções estéticas e ornamentais decisivas para alimentar a competição, (…) sendo difícil para Louboutin provar que o solado vermelho goze da proteção de uma determinada marca”, escreveu o  juiz Victor Marrero da Corte de Nova York.


 
Que pesadelo! Já pensou se as marcas de moda rápida (varejão)  resolvem gastar tonéis de tintas para jogar no mercado produtos parecidos? Susan Scafidi, diretora de Moda da Universidade de Fordham Law Institute, diz WWD : “Este é o preço de quem faz produto bom e de qualidade, os que copiam querem levar vantagem ou pegar carona na fama.
 
Já pensou se a marca Chanel resolvesse cobrar na justiça de todos os que já copiaram os seus modelos? Beeeeeeeeeeeeemmmmmmmmmmmm  estranho!!!
 
Mudando de mala para sacola…
 
Para vencer os concorrentes Will Smith e Ashton Kutcher, Donald Trump revelou seu jato luxuoso e privado. Muito simpático, o empresário pediu para a assistente dele, Amanda Miller, gravar um vídeo para a sociedade conhecer bem por dentro. Equipado com uma sala de jantar, salão principal, área VIP, quarto de hóspedes, o quarto dele, é claro, e banheiro, o jato pode levar até 43 passageiros.
 
Quer dar uma olhada??



Dora Estevam é jornalista e escreve, aos sábados, no Blog do Mílton Jung

“Cidades Sustentáveis”, assuma este compromisso

 

Céu de SP

Ano que vem, nesta altura do campeonato, estaremos em meio a um embate político com os candidatos a prefeito e vereador se digladiando pelo seu voto. Hoje, temos apenas algumas indicações como Gabriel Chalita do PDMB que já confessou seu desejo, Fernando Haddad e Marta Suplicy que brigam dentro do PT, Eduardo Jorge do PV citado pelo prefeito Gilberto Kassab, Andrea Matarazzo que só tem alguma chance se José Serra não quiser disputar pelo PSDB, e outros nomes que aparecem em notas de rodapé. Por enquanto, há muita conversa e negociação de bastidor, fala-se pouco de programa de governo. Aliás, costumamos assistir a pleitos em que esses são transformados em meras promessas sem lógica – eleitoreiras.

Para mudar o curso desta história, a sociedade organizada se antecipa e, nesta sexta-feira, dia 19/08, pouco mais de um ano antes da eleição, lançará o Programa Cidades Sustentáveis, um conjunto de ideias, indicadores e compromissos que podem – e devem – servir de base para a construção de qualquer plano de governo municipal. A proposta dos organizadores – Rede Nossa SP, Instituto Ethos e Rede Social Brasileira e por Cidades Justas e Sustentáveis – é fazer um pacto político no qual haja o envolvimento de cidadãos, entidades sociais, empresas e governos, além dos próprios partidos e candidatos.

Leia o texto completo no Blog Adote SP, da revista Época SP

Coleta seletiva em apenas 18% das cidades brasileiras

 

Reciclando

Otimista nas palavras mas com números que mostram a dimensão do desafio imposto às cidades brasileiras. Foi assim que se apresentou, nessa quinta-feira, o secretário nacional do Ambiente Urbano, Nabil Bonduki, em entrevista ao Jornal da CBN quando discutimos a forma como os municípios estão se preparando para atender ao Programa Nacional de Resíduos Sólidos. Até 2014, as prefeituras têm de ter definido como serão tratados os resíduos sólidos, eliminado os lixões e implantada a coleta seletiva.

Apenas 24% das cidades têm aterro sanitário, o que corresponde a 64% dos resíduos do País. O restante tem enorme caminho pela frente, apesar de que muitas já estudam a criação de consórcios para gerenciar os resíduos sólidos, disse Nabil. Em relação a coleta seletiva, o cenário não é tão animador, mesmo com algumas experiências interessantes. Somente 18% das cidades tem algum nível de coleta seletiva, não reciclando mais do que 2% dos resíduos. Para o secretário, o trabalho nesta área tem de incluir as associações de catadores, agentes fundamentais para o sucesso da iniciativa.

Na entrevista, Nabil Bonduki falou, também, sobre as formas para financiar a adaptação das cidades ao programa de resíduos sólidos e a necessidade de participação dos Estados e da sociedade neste processo.
Ouça aqui a entrevista que foi ao ar no Jornal da CBN

De violência

 

Por Maria Lucia Solla

Vai lavar louça dona Maria!
Sai da frente idiota; mas é buuurro…
Amor eu não a-cre-di-to que você fez isso!!
Ah, já chegou é… aposto que esqueceu…
Larga isso laaarga!
Deixa que eu faaaço!

De violência
Ou seja:

Sua idiota, abre alas que eu vou passar, e vai lavar louça que é coisa de mulher! Sai da frente que a frente é minha! Você se superou, rapaz, conseguiu fazer pior do que eu imaginava você capaz. Para ganhar, é só apostar contra você. Eu não esperava nada diferente! Pelo amor de Deus, não toca nisso, seu zero à esquerda. Droga!

Abre-isso-fecha-aquilo não-faz-assim-faz-assado, a violência só faz crescer, e a gente só faz se esconder. Voz de deboche, olhar de esguelha, tudo juiz, esconde-esconde, ataque e conta-ataque o-tem-po-to-do. Predador e presa. Assim se vive em desaconchego na família, entre amigos, na escola, no trabalho, na rua, na fazenda e nos escombros da casinha de sapé.

Sem mapa nem manual, tateamos a vida, aprendendo a viver a cada dia vivido e à medida que vivemos, um por um dos nossos dias. E cada um só sabe do seu viver, da sua dor, da alegria do crescer, do cair, do sofrer, do rir e chorar. Digitais, DNA e a retina que podem servir de código de segurança porque ninguém no mundo tem igual, e ainda assim somos da mesma espécie, gostamos de ser bem tratados, de respeito e gentileza. Se sofremos com a dor, o outro também sofre, na medida dele é claro, mas somos basicamente iguais. Queremos respeito, aceitação, sucesso e aplauso. Fazemos cara de sem-jeito na hora do parabéns-a-você, mas adoramos o aplauso.

Injustiça, deselegância, desafeto, desamor, tortura maquiada, o atrair para trair, e a cada dia nos protegemos mais, atrás de muros que dão choque, de portões que se abrem com senha, de vidros escuros, de homens enfatiotados que num arremedo de faroeste sacam walk-talkies quando sentem medo. Focamos na desgraça grande, na violência evidente, para disfarçar a virulência que corrói o pensamento e o diálogo, destrói o discurso e o silêncio. Por onde anda o coração? Pobres de nós


Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung