A Copa da África é nossa. Ou melhor, dos nossos ônibus

 

Meu consultor particular para assuntos de ônibus, Ádamo Bazani foi uma das fontes de informação para texto publicado na segunda-feira, no Blog Fora da Área, no Portal Terra. Deu o que falar, graças a participação de ‘comentaristas’ especializados ou não. Trago para cá, o texto de autoria do Ádamo que me inspirou na chegada a Cidade do Cabo.

Ônibus brasileiro na Copa

Por Ádamo Bazani
 
É oficial! O Brasil conquistou a Copa do Mundo na África do Sul, em 2010.

No futebol, ainda é necessário esperar e ver como o time de Dunga irá se comportar, mas no setor de transportes, o país surpreendeu até mesmo a expectativa dos produtores nacionais. Marca presença em praticamente todos os deslocamentos, urbanos e específicos para os times e comitê organizador do evento máximo do futebol mundial.

Vencendo concorrentes de até mais tradição na fabricação de ônibus, a indústria brasileira conseguiu aliar preço, boas condições de produção e qualidade e foi a grande vencedora do Mundial neste setor.

Se, em todos os campeonatos de futebol, em qualquer lugar do planeta, há um espírito de Brasil no ar, nesta Copa, mais ainda.

Os 460 ônibus que levarão as 32 delegações, o comitê oficial da Fifa, profissionais de imprensa, convidados especiais e que também prestarão serviços para as empresas de turismo que compraram camarotes são produzidos pela Marcopolo, empresa de Caxias de do Sul, com chassi Mercedes Benz do Brasil, cuja fábrica é em São Bernardo do Campo. Os ônibus foram adquirido pela Autopax Passenger Service Ltda, empresa com sede em Pretória , sendo a maior transportadora da África do Sul.

A Marcopolo, genuinamente brasileira, é uma empresa multinacional, e possui uma unidade fabril em Gauteng Province, localidade de Johannesbrugo. A fabricante de carrocerias ganhou a concorrência aberta pela Fifa em agosto do ano passado. Já em setembro começou a fabricar as primeiras das 460 unidades iniciais previstas. O número aumentou para 476, já que a empresa acabou fornecendo ônibus reservas e para outros serviços encomendados pela transportadora local. As últimas unidades foram produzidas em fevereiro. Os veículos chegaram no fim de abril na África do Sul, numa viagem de navio que durou aproximadamente um mês.

As carrocerias saíram do Brasil 80% prontas: sem os chassi, alguns detalhes de acabamento e pintadas de branco.

A maior parte dos veículos é do modelo Paradiso 1200, da Sexta Geração, um ônibus muito conhecido dos brasileiros e líder no segmento nacional de rodoviários para médias e longas distâncias. Eles possuem capacidade entre 38 e 46 lugares. A Marcopolo também vai fornecer o Modelo Andare 1000, com capacidade de transporte semelhante, só que mais simples, e, em menor número, os veículos de luxo Multego.

Aliás, dois Multego já estão garantidos para levar os dirigentes da Fifa. Eles possuem ar condicionado ecológico, capacidade para 39 passageiros, que serão transportados confortavelmente em poltronas mais amplas que as convencionais. Os Multego também possuem geladeira, área de convivência, com mesa, e são equipados com monitores de TV LCD especiais, mais finos que os aparelhos de LCD encontrados normalmente no mercado. Os Multego também terão portas centrais de acesso, o que permite um maior isolamento da área do motorista do salão dos passageiros.

Quando os ônibus Marcopolo chegaram à unidade da empresa na África do Sul, no fim de abril, foram finalizados, recebendo mais itens de conforto, pintura e chassi.

Vale lembrar que os ônibus que aparecem na TV, com as cores e frases das seleções, levam a marca da Hyundai, montadora de veículos, que é uma das patrocinadoras oficiais do evento.

Ônibus do Brasil na Copa

Não serão apenas as carrocerias que vão deixar a marca do Brasil nos transportes da Copa do Mundo na África do Sul. Os chassis destes veículos também são brasileiros. Os 460 veículos para o transporte especial voltado exclusivamente para evento, operados pela Auto Pax de Pretória, receberam plataformas e motores produzidos em São Bernardo do Campo.

Os chassis são da família O 500, a mais moderna da Mercedes do Brasil. A maior parte dos modelos é de O 500 RSD, de três eixos. É considerado um dos mais avançados do mundo. A motorização é toda eletrônica e segue rigorosos parâmetros europeus para a redução de emissão de poluentes e oferecem, por meio da eletrônica e informática, um maior controle operacional, fornecendo ao motorista dados em tempo real sobre o desempenho, operação e eventuais problemas nas partes elétrica e mecânica dos veículos. A potência também agradou os sul-africanos e os técnicos da Fifa. O motor desse ônibus, OM- 457 LA rende de 360 a 422 cavalos, dependendo do torque. O ônibus é robusto, com reforços na estrutura do chassi, nas rodas e todo sistema de transmissão. O Peso Bruto Total é de 24 mil quilos cada ônibus.

Os chassis e motores foram exportados para a África do Sul no sistema CDK, ou seja, partiram de São Bernardo do Campo desmontados. Chegando à África do Sul, eles foram montados na planta da Mercedes Benz em East London.

Quem quiser conferir as imagens de alguns ônibus das seleções, pode acessar o link

Continuar lendo

Sub de Campo Limpo diz que vai investigar muro pintado

Depois de algumas semanas denunciando desrespeito a Lei Cidade Limpa, nos muros de avenidas e ruas da zona sul de São Paulo, a Subprefeitura do Campo Limpo decidiu tomar uma atitude e anunciou que tentará identificar os autores da pintura de anúncios publicitários e de imagens que se assemelham a logomarca do presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Antonio Carlos Rodrigues.

Nesta segunda-feira, a Subprefeitura enviou a seguinte nota:

Em atenção à denúncia feita pelo jornalista Milton Jung durante a programação do CBN São Paulo desta quarta-feira (02/6), e comprovada por fotografia postada em seu blog, sobre pinturas em muros desrespeitando a Lei Cidade Limpa, a Subprefeitura Campo Limpo esclarece que solicitou a imediata presença de seus funcionários para realizar a pintura do local.

Concluído este trabalho, a Subprefeitura tentará identificar os responsáveis pela publicidade irregular e, tão logo localizados, estarão sujeitos às penalidades previstas na legislação municipal. A Subprefeitura informa ainda que os proprietários dos referidos imóveis também serão notificados a prestar esclarecimentos sobre as irregularidades constatadas em suas propriedades.

Ficaremos no aguardo.

De percepção e opção

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça “De percepção e opção” na voz e sonorizado pela autora

ML Menina

Hoje me vem de falar de alegria e de tristeza, o que não é diferente da comida que se põe na mesa. De prato, travessa, feiura e beleza.

Alegria é como prato bem feito, equilibrado na porção, caloria e gordura. Bonito. Que alimenta e contenta.

Tristeza é prato relaxado, privado de arte; tem tudo demais, enche a pança, é certo, mas não contenta jamais.

Admito que sou exagerada e que falo pelos cotovelos e de forma figurada, mas isso não me traz problema nem nada.

Fui menina triste. Tinha tudo na matéria, mas a tristeza era tanta que você podia jurar que eu brotava da miséria.

Nem me pergunte por quê. Quem é que sabe da vida o quê?

Do porquê já confessei ignorância, mas tristeza, a seu modo, me ajudou muito na infância.

Eu me enterrava no estudo e na leitura, mas não se apoquente que eu também sabia ser contente e tinha meus momentos de alegria e de pura gostosura.

Quem é que pode dizer o que é muito, pouco ou suficiente? Só a medida que te deixa contente.

Aí fui crescendo, olhando, loucamente copiando e pouquissimamente selecionando. Fui curtindo a vida e, sendo curtida por ela.

ML Mulher

Hoje percebo o tempo que passei, instalando, do lado de fora de mim e à mercê das intempéries, meu bem-estar; e meu coração, afinado que é, se via afastado do cantar.

Ao longo do tempo busquei felicidade e emoção e disso tudo tive uma porção, mas eram momentos fugazes que me deixavam sedenta, pedindo sempre mais, quando o que havia já não havia mais.

Também carreguei no peito mágoa, que ficou ali recolhida e amarelada. Só me dou conta hoje de que ela poderia, muito antes, ter sido esquecida e apagada.

Agora, quando algo me faz entristecer, pisco muito, que esse é um cacoete, enxugo um par de lágrimas durante um par de dias, e marco o evento a lápis no calendário, em vez de gravá-lo no meu diário, e então, deixo esse algo lá, onde deve mesmo ficar.

E decido eu o que quero sentir e que pensamento pensar, em vez de por eles, por anos a fio, me escravizar.

Uma coisa é certa, tendo ou não tendo o que quero, não abro mão do meu sonho, que só faz aumentar minha capacidade de amar.

E você, está a fim de experimentar?

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.


Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língiua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung.

Guia pra não perder o namorado na Copa

 

Por Dora Estevam

166443940_b931678c45_o

Verde ou amarelo?
Bandana ou chapéu; corneta ou apito; shorts ou camiseta;
Bandeira grande na janela ou bandeirinha no vidro do carro;

Já escolheu o seu adereço para celebrar ou torcer pelo Brasil na Copa da África do Sul ?

Devo lembrar que neste mesmo mês de muitos jogos, no dia 12 de junho comemora-se o Dia dos Namorados brasileiro. Será um páreo duro. Saem o vermelho e rosa, entram o verde e amarelo.

Você vai dizer: coisa de mulher pensar em romantismo essa hora. Mas não é mesmo ! Mulheres adoram o Dia dos Namorados e homens amam os jogos que, por coincidência, serão pela Copa do Mundo.

O que fazer? Se você não pode com o inimigo, junte-se a ele.

Hoje no mercado é fácil encontrar tudo na temática da Copa.

Tem lingerie, sapatilhas, lindas camisetas bordadas com muito brilho, brincos… Compre uma bandeira daquela bem grande e use a sua imaginação, só não vale ficar aborrecida. Você pode fazer uma produção bem especial sem sair do ‘climão’ da Copa.

Para abastecer a casa: copos, saco de pipoca, brinquedos, tem muita bugiganga por ai. Encha a casa delas e todos ficarão contentes. Não fique isolada nesta jogada, faça tudo para agradar, entre no clima e se divirta.

Convide casais para assistir aos jogos, divida as funções com os maridos, vai ficar bem bacana.

E se os seus filhos são daqueles que pintam a rua de verde amarelo para torcer não seja chata, saia de uma olhada, converse um pouco e, se der vontade, caia no pagode.

Uma outra dica também é decorar o nome dos jogadores da seleção escolhidos por Dunga (ele é técnico da seleção brasileira, isso você sabe, né ?). Se não consegue, imprima e cole na geladeira, não vai fazer feio dizendo que não sabe nome de jogador, isso é coisa do passado, lembre-se você é uma pessoa antenada.

Confira a lista de Dunga:
• Goleiros: Júlio César, Gomes e Doni
• Laterais: Maicon, Daniel Alves, Gilberto e Michel Bastos
• Zagueiros: Juan, Lúcio, Luisão, Thiago Silva
• Meias: Gilberto Silva, Felipe Melo, Josué, Kleberson, Elano, Ramires, Kaká e Júlio Baptista
• Ataque: Luis Fabiano, Nilmar, Robinho e Grafite

E por favor, só use a vuvuzela em casos extremamente conflitantes. Faça tudo com muita alegria e moderação. Afinal, futebol é a grande paixão do brasileiro.

Dora Estevam é jornalista, torce para a seleção brasileira e escreve no Blog do Mílton Jung

Veja outras imagens da galeria de Emarquetti no Flickr

“Chove” no túnel Nove de Julho

 

A imagem é comum para quem usa o túnel Nove de Julho, mas assusta mesmo assim. A água jorra do teto de pedra como se estivesse chovendo lá dentro. E no dia que o ouvinte-internauta e colaborador Marcos Paulo Dias gravou o vídeo para publicar aqui no Blog não chovia há alguns dias na cidade.

Fomos buscar o esclarecimento com a prefeitura que enviou a seguinte resposta:

“O vazamento de água no túnel Nove de Julho é proveniente do lençol freático e não compromete a estrutura do túnel. É uma ocorrência normal, pois não é possível estancar 100% do lençol freático, e está presente nos túneis da Rodovia dos Imigrantes, por exemplo. Quando essa vazão passa a prejudicar o trânsito – não é o que acontece no túnel Nove de Julho – é colocada uma bandeja sob o teto do túnel para conduzir a água para fora do leito carroçável, para as canaletas das laterais”

Ônibus em Diadema serão privatizados

 

ETCD – Empresa de Transportes Coletivos de Diadema – é a última empresa pública de ônibus na região do ABC paulista, tem dívida de R$ 100 mi e projeto causa polêmica mesmo entre aliados do prefeito.

ETCD ônibus de Diadema

Por Adamo Bazani

A Câmara Municipal de Diadema, no ABC Paulista, está desconfiada em relação ao processo de privatização da Empresa de Transportes Coletivos de Diadema, única empresa pública da região a operar serviços de ônibus, proposto pelo prefeito Mário Reali (PT). Desde 2001, a ETCD acumula dívida que ultrapassa a cifra de R$ 110 milhões.

Segundo o “Ponto de ônibus” apurou, o mal estar político ocasionado pelo projeto de lei, que já foi lido na Câmara e encaminhado às comissões especiais para a avaliação, acontece dentro da própria base de sustentação do prefeito petista. Isso porque, quando foi eleito em 2008, Reali prometeu que a empresa continuaria sendo uma “instituição pública, viável e com boa saúde financeira”.

Dois anos depois, no entanto, o discurso mudou. Frente às dívidas, muitas sendo analisadas pela esfera judicial, o poder público, em nota, afirmou que não vê outra saída a não ser o repasse das linhas municipais para a iniciativa privada. Atualmente, 40% do transporte público na cidade são operados pela ETCD, num total de 5 linhas, que transportam diariamente 35 mil passageiros. 60% são de responsabilidade da Viação Imigrantes.

Por telefone, Josenílson Anchieta Barbosa, representante da Comissão de Garagem da ETCD, disse que apesar de a situação da empresa ser muito difícil, o anúncio do projeto de privatização causou indignação. “Vai totalmente contra o que o prefeito havia prometido”.

O clima é o mesmo entre os membros da base do governo no Legislativo.

“Sou completamente contrária à privatização da ETCD, que é sinônimo de precarização do serviço, de aumento da tarifa e de não garantia de emprego. O governo está tratando como modernização do sistema, quando na verdade sabemos que não é isso”, disse em entrevista ao jornal Diário do Grande ABC, a vereadora Irene dos Santos (PT), que defende a abertura do debate de forma ampla na cidade. Ela também admitiu que o projeto é polêmico e causa constrangimento entre os vereadores que adotaram o mesmo discurso do então candidato à prefeitura, de manutenção da empresa pública.

Também da base governista, o vereador Laércio Soares (PC do B) encaminhou ao Poder Executivo um documento com nove questionamentos sobre a situação da ETCD. Entre os temas abordados no requerimento, estão os custos das receitas, a manutenção do emprego e o detalhamento da dívida e dos credores. Admitiu, porém, que, do jeito que está, a empresa de transportes não tem condições de se manter e não consegue mais arcar com o mínimo para uma viação operar: folha de pagamento, combustíveis, pneus, peças e manutenções preventivas.

Continuar lendo

Saúde no ambiente da Guarapiranga

 

Por Suely Aparecida Schraner

Guarapiranga e a cidade

Tonico ! Ele chamou. O cachorrinho nem se moveu. Encantado, permaneceu sentado com as patas dianteiras cruzadas, diante daquela fileira de gente. Atrás das gentes, o mendigo e mais outro cão. Este é o Tinoco, são gêmeos. Não vou dar a mão pra vocês porque dentro do meu coração estou junto de todos, discursou .

Domingo ensolarado de total (bio)diversidade. Céu azul num cenário feérico.

Filhos cidadãos desta São Paulo, sensibilizados sobre a situação dos mananciais.

Perfilados diante da Represa de Guarapiranga, às margens da avenida Robert Kennedy, crianças, jovens e velhos. Um ato de amor natureza. Um protesto pela situção de degradação dos mananciais.

Multidão ‘total flex’. Alegria em participar. Tristeza em constatar.

Nascemos com 80% de água no corpo. Com 5 anos temos 70%. Depois dos 60 anos, temos 58%. Sem água, secamos e morremos como as folhas do outono.

Nosso planeta coberto 75% de água. Consta que só 1% de beber.

Nesta imensa caixa d’água , que abastece mais de 4 milhões de habitantes, o céu espelhado na água resplandecendo nas macrófitas (agua-pés). Plantas que se alimentam de poluição e cobrem boa parte desta represa. O custo do tratamento da água que bebemos é altíssimo.

Multidão ‘total flex’. Alegria em participar. Tristeza em constatar.

Nascemos com 80% de água no corpo. Com 5 anos temos 70%. Depois dos 60 anos, temos 58%. Sem água, secamos e morremos como as folhas do outono. Nosso planeta é coberto 75% de água. Consta que só 1% é de beber.

Do lado de lá, a avenida com seus carros velozes e acidentes atrozes.

O asfalto seco e árvores que teimam em resistir ao monóxido de carbono.

Pulmões catalisadores?

Tonico e Tinoco não são militantes. Intuem que sem água ninguém vive.

Não jogar lixo nas ruas, no aceitar que o esgoto deságue na represa.

Por uma metrópole mais arejada. Por um caminhar, pedalar, e respirar melhor.

É Abraço da Guarapiranga

Suely Aparecida Schraner é ouvinte-internauta do CBN SP e do Conselho Gestor da UBS Veleiros/Sociedade Civil

13.666 moradores de rua e prefeitura acha que está certa

 

Sem-teto na Ipiranga

São 13.666 pessoas morando nas ruas e abrigos municipais, segundo censo realizado em dezembro de 2009 e apenas divulgado nessa semana. A precisão com que a prefeitura aponta o número de moradores nestas condições não é a mesma de quando avalia o problema e a solução para o caso que tem assustado o paulistano.

Todo dia, ouvintes-internautas relatam situações constrangedoras vividas na porta de suas casas e lojas, principalmente se moram na região mais central da cidade. Constrangimento também é o que enfrentam estas pessoas que pelos mais diversos motivos dormem nas calçadas, se alimentam como podem e tem pouca perspectiva de vida.

Sebastião Nicomedes, escritor e um dos fundadores do Movimento Nacional de População de Rua, entende que o número de pessoas em condição de rua está subestimado. Calcula que sejam cerca de 18 mil, pois o censo foi feito no período de verão quando muitos descem para o litoral em busca de esmola. Ele alerta para a necessidade de a prefeitura criar “portas de saída” dos albergues, pois o morador de rua precisa ter um horizonte: emprego e moradia. Ouça a opinião de Sebastião Nicomedes.

A vice-prefeita e secretária de Ação Social Alda Marco Antônio tenta demonstrar otimismo e entusiasmo com o trabalho realizado pela prefeitura de São Paulo. Não se assusta com o número apresentado pelo censo, “pois Londres tem 90 mil moradores de rua”. Vê como positivo o fato de que parte dos albergados trabalha e a quantidade de crianças nas ruas diminuiu. Fala na abertura de vagas nos centros de atendimento e em cursos de capacitação que estariam preparando este pessoal para o mercado. Seu tom está desconectado com o que vemos no cotidiano de São Paulo. Acompanhe a entrevista com Alda Marco Antônio.

Corredor ABD quer ser maior e mais verde

 

Renovação da frota e ônibus maiores e menos poluentes trarão qualidade ao serviço que é tido como referência na América Latina que une cidades do ABC e a capital paulista.

Caio Millennium II da Metra

Por Adamo Bazani

Os passageiros de ônibus e trólebus da capital paulista e região do ABC, servidos pelo corredor metropolitano ABD, vão contar com uma série de inovações para o sistema, ainda no segundo semestre deste ano. O corredor liga o bairro de São Mateus, zona leste, ao Jabaquara, sul, passando pelas cidades de Santo André, São Bernardo do Campo, Mauá e Diadema. Em breve, terá veículos urbanos novos e articulados com o que há de mais moderno em termos de operação e acessibilidade. Ações ambientais serão implementadas pela empresa operadora Metra e haverá a conclusão das obras que acrescentarão mais 12 quilômetros de vias segregadas aos 33 existentes.

Já está na garagem da Metra uma parte do lote de pelo menos 11 ônibus novos que vão passar a rodar no corredor metropolitano. Apesar de movidos a diesel, trarão vantagens em relação ao impacto no meio ambiente provocado pela frota atual. Com motorização eletrônica a emissão de gases atende padrões europeus.

Trata-se do modelo com carroceria Caio Millennium II, chassi Mercedes Benz O 500 UA, motor Mercedes Benz OM – 457 LA, de 360 cavalos.

A alta potência do motor confere ao veículo rentabilidade e bom desempenho, principalmente nos trechos de via segregada. Com pistas melhores, a queima de combustível é menor. Isoladamente, este tipo de ônibus pode gastar mais que os convencionais, em compensação substitui de dois a três ônibus de dimensões comuns. Portanto, o mesmo número de passageiros é transportado com menos ônibus circulando. Menos ônibus rodando significa menos combustível queimando, melhor para o meio ambiente.

Caio Millennium II da Metra

O Caio Milleniumm II Mercedes Benz segue todas as regras previstas na Resolução 316, do Contran – Conselho Nacional de Trânsito – e na NBR 15570. Os dois dispositivos levam em consideração itens e tipos de prestação de serviço que visam maior conforto, segurança e acessibilidade, como distâncias mínimas entre os bancos e largura de corredor, ventilação, sinais de alerta de defeitos do sistema para o motorista e saídas mais eficientes de emergência.

O novo ônibus é do tipo Piso Baixo Central, ou seja, o assoalho do ônibus entre a porta da frente e a porta do meio, no primeiro carro (cada ônibus é formado por dois carros por ser articulado), fica na altura da guia para facilitar o acesso de idosos, gestantes e pessoas com deficiência.

Os passageiros com cadeira de rodas, além de contar com esse embarque mais fácil, têm espaço preferencial dentro do ônibus, que é dotado de um dispositivo de cintos e presilhas que fixam a cadeira com segurança junto as paredes. Há também um lugar especial para os acompanhantes e, se o cadeirante estiver sozinho na viagem, na hora de descer não vai precisar da ajuda de ninguém, se assim preferir. Existe um botão de acionamento de parada na altura da cadeira de rodas e o ônibus não tem degrau com embarque e desembarque na altura da guia.

Os deficientes visuais também serão beneficiados pelo novo ônibus articulado que rodará pelo corredor ABD. O veículo tem ferros de apoio com relevo especial para quem não consegue ter boa visão, e espaço adequado para cão guia. O Caio Millennium Mercedes Benz possui bancos especiais para obesos, uma peça única, sem divisória, que pode ser usado por gestantes, também. Esses bancos, assim como os reservados para idosos, têm detalhes de cor amarela para identificação e conscientização dos demais usuários.

O ônibus, cujo peso bruto total chega a 28 toneladas, tem ainda faixas refletivas ao longo da carroceria, para melhor visualização, conforme determina lei federal para veículos de grande porte.

Os articulados começarão a rodar já neste segundo semestre. Eles estão sendo revisados pelos órgãos públicos de transportes e recebendo os últimos detalhes para a operação. Os motoristas estão sendo treinados pela montadora para se adaptarem ao veículo, que traz algumas inovações na maneira de dirigir.

Atualmente, o motorista de ônibus não pode se limitar a aprender a dirigir, ele tem de possuir noções de eletrônica e até de sistemas informatizados, pois os ônibus modernos trazem todos estes elementos em sua concepção.

Continuar lendo