Uma legião de viciados em crack se encontra todos os dias nas redondezas do bairro da Luz, centro, bem ao lado de um dos prédios mais bonitos da cidade, onde funciona a Sala São Paulo. Calcula-se que duas mil pessoas vagam por ali em busca de droga, proporcionando um espetáculo trágico e desafiando os paulistanos, muitos consternados com o drama exposto, outros indignados com a inércia do poder público e grande parcela exigindo medidas imediatas, uma solução – como se houvesse uma só.
É possível ver alguns craqueiros desgarrados da turba sentados em outros pontos da região central. Lá do quarto andar, de um dos prédios próximos da praça da República, onde está o gabinete do secretário estadual de Saúde Januário Montone, não é preciso muito esforço para identificar estes viciados. Complicado mesmo é dar uma resposta à pressão da sociedade que se entusiasma com as notícias que chegam do Rio de janeiro, onde se decidiu recolher drogados mesmo contra a vontade deles – quem sabe a solução, pensam.
A experiência carioca está sendo estudada pela prefeitura, diz o secretário paulistano, nas duas conversas que tivemos semana passada – uma delas no próprio gabinete e a outra no Jornal da CBN, onde promovemos série de entrevistas sobre o crack. Nas duas ficou evidente o cuidado que tem para não causar constrangimento político, além de o esforço para diferenciar internação compulsória e acolhimento compulsório – nome do projeto que está sendo discutido com o prefeito Gilberto Kassab e as secretarias de Assistência Social, Trabalho e Negócios Jurídicos.







