SP estuda casas assistidas para “craqueiros”

 

 

Cracolândia em São Paulo

Uma legião de viciados em crack se encontra todos os dias nas redondezas do bairro da Luz, centro, bem ao lado de um dos prédios mais bonitos da cidade, onde funciona a Sala São Paulo. Calcula-se que duas mil pessoas vagam por ali em busca de droga, proporcionando um espetáculo trágico e desafiando os paulistanos, muitos consternados com o drama exposto, outros indignados com a inércia do poder público e grande parcela exigindo medidas imediatas, uma solução – como se houvesse uma só.

É possível ver alguns craqueiros desgarrados da turba sentados em outros pontos da região central. Lá do quarto andar, de um dos prédios próximos da praça da República, onde está o gabinete do secretário estadual de Saúde Januário Montone, não é preciso muito esforço para identificar estes viciados. Complicado mesmo é dar uma resposta à pressão da sociedade que se entusiasma com as notícias que chegam do Rio de janeiro, onde se decidiu recolher drogados mesmo contra a vontade deles – quem sabe a solução, pensam.

A experiência carioca está sendo estudada pela prefeitura, diz o secretário paulistano, nas duas conversas que tivemos semana passada – uma delas no próprio gabinete e a outra no Jornal da CBN, onde promovemos série de entrevistas sobre o crack. Nas duas ficou evidente o cuidado que tem para não causar constrangimento político, além de o esforço para diferenciar internação compulsória e acolhimento compulsório – nome do projeto que está sendo discutido com o prefeito Gilberto Kassab e as secretarias de Assistência Social, Trabalho e Negócios Jurídicos.

Conheça o plano que a prefeitura de SP estuda para enfrentar a epidemia do crack, acessando o Blog Adote São Paulo

Foto-ouvinte: Os dois lados de São Paulo

 

Sala São Paulo

A visita a Sala São Paulo e estação Júlio Prestes rendeu boa foto e más lembranças ao ouvinte-internauta Eduardo Mucillo. Foi lá no fim de semana e ficou impressionado com o aspecto no entorno do local, onde a cultura se mistura à degradação:

O cheiro de urina por toda a praça e em frente da estação empestiava o local… fora o lixo espalhado pela rua como se há pouco tivesse acabado uma feira e, para piorar, centenas de andarilhos, isso mesmo centenas, espalhados pelas sarjetas consumindo o lixo e as drogas, pelos gestos provavelmente crack, como se nada pudesse detê-los.
E não pode!

Canto da Cátia: Corre, corre que o carro pega !

 

Faixa de pedestre

Ouça a reportagem da Cátia Toffoletto sobre o Programa de Proteção ao Pedestre

A moça corre para alcançar o outro lado da calçada ao ver o sinal vermelho para pedestres, em faixa de segurança diante do prédio da prefeitura. A imagem é da Cátia Toffoletto que está de volta à CBN após período de férias e, logo cedo, foi cobrir o início de mais uma etapa do Programa de Proteção ao Pedestre. O comportamento dela é típico do cidadão acostumado ao desrespeito, pois sabe que assim que o sinal verde surge para os carros, seus motoristas saem em disparada ou metem a mão na buzina. A lei é clara, diria o ex-juiz de futebol: o pedestre tem preferência e os carros só podem arrancar depois que ele deixou a faixa de segurança.

A cena revela a dificuldade que a prefeitura terá para mudar a cultura que impera na capital paulista e demais centros urbanos, com as exceções de praxe. O motorista se sente o dono da rua e o pedestre age com medo. Não é para menos, morrem dois por dia na capital, realidade que se pretende mudar com o programa que funciona apenas em alguns cruzamentos do centro de São Paulo.

Desde hoje, a CET está multando o motorista que não der preferência ao pedestre, em punição que varia de R$ 85,12 a R$ 191,53. Mas apenas nos pontos identificados como mais perigosos do centro paulistano. Estes locais onde a operação é intensificada e controlada servirão de exemplo para o restante da cidade, ao menos esta é a intenção da prefeitura que, pela primeira vez em muitos anos, dedica esforço no sentido de proteger o pedestre na faixa de segurança.

A operação também pretende educar os pedestres, pedindo para que eles evitem cruzar fora da faixa, onde elas existem e estejam bem sinalizadas, lógico. Aliás, a prefeitura poderia fazer um mutirão e pintar todas as faixas de segurança na capital, ajudaria bastante.

Aos que pedem punição aos pedestres infratores, duas informações: primeiro, apesar do Código Brasileiro de Trânsito prever a punição aos pedestres, ainda não foi regulamentado como expedir a multa; segundo, pedestre não é punido com multa, mas costuma ser com a vida.

De ressonância

 

Por Maria Lucia Solla

Céu de SP

Você já passou por uma ressonância magnética? Quem passou deveria ser carimbado na testa; para o quê eu ainda não sei, mas tenho certeza de que um dia saberemos.

Cheguei ao hospital focada, era preciso encontrar a entrada do pronto socorro onde eu tinha sido atendida sete dias antes, resgatar o RX do meu ombro esquerdo e pedir o encaminhamento do ortopedista para fisioterapia. Só isso. Tudo dava certo desde que acordei. É meu dia de sorte, pensei. Saí de casa um pouco antes das dez, as ruas estavam cheias, mas o tráfego fluía em ritmo de valsa, suavizando o desconforto causado pelo ajuste do encosto do banco do meu carro num ângulo de noventa graus para acomodar costas e ombro esquerdo.

Não errei uma virada do caminho, nem a entrada do estacionamento. Ponto para mim. Ao pedir informação na recepção, fui atendida com sorriso e boa vontade. Ali eu só retirava uma senha e preenchia uma ficha, mas não demorou nada entre isso e a chamada para o atendimento médico. Para dizer a verdade demorou o tempo necessário para eu reencontrar uma querida amiga de muitos anos, que eu não via há outros tantos. Trocamos número de telefone, e fui chamada ao consultório nove. A gentileza do dia continuava a me mostrar seu sorriso branco e brilhante, dente a dente.

O médico atencioso e cuidadoso recomendou dez sessões de fisioterapia e pediu um exame que eu nunca tinha feito, uma ressonância magnética. Perguntei se o hospital tinha um departamento de exames, e ele me indicou o quarto andar. Antes de ir até lá resgatei meu RX, e então cheguei à recepção do laboratório. É preciso agendar? Tem chance de um encaixe? A moça que me atendeu disse que tinha sim, e que só precisava fazer meu cadastro e consultar o plano de saúde. Será que dá tempo de tomar um cafezinho e comer alguma coisa antes? Sempre preciso de uma pausa assim. Dá tempo sim. Tome seu café sossegada.

Na lanchonete do hospital pedi um café com leite e um super pão de queijo. De quebra comprei um jornal e me deleitei fazendo uma das coisas de que mais gosto: tomar um café bem quente com um lanchinho e boa leitura, na falta de boa companhia.

Voltei para o quarto andar e então passei pela experiência mais bizarra da minha vida, uma ressonância magnética do ombro esquerdo. A senhora se deita aqui. Tá muito frio. Não demora muito. São só uns dez minutos de exame. Meu Deus! Meu Deus! O que é isto?

Ainda estou em choque. Nunca mais vou ser a mesma. Mudou a estrutura do meu DNA. Eu mudei. Passei por tecnologia de ponta com ranço e roncares da Idade da Pedra. Feito nós. Faz sentido.

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung

Aos pais modernos e interessados

 

Por Dora Estevam

Já que estamos na semana que antecede o Dia dos Pais achei interessante mostrar algumas novidades da moda masculina.

Para começar um curta da grife Jill Sander que apresenta a moda masculina. Para os adeptos da marca, oportunidade de atualizar o closet Verão 2012.

A coleção está mais voltada para o minimalismo dos anos 90, mas sem perder o entusiasmo de criar algo, sem se prender exatamente a uma moda marcada pelo tempo. Bermudas e blazers se tornaram elementos importantes na coleção, como você acabou de ver.

Se eu for colocar todos os vídeos aqui, páginas e páginas vão rolar, então, para simplificar, decidi postar um da Style.com, no qual o editor (maravilhoso) Tim Blanks, que  entrevistou muitos dos melhores editores de moda masculina, fez um balanço das ultimas tendências e perspectivas apresentadas para a próxima estação.

Influência fashion, luxo, celebridades, efeitos, bastidores e imagens da primeira fila dos melhores desfiles das mais importantes marcas internacionais, peças incríveis.. com direito até a saia masculina. Técnicas e tecnologias misturadas nas coleções para você apreciar. Uma verdadeira provocação.

Como todas as coleções começam nas passarelas e terminam nas ruas, também separei algumas fotos de street style para ver como os homens estão encarando a moda quente…senhores e boys, diferentes estilos, executivos ou casuais, tudo absolutamente fantástico.

 

Eu adoro estes modelos, são coloridos, jovens. De um mundo completamente diferente do que estamos acostumados. Parece coisa de gringo, mas tudo isso é possível se você tem vontade de mudar algo na sua vida. E se notar, tem até uns barrigudinhos que não perderam a vontade de misturar os tecidos e peças contemporâneas. Sinta-se a vontade para entrar na estação completamente diferente. Lugar é que não falta para você desfilar suas produções diferentes, especiais, marcantes e livres.

Absolutamente sexy e tudo muito moderno.

Dora Estevam é jornalista e escreve de moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung

Prefeito usa tanque contra carro parado em local proibido

 

Jogada de marketing, sem dúvida. Mas que serve de alerta aos motoristas acostumados a estacionar em local proibido. O prefeito Arturas Zuokas de Vilna, capital da Lituânia, gravou vídeo no qual dirige um tanque e esmaga um Mercedes-Benz S-Class que estava parado sobre a faixa exclusiva de bicicletas. Adepto ao ciclismo – espalhou ciclofaixas por toda a cidade em seu primeiro mandato -, ele se disse cansado de ver carros de luxo, em especial, atravessados no caminho das bicicletas: “pensam que estão acima da lei” – disse para justificar porque decidiu passar por cima do automóvel.

Depois de consultar vários sites e jornais lituanos, não há como confirmar que a cena não foi montada, inclusive com a participação do suposto motorista que aparece com cara de assustado. Evidentemente que os prefeitos tem formas menos truculentas de resolver o problema, mas a ação de Zuokas ganhou repercussão internacional e talvez faça donos de carros reverem seu comportamento em todo o mundo.

Antes de você pensar “pena que o prefeito da minha cidade não é como ele” é bom saber que, apesar de reeleito, Zuokas tem uma administração marcada por denúncias de irregularidades.

De esperança

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça este texto na voz e sonorizado pela autora

sou avessa a dor
mas prefiro dor a dores
que a palavra no plural se pulveriza
clona a si mesma
se banaliza

saudades não me caem bem
mas se inevitável
que venha a saudade
pura sem gelo
já que você não vem

aos ciúmes sou avessa
mas tem hora que não dá para evitar
e acabo topando
com ele
o ciúme singular

Andamos íntimos demais da dor. Com quem falo quem encontro está doendo de mal do corpo ou de mal do amor. Uns mais, outros menos mais. Hóspedes do planeta dor, temos explorado os seus caminhos, andarilhos e curiosos que somos, mas neste ponto do tempo parece que chegamos ao seu ponto central, e é ali que estamos agora, eu doendo aqui, você doendo ali, e a dor do outro sempre parecendo mais branda que a nossa. Pimenta no olho do outro pode não arder na hora, mas acaba respingando na gente, e a pimenta de agora não é fraca não.

Quanto à minha coleção de perrengues, se é aprendizado, resgate ou acerto de contas, se é praga, trabalho-feito ou mau-olhado, depois de espernear, acabo agradecendo por falta de alternativa melhor. Fico “de bico”, que não sou santa e nem de ferro, mas já aprendi que se não impuser resistência, é como picada de injeção, dói menos.

anda duro de roer o osso
pela perda
do que nunca tivemos
pela posse
do que nunca foi nosso

hoje dói é certo
mas o lugar não é ruim não
para onde quer que você vá
se afasta do olho do furacão

amanhã traz nova chance
que é a sua função
a nossa é encarar a fraqueza
a preguiça e a solidão

ontem olhei pela janela do quarto
e vi estrelas no céu
quem sabe meu deus
nem tudo está perdido
no cardápio dos teus sonhos
e na receita dos meus

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung

Saia com este jeans anos 70

 

Dora Estevam
 
Este pessoal da moda adora os anos 70, tem sempre um modelo em destaque. E as celebridades dão uma forcinha usando e abusando das peças. O modelo da vez é a saia jeans. Renovada, já está nas ruas e, ao que parece, será tendência forte para o próximo verão brasileiro.

De acordo com as editoras, a saia virou peça coringa que vai do fim de semana ao escritório. Curta ou nos joelhos, o comprimento deve ser de gosto bem pessoal. Com zíper ou botões, o que importa é ter uma na próxima estação.

Como o Brasil é um país adaptável ao estilo jeans acredito que não teremos problema.
 
Aí estão algumas fotos para você se inspirar, faça seu mix, capriche nos complementos e divirta-se.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda, aos sábados, no Blog do Mílton Jung

As maritacas da Mooca

 

Por J.C. Gutierrez

 

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Fim de maio, fechando a estação “das folhas que caem”, como diz no “Pulo do Gato” o Zé Paulo de Andrade da estação de Outono e, mal surgem os raios de sol, sobre os prédios do IAPI da Mooca rompendo a madrugada, lá vem elas em direção a Praça dos Industriários, na Rua dos Trilhos fazendo “banzé”! Sons estridentes parecendo querer falar, umas interpelando outras misturando sons! São aves psitaciformes da espécie “Brotogeris”, chamadas vulgarmente de maritacas.

 

Seus trinados estridentes em alto e bom som acordam os moradores do lugar há mais de 50 anos, quando por lá chegou um casal que deve ter escapado de algum viveiro. Hoje, são mais de vinte e dizem os velhos moradores, que já chegou a ter mais maritacas por ali e, não sabem o porquê, estão em processo de extinção.

 

O casal Joana e Valdir, da Banca de Jornal “Dia a Dia” como também o jovem Talma, dono do boteco na praça, todos os dias pela manhã testemunham este belo espetáculo oferecido gratuitamente pela natureza, o “banze das maritacas”.

 

À tardinha, quando no ar paira o cheiro gostoso de pizzas, desse típico bairro de italianos, as maritacas se recolhem aos seus ninhos nas marquises dos prédinhos, com o mesmo ritual das manhãs, quando dão as boas vindas ao sol acordando os mooquenses para o trabalho, um espetáculo digno de se ver, mas, infelizmente não são todos que podem fazê-lo. Falta-lhes a sensibilidade e a responsabilidade para cuidar da natureza e das coisas dela inerentes, as maritacas que ainda não foram vistas pelas autoridades, seus rituais não chamaram suas atenções, vivem ao Deus dará, sem assistência por parte dos veterinários do Departamento de Zoonose da Prefeitura, correndo o grave risco de extinção.

 

A Mooca, a cidade, o país e o mundo perderão um lindo espetáculo da natureza!

Prefeitura esquece cozinha para morador de rua

 

Casa da prefeitura

De cor azul água, a casa da Prefeitura – Centro de Acolhida e República para moradores de rua emergentes, na rua Apa, Santa Cecília, é muito bonita por dentro e por fora. A casa atenderá cerca de cem pessoas. Tem sabor europeu e estilo colonial que lembra os velhos solares da arquitetura rural brasileira.

Tudo estaria certo se os moradores não fossem comer no casarão de confortáveis divisórias. Pois na véspera da inauguração, 21/7, os dirigentes, idealizadores e arquitetos que planejaram a reforma tomaram um susto: a casa não tinha cozinha.

A inauguraçao foi adiada. Enquanto isso a Prefeitura adotou o sistema hot box – compra “as quentinhas” para os funcionários e matriculados no Centro de Acolhida.

A mendiga Maria, que mora na calçada da casa e carrega um cobertor nas costas, ironizou: ” Vai ver que foi inspirada na casa que o Toquinho canta.”

N.B: Nosso “correspondente” voltou ao local, disse que o espaço é muito interessante. A prefeitura está providenciando a cozinha para o Kassab inaugurar na próxima semana