Jogadores de futebol e seus uniformes maravilhosos

 

Por Dora Estevam

Foto Colagem

Os uniformes fazem show à parte na Copa.

É impressionante a explosão de cores das camisas e shorts, da roupa dos goleiros, e das chuteiras. Estas são maravilhosas nas cores fluo: verde, amarelo, azul, laranja …

Escadalosas de lindas.

foto 2 chuteira

Quem dera se no dia-a-dia os homens saíssem assim com uma peça de cada cor no corpo. Mesmo em uma ocasião menos formal é bem difícil encontrar estas combinações. Inspire-se, pois para os jogadores do esporte mais popular do mundo elas estão caindo muito bem.

Pelé, dia desses, comentou que no tempo dele não havia vuvuzela nem chuteira cor de rosa, se referindo ao colorido que chamou sua atenção – mas parece que não lhe agradou. É que no tempo dele bastava jogar muito bem futebol.

Segundo fabricantes, a ideia é fazer a cor e o modelo da chuteira saltarem aos olhos do telespectador em close na TV, e de carona surge a marca. Uma estratégia que dá resultado em campo e retorno de marketing.

FOTO 3 GOLEIRO

Os uniformes foram desenhados de acordo com os padrões físicos dos jogadores. Teve marca que não pensou apenas em tecido fashion, mas também que desse vibração maior ao craque. Se a técnica empregada funciona não sabemos, mas que ficou bonito, ficou.

Esta fusão do esporte com moda gera muita publicidade para os jogadores (os mais belos, em especial) e para as marcas mais famosas do mundo. Cristiano Ronaldo e Kaká são modelos Armani para underwear e relógios. E até mesmo o troféu ganha mala especial, Louis Vuitton.

FOTO 5 MILÃO

Já que estamos falando de moda, se você se entusiasmou com as cores dos uniformes e acha que no próximo verão vai poder vesti-las, pode começar a guardar as camisas. A tendência apresentada na Semana de Moda de Milão, masculina, para o verão 2011, teve muito modelo colorido. 

Mesmo com todas essas cores, os estilistas apostam em propostas sóbrias com sapatos com solado branco, e paletós ajustados e com algumas estampas, também. São combinações que tem tudo para dar errado, mas vou confiar no seu bom gosto que saberá jogar uma dessas peças coloridas com um belo jeans, mistura que sempre funciona.

A regra, como diria o outro, é clara: vista uma ideia simples e usável. E, com certeza, você vai se transformar em um craque da moda.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo, aos sábados, no Blog do Mílton Jung

Aprovado novo trólebus com tecnologia nacional

 

Veículo mais leve e com tecnologia desenvolvida no país para evitar o impacto no meio ambiente passou por todos os testes e recebeu aval da SPTrans para rodar na cidade de São Paulo.

Trólebus mais leve e mais limpo


Por Adamo Bazani

Agora é definitivo! São Paulo vai contar de fato com um trólebus novo, que traz soluções inéditas e prova que o Brasil tem condições de fabricar veículos de transporte coletivo com tecnologia limpa. Nasexta-feira, 18 de junho, a SPTrans – São Paulo Transportes – bateu o martelo e aprovou o trólebus Ibrava/Tuttotrasport/Iluminatti/WEG, a partir de critérios relacionados as novas normas de operação, segurança e conforto.

“Para nós a ansiedade foi muito grande. Apesar de contratempos normais na elaboração de qualquer produto novo, as etapas de concepção até a finalização do trólebus ocorreram como esperávamos. Mas, olha, o coração acelerava a cada dia. É uma tecnologia nacional, uma solução totalmente brasileira, o que vale ser destacado. Foi como o nascimento do primeiro filho de um recém-casado” – declara satisfeito Edson Corbo, da Iluminatti, umas das empresas envolvidas na concepção do novo trólebus.

Ele explica que o veículo se comportou de maneira satisfatória em todos os testes efetivos da SPTrans – São Paulo Transportes, gerenciadora do sistema municipal de ônibus de São Paulo. As avaliações começaram pra valer no dia 8 de junho. Entre os dias 9 e 10 houve os testes dinâmicos, que são aqueles nos quais, com equipamentos de referências de dados e com o atento olhar de técnicos, toda a operação do ônibus é simulada. Paradas em pontos, passagens pelas vias, relação com a rede elétrica aérea, peso simulando o dos passageiros. Tudo foi analisado nos mínimos detalhes.

Houve um contratempo em relação ao raio de giro, que leva em conta o quanto as rodas giram em manobras e curvas, ponto que é previsto na NBR 15570, que leva em consideração itens sobre conforto, segurança e operação dos veículos de transporte público. Mas o problema foi logo resolvido.

“Entrávamos cedo na garagem da Himalaia Transportes S.A, saíamos tarde, às vezes não tinha sábado, domingo, feriado” – relembra Edson Corbo sobre o trabalho da equipe durante todo o projeto, construção e adaptação do veículos.

A Himalaia é a única empresa que opera os cerca de 200 trólebus de São Paulo, que prestam serviços principalmente na zona Leste. Antes de 2001, quando boa parte das redes foi desativada, São Paulo chegou a ter cerca de 450 ônibus elétricos, que são totalmente não-poluentes.

São várias as inovações do veículo recém aprovado, que recebeu o prefixo 4 1901. O sistema refrigerado a água deixa o trólebus até 400 quilos mais leve, o que proporciona maior capacidade de transporte de passageiros, menos custos e desgastes de operação e melhor rendimento e aproveitamento da energia elétrica.

Toda a operação do trólebus pode ser monitorada em tempo real na garagem, terminais e no próprio ônibus. O IHN – Interface Homem Máquina – dá ao motorista, por meio de uma tela de LCD no painel do ônibus, todo o controle de tração e funcionamento. Já o sistema Multiplex permite oferecer informações em tempo real sobre as inclinações e estado da carroceria, funcionamento dos componentes e forma de operação. Os parâmetros sobre a forma de operação permitem que o motorista corrija eventuais falhas na hora e traz à garagem uma noção do comportamento dos operadores, o que pode gerar novos procedimentos mais eficazes de como dirigir e manter o trólebus. Todos estes sistemas de informação e tração permitem a redução da fiação interna do veículo, o que significa, menos peso ainda e mais eficiência.

Com o sistema de corrente alternada, mais eficiente que o de corrente contínua, e que permite o uso de eixos de tração nacionais, o novo trólebus disponibiliza de monitoramento por câmeras, que servem para segurança e auxílio do motorista nas operações. Monitores de LCD vão informar os passageiros sobre itinerários, horários e dicas úteis. A iluminação do salão de passageiros e área do motorista e cobrador também é moderna. Tudo por LED.

Participaram do projeto diversas empresas:

– Iluminatti: integração de todos os sistemas com carroceria, chassi e outros componentes.
– Bosch: câmeras de Vigilância, monitoramento e telas de informação ao usuário
– Tuttotrasporti: Chassi
– Ibrava: carroceria (a única no mercado planejada exclusivamente para trólebus, os outros modelos nas ruas, já são consagrados como veículos a diesel e foram adaptados para o sistema elétrico)
– WEG: motor e sistema de tração
– Dilmethoz: Sistema Multiplex de gerenciamento e informação operacional e itinerário
– Gardinotec: que desenvolveu sistemas modernos e exclusivos de compressores e de parte do sistema de suspensão

O melhor de tudo isso: todas estas empresas desenvolveram produtos brasieiros.

“Isso é prova que a indústria e as operadoras têm capacidade de desenvolvimento e prestação de serviços de veículos com tecnologia limpa. Algo que nos orgulha muito. Essa capacidade nacional prova que o trólebus é economicamente viável”.

Além do rendimento energético de um trólebus (o que faz mesmo o veículo andar) ser muito maior que os veículos a diesel, a energia no trólebus é aproveitada em 90% para movimento, enquanto no ônibus convencional o diesel só é aproveitado em torno de 45%, (o resto vira calor), o ônibus elétrico é mais seguro, dura até 3 vezes mais e não polui nada.

O próximo passo é aproveitar o lixo e sua queima, com estações dotadas de filtros especiais, para gerar energia elétrica e fazer os trólebus funcionarem, barateando ainda mais os custos de operação.

“Sabemos que isso é totalmente viável” – garante Edson Corbo da Iluminatti.

Apesar da aprovação total por parte da SPTrans, ainda a gerenciadora não estipulou uma data para as operações comerciais.

Adamo Bazani, repórter da CBN, busólogo e escreve no Blog do Mílton Jung

Em três meses, ônibus a hidrogênio na cidade

 

Com projeto de U$ 16 bi, e testes com resultados positivos, ônibus não-poluentes vão rodar no corredor do ABD, anuncia EMTU

HIDROGÊNIO 2 DVT 5988

Por Adamo Bazani

Depois do anúncio com muita pompa no ano passado, contando com a presença do então Governador de São Paulo, José Serra, o ônibus movido com célula combustível de hidrogênio caiu no esquecimento. O veículos estava em testes e a EMTU anunciou, finalmente, que o ônibus, com tecnologia desenvolvida e emissão zero de poluentes servirá a população em até 90 dia.

De acordo com a Empresa Metropolitano de Transportes Urbanos, que gerencia os transportes intermunicipais por ônibus nas regiões metropolitanas de São Paulo, Baixada Santista e Campinas, o veículo vai operar no corredor metropolitano ABD, ligando São Mateus, na zona leste, a Jabaquara, na zona sul da Capital, pelos municípios de Santo André, São Bernardo do Campo e Diadema, com extensão para a região da Berrini, na zona Sul de São Paulo, e para Mauá, no ABC Paulista.

O desenvolvimento do projeto deste ônibus custou U$ 16 milhões de dólares e teve a parceria de empresas privadas, governos federal e estadual e instituições internacionais. Os testes realizados com sacos de areia e galões de água no próprio corredor e, também, dentro da garagem da operadora Metra, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, surpreenderam positivamente a EMTU e a empresa.

O desempenho, segundo a EMTU, não ficou em nada atrás dos ônibus diesel e trólebus. Mas a grande novidade em relação aos testes foi a economia de combustível. A expectativa dos fabricantes era de que o ônibus percorresse 100 quilômetros usando 15 quilos de hidrogênio. O consumo médio foi de apenas 12 quilos para os mesmos 100 quilômetros percorridos, no corredor, que é de via segregada, com pavimento especial, considerado modelo mundial de transportes.

Mais ônibus a hidrogênio em São Paulo

A EMTU anunciou também que, em um ano, aproximadamente, serão comprados mais três ônibus a hidrogênio. O tempo de teste será bem menor e eles já devem rodar comercialmente dias após a aquisição. A gerência de planejamento da Empresa declarou que pretende comprar ônibus de 15 metros de comprimento, com três eixos, para serem abastecidos com o hidrogênio. Ainda não foi definida a carroceria, mas o chassi deve ser da TuttoTransport, o mesmo utilizado para o ônibus atual, Padron de 12 metros, com carroceria modelo Gran Viale, da Marcopolo, de Caxias do sul.

Além de planejar a compra de mais ônibus, a EMTU, em parceria com a Petrobrás, finaliza a construção de uma estação de geração e abastecimento para os ônibus. Esta estação está sendo construída dentro da garagem da Metra, em São Bernardo do Campo. Nela será feita a dissociação das moléculas de água em oxigênio e hidrogênio por um processo chamado eletrólise, um procedimento eletro químico que transforma o hidrogênio para a célula de combustível e libera oxigênio em forma de vapor d’água.

O ônibus a hidrogênio se trata nada mais nada menos que um veículo elétrico híbrido. O Hidrogênio é colocado nos tanques que ficam no teto do ônibus. Por meio de processos eletroquímicos, é transformado em eletricidade, que moverá o motor de tração do ônibus. A célula e o processo ainda são de materiais importados, mas carroceria, chassi e integração do conjunto são nacionais. O veículo também usa o princípio da frenagem regenerativa, no qual a energia é armazenada em situações nas quais o motor não precisa de força máxima para funcionar. Essa energia é utilizada depois em condições mais severas. Toda a energia extra é reservada num banco de baterias que pode mover o ônibus sem o hidrogênio.

Adamo Bazani, jornalista da rádio CBN e busólogo, escreve no Blog do Mílton Jung

De coração


 

Por Maria Lucia Solla

Ouça De Coração na voz e sonorizado pela autora

421555747_7f11a4c832

Meu coração andou disparando além da conta, no mês passado; o que me levou a passar um dia na emergência do hospital. Ele acalmou, mas eu ainda estou processando o fato, e não tinha me dado conta disso. A gente pensa que é forte, que pode e despode quando quer, mas não é bem assim.

Na sala fria, te furam, examinam teus humores e marcam teus compassos. Invadem a festa, trocam a música, mandam embora a tua turma, escondem a comida, acendem uma luz fria e afiada na tua cara, e a você só cabe se dar conta do quanto é pequeno, na matéria.

Lá, a gente viaja no lado duro, escuro, solitário e esburacado da vida. Não fique nervoso! Não chore! quando é tudo o que você precisa e quer fazer: ficar nervoso, descontrolado, e chorar. Muito.

Chorar esperando que alguém venha apoiar tua cabeça no colo e fazer cafuné para você dormir. Chorar até que segurem tua mão, firme-firme, te olhem nos olhos e digam: vai ficar tudo bem! e você chora, esperando acreditar.

Ali, na ante-sala do purgatório, a gente se sente frágil; fica sozinho, sem roupas nem sapatos. Tiram tudo de você, em troca da promessa de vida. E você dá; sem piar. Na iminência de mais uma agulhada no braço, se entrega total e incondicionalmente. Nem questiona sobre o líquido que goteja braço adentro, invadindo tua reserva; teus segredos. Você se agarra a qualquer coisa que represente esperança de voltar a ver a turma.

Depois de tudo isso, meu caro doutor Amaral, venho aqui pedir perdão pelo sumiço. Empaquei. Não liguei para dar notícia, satisfação de como vou passando. Também não foi por desamor à vida que não fiz o último exame; laboratório confuso, informação truncada, gente atrapalhada. E eu, cansada!

Prometo que logo mais reassumo essa responsabilidade e vou buscar a tua ajuda. Agora não dá.

Aquele pedaço de vida entre parênteses, no hospital, foi mais difícil de assimilar do que eu tinha imaginado. O osso era muito mais duro de roer; muito mais do que eu podia crer.

O senhor tem esmiuçado as vias de acesso e de escape, no mapa do meu coração, e não chegou a um diagnóstico, mas posso arriscar um palpite?

meu coração tem certeza
de que ainda é maluco-beleza
mas eu te peço o favor
não diga a ele
que já não sou mais menina
e hoje mais maluca que beleza

deixa ele na fantasia e eu na incerteza
ou seria o contrário?

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira, realiza curso de comunicação e expressão e, aos domingos, com todo seu coração, escreve no Blog do Mílton Jung


Conheça outras imagens na galeria de imagens de Marcus Zorbis, no Flickr

Na moda, Dunga é arrojado

 

Por Dora Estevam

dunga_herchcovitchQue gosto é gosto e não se discute, todos nós sabemos, mas quando se trata de moda e talento todos dão palpite. A escolha foi feita em cima de dois fatores: praticidade e frio.

Não gastou (e poderia, ele tem dinheiro), ficou super confortável e quentinho. Goste ou não, ele usou um casaco de um estilista brasileiro (muitos teriam colocado importado) e mostrou que podemos, sim, tirar roupas de coleções passadas do armário e usá-las sem problema (como já comentamos nesta coluna).

Estou falando do glorioso Dunga que no jogo da estreia do Brasil contra a Coreia do Norte, na Copa do Mundo, escolheu um casaco que causou tanta estranheza quanto a escolha dos meninos da seleção.

Na decisão pela roupa, Dunga mostrou mais uma vez que tem estilo e personalidade. Pode até ter sido influenciado pela filha, mas ele usou o casaco.

A peça foi desenvolvida pelo estilista mais importante do Brasil, Alexandre Herchcovicht, coleção 2006, a qual foi inspirada em príncipes urbanos, mistura de alfaiataria e esporte. No desfile, o modelo usou gola careca e um chapeuzinho tipo coroinha.

“Confirmado, Dunga está de Herchcovitch e eu tenho um igual! Estou feliz!”, escreveu o estilista animadíssimo no Twitter.

Na produção de Dunga, a blusa debaixo, uma malha com gola olímpica em tom claro (também já usou outras duas vezes), calça e sapatos marrons. Isso é que é legal, o estilista ver a roupa dele na rua, com novas produções e ousadas combinações. Quando ele poderia imaginar que o técnico da seleção brasileira fosse desencavar um casaco de coleção passada e ainda usar na Copa.

Dunga foi muito original. Além de ser um ótimo momento para divulgar a moda brasileira.

Este tipo de roupa usada pelo técnico é apenas para quem entende de moda. Quem não entende e não tem informação crítica mesmo.

Dunga ficou lindo e chique, até mostrou como se vestir dentro de campo. Deixa essa coisa de terno pra executivos, advogados e empresários. Em campo tem que mostrar comportamento arrojado.


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo aos sábados no Blog do Mílton Jung.

É Copa do Mundo e meu coração não saiu de férias

 

Entusiasmado com o futebol, e disposto a torcer pela seleção brasileira, o jornalista Airton Gontow enviou para o Blog o artigo que reproduzo a seguir, no dia em que o Brasil estreia na Copa do Mundo da África:

Por Airton Gontow

Há uma cena emblemática em “O ano em que meus pais saíram de férias”, excelente filme de Cao Hamburger sobre a Ditadura Militar, que tem como pano de fundo a Copa do Mundo de 1970. Jovens da esquerda brasileira assistem a um dos jogos da Seleção cientes de que o certo é torcer para a derrota do Brasil, já que o triunfo do time nacional seria mais uma arma nas mãos do governo militar. Mas na hora do primeiro gol do Brasil o que se vê é uma explosão de alegria.

Vivi uma cena, de certa forma semelhante, muitos anos antes, na Copa do Mundo de 86. Eu estava na Universidade de Tel Aviv, em Israel, onde estudava, assistindo à partida decisiva entre Argentina e Alemanha. Ao meu lado, estudantes judeus latino-americanos, metade deles da Argentina e os outros de países como México, Colômbia, Uruguai e Brasil. Todos manifestaram apoio irrestrito ao “irmano sul-americano”, ainda mais contra a Alemanha, time que, por motivos óbvios, não encontra muitos seguidores em Israel. Quando a Argentina fez o primeiro gol, nossos vizinhos vibraram intensamente e todos nós aplaudimos. Na hora do segundo gol, a vibração foi ainda mais forte e até nos arriscamos a cantar “Vamo, Vamo, Argentina…” Quando os alemães marcaram pela primeira vez houve um silêncio absoluto no quarto. O jogo prosseguiu, com todos nós ansiosos pelo seu término. Na hora do empate da Alemanha o que se viu e ouviu foram gritos ensurdecedores: “Gol! Gol! Gol!” De repente lá estavam todos os jovens estudantes – judeus e sul-americanos! – festejando em pé o gol dos alemães, sob os olhares surpresos dos argentinos que, aliás, saíram do quarto vibrando e sem nos olhar ou se despedir quando sua seleção conquistou o título.

Lembro destas histórias quando penso em Dunga. Meu Deus, não convocou o Ganso! Que loucura, não deu chance para o menino Neymar! Que heresia: o Zangado, ops!, o Dunga, ignorou a recuperação de Ronaldinho Gaúcho no Milan e vai pra Copa com Júlio Batista, Elano e Kleberson. Deixou o Hernanes de fora e convocou o Josué. Ao tirar com razão o Adriano riscou com a caneta, ou melhor, com Grafite, o nome de Fred, o substituto natural. Teremos na Copa o Doni e o Victor, melhor goleiro do País nos últimos dois Brasileirões, ficará por aqui!

Lembro destas histórias quando vejo as entrevistas e outras manifestações de Dunga e seu fiel escudeiro, Jorginho – que acusam qualquer crítica de falta de patriotismo. “Brasil: silencie ou deixe-o!”

Eu e você deveríamos torcer contra a Seleção Brasileira, já que a vitória na Copa poderá significar a perpetuação do jeito Dunga de comandar: a criação de inimigos externos para unificar o grupo; o desprezo pelo talento e o revanchismo. Deveríamos é torcer pela Argentina, do maestro Verón e do craque Messi, com seu futebol de técnica e garra. Ou mesmo pela Espanha, que nunca venceu uma Copa e que hoje joga um belíssimo futebol, com Fúria e arte.

Mas, claro, não dá. O coração simplesmente não deixa. Não há espaço para a razão na hora do futebol. Como jornalista terei sempre o sagrado compromisso de buscar a verdade. Mas não vou escrever “O Elano em que meu país saiu de férias”. Comprei uma televisão nova e até parei em faróis e lojas para decorar minha casa com as bandeiras e outros badulaques do Brasil. Já estou vestido – corpo e alma – com a camisa canarinho. De vuvuzela verde-amarela na mão!

Que o venha o Hexa! Com um gol de Grafite! Pelos pés de Júlio Batista! Com um petardo do operário Elano. “Doni! Doni!” “Dunga! Dunga! Dunga!” Pra frente Brasil!

Airton Gontow é jornalista e cronista.

Trólebus no ritmo da Copa

 

Veículo elétrico da empresa operadora Metra foi decorado para mostrar ao País a torcida pela seleção e pela alegria do povo brasileiro. Já é a segunda empresa no ABC que prepara um veículo especial para comemorar o mundial de futebol

Por Adamo Bazani

A ansiedade está cada vez maior pelos nossos astros da bol, que têm a missão muito maior do que ganhar algumas partidas, mas de proporcionar a alegria que o brasileiro merece, fazerem bonito neste mundial da África do Sul, em 2010.

Pelo menos a torcida brasileira, como sempre, faz sua parte. Da simples bandeirinha na janela de uma casa humilde de alguma periferia neste País de dimensões continentais até a mais sofisticada decoração no luxuoso estabelecimento comercial ou conjunto residencial, ricos e pobres, iletrados e cultos, todos falam a mesma língua e proporcionam à Nação uma energia especial que pode ser sentida de alguma forma nas ruas, apesar de todos os problemas que a população enfrenta.

E esse clima contagiou de vez o setor de transportes no ABC Paulista.

Depois do BUS COPA, que roda pelas ruas de Santo André, com o simpático motorista Edílson Oliveira Santos, da Viação Vaz, agora é a vez de um dos melhores sistemas de transportes com tecnologia limpa do País, exemplo para o mundo, com corredor segregado moderno, também mostrar sua torcida.
Até o final da Copa do Mundo, em 11 de julho, roda pelo Corredor Metropolitano ABD, um trólebus todo decorado, com adesivação especial em homenagem ao esporte maior da nação. No corredor que liga São Mateus, na zona leste da capital, ao bairro do Jabaquara, na zona sul, passando pelos municípios de Santo André, São Bernardo do Campo, Diadema, e Mauá, na região do ABC, a empresa operadora Metra decorou o trólebus de prefixo 7301, modelo Urbanuss Pluss LF, que pode ser visto revezando de linhas no corredor exclusivo.

Aliás, o sistema tem de comemorar mesmo na Copa.

Para a instalação dos BRTs (Bus Rapid Transit), em cidades como Pretória, Joanesburgo, Porto Elizabeth, Cidade do Cabo, o sistema do ABC Paulista foi uma das inspirações para as autoridades sul-africanas, que também consideraram os exemplos de Curitiba, o primeiro sistema de via segregada com embarque rápido e veículos especiais do mundo, inaugurado em 1974, e o Transmilênio, de Bogotá, na Colômbia.

Aliás, a Colômbia que mesmo não jogando, foi muito bem representada na Copa do Mundo, com a apresentação da pop Star Shakira. Como o país está fora do mundial, restou à musa torcer pelo Brasil, conforme declarou em entrevista, em bom português, ao canal Sport TV que você pode conferir aqui.

A escolha do carro 7301 também não foi à toa.

O veículo é um dos orgulhos da Metra e uma prova de que o Brasil tem muito mais a oferecer ao mundo que o Futebol. Uma destas coisas é a tecnologia de ponta 100% nacional para transportes coletivos limpos. O trólebus que tem mais de 10 anos funcionava com sistema de corrente contínua e chassi de tração importado. A empresa Eletra, que produz veículos sem emissão de poluentes totalmente brasileiros, pertencente ao grupo da Metra e da Auto Viação ABC, numa operação inédita, no ano passado, conseguiu converter o trólebus para corrente alternada.

O sistema é mais econômico, moderno e possibilita maior força de arranque nas operações do trólebus. A principal vantagem, no entanto, é que pelo fato de a corrente ser alternada, a relação entre o motor e o eixo de tração é bem mais simples. Sendo assim, os trólebus de corrente contínua usam eixos de tração importados, já o de alternada, possibilita o uso de qualquer eixo nacional, articulado por conta do peso maior de um trólebus.

Este tipo de eixo é bem mais barato, elimina as taxas de importação e a manutenção é simplificada, podendo-se achar peça de reposição em qualquer concessionária ou revenda especializada.

Sem a necessidade de importação das peças, é mais fácil controlar os estoques e as reposições são mais rápidas.

Além disso, a Metra aproveitou o layout do ônibus elétrico para decorá-lo, pois é o único do sistema que possui o padrão de cor verde, justamente por causa dessa alteração conseguida pela empresa Eletra. Com as frases “Todos Torcemos pelo Brasil” e “Brasil Rumo ao Hexa”, a pintura verde do trólebus, na lataria, se une a um campo de futebol, estampado na janela, que é inteiriça por conta do ar condicionado.  No desenho, um jogador está pronto para chutar e fazer o que é mais importante numa partida: o gol. Afinal, “Bola na Trave não Altera o Placar.”

Ao fundo deste cenário, uma torcida com confetes, enfeites bem alegres e uma bandeira do Brasil tremulando … Típico cenário dos estádios e da casa de muita gente. Um dos detalhes mais bonitos é a bandeira no vidro traseiro.

Rosana Isabel dos Santos, de 24 anos, usuária do corredor metropolitano, gostou da idéia. “A bandeira atrás do ônibus poderia ficar sempre, mesmo depois da Copa.”, comentava sorridente.

Vale lembrar que o trólebus da Copa só vai operar no trecho entre São Mateus, Santo André e São Bernardo do Campo, até o Terminal de Piraporinha, únicos trechos do corredor eletrificados e que podem receber este tipo de veículo.

Pela Metra, a torcida pela seleção será mais saudável e com o ar mais limpo. Afinal, o trólebus, depois de 61 anos no Brasil, ainda é o único veículo com emissão zero de poluentes, economicamente viável com a realidade brasileira.

Os ônibus decorados no ABC Paulista foram aprovados pela população. Basta ver se aprova, hoje, o time de Dunga.

Adamo Bazani, jornalista, busólogo, fã da Shakira, torce para o Brasil e escreve no Blog do Mílton Jung.

De vida e trabalho

 


Por Maria Lucia solla

IMG_2340

Ouça “De trabalho e vida” na voz e sonorizado pela autora

Silvana pediu que eu falasse sobre trabalho na minha vida, para um trabalho dela na universidade.

Gostei e rapidamente me prontifiquei. Mais uma oportunidade pra eu pensar no que gosto.

É bom pensar no que se gosta. As vezes a gente se empolga e fica lá, viajando no pensamento e se deixando levar de bom-grado, por ele. Aquietando a mente do agora e despertando outra: atemporal, amoral, anônima. Livre!

mente é escrava de começos e meios
mas soberana de finais
e o quê na vida
se pode pedir mais

mas prometo me concentrar
preparar as rédeas
e a minha mente encilhar

Vem cá, mente minha, ô sua traquinas! façam um belo trabalho, você e o meu coração, e digam pra mim, de modo que eu possa colocar em palavras, o que é que eu penso, afinal, de vida e trabalho.

E assim, de bate-pronto, como plim-plim, o quadro é claro, e vejo na tela, nitidamente, o passar da minha vida:

trabalho e vida

pernas e braços
esquerda e direita
bem-me-quer malmequer
cabeça tronco e membros

como viver um sem a outra
só não vê quem não quer

trabalho é caminho
é Vida
que é não por acaso
também chamado de Lida

trabalho é levantar da cama cedo
pra treinar com o Val
é preparar o ano todo
fantasia pro Carnaval

trabalho é fazer café
pro grande amor
ou pro chefe doutor
sempre adoçado com mel
o escolhido
entre ele e o fel

é andar estudar amar

sim porque amar é trabalho também
ou você acha que é fácil
ter juntinho a você
alguém pra chamar de bem

Trabalho é forma de expressão; trabalho é o leão correr atrás do sustento da leoa e seu rebento.

E termino pedindo desculpa pela invasão do poema, mas acabo sem sentir culpa, pois não me afastei do tema.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua inglesa e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung

Eles querem as gordinhas

 

Por Dora Estevam

Fluvia Lacerda

O frio chegou, assim como a Copa. E a fome também. Há quem brigue com a balança achando que está quebrada, que tem algum engano. Também pudera – não sei você, mas eu não paro de comer. E isso que o Brasil ainda não jogou.

Não pensa que esqueci das festas Juninas. Pelo menos duas são obrigatórias. Para quem gosta de comida típica como eu, impossível fugir delas.

E tem também os desfiles da SPFW – edição que apresenta a coleção de verão 2011. E volta o assunto das modelos magras. Mas sempre foram. E vai coleção, vem coleção o assunto é sempre o mesmo. Uma campanha aqui, outra ali, e continua tudo igual. Verdadeiros cabides.

Calma, não estou querendo dizer que deveria ser diferente nem criticando o fato de não ser como elas (nem de longe… ) também não posso dizer que tem que ser assim mesmo porque senão as gordinhas vão me matar.

Tá ! Por falar nelas, agora muito, mas muito mesmo, em moda são as modelos Pluz Size (modelo GG) garotas de bem com a vida e lindas. A novidade este ano é que o evento que organiza o Miss Brasil (normalmente, Miss Magrinha) agora também seleciona Miss Brasil GG. Legal, né!

A garota precisa seguir alguns pré-requisitos, nada complicado: primeiramente, é claro, ser G ou maior que G; ser solteira, não pode nem morar junto (põe o namorado pra correr); nunca ter posado nua, nem mostrado o seio em foto (ufa!) nem ter feito filme pornô; e ser muito alegre, simpática, ter boa postura, estar com a saúde em forma e a educação, também.

Bem, se você conhece alguém que se enquadra nestes requisitos e gostaria de ser Miss, vale a pena tentar. É só clicar www.misssaopaulo.com.br.

Fluvia LacerdaUm caso muito conhecido de modelo nesta categoria é o da brasileira Fluvia Lacerda, 29 anos,13 anos em Nova York. Pode-se dizer que a moça revolucionou o mercado GG no Brasil. Voltou para renovar o conceito das confecções com relação aos tamanhos grandes e também deu um empurrão nas modelos gordas que na opinião dela eram desvalorizadas e mal pagas.

Tem mercado para todo mundo, ninguém fica de fora nem a barriguinha proveniente da comilança, efeito Copa, Festa Junina, desfiles, e etc.

O interessante é que a roupa exerce um poder nas pessoas sem que elas percebam. Mesmo que diga que não liga pra estas coisas, acaba caindo em contradição quando vai às compras porque a peça que está em casa está fora de moda ou está velha. É sempre assim.

Eu conheci gordinhas lindas e super bem vestidas, meninas que se produzem com peças da moda e ficam charmosas. Assim como outras que nem ligam para a moda e dão graças a Deus por ter um camisão bem largo para se esconder dentro dele. Também conheço magras que são verdadeiras cafonas e outras que são chiquérrimas. Tudo é uma questão de gosto e estilo da pessoa.

Agora, é muito comum ouvir as grávidas, as gordas e as pessoas com deficiência reclamarem que nunca tem roupa para eles. É verdade. Vergonha mesmo é o Brasil com tantos talentos de estilistas não ter um sequer que faça a moda voltada para estes segmentos. Assim como o pessoal do Miss Brasil deu o primeiro passo quem sabe o Paulo Borges, diretor do SPFW, não segue o caminho e convide estilistas com propostas para este mercado desfilarem na próxima edição.

A viagem no ônibus da Copa, em Santo André

 

Ônibus da Copa em Santo André

Por Adamo Bazani
 

“Já são três dias sem dormir direito. Não via a hora. Para mim a abertura da Copa do Mundo é hoje. A expectativa é a melhor possível”. A frase foi dita no dia 9 de junho, quarta-feira, e revelava a expectativa não de um dos convocados do técnico Dunga, mas de Fumassa (com dois esses mesmo), motorista da Viação Vaz, que faz parte integr o Consórcio União Santo André, gerenciado pela SATrans – Santo André Transportes.

Acostumado a se vestir de Papai Noel no fim do ano, desta vez o personagem que ele iria representar era outro: o de torcedor do Brasil, a bordo de um Comil Svelto Midi, motor Mercedez Benz OF 1418. A empresa vestiu o ônibus de verde e amarelo e o transformou em uma espécie de estádio de futebol ambulante. Há bandeiras e enfeites alusivos ao Brasil, uma réplica da Copa do Mundo no painel do Motorista e o assoalho está revestido com grama sintética. Além disso, foram instalados dois televisores LCD, de LED, 22 polegadas, para que os passageiros possam assistir aos jogos do mundial.

O sócio-diretor da empresa, Thiago Vaz, conta que a preparação do ônibus deu trabalho, mas que valeu a pena:

“Priorizamos a alegria e as cores do Brasil e isso será gratificante demais quando o ônibus estiver na rua. E esse veículo foi fruto de união, vontade, abnegação dos funcionários e trabalho de equipe. Primeiro elaboramos o layout com a opinião de todos, para deixar o ônibus com visual alegre, porém equilibrado, sem ser pesado ao olhos das pessoas. Depois veio o trabalho de envelopamento e adesivação, de acordo com o que foi autorizado pela gestora de transportes aqui de Santo André. Foi um dia inteiro de trabalho artesanal, contando com um profissional especializado. A parte interna, que tem os enfeites e a grama sintética, teve a participação de especialistas e também de funcionários. As idéias e boa parte do trabalho para decorar o ônibus internamente foram de duas funcionárias do setor de almoxarifado, a Regina e a Natiele. O ônibus integrou a equipe interna e com certeza vai integrar a Viação Vaz à comunidade” .

Só para o envelopamento externo a empresa investiu R$ 6,8 mil. Investimento que, segundo o dirigente, é compensado pela maneira como a comunidade reage diante de uma ação como esta.

Acompanhei a primeira viagem do ônibus pelas ruas de Santo André com o motorista Fumassa no comando. Mal saímos da garagem, no Jardim Bom Pastor, o pessoal de uma padaria foi para a calçada aplaudir e acenar.

“É hexa, é hexa” – gritava o motorista e a galera repetia.

Ônibus da Copa em Santo André

Na primeira parada, um presente para Fumassa. Era Dona Iraíde Paulo da Silva, que conhece o motorista desde pequenininho. Ela já entrou brincando:

“É muito chique viajar com o Fumassa. Conheço ele há 28 anos, quando tinha 5 aninhos e fazia o prezinho … Fumassa, sabe que eu tenho por você um amor de vó “ .

A demonstração de carinho emocionou o motorista, que lembrou de sua infância e adolescência difíceis. Junto com a mãe, ele tinha de ajudar no sustento da família.

“Minha mãe é uma guerreira, viu. Pena que ela já é de idade e doentinha. Senão, fazia questão que ela fosse minha primeira passageira neste momento tão especial” – emociona-se.

Especial mesmo. A cara emburrada e de cansaço de boa parte dos passageiros mudava ao ver o ônibus todo enfeitado e o motorista vestido como jogador da seleção – sim, porque Fumasse não perderia a oportunidade de estar travestido assim como o ônibus.

Muitos riam, outros puxavam assunto, faziam piadas. Alguns, mais surpresos, perguntavam se era mesmo o ônibus da linha I 03 (Jardim Bom Pastor / Parque Caupava).

As crianças então eram as mais entusiasmadas. Fumassa retribuia distribuindo chaveirinhos para os meninos e meninas que festejavam a passagem do ônibus. Era presente para crianças, mas adulto também queria.

As reações dos passageiros do “Bus Copa” eram as mais variadas possíveis.

“Muita gente diz que o povo só é patriota na Copa do Mundo. Eu discordo. Só de acordar cedo, pegar uma condução nem sempre como queríamos, trabalhar o dia todo com pressão e ainda ter um espaçozinho dentro do coração para ser bem humorado, já é um sinal de amor ao País e à vida” – disse o mecânico José Tonduratto, um dos passageiros do sentido Capuava.

Aliás, frases e pensamentos como este eram despertados pelos enfeites e o entusiasmo do motorista Fumassa.

Num certo ponto da viagem, um senhor entrou no ônibus, ficou admirando os veículo. A grama sintética no piso, o que era mais comentado pelos passageiros, mas passou quase o tempo todo em silêncio. Este repórter então foi puxar um papo com ele. Não deu outra, o homem demonstrou toda a emoção e saudosismo que sentia no momento. Isso porque ele, já aposentado, fora motorista de ônibus e, mesmo sem o incentivo da empresa, em época de Copa do Mundo, sempre fazia questão de decorar  o veículo mesmo que de maneira simples.

Erinédio Soares trabalhou na Viação Garcia, não a famosa do Sul do País, mais uma de fretamento que operava no ABC. Ele foi motorista só desta empresa por 24 anos.

“Nossa, me lembro que eu decorava os ônibus também. Claro, era simplezinho, mas para mim era uma ocasião especial na época de Copa do Mundo e outras datas festivas. O senhor Ângelo Garcia fundou a empresa em abril de 1973. Já fui trabalhar na empresa quase em seguida. Em 1981, ele passou para outros donos que ficaram com a Garcia Fretamento até 1998. Foi quando eu fui transferido para a São José de Turismo. Trinta carros com os motoristas foram para a São José e 60 carros, também, com os funcionários para a Domínio. Êta época boa, dirigir ônibus tem seus problemas e estresse, mas é muito bom” .

Ao se aproximar do ponto final, Fumassa falava em alto e bom som: “Aqui é minha área”. Era verdade. Ele tinha de parar em quase todo o quarteirão para dar um olá para um conhecido e entregar um chaveiro para uma criança. A cada rua uma história.

“Vi o filho da dona deste bar pequenininho, agora ele está crescendo …. nos finais do ano, sempre uma velhinha que morava nesta casa vinha me ver de Papai Noel …. ah essa casa aí, ta vendo? .. Tem uma senhora muito legal. Me dá uma garrafa de café quase todo o dia”.

Muitas outras histórias foram contadas por Fumassa até chegarmos ao ponto final, no Parque Capuava. A satisfação dele contaminava a todos e a este repórter, em especial.

Ao desembarcar, pensei comigo mesmo: ” Falta de união para lutar por uma vida melhor… Pouco engajamento político… A crença e ilusões … A fácil manipulação… Tudo isso é crítica que se pode fazer ao povo brasileiro, mas é um povo batalhador que com todos os problemas ainda dá valor ao sorriso, como se vê no rosto e na alma do motorista Fumassa”.

Ádamo Bazani é repórter da CBN, busólogo, e torcedor do Brasil