A polêmica da Santa Cracolândia

 

Por Devanir Amâncio
ONG Educa SP

Santa Cracolândia

Usuários de crack reagiram com indignação ao serem informados sobre o apoio do cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, à obra ” Nossa Senhora do Crack”, do fotógrafo Zarella Neto. A imagem foi erguida na sexta-feira, 22/7, na parede de uma casa abandonada na rua Apa, Santa Cecília, e destruída no sábado de manhã por uma legião de viciados.

A intenção do artista era chamar atenção das autoridades para o ‘campo de concentração da Cracolândia’.

Germano Gerson,de 38 anos, o “Brasília”, viciado em crack há cinco anos, enquanto mostrava os cacos do que sobrou da imagem de gesso da Virgem Maria, acusou os envolvidos no caso da santa de zombar de Deus e da miséria humana. “Sou uma alma penada, como esta ao meu lado – enrolada num cobertor.”

A usuária Tati, 25, uma das mais exaltadas, pretende denunciar dom Odilo ao Vaticano por incentivo à profanação: “Ah, o bispo apoia .. vou na Lan House durante a semana… faço uma carta e envio por email ao Papa-, pode pegar a cópia do documento comigo… Se ele consagrou a ‘santa do crack’, ele (dom Odilo) deve ser enquadrado … Aqui não tem nenhum bobo, tem muita gente de cultura, que quer sair dessa. O pessoal está precisando é de clínica de tratamento e não de santa, e no mais, aqui tem seguidores de todas as religiões, tem até ateu… Respeito é bom! Eles esquecem que na Cracolândia vem professor, advogado, enfermeiro, jogador de futebol… em busca de crack. Eu não vendo, sou vítima, consumidora… como muita gente importante é. Fala pro bispo que a palavra… o apoio dele chegou tarde de mais, o diabo tomou conta de tudo… e o crack chega de bandeja.”

De dor

 

Por Maria Lucia Solla

No assado

Aqueles ali na frente se arrastam na inundação; uns perdem tudo, outros perdem todos. Os do lado esquerdo morrem do calor que mata gente, mata bicho e planta. Tudo morre, ou chega perto. Os da direita se debatem na neve. Tem vulcão enfurecido, e tem mar dando mostra do que é capaz de fazer. Gente da polícia mata criança e ladrão merreca ataca com arma de brinquedo. Ladrão merreca e meia vai de fuzil e dinamite, e ladrão merrecão, com cheque quente no talão, com pinta e título falso de doutor, ataca de celular e caneta. Tudo covarde. Uma merrecada só; boa de botar numa gaiola bem grande e jogar no mar, já que o rei das águas está acostumado a receber, de nós, o lixo.

E tem mais isso e tem mais aquilo, e nem vale a pena desfiar o rosário inteiro. É um tal de como vai? tá difícil! é… aqui também; ela está doente, ele em depressão; ele mente, ela trai. O pai de um tem Alzheimer, a mãe do outro também. E você quer saber? A epidemia de Alzheimer faz sentido. Ninguém está mais a fim de lembrar de tudo. Tem coisa boa, é claro, mas é tão pouca que a gente marca um par de dias por ano para fazer festa, acender velinha, bater palma e ficar contente.

Agora, honestamente? Não é culpa do povo do lado de cá nem do lado de lá, não é ele e nem é ela, somos nós, é o teu pensamento negativo e o meu, tua soberba e a minha que desembestam feito besta de dente afiado, e depois voltam para nós, seus amos e senhores. Portanto, não adianta pôr a culpa em Plutão e Saturno, os duros na queda, não adianta pedir clemência divina, buscando fora o que está dentro, que se chama consciência e que nunca se desligou da origem. Não nos servem mais as profecias, que só chegam até ali na esquina, porque a continuação da nossa história é responsabilidade nossa. Podemos rasgar os dogmas porque é aqui, neste ponto da existência, que nossa raça chega ao ponto central, de fim e de início, de morte e de vida. Ou resgata e desperta a consciência, ou não.

Confesso que tenho vivido uma luta de foice no escuro atrás da outra. Aprendo um pouco, subo um degrau e escorrego três para trás. E dá-lhe lambada! mas quem é teimosa sobrevive. O encontro com a gente mesmo, quando a gente se olha como olha o outro, não é fácil, mas quem disse que a vida é fácil? e quem prometeu um jardim de rosas? Portanto, força aí que eu vou me segurando aqui, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung

O resort da moda

 

Por Dora Estevam


 
O calendário da moda no Hemisfério Norte não para, já foram apresentadas e estão prontas as coleções intituladas Resort-Cruseiro. Isso significa que as grandes marcas internacionais de luxo que costumam apresentar-se duas vezes por ano já prepararam o aperitivo comercial.

Maio e julho são os meses que estas marcas costumam dar uma prévia e preencher as prateleiras com novidades. Assim as vendas são reforçadas e as clientes poderosas financeiramente, que viajam nesta época do ano, têm algo a mais para fazer nas férias: gastar, gastar e gastar com  roupas.
 
A coleção “resort” é uma estratégia que foi desenvolvida pelas marcas de luxo para ter quinzenalmente peças novas e, assim, não sair perdendo para os grandes magazines. O nome resort já diz tudo, refúgio destinado aos endinheirados. Pessoas com uma situação econômica privilegiada que durante a primavera fazem cruzeiros marítimos e se hospedam em luxuosos hotéis para aproveitar as férias – incluem-se no grupo, lógico, as celebridades.
 
O resort na prática sempre existiu, só que antes eram coleções de biquinis,  maiôs e roupas de festa para as consumidoras que viajavam para o Caribe, em especial, e outros países onde pudessem fugir do frio.
 
Agora, a pressão é maior, tanto dos grandes magazines quanto do consumidor. As coleções vão além dos biquinis e as peças já estão prontas na lojas sem necessidade de se passar pelo show room (local para pedidos de peças).
 
O resultado são coleções mais comerciais, sem fantasias, nas quais os estilistas misturam tecidos e fazem contrastes modestos, mas não menos feminino.

Confira os vídeos que selecionei para você:

Desfile da Chanel resort 2012

Desfile da MiuMiu
 

Inspire-se, também, no talento da coleção de Alexandre McQueen em destaque na foto de abertura deste post.

Sábado que vem tem mais.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida , aos sábados, no Blog do Mílton Jung.

 

Jardins ganhará coleta de lixo em contêiner

 

Lixo na porta do prédio

A cidade não terá os resíduos e material reciclável sugados por encanamento, como o sistema que funciona em cidades americanas e europeias, mostrado neste blog, semana passada. Pelo menos, não por enquanto. Mas um grupo de moradores passará por uma experiência que pode mudar a forma como encaramos a produção, coleta e sepração de lixo (ou o que teimamos chamar assim). Em no máximo três meses, prédios e casas da região dos Jardins receberão contêineres de plástico que serão usados para o depósito do lixo domiciliar, dentro de um projeto piloto a ser realizado pela Loga, uma das duas concessionárias que atuam em São Paulo.

Os resíduos sólidos serão depositados nestas “latas de plástico” que devem ter capacidade de até 1,2m³ em lugar dos malfadados sacos que se amontoam nas calçadas e costumam ser apontados como responsáveis pelo entupimento de bueiros e bocas de lobo, no período de chuva. Os contêineres ficarão sob responsabilidade dos moradores que receberão dois por unidade habitacional: um para resíduos secos e outro para orgânicos. Em alguns locais em que houver maior densidade populacional e espaço serão usados compactadores estacionários de 20m³. Caminhões da Loga retirarão o material através de sistema mecanizado.


Leia a informação completa no Blog Adote São Paulo, da Época SP

De lexigrama

 

Por Maria Lucia Solla

Lexiograma

Através do lexigrama eu mergulho no mistério das palavras. Não existe nome ou título que resista, e eu me esbaldo.

Hoje resolvi mergulhar no mistério de duas palavras que não querem largar de mim, e das quais não faço o mínimo esforço para me soltar.

Tudo começou há uns dois dias, quando eu assistia à novela das seis. Linda. Quando dá, assisto e me regalo; mas um personagem disse uma frase que sequestrou um pedaço de mim. Ele disse: A cerca que protege é a mesma que aprisiona.

Senti uma folia no plexo solar, mas continuei a assistir e a curtir a magia da arte que se consegue orquestrar num simples capítulo de novela. Eu não conseguia prestar atenção na trama porque ficava pensando na frase que já se reduzira, para mim, a proteção/prisão.

Vai dia vem dia, e me veio de lexigramar o que andava martelando na minha cabeça, fazendo meu corpo vibrar, exigindo minha atenção. Proteção/prisão. E é um pouco da viagem que fiz, nesse binômio de aparência paradoxal, que vou revelar a você.

Lexigrama é a técnica de encontrar no nome, frase, título, tantas palavras quantas se conseguir, combinando suas letras e se deixando maravilhar por revelações ávidas por se oferecer.

Em Proteção e Prisão encontro todo tipo de palavra, mas percebo que além do verbo no infinitivo, como castrar e casar, encontro muitos verbos na primeira pessoa do singular como rocei e pastei, ou aposto e arrisco, e entendo que esse binômio mostra a importância da responsabilidade na ação, palavra que também encontro ali.

encontro acerto e erro
presa e preso
porta e portão
mas não encontro
o fecho nem o desfecho

dou de cara com aposto e arrisco
ator e arisco
razão e reação
oração creio e Cristo

encontro traição e tropeço
corpo e procê
tesão parceiro e pato
mas para encontrar coração
falta o cê

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung. Este texto foi escrito durante as férias do Blog e por isso está sendo publicado somente agora

Governo de SP vai pagar R$70mi para estádio da Copa

 

O Governo do Estado de São Paulo vai ter de abrir licitação no valor de R$ 70 milhões para construir os 20 mil lugares a mais necessários para que a abertura da Copa do Mundo seja no estádio do Corinthians. A informação foi confirmada pelo diretor superintendente da Odebrecht, Carlos Armando Paschoal, em entrevista ao colega Carlos Alberto Sardenberg, no programa CBN Brasil.

Os R$ 820 milhões garantidos por empréstimo do BNDES e isenção na cobrança de impostos da prefeitura de São Paulo – anunciados anteriormente – são suficientes apenas para levantar um estádio com 48 mil lugares. Para sediar a abertura do Mundial 2014, porém, serão necessários mais 17 mil assentos para torcedores e 3 mil para jornalistas. Esta parte excedente, que será reformulada após a Copa, é que deve ser paga pelo Governo de São Paulo.

De acordo com Paschoal, o Governo assumirá o custo pois um estádio para abertura da Copa interessa mais à cidade e ao Estado do que ao Corinthians.

Ouça a entrevista de Paschoal, da Odebrecht, aqui

No mesmo CBN Brasil, ontem, o diretor de marketing do Corinthians Luis Paulo Rosenberg havia dito que os R$ 820 milhões pagariam o estádio completo para a abertura da Copa. Em nenhum momento falou da necessidade de dinheiro do Governo de São Paulo.


Ouça a entrevista de Rosenberg, do Corinthians

De móveis

Por Maria Lucia Solla

Móveis, mesa e refeição

Ouça este texto na voz e sonorizado pela autora

Noutro dia, falando com um amigo, sobre um evento de 1982, me dei conta de que os móveis falam. Não falam como fala o carrinho no filme Se o Meu Fusca Falasse; móveis, assim como os ambientes onde moram, gravam acontecimentos, registram tudo: imagem, som, emoção, colorido, o tempo todo e depois repetem tudo, inaudível mas claramente, se você se dispuser a ouvir. Vou mais longe: além de falar são discretos a toda prova, só se abrem para aqueles que viveram os momentos em que registrou os fatos. São aliados; não espiões.

Minha mesa de jantar morreu não faz muito tempo. Essa sim, manteve um arquivo expressivo e impressionante; tão impressionante que basta que eu me conecte com ela em pensamento, que ela desfia o seu rosário de histórias. Quando veio morar comigo já era bem antiga. Foi amada por todos, os de casa e os de fora. Vestida das mais lindas flores, portava dignamente vinhos e queijos, e farelos de pão. Em volta dela, em mais de um endereço, comia-se bem e principalmente comia-se junto na maioria das vezes. Era grande, e ainda assim se desdobrava para acolher com conforto família e amigos. Acolhia grupos dos bons, e chegou a acolher inimigos declarados, com a sabedoria diplomática de sempre. E se mantinha firme, oferecendo tudo e exigindo muito pouco. Teve discussão, em volta daquela mesa, que acabava neutralizada por amor, por amizade, e cumplicidade regada de muita risada.

A morte da mesa da sala me pegou de surpresa, mas na verdade foi morrendo pouco a pouco, e eu não queria ver. Uma mudança aqui, um armazenamento acolá, um marceneiro intervinha com um parafuso maior do que a encomenda, o outro, preguiçoso, incompetente, cravava nela um prego assassino. E eu, envolvida com idas e vindas, a lida e a vida, dava por certa a sua imortalidade. Amarga ilusão. Ela arriou aos meus pés. Esperou um momento em que estava vazia, a fiel companheira, e não quebrou um prato, não desperdiçou uma folha de alface. Fez ginástica para não me machucar fisicamente, e caiu tão elegantemente quanto se manteve em pé.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung. Este artigo foi escrito durante as férias do Blog, por isso está sendo publicado apenas hoje.

Um mau sinal para as bicicletas

 

Ciclovia na Radial Leste

No mesmo dia em que publico post entusiasmado com a apresentação da primeira ciclorrota organizada pela CET na cidade de São Paulo (“Um bom sinal para as bicicletas”), leio no Diário do São Paulo sobre o precário estado da ciclofaixa ciclovia na Radial Leste. Os ciclistas que a utilizam reclamam de rachaduras, falta de pintura, acúmulo de lixo entre outros problemas em seus poucos mais de 12 quilômetros de extensão. As mesmas dificuldades já haviam sido apontadas neste blog pelo ouvinte-internauta Samuel Oliveira, a partir de imagem feita por ele, em 25 de abril do ano passado (foto acima).

A ciclofaixa ciclovia foi construída pelo Metrô de São Paulo e liga a estação Corinthians-Itaquera a do Tatuapé. Este, aliás, é outro problema apontado pelos especialistas no tema. Como não segue até o centro da cidade, destino da maioria dos ciclistas da região, a faixa na Radial acaba subutilizada. O Metrô – foi o que disse ao jornal – vai começar obras de manutenção no dia 25 próximo.


Para ler a reportagem do Diário de São Paulo clique aqui


Morte de ciclista em BH

Pior mesmo foi em Belo Horizonte, onde mais um ciclista foi morto no trânsito, desta vez atropelado por um motoristas que estava bêbado, conforme conta o jornal O Estado de Minas. Rubens Vieira tinha 53 anos e pedalava no domingo pela Via Expressa, Bairro Camargos, Região Nordeste da capital mineira. Temunhas informaram à polícia que o motorista, Rogério Valério de Jesus, não parou de acelerar o carro mesmo após atingir o ciclista e percorreu com a vítima em cima do capô por mais de dez metros. Ele não tinha condições sequer de assoprar no bafômetro. A imagem acima foi publicada na edição eletrônica do Estado de Minas.


Leia a reportagem completa  sobre a morte do ciclista aqui